Cinema Paraíso, de Giuseppe Tornatore
O realizador Salvatore é
um realizador de sucesso em Roma, e numa noite recebe a notícia que o seu amigo
Alfredo morreu. É nesta altura que Salvatore se relembra de tudo o que pensava
que podia ter esquecido. Relembra os seus tempos de infância, vividos numa
cidade pequena da Sícilia (Giancaldo), assombrada pela pós-guerra e pela imagem
do pai que nunca voltou da guerra. Estes eram tempos difíceis, reinavam a fome,
a pobreza, a censura e o cinema era o espaço onde as populações podiam sonhar e
por breves momentos serem felizes. As cenas passadas nos cinemas retratam as
situações mais caricatas: o início dos namoros, as partidas das crianças, a
corrida destas mesmas para a primeira fila frente ao ecrã, negócios obscuros,
inclusive cenas de sexo.
Salvatore relembra-se
enquanto Toto e o seu amigo Alfredo, o projeccionista da sua cidade que lhe
mostrou os segredos do cinema e das projecções e assim estimulou-lhe a grande
paixão pelo cinema.
O filme retrata o amor
nas suas diversas frentes: o amor de mãe versus mulher, amor de adolescente
(contrariado neste caso, uma vez que o pai de Elena não gostava de Salvatore por
este ser pobre), o amor sob forma de amizade, e o amor pelo cinema. É também
devido a esses “duros” amores que se fazem escolhas, sacrifícios, sofrem-se
consequências e muitas vezes obrigam-nos a fugir dessas realidades para criarmos
em nosso torno uma redoma de vidro aparentemente intocável. Mas na noite em que
Salvatore recebeu a triste noticia, percebeu que não podia fugir do passado,
pois querendo ele ou não ele existia, e por isso mesmo tinha que o enfrentar.
Assim passados muitos anos de ter “fugido” da sua terra natal, Salvatore volta à
sua terra para o funeral do seu amigo e reencontra os rostos envelhecidos
daqueles que o acompanharam durante a sua infância, e então sente-se de novo em
casa.
Antes de partir, Alberto
deixou um presente a Salvatore. Uma fita. Salvatore só a viu quando regressou a
Roma. É então que se emociona quando se depara que aquela fita era aquilo que
sempre sonhara: o conjunto das cenas cortadas dos filmes, à causa da censura.
Essas cenas não são mais do que os beijos mais famosos do cinema, majestosamente
montados numa sequência extremamente emocionante e inesquecível.
Fontes: Cinema Paraíso. In Infopédia [Em
linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
Cinema7:Cinema Paraíso
Imbd
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