sexta-feira, 22 de maio de 2020

22 de Maio de 337: Morre o Imperador Constantino I, após conversão ao cristianismo

Doente, esgotado em virtude de um reinado agitado, o imperador romano Constantino I morre em 22 de Maio de 337, dia do Pentecostes cristão. Não tinha cumprido ainda 60 anos. Faleceu em Ancirona, nos subúrbios de Nicomédia (actual cidade turca de Izmit), ao sul do mar de Mármara, enquanto tentava reconquistar à pressa a sua capital, Constantinopla.

Antes de exalar o último suspiro, Constantino teve tempo de receber o baptismo das mãos do bispo Eusébio de Nicomédia. Este baptismo tardio e a sua acção em favor da Igreja  valeram-lhe ser venerado como um santo pelos cristãos ortodoxos, ainda que não tivesse tido na vida um comportamento dos mais virtuosos.
Desde a sua juventude, Constantino estava dividido entre a nova religião herdada da sua mãe, Helena e o culto bastante em voga à sua época do Sol invictus, o que daria início a uma evolução do politeísmo pagão em direcção ao monoteísmo judaico ou cristão.

Constantino não era, portanto, um modelo de bondade evangélica. Levava em consideração vários factores entre a consciência privada e a acção pública. Desse modo, sem hesitar, mandou executar o seu sogro, o ex-imperador Maximiano Hercúleo, mas também o seu próprio filho, a sua mulher Fausta e o seu cunhado Licinius.
 
No poder, deixou-se cercar por cristãos, entre os quais o seu hagiógrafo o bispo Eusébio de Cesareia.
Envolveu-se também muito activamente nos negócios da Igreja e convocou um concílio ecuménico universal em Niceia com a finalidade de superar as divergências entre partidários de Ário e de Atanásio de Alexandria sobre a subtil questão da divindade de Cristo.

Curiosamente, esquecendo-se das suas precedentes decisões a favor da unidade doutrinária do cristianismo, o imperador cede, na fase final da sua vida, aos argumentos de um bispo ariano, Eusébio de Nicomédia, o mesmo que o baptizaria no seu leito de morte. Estende a mão e apoia o arianismo, condenado pelo Concílio de Niceia. A heresia só seria definitivamente eliminada no século seguinte em 451, por ocasião do Concílio de Calcedónia.

Seguindo o costume então em voga entre os cristãos, Constantino espera a iminência da morte para receber o baptismo, o que asseguraria a remissão de seus numerosos pecados anteriores.

 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)

Constantino: mosaico em Hagia Sofia
File:Constantine burning Arian books.jpg
Constantino queima livros arianos

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