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quinta-feira, 15 de março de 2018

Action Painting

O termo Action Painting qualifica em simultâneo uma técnica pictórica e uma corrente artística associada ao movimento do Expressionismo Abstrato, desenvolvido desde os inícios da década de 1940 nos Estados Unidos da América e na Europa, onde se tornou conhecido por Informalismo.Enquanto movimento pictórico, a Action Painting é geralmente confundida com o Expressionismo Abstrato, do qual constitui somente uma das tendências formais e estéticas, a par do Colour-Field Painting e de outras correntes.
O seu nome resulta do título de um artigo publicado pela revista Art News de dezembro de 1952, "The American Action Painters", escrito pelo poeta e crítico de arte americano Harold Rosenberg (1906-). A grande divulgadora desta corrente foi a galerista nova iorquina Peggy Guggenheim (1898-1979) que, desde 1942, realiza uma série de exposições dos trabalhos destes artistas.
A Action Painting, ou pintura gestualista, tem as suas origens mais diretas no movimento surrealista e no desenho automático, praticado por alguns dos artistas que integravam esta corrente, mais especificamente pelo pioneiro André Masson (1896-1987) , famoso pelos trabalhos que realiza em meados da década de vinte, sob influência da psicologia e da psicanálise freudianas e jungianas. A influência deste artista na cultura artística nova iorquina tornou-se particularmente forte após a sua ida para os Estados Unidos em 1941.
Mais especificamente, o termo Action Painting aplica-se ao trabalho de poucos pintores, todos saídos do período da pós-depressão nos Estados Unidos, como Jackson Pollock e o seu discípulo Hans Hoffmann (1880-1966) cujos trabalhos revelam, desde os anos 40, a preferência pela pintura através do dripping, técnica que consistia em deixar pingar a tinta sobre uma tela, geralmente de grande dimensão, colocada na horizontal sobre o chão. Pode também ser incluída nesta tendência parte da obra dos americanos Arshille Gorky (1904-1948) e de Robert Motherwell (1915-1991).
Estes artistas apresentam como denominador comum o entendimento do quadro como um palco para a ação artística. A pintura, sempre abstrata, realiza-se através de amplos gestos (que adquirem o carácter de coreografias), procurando salientar a intensidade e intencionalidade estética contida no ato de pintar. É precisamente esta ação livre e sem obstáculos intelectuais e não tanto o seu produto final (uma imagem constituída por linhas, manchas, cor e forma), aquilo que deve ser comunicado ao público. Raramente são realizados estudos prévios, considerados aniquiladores do processo de desenho automático de cariz espontâneo.
Tendo tido um desenvolvimento mais forte nos Estados Unidos, em torno da chamada Escola de Nova Iorque, a Action Painting produziu ecos na Europa do pós-guerra. Em França, influenciou, em alguns aspetos, o movimento informalista e o Tachismo, como o demonstra a linguagem sígnica instantânea e de grande expressividade do pintor Georges Mathieu. Na Alemanha destaca-se o trabalho dos pintores Fred Thieler e Karl Otto Götz (que levam o automatismo e o instinto a um limite máximo) e o Grupo Zen, criado em Munique, que retoma o método e técnicas pictóricas de Jackson Pollock. Em Itália, salienta-se a atividade do grupo de artistas denominado "Movimento Arte Nucleare".
A Action Painting foi precursora de alguns movimentos posteriores, como a Arte Processual dos anos 70.
Action Painting. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia
 
Jackson Pollock, representante da action painting
Number 1 - Jackson Pollock
 
 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Sobressalto Político de 1958

No ano de 1958 realizaram-se as eleições presidenciais que marcariam uma época de grande instabilidade política. A candidatura do general Humberto Delgado, derrotado nas eleições pelo almirante Américo Thomaz, despoletou uma onda de revolta contra o regime salazarista. De facto, durante a campanha eleitoral Humberto Delgado tinha prometido demitir António de Oliveira Salazar, caso vencesse, granjeando bastantes apoiantes, praticamente toda a oposição ao regime salazarista. O sucesso da campanha deste candidato, após a desistência de dois outros (Arlindo Vicente e Cunha Leal), fez com que o regime tremesse e fossem tomadas medidas repressivas pelo ministro do Exército, Afonso Costa, contra as manifestações públicas de apoio a Humberto Delgado. A mais evidente destas medidas foi o impedimento do comício em Lisboa, na Estação de Santa Apolónia, por intermédio dos legionários comandados por Góis Mota, que obrigou o veículo que transportava Delgado a desviar-se da rota, e da Guarda Nacional Republicana comandada por António de Spínola, sendo igualmente boicotado o comício previsto em Braga. Sem listas eleitorais e com a proibição imposta pelo Governo à oposição no que respeita à inspeção das assembleias de voto, acabou por vencer o almirante Tomás, entre as reclamações generalizadas da oposição. Esta onda na solidez do regime do Estado Novo teve inevitavelmente uma série de repercussões no País. Entre elas contam-se a revisão constitucional de 1959, que instituiu um colégio eleitoral para que não perigasse o corporativismo e não se voltasse a repetir o clima de insegurança das últimas eleições presidenciais. Entretanto fundava-se, secretamente e ainda em 1958, o Movimento Nacional Independente, tendo à cabeça Humberto Delgado. Lutando por valores democráticos, foi dirigido ao ministro do Interior um pedido de autorização de existência e prática de apoio económico e moral aos prejudicados pelo regime de repressão, assim como a contestação dos resultados eleitorais. O pedido foi indeferido e sucederam-se as tentativas do MNI de levar à sublevação generais do exército, contestando também, e abertamente, o regime pela participação ostensiva no aniversário da implantação da República (cujas comemorações foram alvo de intervenção violenta do exército). Em dezembro de 1958 Humberto Delgado foi investigado e demitido, tendo-se asilado na embaixada do Brasil após o insucesso do golpe militar que tinha vindo a ser preparado para se realizar a 28 de Dezembro de 1958. Continuariam as tentativas de sublevação, que agregaram no chamado "Golpe da Sé" (Março de 1959) um novo sector apoiante: a Igreja Católica.
Sobressalto Político de 1958. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

Uma multidão recebe Humberto Delgado na Praça de Carlos Alberto, no Porto, em 1958


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A crise petrolífera dos anos 70


No fim dos anos 50 do século XX a produção mundial de petróleo excedia consideravelmente a procura. O preço do produto desceu e, com isso, diminuiu também a quantidade de dinheiro pago pelas grandes companhias petrolíferas às nações produtoras.


Como reação a esta enorme quebra das receitas, funda-se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em 1960, reunindo doze países: Argélia, Gabão, Indonésia, Irão, Iraque, Koweit, Líbia, Nigéria, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Venezuela (o Equador fez parte desta organização entre 1973 e 1992), com sede em Viena de Áustria.




Para além disso, alguns países nacionalizaram a produção petrolífera e os equipamentos das companhias, conseguindo assim lucros consideráveis.



No início dos anos 70, a procura internacional de petróleo começou a exceder a produção. Entre 1973 e 1974, a OPEP quadruplicou os preços do crude para cerca de 12 dólares o barril. Em 1979 e 1980, os membros da Organização votam uma nova alta de preços e o barril passa a valer 30 dólares.



Esta política dos países produtores viria a criar enormes problemas de inflação nas nações industrializadas. Governos e bancos aumentaram as taxas de juro, agravando o problema de pagamento de dívidas, que ainda hoje atormentam grande parte dos países em vias de desenvolvimento.



Subsequentemente, os efeitos combinados da contenção e redução do consumo de petróleo pelas nações compradoras enfraqueceu a procura.


A pressão no sentido da descida dos preços intensificou-se após a descoberta de novos poços de petróleo e devido à incapacidade de diversos países membros da OPEP em aguentar as quotas de produção estabelecidas pela Organização para manter os preços.


No início de 1986 os preços baixaram para menos de 10 dólares o barril. Apesar de alguma recuperação posterior, raramente excederam os 20 dólares, exceto durante a Guerra do Golfo, quando subiram temporariamente para 25 dólares o barril.



Refira-se ainda que em 1976 a OPEP criou um fundo de ajuda aos países mais pobres, para compensar os efeitos da subida dos preços do petróleo nas suas economias e incentivar programas de desenvolvimento económico e social. O capital inicial rondava os 800 milhões de dólares mas no princípio dos anos 90 ascendia a mais de três mil milhões de dólares.
Fontes: Infopédia
wikipédia(imagens)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A Lição de Salazar

Para assinalar os dez anos de governo de Salazar, é editada, em 1938, uma série de sete cartazes intitulada " A Lição de Salazar", distribuída, por todas as escolas primárias do país. Estes cartazes integravam uma estratégia de inculcação de valores por parte do Estado Novo.
Durante muitos anos, estes cartazes didácticos foram utilizados como forma de transmitir uma ideia central: a superioridade de um Estado forte e autoritário sobre os regimes demoliberais.
A escola é o palco privilegiado para a inculcação dos valores transmitidos pelo Estado Novo. Os manuais escolares, livros únicos para o então Ensino Primário, criteriosamente seleccionados pelo Ministério da Educação Nacional e adoptados por vários anos, revelam múltiplos exemplos desses valores: a glorificação da obra do Estado Novo e do seu líder, Salazar;  papel subalterno da mulher, limitada à função de esposa e mãe; caridade, a catequese, a história gloriosa da pátria, que transforma Portugal na mais bela nação do mundo.
Estes cartazes fizeram parte de uma estratégia de transmissão de valores por parte do Estado Novo, destinando-se a glorificar a obra feita até então, reorganização económica e financeira após a 1ª República, criação de infra-estruturas e vias de comunicação bem como a melhoria paisagística e o incentivo à produção agrícola, pacificação do país em termos sociais, reforço no âmbito da defesa da Nação e do Império, o corporativismo como meio para atingir a harmonia social, as obras públicas, a trilogia da educação nacional. Para acentuar a importância do Estado Novo, os cartazes partem de uma imagem mais pequena no canto superior esquerdo, representando o período antes da obra realizada por Salazar, enquanto que o “depois” da obra de Salazar nos aparece colorido, organizado, moderno. 
As "Lições" eram sete: Pinhais, searas e estradas, As Finanças, Renascimento do património histórico e artísticoCais de Portugal,  Dignificação do Trabalho e da Justiça Social, Defesa da Nação e do Império e Deus, Pátria e Família.
 
 
 

Pinhais searas e estradas
As Finanças
Renascimento do património histórico e artístico
Cais de Portugal



Dignificação do Trabalho e da Justiça Social
Defesa da Nação e do Império

Deus, Pátria e Família

domingo, 5 de novembro de 2017

O Modernismo em Portugal: José de Almada-Negreiros

Artista e escritor polifacetado, José de Almada-Negreiros nasceu a 7 de Abril de 1893, em S. Tomé e Príncipe, e morreu a 15 de Junho de 1970, em Lisboa.
"Pela sua obra plástica, que o classifica entre os primeiros valores da pintura moderna; pela sua obra literária, que vibra de uma igual e poderosa originalidade; pela sua acção pessoal através de artigos e conferências - Almada-Negreiros, pintor, desenhador, vitralista, poeta, romancista, ensaísta, crítico de arte, conferencista, dramaturgo, foi, pode dizer-se que desde 1910, uma das mais notáveis figuras da cultura portuguesa e uma das que mais decisivamente contribuíram para a criação, prestígio e triunfo de uma mentalidade moderna entre nós". Assim apresenta Jorge de Sena, no primeiro volume das Líricas Portuguesas, o homem que, com Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, mais marcou plástica e literariamente a evolução da cultura contemporânea portuguesa
Órfão desde tenra idade, viajou para Lisboa com sete anos para casa de uma tia materna. Frequentou os estudos primários e liceais em Lisboa, no Colégio Jesuítico de Campolide, Liceu de Coimbra e Escola Nacional de Lisboa. Entre 1919 e 1920, seguiu estudos de pintura em Paris, trabalhando como bailarino de cabaré e empregado numa fábrica de velas, redigindo na capital francesa muitos dos textos e grafismos que viriam a ser célebres, como o "auto -retrato". Viveu entre 1927 e 1932 em Espanha, onde realizou várias encomendas para particulares e públicos. Embora tivesse colaborado com textos e grafismos em algumas publicações, como Portugal Artístico ou Ilustração Portuguesa, e tivesse participado com êxito no 1.º Salão do Grupo dos Humoristas Portugueses, é a sua colaboração no número 1 de Orpheu, em 1915, onde publica o texto ainda incompletamente revelador Frizos (A Cena do Ódio, destinada a Orpheu 3, viria a ser publicada em Contemporânea), que lhe dará a base de lançamento para uma postura iconoclasta (o Manifesto Anti-Dantas, apresentado no mesmo ano, é modelar neste ataque generalizado a uma intelectualidade convencional, burguesa e passadista), tornando-se um dos principais representantes da vertente vanguardista do movimento modernista. Em 1917, participa no projecto Portugal Futurista, publicando nesse órgão do "Comité Futurista de Lisboa", que co-fundara, no mesmo ano, com Santa-Rita, o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, texto que tinha sido objecto de performance pública, e os os textos simultaneístas Mima Fatáxa e Saltimbancos. Desenvolve paralelamente uma intensa actividade artística, tendo colaborado, com grafismos e com criação literária, em várias publicações, como Diário de Lisboa, Athena, Presença, Revista Portuguesa, Cadernos de Poesia, Panorama, Atlântico, Seara Nova e tendo fundado outras, como os "Cadernos de Almada-Negreiros", SW, onde, em 1935, no primeiro número, tenta equacionar, com o máximo de clareza, as relações entre civilização e cultura, entre arte e política, entre indivíduo e colectividade, vindo também a publicar um dos seus vários textos dramáticos, SOS, que, com Deseja-se Mulher, deveria integrar o projecto, originalmente escrito em castelhano, Tragédia da Unidade. Uma análise da obra de Almada-Negreiros não pode deixar de considerar a complementaridade que nela assumem as várias formas de expressão artística, nem de verificar que, independentemente do suporte escolhido (argumento e coreografia de bailados, exposições, happening, produções publicitárias, cinema, jornais manuscritos, telas, frescos, mosaicos, vitrais, painéis de azulejos, palestras radiofónicas, cenários e figurinos, cartões de tapeçaria, etc.), toda a realização artística de Almada se distingue por certos traços comuns, não necessariamente antitéticos, como a graciosidade e a irreverência, a ingenuidade e a inteligência, o populismo e o esteticismo, a abstracção e o concreto. Na tentativa de encontrar a arte poética subjacente à sua actividade exclusivamente literária, Celina Silva considera que a "performance constitui o universal maior de toda a produção" de Almada-Negreiros: "evidenciando-se no literário através da adopção de uma concepção do verbal que é encarada enquanto acção", essa performance verbal que "tanto é típica da postura vanguardista quanto se revela reinstauração do verbal nos seus primórdios [...] implica um exercício da palavra-acção radicada numa postura geradora de uma ficção do eu", ao mesmo tempo que "A espontaneidade e o cunho comunicativo radicam numa ambição totalizante, eivada de optimismo e euforia, que, pela abrangência de que se reveste, aponta para um projecto de alargada recepção, embora projectado por uma elite" (cf. SILVA, Celina - A Busca de Uma Poética da Ingenuidade ou a (Re)Invenção da Utopia (Reflexão Sistematizante acerca da Produção Literária de José de Almada-Negreiros, Porto, Faculdade de Letras, 1992, pp. XIII, XIV). A "poética da ingenuidade" explanada por Celina Silva, anulando qualquer descontinuidade entre a forma linguística do poema, do drama, do texto de intervenção, e a expressão do ensaio, da teoria poética ou filosófica, encontraria numa "sofistificação da simplicidade" (cf. Sena, Jorge de in Obras Completas de Almada Negreiros, vol. I, Lisboa, INCM, 1985, p. 17) o equilíbrio entre poesia e conhecimento, num autor para quem "A Poesia "conhece" e não "sabe" (Prefácio ao Livro de Qualquer Poeta).
Almada-Negreiros. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
wikipedia (Imagem)




 Ficheiro:Allmadanegreiros1917.jpg

Ficheiro:Almada Negreiros, Duplo retrato, 1934-36, óleo sobre tela, 146 x 101 cm .jpg
Duplo Retrato -Almada Negreiros

Maternidade - José de Almada Negreiros