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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Sociedade das Nações (SDN)

Com a entrada em vigor do Tratado de Versalhes, nasce oficialmente em 10 de Janeiro de 1920 a Sociedade das Nações, conhecida como SDN. A organização internacional, cuja sede foi estabelecida em Genebra, recebe 32 países como membros,  submetidos à autoridade de um conselho permanente. O papel central da SDN é o de assegurar a manutenção da paz no mundo. Após a Segunda Guerra Mundial ela é substituída pela ONU (Organização das Nações Unidas). 

A Sociedade das Nações representa um produto da Primeira Guerra Mundial, no sentido que o conflito acabou por convencer os governantes da necessidade de impedir outro conflito semelhante. As bases filosóficas residem nas visões de homens como o duque de Sully e Immanuel Kant, porém, os alicerces práticos ficam respaldados pelo recente crescimento de organizações formais internacionais, como a União Telegráfica Internacional (1865) e a União Postal Universal (1874). A Cruz Vermelha, as Conferências de Haia e o Tribunal Internacional de Haia consistiram também em importantes pedras fundamentais para a cooperação internacional. 

No término da Primeira Guerra Mundial, figuras proeminentes como Jan Smuts, Lord Robert Cecil e Leon Bourgeois defenderam uma Sociedade das Nações. O presidente norte-americano Woodrow Wilson incorporou a proposta nos seus famosos 14 pontos e  transformou-se em figura importante na criação da SDN durante a Conferência de Paz de Versalhes em 1919. A base institucional da SDN foi o Pacto (Covenant), incluído no Tratado de Versalhes. 

O Pacto era formado por 26 artigos. Os artigos 1º ao 7º diziam respeito à organização: uma assembleia geral composta de todos os países membros; um conselho composto pelas grandes potências, originalmente Grã-Bretanha, França, Itália, Japão e China, e mais tarde também a Alemanha e a URSS (paradoxalmente com excepção dos Estados Unidos, cujo Senado se recusou a ratificar o Tratado de Versalhes); e um secretariado. 

Tanto a assembleia geral quanto o conselho tinham poderes para discutir e dirimir qualquer matéria da esfera da SDN ou qualquer conflito que afectasse a paz mundial. Em ambos era exigida decisão unânime. Os artigos 8º e 9º reconheciam a necessidade de desarmamento. O art. 10º era uma tentativa de garantir a integridade territorial e independência política dos estados membros contra agressões externas. Os artigos 11º a 17º tratavam do estabelecimento de um Tribunal  Internacional Permanente de Justiça para arbitragem e conciliação. Os demais artigos tratavam de cooperação humanitária e emendas ao Pacto. 

A SDN rapidamente provou  a sua validade arbitrando a disputa entre a Finlândia e Suécia sobre as ilhas Aland (1920–21), garantindo a segurança da Albânia (1921), resgatando a Áustria do desastre económico, estabelecendo a divisão da Alta Silésia (1922) e evitando a eclosão da guerra nos Bálcãs entre Grécia e Bulgária (1925), além de acções contra a escravatura branca, ao tráfico de ópio e em outros campos. 

A pressão política, especialmente das grandes potências, levava a organização ao esfacelamento. A Polónia recusou a arbitragem da SDN no seu contencioso com a Lituânia; a Sociedade das Nações ficou sem acção quando a França ocupou o Ruhr alemão (1923) e a Itália ocupou Kérkira, Corfu, Grécia (1923). A omissão quanto à invasão da Manchúria pelo Japão infligiu um duro golpe ao prestígio da SDN, em especial porque foi seguido da retirada do Japão da organização (1933). Outro grande insucesso foi a inabilidade da SDN para pôr fim à Guerra do Chaco (1932–35) entre Bolívia e Paraguai. 

O fracasso da Conferência de Desarmamento e a retirada da Alemanha da (1933), bem como o ataque da Itália à Etiópia, acabaram por selar a inoperância da organização. Em 1936, Hitler remilitarizou a Renânia e denunciou o Tratado de Versalhes. Em 1938 anexou a Áustria. 

Diante das ameaças à paz internacional – a Guerra Civil espanhola, a Guerra do Japão contra a China (1937) e finalmente a ‘política de apaziguamento’ com Hitler em Munique (1938) – a SDN entrou em colapso. 

Em 1940 estava reduzida a um esqueleto. Por fim, em 1946, a Sociedade das Nações  deixou oficialmente de existir, transferindo os seus serviços e bens imóveis, especialmente o Palácio das Nações em Genebra às Nações Unidas, recém formada. 

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

A sede da SDN em Genebra

terça-feira, 19 de setembro de 2017

As Consequências da Primeira Guerra Mundial

As consequências imediatas da Primeira Guerra Mundial foram evidentemente as baixas humanas. O conflito fez mais de 8 milhões de mortos (1,9 milhões na Alemanha, 1,7 milhões na Rússia, 1,4 milhões na França, 1 milhão na Áustria-Hungria e 760 mil na Inglaterra), 20 milhões de feridos e 6 milhões de inválidos. Traduziu-se igualmente em grandes perdas económicas e em enormes gastos com o esforço de guerra, lançando muitos Estados em sérias crises. A Europa passou por um período de dependência económica e também de instabilidade política, perdendo a sua posição de hegemonia que ocupava no panorama mundial.
Em termos económicos, a Europa ficou completamente desorganizada, com graves problemas no setor agrícola e industrial. Os grandes beneficiários desta situação foram os EUA e o Japão. No caso do Japão, o país pôde beneficiar do afastamento dos tradicionais concorrentes europeus, o que permitiu o estímulo e a diversificação da sua indústria. Os EUA lucraram também, pois viram as suas reservas de ouro duplicar, ficando nas suas mãos cerca de metade do ouro disponível a nível mundial. Este poderio económico vai permitir ao país substituir a pouco e pouco a preponderância financeira dos europeus, em particular na América do Sul. Segundo o tratado de Versalhes (28 de junho de 1919), a Alemanha era considerada a grande responsável pela guerra, tendo que pagar 22 milhões de marcos/ouro como reparação dos danos às populações civis. Este dinheiro foi repartido na sua maior fatia pela França (52%) e pela Grã-Bretanha (22%).
Mas mais significativa que os reveses económicos foi a reconstrução política da Europa, "plasmada" em vários tratados de paz assinados após a Guerra, reunidos sob o nome de Tratados de Versalhes, cuja ineficácia ficaria provada em menos de duas décadas. As negociações de paz reuniram 32 Estados, entre vencedores e vencidos, orientados sob os princípios idealistas do presidente americano Woodrow Wilson (1913-1921). Daqui resultaram problemas políticos que seriam posteriormente o rastilho para uma guerra ainda mais letal do que a que findava. Os problemas-chave latentes eram o direito de nacionalidade das minorias assimiladas pelos Impérios Austríaco, Russo e Otomano; a repartição dos territórios coloniais, não europeus; a vexação sofrida pela Alemanha (desmilitarizada, perdendo territórios e pagando indemnizações pesadas); e o fracasso da Sociedade das Nações (SDN), incapaz de fazer respeitar os acordos e manter a paz.
O mapa geopolítico da Europa foi então redefinido sobre os escombros da guerra. A Alemanha foi forçada a evacuar a Alsácia-Lorena, pertencente à França, e a margem esquerda do Reno (Renânia). A região do Sarre ficará sob o controlo da SDN, reservando ao território o direito de optar em relação ao país que desejasse integrar (a França ou a Alemanha). A Posnânia (na Polónia) e uma parte da Prússia (território alemão no báltico oriental) são dadas à Polónia, ainda que o acesso ao Báltico fosse assegurado por um "corredor" de 80 km, separando-se a Alemanha da Prússia oriental. O território do Norte de Schleswig foi também anexado à Dinamarca, após plebiscito entre a população (1920).
A Europa central e balcânica foi totalmente reorganizada a partir do desmembramento do Império Austro-Húngaro. A Hungria viu-se, todavia, amputada de parte do seu território pelo tratado de Saint-Germain-en-Laye (10 de setembro de 1919), perdendo ainda outras regiões através do disposto no tratado de Trianon (4 de junho de 1920). Segundo o tratado de Neuilly (novembro de 1919), a Bulgária foi forçada a ceder a Trácia à Grécia e a Macedónia à Sérvia. A Turquia teve também que abandonar as suas possessões árabes e a Terra Santa, o que correspondia a quatro quintos do seu império (tratado de Sèvres, 10 de agosto de 1920). Relativamente à Polónia, o tratado de Versalhes pouco precisou no que diz respeito à sua fronteira oriental com a Rússia. O desmembramento do Império dos Habsburgos (Áustria-Hungria) vai beneficiar a então recente república checoslovaca, a Roménia e a Sérvia, cujo Estado ficava com a posse da Eslovénia, a Croácia (com a Dalmácia).
Aos impérios históricos, formados sob o princípio da legitimidade, sucediam-se os novos países criados sob o princípio da nacionalidade, face à eclosão de diversos movimentos nacionalistas. Húngaros, polacos, checos e eslovacos e povos da ex-Jugoslávia proclamam a sua autonomia logo em 1918 no fim da guerra, enquanto se ouvem também os protestos de albaneses, arménios e gregos orientais (da Turquia). Ao mesmo tempo, os países que perderam com o alinhamento das fronteiras, como a Hungria e a Alemanha, mostravam o seu descontentamento aderindo a ideais como os saídos da terceira Internacional comunista ou mesmo a outros de expressão mais extremista, de direita nacionalista.
A Europa dividiu-se politicamente. A vitória dos Aliados era entendida como a vitória da democracia face aos impérios autocráticos. O garante desta nova ordem seria a SDN, instituída pelo tratado de Versalhes. A Sociedade tinha uma dupla função: por um lado, garantia a paz e a segurança internacional, e por outro devia desenvolver a cooperação entre as nações, encarando o espírito universal do parlamentarismo. Contudo, porque baseada em equívocos, a sua ação irá revelar-se insuficiente para evitar o deflagrar de um novo conflito.
Fontes: Consequências da Primeira Guerra Mundial. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
wikipedia (imagens)


Conferência de Paz de Paris (1919) Lloyd GeorgeVittorio Emanuele Orlando,Georges ClemenceauWoodrow Wilson.
 
Assinatura do Tratado na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Tratado de Versalhes (1919)

O Tratado de Versalhes foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias a 28 de Junho de 1919 e encerrou oficialmente a  I Guerra Mundial. O principal ponto do tratado determinava que a Alemanha aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e que, sob os termos dos artigos 231-247, fizesse reparações a determinados países da  Tríplice Entente (Aliança vencedora).
Os termos impostos à Alemanha incluíam a perda de uma parte do seu território para algumas nações fronteiriças, de todas as colónias, uma restrição ao seu exército e uma indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. O ministro alemão do exterior, Hermann Müller, assinou o tratado a 28 de Junho de 1919. O tratado foi ratificado pela Sociedade das Nações a 10 de Janeiro de 1920. Na Alemanha o tratado originou um sentimento de humilhação na população, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do regime nazi.
As negociações entre as potências aliadas começaram a 18 de Janeiro, no Salão dos Relógios no Ministério dos Negócios Estrangeiros Francês. No início participaram nas negociações 70 delegados representado 27 nações.
Tendo sido derrotadas, a Alemanha,  a Áustria e a Hungria foram excluídas das negociações. A Rússia também foi excluída porque tinha negociado o Tratado de Brest - Litovsk, que estabelecia uma paz separada com a Alemanha em 1918, graças ao qual a Alemanha ficou com uma grande faixa de terras e de recursos à Rússia.
As condições finais foram determinadas pelos líderes das "três grandes" nações: o primeiro-ministro britânico  David Lloyd George, o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, e o presidente dos EUA,  Woodrow Wilson.
O tratado originou a criação da Sociedade das Nações, um dos objectivos principais do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. A  Sociedade das Nações tinha como objectivo arbitrar conflitos internacionais para evitar futuras guerras.
Outras cláusulas do Tratado incluíam a perda das colónias por parte da Alemanha e dos territórios que o país tinha anexado ou invadido num passado recente, destacam-se:
A Alsácia -Lorena, os territórios cedidos pela França à Alemanha no acordo de Paz assinado em Versalhes de 1871 e pelo Tratado de Frankfurt de 1871, seriam devolvidos à França.
       Uma parte da Jutlândia seria devolvida à Dinamarca se assim fosse decidido por um plebiscito na região.
    A parte leste da Alta Silésia era devolvida  à Polónia (área 3214 km², 965 000 habitantes) apesar do plebiscito ter apontado que 60% população preferia ficar sob domínio da Alemanha.     As cidades alemãs de Eupen e Malmedy ficariam para  a Bélgica.
    A província de Sarre ficou sob o comando da Sociedade das Nações durante 15 anos.
    A Renânia foi desmilitarizada, ou seja, não ficou nenhum soldado ou instalação militar na região.
    A leste, a Polónia recebeu partes da Prússia Ocidental e da Silésia.
  A Checoslováquia recebeu o distrito de Hultschin.
    A grande cidade alemã de Danzig (na actualidade Gdansk na Polónia),  passou a ser uma cidade livre, sob a protecção da Liga das Nações.
    Memel, uma pequena faixa territorial na Prússia Oriental, às margens do Mar Báltico, foi entregue ao controle lituano.
  Fora da Europa, a Alemanha perdeu todas as suas colónias [na África e no Pacífico]. No total, a Alemanha perdeu 13 por cento do seu território em solo europeu, aproximadamente 70.000 quilómetros quadrados, e um décimo da sua população (entre 6.5 a 7 milhões de habitantes).
O artigo 231 do Tratado (a cláusula da 'culpa de guerra') responsabilizou unicamente a Alemanha por todas as 'perdas e danos' sofridas pela Tríplice Entente  durante a guerra obrigando-a a pagar uma reparação por tais actos. O montante foi oficializado em 269 biliões de marcos, dos quais 226 biliões como principal, e mais 12% do valor das exportações anuais alemãs. Mais tarde, naquele ano, a dívida foi reduzida para 132 biliões.

Alguns dos artigos do Tratado

Artigo 42 - É proibido à Alemanha manter ou construir fortificações, quer na margem esquerda do Reno, quer na margem direita, a Oeste de uma linha traçada a 50 quilómetros a Leste deste rio.

Artigo 45 Como compensação pela destruição das minas de carvão no Norte da França, e por conta da importância a pagar pela reparação total dos prejuízos de guerra devidos pela Alemanha, esta cede à França a propriedade inteira e absoluta (...) das minas de carvão situadas na bacia do Sarre (...). [em anexo a esta parte estabelece-se, no parágrafo 16, que: O Governo do território da Bacia do Sarre será confiado a uma Comissão representando a Sociedade das Nações]

Artigo 51 - Os territórios cedidos à Alemanha em virtude [da guerra franco-prussiana de 1871 e que a França perdeu, ou seja: a Alsácia-Lorena] são reintegrados na soberania francesa (...)

Artigo 119 - A Alemanha renuncia, em favor das Principais Potências aliadas e associadas, a todos os seus direitos e títulos sobre as suas possessões de além-mar.

Artigo 159 - As forças militares alemãs serão desmobilizadas e reduzidas nas condições fixadas mais adiante.

Artigo 160 - A datar do 31 de Março de 1920, o mais tardar, o exército alemão não deverá compreender mais de sete divisões de infantaria e três divisões de cavalaria.

Artigo 173 - Todo o serviço militar universal obrigatório será abolido na Alemanha.

Artigo 198 - As forças militares da Alemanha não deverão comportar nenhuma aviação militar ou naval.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por deles ter sido a causa, por todas as perdas e por todos os prejuízos sofridos pelos Governos aliados e associados e pelos seus nacionais em consequência da guerra, que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e dos seus aliados.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados exigem (...) e a Alemanha a tal se obriga, que sejam reparados todos os prejuízos causados à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e os seus bens (...).

Artigo 235 - Com o fim de habilitar as Potências aliadas e associadas a empreender desde já a restauração da sua vida industrial e económica, enquanto não é realizada a fixação definitiva da importância das suas reclamações, a Alemanha pagará, durante os anos de 1919 e 1920 e os quatro primeiros meses de 1921 (...) em ouro, mercadorias, navios, valores ou outra forma (...) o equivalente a 20 000 000 000 (vinte biliões) de marcos ouro (...)

Anexo IV
 § 6 - a título de adiantamento imediato, (...) a Alemanha compromete-se a entregar à França nos três meses que se seguirem à entrada em vigor do presente Tratado (...) as quantidades abaixo especificadas em gado vivo:

  500  garanhões de 3 a 7 anos;
  30 000 poldras e éguas de 18 meses a 7 anos (...);
  2 000  touros de 18 meses a 3 anos;
  90 000 vacas leiteiras de 2 a 6 anos;
  1 000  carneiros inteiros;
100 000  cabras
Anexo V 
§ 2 - A Alemanha entregará à França sete milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos (...).

§ 3 - A Alemanha entregará à Bélgica oito milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos.

§ 3 - A Alemanha entregará à Itália as quantidades máximas de carvão seguintes:

Julho de 1919 a Junho de 1920: 4 milhões 1/2 de toneladas;
   »        1920       »          1921: 6 milhões de toneladas;
   »        1921       »          1922: 7 milhões  1/2 de toneladas;
   »        1922       »          1923: 8 milhões  de toneladas;
   »        1923       »          1924: 8 milhões  1/2 de toneladas,
e, durante cada um dos cinco anos seguintes: 8 milhões 1/2 de toneladas.


Pode parecer incrível, mas só recentemente (2010) a Alemanha terminou de pagar as indemnizações da 1ª Guerra Mundial, relativas ao acordado no Tratado de Versalhes. O país também pagou biliões de euros da 2ª Guerra Mundial .
Ler toda a notícia Aqui
Fontes: Infopédia
            Wikipedia
            Jornal Opção
 
Primeira página do Tratado, versão em inglês
Assinatura do Tratado de Versalhes na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes
 
Manifestação contra o Tratado no Reichstag, 15 de Maio de 1919 




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Futurismo

Movimento de revolução estética desencadeado pela publicação, por Marinetti, do manifesto "Fundação e Manifesto do Futurismo", na primeira página do jornal Le Figaro, a 20 de fevereiro de 1909, seguido de uma série de outros manifestos que irão nos anos seguintes fazer alastrar por toda a Europa os processos e técnicas artísticas futuristas. Através de uma linguagem que choca pela sua agressividade e pelo seu carácter iconoclasta, o tom violento, interpelativo e provocatório dos manifestos futuristas funda-se num ultimato lançado com raiva a um passado que vigora ainda no presente nas formas estéticas, ideias, crenças e atitudes dominantes, por vezes simbolizadas numa figura pública que urge abater espiritualmente (cf., por exemplo, o Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros), em nome de um futuro cujos traços definidores se concentram no dinamismo, na exaltação da técnica, na simultaneidade de espaços, de tempos e de sensações, na fusão de expressões artísticas, na dessacralização das poéticas convencionais. Ao mesmo tempo, a poética futurista postula a necessidade de a linguagem literária dever contribuir também para a demolição de hábitos culturais estereotipados e retrógrados. Os poemas futuristas são facilmente identificáveis por uma série de recursos destinados a abalar o leitor: profusão de exclamações, de apelos, de neologismos criados pela associação inédita de palavras, pelo emprego de termos insultuosos, pela autonomia concedida ao significante linguístico, numa exploração dos efeitos visuais e fónicos das palavras, pela introdução de grafismos no poema, pela rutura com a lógica sintática tradicional: longas enumerações de frases nominais, uso do verbo no infinitivo, uso aleatório da pontuação e de maiúsculas.
A introdução do futurismo em Portugal é devida à assimilação dos seus princípios por Sá-Carneiro, Santa-Rita Pintor e Amadeo de Souza Cardoso, residentes em Paris. Os principais textos portugueses de índole próxima do futurismo ("A Cena do Ódio" (1915), de Almada Negreiros, "Manucure" e "Apoteose" (ambos de 1915), de Mário de Sá-Carneiro, e a "Ode Triunfal" (1914) de Álvaro de Campos) estão associados ao escândalo criado em torno da publicação da revista Orpheu, em 1915, embora, na verdade, a revista fundada por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro concilie ainda elementos tradicionais com caracteres de vanguarda, ao mesmo tempo que se assume como síntese de todos os movimentos literários do Modernismo, que abarcaria, além do futurismo, o paulismo, o intersecionismo, o simultaneísmo, o simbolismo, o decadentismo ou o sensacionismo. Com efeito, a teorização do sensacionismo nos escritos de Fernando Pessoa confere ao movimento sensacionista contornos mais vastos que os que definem o Futurismo, reconhecendo neste movimento de vanguarda apenas uma influência, que o sensacionismo derivaria de três movimentos: do simbolismo francês, do panteísmo transcendentalista português e "da baralhada de coisas sem sentido e contraditórias de que o futurismo, o cubismo e outros quejandos são expressões ocasionais, embora, para sermos exatos, descendamos mais do seu espírito do que da sua letra" (PESSOA, Fernando - Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Lisboa, Ática, pp. 134-138). em 1917 é que o futurismo português conhecerá uma efémera apoteose com a 1.a Conferência Futurista de 14 de maio de 1917, onde Almada o seu "Manifesto Futurista às gerações portuguesas do século XX", com a formação, por Almada e Santa-Rita, do Comité futurista de Lisboa e com a edição, em novembro, da revista Portugal Futurista, apreendida após o lançamento do seu número inaugural.
Fontes:Futurismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
A History of Graphic Design
wikipedia (Imagens)
File:Manifesti del futurismo.jpg
Manifesto Futurista
1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.
3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.
4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.
5. Nós queremos entoar hinos ao homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.
6. É preciso que o poeta prodigalize com ardor, fausto e munificiência, para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.
7. Não há mais beleza, a não ser na luta. Nenhuma obra que não tenha um carácter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças desconhecidas, para obrigá-las a prostar-se diante do homem.
8. Nós estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Nós já estamos vivendo no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade omniipresente.
9. Nós queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo - o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.
10. Nós queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academia de toda natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.
Excerto do  manifesto Futurista de Filippo Marinetti

Arquivo: FilippoTommasoMarinetti.jpg
Filippo Marinetti
O Futurismo na Pintura
                                                                                
 Umberto Boccioni, The City Rises
Umberto Boccioni - Riot in the Gallery

 

 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O Abstraccionismo

O entendimento da arte como acto criativo situado para além da mera percepção visual do mundo sensível constitui o ponto de partida principal do abstraccionismo. Nascida na segunda década do século XX, a arte abstracta tem origem nas diversas reações ao Impressionismo e desenvolve-se entre 1913 e 1933. A primeira obra totalmente abstracta foi pintada por Kandinsky, uma das figuras históricas do abstraccionismo, em 1913. Paralelamente à actividade pictórica, Kandinsky converteu-se no teorizador dos fundamentos do abstraccionismo lírico, cujas linhas fundamentais são a liberdade da cor e do traço, enquadradas num entendimento filosófico e orgânico da pintura. Nas telas e aguarelas deste pintor alemão, as massas cromáticas, às quais o artista atribui um significado simbólico, enunciam uma plasticidade sem forma e uma nova sensibilidade. Cada obra é fruto de uma pesquisa controlada e metódica, de uma experiência espontânea vivida pelo autor, à qual não é estranha a exploração incessante das suas emoções e sensações perante o real. Em França, o fauvismo e os primórdios do cubismo influenciam outros autores que enveredam pelo caminho da não figuração, como Delaunay, Kupka e Picabia.Noutros países são experimentadas outras vias da abstracção, de cariz mais geométrico: o Raionismo, o Suprematismo e o construtivismo na Rússia, e o Neoplasticismo da Holanda. Os fundamentos deste último movimento, igualmente conhecido por De Stijl, são definidos essencialmente por Piet Mondrian, cuja obra se define através de uma gramática geométrica clara e objectiva, na qual a harmonia é obtida através de um equilíbrio entre a forma e a cor.
Abstraccionismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.

Wassily Kandinsky

Artista plástico russo nascido em 1866, em Moscovo, e faleceu em 1944, em Neuilly-sur-Seine. depois de estudar Economia Política e Direito se decidiu pela pintura. Trabalhou durante quatro anos sob a orientação de Anton Azbé, em Munique. A descoberta do Fauvismo, em Paris, foi crucial para a sua carreira. Com Franz Marc, em 1911, fundou o grupo Blaue Reiter, formado por pintores de tendência simbolista, embora seguindo com interesse as experiências de Kandinsky na pintura abstracta. Diante de Medas de Feno, de Monet, teria dito que o assunto não era um elemento inevitável no quadro, mas levou quinze anos para começar a pôr em prática esta assumpção. Veio a teorizar o abstraccionismo em Acerca do Espiritual na Arte (1912). Concebia a Arte como a expressão do espírito humano e a linguagem mais eficaz para obter essa expressão seria a das formas puras, das cores puras, que garantisse o afastamento de qualquer conteúdo literário ou simbólico. No fundo, preocupava-se em dar uma base científica ao seu misticismo. Entre 1910 e 1913 todo o simbolismo foi desaparecendo do seu trabalho e esta evolução é evidente na série de Composições. A primeira composição representa visivelmente um cavalo e um cavaleiro, mas em cada uma vai criando um maior grau de abstraccionismo, de tal maneira que na n.o 7 apenas resta uma sensação de movimento. De volta à Rússia, depois da Revolução, organizou museus e academias de arte, à semelhança de Chagall. Preocupou-se essencialmente com a forma e a cor na pintura, utilizando um estilo geométrico e anguloso. Veio mais tarde a desenvolver esta linguagem na escola Bauhaus, na Alemanha, para onde voltou em 1921, quando o seu trabalho começou a ser olhado com desagrado pelas instituições políticas soviéticas. Em Tensão extrema pretendeu transmitir um estado de espírito usando formas geométricas e a cor como mero auxiliar. A base teórica desta fase encontra-se em Ponto e Linha em relação ao Plano (1926). Depois de a Bauhaus ter sido extinta pelos nazis, em 1933, Kandinsky instalou-se em Paris. Nos últimos trabalhos as composições eram mais complexas, as formas tornaram-se mais livres, irregulares, as linhas ondulantes, emprestando um certo sentido de vida orgânica. Kandinsky surge actualmente como uma figura-chave para a compreensão do abstraccionismo, sendo ainda dos primeiros a propor uma base teórica para esta corrente estética.
Wassily Kandinsky. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 


 
Composição VI -Wassily Kandinsky