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domingo, 5 de novembro de 2017

O Modernismo em Portugal: Santa -Rita Pintor

Pintor português, de nome verdadeiro Guilherme Augusto Cau da Costa, nascido em 1889 e falecido em 1918, considerado o iniciador do Futurismo em Portugal.
Figura mítica da primeira geração de pintores modernistas portugueses, a sua obra permanece em grande parte envolta em mistério. Nunca expôs em Portugal, mas esteve vários anos em Paris garantindo, com Amadeo de Souza-Cardoso, a primeira ligação efectiva às vanguardas históricas do início do século XX; e foi o mais activo impulsionador do breve movimento futurista português. Morreu prematuramente, vitimado por tuberculose pulmonar.
Formado pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, fixou residência em Paris em 1910, onde contactou com os círculos artísticos vanguardistas, passando a conviver com artistas como Picasso, Marinetti e Max Jacob.
O termo futurista apareceu numa crónica parisiense de Aquilino Ribeiro, de 1912, e chegou até nós em 1914, data em que Santa-Rita estava de volta ao país natal, trazendo consigo os novos ideais estéticos do seu tempo e encarregando-se de os divulgar, tendo introduzido, desta forma, o novo movimento modernista, . Esta polémica futurista era mais literária do que artística, pois, no campo das artes plásticas, este pintor estava sozinho. Nesta disputa literária eram determinantes as figuras de Álvaro de Campos, um dos heterónimos do poeta Fernando Pessoa, Raul Leal e Amadeo de Souza-Cardoso. O artista colaborou no número dois da Orpheu e foi responsável pela edição do primeiro e único volume de Portugal Futurista; em 1917 animou a sessão futurista do Teatro da República. Apesar da sua intervenção no segundo número de Orpheu, Santa-Rita estava afastado das teorias dos poetas desse círculo, a sua actividade era de índole mais material, e aliás não era muito apreciado por Mário de Sá-Carneiro, e por Amadeo de Souza-Cardoso. Do conjunto da sua obra, destruída à sua morte, restam apenas algumas reproduções como uma cópia da Olímpia do pintor Monet; uma Cabeça cubo-futurista de cerca de 1910, uma obra muito importante em termos estéticos, que representa a sua maturidade enquanto artista plástico e é considerada a primeira obra "moderna" de um pintor português; uma Cabeça de Velha, um Retrato de Camponesa, e uma pintura expressionista, de cerca de 1907, intitulada Orpheu nos Infernos.


Santa-Rita Pintor. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Wikipedia (Imagens)
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Guilherme de Santa Rita - 1917
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Cabeça, c.1910 - Guilherme de Santa Rita
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Orfeu nos Infernos, c.1904 - Guilherme de Santa Rita
Perspectiva dinâmica de um quarto ao acordar -Guilherme de Santa Rita

A Revista Orpheu

Revista lançada em 1915, cujos dois únicos números publicados, em abril e julho, marcam o início do modernismo em Portugal. Com direção, no n.° 1, de Fernando Pessoa e do brasileiro Ronald de Carvalho, e, no n.° 2, de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, o escândalo provocado pela publicação de Orpheu deveu-se, entre outros motivos, à apresentação de práticas de escrita e correntes artísticas vanguardistas (paulismo, intersecionismo, simultaneísmo, futurismo, sensacionismo), embora surjam na revista ainda compaginadas com leituras e práticas simbolistas e decadentistas.
O n.° 1 foi preenchido com a seguinte colaboração: Luís de Montalvor, "Introdução"; Mário de Sá-Carneiro, "Para os Indícios de Oiro" (poemas); Ronald de Carvalho, "Poemas"; Fernando Pessoa, "O Marinheiro" (drama estático); Alfredo Pedro Guisado, "Treze Sonetos"; José de Almada-Negreiros, "Frizos" (prosas); Côrtes-Rodrigues, "Poemas" e Álvaro de Campos, "Opiário" e "Ode Triunfal".
O número dois recebeu os seguintes autores: Ângelo de Lima, "Poemas Inéditos"; Mário de Sá-Carneiro, "Poemas sem Suporte"; Eduardo Guimarães, "Poemas", Raul Leal, "Atelier" (novela Vertígica); Violante de Cisneiros, "Poemas"; Álvaro de Campos, "Ode Marítima"; Luís de Montalvor, "Narciso" (Poema); Fernando Pessoa, "Chuva Oblíqua" (poemas interseccionistas); Santa-Rita Pintor, "Quatro Hors de texte duplos".
Para o projetado número três - cuja publicação esteve prevista para 1916 mas que, por razões financeiras, não foi posto à venda - Orpheu contaria com os seguintes textos: Mário de Sá-Carneiro, "Poemas de Paris"; Albino de Meneses, "Após o Rapto"; Fernando Pessoa, "Gládio" e "Além-Deus" (poemas); Augusto Ferreira Gomes, "Por Esse Crepúsculo a Morte de um Fauno..."; José de Almada-Negreiros, "A Cena do Ódio"; D. Tomás de Almeida, "Olhos"; C. Pacheco, "Para Além doutro Oceano" e Castelo de Morais, "Névoa". Mais tarde, deste número do Orpheu, chegaram ainda a ser publicados poemas de Fernando Pessoa, assim como algumas notas em Inglês. A revista Orpheu foi considerada por Pessoa "a soma e a síntese de todos os movimentos literários modernos".
Orpheu. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Wikipedia (Imagens)

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José Pacheko (1885-1934), capa de Orpheu,
fascículo n.º 1, Janeiro–Fevereiro–Março de 1915
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Orpheu, fascículo n.º 2,
Abril–Maio–Junho de 1915
 

O Modernismo na Literatura em Portugal

Na literatura, o Modernismo em Portugal surge em 1915 com a publicação da revista "Orpheu", com a participação de Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho. Nesta revista nasce uma corrente de oposição ao Saudosismo, ao Academismo, ao Nacionalismo e ao Parnasianismo.
Literatura
Surge no segundo decénio do século XX este movimento artístico que filosoficamente assenta em Fichte e Hegel. O Simbolismo nascente de Eugénio de Castro passa e dá lugar ao Neoclassicismo de Tirésias, depois da Ceifa..., tal como acontece com Jean Moréas. O espaço que decorre até ao Modernismo é preenchido pelo Simbolismo do distante Camilo Pessanha, pelo Saudosismo de Teixeira de Pascoaes, pelo Nacionalismo e Narcisismo de António Nobre e pelo Classicismo de António Sardinha. Pessoa e Sá-Carneiro, que foram saudosistas do grupo de A Águia e da Renascença Portuguesa, separam-se e vão dar origem ao grupo do Orpheu com Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho. Orpheu entra abertamente em oposição com o Saudosismo, o Academismo, o Nacionalismo e o Parnasianismo. Sacode o grande público essa rajada impetuosa de Decadentismo, de sonho, do inconsciente em versilibrismo. O Paulismo, o Intersecionismo, o Sensacionismo «emaranhados imaginativos do grande todo», «Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente» (Álvaro de Campos), aparecem sucessivamente. É a permissão dada à liberdade confessional de interioridade que vai orientar os poetas do Surrealismo. Em Orpheu, o escândalo anuncia-se, prosseguindo em Centauro, Exílio, Portugal Futurista (1917), Atena (1924), mas é a Presença (1927) que vai fixar a influência do movimento que sacudiu mas não se impôs, o que, doze anos mais tarde, se torna possível, em razão do criticismo equilibrado de João Gaspar Simões, de José Régio, de Adolfo Casais Monteiro. A Nouvelle Revue Française vai permitir a esta geração continuar e aprofundar a semente estuante de seiva lançada em Orpheu. José Régio apresenta as linhas programáticas do nosso segundo Modernismo: uma arte renovada, desligada de intenções religiosas, nacionalistas, filosóficas, voltada para a busca, a descoberta do mundo interior do homem. André Gide e Paul Valéry são padrões da estética do movimento.
O Modernismo ensaia-se em 1913 com os poemas Dispersão de Sá-Carneiro e Pauis de Fernando Pessoa (publicado em Renascença, 1914). Progride com o encontro de Pessoa e José de Almada Negreiros depois da crítica de Pessoa em Águia a uma exposição de caricaturas daquele. Mário de Sá-Carneiro e Santa Rita Pintor com a sua rajada de Futurismo impulsionam o aparecimento do primeiro número de Orpheu, que provocou um impacto extraordinário. Orpheu só saiu duas vezes e os poetas modernistas vão publicando nas revistas já citadas. Simbolismo - Pauis, Decadentismo, Romantismo - passado e futuro - aproximam-se, juntam-se. Do Paulismo, Pessoa passa rapidamente para o Intersecionismo da Chuva Oblíqua e para o Sensacionismo em busca da tal arte europeia cosmopolita que visava, como diziam, "épater le bourgeois". A literatura moderna é apreciada por José Régio, que salienta a dispersão ou a multiplicidade da personalidade - a heteronímia em Pessoa e outros desdobramentos em Sá-Carneiro e Almada Negreiros, o seu irracionalismo, intelectualismo e "a expressão paradoxal das emoções e dos sentimentos" que levará ao Surrealismo.
Modernismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
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A Revista Orpheu
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A Revista Presença
 

domingo, 29 de outubro de 2017

As dificuldades da Primeira República: Participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial

Portugal era, no início do século XX, uma pequena potência com um vasto império colonial, incompletamente ocupado e imperfeitamente explorado, mas cobiçado por potências mais fortes (Inglaterra, França e Alemanha), que secretamente se entendiam no sentido de redesenharem o mapa de África de acordo com os seus interesses. Quando, em 1914, é desencadeada a Primeira Guerra Mundial, os políticos portugueses entenderam que a via mais consentânea com a defesa da integridade do império era a participação no conflito, ao lado da Inglaterra (tradicional aliada que era simultaneamente uma séria concorrente, como se vira na questão do Ultimato inglês). A entrada na guerra proporcionaria a Portugal um lugar à mesa das negociações, em posição de obstar à partilha dos territórios coloniais entre outras potências.Portugal entrou, assim, oficialmente na guerra em março de 1916, embora se tivessem travado combates de maior ou menor envergadura nas fronteiras coloniais de Angola e Moçambique, em áreas disputadas por forças alemãs. Essa guerra surda, longe dos grandes centros de decisão, não concedia a Portugal uma posição de suficiente destaque para a defesa dos seus interesses em matéria colonial; era necessário entrar no conflito no teatro de operações europeu, o que foi feito em concerto com a Inglaterra e a França.A política de defesa colonial era a que maior consenso obtinha junto da opinião pública portuguesa, mas não era a única justificação real para a participação no conflito e para privilegiar o teatro de operações europeu. Na verdade, a República temia a política anexionista de alguns setores de grande peso na vizinha Espanha (que, em 1911-1912, apoiara as incursões restauracionistas). Colocando-se ao lado da Inglaterra, Portugal poderia assim melhor preservar a sua independência e identidade dentro da Península Ibérica. A estas razões de ordem estratégica e de política internacional deve acrescentar-se o intuito de garantir a unidade da opinião pública em apoio do novo regime político, ainda mal consolidado, assim conseguindo a sua legitimação.A participação militar portuguesa no teatro de operações europeias fez-se sob a forma de um Corpo Expedicionário, adestrado sob a direção do ministro da Guerra Norton de Matos. Foi tal a rapidez do processo de mobilização e instrução que se lhe passou a chamar "milagre de Tancos". Este Corpo, que englobava uma força de artilharia e brigadas de infantaria e pelo qual passaram dezenas de milhares de homens, participou nalgumas das batalhas mais cruentas da guerra, nomeadamente em La Lys, integrado num setor da frente sob comando inglês (o que foi causa de alguns atritos, pois a autonomia do comando português esteve várias vezes em perigo de desaparecer).O saldo da participação portuguesa na guerra foi bem pesado: 35 000 baixas, número elevadíssimo de feridos e doentes (mutilados, gaseados e tuberculosos), perda de navios mercantes e de guerra imperfeitamente colmatada por vasos da frota alemã apreendidos durante o conflito, agravamento da debilidade económica e dos problemas sociais.
Portugal na Grande Guerra. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Tropas portuguesas desembarcam em Brest, França(1917)
Ficheiro:Troupes portugaises débarquant à Brest (1917) 01.jpg

 
Prisioneiros de guerra portugueses 1918
Ficheiro:Bundesarchiv Bild 183-S30568, Westfront, portugiesische Kriegsgefangene.jpg
 
 
 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O Abstracionismo

O entendimento da arte como acto criativo situado para além da mera percepção visual do mundo sensível constitui o ponto de partida principal do abstracionismo. Nascida na segunda década do século XX, a arte abstrata tem origem nas diversas reações ao Impressionismo e desenvolve-se entre 1913 e 1933. A primeira obra totalmente abstrata foi pintada por Kandinsky, uma das figuras históricas do abstracionismo, em 1913. Paralelamente à atividade pictórica, Kandinsky converteu-se no teorizador dos fundamentos do abstracionismo lírico, cujas linhas fundamentais são a liberdade da cor e do traço, enquadradas num entendimento filosófico e orgânico da pintura. Nas telas e aguarelas deste pintor alemão, as massas cromáticas, às quais o artista atribui um significado simbólico, enunciam uma plasticidade sem forma e uma nova sensibilidade. Cada obra é fruto de uma pesquisa controlada e metódica, de uma experiência espontânea vivida pelo autor, à qual não é estranha a exploração incessante das suas emoções e sensações perante o real. Em França, o fauvismo e os primórdios do cubismo influenciam outros autores que enveredam pelo caminho da não figuração, como Delaunay, Kupka e Picabia. Noutros países são experimentadas outras vias da abstração, de cariz mais geométrico: o Raionismo, o Suprematismo e o construtivismo na Rússia, e o Neoplasticismo da Holanda. Os fundamentos deste último movimento, igualmente conhecido por De Stijl, são definidos essencialmente por Piet Mondrian, cuja obra se define através de uma gramática geométrica clara e objetiva, na qual a harmonia é obtida através de um equilíbrio entre a forma e a cor.
Abstraccionismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.

Wassily Kandinsky

Artista plástico russo nascido em 1866, em Moscovo, e faleceu em 1944, em Neuilly-sur-Seine. depois de estudar Economia Política e Direito se decidiu pela pintura. Trabalhou durante quatro anos sob a orientação de Anton Azbé, em Munique. A descoberta do Fauvismo, em Paris, foi crucial para a sua carreira. Com Franz Marc, em 1911, fundou o grupo Blaue Reiter, formado por pintores de tendência simbolista, embora seguindo com interesse as experiências de Kandinsky na pintura abstrata. Diante de Medas de Feno, de Monet, teria dito que o assunto não era um elemento inevitável no quadro, mas levou quinze anos para começar a pôr em prática esta assumpção. Veio a teorizar o abstracionismo em Acerca do Espiritual na Arte (1912). Concebia a Arte como a expressão do espírito humano e a linguagem mais eficaz para obter essa expressão seria a das formas puras, das cores puras, que garantisse o afastamento de qualquer conteúdo literário ou simbólico. No fundo, preocupava-se em dar uma base científica ao seu misticismo. Entre 1910 e 1913 todo o simbolismo foi desaparecendo do seu trabalho e esta evolução é evidente na série de Composições. A primeira composição representa visivelmente um cavalo e um cavaleiro, mas em cada uma vai criando um maior grau de abstracionismo, de tal maneira que na n.o 7 apenas resta uma sensação de movimento. De volta à Rússia, depois da Revolução, organizou museus e academias de arte, à semelhança de Chagall. Preocupou-se essencialmente com a forma e a cor na pintura, utilizando um estilo geométrico e anguloso. Veio mais tarde a desenvolver esta linguagem na escola Bauhaus, na Alemanha, para onde voltou em 1921, quando o seu trabalho começou a ser olhado com desagrado pelas instituições políticas soviéticas. Em Tensão extrema pretendeu transmitir um estado de espírito usando formas geométricas e a cor como mero auxiliar. A base teórica desta fase encontra-se em Ponto e Linha em relação ao Plano (1926). Depois de a Bauhaus ter sido extinta pelos nazis, em 1933, Kandinsky instalou-se em Paris. Nos últimos trabalhos as composições eram mais complexas, as formas tornaram-se mais livres, irregulares, as linhas ondulantes, emprestando um certo sentido de vida orgânica. Kandinsky surge atualmente como uma figura-chave para a compreensão do abstracionismo, sendo ainda dos primeiros a propor uma base teórica para esta corrente estética.
Wassily Kandinsky. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 





Composição VI -Wassily Kandinsky





segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A Rússia Czarista: Nicolau II, o último czar da dinastia Romanov

O czar Nicolau II e a sua mulher Alexandra Feodorovna foram coroados na catedral ortodoxa da Assunção, ao lado do Kremlin, em 26 de Maio de 1896. Durante a longa cerimónia, Nicolau recebeu o ceptro e o colar da Ordem de Santo André. O colar caiu ao chão. Os místicos da corte interpretaram este incidente como um mau presságio. A Revolução de Fevereiro de 1917 obrigaria o czar a abdicar. A família imperial seria executada em Julho de 1918. 

Nicolau não estava preparado nem tinha inclinação para governar, o que prejudicou a autocracia, que ele queria preservar, numa época em que se buscavam mudanças, desesperadamente. Nascido em 1868, sucedeu ao pai, o czar Alexander III, falecido em Novembro de 1894. No mesmo mês, o herdeiro casou-se com Alexandra, que viria a exercer grande influência sobre ele. Após um período de luto pelo falecimento do antecessor, Nicolau e Alexandra foram coroados. 

Nicolau resistiu aos apelos de reformas e buscou manter o absolutismo czarista, embora não dispusesse de força de vontade necessária para tanto. O desastroso desfecho da Guerra Russo-Japonesa desembocou na Revolução Russa de 1905, que Nicolau somente conseguiu aplacar após a aprovação de uma assembleia de representantes – a Duma – e promessa de reformas constitucionais. O czar logo recuou dessas concessões e reiteradamente dissolvia a Duma, contribuindo para um crescente apoio popular aos bolcheviques e outros grupos revolucionários. 

Em 1914, Nicolau conduziu o seu país a outra guerra onerosa – a Primeira Guerra Mundial. O descontentamento crescia à medida que escasseavam os alimentos e surgiam derrotas devastadoras frente à Alemanha, demonstrando a total ineficiência da Rússia. Em 1915, o czar pessoalmente assume o comando do exército, deixando a czarina no controlo da política doméstica. A corte, nesta altura, estava sob o domínio do místico Rasputin, que punha a dispunha dos ministros. 
 
Em Fevereiro de 1917, a guarnição de Petrogrado juntou-se aos operários em greve para exigir reformas socialistas. Nicolau, pressionado, abdica em favor do seu irmão Miguel, que recusa a coroa, o que põe fim à autocracia czarista. Nicolau, a sua mulher e filhos foram detidos no palácio de Czarskoye Selo pelo governo provisório e em Agosto levados para Tobolsk na Sibéria Ocidental por pressão do soviete de Petrogrado, a poderosa coligação de conselhos de soldados e trabalhadores que dividia o poder com o governo provisório na primeira fase da Revolução Russa. 

Em Outubro de 1917, os bolcheviques liderados por Vladimir Lenine tomam o poder e estabelecem o primeiro estado operário da história. Em Abril de 1918, Nicolau e a sua família são transferidos para 
 Ecaterimburgo nos Urais, o que selou o seu destino. Eclode a guerra civil em Junho de 1918 e em Julho o exército branco avança sobre Ecaterimburgo durante uma campanha contra o recém-formado Exército Vermelho. Foram dadas ordens às autoridades locais para evitar o resgate dos Romanovs e após uma reunião secreta do soviete de  Ecaterimburgo, foi decretada a sentença de morte da família imperial. 

Logo após a meia-noite de 17 de Julho, ordenou-se a Nicolau, Alexandra, e aos seus cinco filhos e outros quatro familiares que se vestissem rapidamente e descessem ao sótão. Ali, todos eles foram dispostos em duas fileiras para a tomada de fotografia, dizendo-lhes que era para acabar com os rumores de que haviam escapado. De repente, uma dezena de homens armados irrompe no local e abate a família imperial.
Os restos mortais de Nicolau, Alexandra e três dos seus filhos foram exumados numa floresta perto de  
Ecaterimburgo em 1991 e identificados. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
A coroação de Nicolau II e Alexandra Feodorovna - Valentin Serov
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