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domingo, 29 de dezembro de 2013

Os pensamentos que Agustina esquecia pelas gavetas da casa

Recentemente lançado pela Babel na colecção Contemplações, "Caderno de Significados" reúne cerca de noventa pequenos textos de Agustina Bessa Luís, a maior parte deles inéditos, encontrados entre os seus papéis, esquecidos nas gavetas da casa, sepultados entre páginas de livros. A organização do livro coube ao marido da romancista, Alberto Luís, e à sua neta Lourença Baldaque, que entretanto encontraram já material suficiente para mais um volume semelhante.
São textos de natureza muito diversa: reflexões sobre a sua própria obra e a de outros escritores, apontamentos diarísticos, retratos de terceiros, observações sobre Portugal e os portugueses, notas políticas. A haver uma palavra que os aglutine, a menos inadequada talvez seja “comentários”. Às vezes quase ensaísticos, outras vezes sibilinos, mas quase sempre surpreendentes.
Os organizadores do volume escolheram o título em homenagem aos velhos “cadernos de significados” que a pequena Agustina usava no colégio – alguns deles ainda se conservam entre os seus papéis –, mas também porque a romancista “foi sempre impulsionada pela vontade de procurar o sentido das coisas”.
Depois de Kafkiana, um conjunto de quatro ensaios sobre Franz Kafka, e do conto Cividade, este Caderno de Significados é já o terceiro volume de inéditos de Agustina Bessa Luís que sai nesta colecção da Babel. A  escritora sofreu um acidente vascular cerebral pouco depois de ter publicado o romanceA Ronda da Noite, em 2006, e a família tem vindo a organizar e divulgar o seu arquivo. 
“A minha avó sempre teve esse hábito de escrever alguma coisa e depois guardar o papel num canto qualquer, não era nada organizada”, diz a sua neta, a escritora Lourença Baldaque, acrescentando que ainda há dias encontrou novos textos. “Ficou material para um eventual segundo Caderno de Significados”, garante Lourença, que está agora a trabalhar na edição da correspondência da avó com José Régio, que deverá ser publicada em 2015. “Abrange um período que vai de 1955 a 1968 e é uma correspondência entre dois amigos que tinham admiração um pelo outro, não há grande formalidade”, diz a neta de Agustina.
A carta a Khomeiny

Lourença e o avô decidiram ordenar os textos deste Caderno de Significadospor ordem alfabética dos títulos, sendo que alguns são da própria Agustina, mas muitos foram acrescentados pelo seu marido e são apenas, diz Lourença Baldaque, “uma descrição do tema de cada texto”. Dos textos aqui reunidos, o que mais naturalmente serviria de prólogo ao livro é o que se intitula Nascer Escritora, que fecha com esta confissão: “Vejo um papel em branco e apetece-me escrever. Muitas vezes sinto isso até quando vejo a folha de rosto dos livros, com muito espaço em branco”. A filha de Agustina, Mónica Baldaque, garante que o apontamento é literalmente verdadeiro. “Já os seus cadernos escolares, de quando era muito pequena, estão completamente preenchidos, não há espaços em branco”.

Mónica Baldaque confessa que “ao reler agora o livro”, sente que está “um bocadinho a devassar o dia a dia” da mãe. Uma afirmação que seria natural se esta fosse uma compilação de apontamentos íntimos e autobiográficos, mas que resulta surpreendente depois de lermos estes textos escritos quase sempre com evidentes preocupações literárias, num registo muitas vezes irónico, e que tratam de temas como, por exemplo, o papel que a líbido do infante D. Henrique desempenhou na criação da Escola de Sagres.
No entanto, a sensação de Mónica Baldaque é justificada. O registo doméstico de Agustina é que era estranho. “A minha mãe falava mesmo assim em casa, foi com isto que eu vivi toda a vida”, garante a filha da romancista.
Alguns dos textos pediriam, em futuras edições, alguma informação suplementar, como a surpreendente carta de Agustina ao ayatollahKhomeiny, a lamentar a fatwa promulgada contra o escritor Salman Rushdie. O registo epistolar do texto pode ser entendido como um expediente retórico, mas Mónica Baldaque conta que a carta, traduzida para inglês, foi mesmo enviada a Khomeiny por vias diplomáticas. 
Dois riscos do escritor

Os textos são naturalmente desiguais, e decerto que a autora não os teria publicado exactamente assim, mas em quase todos eles aparece uma dessas tiradas aforísticas que só Agustina poderia ter escrito. Podemos, por exemplo, torcer o nariz à aparente banalidade da sua crítica a Os Lusíadas, nos quais vê uma narrativa “pomposa e, no geral, fria” – Camões, sugere, ter-se-ia preocupado mais em agradar ao rei do que em ser fiel à verdade histórica –, mas depois atordoa-nos com a inesperada tirada final: “não se deve exagerar em ser verdadeiro, excepto se nisso houver algo de inimitável”.

Muitos destes textos são sobre a sua própria obra e a condição de escritora. “Comecei a considerar-me uma grande escritora desde os doze anos. Porque isso ou é muito cedo ou nunca é”. Noutro texto defende que o escritor deve precaver-se do risco de se converter “num mercado de bugigangas, com muitas coisas brilhantes que apregoar e poucas valiosas que oferecer”, mas avisa que “também não é bom ser austero de mais, nem culto, que pareça solidão fingida”.
Outros textos são retratos, por vez em tom de homenagem, tanto quanto um texto de Agustina pode sê-lo, outros nem por isso. Trata bem Marguerite Yourcenar, Simone de Beauvoir, Maria Callas, mas diz que “os três dias de luto impostos ao país” pela morte de Amália “não se justificavam”.
Algumas das suas opiniões são francamente heréticas, como a de afirmar que o S. João, vendido como a festa popular e interclassista por excelência, “foi sempre uma festa de elites”. Outras são provocatórias e inesperadas, como a de dizer que “os portugueses não gostam de teatro porque consideram o teatro um atentado à vida privada”, ou que o Teatro Nacional D. Maria II, que dirigiu no início dos anos 90, “é como um certo banco de que se dizia que tinha muita fachada e poucos fundos”.
Nas notas mais políticas, encontram-se frases como esta, escrita em 1980, a escassos seis anos do 25 de Abril, e à qual é difícil negar actualidade: “A democracia acaba em fachada sonsa de uma pequena festa oligárquica”. Ou esta: “Não se fazem nações livres com pessoas infelizes”. Ou esta, de 1999: “Tenho medo dum continente bem-educado, dum Portugal em surdina. Acho que devemos falar alto quando é preciso (…)”.
Por feliz arbitrariedade alfabética, o livro acaba com uma homenagem ao pensador judeu Uriel da Costa, esse seu irmão livre-pensador, “moço filósofo e discordante doutra doutrina que não fosse a da compaixão”.
Fonte: Público

 

Caderno de Significados, lançado pela Babel, reúne perto de uma centena de textos inéditos de Agustina, escritos ao longo de quase 50 anos.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quadro de Norman Rockwell atinge valor recorde

Uma obra do popular pintor americano Norman Rockwell, considerada uma das suas mais representativas, atingiu um valor recorde em leilões de trabalhos deste artista plástico que viveu entre 1894 e 1978. Intitulado Saying Grace foi arrematado por 33,9 milhões de euros (46 milhões de dólares).

O quadro foi à praça num leilão da Sotheby's, em Nova Iorque, com mais duas obras daquele que é considerado o pintor que melhor retratou a América profunda, das pequenas cidades e do mundo rural.
Intitulado Saying Grace, o quadro alcançou a soma de 57 milhões de dólares ( 33,9 milhões de euros) enquanto o recorde de uma obra de Rockwell estava nos 15,6 milhões de dólares (11,3 milhões de euros) num leilão de 2006.
A imagem foi capa do Saturday Evening Post, para o qual Rockwell era assíduo colaborador, e data de 1951.
Em 1955 foi considerada a obra mais popular de Rockwell numa sondagem entre os leitores daquela publicação.
Outra obra de Rockwell, The Gossips, foi vendida por 8,45 milhões de dólares (6 milhões de euros); e a terceira, Walking to Church, alcançou a verba de 3,2 milhões de dólares (2,3 milhões de euros).
Os quadros agora leiloados pertenciam até agora aos filhos do diretor de arte do Saturday Evening Post, Kenneth J. Stuart, que os recebeu de prenda do artista.
Na época, Saying Grace foi pago por 3500 dólares, ou 30 500 dólares (22 130 euros) a valores atuais, escreve o New York Times.
Saying Grace - Norman Rockwell

O quadro 'Saying Grace', de Norman Rockwell

terça-feira, 8 de outubro de 2013

No maior dos museus virtuais já cabem dois palácios portugueses

A colecção do Google Art Project está maior e, a partir de hoje, mais portuguesa. Deste enorme catálogo de arte digital que, desde o seu lançamento em 2011, tem vindo a quebrar barreiras geográficas, fazem agora parte os palácios nacionais de Sintra e de Queluz. Estes são assim os primeiros palácios portugueses a entrar nesta plataforma, disponibilizando gratuitamente e em alta resolução imagens de 64 obras das suas colecções, algumas delas classificadas como Bens de Interesse Nacional (a mais alta classificação no património móvel).
Depois do Museu Colecção Berardo, em Lisboa, que tem disponíveis 23 obras, e da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, em Águeda, representada com 50 peças, estas são as próximas instituições nacionais a integrar o projecto da Google, que conta já com mais de 250 museus e galerias de todo o mundo. Ainda este ano deve entrar o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC), cujo processo já foi formalizado. A inclusão do Palácio da Pena, também em Sintra, está já a ser preparada.
"Achámos que esta era uma plataforma importante para divulgar estes dois palácios numa dimensão absolutamente mundial", diz ao PÚBLICO a directora dos palácios de Sintra e de Queluz, Inês Ferro, para quem o Google Art Project é "uma montra privilegiada, sobretudo pela qualidade das imagens e das outras instituições e colecções representadas".
Com esta entrada, o Palácio de Sintra, com 28 obras, e o de Queluz, com 36, juntam-se a instituições internacionais tão importantes como o Museu Rainha Sofia, em Madrid, a Tate Britain e a National Gallery de Londres, o Metropolitan de Nova Iorque, o Rijksmuseum de Amesterdão, e o Palácio de Versalhes, em França.
"Toda a ideia de participar no projecto está em sintonia com os objectivos de internacionalização dos monumentos da Parques Sintra e, neste caso específico, com a promoção das colecções de arte de dois palácios reais", explica o historiador Fernando Montesinos, que com Inês Ferro escolheu as obras agora disponíveis e que variam entre o mobiliário, a azulejaria, os têxteis, a escultura e a pintura. Destas destacam-se, por exemplo, a tapeçaria com as Armas Reais Portuguesas, o Globo Celeste de Christoph Schissler e o Pagode Chinês no Palácio de Sintra, e as esculturas de John Cheere ou o Pianoforte de Clementi, no Palácio de Queluz.
O que foi escolhido para representar estas colecções, e assim chamar mais visitantes aos dois monumentos, garante Fernando Montesinos, são "as peças de referência". "O critério de fundo foi que todo o acervo de artes decorativas dos palácios, do século XV ao XIX, devia estar representado, quer na sua diversidade quer na sua multiculturalidade. Não há uma leitura cronológica ou por autores. Isto é o que temos de melhor", assegura, acrescentando porém que nada substitui o contacto directo com as obras de arte aqui mostradas. "O Google Art Project não é o objectivo em si mas o meio", acrescenta.
Para a directora dos dois palácios, o que é importante também é que, através das obras escolhidas, qualquer pessoa ficará a saber "um bocadinho da nossa história". "Não nos podemos esquecer de que, apesar de muito diferentes, estes dois palácios foram habitados pela família real e, por isso, ao falar de um determinado objecto, estamos a dar acesso à história", diz Inês Ferro, explicando que houve um cuidado muito grande na elaboração das legendas de cada obra. "Dada a vocação deste projecto, e o seu público vasto, não quisemos entrar em demasiado pormenor. Procurámos dar a informação de forma rápida e ao mesmo tempo científica para que qualquer pessoa possa entender o objecto e ao que ele alude no contexto das colecções."
Inês Ferro destaca ainda que, uma vez que o Google Art Project permite o acesso pormenorizado das obras com imagens de alta resolução, os estudiosos e investigadores também ficam a ganhar com esta entrada. "É uma ferramenta notável à qual espero que se juntem outros projectos portugueses, estou convencida de que este será o caminho", conclui a directora.
Também Montesinos espera que mais monumentos possam seguir o exemplo destes dois palácios. "Não tenho dúvidas de que é importante promovermos desta forma o nosso património e quantos mais estivermos presentes, mais força ganhamos", acrescenta o historiador.
Além dos palácios portugueses, a plataforma celebra hoje também a entrada de oito novos museus, incluindo pela primeira vez instituições do Luxemburgo e do Equador. Da arte antiga à contemporânea, da pintura à cerâmica, da Índia e China ao Irão e Portugal, o leque é cada mais amplo e conta já com 48 mil obras de nove mil artistas.
Fonte: Público
Palácio Nacional de Sintra
 
Palácio Nacional de Sintra
Palácio Nacional de Queluz

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Quadro de Leonardo da Vinci encontrado num banco suíço

O suplemento semanal Sette, que integra a edição de sexta-feira do diário italiano Corriere della Sera, assegura que foi descoberto um quadro do conhecido pintor da Renascença italiana Leonardo da Vinci.
A obra autenticada, um retrato de Isabelle d'Este (uma das líderes femininas da Renascença italiana e figura cultural e política de destaque) que se pensava perdido, poderá ter 500 anos e foi encontrado numa caixa forte de um banco suíço.
O jornal refere que o quadro é propriedade de uma italiana que vive perto da Suíça e que terá uma colecção de cerca de 400 pinturas, adquiridas pelos seus antepassados.
Pintado a óleo sobre tela, o quadro tem 61 por 46,5 centímetros e trata-se do perfil de Isabelle d'Este, marquesa de Mantoue. Segundo o jornal, o quadro é "uma fiel transposição de um célebre esboço preparatório exposto no Museu do Louvre", em Paris, e que era, até ao presente, a única prova da existência deste quadro.
Um especialista em Leonardo da Vinci, o professor Carlo Pedretti, afirmou ao jornal que reconhece na obra "o estilo excepcional de Leonardo".
Oficialmente, apenas pouco mais de 15 obras são atribuídas a Leonardo da Vinci (1452-1519), entre elas a célebre Mona Lisa.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Recuperado retrato de Napoleão que se julgava perdido

A pintura, executada por Jacques-Louis David em 1813, quando a Grã-Bretanha e a Prússia ameaçavam ocupar França, ilustra Napoleão I empenhado em defender o país da invasão, usando o uniforme da guarda nacional.
No retrato Napoleão (1769-1821) aparece, como era seu hábito, com a mão direita na casaca.

Pensando-se ser uma cópia, a partir de um outro retrato de David de 1812 que faz parte da colecção da National Gallery de Washington e representa o imperador no seu escritório, a obra foi vendida em 2005 a um colecionador privado de Nova Iorque por cerca de 18 mil euros.
 
O comprador mandou limpá-lo e depois contactou o perito em arte francês Simon Lee, da Universidade de Reading, em Londres, para o analisar. Lee comparou-o com cópias e outros quadros de David.
“O quadro tem também a assinatura genuína de David, a limpeza revelou a palavra Rouget e a data 1813 apareceu”, disse Lee. George Rouget foi a assinatura preferida de David durante quase dez anos.
 
O retrato esteve com a família Borthwick-Norton no seu castelo fora de Edimburgo e foi oferecido à Academia Real Escocesa em 1988.
“A nossa política de coleção é dirigida para as artes e temas escoceses, não colecionamos obras de artistas europeus”, disse um responsável da academia à agência France Presse. "Foi avaliado por leiloeiras e especialistas, que olharam para isto como uma cópia.”

Agora parece que a academia perdeu uma pequena fortuna. Crê-se que o quadro valha mais de 2,4 milhões de euros.

David foi um dos mais famosos pintores na Europa entre 1780 e a data da morte, em 1825.
Fonte: Público
 
Um retrato do imperador francês Napoleão Bonaparte, que se julgava perdido há dois séculos, foi encontrado em Nova Iorque, tendo sido comprado por menos de um centésimo do seu valor provável
 
As semelhanças entre os dois retratos são evidentes 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Violino Stradivarius roubado recuperado intacto no Reino Unido

Um violino Stradivarius avaliado em 1,4 milhões de euros, roubado em dezembro de 2010 em Londres, foi recuperado intacto no Reino Unido, divulgou ontem a polícia britânica.
O violino, datado de 1696, e dois arcos, avaliados em 78.000 euros, foram roubados quando a proprietária do instrumento, a violinista de origem coreana Min-Jin Kym, estava num espaço de restauração localizado na estação de Euston, na capital britânica.
“Quando foi informada, não queria acreditar. Passei de um estado de desânimo para um estado de euforia (…). Estou no sétimo céu”, afirmou a intérprete de 35 anos, salientando que o violino, que tocava desde a adolescência, fazia parte da sua identidade.
O violino, fabricado pelo reconhecido construtor italiano Antonio Stradivarius, foi encontrado dentro da sua caixa numa propriedade localizada na região centro de Inglaterra. À exceção de alguns danos menores, o violino estava intacto.
A investigação foi “longa e muito complicada”, declarou o inspetor da polícia Simon Taylor, sublinhando que “a raridade e a especificidade” do instrumento teriam dificultado qualquer tipo de troca comercial.
Em 2011, três pessoas foram consideradas culpadas do roubo do violino, incluindo um adolescente que foi condenado a uma pena de 10 meses de prisão.
Fonte: Ionline

terça-feira, 30 de julho de 2013

Crianças sacrificadas pelos incas eram drogadas

A análise dos cabelos de três múmias de crianças encontradas em 1999, no vulcão de Llullaillaco, na fronteira entre o Chile e Argentina, revelam a ingestão regular de álcool e coca, podendo a droga ter desempenhado um papel essencial durante o sacrifício.

As crianças - uma menina de 6 anos, um rapaz de 7 e uma jovem de 13 - foram sujeitas a um ritual inca conhecido como 'capacocha' há mais de cinco séculos, durante o qual eram mortos ou abandonados aos elementos, no alto de montanhas. Encontrados sentados dentro de pequenos templos, os corpos foram naturalmente mumificados pelo frio e pelo clima seco da montanha de quase sete mil metros.
Uma análise às tranças da jovem de 13 anos revelou, em 2007, que um ano antes de morrer, houve uma alteração da sua dieta, de batatas para mais proteínas animais e milho. Agora os cientistas da Universidade de Bradford quiseram analisar mais do que a alimentação, já que "qualquer coisa que circule no sangue acabará no cabelo", e depararam-se com a presença de coca e álcool. Estas duas substâncias eram consideradas produtos especiais e tinham um significado ritual para os incas.
O consumo da coca e do álcool aumentou por altura da sua morte, de acordo com o estudo publicado na revista 'Proceedings of the National Academy of Sciences'. As crianças mais novas também tinham ingerido as mesmas substâncias, apesar de em quantidades menores.
Os cientistas acreditam que a jovem possa ter sido escolhida para o sacrifício um ano antes de morrer, por altura em que mudou a sua dieta.
Fonte: DN
Crianças sacrificadas pelos incas eram drogadas

sábado, 20 de julho de 2013

Herói português da Revolução Americana estrela de filme

Um descendente de Peter Francisco, o português que combateu na Guerra da Revolução Americana em 1776, está a produzir um filme sobre o herói que o George Washington classificou de "um exército de um homem só".

"Sem ele, teríamos perdido duas importantes batalhas, talvez a Guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era verdadeiramente um exército de um homem só", disse o primeiro presidente dos EUA, George Washington, sobre o português.
Travis Bowman, de 40 anos, é o descendente de sétima geração responsável pelo filme. Bowman já escreveu um livro sobre o seu antepassado ("Hercules of the Revolution", 2009) e produziu um documentário de 30 minutos que passou por diversas vezes na PBS ("The Peter Francisco Story", 2011).
"Estamos a escrever o guião, que será baseado no meu livro, e estamos à procura de investidores", diz Bowman à agência Lusa, adiantando que o orçamento do filme são 13 milhões de dólares (cerca de 10 milhões de euros) e que o realizador será Jess Stainbrook, vencedor de oito prémios Emmy.
"O último filme do realizador ["Seven Days in Utopia", com Robert Duvall, 2011] conseguiu o investimento em nove meses. Acreditamos que teremos os fundos até ao final do ano e que podemos começar as gravações em junho do próximo ano", explica Bowman, prevendo a estreia para 2016.
O americano cresceu a ouvir as histórias da avó, que dizia aos netos que a família era descendente de um gigante que tinha sido um dos melhores soldados americanos.
"Ouvir quando és criança que és descendente de um gigante que foi um dos melhores soldados de sempre era fantástico. A minha avó dizia-nos que ele media dois metros e meio, três metros. Eu e os meus primos adorávamos a ideia", diz Travis.
Foi já em adulto que Bowman pesquisou sobre o seu antepassado e descobriu que Peter Francisco tinha 1,98 metros, precisamente a sua altura, e a admiração da infância tornou-se numa ocupação séria.
"Neste momento, os projetos relacionados com o Peter Francisco ocupam metade do meu tempo", diz Travis, que trabalha como consultor financeiro na área ambiental.
Desde 2008, o americano fez mais de cem encenações em 25 estados. Nesses pequenos espetáculos, veste-se como Peter Francisco, e usa uma réplica de uma espada de 1.82 metros que George Washington durante o conflito, a pedido do Marquês de Laffayette, de quem o português era especial amigo.
Peter Francisco nasceu na ilha Terceira, nos Açores, foi raptado por piratas com 5 anos e trazido para a Virgínia muito novo.
Aí, foi acolhido por um juiz e foi criado numa família muito cedo ligado ao movimento independentista. Na Revolução Americana, Peter Francisco combateu em várias batalhas e é referenciado por diversos historiadores como um dos mais valorosos soldados das forças coloniais.
Travis, que esteve nos Açores em maio a visitar os locais da infância do seu antepassado, diz que "perceber que nos EUA muita gente não sabe quem é Peter Francisco é o que dá mais motivação" para continuar a contar esta história.
"Para mim, é uma história sobre como Deus atua na vida dos homens. Como Deus decidiu escolher este homem numa ilha do meio do Atlântico, trazê-lo para os Estados Unidos num momento crucial e faze-lo mudar o curso da história. Para mim, isso é o mais espantoso", diz.
Fonte: DN
wikipedia (Imagens)

Arquivo: PeterFrancisco.jpg

Peter Francisco
Ficheiro:Peter Francisco Tarleton cavalry.jpg
Peter Francisco a lutar com um soldado britânico

Lista de Schindler vai a leilão no eBay por 2,3 milhões de euros

Uma cópia original da lista de judeus salvos do Holocausto por Oskar Schindler está à venda no eBay por 2,28 milhões de euros (cerca de três milhões de dólares).
A lista de 14 páginas, escrita à máquina, com os nomes de 801 judeus poupados aos campos de concentração nazi, foi feita pelo braço direto do empresário industrial alemão Itzhak Stern, disse à AFP Gary Zimet, do site de venda de documentos históricos MomentsInTime.com.
"O sobrinho de Stern (em Israel) vendeu-a há três anos ao actual proprietário, que a comprou como um investimento", contou Zimet, sem dar mais detalhes sobre o vendedor.
No eBay, os vendedores reforçam que não se trata de uma “cópia da lista, mas sim a verdadeira lista”, assegurando que o documento, “absolutamente raro”, é o único que está no mercado. Para atestar a sua veracidade, a venda será acompanhada de um certificado de autenticidade do sobrinho de Itzhak  Stern.
Trata-se de uma das cinco listas ainda existentes. Eram sete originalmente. Uma está no Museu do Holocausto, nos Estados Unidos, outra nos Arquivos Federais Alemães e as outras duas no Museu Yad Vashem, em Israel.
Gary Zimet e o sócio Eric Gazin escolheram o eBay, o popular site de leilões na Internet, devido ao seu alcance global. O leilão termina a 28 de Julho, às 18h, em Los Angeles.
Oskar Schindler salvou a vida de pelo menos 1200 judeus que trabalhavam nas suas fábricas durante a Segunda Guerra Mundial. Schindler morreria na Alemanha, em 1974, aos 66 anos. A sua história foi celebrizada no cinema pelas mãos de Steven Spielberg em "A lista de Schindler”.
Fonte: Público

Lista à venda é uma das cinco ainda existentes, das sete originais
 




sexta-feira, 19 de julho de 2013

Era uma vez dinossauro narigudo e cornudo numa ilha chamada Laramídia



Há mais de 70 milhões de anos, no Cretácico Superior, o nível do mar tinha subido significativamente e muitas terras estavam submersas – a América do Norte não era excepção e o resultado foi o aparecimento de um mar interior de águas pouco profundas, estendendo-se desde o oceano Árctico até ao golfo do México e que dividiu o continente em duas massas de terra. Uma era a ilha Laramídia, onde habitava um “extraordinário dinossauro”, como refere o título do artigo científico que o descreve, por ter um nariz particularmente grande e uns cornos que mais pareciam os de um boi.
O lado invulgar do bicho está expresso no nome científico escolhido pela equipa de Scott Sampson, então conservador do Museu de História Natural do Utah e agora vice-presidente das colecções e investigação do Museu de Ciência e Natureza de Denver, nos Estados Unidos: Nasutoceratops quer dizer em latim “cara cornuda com nariz grande”. O nome completo, Nasutoceratops titusi, é ainda uma homenagem a Alan Titus, paleontólogo do Monumento Nacional Grand Staircase-Escalante, uma enorme zona desértica no estado do Utah onde o dinossauro foi encontrado.
O primeiro exemplar foi descoberto em 2006, por um estudante da Universidade do Utah, seguindo-se outros fósseis deste dinossauro, todos guardados no Museu de História Natural do Utah, em Salt Lake City, e que serviram de base ao artigo que descreve a nova espécie na revista britânicaProceedings of the Royal Society B.
Ela é a mais recente aquisição do grupo de dinossauros com cornos, ou ceratopsídeos, de que o Triceratops, com nove metros de comprimento e mais de cinco toneladas, é o representante mais famoso. Eram corpulentos, quadrúpedes, herbívoros e tinham um focinho em forma de bico de papagaio. A maioria das espécies tinha um grande crânio com um único corno no nariz e outros dois por cima dos olhos e um escudo ósseo na parte de trás da cabeça.
Em relação aos outros ceratopsídeos, o Nasutoceratops, além das particularidades do nariz e dos cornos longos e curvados para a frente, apresentava diferenças no escudo ósseo, menos ornamentado com espinhos. Tinha cinco metros de comprimento e atingia 2,5 toneladas.
Olfacto apurado?
Para que serviam os cornos e os escudos é uma questão para a qual a comunidade científica não tem resposta segura. Hipóteses não faltam, indo desde a defesa de predadores e do controlo da temperatura do corpo até ao reconhecimento de indivíduos da mesma espécie e à competição sexual. Esta última hipótese, a mais aceite pela comunidade científica, considera que os escudos e cornos tinham a função de intimidar os indivíduos do mesmo sexo e atrair os do sexo oposto, como acontece por exemplo com as caudas dos pavões e as antenas dos veados.
“É muito provável que os cornos extraordinários do Nasutoceratops fossem usados como sinais visuais de domínio e, quando isso não chegava, como armas para combater os rivais”, considera um dos cientistas da equipa, Mark Loewen, em comunicado da universidade do Utah.
“Provavelmente, o nariz de Jumbo de Nasutoceratops não tinha nada a ver com um cheiro apurado – uma vez que os receptores do olfacto estão mais para trás na cabeça, junto ao cérebro – e a função desta bizarra característica permanece incerta”, esclarece, por sua vez, Scott Sampson.
Voltemos à Laramídia: o Utah ocupa agora a parte sul dessa ilha de outrora, que era quase do tamanho da Austrália e onde o protagonista desta história vivia há 76 milhões de anos num ambiente pantanoso e quente, a cerca de 100 quilómetros da costa do Mar Interior Ocidental, que dividia o continente em duas massas de terra. A Laramídia, muito rica em fósseis de dinossauros, estava do lado oeste e a Apalachia a leste.
A equipa quer agora perceber o que levava umas espécies de dinossauros a habitar o Norte da Laramídia (Alberta, no Canadá, e Montana, nos Estados Unidos), enquanto outras se ficavam pelo Sul (nos estados norte-americanos do Novo México e do Texas, além do Utah). E como é que nessa ilha conviviam cerca de duas dezenas de espécies de dinossauros de tamanho considerável, enquanto actualmente em toda a África só existem cinco espécies de mamíferos gigantes, do tamanho de elefantes e rinocerontes, sublinha o comunicado.
“O Nasutoceratops”, conclui Eric Lund, outro investigador da equipa, “é um maravilhoso exemplo do quanto ainda temos para aprender sobre o mundo dos dinossauros”.
 Fonte: Público

 


 Ilustração científica do dinossauro Nasutoceratops

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Panfletos de Lutero roubados de um museu alemão


Foi na tarde de sexta-feira que um funcionário da casa-museu de Lutero em Eisenach, Alemanha, notou que tinham desaparecido de uma vitrine três panfletos originais com textos do célebre teólogo que ousou desafiar Roma.
Para as autoridades eclesiásticas e para os historiadores, o desaparecimento destes papéis gravados do século XVI avaliados em 60 mil euros representa uma “perda irreparável” para a memória cultural europeia. “Alguém removeu o fecho [da vitrine]. Não era uma fechadura muito forte e, por isso, não se pode excluir a hipótese de ter sido um crime de oportunidade”, disse o director do museu, Jochen Birkenmeier, citado esta terça-feira pela ediçãoonline da revista Der Spiegel.
Apesar de se tratar de gravuras, os documentos são importantes porque contêm anotações manuscritas de contemporâneos de Martinho Lutero (1483-1546), o impulsionador da Reforma protestante. Para Birkenmeier o roubo é ainda mais grave porque não há panfletos semelhantes à venda no mercado e, mesmo que houvesse, as notas seriam insubstituíveis.
Impressos em grandes quantidades, poucos foram os que chegaram até hoje e os que sobreviveram estão espalhados por várias colecções públicas e privadas. Os panfletos roubados do pequeno museu instalado na casa onde o teólogo terá vivido entre 1498 e 1501 têm temas diversificados: Para a aristocracia cristã da nação alemã, de 1520, Para os conselheiros de todas as cidades, 1524, e Sermão de Lutero para as crianças nas escolas, de 1530 (todos em tradução livre).
Birkenmeier acredita que nenhum negociante de arte sério aceitará transaccionar os panfletos, facilmente identificáveis pelas notas escritas à mão, mas admite que possam interessar a coleccionadores privados menos escrupulosos ou até ser vendidos no estrangeiro.
Identificar o autor ou autores do roubo não será tarefa fácil, já que o museu não dispõe de câmaras de vigilância. Para o seu director, o timing em que o roubo acontece é, no mínimo, irónico: “Estávamos prestes a começar uma renovação completa para instalar um sistema de segurança melhor, com câmaras e vitrines apetrechadas com alarmes.”
As melhorias na casa-museu foram pensadas para coincidir com os 500 anos da publicação das 95 Teses, nome por que é conhecido o texto de 1517 em que Lutero questiona alguns dos ensinamentos da Igreja de Roma e a autoridade do próprio Papa, dando início à Reforma.
Alguns dos mais importantes documentos que agora se podem ver no pequeno museu de Eisenach foram já substituídos por réplicas.
Fonte: Público
Documentos do século XVI estão avaliados em 60 mil euros e contêm anotações manuscritas que os tornam únicos


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Caquesseitão vendido por 150 mil euros em Paris


O caquesseitão em prata do século XVII cuja aquisição pelo Estado português foi recomendada por peritos em 2012 foi esta quarta-feira vendido em Paris por 150 mil euros. Em apenas um minuto e a partir de uma base de licitação de 140 mil euros, o comprador número 0057 adquiriu no leilão da Sotheby’s, em Paris, a peça rara, uma dos únicos sete exemplares conhecidos no mundo. Não existe qualquer exemplar nos museus portugueses, estando um exposto em França e havendo alguns em colecções privadas em Portugal.
Descrito pela leiloeira como “um objecto excepcional”, “absolutamente sumptuoso”, o aquamanil do século XVII com ligações à expansão portuguesa em forma de caquesseitão, animal mitológico descrito pela primeira vez por Fernão Mendes Pinto em Peregrinação, foi vendido ao segundo lance por 150 mil euros. Algo aquém das expectativas de venda da Sotheby’s, que estimava que o lote 242 atingisse os 200 ou 300 mil euros. Esta foi a segunda vez que a peça de ourivesaria foi à praça no último ano, tendo estado para venda na Christie’s de Londres em Julho de 2012 sem ter sido vendida.
Em 2012, quando foi pedida a expedição definitiva desta peça – que não se encontrava inventariada nem classificada pelo Estado -, um parecer do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) recomendava que o aquamanil em forma de caquesseitão "deveria ser adquirido pelo Estado, sendo, nesse caso, de imediato exposto na exposição permanente" do MNAA. O então Instituto dos Museus e da Conservação deu a autorização para a saída definitiva da peça, que deveria ser expedida para o Reino Unido tendo como destino a Christie’s. 
 Fonte: Público

Peça rara ligada à expansão portuguesa, cuja aquisição pelo Estado português foi recomendada em 2012, foi vendida em leilão esta tarde na Sotheby's


sábado, 22 de junho de 2013

UNESCO classifica Universidade de Coimbra como Património Mundial

A UNESCO classificou neste sábado a Universidade de Coimbra como Património Mundial.
A decisão foi tomada na 37.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorre em Phnom Penh, no Camboja. O território da candidatura inclui a zona da Alta universitária e parte da Rua da Sofia, onde funcionou o primeiro pólo escolar da universidade.
O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, numa nota enviada à Lusa, afirmou que “mais do que o reconhecimento do valor arquitectónico do complexo universitário de Coimbra, esta decisão da UNESCO sublinha o valor universal da cultura e da língua portuguesas e reconhece o papel central que Portugal teve na formação do Mundo, tal como hoje o conhecemos”.
A universidade foi a única em Portugal durante tantos séculos e a classificação como património mundial “reconhece a acção central que a Universidade de Coimbra tem vindo a desempenhar na história da humanidade”, realça a nota.
O comunicado informa ainda que, para comemorar a inscrição da Universidade de Coimbra - Alta e Sofia na lista do Património Mundial da Humanidade, o reitor convida à participação de todos na iniciativa “Coimbra em Festa”, a decorrer na Praça do Comércio, na Baixa de Coimbra, a partir das 16h00 de domingo.
Apesar de ser uma aspiração antiga, o projecto da candidatura começou a ganhar forma em 1999 a partir da tese de doutoramento que António Pimentel, actual director do Museu Nacional de Arte Antiga e o primeiro director científico da candidatura, realizou sobre o Paço das Escolas.
Com o tempo, a candidatura alargou também o seu âmbito: do Paço das Escolas passou a incluir toda a Alta universitária e Rua da Sofia, num conjunto de mais de 30 edifícios, e ao património material juntou o imaterial, como a produção cultural e científica, as tradições académicas, o papel desempenhado ao serviço da língua portuguesa.
Fontes: Público
wikipedia (Imagens)
O Paço das Escolas, sede da Universidade de Coimbra
Ficheiro:Coimbra December 2011-12.jpg
Torre da Universidade de Coimbra, da autoria de Antonio Canevari

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A casa com que Aristides de Sousa Mendes sempre sonhou



A casa de Aristides de Sousa Mendes, mais conhecida como a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, vai finalmente ser restaurada. Depois de vários anos ao abandono, a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) anunciou nesta quinta-feira, numa cerimónia de homenagem ao “Cônsul de Bordéus”, que em breve vão começar os trabalhos de recuperação.
O dia foi de festa e de homenagem ao homem que durante a Segunda Guerra Mundial passou o visto a mais de 30 mil pessoas, permitindo que estas pudessem fugir aos terrores do Holocausto. Foi aliás por causa de um destes sobreviventes que nesta quinta-feira se reuniram centenas de pessoas em Cabanas de Viriato.

Eric Moed, um arquitecto norte-americano, ficou a saber no ano passado que Aristides de Sousa Mendes tinha passado o visto ao seu avô. Na mesma altura estava a preparar o projecto final de curso. “E foi então que tudo fez sentido. Assim que o meu avô me contou a sua história, eu quis saber mais sobre Aristides de Sousa Mendes. Quando vi a Casa do Passal completamente destruída, percebi que esse seria o meu projecto”, contou ao PÚBLICO o arquitecto de 25 anos.

O resultado final do seu trabalho é uma instalação à entrada da destruída casa. O objectivo é não só lembrar o acto heróico do cônsul como também alertar para o estado de degradação da casa, já com parte do telhado destruído.

O plano do arquitecto parece ter resultado e os trabalhos de restauro vão começar ainda este ano, como anunciou o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que apesar de não ter estado presente na homenagem, enviou uma mensagem. O objectivo, segundo as palavras do secretário de Estado, é que a Casa do Passal seja no futuro um espaço onde o passado e o futuro se encontrem para que “aprendamos a dizer nunca mais”. “Temos de ter a capacidade de aprender com a história.”

A notícia foi recebida pela população com um entusiasta e longo aplauso. “Finalmente”, gritou-se.

 Fonte: Público
Casa vai ser recuperada para dar lugar a um espaço dedicado ao trabalho do cônsul de Bordéus, como ficou conhecido

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Importante cidade maia descoberta no leste do México



Um grupo internacional de arqueólogos descobriu no leste do México uma importante cidade maia, que terá tido o seu apogeu entre os anos 600 e 900 da nossa era, anunciou o Instituto Nacional de AntrA cidade, que se estende por 22 hectares do Estado mexicano de Campeche, esteve escondida na floresta durante séculos até ser descoberta há duas semanas por uma equipa que a batizou como Chactun, "Pedra Vermelha" ou "Pedra Grande" em maia, indicou o INAH num comunicado divulgado na terça-feira à noite.
"Trata-se de um dos maiores locais das terras baixas centrais" da civilização maia, disse Ivan Sprajc, arqueólogo do Centro de Investigação Científica da Academia eslovena das Ciências e das Artes, que dirigiu a expedição.
Sprajc adiantou que a descoberta foi possível através de fotografias aéreas e da técnica da estereoscopia.
"São estelas (colunas) e altares -- alguns dos quais conservam restos de estuque -- que melhor refletem o esplendor da cidade", contemporânea de outras cidades maias como Calakmul, Becan e El Palmar, refere o INAH, segundo a agência France Presse.
O local tem numerosas construções de tipo piramidal com até 23 metros de altura, assim como terrenos de jogo, praças, monumentos e zonas de habitação.
O sítio de Chactun é um dos cerca de 80 locais detetados pelo Projeto de Reconhecimento arqueológico do sudeste do México, lançado em 1996.

 Fontes: DN
APF
Parte do sítio arqueológico de Chichen Itza no estado de Yucatán, México, em dezembro de 2012





quarta-feira, 19 de junho de 2013

O diário da viagem de Vasco da Gama à Índia inscrito na lista da Memória do Mundo

O diário da primeira viagem comandada por Vasco da Gama na descoberta do caminho marítimo para a Índia (1497-99), atribuído a Álvaro Velho, foi terça-feira inscrito pela Unesco na lista do património Memória do Mundo.
Este documento relevante da História dos Descobrimentos, actualmente propriedade da Biblioteca Pública Municipal do Porto, fazia parte do conjunto de 84 pedidos de inscrição enviados à reunião que o comité da Unesco está a realizar na cidade de Gwangju, no Camboja – e na qual está também em lista de espera a classificação da Universidade de Coimbra como Património Mundial.
O diário da descoberta do caminho marítimo para a Índia foi um dos 54 documentos e testemunhos históricos agora classificados pela Unesco. Sobre ele, a organização diz tratar-se de “um testemunho verdadeiro da forma como Vasco da Gama, à frente da sua frota, descobriu a rota marítima para a Índia”. E acrescenta que esta foi uma aventura “sem precedentes” e “um momento determinante que mudou o curso da História”. “Além de constituir uma das maiores explorações marítimas realizadas, à época, pelos europeus, a viagem de Vasco da Gama originou “uma série de acontecimentos que viriam a transformar o mundo”.
O texto original do diário esteve exposto, em 2008, na Biblioteca do Barreiro – terra natal do cronista Álvaro Velho, que se crê ser o autor do documento. A Faculdade de Letras da Universidade do Porto disponibiliza-o actualmente on line na colecção Gâmica da Biblioteca Digital, acrescentado de uma leitura crítica do investigador José Marques.
Entre a lista dos 54 novos ítems da Memória do Mundo, encontram-se os documentos que testemunham a viagem que o segundo imperador do Brasil, Pedro II (1825-1891), fez no seu país e a outros de quatro continentes diferentes durante o seu reinado. Também pedido pelo Brasil, foram classificados os arquivos de arquitectura de Oscar Niemeyer, o famoso arquitecto de Brasília falecido em Dezembro do ano passado, aos 104 anos.
Os registos audiovisuais compilados pelo documentarista e foto-jornalista Max Stahl relativos ao nascimento de Timor-Leste como país independente estão igualmente na lista da Memória do Mundo; o mesmo acontecendo com os manuscritos das obras históricas de Karl Marx, Manifesto do Partido Comunista e O Capital, e com a colecção de documentos relativos à vida de Ernesto Che Guevara, incluindo o seu diário de guerrilheiro na Bolívia.
Fonte: Público
 AUnesco incluiu este documento histórico numa nova lista de 54 ítems, destacando a importância que a viagem do navegador português teve no desencadear de “uma série de acontecimentos que viriam a transformar o mundo”.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Misteriosas descobertas arqueológicas nos Açores

A multiplicação de descobertas arqueológicas no Corvo, na Terceira e noutras ilhas dos Açores está a provocar polémica, porque parece indicar a presença de navegadores muitos séculos antes da chegada oficial dos portugueses, em 1427 (Diogo de Silves).
Celtas, fenícios, cartagineses, romanos podem ter passado pelo arquipélago, porque o regresso ao Mediterrâneo ou ao norte da Europa de qualquer barco que viajasse ao longo da costa africana teria de ser feito pela chamada volta do Atlântico, por causa da direção dominante dos ventos de nordeste.
Essa rota passava precisamente pelo grupo central das ilhas dos Açores e pelos seus dois melhores portos naturais: Angra do Heroísmo, na Terceira, e Horta, no Faial.
Faltam sondagens, escavações e datações por radiocarbono para se tirarem conclusões definitivas, mas se fosse provada a origem pré-portuguesa dos achados arqueológicos, a História teria de ser rescrita, tanto no que diz respeito à descoberta das ilhas como ao paradigma da navegação no Atlântico. 
Félix Rodrigues, professor catedrático da Universidade dos Açores, que descobriu e estudou em profundidade alguns destes achados, vai mais longe e afirma ao Expresso: "Seria a maior descoberta arqueológica da Europa dos últimos 100 anos".
Fonte: Expresso
Ver Fotogaleria AQUI




São dezenas de estruturas em pedra ou escavadas na rocha encontradas em várias ilhas dos Açores e estão a gerar polémica, porque parecem apontar para a presença humana no arquipélago muito antes da chegada dos portugueses.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Guião do filme "O Desprezo" leiloado por 144.300 euros

O guião manuscrito do filme O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, foi vendido na terça-feira por 144.300 euros, num leilão promovido em Paris pela leiloeira Artcurial. O documento data de 1963 e é o único manuscrito conhecido do guião que Godard escreveu para a sua adaptação do romance homónimo de Alberto Moravia.
A própria leiloeira estimara que o guião valesse entre 60 a 80 mil euros, mas uma renhida competição de três coleccionadores acabou por fixar o preço final em quase 150 mil euros.
Conhecem-se outros guiões do filme, mas são todos dactilografados, e o que agora foi vendido a um comprador francês não identificado, além de ter sido redigido pelo punho de Godard, inclui ainda um anexo com breves notas manuscritas por Moravia e por alguns dos intérpretes de O Desprezo (Le Mépris), como Michel Piccoli, Brigitte Bardot ou o realizador alemão Fritz Lang, que faz de si próprio.
O documento, de 59 páginas, estava na posse de Ghislain Dussart, fotógrafo de Brigitte Bardot, que realizou uma reportagem fotográfica da montagem do filme, no qual Godard participa também como actor, interpretando um assistente de Fritz Lang.
O filme é uma adaptação livre do romance de 1954 de Alberto Moravia, do qual Godard reteve a ideia de um casal em processo de afastamento e transformou num jogo de espelhos sobre o mundo do cinema. À altura da estreia, O Desprezo gerou a perplexidade que costuma acompanhar o cinema de Godard (sobretudo por quase fazer questão de ignorar o corpo de Bardot que o produtor Carlo Ponti tanto queria mostrar). Com o correr dos anos, contudo, tornou-se num dos filmes mais emblemáticos da fase inicial da sua obra, bem como uma "matriz" da sua subversão da imagem pública de actores populares (como faria mais tarde com Yves Montand, Jane Fonda, Gérard Depardieu ou Johnny Hallyday). 
Fonte: Público
Cartaz do filme 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ilha disputada por três países durou seis meses

Uma erupção do vulcão submarino Empédocles, a sul da Sicília (Itália), em 1831, originou uma pequena ilha que se transformou no alvo de uma disputa territorial entre Inglaterra, Espanha e França, como explica Javier Sanz, no blogue Historias de La Historia, citado pelo jornal espanhol ABC.
Quando os materias arrefeceram, a 2 de agosto, o inglês Humphrey Fleming Senhouse zarpou da ilha de Malta para plantar a bandeira britânica e batizar o território de ilha Graham. Duas semanas depois (17 de agosto), um barco do rei D. Fernando II das Duas Sicílias (reino composto por Nápoles e pela Sicília) atraca na ilha, tira a bandeira da Inglaterra e substitui pela sua. A ilha passa a chamar-se Ferdinandea. Um mês e meio mais tarde, uma missão científica francesa planta a sua bandeira na ilha e chama-lhe Julia.
A tensão entre os três estados envolvidos cresceu mas a natureza evitou o conflito armado. O mar engoliu a ilhota a 17 de dezembro de 1861.
O pequeno território voltou a estar na origem de conflitos em abril de 1986 quando a Força Aérea norte-americana bombardeou a Líbia após a explosão de uma bomba numa discoteca em Berlim maioritariamente frequentada por soldados dos EUA. Os aviões detetaram um sombra que identificaram como submarinos do exército de Kadafi. Depois de os bombardearem, descobriram tratar-se dos restos da ilha.

Fontes: DN
wikipedia

Arquivo: Localização de Ferdinandea.jpg


Ilha disputada por três países durou seis meses
Ilha Graham. Ilha Julia. Ilha Ferdinandea. Três nomes para um pedaço de terra de 1,6 quilómetros quadrados, que existiu durantes escassos seis meses, e esteve a ponto de originar uma guerra no século XIX.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Descoberta opereta cómica de Eça de Queirós


"A Morte do Diabo" - a opereta cómica inacabada, recentemente descoberta pela estudiosa da obra de Eça de Queirós Irene Fialho, entre o espólio da música de Augusto Machado na Biblioteca Nacional - vai ser publicada a 4 de junho pela Editorial Caminho.
Irene Fialho disse ao Expresso que se trata de uma opereta criada no contexto do Cenáculo, as tertúlias literárias que Eça de Queirós frequentava na casa de Jaime Batalha Reis, da qual encontrou a partitura, sem qualquer menção de título nem dos autores.
Composta em 1869 por Augusto Machado, a opereta com libreto de Eça de Queirós e Batalha Reis permanecia anteriormente desconhecida, apenas se sabendo da sua existência por referências deixadas pelos seus autores em alguns textos.
Irene Fialho diz que foi a correspondência com alguns versos escritos por Batalha Reis, num artigo sobre Antero de Quental, que a ajudaram a identificar o libreto de "A Morte do Diabo".

Um registo pouco conhecido em Queirós

"Embora tenha um título um pouco estranho, é uma ópera cómica", refere a estudiosa, sobre a obra que revela um registo pouco conhecido em Queirós: o verso cómico.
"O Diabo está no Inferno muito aborrecido, com os seus demónios, e decide que o sítio se tornou tão pelintra que seria preferível irem para qualquer outro, nem que fosse o Chiado", recorda Irene Fialho.
Este é o ponto de partida do libreto, que constitui a primeira hora da opereta, à qual não foi dada continuidade pelos seus autores.


Parte da música foi aproveitada para a opereta "O Sol da Navarra", que chegou a ser apresentada no Teatro da Trindade.
Os excertos recentemente descobertos de "A Morte do Diabo", na obra a publicar, são enquadrados por textos de Irene Fialho, Mário Vieira de Carvalho e José Brandão.
Fonte: Expresso
Descoberta opereta cómica de Eça de Queirós


"A Morte do Diabo" apresenta Satanás tão entediado com o Inferno que decide ir com os seus demónios até ao Chiado. É uma opereta, inacabada e recentemente descoberta, que será editada a 4 de junho