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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

26 de Fevereiro de 1901: Thomas Mann lança "Os Buddenbrooks"

No dia 26 de Fevereiro de 1901, a editora Fischer-Verlag lançou o primeiro volume de "Os Buddenbrooks", em que Thomas Mann narra de forma perspicaz a ascensão e queda de uma família burguesa alemã.
O romance Os Buddenbrooks conta a história de uma família de comerciantes de Lubeque, no norte da Alemanha. Trata-se do primeiro romance de Thomas Mann, escrito aos 23 anos de idade e baseado na saga da própria família. O filho de aristocratas contrariou o desejo do pai, que queria fazer dele um comerciante. 
O romance de Thomas Mann ficou tão volumoso, que a editora lhe pediu para encurtar o manuscrito. O autor convenceu o editor de que o romance não admitia qualquer corte. No dia 26 Fevereiro de 1901, a obra foi publicada, e o leitor que não se assustou com o número de páginas pôde ler, em dois volumes, como a teimosia, a incapacidade e a desventura provocam a lenta decadência de uma dinastia de comerciantes.
Todas as personagens do romance têm os seus correspondentes na realidade. O próprio Thomas Mann não se poupa. Ele é Hanno, o benjamin da família. O severo senador, seu pai, é o chefe do clã.
 O livro mal acabara de ser publicado e já circulavam em Lubeque listas, relacionando as personagens com a vida real. As descrições de carácter são brilhantes, mas não necessariamente lisonjeiras.
Segundo Thomas Mann, "essa expressão literária da essência de Lubeque era prosa psicológica, um romance naturalista. Em vez de recorrer à beleza de um idealismo religioso, ele contava de forma sombria e, em parte, cómica, situações da vida que misturavam metafísica pessimista com características satíricas e transmitiam o contrário de amor, simpatia e união. 
Esta expressão (Nestbeschmutzer) foi usada pelo tio de Thomas Mann, Friedrich, num artigo de jornal em que disparou sua indignação sobre a obra do sobrinho. Horrorizado, ele  reconhecera-se no romance, na figura do desajeitado Christian Buddenbrook. Apesar da irritação das pessoas retratadas, o livro é desde o início um sucesso de vendas e, ao ser lançado numa edição mais barata de um só volume pelo editor Samuel Fischer, em 1902, transformou-se definitivamente num best-seller.
Uma das explicações para este sucesso – segundo o autor – é o apego do público alemão a tudo que diz respeito à própria pátria. O próprio Thomas Mann foi adepto dos ideais políticos do nacionalismo alemão, aos quais somente renunciou após os primeiros sintomas da falência moral que se seguiu ao desastre da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Embora passasse a apoiar teses esquerdistas e optasse pelo exílio nos Estados Unidos e, por fim, na Suíça, durante o nazismo, Mann continuou a ser, em certo sentido, o conservador que fora até 1918.
Thomas Mann nasceu em Lubeque, a 6 de Julho de 1875, e faleceu a 12 de Agosto de 1955, em Zurique. Frequentou os círculos intelectuais da Universidade de Munique, seguindo depois para Roma. Mas logo regressou a Munique e aí permaneceu, como um dos editores do jornal satírico-humorísticoSimplicissimus. Após algumas novelas menores, sacudiu o meio literário europeu com Os Buddenbrooks, que antecipou a problemática de toda a sua obra futura: de um lado, o conflito entre a existência burguesa e a vida atribulada do artista; de outro, a génese artística como produto da decadência biológica.
Entre os livros mais conhecidos do autor estão: Morte em Veneza (1913), A Montanha Mágica (1921), a tetralogia bíblica José e seus irmãos (1933-1943) e Doutor Fausto (1947).
Lubeque – cidade Património Cultural da Humanidade – não guarda rancor das indiscrições familiares de Thomas Mann. Em 1955, concedeu ao escritor o título de cidadão honorário. Mas, a esta altura, Mann já havia obtido sua maior condecoração: com o romance Os Buddenbrocks, conquistara o Prémio Nobel de Literatura, em 1929.
Fontes: DW
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Thomas Mann em 1937


Thomas Mann (sentado) e o irmão Heinrich
1901 Thomas Mann Buddenbrooks.jpg


Primeira edição de Os Buddenbrooks

domingo, 18 de fevereiro de 2018

18 de Fevereiro de 1943: A Gestapo prende os líderes da organização de resistência alemã "Rosa Branca"

Por se oporem ao regime nazi, Hans Scholl e a sua irmã Sophie, os líderes da organização juvenil alemã Weisse Rose (Rosa Branca), são presos em 18 de Fevereiro de 1943 pela Gestapo, a polícia política.

A Rosa Branca era composta por estudantes universitários, principalmente alunos de medicina que denunciavam Adolf Hitler e o seu regime. O fundador, Hans Scholl, era ex-membro da Juventude Hitleriana que cresceu desencantado com a ideologia nazi. Estudante na Universidade de Munique em 1940-41, encontrou-se com duas pessoas cultas que professavam a religião católica romana e que redireccionaram a sua vida. Passando da medicina para a religião, filosofia e artes, Scholl reuniu em torno de si amigos com ideias próximas e que também punham em causa os nazis. Assim nasceu a Rosa Branca. 

Durante o Verão de 1942, Scholl e um amigo redigiram quatro panfletos que expunham e denunciavam as atrocidades nazis e da organização paramilitar nazi SS, inclusive o extermínio dos judeus. Conclamando para a resistência ao regime, o texto continha citações de grandes escritores e pensadores, de Aristóteles a Goethe, e exigia o renascimento da universidade alemã. Esta era uma meta de uma elite culta dentro da Alemanha. 
Os riscos envolvidos em tal iniciativa eram enormes. As vidas dos cidadãos comuns eram vigiadas e qualquer desvio de uma absoluta lealdade ao Estado, punido duramente. Até mesmo uma observação crítica informal a Hitler ou aos nazis poderia resultar na prisão pela Gestapo. Já os estudantes da Rosa Branca – a origem do nome do grupo é incerta, possivelmente provem do desenho de uma flor nos seus panfletos – arriscavam tudo, simplesmente motivados pelo idealismo, por uma moral elevada e princípios éticos, além de simpatia pelos seus vizinhos e amigos judeus. A despeito dos riscos, a irmã de Hans, Sophie, uma estudante de biologia da mesma universidade do seu irmão, pediu para participar das actividades da Rosa Branca. Foi então que descobriu a operação secreta do seu irmão. 

No dia 18 de Fevereiro de 1943, Hans e Sophie deixam uma pasta cheia de cópias de outro panfleto no edifício principal da universidade. O folheto declarava, em parte: "O Dia do Juízo Final chegou, o juízo final da nossa juventude alemã com a mais abominável tirania que o nosso povo jamais suportou. Em nome de todo o povo germânico exigimos do Estado de Adolf Hitler o retorno à liberdade pessoal, o mais precioso tesouro dos alemães que ele astuciosamente roubou." 

Os dois foram descobertos e denunciados à Gestapo, que os prendeu. Levados a tribunal, estavam condenados de antemão, o julgamento a que foram submetidos não passou de uma farsa e a sentença foi pronunciada imediatamente. No interrogatório, Sophie negou tudo, desesperada por proteger o irmão e os demais companheiros. Mas quando descobre que o irmão confessou, deixa de mentir. Os Scholls, ao lado de outro membro da Rosa Branca, também capturado, foram sentenciados à pena de morte. Foram decapitados – uma punição reservada apenas a “traidores políticos” - em 23 de Fevereiro, mas não sem antes Hans Scholl bradar “Viva a Liberdade!” 

A tragédia dos Scholl foi levada às telas com o filme alemão Sophie Scholl – Os Últimos Dias, que conquistou o Urso de Prata do Festival Internacional de Berlim de 2005 além de outras 14 prémios e nove indicações. 

Os membros da Rosa Branca, principalmente Sophie Scholl, são ainda hoje respeitados e todas as cidades têm ruas com os seus nomes, em memória dos estudantes que tentaram de forma heroica pôr fim à crueldade e à enorme indiferença existente na Alemanha nazi. 
Fontes: Opera Mundi
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Selo postal comemorativo de Hans Scholl e Sophie Scholl, RDA, 1961
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Monumento em homenagem ao movimento "Rosa Branca", em frente à Universidade Ludwig Maximilian em Munique.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

14 de Agosto de 1956 : Morre Bertolt Brecht, dramaturgo, poeta e encenador alemão

Bertolt Brecht nasceu na Alemanha a 10 de fevereiro de 1898. Estudou Medicina e cumpriu o serviço militar num hospital, durante a I Guerra Mundial. É deste período que data a sua primeira peça. No após-guerra, desenvolveu uma atitude de oposição aos valores e à sociedade burguesa, exprimindo um profundo desapontamento em relação à sua geração, incluindo aqueles que se encontravam ligados a certas correntes do Modernismo. Com o compositor Kurt Weill, escreveu a célebre Die Dreigroschenoper ( A Ópera dos Três Vinténs , 1928). Com a ascensão ao poder do nacional-socialismo em 1933, Brecht partiu para o exílio, primeiro na Dinamarca e depois nos Estados Unidos da América, onde fez alguns filmes em Hollywood. Entretanto, na Alemanha era-lhe retirada a cidadania e os seus livros eram lançados à fogueira, no zelo persecutório que percorria as autoridades do país. Porém, seria justamente entre 1937 e 1941 que Brecht escreveria algumas das suas grandes peças - nomeadamente Mutter Courage und ihre Kinder ( Mãe Coragem e os seus Filhos , 1941) -, alguns dos melhores ensaios teóricos, diálogos e poemas. Em 1948, Brecht regressou a Berlim, na então República Democrática Alemã, onde se tornou diretor do Berliner Ensemble e onde viria a morrer a 14 de agosto de 1956. Outras peças dignas de especial referência são Leben des Galilei ( Vida de Galileu , 1943) e Der kaukasische Kreidekreis ( O Círculo de Giz Caucasiano , 1949). Brecht foi um dos grandes reformadores do teatro no século XX, desenvolvendo uma forma de drama capaz de realizar um certo tipo de intervenção social, ideologicamente marcada por um posicionamento político assumidamente de esquerda.

Bertolt Brecht. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
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File:Bertolt-Brecht.jpg
Bertolt Brecht
File:Bundesarchiv Bild 183-24300-0049, Bertolt Brecht und Helene Weigel am 1. Mai.jpg
Brecht  e  Helene Weigel no telhado da Berliner Ensemble durante a manifestação do Dia do Trabalhador, 1 de Maio de 1954 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

11 de Agosto de 1919: É aprovada a Constituição Alemã, pela assembleia nacional de Weimar, primeira tentativa de democracia liberal.

No dia 11 de Agosto de 1919, Friedrich Ebert, membro do Partido Social-Democrata e presidente provisório do Reichstag (parlamento alemão) assina uma nova constituição, conhecida como a Constituição de Weimar, criando oficialmente a primeira democracia parlamentar republicana na Alemanha. Após a assinatura do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial e a abdicação do imperador alemão, surgiu a república na Alemanha. 

Quando o país estava prestes a perder a guerra, eclodiu uma revolta em Berlim e a marinha amotinou-se. O imperador Guilherme II abdicou e partiu para a Holanda com a família. O socialista Philipp Scheidemann proclamou a república. Dois dias depois pediria o armistício aos aliados. A Assembleia  Nacional reunida na cidade de Weimar vota a nova Constituição. Esta carta magna cria uma república democrática e parlamentar composta por 17 Länder (estados). A chegada de Hitler ao poder em 1933 colocaria fim a este regime político.

  
Ainda antes de a Alemanha reconhecer a sua derrota diante das forças aliadas nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, o descontentamento e a turbulência política grassavam no país, com o povo alemão, acossado pela fome, expressando a sua angústia e desespero com greves operárias em larga escala e motins no seio das forças armadas. 



No início de 1916, a Alemanha era governada basicamente por uma ditadura militar exercida pelo Comando Supremo do Exército chefiado pelos generais Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff. No final de Outubro de 1918, porém, com a derrota a despontar no horizonte, Hindenburg pressionou o kaiser Guilherme II e o governo germânico a formar um governo civil a fim de negociar o armistício com os aliados. O kaiser e o Reichstag, em decorrência, emendaram a constituição de 1871 em vigor, criando efectivamente uma democracia parlamentar na qual o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, príncipe Max von Baden, responderia "não" a Guilherme II e "sim" ao Reichstag. 

Esta medida, no entanto, não foi suficiente para satisfazer as forças de esquerda no interior da Alemanha, que capitalizavam o descontentamento popular e a desorganização administrativa decorrente dos derradeiros e inúteis esforços de guerra. 
Na esperança de pacificar os comunistas e os socialistas, von Baden transferiu os seus poderes a Ebert, o líder do Partido Social-Democrata (SPD), em 9 de Novembro. Nos seis meses subsequentes, o Reichstag, comandado pelo SPD, trabalhou na redacção de uma constituição que pudesse consolidar a condição da Alemanha como uma democracia parlamentar derrotando os comunistas e de certa forma traindo os anseios de boa parte da massa trabalhadora. 
Entretanto, muitos dentro da Alemanha, em particular sectores da direita emergente, acusavam o governo de, na sua visão, aceitar os termos humilhantes impostos ao país pelas forças triunfantes no Tratado de Versalhes, particularmente as exigências por reparações de guerra e cedência de territórios, justificados por uma cláusula do tratado que depositava sobre os ombros da Alemanha a culpa exclusiva pelo início da conflito. 
Acossado pelos furiosos ataques dos militares de direita e pelas críticas radicais dos comunistas e identificado por ambos os lados como responsável pela vergonha de ter aceite os termos do Tratado de Versalhes, o governo de Weimar e a sua constituição – promulgada em 11 de Agosto de 1919 – pareciam ter apenas uma ténue esperança de sobrevivência. 


Nesta atmosfera de confronto e amplo descontentamento, exacerbada pelas precárias condições económicas, elementos da extrema-direita começaram a assumir uma postura cada vez mais dominante no seio do Reichstag. Este processo, intensificada pela Grande Depressão de 1929, culminaria com a ascensão ao poder de Adolf Hitler, que explorou as debilidades do sistema de Weimar para fincar os alicerces do seu Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazi e assumir o poder em 1933, com apoio das forças conservadoras e parte da social-democracia, e logo depois dissolver o sistema parlamentar e impor, com base no seu ideário, um controlo absoluto sobre a Alemanha. 

Fontes: Opera Mundi
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A Constituição de Weimar  

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

02 de Agosto de 1934: Morre Paul von Hindenburg, presidente da República de Weimar

No dia 2 de Agosto de 1934, falece Paul von Hindenburg, presidente da República de Weimar da Alemanha, abrindo as portas para o “governo total” de Adolf Hitler, designado chanceler em Janeiro de 1933.

A vida de Hindenburg foi sempre marcada pela tradição militar prussiana. O seu pai havia sido um oficial prussiano e o próprio Hindenburg, com 19 anos, lutou na Guerra das Sete Semanas contra a Áustria e mais tarde, na Guerra Franco-Prussiana. Foi finalmente promovido ao posto de general antes de se retirar da carreira militar em 1911. 

No entanto, foi durante a Primeira Guerra Mundial que Hindenburg viria a ser uma figura proeminente nacionalmente. Foi convocado para ser o lugar tenente do major-general Erich Ludendorff, um eminente estratego militar. Ludendorff havia sido bem sucedido em expulsar os invasores russos da Prússia oriental – porém o crédito dessa façanha foi atribuído a Hindenburg. 

Com o desenrolar da guerra, a estatura de Hindenburg foi sendo elevada a proporções épicas, chegando a influenciar o imperador Guilherme II para fazer dele o comandante de todas as forças militares, a despeito das dúvidas quanto às qualidades estratégicas de Hindenburg. De facto, graves erros de cálculo da parte de Hindenburg resultaram na derrota da Alemanha que não titubeou em atribuí-la a Ludendorff. Por seu lado, Ludendorff e os generais acusaram os políticos como responsáveis pela derrota. 

Monárquico apreciador de regimes autoritários, Hindenburg não obstante assumiu as rédeas de um governo republicano pós-guerra como presidente em 1925. Temeroso das tensões sociais lideradas tanto pelas correntes de esquerda quanto pelos extremistas de direita, e à luz da Depressão e dos duros termos do Tratado de Versalhes que exigia pesadas reparações da Alemanha, Hindenburg autorizou o seu chanceler, Heinrich Bruning, a dissolver o Reichstag (parlamento) caso necessário e a convocação de novas eleições, como de facto ocorreu. Essas novas eleições fizeram o Partido Nazi passar a ser o segundo maior partido no Reichstag. 

Reeleito presidente em 1932, Hindenburg já tinha perdido o apoio de muitos dos elementos mais conservadores do seu governo, que passaram a apoiar o partido de Hitler, o qual viam como a chave para o restabelecimento do prestígio germânico bem como o baluarte contra o avanço do bolchevismo. Após uma sucessão de chanceleres que se mostraram ineficientes em reverter o declínio acentuado da economia germânica e recebendo o necessário apoio dos nazis para formar uma coligação Hindenburg, relutante, mas recebendo pressão dos sectores conservadores, dos partidos de direita e de certos sectores social-democratas, acabou por nomear Hitler como chanceler da Alemanha. Hindenburg nunca foi um ardente defensor de Hitler, mas pouco fez para deter e impedir as acções de Hitler, quando começou a empregar tácticas de terror para consolidar o poder dos nazis. 

Quando Hindenburg morreu, era ainda uma respeitada figura nacionalmente. Foi sepultado, ao lado da sua mulher, em Tannenberg, o lugar da grande vitória contra os russos durante a Primeira Guerra Mundial. Quando a Segunda Guerra Mundial estava a chegar ao fim, com o avanço do Exército Vermelho, os seus corpos foram removidos para que os soviéticos não pudessem deles se apossar. Foram posteriormente sepultados pelos norte-americanos em Marburgo. 
Fontes: Opera Mundi
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Retrato de Paul von Hindenburg por Max Liebermann

 Adolf Hitler  cumprimenta o Presidente Paul von Hindenburg na abertura do Reichstag  em Potsdam,  Março de 1933

quarta-feira, 28 de junho de 2017

28 de Junho de 1919: Assinatura do Tratado de Paz de Versalhes

O Tratado de Versalhes foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias a 28 de Junho de 1919 e encerrou oficialmente a  I Guerra Mundial. O principal ponto do tratado determinava que a Alemanha. aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e que, sob os termos dos artigos 231-247, fizesse reparações a determinados países da  Tríplice Entente (Aliança vencedora).
Os termos impostos à Alemanha incluíam a perda de uma parte do seu território para algumas nações fronteiriças, de todas as colónias, uma restrição ao seu exército e uma indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. O ministro alemão do exterior, Hermann Müller, assinou o tratado a 28 de Junho de 1919. O tratado foi ratificado pela Sociedade das Nações a 10 de Janeiro de 1920. Na Alemanha o tratado originou um sentimento de humilhação na população, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do regime nazi.
As negociações entre as potências aliadas começaram a 18 de Janeiro, no Salão dos Relógios no Ministério dos Negócios Estrangeiros Francês. No início participaram nas negociações 70 delegados representado 27 nações.
Tendo sido derrotadas, a Alemanha,  a Áustria e a Hungria foram excluídas das negociações. A Rússia também foi excluída porque tinha negociado o Tratado de Brest - Litovsk, que estabelecia uma paz separada com a Alemanha em 1918, graças ao qual a Alemanha ficou com uma grande faixa de terras e de recursos à Rússia.
As condições finais foram determinadas pelos líderes das "três grandes" nações: o primeiro-ministro britânico  David Lloyd George, o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, e o presidente dos EUA,  Woodrow Wilson.
O tratado originou a criação da Sociedade das Nações, um dos objectivos principais do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. A  Sociedade das Nações tinha como objectivo arbitrar conflitos internacionais para evitar futuras guerras.
Outras cláusulas do Tratado incluíam a perda das colónias por parte da Alemanha e dos territórios que o país tinha anexado ou invadido num passado recente, destacam-se:
A Alsácia -Lorena, os territórios cedidos pela França à Alemanha no acordo de Paz assinado em Versalhes de 1871 e pelo Tratado de Frankfurt de 1871, seriam devolvidos à França.
       Uma parte da Jutlândia seria devolvida à Dinamarca se assim fosse decidido por um plebiscito na região.
    A parte leste da Alta Silésia era devolvida  à Polónia (área 3214 km², 965 000 habitantes) apesar do plebiscito ter apontado que 60% população preferia ficar sob domínio da Alemanha.     As cidades alemãs de Eupen e Malmedy ficariam para  a Bélgica.
    A província de Sarre ficou sob o comando da Sociedade das Nações durante 15 anos.
    A Renânia foi desmilitarizada, ou seja, não ficou nenhum soldado ou instalação militar na região.
    A leste, a Polónia recebeu partes da Prússia Ocidental e da Silésia.
  A Checoslováquia recebeu o distrito de Hultschin.
    A grande cidade alemã de Danzig (na actualidade Gdansk na Polónia),  passou a ser uma cidade livre, sob a protecção da Liga das Nações.
    Memel, uma pequena faixa territorial na Prússia Oriental, às margens do Mar Báltico, foi entregue ao controle lituano.
  Fora da Europa, a Alemanha perdeu todas as suas colónias [na África e no Pacífico]. No total, a Alemanha perdeu 13 por cento do seu território em solo europeu, aproximadamente 70.000 quilómetros quadrados, e um décimo da sua população (entre 6.5 a 7 milhões de habitantes).
O artigo 231 do Tratado (a cláusula da 'culpa de guerra') responsabilizou unicamente a Alemanha por todas as 'perdas e danos' sofridas pela Tríplice Entente  durante a guerra obrigando-a a pagar uma reparação por tais actos. O montante foi oficializado em 269 biliões de marcos, dos quais 226 biliões como principal, e mais 12% do valor das exportações anuais alemãs. Mais tarde, naquele ano, a dívida foi reduzida para 132 biliões.

Alguns dos artigos do Tratado

Artigo 42 - É proibido à Alemanha manter ou construir fortificações, quer na margem esquerda do Reno, quer na margem direita, a Oeste de uma linha traçada a 50 quilómetros a Leste deste rio.

Artigo 45 - Como compensação pela destruição das minas de carvão no Norte da França, e por conta da importância a pagar pela reparação total dos prejuízos de guerra devidos pela Alemanha, esta cede à França a propriedade inteira e absoluta (...) das minas de carvão situadas na bacia do Sarre (...). [em anexo a esta parte estabelece-se, no parágrafo 16, que: O Governo do território da Bacia do Sarre será confiado a uma Comissão representando a Sociedade das Nações]

Artigo 51 - Os territórios cedidos à Alemanha em virtude [da guerra franco-prussiana de 1871 e que a França perdeu, ou seja: a Alsácia-Lorena] são reintegrados na soberania francesa (...)

Artigo 119 - A Alemanha renuncia, em favor das Principais Potências aliadas e associadas, a todos os seus direitos e títulos sobre as suas possessões de além-mar.

Artigo 159 - As forças militares alemãs serão desmobilizadas e reduzidas nas condições fixadas mais adiante.

Artigo 160 - A datar do 31 de Março de 1920, o mais tardar, o exército alemão não deverá compreender mais de sete divisões de infantaria e três divisões de cavalaria.

Artigo 173 - Todo o serviço militar universal obrigatório será abolido na Alemanha.

Artigo 198 - As forças militares da Alemanha não deverão comportar nenhuma aviação militar ou naval.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por deles ter sido a causa, por todas as perdas e por todos os prejuízos sofridos pelos Governos aliados e associados e pelos seus nacionais em consequência da guerra, que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e dos seus aliados.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados exigem (...) e a Alemanha a tal se obriga, que sejam reparados todos os prejuízos causados à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e os seus bens (...).

Artigo 235 - Com o fim de habilitar as Potências aliadas e associadas a empreender desde já a restauração da sua vida industrial e económica, enquanto não é realizada a fixação definitiva da importância das suas reclamações, a Alemanha pagará, durante os anos de 1919 e 1920 e os quatro primeiros meses de 1921 (...) em ouro, mercadorias, navios, valores ou outra forma (...) o equivalente a 20 000 000 000 (vinte biliões) de marcos ouro (...)

Anexo IV
 § 6 - a título de adiantamento imediato, (...) a Alemanha compromete-se a entregar à França nos três meses que se seguirem à entrada em vigor do presente Tratado (...) as quantidades abaixo especificadas em gado vivo:

  500  garanhões de 3 a 7 anos;
  30 000 poldras e éguas de 18 meses a 7 anos (...);
  2 000  touros de 18 meses a 3 anos;
  90 000 vacas leiteiras de 2 a 6 anos;
  1 000  carneiros inteiros;
100 000  cabras
Anexo V 
§ 2 - A Alemanha entregará à França sete milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos (...).

§ 3 - A Alemanha entregará à Bélgica oito milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos.

§ 3 - A Alemanha entregará à Itália as quantidades máximas de carvão seguintes:

Julho de 1919 a Junho de 1920: 4 milhões 1/2 de toneladas;
   »        1920       »          1921: 6 milhões de toneladas;
   »        1921       »          1922: 7 milhões  1/2 de toneladas;
   »        1922       »          1923: 8 milhões  de toneladas;
   »        1923       »          1924: 8 milhões  1/2 de toneladas,
e, durante cada um dos cinco anos seguintes: 8 milhões 1/2 de toneladas.

Pode parecer incrível, mas só recentemente (2010) a Alemanha terminou de pagar as indemnizações da 1ª Guerra Mundial, relativas ao acordado no Tratado de Versalhes. O país também pagou biliões de euros da 2ª Guerra Mundial .
Ler toda a notícia Aqui
Fontes: Infopédia
            Wikipedia
            Jornal Opção
Primeira página do Tratado, versão em inglês
Assinatura do Tratado de Versalhes na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes

Manifestação contra o Tratado no Reichstag, 15 de Maio de 1919 


domingo, 25 de junho de 2017

25 de Junho de 1530: A Confissão de Augsburgo é apresentada ao Imperador Carlos V

Em 25 de Junho de 1530, os príncipes que haviam aderido à Reforma foram convidados a explicar-se no Parlamento alemão. Na ocasião, Philipp Melanchton, amigo de Lutero, apresentou a proclamação da fé luterana.

Para melhor compreender a importância da Confissão de Augsburgo, é necessário apresentar a situação histórica no contexto da Reforma da Igreja, impulsionada pelo estudioso Martinho Lutero, da Ordem dos Monges  de Santo Agostinho. Ele  aprofundou a teoria da religião a partir de 1510, quand retornou de uma viagem a Roma, decepcionado com a corrupção que constatara no alto clero.
Aprofundando os seus estudos, concluiu que o homem só se pode salvar pela fé incondicional em Deus, não pelas obras praticadas ou pela indulgência comprada. A fim de arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, o papa Leão X havia permitido o perdão dos pecados a todos que contribuíssem financeiramente para a Igreja.
Escandalizado com essa salvação comprada a dinheiro, Lutero afixou na porta da catedral de Wittenberg, no leste da Alemanha, um manifesto público (as 95 teses), em que protestou contra a atitude do papa e expôs os elementos da sua doutrina. Iniciava-se, desta maneira, uma longa discussão entre Lutero e as autoridades eclesiásticas, culminando com a sua excomunhão pelo papa, em 1520.
No dia 21 de Janeiro de 1530, o imperador Carlos V convocara uma Dieta imperial a reunir-se em Abril seguinte, em Augsburgo, no sul da Alemanha. Para dispor de uma frente unida contra os turcos nas suas operações militares, ele exigiu o fim do conflito entre protestantes e católicos.
Os príncipes e representantes das cidades livres do Império foram convidados a discutir as diferenças religiosas na futura Dieta, na esperança de superá-las e restaurar a unidade. Atendendo ao convite, o príncipe eleitor da Saxónia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra, que seria apresentado ao imperador.
Sob a coordenação de Philipp Melachton, foram reunidas as doutrinas compiladas nos documentos conhecidos como Artigos de Schwabach, de 1529, e Artigos de Torgau, de Março de 1530.
Lutero, que não estava presente em Augsburgo, foi consultado por correspondência, mas as emendas e revisões continuaram a ser feitas até à véspera da apresentação formal ao imperador, em 25 de Junho de 1530. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades livres, a Confissão imediatamente foi reconhecida como uma declaração pública de fé.
De acordo com as instruções do imperador, os textos das confissões foram apresentados em alemão e latim. Diante da Dieta foi lido o texto alemão, que é, por isso, tido como mais oficial.
A Confissão representava um esforço para manter a Igreja unida e continha as principais teses da doutrina de Lutero, entre as quais as que dizem respeito à doutrina da justificação, ou da salvação. Mesmo que a Confissão tivesse sido redigida em estilo conciliador, evitando ataques e reivindicações, não foi aceite pela Igreja Católica e a sua divulgação ficou proibida.
A rejeição da Confissão de Augsburgo deu força à separação entre luteranos e católicos. Passaram-se quatro séculos de condenações recíprocas e guerras religiosas. O diálogo, suspenso em 1530, só recomeçou em 1967, após o Concílio Ecuménico Vaticano II.
Philipp Schwarzerd foi o compilador, não somente da Confissão, como também de outro documento muito importante, conhecido como Apologia da Confissão de Augsburgo. Philipp nasceu em Bretten, Baden, em 1497. O seu tio-avô, o famoso humanista Reuchlin, exerceu grande influência sobre ele.
Devido à admiração pelo idioma grego, "helenizou" o sobrenome, adotando o nome de Melanchthon, conforme a tradução de "terra negra" para o grego. Foi grande amigo de Lutero e o seu mais fiel aliado na causa da Reforma. Se, de um lado, Lutero era profundo conhecedor da Palavra de Deus, Melanchthon foi um dos maiores conhecedores das línguas originais nas quais a Palavra de Deus havia sido escrita.

 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)
A Confissão de Augsburgo é apresentada a Carlos V
Representação da Confissão de Augsburgo na janela de uma Igreja em Speyer na Alemanha

quarta-feira, 10 de maio de 2017

10 de Maio de 1871: Tratado de Frankfurt, a França cede a Alsácia e parte da Lorena à Alemanha

O governo provisório da França aceita pagar uma indemnização de 5 biliões de francos-ouro, permite a presença de um exército de ocupação até ao pagamento desta soma e sobretudo, cede a Alsácia e uma parte da Lorena nos termos do Tratado de Frankfurt, firmado em 10 de Maio de 1871. 
Este tratado foi assinado na decorrência da vitória da Alemanha sobre a França na guerra de 1870. A vitória reforçou o chanceler Otto Von Bismark e  permitiu-lhe unificar os Estados alemães em torno da Prússia. 
Nos primórdios da Alsácia, católicos e protestantes assinaram o Tratado de Westfália. A guerra dos Trinta Anos chegava assim ao fim. A França obtém uma parte da Alsácia, Suécia e Alemanha adquirem igualmente parte do seu território, enquanto Países Baixos e Suíça conquistam as suas independências. Quanto à Lorena, o velho rei da Polónia e sogro de Luís XV,  Stanislas Leszczynski, morre num incêndio em  Lunéville, aos 87 anos. De acordo com os tratados assinados com o rei da França, em 23 de Fevereiro de 1766, as suas possessões da Lorena e de Bar tornam-se francesas. Leszczynski havia adquirido os ducados de Lorena e de Bar como renda vitalícia. 

No dia 13 de Julho de 1870,  após o seu encontro com o embaixador da França, Benedetti, a propósito da sucessão do trono da Espanha, o rei da Prússia Guilherme I relata o encontro ao ministro-presidente Otto Von Bismarck. 
O rei  envia-lhe um telegrama informando que não mais irá respaldar a candidatura do seu primo, o príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen ao trono de Espanha. A partir da recepção da mensagem, Bismarck que avalia que o rei agira por fraqueza, distorce o despacho real dando-lhe um tom belicista. Escreveu que o rei “recusou ver o embaixador da França” e que lhe fez ver que “nada mais há para  comunicar-lhe”. A França, insultada pelo despacho, declararia guerra à Prússia em 19 de Julho. 

Napoleão III declara precipitadamente guerra à Prússia.  Bismark dela tem necessidade para reforçar a unidade prussiana para formar o II Reich de toda a Alemanha. Bismark havia alterado o propósito da mensagem exactamente para provocar Napoleão III. Este, longe de possuir a clarividência do seu tio, reagiu bruscamente quando o seu exército não estava pronto para a guerra. A aliança germano-prussiana mobiliza 800 mil homens contra 250 mil franceses. A Guerra Franco-prussiana seria expedita. Em mês e meio, os exércitos prussianos capturaram Napoleão III em Sedan e marcharam sobre Paris. 

O exército dos príncipes da Prússia e da Saxónia cercam Sedan. Uma parte do exército francês que tentara reforçar as suas tropas em Bazaine e Metz é obrigada a  retrair-se. Cortado em dois e inferior em número, o exército francês nada pode fazer contra o prussiano. Napoleão III presente na cidade capitula e é feito prisioneiro. Em Paris, a Assembleia Nacional proclamaria então o fim do império e o nascimento da III República três anos mais tarde. O imperador exilou-se em Inglaterra onde morreria. 

Em 19 de Setembro de 1870 a capital Paris é cercada pelas tropas prussianas. A cidade é bombardeada todos os dias. Os homens válidos, sob o comando de Gambetta, são alistados para afrouxar o cerco que iria durar cinco meses, debaixo de frio e fome, malgrado as diversas tentativas de fuga dos parisienses. A França capitula em 28 de Janeiro de 1871. 

Ainda durante a guerra, os representantes dos Estados alemães  reuniram-se na Galeria dos Espelhos de Versalhes e proclamam o império alemão o II Reich. O rei da Prússia, Guilherme, torna-se o novo imperador sob o nome de Guilherme I. O império germânico  compunha-se então da Prússia, da Bavária, de Wurtemberg e da Saxónia. A unidade política da Alemanha é conquistada. O armistício seria assinado 10 dias mais tarde no mesmo local. 

Entre a capitulação de Paris em 28 de Janeiro e a assinatura do Tratado de Frankfurt em 10 de Maio, assume a cidade um governo insurrecional, principalmente de operários, conhecida como a Comuna de Paris. A Comuna domina Paris de Março a Maio. 



Nascida inicialmente de um sentimento patriótico fruto da guerra franco-alemã de 1870, assume rapidamente aspectos de um movimento revolucionário. Aspirava a uma república baseada na igualdade social. Todavia, por falta de consenso, de tempo, de meios, mas também porque deveria confrontar-se com o governo instalado em Versalhes, viu-se finalmente derrotada. 


Fontes: Opera Mundi
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Bismarck (figura central, de branco) proclama o Império Alemão no Palácio de Versalhes, óleo de Anton von Werner


Napoleão III e Bismarck juntos, após a captura de Napoleão na sequência da batalha de Sedan - obra de Wilhelm Camphausen

sábado, 6 de maio de 2017

06 de Maio de 1937: O dirigível alemão Hindenburg explode e incendeia-se ao aterrar em Lakehurst, EUA

Zepelim é o nome dado aos dirigíveis construídos pelo conde alemão Ferdinand Zeppelin. Durante dois anos o conde  trabalhou intensivamente, juntamente com uma equipa de engenheiros, sob o olhar curioso e trocista da população local, num hangar flutuante nas águas do lago Constança, perto de Friedrichshafen na Alemanha meridional. No dia 2 de Julho de 1900 o povo pode observar com espanto o primeiro dirigível - o LZ1 ("L" de luft, "ar" em alemão e o "Z" da inicial do nome do conde) - a levantar num breve voo de cerca de um quarto de hora, após o qual teve de aterrar devido a alguns problemas.
O zepelim é propriamente um balão em forma de cilindro ovalado nas extremidades, moldado por uma estrutura formada por vigas de alumínio; no interior desta estrutura está um balão de hidrogénio e, no exterior, como revestimento, um tecido de seda.
O balão dirigível de estrutura rígida não foi inventado pelo Conde, mas por Spiess em 1873, embora a fama da invenção lhe tenha sido atribuída através da propaganda alemã.
O primeiro zepelim era movido por um motor de apenas 16 cavalos, o o segundo - o LZ2 (experimentado em 30 de Novembro de 1905) - era de 170 cavalos. Os zepelins foram sendo sucessivamente aperfeiçoados, tendo, muito embora, sofrido inúmeros acidentes conseguiram contudo atingir um nível de segurança razoável.
Estes dirigíveis foram usados tanto para fins comerciais como, depois, para fins militares, como bombardeamento ou mera observação do inimigo.
Entre 8 e 29 de Agosto de 1929 o LZ127 deu a volta ao mundo tendo feito apenas quatro escalas. Partiu de Lackhurst, nos Estados Unidos da América, e dirigiu-se para Friedrichshafen, onde fez a primeira paragem, seguiu para Tóquio, depois para Los Angeles e, finalmente, Lackhurst outra vez. Este dirigível tinha uma potência de 570 cavalos e podia atingir a velocidade de 130 km/h. Os dirigíveis foram sendo gradualmente abandonados com o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos aviões.

O acidente do Hindenburg
O LZ 129 Hindenburg, ou simplesmente Hindenburg, foi um dirigível construído pela Luftschiffbau-Zeppelin GmbH, na Alemanha. O seu nome foi dado em homenagem ao presidente da Alemanha, Paul von Hindenburg.
Este dirigível, com 245 metros de comprimento e sustentado no ar por 200 mil metros cúbicos de hidrogénio, o maior dirigível da história até 1937, saiu de Frankfurt a 3 de Maio de 1937 e cruzou o Atlântico a 110 km/h.
Na noite de 6 de Maio de 1937, quando se preparava para descer na  base naval de Lakehurst, em Nova Jersey, com 97 ocupantes a bordo, sendo 36 passageiros e 61 tripulantes, vindos da Alemanha, o Hindenburg incendiou-se. O saldo foi de 13 passageiros e 22 tripulantes mortos e um técnico em solo, no total de 36 pessoas. Durante muitos anos, achou-se que o gás de hidrogénio que sustentava o Hindenburg teria sido a causa do seu incêndio. O governo alemão também sugeriu, à época, que uma sabotagem seria a responsável pelo desastre.
A comissão americana, que investigou o acidente em conjunto com a companhia Zeppelin, atribuiu falha humana ao acidente.
No entanto, uma investigação recente encontrou outra possível causa. Ao analisar pedaços do material utilizado na cobertura do dirigível, constatou-se que era de um material extremamente inflamável e que o fogo teria sido causado por uma faísca provocada pela electricidade estática acumulada na aeronave.
Fontes:
zepelim. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.




LZ 129Hindenburg

Ficheiro:Hindenburg burning.jpg

Ficheiro:Hindenburg at lakehurst.jpg