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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

09 de Janeiro de 1822: Dia do Fico (Brasil). Dom Pedro decide ficar no Brasil e não retornar a Portugal

O dia 9 de Janeiro de 1822 tornou-se conhecido na história do Brasil como o "Dia do Fico".

A expressão deve-se a uma célebre frase de D. Pedro, então príncipe-regente do Brasil, que era na época um Reino Unido a Portugal:

"Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico". Para compreendê-la melhor, é necessário conhecer o contexto em que ela foi dita.

Em 1807, com o intuito de expandir seu poder sobre o continente europeu, Napoleão Bonaparte planeou e concretizou uma invasão a Portugal. Para escapar aos franceses, a família real portuguesa transferiu-se, no início do ano seguinte, para o Brasil, que se tornou o centro do Império português.

A chegada da família real ao Brasil teve uma imensa importância para o desenvolvimento do país que era, até então, uma das colónias portuguesas. A fixação da corte no Rio de Janeiro teve diversas consequências políticas e económicas, entre as quais deve-se destacar a elevação do país à categoria de Reino Unido, em 1815. O Brasil deixava de ser colónia.

Contudo, cinco anos depois, com as reviravoltas da política europeia e o fim da era napoleónica, uma revolução explodiu em Portugal. As elites políticas de Lisboa adoptaram uma nova Constituição e o rei dom João VI, com medo de perder o trono, voltou do Rio a Lisboa, deixando D. Pedro no Brasil, na condição de príncipe-regente.
As cortes de Lisboa, porém, não aprovaram as medidas tomadas por D. Pedro para administrar o Brasil. Pressionaram o príncipe a também regressar a Lisboa, deixando o governo do Brasil entregue a uma junta .

A reacção dos políticos brasileiros foi entregar ao regente uma lista com 8 mil assinaturas solicitando a sua permanência no Brasil. A resposta de D. Pedro foi a célebre frase apresentada acima. Ela marca a adesão do príncipe regente ao Brasil e à causa brasileira, que vai desembocar na independência em Setembro de 1822.
wikipedia(imagens)


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D. Pedro I do Brasil, IV  de Portugal
File:Dia do Fico.jpg
Aclamação de D. Pedro como Imperador do Brasil -Jean-Baptiste Debret

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

12 de Outubro de 1798: Nasce D. Pedro IV, "O Libertador".

Monarca português, segundo filho varão de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, nasceu em Queluz em 12 de outubro de 1798, onde faleceu em 24 de setembro de 1834. Vigésimo sexto rei de Portugal (1826) e primeiro imperador do Brasil, ficou conhecido pelo cognome de "o Libertador". A morte precoce do seu irmão primogénito - D. António - acabaria por levá-lo ao trono português.Na sequência da primeira invasão francesa, embarcou com a restante família real para o Brasil em 1807, chegando em março ao Rio de Janeiro, cidade que se tornaria a verdadeira capital do império. É no Brasil que D. Pedro passa uma parte da sua infância e juventude.É reconhecida, mesmo pelos seus coevos, a superficialidade da sua instrução, à qual acrescia um espírito impetuoso e enérgico; em última análise, estes são alguns dos fatores que explicam a sua posição na independência do Brasil.Em 1818 casa com a arquiduquesa D. Leopoldina, filha do imperador Francisco da Áustria, de cujo enlace nasceram D. Maria da Glória (1819), futura rainha de Portugal com o título de D. Maria II, e D. Pedro (1825), que sucederá ao pai como imperador do Brasil com o título de D. Pedro II. Enviuvou em 1826, voltando a casar três anos mais tarde com D. Maria de Beauharnais.Em resposta à revolução de 1820, D. João VI decreta o regresso de D. Pedro a Portugal, onde as Cortes Constituintes iriam elaborar a Constituição do reino, mas esta decisão régia foi mal recebida no Brasil, pelo que o rei, em 1821, decide voltar à metrópole, deixando D. Pedro regente do Brasil. D. Pedro lidera então o movimento independentista brasileiro, não tendo qualquer pejo em confrontar as forças fiéis ao poder da metrópole.Preocupadas com a evolução dos acontecimentos no Brasil na regência de D. Pedro, as Cortes determinam em 1821 o seu regresso a Portugal. É enviada uma frota ao Rio de Janeiro destinada a repatriar D. Pedro. O regente recusa-se a embarcar para a Europa.Em 7 de setembro de 1822, tomando conhecimento de despachos que recebera de Lisboa junto das margens do Rio Ipiranga, proclamou a independência do Brasil bradando o famoso grito do Ipiranga: "Independência ou morte". No dia 1 de dezembro do mesmo ano é proclamado imperador e defensor perpétuo do Brasil.
Foi convocada a assembleia constituinte brasileira, que demonstrou ser demagógica e quase anárquica, pelo que o imperador acabou por demitir o ministério. Depois dissolveu o Parlamento e deportou para a Europa os deputados que se mostraram mais exaltados, entre os quais José Bonifáco de Andrade e Silva (novembro de 1823). Esta atitude exalta os ânimos da população brasileira. Em resposta, D. Pedro nomeia um conselho de Estado para elaborar um projeto de Constituição que viria a ser de unânime agrado.Porém, D. Pedro nem sempre cumpre os preceitos constitucionais, o que, acrescentado ao facto de o reconhecimento da independência do Brasil por D. João VI vir acompanhado de um ónus de dois milhões de libras esterlinas e outras condições consideradas humilhantes pelos brasileiros, contribui para que seja posta em causa a sua boa aura junto do povo brasileiro.Após a morte de D. João VI em 1826 e em cumprimento de determinações suas, D. Isabel Maria assume a regência do reino e designa D. Pedro rei de Portugal. D. Pedro começa por idealizar a junção das duas coroas mas depressa muda de ideias, outorgando aos portugueses a Carta Constitucional (1826) e abdicando a favor de sua filha D. Maria da Glória mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel e o juramento da Carta Constitucional.Após a doação da Carta, a situação torna-se complicada nos dois reinos. Em Portugal, D. Miguel torna-se senhor de um trono absolutista (1827), faltando ao compromisso assumido com seu irmão, e no Brasil D. Pedro vê-se obrigado, após desentendimento com a Câmara, a abdicar em benefício de seu filho, D. Pedro II (1831).
D. Pedro parte então para a Europa com a sua filha, D. Maria II, rainha em título, por quem os liberais expatriados por D. Miguel se batiam. D. Pedro decide pôr-se à frente da causa liberal. Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chega aos Açores em 1832, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, nomeia um Ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire (do qual se destaca o primeiro pela legislação que vai promulgando, que viria a alterar a estrutura jurídica e social do país), e prepara a expedição militar que colocará a sua filha no trono. Em junho, parte para o Norte do país, vindo a desembarcar no Pampelido a 8 de julho e seguindo depois para o Porto. As tropas chegam à cidade no dia seguinte e, ao contrário do que tinham inicialmente previsto, sofrem um longo e penoso cerco, dando-se início a uma guerra civil que se prolongaria até maio de 1834 (Convenção de Évora-Monte), quando D. Miguel é expulso do país e entra em vigor a Carta Constitucional. As Cortes de agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro, que morre no mês seguinte, a 24 de setembro, quatro dias após o início do reinado de D. Maria II. 
D. Pedro já se encontrava com a saúde gravemente comprometida aquando da vitória liberal.
Enquanto Príncipe Real, e mesmo já depois de ser imperador do Brasil, ele tivera uma vida dissoluta, sendo provável que tantos abusos e exageros, resultantes também de uma educação defeituosa, se encarregassem de lhe ir minando os pulmões.
Em plena guerra civil, durante o cerco do Porto, não transpirou qualquer informação acerca da doença de D. Pedro. No entanto, é natural que ele, já enfermo, se sentisse muito pior, é também possível que a sua falta de saúde permanecesse escondida para não provocar o desânimo nas suas hostes e o fortalecimento moral do exército absolutista do seu irmão, D. Miguel. O enfermo instalou-se no palácio de Queluz, no mesmo quarto onde nascera, porque era ali que desejava despedir-se da vida.
D. Pedro doou o seu coração à cidade do Porto, (conservado na Igreja da Lapa). Com essa excepção, os seus restos mortais ficaram  largos anos no Panteão de S. Vicente de Fora em Lisboa.
Em 1972, na comemoração do 150.º aniversário da independência, o seu corpo foi trasladado para o Brasil, a pedido do respetivo Governo, repousando no Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

D. Pedro IV. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
Causas de Morte dos Reis Portugueses – J. T. Montalvão Machado – Lisboa – Portugal
wikipedia (Imagens)



Ficheiro:DpedroI-brasil-full.jpg

                         
D. Pedro - Simplício Rodrigues de Sá
Ficheiro:Coroaçao pedro I 001.jpg
         Cerimónia da coroação de D. Pedro como imperador do Brasil
Litografia da morte de D. Pedro- Dias da Costa

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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

24 de Setembro de 1834: Morre D. Pedro IV, rei de Portugal e primeiro imperador do Brasil.

Monarca português, segundo filho varão de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, nasceu em Queluz em 12 de outubro de 1798, onde faleceu em 24 de setembro de 1834. Vigésimo sexto rei de Portugal (1826) e primeiro imperador do Brasil, ficou conhecido pelo cognome de "o Libertador". A morte precoce do seu irmão primogénito - D. António - acabaria por levá-lo ao trono português.Na sequência da primeira invasão francesa, embarcou com a restante família real para o Brasil em 1807, chegando em março ao Rio de Janeiro, cidade que se tornaria a verdadeira capital do império. É no Brasil que D. Pedro passa uma parte da sua infância e juventude.É reconhecida, mesmo pelos seus coevos, a superficialidade da sua instrução, à qual acrescia um espírito impetuoso e enérgico; em última análise, estes são alguns dos fatores que explicam a sua posição na independência do Brasil.Em 1818 casa com a arquiduquesa D. Leopoldina, filha do imperador Francisco da Áustria, de cujo enlace nasceram D. Maria da Glória (1819), futura rainha de Portugal com o título de D. Maria II, e D. Pedro (1825), que sucederá ao pai como imperador do Brasil com o título de D. Pedro II. Enviuvou em 1826, voltando a casar três anos mais tarde com D. Maria de Beauharnais.Em resposta à revolução de 1820, D. João VI decreta o regresso de D. Pedro a Portugal, onde as Cortes Constituintes iriam elaborar a Constituição do reino, mas esta decisão régia foi mal recebida no Brasil, pelo que o rei, em 1821, decide voltar à metrópole, deixando D. Pedro regente do Brasil. D. Pedro lidera então o movimento independentista brasileiro, não tendo qualquer pejo em confrontar as forças fiéis ao poder da metrópole.Preocupadas com a evolução dos acontecimentos no Brasil na regência de D. Pedro, as Cortes determinam em 1821 o seu regresso a Portugal. É enviada uma frota ao Rio de Janeiro destinada a repatriar D. Pedro. O regente recusa-se a embarcar para a Europa.Em 7 de setembro de 1822, tomando conhecimento de despachos que recebera de Lisboa junto das margens do Rio Ipiranga, proclamou a independência do Brasil bradando o famoso grito do Ipiranga: "Independência ou morte". No dia 1 de dezembro do mesmo ano é proclamado imperador e defensor perpétuo do Brasil.
Foi convocada a assembleia constituinte brasileira, que demonstrou ser demagógica e quase anárquica, pelo que o imperador acabou por demitir o ministério. Depois dissolveu o Parlamento e deportou para a Europa os deputados que se mostraram mais exaltados, entre os quais José Bonifáco de Andrade e Silva (novembro de 1823). Esta atitude exalta os ânimos da população brasileira. Em resposta, D. Pedro nomeia um conselho de Estado para elaborar um projeto de Constituição que viria a ser de unânime agrado.Porém, D. Pedro nem sempre cumpre os preceitos constitucionais, o que, acrescentado ao facto de o reconhecimento da independência do Brasil por D. João VI vir acompanhado de um ónus de dois milhões de libras esterlinas e outras condições consideradas humilhantes pelos brasileiros, contribui para que seja posta em causa a sua boa aura junto do povo brasileiro.Após a morte de D. João VI em 1826 e em cumprimento de determinações suas, D. Isabel Maria assume a regência do reino e designa D. Pedro rei de Portugal. D. Pedro começa por idealizar a junção das duas coroas mas depressa muda de ideias, outorgando aos portugueses a Carta Constitucional (1826) e abdicando a favor de sua filha D. Maria da Glória mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel e o juramento da Carta Constitucional.Após a doação da Carta, a situação torna-se complicada nos dois reinos. Em Portugal, D. Miguel torna-se senhor de um trono absolutista (1827), faltando ao compromisso assumido com seu irmão, e no Brasil D. Pedro vê-se obrigado, após desentendimento com a Câmara, a abdicar em benefício de seu filho, D. Pedro II (1831).
D. Pedro parte então para a Europa com a sua filha, D. Maria II, rainha em título, por quem os liberais expatriados por D. Miguel se batiam. D. Pedro decide pôr-se à frente da causa liberal. Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chega aos Açores em 1832, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, nomeia um Ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire (do qual se destaca o primeiro pela legislação que vai promulgando, que viria a alterar a estrutura jurídica e social do país), e prepara a expedição militar que colocará a sua filha no trono. Em junho, parte para o Norte do país, vindo a desembarcar no Pampelido a 8 de julho e seguindo depois para o Porto. As tropas chegam à cidade no dia seguinte e, ao contrário do que tinham inicialmente previsto, sofrem um longo e penoso cerco, dando-se início a uma guerra civil que se prolongaria até maio de 1834 (Convenção de Évora-Monte), quando D. Miguel é expulso do país e entra em vigor a Carta Constitucional. As Cortes de agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro, que morre no mês seguinte, a 24 de setembro, quatro dias após o início do reinado de D. Maria II. 
D. Pedro já se encontrava com a saúde gravemente comprometida aquando da vitória liberal.
Enquanto Príncipe Real, e mesmo já depois de ser imperador do Brasil, ele tivera uma vida dissoluta, sendo provável que tantos abusos e exageros, resultantes também de uma educação defeituosa, se encarregassem de lhe ir minando os pulmões.
Em plena guerra civil, durante o cerco do Porto, não transpirou qualquer informação acerca da doença de D. Pedro. No entanto, é natural que ele, já enfermo, se sentisse muito pior, é também possível que a sua falta de saúde permanecesse escondida para não provocar o desânimo nas suas hostes e o fortalecimento moral do exército absolutista do seu irmão, D. Miguel. O enfermo instalou-se no palácio de Queluz, no mesmo quarto onde nascera, porque era ali que desejava despedir-se da vida.
D. Pedro doou o seu coração à cidade do Porto, (conservado na Igreja da Lapa). Com essa excepção, os seus restos mortais ficaram  largos anos no Panteão de S. Vicente de Fora em Lisboa.
Em 1972, na comemoração do 150.º aniversário da independência, o seu corpo foi trasladado para o Brasil, a pedido do respetivo Governo, repousando no Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

D. Pedro IV. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
Causas de Morte dos Reis Portugueses – J. T. Montalvão Machado – Lisboa – Portugal
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D. Pedro - Simplício Rodrigues de Sá
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Litografia da morte de D. Pedro- Dias da Costa

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domingo, 24 de setembro de 2017

24 de Setembro de 1834: Morre D. Pedro IV, rei de Portugal e primeiro imperador do Brasil.

Monarca português, segundo filho varão de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, nasceu em Queluz em 12 de outubro de 1798, onde faleceu em 24 de setembro de 1834. Vigésimo sexto rei de Portugal (1826) e primeiro imperador do Brasil, ficou conhecido pelo cognome de "o Libertador". A morte precoce do seu irmão primogénito - D. António - acabaria por levá-lo ao trono português.Na sequência da primeira invasão francesa, embarcou com a restante família real para o Brasil em 1807, chegando em março ao Rio de Janeiro, cidade que se tornaria a verdadeira capital do império. É no Brasil que D. Pedro passa uma parte da sua infância e juventude.É reconhecida, mesmo pelos seus coevos, a superficialidade da sua instrução, à qual acrescia um espírito impetuoso e enérgico; em última análise, estes são alguns dos fatores que explicam a sua posição na independência do Brasil.Em 1818 casa com a arquiduquesa D. Leopoldina, filha do imperador Francisco da Áustria, de cujo enlace nasceram D. Maria da Glória (1819), futura rainha de Portugal com o título de D. Maria II, e D. Pedro (1825), que sucederá ao pai como imperador do Brasil com o título de D. Pedro II. Enviuvou em 1826, voltando a casar três anos mais tarde com D. Maria de Beauharnais.Em resposta à revolução de 1820, D. João VI decreta o regresso de D. Pedro a Portugal, onde as Cortes Constituintes iriam elaborar a Constituição do reino, mas esta decisão régia foi mal recebida no Brasil, pelo que o rei, em 1821, decide voltar à metrópole, deixando D. Pedro regente do Brasil. D. Pedro lidera então o movimento independentista brasileiro, não tendo qualquer pejo em confrontar as forças fiéis ao poder da metrópole.Preocupadas com a evolução dos acontecimentos no Brasil na regência de D. Pedro, as Cortes determinam em 1821 o seu regresso a Portugal. É enviada uma frota ao Rio de Janeiro destinada a repatriar D. Pedro. O regente recusa-se a embarcar para a Europa.Em 7 de setembro de 1822, tomando conhecimento de despachos que recebera de Lisboa junto das margens do Rio Ipiranga, proclamou a independência do Brasil bradando o famoso grito do Ipiranga: "Independência ou morte". No dia 1 de dezembro do mesmo ano é proclamado imperador e defensor perpétuo do Brasil.
Foi convocada a assembleia constituinte brasileira, que demonstrou ser demagógica e quase anárquica, pelo que o imperador acabou por demitir o ministério. Depois dissolveu o Parlamento e deportou para a Europa os deputados que se mostraram mais exaltados, entre os quais José Bonifáco de Andrade e Silva (novembro de 1823). Esta atitude exalta os ânimos da população brasileira. Em resposta, D. Pedro nomeia um conselho de Estado para elaborar um projeto de Constituição que viria a ser de unânime agrado.Porém, D. Pedro nem sempre cumpre os preceitos constitucionais, o que, acrescentado ao facto de o reconhecimento da independência do Brasil por D. João VI vir acompanhado de um ónus de dois milhões de libras esterlinas e outras condições consideradas humilhantes pelos brasileiros, contribui para que seja posta em causa a sua boa aura junto do povo brasileiro.Após a morte de D. João VI em 1826 e em cumprimento de determinações suas, D. Isabel Maria assume a regência do reino e designa D. Pedro rei de Portugal. D. Pedro começa por idealizar a junção das duas coroas mas depressa muda de ideias, outorgando aos portugueses a Carta Constitucional (1826) e abdicando a favor de sua filha D. Maria da Glória mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel e o juramento da Carta Constitucional.Após a doação da Carta, a situação torna-se complicada nos dois reinos. Em Portugal, D. Miguel torna-se senhor de um trono absolutista (1827), faltando ao compromisso assumido com seu irmão, e no Brasil D. Pedro vê-se obrigado, após desentendimento com a Câmara, a abdicar em benefício de seu filho, D. Pedro II (1831).
D. Pedro parte então para a Europa com a sua filha, D. Maria II, rainha em título, por quem os liberais expatriados por D. Miguel se batiam. D. Pedro decide pôr-se à frente da causa liberal. Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chega aos Açores em 1832, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, nomeia um Ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire (do qual se destaca o primeiro pela legislação que vai promulgando, que viria a alterar a estrutura jurídica e social do país), e prepara a expedição militar que colocará a sua filha no trono. Em junho, parte para o Norte do país, vindo a desembarcar no Pampelido a 8 de julho e seguindo depois para o Porto. As tropas chegam à cidade no dia seguinte e, ao contrário do que tinham inicialmente previsto, sofrem um longo e penoso cerco, dando-se início a uma guerra civil que se prolongaria até maio de 1834 (Convenção de Évora-Monte), quando D. Miguel é expulso do país e entra em vigor a Carta Constitucional. As Cortes de agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro, que morre no mês seguinte, a 24 de setembro, quatro dias após o início do reinado de D. Maria II. 
D. Pedro já se encontrava com a saúde gravemente comprometida aquando da vitória liberal.
Enquanto Príncipe Real, e mesmo já depois de ser imperador do Brasil, ele tivera uma vida dissoluta, sendo provável que tantos abusos e exageros, resultantes também de uma educação defeituosa, se encarregassem de lhe ir minando os pulmões.
Em plena guerra civil, durante o cerco do Porto, não transpirou qualquer informação acerca da doença de D. Pedro. No entanto, é natural que ele, já enfermo, se sentisse muito pior, é também possível que a sua falta de saúde permanecesse escondida para não provocar o desânimo nas suas hostes e o fortalecimento moral do exército absolutista do seu irmão, D. Miguel. O enfermo instalou-se no palácio de Queluz, no mesmo quarto onde nascera, porque era ali que desejava despedir-se da vida.
D. Pedro doou o seu coração à cidade do Porto, (conservado na Igreja da Lapa). Com essa excepção, os seus restos mortais ficaram  largos anos no Panteão de S. Vicente de Fora em Lisboa.
Em 1972, na comemoração do 150.º aniversário da independência, o seu corpo foi trasladado para o Brasil, a pedido do respetivo Governo, repousando no Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

D. Pedro IV. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
Causas de Morte dos Reis Portugueses – J. T. Montalvão Machado – Lisboa – Portugal
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D. Pedro - Simplício Rodrigues de Sá
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

07 de Setembro de 1822: D. Pedro proclama a Independência do Brasil

Nos últimos anos do século XVIII, registaram-se no Brasil alguns movimentos conspirativos, as "inconfidências", tendentes a criar um país independente, de regime republicano. Influenciados pelo Iluminismo europeu, pelas ideias revolucionárias provenientes da França e pelo exemplo recente da Revolução Americana, estes conspiradores - soldados, advogados, artesãos - eram na generalidade portadores de projetos vagos, que apenas demonstravam a existência de uma cultura oral contestatária da política e da religião oficiais. Isolados nos seus núcleos secretos, sem apoio popular, que não buscavam sequer, foram firmemente reprimidos e eliminados pela justiça colonial portuguesa.
A independência do Brasil veio, mais tarde, a ser concretizada por forças políticas ligadas à Coroa portuguesa e como consequência de duas situações de crise profunda da política metropolitana, que afetaram grandemente as relações entre Portugal e o Brasil: a fuga da família real para o Brasil, em 1808, e a consequente deslocação da capital para o Rio de Janeiro, quando as tropas de Napoleão invadiram Portugal e aquando da Revolução de 1820.
Quando eclodiu a revolução em Portugal, o rei D. João VI encontrou-se perante um dilema - se permanecesse no Brasil, perdia o trono em Portugal; se regressasse a Portugal, legitimava uma revolução em que não acreditava nem confiava. Qualquer das opções representava um perigo, não apenas para os interesses da realeza, mas também para os de numerosas regiões brasílicas, que haviam beneficiado da transferência do poder real para o Rio e da transformação subsequente do Brasil em fulcro da economia do império.
O debate arrastou-se e, em março de 1821, o rei, regressado a Portugal para fazer face à Revolução Liberal, promoveu a eleição de deputados para o Congresso reunido em Lisboa. A regência do Brasil ficava entretanto assegurada pelo príncipe D. Pedro, o herdeiro da Coroa portuguesa, que se viu imediatamente confrontado com a divisão da colónia em dois grandes blocos, dificilmente conciliáveis, organizados em torno da defesa de interesses económicos particularistas - as províncias setentrionais apoiavam as Cortes de Lisboa e recusavam subordinar-se ao Rio, enquanto as meridionais permaneciam ao lado do regente sem, contudo, o apoiarem financeiramente.
D. Pedro procurou e conseguiu então o apoio da elite de formação coimbrã, partidária da preservação de um império luso-brasileiro. Confrontado com as determinações das Cortes de Lisboa, que acarretavam a subordinação dos poderes coloniais diretamente a Lisboa e o seu imediato retorno a Portugal, D. Pedro optou pela desobediência às ordens das Cortes e permaneceu no Brasil, o que fez desencadear novos conflitos. A opção separatista reforçou-se e acabou por vencer, embora numa fase inicial quedando-se apenas por uma autonomia política que não chegou à total separação formal entre Brasil e Portugal.
No entanto, a radicalização das posições levou o Brasil para um outro rumo - a 7 de setembro de 1822, D. Pedro consumou irrevogavelmente a separação do Brasil, no histórico episódio chamado Grito do Ipiranga, sendo aclamado imperador em outubro e solenemente coroado em dezembro do mesmo ano.
A celeridade e o endurecimento do processo não esconde, todavia, um facto fundamental - o motor da independência foi uma reduzida elite política, organizada em torno de uma figura reinante, e não um movimento popular dotado de uma consciência de identidade nacional. A independência do Brasil foi, fundamentalmente, o resultado de um combate pela posse do poder dentro do Império.
Independência do Brasil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012
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 Ficheiro:Independence of Brazil 1888.jpg
Independência ou Morte Pedro Américo

Ficheiro:Independencia brasil 001.jpg

Independência do Brasil - François-René Moreau

D. Pedro I do Brasil, IV de Portugal  c. 1830, de Simplício Rodrigues de Sá.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

09 de Janeiro de 1822: Dia do Fico (Brasil). Dom Pedro decide ficar no Brasil e não retornar a Portugal

O dia 9 de Janeiro de 1822 tornou-se conhecido na história do Brasil como o "Dia do Fico".

A expressão deve-se a uma célebre frase de D. Pedro, então príncipe-regente do Brasil, que era na época um Reino Unido a Portugal:

"Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico". Para compreendê-la melhor, é necessário conhecer o contexto em que ela foi dita.

Em 1807, com o intuito de expandir seu poder sobre o continente europeu, Napoleão Bonaparte planeou e concretizou uma invasão a Portugal. Para escapar aos franceses, a família real portuguesa transferiu-se, no início do ano seguinte, para o Brasil, que se tornou o centro do Império português.

A chegada da família real ao Brasil teve uma imensa importância para o desenvolvimento do país que era, até então, uma das colónias portuguesas. A fixação da corte no Rio de Janeiro teve diversas consequências políticas e económicas, entre as quais deve-se destacar a elevação do país à categoria de Reino Unido, em 1815. O Brasil deixava de ser colónia.

Contudo, cinco anos depois, com as reviravoltas da política europeia e o fim da era napoleónica, uma revolução explodiu em Portugal. As elites políticas de Lisboa adoptaram uma nova Constituição e o rei dom João VI, com medo de perder o trono, voltou do Rio a Lisboa, deixando D. Pedro no Brasil, na condição de príncipe-regente.
As cortes de Lisboa, porém, não aprovaram as medidas tomadas por D. Pedro para administrar o Brasil. Pressionaram o príncipe a também regressar a Lisboa, deixando o governo do Brasil entregue a uma junta .

A reacção dos políticos brasileiros foi entregar ao regente uma lista com 8 mil assinaturas solicitando a sua permanência no Brasil. A resposta de D. Pedro foi a célebre frase apresentada acima. Ela marca a adesão do príncipe regente ao Brasil e à causa brasileira, que vai desembocar na independência em Setembro de 1822.
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D. Pedro I do Brasil, IV  de Portugal
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Aclamação de D. Pedro como Imperador do Brasil -Jean-Baptiste Debret