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sábado, 3 de fevereiro de 2018

03 de Fevereiro de 1488: Bartolomeu Dias dobra o Cabo das Tormentas, depois chamado da Boa Esperança

Bartolomeu Dias terá nascido cerca de 1450 e faleceu a 29 de Maio de 1500. 
O navegador português, ao serviço de dom João II, dobrou o Cabo Tormentoso ou das Tormentas, local que a partir de então passaria a ser conhecido por Cabo da Boa Esperança numa clara alusão ao facto de este ser o ponto de partida para se alcançar o oceano Indico a partir do oceano Atlântico e a todas as possibilidades, económicas e expansionistas, que isto encerrava na época.
A Bartolomeu Dias foi-lhe encomendada esta importante missão acima de tudo porque era um homem com um nível de formação que garantiam ao monarca uma percentagem bastante grande de possível êxito.
Assim, em finais de Agosto de 1487, Bartolomeu Dias larga de Lisboa ao mando de três embarcações,  com rumo traçado em direcção ao Tormentoso com o objectivo de encontrar a tão ansiada passagem marítima para a Índia, afinal o propósito último que leva dom João II a empreender esta empresa.
A viagem, tal como Bartolomeu Dias teria oportunidade de relatar na primeira pessoa ao seu soberano, estaria cheia de sobressaltos e dificuldades, tornando a tarefa mais complicada do que se julgaria a princípio.
Finalmente, em 3 de Fevereiro de 1488, passados quase 6 meses desde a partida de Lisboa, a expedição alcança o seu objectivo.
Conta-se que, antes do regresso a casa, Bartolomeu Dias, observando por última vez o famoso cabo que tinha conseguido “dobrar”, terá dito “Tormentoso, mas porquê, se a tormenta já lá vai? Assinalas o caminho para a Índia, por isso vou chamar-te da Boa Esperança…”.
Em 1495 dom João II viria a morrer e subiria ao trono D. Manuel I, monarca que em 1497 empreende a busca pela Índia e entrega o comando da expedição a Vasco da Gama.
Bartolomeu Dias sai de Lisboa integrado na armada de Vasco da Gama, mas o seu destino não é a Índia, antes será São Jorge da Mina, local para onde D. Manuel I o destacara. Mais tarde regressará a Lisboa e em Março de 1500 está à frente de uma das naus da segunda armada portuguesa com rumo à Índia, liderada desta feita por Pedro Álvares Cabral.
Bartolomeu Dias iria, finalmente, cumprir o seu grande sonho: navegar até ao oriente através do caminho que ele próprio ajudara a abrir. A expedição de Pedro Álvares Cabral viria, nesta viagem e de forma acidental, a descobrir as primeiras terras a que mais tarde dariam o nome de Brasil. Outro marco significativo da história portuguesa no qual Bartolomeu Dias esteve envolvido.
Depois dos primeiros contactos com os nativos das novas terras descobertas, os portugueses rumam novamente para a Índia, o seu destino original, no inicio de Maio de 1500. No dia 23 do mesmo mês avistariam o Cabo da Boa Esperança e por essa altura uma tempestade de proporções gigantescas destrói e afunda 4 naus da armada, entre elas a de Bartolomeu Dias. Ironia do destino, o navegador encontra a morte no mesmo local que anos antes o tinha levado à glória.
wikipedia (Imagens)

Painel representando Bartolomeu Dias dobrando o Cabo das Tormentas, depois chamado da Boa Esperança
Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança - Domingos Rebelo
 

sábado, 4 de março de 2017

04 de Março de 1394: Nasce no Porto o Infante D. Henrique, "O Navegador"

Filho do rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre, o infante D. Henrique nasceu na cidade do Porto no dia 4 de março de 1394, vindo a falecer em 1460. Ficou conhecido por o Navegador, mas foi-o de terra firme. O seu epíteto advém da forma como protegeu e instigou as primeiras viagens expansionistas, ficando para sempre ligado a este glorioso período da História de Portugal, sendo decisiva a sua ação no Norte de África e no Atlântico. A sua obra era de então conhecida na Europa, como atesta uma carta escrita pelo sábio italiano Poggio Bracciolini ao Infante, em 1448-1449. O letrado italiano compara os seus feitos aos de Alexandre, o Grande, ou aos de Júlio César, enaltecendo-os ainda mais por serem conquistas de locais desconhecidos de toda a Humanidade.
D. Henrique era um homem muito poderoso, como o atesta o título de Infante, que usava em detrimento de duque. Seguindo a tradição da época, recebeu uma educação exemplar, mas profundamente religiosa. A sua moral enquadra-se dentro do moralismo puritano inglês, que se revela também nos escritos de seu pai e de seus irmãos, preocupados em emitir juízos morais e em dar conselhos. Também ele deixou conselhos escritos e um breve tratado de teologia. De entre os inúmeros cargos que exerceu foi "protetor" da Universidade de Lisboa, isto é, o procurador da instituição junto do rei, cargo de grande prestígio atribuído pelos reis apenas a figuras de grande importância social. Da sua ação dentro da Universidade destaca-se a renda que concedeu ao curso de Teologia. Fica ainda a dúvida sobre uma provável instituição da cadeira de Matemática ou de Astronomia, atribuição ligada a toda a mitologia criada em torno da sua pessoa. Na verdade, o seu interesse pela navegação terá permitido patrocinar uma escola de cartografia, trazendo de Maiorca um judeu chamado Jaime, conhecedor da ciência. Contudo, nada aponta ainda para o uso de instrumentos de navegação astronómica e para a invenção da carta plana, instrumentos depois necessários nas navegações atlânticas, nem para a existência de uma grande escola em Sagres. Tudo isto faz parte da auréola que se foi criando à sua volta.
De facto, aquilo que sabemos desta personagem enigmática foi-nos deixado por Gomes Eanes de Zurara, na Crónica da Guiné, onde o Infante é exaltado de forma quase sobrenatural ("príncipe pouco menos que divinal"). O cronista traça o seu retrato psicológico dando grande ênfase às suas qualidades virtuosas e pias, como a castidade e o facto de não beber vinho. Segundo o seu relato, D. Henrique não era avarento, era um trabalhador aplicado, que para dedicar o tempo necessário aos seus projetos suprimia as horas de repouso noturno. O seu feitio obstinado revela-se na teimosia em manter Ceuta, ainda que o preço a pagar tenha sido a liberdade do seu irmão, D. Fernando, depois cognominado popularmente de "Infante Santo". A D. Henrique se devem feitos como a tomada de Ceuta em parceria com seu pai e irmãos, embora também tenha participado no desastre de Tânger; a armada das Canárias; a guerra que os seus navios faziam aos infiéis, principalmente piratas; o povoamento das "descobertas" ilhas Atlânticas, particularmente notável na Madeira. Foi ele quem mandou vir da Sicília a cana-de-açúcar e os "técnicos" para supervisionarem o seu cultivo e a sua transformação, fazendo da Madeira uma importante região produtora de açúcar.
A sua figura foi guindada à galeria dos heróis nacionais entre finais do século XIX e princípios do século XX, inserindo-se numa corrente nacionalista que desejava "reaportuguesar" Portugal. Aquando do centenário do seu nascimento, a cidade do Porto, liderada pela voz de Joaquim de Vasconcelos, tomou a iniciativa das comemorações de forma a rivalizar com a celebração lisboeta do centenário de Camões. A ideia era equiparar o espírito da cidade à coragem, energia e iniciativa do Príncipe Navegador, erguendo-lhe uma estátua e atribuindo o seu nome a uma rua. Este mesmo espírito nacionalista levou a que muitos artistas o retratassem e o esculpissem, ou que a ele dedicassem obras, como a de Manuel Barradas, segundo o qual o "Infante fora grande por ser a encarnação fanática de uma ideia".
Outro facto que contribuiu para a sua notabilidade foi a divulgação, por Joaquim de Vasconcelos, dos painéis de S. Vicente de Fora, atribuídos a Nuno Gonçalves, onde o artista português Columbano identificara uma das personagens como sendo o Infante. O homem do chapeirão aparece também no manuscrito da Crónica da Guiné, de Zurara, conservado na Biblioteca de Paris, o que reforça esta ideia. Assim, o Infante D. Henrique passa a ser uma das personagens de eleição do nacionalismo português, que dominou durante o Estado Novo, representando a coragem, o dinamismo e o espírito empreendedor do povo português.
Infante D. Henrique. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
purl.pt
wikipedia (Imagens)
Ficheiro:Henry the Navigator1.jpg


Representação do Infante num dos Painéis de São Vicente de Fora




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

03 de Fevereiro de 1488: Bartolomeu Dias dobra o Cabo das Tormentas, depois chamado da Boa Esperança

Bartolomeu Dias terá nascido cerca de 1450 e faleceu a 29 de Maio de 1500. 
O navegador português, ao serviço de dom João II, dobrou o Cabo Tormentoso ou das Tormentas, local que a partir de então passaria a ser conhecido por Cabo da Boa Esperança numa clara alusão ao facto de este ser o ponto de partida para se alcançar o oceano Indico a partir do oceano Atlântico e a todas as possibilidades, económicas e expansionistas, que isto encerrava na época.
A Bartolomeu Dias foi-lhe encomendada esta importante missão acima de tudo porque era um homem com um nível de formação que garantiam ao monarca uma percentagem bastante grande de possível êxito.
Assim, em finais de Agosto de 1487, Bartolomeu Dias larga de Lisboa ao mando de três embarcações,  com rumo traçado em direcção ao Tormentoso com o objectivo de encontrar a tão ansiada passagem marítima para a Índia, afinal o propósito último que leva dom João II a empreender esta empresa.
A viagem, tal como Bartolomeu Dias teria oportunidade de relatar na primeira pessoa ao seu soberano, estaria cheia de sobressaltos e dificuldades, tornando a tarefa mais complicada do que se julgaria a princípio.
Finalmente, em 3 de Fevereiro de 1488, passados quase 6 meses desde a partida de Lisboa, a expedição alcança o seu objectivo.
Conta-se que, antes do regresso a casa, Bartolomeu Dias, observando por última vez o famoso cabo que tinha conseguido “dobrar”, terá dito “Tormentoso, mas porquê, se a tormenta já lá vai? Assinalas o caminho para a Índia, por isso vou chamar-te da Boa Esperança…”.
Em 1495 dom João II viria a morrer e subiria ao trono D. Manuel I, monarca que em 1497 empreende a busca pela Índia e entrega o comando da expedição a Vasco da Gama.
Bartolomeu Dias sai de Lisboa integrado na armada de Vasco da Gama, mas o seu destino não é a Índia, antes será São Jorge da Mina, local para onde D. Manuel I o destacara. Mais tarde regressará a Lisboa e em Março de 1500 está à frente de uma das naus da segunda armada portuguesa com rumo à Índia, liderada desta feita por Pedro Álvares Cabral.
Bartolomeu Dias iria, finalmente, cumprir o seu grande sonho: navegar até ao oriente através do caminho que ele próprio ajudara a abrir. A expedição de Pedro Álvares Cabral viria, nesta viagem e de forma acidental, a descobrir as primeiras terras a que mais tarde dariam o nome de Brasil. Outro marco significativo da história portuguesa no qual Bartolomeu Dias esteve envolvido.
Depois dos primeiros contactos com os nativos das novas terras descobertas, os portugueses rumam novamente para a Índia, o seu destino original, no inicio de Maio de 1500. No dia 23 do mesmo mês avistariam o Cabo da Boa Esperança e por essa altura uma tempestade de proporções gigantescas destrói e afunda 4 naus da armada, entre elas a de Bartolomeu Dias. Ironia do destino, o navegador encontra a morte no mesmo local que anos antes o tinha levado à glória.
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Painel representando Bartolomeu Dias dobrando o Cabo das Tormentas, depois chamado da Boa Esperança
Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança - Domingos Rebelo
 

sábado, 24 de dezembro de 2016

24 de Dezembro de 1524: Morre em Cochim, na Índia, o navegador português Vasco da Gama, pioneiro do caminho marítimo para a Índia.

Navegador português, nasceu em Sines, por volta de 1468, filho de Estêvão da Gama, que em 1460 era cavaleiro da casa de D. Fernando de Portugal, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo. D. Fernando nomeara-o alcaide-mor de Sines .
Sabe-se que em 1492, João II de Portugal enviou Vasco da Gama  ao porto de Setúbal,  para capturar navios franceses em retaliação por depredações feitas em tempo de paz contra a navegação portuguesa – uma tarefa que Vasco da Gama executou rápida e eficazmente. 
D. Manuel I nomeia-o comandante da frota que vai descobrir o caminho marítimo para a Índia. Faziam parte desta expedição três naus e um navio de mantimentos. A frota parte de Lisboa a 8 de Julho de 1497 e chega a Moçambique a 2 de Março de 1498. Segue depois para Melinde, onde obtém a ajuda de um piloto mouro, acabando por aportar a Calecute, na Índia, em Maio de 1498. Apesar do aparente bom acolhimento, aparecem as intrigas dos comerciantes árabes, que põem em perigo a estadia da frota portuguesa. Em Outubro de 1498 tem início a viagem de regresso, dando-se a chegada a Lisboa em Agosto de 1499.
Estava descoberto o caminho marítimo para a Índia há tanto tempo procurado, e era o culminar de tantos anos de esforços. Face aos problemas que entretanto surgem na Índia, Vasco da Gama volta lá em 1502 com uma armada de 20 navios, submetendo Quíloa e fazendo alianças com os reis de Cochim e Cananor, com o que deixa assegurado o domínio português no Oceano Índico. Regressa carregado de especiarias em 1504.
Tendo adquirido uma reputação de temível "solucionador" de problemas na Índia, Vasco da Gama foi enviado de novo para o subcontinente indiano em 1524. O objectivo era o de que ele substituísse  Duarte de Meneses, cujo governo se revelava desastroso, mas Vasco da Gama contraiu malária pouco depois de chegar a Goa. Como vice-rei actuou com rigidez e conseguiu impor a ordem, mas veio a falecer na cidade de Cochim, na véspera de Natal em 1524.

Foi sepultado na Igreja de São Francisco (Cochim). Em 1539 os seus restos mortais foram trasladados para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada), próximo da vila alentejana da Vidigueira, como conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja, a si e aos seus descendentes). Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos. Há quem defenda, porém, que os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram na vila alentejana. Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador na Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.
Fontes: Infopédia
wikipedia (imagens)

Chegada de Vasco da Gama a Calecute, Índia  em 1498


Túmulo de Vasco da Gama no Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

21 de Dezembro de 1470: João de Santarém e Pedro Escobar descobrem a Ilha de São Tomé

Crê-se que a ilha de S. Tomé foi descoberta (ou achada - alguns autores consideram que existiria uma população nativa: os Angolares) a 21 de Dezembro (dia de S. Tomé) de 1470 pelos navegadores João de Santarém e Pêro Escobar que, a mando do Rei D. Afonso V de Portugal, exploravam a costa ocidental africana. Situa-se a descoberta da ilha do Príncipe a 17 de Janeiro de 1471. O povoamento do arquipélago por colonos portugueses iniciou-se em 1485 por João de Paiva, a quem D. João II havia doado a ilha. Os primeiros colonos desembarcaram em Ana Ambó e estabeleceram-se na costa norte da ilha, fundando uma povoação na Baía de Ana Chaves.
Desde cedo (por volta do ano de 1500) os portugueses dedicaram-se ao cultivo da cana-de-açúcar, que encontrava condições favoráveis no clima de S. Tomé. Rapidamente surgiram mais de 60 engenhos produtores de açúcar, que era exportado para a Europa. Outras fontes de rendimento eram a produção de pimenta e a exportação de madeiras. Ao mesmo tempo, devido à sua localização, S. Tomé funcionava como entreposto comercial entre África, Europa e, mais tarde, o Brasil. A população era constituída por várias camadas sociais: os grandes senhores portugueses, o clero, outros colonos portugueses, os escravos (necessários em grande quantidade para a produção de açúcar e que foram sendo importados do continente africano) e os forros (escravos dos primeiros colonos e os seus descendentes, assim chamados por lhes ter sido concedida por D. Manuel I a libertação através de uma carta de alforria).
No final do século XVI a ilha vive um período de bastante instabilidade com revoltas dos Angolares (população que habitava a zona sul da ilha de S. Tomé; composta por escravos sobreviventes do naufrágio de um navio negreiro para alguns autores ou nativos da ilha para outros), a quem se juntavam os escravos que trabalhavam nos engenhos de açúcar; ataques de corsários originários de outras potências europeias (nomeadamente a França e a Holanda); e a luta pelo poder entre os próprios colonos. Até ao século XIX assiste-se ao declínio da produção de açúcar em S. Tomé devido ao grande fluxo migratório de colonos portugueses para o Brasil, que oferecia melhores condições, e ao abandono das culturas por parte dos forros, que se dedicavam a uma agricultura de subsistência.
Já no século XIX, com a independência do Brasil e a plantação de culturas de cacau e café, ressurge o interesse dos portugueses na ilha. A administração do arquipélago é reorganizada, são introduzidos novos escravos a partir do continente (já que os forros se recusam a trabalhar para os colonos), são combatidas as revoltas Angolares e a terra é redistribuída, conquistada ou usurpada pelos grandes senhores (que normalmente vivem na metrópole e delegam a administração em funcionários portugueses). São assim criadas as Roças, grandes latifúndios que se dedicam à produção principalmente de café e cacau e que gozam de grande autonomia dentro das suas fronteiras, onde a vontade do patrão é lei. Com a abolição da escravatura em 1876, inicia-se um novo fluxo imigratório de trabalhadores contratados (na prática, pouco mais que escravos), principalmente a partir de Cabo Verde, Angola e Moçambique para assegurar o trabalho nas roças. No período imediatamente após a Primeira Guerra Mundial, S. Tomé torna-se o principal exportador mundial de cacau. A partir de então assiste-se a um declínio progressivo da produção.
Nos anos 60 forma-se o Comité de Libertação de S. Tomé e Príncipe, que luta pela independência e contra o regime português, apesar de nunca ter existido luta armada no arquipélago. Com o 25 de Abril em Portugal abre-se a porta à independência de S. Tomé e Príncipe, o que acontece a 12 de Julho de 1975. O país viveu num sistema de partido único e de orientação socialista até 1991, altura das primeiras eleições legislativas multipartidárias.
Mais recentemente, o início da exploração de petróleo nas águas territoriais traz a esperança de um futuro melhor para os habitantes de S. Tomé e Príncipe.
wikipédia (imagens)

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Detalhe da Carta de Bertius (1649), com a imagem de uma canoa perto da Ilha de S. Tomé

Ficheiro:Tp-map.png
Ilhas de S. Tomé e Príncipe

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

24 de Agosto de 1471: Conquista de Arzila

Arzila é uma vila norte-africana voltada para o oceano e actualmente situada no Reino de Marrocos. O seu nome deriva do castelhano, que por seu lado assenta na forma árabe de Acila ou Azila. Já num portulano de 1318 surge o nome Arzila.

Afigura-se difícil descortinar os primeiros tempos de existência de Arzila, uma vez que não é certo que a área da actual vila tenha sido habitada de forma contínua desde o período do Império Romano. É possível que as referências clássicas a uma Julia Constantina Zilil ou Zilis sejam, de facto, referências à vila que mais tarde viria a ser apodada de Arzila, mas tal não é certo. 

Do século IX datam os primeiros vestígios concretos de ocupação da área de Arzila em questão. Tudo indica que as tribos berberes autóctones ali terão erguido um ribat (torre de vigia) por forma a garantir o controlo das aproximações de navios à costa, uma vez que os desembarques de Normandos – envoltos eles mesmos em lendas – eram uma ameaça real à segurança da povoação. No século X Arzila surge já descrita pelos cronistas árabes como uma pequena cidade amuralhada, com a existência na área de poços de boas águas e de campos cerealíferos, condições que levaram ao proliferar de mercados e bazares no interior do perímetro amuralhado. 

Até ao séc. XIII Arzila viveria um período de declínio, uma vez que as dinastias árabes Almorávida e Almôada pouco uso fizeram do porto natural que a vila oferecia. No entanto, é neste século, com a ascensão dos Merínidas, que a vila volta a ganhar importância, desta feita a nível comercial, aproveitando as boas condições naturais do seu porto de mar para levar a cabo trocas comerciais com vários pontos da Europa, nela circulando comerciantes genoveses, catalães, castelhanos e maiorquinos, justamente até ao dealbar do século XV. 

Em meados do século XV a vila viria a atrair as atenções da Coroa portuguesa, que desde 1415, com a conquista de Ceuta, vinha intervindo na região. Em 1464, após o fracasso de nova tentativa de conquista de Tânger, D. Afonso V decidiria tentar a conquista de Arzila. Por forma a prevenir um ataque os governantes da vila decidiram render-se, mas as forças portuguesas acabaram por não se conseguir aproximar da mesma devido a fortes chuvadas que aumentaram o caudal do rio Doce, ficando sem efeito a rendição. 

Contudo em 1471 D. Afonso V voltaria a África, e desta feita conquistaria Arzila pela força. Começou por enviar à vila enquanto espiões Vicente Simões e Pêro de Alcáçova, disfarçados precisamente de mercadores, para que estes avaliassem o alvo e a melhor forma de o atacar. A 20 de Agosto de 1471 a armada portuguesa aportaria ao largo de Arzila, começando nesse mesmo dia o cerco, tendo desde logo perecido mais de 200 combatentes nos vários naufrágios provocados por uma tempestade. No segundo dia de cerco uma bombarda conseguiria abrir uma brecha nos muros da vila, cuja construção de taipa e tijolo se revelava insuficiente para conter o disparo da artilharia. A 24 de Agosto a vila seria conquistada, justamente na altura em que se negociava a rendição da mesma. Conta-nos Rui de Pina que pelo arraial português terá corrido o rumor de que a vila já havia sido penetrada pelas forças sitiantes. Este rumor motivaria o derradeiro ataque da hoste portuguesa, que seria lançado sem para tal ser dada ordem pelo rei. Nenhum combatente queria perder a entrada na vila, pois tal significava a perda do saque, objectivo que motivaria a grande maioria dos guerreiros portugueses. Como tal, na ânsia do saque – a que podemos, certamente, acrescentar o desejo da fidalguia de mostrar o seu valor marcial perante o rei e deste obter por isso uma mercê – Arzila seria atacada, não conseguindo resistir ao ímpeto do avanço dos sitiadores. Entrada a vila, o ataque ao castelo e à mesquita resultariam num banho de sangue, e no cômputo total terão perecido cerca de 2000 muçulmanos e sido aprisionados 5000, sendo que do lado português apenas se revela o nome dos mortos de maior nomeada, o conde de Monsanto, D. Álvaro de Castro e o conde de Marialva, D. João Coutinho. Conquistada Arzila começou então a reeorganização do espaço de acordo com os modelos administrativos portugueses de então. Antes, porém, D. Afonso V rezou no interior da mesquita, e aí armou cavaleiro o príncipe D. João, futuro D. João II, junto dos corpos dos condes defuntos, num acto de profunda simbologia cavaleiresca. No dia 25 a mesquita seria convertida em igreja, ostentando a partir de então o nome de Nossa Senhora da Assunção. Mais tarde o nome seria alterado para São Bartolomeu. D. Henrique de Meneses, conde de Valença e capitão de Alcácer Ceguer, seria nomeado primeiro capitão de Arzila – um ofício que de resto se manteria até ao abandono da vila no século XVI, sendo que no exercício do mesmo se tenham celebrizado sobretudo membros da linhagem dos Coutinho. Muhammad al-Shayk, governante de Arzila e aspirante ao trono de Fez, ainda tentou recuperar a vila – na altura do cerco encontrava-se com o seu exército a cercar Fez, situação aproveitada pelos Portugueses – mas acabou por chegar a acordo com D. Afonso V, reconhecendo o rei de Portugal enquanto senhor das vilas que possuía na região, além de se estabelecerem tréguas por 20 anos. 

D. Afonso V fora entretanto avisado de que Tânger se havia despovoado como consequência directa da conquista de Arzila, pelo que, após alguma hesitação, para lá enviou o filho do duque de Bragança e futuro marquês de Montemor ao comando de uma força de cavaleiros e peões, chegando à cidade a 28 ou 29 de Agosto. Seguir-se-lhe-ia o próprio rei, que na cidade entraria em inícios de Setembro, feliz por finalmente pisar o solo de Tânger, mas de alguma forma desapontado por não a ter conquistado. A conquista de Arzila acabaria ainda por valer a Portugal o retorno das ossadas de D. Fernando, o Infante Santo, por troca com a família de Muhammad al-Shayk, aprisionada no seguimento da conquista. 

A vida em Arzila era em tudo semelhante à das restantes praças norte-africanas em mãos portuguesas. A sobrevivência de Arzila dependia dos abastecimentos marítimos vindos do reino e da Andaluzia, além dos saques e pilhagens que pautavam um quotidiano marcado por cavalgadas contra aldeias próximas. A situação de encravamento em território inimigo atingia pontos extremos em determinadas alturas, como foi o caso do cerco de 1508, em que as forças do reino de Fez conquistaram a vila, mantendo-se a resistência, liderada pelo capitão de Arzila e conde de Borba D. Vasco Coutinho, no castelo. Apenas armadas de socorro vindas do reino e de Castela permitiriam a manutenção da praça. Este cerco levaria mesmo a uma série de obras de modernização das defesas da mesma, ordenada por D. Manuel I, e nas quais trabalharam alguns dos melhores arquitectos do período, caso de Diogo Boytac. De resto no século XVI seriam várias as campanhas de modernização das defesas, face à crescente ameaça que constituía a modernização dos exércitos do reino de Fez. Ainda no século XV se abandonara boa parte da vila que fora conquistada, uma vez que os moradores e fronteiros portugueses ali residentes eram em muito menor número, sendo por volta de 500 em 1495. Como tal erguera-se um atalho – um muro – que passava a separar a vila nova da vila velha, sendo esta última abandonada. 

O domínio português de Arzila duraria, continuamente, até 1549-1550, altura em que a vila seria despovoada no seguimento da pragmática política de D. João III de abandono das praças norte-africanas face às crescentes dificuldades que resultavam da conquista do reino de Fez por parte do reino de Marrocos, finalizada precisamente em 1549. Em 1577 Arzila voltaria a mãos portuguesas, entregue a D. Sebastião quando este partira para a jornada de Alcácer Quibir, sendo que se manteve em mãos portuguesas até 1589, altura em que Felipe I de Portugal, pressionado por problemas em várias frentes no seu vasto império, a entregou ao reino de Marrocos. 
Fontes: Universidade Nova de Lisboa, artigo de Paulo Dias
wikipedia (imagens)
Tapeçarias de Pastrana: detalhe da série da tomada de Arzila (desembarque)
"Arzilla" na obra Civitates Orbis Terrarum de Braun e Hogenberg, 1572