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segunda-feira, 9 de junho de 2014

A "maior colecção" de gravuras de Rembrandt "não tem a mão de Rembrandt"

A“maior colecção de gravuras de Rembrandt” exposta em Águeda, poderá afinal não ter gravuras, mas sim reproduções fotomecânicas das gravuras originais. A colecção tem valor histórico, estético e artístico, mas “estas peças não são da mão de Rembrandt” afirma Maria José Goulão, historiadora de arte que trabalhou na Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, onde está desde 18 de Maio uma exposição de 14 gravuras do pintor holandês do século XVII.
O museu da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, instituição privada com apoios da Câmara Municipal de Águeda, possui uma colecção de 282 gravuras de Rembrandt, que Miguel Vieira Duque, conservador deste museu, afirma ser “a maior do género por ter mais peças do que a colecção do holandês Rijksmuseum, com 260, e do que a da Casa Museu Rembrandt, com cerca de 80”.
Chamou a esta exposição Gravuras de Rembrandt (1606-1669), o Aguafortista, na Colecção da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro e disse ao PÚBLICO que o seu objectivo com esta exposição é “criar interesse” em entidades e especialistas que possam vir a estudar esta colecção.
A sua intenção é que seja possível fazerem-se análises ao papel para que possa ser datado, e estudar-se cada uma das peças para que seja identificada a sua técnica de gravação. Apesar de não ter certezas quanto à técnica e data  das peças — que situa entre os séculos XVII e o XIX — o conservador está convicto de que tem em sua posse gravuras e não reproduções obtidas através de qualquer processo fotográfico.
Maria José Goulão é hoje professora de História da Arte na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, mas em 1985, com 22 anos, foi a primeira conservadora deste museu de Águeda e afirma, que apesar de não ter acesso à colecção desde essa época, é “altamente improvável serem gravuras originais” de Rembrandt. “Aquilo de que podemos falar são de reproduções fotomecânicas, obtidas através do processo fotolitográfico, ou da técnica da heliogravura, ambas usadas em França no século XIX. A palavra reprodução diz tudo — estas peças não são da mão de Rembrandt”, diz Maria José Goulão ao PÚBLICO, acrescentando mesmo que esta colecção foi objecto de um artigo publicado pela sua sucessora na fundação, Madalena Cardoso da Costa.
No artigo publicado em Dezembro de 2007 na revista Munda - Revista do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro a que o PÚBLICO teve acesso lê-se que um parecer do departamento de gravuras e fotografias da Biblioteca Nacional de França enviado a este museu indica que a “maior parte destas gravuras são reproduções de gravuras de Rembrandt feitas nos séculos XVII e XIX”. O artigo com o título A Colecção de gravuras de Rembrandt do Museu Fundação Dionísio Pinheiro diz ainda que muitos dos originais de onde foram reproduzidas as estampas da colecção estão naquela biblioteca francesa e que estas reproduções foram feitas na época por negociantes por meio de técnicas fotográficas.
A diferença entre gravuras originais e reproduções fotomecânicas está no seu método de reprodução. Toda a gravura é uma reprodução feita a partir de uma matriz, normalmente uma chapa metálica. Se a gravura é feita a partir da chapa metálica concebida pelas mãos do gravurista, neste caso Rembrandt, diz-se que é original, explica Alexandra Markl, conservadora de gravuras do Museu Nacional de Arte Antiga.
Esta conservadora teve acesso a cerca de três das peças de todo o conjunto desta colecção da Fundação Dionísio Pinheiro e, por isso, sublinha que a sua avaliação é superficial mas lembra que as chapas originais de Rembrandt estão “amplamente estudadas” e que esse estudo seria um bom ponto de partida para se avaliar esta colecção. Têm estas estampas exactamente as mesmas características das chapas originais, têm as mesmas dimensões?, questiona a especialista.
A reprodução fotomecânica não implica sequer o acesso a essa matriz, mas sim à gravura uma vez que é um processo fotográfico, continua a explicar Alexandra Markl. Pode ser feita através de heliografia ou de fotolitografia. Simplificando, explica por sua vez Maria José Goulão,  é como se estivéssemos perante um fac-simile à gravura. E como o produto de uma reprodução fotomecânica não está alicerçado na matriz produzida pelo artista, o seu valor comercial desce significativamente. “Numa avaliação superficial, o conjunto da Fundação terá o valor de 8 500 a 9 mil euros. Se uma só das peças fosse uma gravura original, ela valeria mais do que esse valor”, explica Maria José Goulão.
A professora de História da Arte considera que este núcleo não deixa apesar disso de ter um valor histórico, estético e artístico importante até porque estas são reproduções de muito boa qualidade, diz. “O importante é recentrar o conjunto no contexto do século XIX porque todas as fontes apontam para esse período”, diz explicando que em França, nesta época, havia uma grande admiração por Rembrandt e uma grande procura comercial das suas gravuras. Estas eram apreciadas pela forma como captam o instante, importante para espírito impressionista que estava a desenvolver-se. Na mesma época, realizavam-se as experiências de Talbot e Niepce na área da fotografia que permitiram a produção de uma grande quantidade de heliogravuras. “Este conjunto não deve ser ignorado neste contexto”, acrescenta.
Também o historiador de arte Nuno Saldanha teve acesso, em 1994 a uma amostra deste espólio — cerca de 10 peças, disse ao PÚBLICO. Na altura estava a comissariar a Galeria de Pintura do Rei D. Luís no Palácio da Ajuda e decidiu não expor por não se tratar de uma colecção homogénia. Nuno Saldanha, hoje coordenador do curso de fotografia e cultura visual do IADE, percebeu na altura que não eram todas da mesma época e ficou com a impressão de que não se tratava de gravuras.
“Só uma peritagem aos exemplares, bem como a identificação dos impressores que os executaram podem permitir um cabal esclarecimento quanto à técnica exacta usada em cada estampa”, diz Maria José Goulão apontando a possibilidade do uso das diferentes técnicas de reprodução fotomecânica.
Fonte: Público
Uma das obras em exposição
 
 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O aparato dos czares no tempo em que a Rússia estava voltada para Oriente

No Museu Gulbenkian, em Lisboa, esteve esta quinta-feira a filha do cosmonauta soviético Iuri Gagarin, o primeiro homem no espaço. Elena Gagarina, que é directora-geral do Museu do Kremlin, apresentou a exposiçãoOs Czares e o Oriente .
“Escolhemos as peças mais bonitas”, disse a directora russa. Ao todo, são 66 os objectos que é possível ver na Galeria de Exposições Temporárias, entre esta sexta-feira e 18 de Maio. São quase todas peças de aparato, ou seja que foram criadas para serem usadas em cerimónias oficiais em que a regra era a ostentação. São opulentas,  vêem-se à distância e, no entanto, obrigam quem as visita a olhar para o pormenor.
São os detalhes que, em primeiro lugar, denunciam a História da Rússia entre os séculos XIV e XVII, o espaço temporal representado nesta selecção de peças.
Foi o tempo do Oriente — e por isso o subtítulo da exposição é Ofertas da Turquia e do Irão no Kremlin de Moscovo. Um tempo que, nestes objectos, começa na Horda de Ouro, um dos quatro canatos que sobreviveram à fragmentação do Império Mongol (e o que mais tempo durou).
No seu apogeu, a Horda de Ouro integrava a zona europeia da Rússia, o Cazaquistão, a Ucrânia, parte da Bielorrúsia, o Uzbequistão, parte da Sibéria e a Roménia. Era um império extenso em território e intenso nas relações comerciais, e um dos seus vestígios abre esta exposição da Gulbenkian — o oklad (revestimento) do belíssimo ícone da Nossa Senhora do Leite, talvez a peça mais discreta do conjunto que o Kremlin trouxe a Lisboa.
O ícone é uma cópia do século XVI de outro anterior, mas o revestimento é o original do século XIV e reflecte a “singular simbiose das culturas da Rússia, do Ocidente e do Oriente” — o ornamento principal do fundo é uma flor em forma de lótus, característica da ornamentação e objectos do Oriente Próximo e Médio e da Ásia Central.
Três núcleos
A exposição pode ser dividida em três núcleos: objectos religiosos, militares e têxteis. São os têxteis que fazem a ligação desta exposição temporária à colecção permanente da Gulbenkian. Como explicou o director do Museu, João Castel-Branco, na programação das exposições de curta duração procura-se completar o espólio, dando aos visitantes uma visão mais completa de um período ou de um conjunto artístico. E esta iniciativa com o Kremlin segue essa intenção — a colecção permanente tem objectos deste período e destas regiões — e tem um têxtil muito semelhante a um que veio do Moscovo, o cortinado turco, do século XVII, em veludo lavrado a ouro. Mas o Museu Gulbenkian não tem armas e metais, que estão fortemente representados nesta exposição temporária.
Em expositores amplos, sem fundo, acompanhados de espelhos que jogam com a luz e com os reflexos e tornam  a sala de exposições num cofre mágico, podemos ver armas cerimoniais, arreios de cavalos, tecidos luxuosos e peças ricamente ornamentadas com pedras preciosas.
A maior parte do acervo, explica o catálogo concebido pelas comissárias russas, é constituída por objectos oferecidos aos czares pelos xás do Irão e pelos sultões turcos. O intercâmbio regular entre a Rússia e o Irão começa em 1480 — 29 embaixadas iranianas vão à Rússia entre o fim do século XVI e o século XVII. Relações comerciais e interesses territoriais aproximam as duas cortes. Mas como esta é uma exposição de arte, sublinhe-se a raridade de alguns objectos, como os  da dinastia timúrida, que no seu apogeu dominava os territórios do Irão, da Arménia, da Ásia Central, da Geórgia, do Iraque.
Artisticamente, este período distinguia-se pela combinação das tradições artísticas da China, do Irão, e da Ásia Central, explicaram os especialistas — olhe-se com atenção para a parte de cima (a que cobre os ombros) do felónio de cetim lavrado originário do Império Otomano e na influência da arte chinesa no bordado.
Já a Rússia e o Império Otomano estabeleceram relações diplomáticas e comerciais praticamente a seguir à formação do Estado turco, no final do século XV. A arte turca está representada através de têxteis, peças militares (sempre de ostentação) — como o elmo de gala embutido a ouro e com inscrições do Corão —, correias de peitorais para enfeitar ricamente os cavalos e armas brancas ornamentadas com pedras preciosas de grandes dimensões.
As oficinas
A conservadora do Museu Gulbenkian Maria Fernanda Passos Leite explicou, na apresentação da exposição, que muitas destas prendas aos czares (que também compravam matéria-prima a estes países) não chegaram todos à corte na forma como as vemos agora. As oficinas reais intervinham nas peças, modificando-as ou fabricando-as. A sela russa do século XVII foi feita nas oficinas do Kremlin usando veludo iraniano.
“Os artigos dos mestres turcos não só se tornaram um elemento essencial da vida oficial e quotidiana da corte moscovita, como também tiveram um impacto significativo na actividade das oficinas do Kremlin. Nos inventários do arsenal real são mencionados artigos de armamento fabricados conforme o ‘forjamento turco’ ou decorados segundo a ‘arte turca’”, explica no texto de arranque do catálogo Inna Vishneskaia. “Tinha tudo a ver com a representação do poder do czar. Trata-se de usar a linguagem da ostentação ao serviço do poder”, explicou Olga Mironova, conservadora chefe do Museu do Kremlin. dizendo que a influência oriental na arte e nos objectos do luxo se manteve até tarde na Rússia. O gosto mudou com Pedro o Grande, o czar que impôs o gosto ocidental aos russos e virou a política externa para o campo europeu (também transferiu a capital para São Petersburgo, mais próxima do Ocidente e onde quis criar uma corte mais semelhante ao que vira na Suécia ou na Inglaterra) .
Depois de Pedro o Grande, a ostentação tornou-se mais civil. E mais privada — são famosas as jóias da família imperial russa, criadas pelos grandes joalheiros de Londres e Paris com as pedras preciosas compradas pela aristocracia ou oferecidas ao czar.  Muitos dos tesouros dessa nova fase desapareceram na sequência da revolução soviética — muitas jóias foram desmontadas e as gemas vendidas para financiar a revolução. A filha do primeiro homem no espaço explicou que, já nessa altura, se percebeu a importância dos tesouros que agora se mostram na Gulbenkian. Nesses ninguém ousou mexer. “Foram sempre do Estado, e foram sempre preservados”.
Fonte: Público

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Joana Vasconcelos inaugura a sua maior exposição de sempre no Reino Unido

Foi em 2005, quando se aproximou, na Bienal de Veneza, dos 20 mil tampões higiénicos com que Joana Vasconcelos construiu a sua Noiva, que Natasha Howes ficou maravilhada com o trabalho da artista portuguesa. Entretanto, passaram-se nove anos e várias bienais de Veneza, incluindo aquela em que um cacilheiro atracou na cidade italiana – só agora a curadora inglesa está finalmente em condições de inaugurar a maior exposição de sempre de Joana Vasconcelos no Reino Unido, Time Machine , que abre este sábado, dia 15, e fica na Manchester Art Gallery até 1 de Junho.
“Pensámos que seria interessante trazer Joana Vasconcelos a Manchester por causa da História da indústria têxtil”, disse a curadora à Agência Lusa, aludindo às sucessivas experiências da artista portuguesa com materiais vernaculares e industriais, de que é exemplo particularmente espectacular a instalação Varinai, a gigantesca colcha de renda que suspendeu da Ponte D. Luís I, no Porto.
Entre outras peças já apresentadas em exposições anteriores, Time Machine inclui a estreia mundial de Britannia, uma “monumental obra têxtil” que se despenha em cascata pelos três andares da galeria, recebendo os visitantes no átrio e teletransportando-os para a gloriosa era da Revolução Industrial que fez de Manchester um dos maiores centros mundiais da produção de algodão.
“Orgulho-me particularmente do diálogo estabelecido entre a colecção da Manchester Art Gallery e os meus trabalhos, assim como da interacção entre a História e as tradições da cidade e outras realidades de proveniências completamente diferentes – como aquelas que são específicas do meu país natal”, afirma a artista, citada pela galeria.


Tal como Britannia, três outros trabalhos foram criados especificamente paraTime Machine, neste caso interagindo assumidamente com o acervo encontrado na Manchester Art Gallery: as novas criações das séries Tetris, que referencia os azulejos de William de Morgan expostos na sala dos Pré-Rafaelitas, Esculturas em Cimento, resposta a Atalanta (1888) de Francis Derwent, e Eve Tempted (1877), de John Spencer Stanhope, e Pinturas em Croché.

Natasha Howes sublinha também que é um privilégio para Manchester juntar pela primeira vez os três “veículos” de grandes dimensões – um helicóptero Bell 47, um Morris Oxford e uma motocicleta – que Joana Vasconcelos transformou, respectivamente, em Lilicoptère (2012),  War Games (2011) ewwww.fatimashop.com (2002).
Trabalhos como esses, em que a artista ironiza acerca da guerra em contexto pós-moderno e da religião como shopping do povo, podem ser vistos como “uma crítica da sociedade contemporânea, desestabilizando as visões tradicionais da sexualidade feminina, do estatuto da mulher e da cultura de consumo”, enfatiza a curadora, notando o modo como Joana Vasconcelos joga com dicotomias como “artesanal/industrial”, “público/privado”, “privado/público”, “tradição/modernidade” e “cultura popular/cultura erudita”.
A exposição da Manchester Art Gallery é acompanhada por um catálogo de 36 páginas com um ensaio de Helen Laville.

 
Lilicoptère ,obra da artista plastica Joana Vasconcelos

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Exposição do Prado em Arte Antiga já fez seis mil visitantes

Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, recebeu 5728 visitantes nos primeiros 12 dias da exposição com 57 pinturas da colecção do Museu do Prado, em Madrid.
Uma média de 660 visitantes por dia, uma vez que o museu encerra à segunda-feira e à terça de manhã.
Não é possível saber, no entanto, se a exposição Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem do Norte no Museu do Prado está a corresponder aos números esperados pela direcção do museu e pela Everything is New, que a produz, porque não foram divulgadas previsões. Também não se podem comparar estes números com os de outras exposições, porque só nesta existem dados semanais.
Sabe-se, no entanto, que A Encomenda Prodigiosa levou este ano ao museu, em seis meses, 63 mil visitantes. A exposição, que termina a 30 de Março, que resulta de um protocolo celebrado em Setembro entre a pinacoteca espanhola, uma das melhores do mundo, e o Museu Nacional de Arte Antiga. É também a estreia da associação de uma produtora externa e museu, neste caso a Everything Is New, para a apresentação de uma exposição, à imagem do que já tinha acontecido com a exposição da artista contemporânea Joana Vasconcelos no Palácio da Ajuda.
Rubens, Brueghel, Lorrain: A Paisagem Nórdica do Museu do Prado é uma exposição que passou já por Saragoça, Sevilha e Palma de Maiorca e que inclui 60 pinturas do museu madrileno, quase todas saídas do seu percurso permanente, o que só é possível porque o Prado tem as galerias de pintura flamenga em remodelação.
Fonte: Público

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

'Museu do Prado' muda-se para as Janelas Verdes



Os mestres da pintura europeia deixaram a sua casa em Madrid e instalam-se em Lisboa nos próximos quatro meses. 'A Paisagem Nórdica do Museu do Prado' reúne 57 obras de autores de um momento revolucionário da pintura. Aquele em que os segundos planos ganham tanta ou mais importância do que as pessoas. Pode ser vista até 30 de março de 2014 e é a primeira parceria do MNAA com a produtora Everything is New.
 
Antes das caixas de bombons terem banalizado as imagens de montanhas cobertas de gelo e neve, as paisagens eram pano de fundo e não saíam de segundo plano. Até que os nórdicos - assim chamados pelos italianos por serem oriundos de países para lá dos Alpes - os trouxeram para o centro da ação. É dessa autêntica revolução artística que trata a exposição que ocupa o piso térreo do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.
A exposição estará patente até 30 de março de 2014, de terça a sexta-feira e ao domingo, entre as 10.00 e as 19.00, e aos sábados das 10.00 às 21.00. A entrada normal custa seis euros.
 
Fonte: DN
 
Cerco de Aire-sur-la-Lys, de Peeter Snayers, é uma das obras que se podem ver no núcleo 'Paisagem de Gelo e Neve', um dos nove da exposição que pode ser vista no Museu Nacional de Arte Antiga
 
Cerco de Aire-sur-la-Lys, de Peeter Snayers, é uma das obras que se podem ver no núcleo 'Paisagem de Gelo e Neve', um dos nove da exposição que pode ser vista no Museu Nacional de Arte Antiga

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Peças inéditas marcam exposição dos 150 anos de D. Carlos

Várias peças inéditas, algumas nunca vistas ou há décadas afastadas do olhar do público, constituem uma exposição que evoca, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, os 150 anos do nascimento do Rei D. Carlos.

"Iremos apresentar 150 peças que remetem para a infância e juventude de D. Carlos, que nasceu no palácio e aqui habitou até casar com D. Amélia d'Órleans, em 1886", disse à Lusa o diretor do museu do Palácio, José Alberto Ribeiro.
Entre as peças que estarão expostas, o responsável realçou o primeiro berço do príncipe, que foi restaurado "e há décadas não era mostrado", várias fotografias, entre as quais, umas anotadas pela mãe, a Rainha D. Maria Pia, que, com uma fita, foi marcando o desenvolvimento do herdeiro, assim como um retrato do seu pai, o Rei D. Luís, no dia em nasceu, 28 de setembro de 1863.
Entre as "peças inéditas", José Alberto Ribeiro também referiu "os caracóis loiros do príncipe que estremosamente se guardou".
O Palácio Nacional da Ajuda celebra os 150 anos do nascimento do Rei D. Carlos, propondo um "itinerário" no seu espaço museológico alusivo àquele que foi o penúltimo monarca português.
"Ao longo do palácio há expositores com peças alusivas ao príncipe, como uma pequena raqueta de ténis, desenhos, onde se notam já as tendências artísticas de D. Carlos, ou um mini uniforme de oficial do regimento de Lanceiros da Rainha", contou.
 mostra, que estará patente até ao final do ano, inclui ainda telegramas de parabéns da Rainha Vitória de Inglaterra, do Imperador Napoleão III de França, entre outros monarcas, peças de roupa, peças de jogos, retratos de D. Carlos pintados ou desenhados por vários autores e esculturas.
O príncipe foi batizado na igreja de S. Domingos, com o nome de Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gotha.
Na quinta-feira, às 18:30, o historiador Rui Ramos, autor de várias obras e artigos sobre o período correspondente ao reinado de D. Carlos, apresentará uma palestra intitulada "O que não sabemos sobre D. Carlos".
No dia 14 de novembro, pelas 18:30, está prevista a realização de uma conferência pela equipa do Laboratório José de Figueiredo, sobre a ação de conservação e restauro do berço de D. Carlos, que é apresentado ao público.
Filho de D. Luís e D. Maria Pia, D. Carlos subiu ao trono em 1889, um ano antes de Inglaterra apresentar um ultimato a Portugal sobre os territórios africanos compreendidos entre Angola e Moçambique.
O monarca desdobrou-se em esforços diplomáticos, numa altura em que o regime monárquico constitucional, devido a uma grave crise económico-social, era cada vez mais contestado.
A par da ação política o monarca desenvolveu grande atividade na área da oceanografia, tendo sido um dos pioneiros desta ciência.
Os dotes artísticos do monarca foram apreciados pela crítica especializada da época. Marinhas, temas campestres e populares foram algumas das escolhas do monarca, que pintou aguarelas e óleos. Muitas da ementas dos palácios reais e do iate Amélia eram desenhadas pelo monarca.
Antes de subir ao trono, D. Carlos esteve ligado aos movimentos intelectuais Vida Nova e Vencidos da Vida, do qual fizeram parte Oliveira Martins, Ramalho Ortigão ou Eça de Queiroz.
Em fevereiro de 1908, num regresso de Vila Viçosa, em Lisboa, o Rei foi morto, assim como seu filho, o herdeiro da coroa, D. Luís Filipe.
Fonte: DN
D. Carlos
D. Carlos

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Quando a corte de Felipe IV era a casa de Velázquez

Velázquez y la familia de Felipe IV (1650-1680), é a exposição que o Museu do Prado, em Madrid, inaugura com todo o aparato no dia 7, com a presença da rainha Sofia.
Com esta exposição, Diego Velázquez (1599-1660) volta a estar em foco na sua própria casa, já que pertence às colecções públicas espanholas, em particular à que está depositada na pinacoteca madrilena, uma das mais importantes do mundo, a maior fatia da produção do pintor. Ao todo,Velázquez y la familia de Felipe IV reúne 29 obras do artista sevilhano, do seu atelier e de dois dos seus seguidores, divididas por cinco pequenos núcleos temáticos - 15 são do mestre que trocou Sevilha, a cidade onde nasceu, por Madrid, para em 1623 se tornar pintor da corte. Velázquez e Felipe IV viriam a conviver durante 40 anos, mas da relação entre os dois pouco se sabe, garantia Portús esta manhã aos jornalistas, dizendo apenas que o rei achava que o artista tinha um feitio difícil e que o enganara mil vezes.

“O que sabemos é que, se pudesse ter escolhido, provavelmente não voltaria  de Itália em 1651 e que, se tivesse morrido na travessia, não teria sido um pintor tão importante para a História da Arte”, diz o comissário, explicando que a exposição que está prestes a ser inaugurada se centra na última década da sua carreira, “uma década que não é de continuidade, mas de evolução”, em que Velázquez cria obras-primas sucessivas.

Vindo de Roma e da corte papal de Inocêncio X, cujo retrato se encontra à entrada da galeria, provavelmente numa segunda versão que o próprio artista terá trazido na bagagem, “Velázquez transforma-se num retratista de mulheres e crianças, o que introduz variações importantes na sua composição, na atenção ao detalhe, na gama cromática que usa, mais alargada e serena”, assegura Portús. “São deste período as obras mais sensuais de toda a sua carreira.”

Uma sensualidade que transparece dos retratos que faz, sobretudo, de Maria  Teresa da Áustria, a única filha que sobreviveu do primeiro casamento de Felipe IV, que tem lugar de destaque no núcleo que a relaciona com a rainha Mariana da Áustria, segunda mulher do pai. A relação entre estes três personagens é um exemplo da complexidade familiar das cortes europeias da época, em que todos parecem ser primos e primas: Mariana, filha do imperador austríaco Fernando III, chega a Madrid em 1648 para casar com o tio, Felipe - Maria Teresa é, por isso, sua prima e futura enteada.

O regresso de Roma
E é porque há uma nova rainha e, em breve, espera-se, um herdeiro varão, que Felipe IV reclama a presença de Velázquez, que volta de Roma contrariado para dar início a uma série de retratos reais que tem por protagonistas mulheres e crianças, ou melhor, a princesa, a rainha e os seus infantes.

O pintor chega a poucos dias do nascimento do primeiro filho do casal, lembra o comissário, que afinal foi uma menina, Margarida, a mais representada na exposição que fecha a 9 de Fevereiro (aparece 11 vezes). Ela é a infanta de cabelos loiros para quem se viram todas as atenções no célebre retrato As Meninas, a mesma que mais tarde casaria com o seu tio, Leopoldo I.

Estes retratos eram muitas vezes feitos para enviar às cortes europeias em busca de alianças ou casamentos para as princesas, sempre à procura de uma situação mais vantajosa para Espanha que, recorda o comissário, até ao nascimento de Felipe Próspero, em 1657, estava à beira de uma crise dinástica (Felipe IV não tivera ainda um filho varão) e que, quatro anos antes, declarara bancarrota. É preciso não esquecer ainda que, em 1656, o ano em que Velázquez pinta As Meninas, Felipe estava em guerra com França, Espanha e Portugal.

Este retrato real, um dos mais famosos e complexos da pintura europeia, é uma das peças centrais da exposição, mas para vê-la é preciso ir à sala 12, seguindo o habitual percurso da colecção permanente - tirá-lo do lugar, mesmo que por apenas quatro meses, não era uma opção.

Mas na exposição há uma versão desta obra de Juan Bautista Martínez del Mazo, genro e seguidor de Velázquez. Nela se centra boa parte do debate científico que Velázquez y la familia de Felipe IV poderá gerar, já que há um ex-conservador do Prado, Matías Díaz Padron, que, depois de 20 anos de investigação, continua a defender que se trata de um estudo preparatório, já muito detalhado, saído das mãos do artista sevilhano.

“Esta exposição permitirá ao público tirar as suas próprias conclusões sobre estes e outros retratos porque põe à conversa obras de Velázquez com as dos seus principais seguidores [Mazo e Juan Carreño de Miranda] e até do seu atelier”, explica o comissário, totalmente avesso à tese de Díaz Padron.

Em época de grandes dificuldades financeiras, o Museu do Prado conta com Velázquez para estancar a queda no número de visitantes. Em Maio, a pinacoteca admitiu que previa para 2013 uma quebra drástica, na ordem dos 25%, face ao ano passado. Na mesma altura anunciou que tinha na manga uma exposição que podia minimizar os danos. E agora confia em Velázquez para atrair milhares.

Não só “Velázquez é Velázquez” - a mostra que o Prado lhe dedicou em 1990 continua a ser campeã de visitantes e mudou por completo a vida do museu, disse esta sexta-feira o director, Miguel Zugaza -, como a exposição reúne um “conjunto impressionante de obras”, algumas pela primeira vez em Espanha, graças aos empréstimos de vários museus estrangeiros, com destaque para o Kunsthistorisches (A Infanta Margarida em vestido rosa, por exemplo), o museu de história de Viena, mas também para a Apsley House, em Londres (Inocêncio X), o Metropolitan, em Nova Iorque (A Infanta Maria Teresa), o Museu de Belas Artes de Boston (A Infanta Maria Teresa) e Kingston Lacy, propriedade que pertence ao National Trust britânico e guarda As Meninas de Mazo, que não se viam em Espanha há dois séculos.

Zugaza, director do Prado há 11 anos, vê em Velázquez y la familia de Felipe IV o “retrato final de uma dinastia” e a oportunidade de perceber um pouco mais como funcionava a oficina do artista e como a sua obra inaugurou uma tradição na pintura de corte que depois se foi adaptando às circunstâncias sociais e políticas.
Velázquez y la familia de Felipe IV é inaugurada a 8 de Outubro e fica até 9 de Fevereiro de 2014.
Fonte: Público


 O Museu do Prado inaugura no dia 7 mais uma exposição dedicada ao maior pintor espanhol do Século de Ouro. São 29 pinturas do mestre de Sevilha e dos seus seguidores. Porta aberta para corte de Felipe IV e para o fim de uma dinastia

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Museu do Cairo volta a exibir tesouros egípcios pilhados em 2011

 
 
A operação do jovem Amenhotep foi um sucesso. Recorrendo a técnicas cirúrgicas milenares, o seu corpo é novamente um só. Os turistas, se os houvesse hoje no Egipto, e os egípcios, a quem pertence a História que Amenhotep preserva, podem voltar a admirar a múmia criança, roubada e posteriormente decapitada em Fevereiro de 2011. É uma das 29 peças constantes na exposição inaugurada segunda-feira no Museu das Antiguidades Egípcias, no Cairo, sob o título Destruição e Restauro.
 
A exposição é uma meia vitória. Durante os tumultos da chamada Sexta-feira da Ira, a 28 de Fevereiro de 2011, momento decisivo no movimento popular para a deposição do presidente Hosni Mubarak, o Museu que alberga a maior colecção mundial do período faraónico (cerca de 120 mil objectos em exposição) foi saqueado. Foram roubadas 54 peças das quais 29, recuperadas e restauradas, estão agora novamente disponíveis ao olhar dos visitantes na sala 44 do museu.
“Trabalhamos com a polícia e as forças de segurança para recuperar as restantes [peças]”, afirmou durante a inauguração o ministro egípcio das Antiguidades, Mohamed Ibrahim. Citado pelo El País, acentuou a sua convicção de que as peças em falta, sinalizadas pela Interpol, continuam em território egípcio. “É por isso que controlamos aeroportos, portos e estradas”, referiu.
 
Entre as peças recuperadas, a estrela, segundo Mohamed Ibrahim, é uma estátua de sete centímetros de Aquenatón. A representação do faraó que, no século XIV a.C., impulsionou o monoteísmo no Egipto (e que casou com a célebre Nefertiti), foi descoberta por um adolescente de 16 anos entre o lixo acumulado na Praça Tahrir, nas proximidades do museu. Entre as restantes peças expostas encontramos também o filho de Aquenatón, Tutankhamon, o faraó que deve a sua celebridade ao facto de, séculos depois de uma morte precoce, a sua câmara funerária no Vale dos Reis ter sido descoberta praticamente intacta.
 

De Tutankhamon estão expostos no Museu das Antiguidades Egípcias um leque e duas estátuas: numa vemo-lo sobre um leopardo, em demonstração de poder, noutra observamo-lo num barco, erguendo um arpão e equilibrando-se numa corda. As peças foram submetidas a trabalho de restauro durante seis meses, devido aos sérios danos sofridos durante a pilhagem, que aconteceu entre a debandada das forças de segurança de Mubarak e o momento em que os tanques do exército e a população se uniram em redor do museu para proteger o património.
Parte da segunda estátua de Tutankhamon foi encontrada no metropolitano do Cairo. O seu leque, esse, encontrava-se estilhaçado em doze fragmentos. A múmia de Amenhotep, por sua vez, fora decapitada para facilitar o seu transporte. Operada pelos técnicos egípcios, que recorreram aos materiais usados na sua mumificação original, voltou novamente intacta ao seu lugar. A exposição, situada na sala 44 do Museu inclui ainda, por exemplo, a representação de um exército de guerreiros núbios ou da deusa Bastet, representada por um gato.
Fonte: Público
 
Uma das estátuas de Tutankhamon recuperada
 
 

O exército núbio após pilhagem ao Museu 
 
A estátua de Aquenatón, um dos destaques da exposição

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Inédito de Paula Rego exposto em Amarante

A "Rainha Santa Isabel", um pastel em papel colado sobre madeira (160x120 cm), é uma das principais atrações da exposição do 9º Prémio Amadeo de Souza-Cardoso que é inaugurada sábado, em Amarante.
Consagrada com o Grande Prémio Souza-Cardoso, a mostra da pintora portuguesa de renome internacional reúne 35 obras, entre as quais duas, de coleções particulares e raramente expostas.
De acordo com João Pinharanda, comissário da exposição patente ao público até 7 de dezembro, as restantes obras expostas são "de recorrências das décadas de 1960 a 2000", propriedade de instituições, galerias e particulares nacionais.
"Amarante tem a oportunidade de ver e dar a ver a obra de Paula Rego numa extensão rara fora dos grandes centros museológicos", refere João Pilharanda.
A pintura "Rainha Santa Isabel", da nova fase de trabalhos de Paula Rego, passa a integrar as coleções do Museu de Amarante.
Presente na exposição estarão ainda obras de Avelino Sá, distinguido com o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso que é atribuído de dois em dois anos pela Câmara Municipal de Amarante.    
Fonte: Expresso
Rainha Santa Isabe -Paula Rego

Rainha Santa Isabel é um inédito de 2013 de Paula Rego


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Lisboa, cidade-luz numa Europa em guerra

Espiões, esplanadas cheias de refugiados, artistas, políticos e membros da realeza a encher os hotéis, jornalistas, revistas de propaganda, manobras diplomáticas: Lisboa foi, durante a II Guerra Mundial, um refúgio e uma via de fuga da Europa em guerra. Uma exposição no Terreiro do Paço recorda esses anos
Eram as luzes iluminando a noite de Lisboa, como se a cidade estivesse em festa, que mais surpreendiam os refugiados acabados de chegar de uma Europa mergulhada na guerra e na escuridão. No Verão de 1940 Paris acabava de cair nas mãos das tropas do III Reich e milhares de pessoas tentavam fugir. A porta de saída era Lisboa.
De repente, os olhos do mundo voltavam-se para a cidade não pelos motivos que o Governo sonhara - a inauguração da ambiciosa Exposição do Mundo Português - mas para tentar perceber o que era a capital deste pequeno país europeu, que se mantinha neutral durante a guerra, e que acolhia temporariamente milhares de pessoas.
É por isso, diz Margarida de Magalhães Ramalho, comissária, juntamente com António Mega Ferreira, da exposição A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra, que a revista National Geographic decide fazer uma reportagem sobre Portugal. "Em 1941, a National Geographic não fazia praticamente reportagens fora da América, e no entanto mandam alguém cá. Portugal era uma espécie de paraíso perdido, com uma quantidade de coisas que já ninguém sabe o que são: as varinas, o homem da cortiça, o vendedor de azeite e vinagre. Isso deve ter-lhes suscitado interesse".
A reportagem, com as imagens das varinas e de mulheres embrulhadas em xailes negros, mas também de alguns edifícios que revelam um tímido desejo de modernidade, abre a exposição no Torreão Poente do Terreiro do Paço. "O tom da reportagem é de grande simpatia". Como são aliás, frisa a investigadora, a esmagadora maioria dos testemunhos que recolheu e a que teve acesso desde que há cerca de dez anos começou a trabalhar este tema a partir do projecto de uma outra exposição (nunca concretizada) sobre a passagem dos refugiados pela Figueira da Foz. Um trabalho que ainda antes da exposição no Terreiro do Paço começou por ter a forma de um livro, Lisboa, uma Cidade em Tempo de Guerra.
"Nos cerca de cem testemunhos a que tive acesso, muitos deles guardados na Fundação Shoah, nos Estados Unidos, se houver um a dizer mal de Portugal já é muito", afirma Margarida Ramalho. "A maioria das pessoas teve uma enorme empatia com o país, foi muito bem recebida, sentiu-se acarinhada, protegida. É raro aquele que não faz referência ao facto de ter passado de uma "terra cinzenta" para o "luminoso Portugal"." Isto apesar da política de restrição de vistos e, ponto em relação ao qual a investigadora é particularmente crítica, "a forma como Portugal se comportou com os judeus de origem portuguesa", descendentes de famílias expulsas pela Inquisição, aos quais, na maioria dos casos, não permitiu a entrada.
No início da década de 40, Lisboa tornou-se subitamente uma cidade cosmopolita. A exposição conta-nos essa história, começando com um monte de malas antigas no meio do hall e com imagens das chegadas, na maior parte dos casos em comboios que vinham até à Estação do Rossio, e das partidas, em navios ou, para os que tinham mais posses, de avião. "Muitas vezes, as pessoas apercebem-se que têm que fugir, metem tudo nas malas e despacham-nas para Portugal na esperança de virem depois. Mas alguns não conseguem vir e as malas ficam por cá e acabam por ser leiloadas".
Outros têm mais sorte, e conseguem chegar a Lisboa e até, como a coleccionadora de arte Peggy Guggenheim, fazer passar por aqui muitas obras de arte, em direcção aos EUA. "Logo a seguir à ocupação de Paris, Peggy Guggenheim compra uma série de obras a artistas que estavam desejosos de vender coisas para se irem embora, e tudo isso passou certamente por Portugal", acredita a investigadora.
Os refugiados instalavam-se sobretudo no eixo da Rotunda/Avenida da Liberdade/Rossio. "Era aí que existiam os melhores hotéis e as pensões, e, além disso, ficavam próximo das legações dos vários países beligerantes. A dos EUA era no n.º 258 da Avenida da Liberdade, por exemplo, enquanto o consulado alemão ficava do outro lado, na Av. Joaquim António de Aguiar."
O mais luxuoso destes hotéis era o Aviz, um pouco mais acima, nas Picoas, no local onde está hoje o Imaviz. Era aí que se instalava habitualmente Calouste Gulbenkian, e era aí que queriam ficar os duques de Windsor, que chegaram a Portugal em Julho de 1940. "A passagem do duque de Windsor envolve pressões alemãs para ele ficar na Europa, porque, dado que ele tinha algumas simpatias pela Alemanha, os alemães tinham esperança de o conseguir pôr no trono. Chegou a haver, do lado alemão, ordem para, se fosse necessário, usar-se a força para o reter". Mas, por pressões inglesas, o duque acabou por deixar Portugal - e não chegou a hospedar-se no Aviz.
Muitos dos refugiados frequentavam os cafés da zona e passavam grande parte do tempo nas esplanadas ou em jardins como o Botânico, ou o Parque Eduardo VII, onde gostavam em particular da Estufa Fria. Não podiam fazer muito mais do que esperar por notícias - e era isso que os levava diariamente às estações de correios dos Restauradores ou do Terreiro do Paço para saber se chegara alguma coisa à posta-restante (uma das salas da exposição tenta precisamente recriar o ambiente de uma estação de correios).
Para além de Lisboa, havia também importantes grupos de refugiados na Curia, na Figueira da Foz, na Ericeira. Mas o local que ficou mais ligado à passagem por Portugal dos que fugiam ao avanço nazi foi o Estoril, transformado num autêntico cenário de espionagem. Uma das salas da exposição mostra um goniómetro e um rádio transmissor, e relembra a estadia de Ian Fleming no Hotel Palácio do Estoril, pró-aliado, que, juntamente com o Casino, também muito frequentado pelos refugiados mais ricos, terá inspirado o livro Casino Royale. Uma das personagens com quem Fleming se cruzou - e que poderá ter inspirado o Agente 007 - foi o jugoslavo Dusko Popov, agente duplo também conhecido como Triciclo.
E, numa cidade cheia de refugiados e agentes secretos, último local de refúgio numa Europa em guerra, num país neutral, todos aproveitavam para fazer a sua propaganda. "Todos os beligerantes tinham jornais, revistas", conta Margarida Ramalho, junto a uma parede com várias dessas publicações, daGuerra Ilustrada à Allô Portugal, Aqui Alemanha, passando pela americanaEm Guarda.
"O The Anglo-Portuguese News, jornal luso-britânico, era dirigido na altura por um tio meu casado com uma inglesa. Para além de dirigirem o jornal, que era considerado pelos alemães como o porta-voz do Churchill, os dois recolhiam toda a informação relacionada com a guerra para a passar à embaixada inglesa. Quando se fala na eventualidade de uma invasão de Portugal, eles estão na lista das pessoas que devem ser retiradas com urgência para não caírem nas mãos dos alemães".
Toda a gente escolhia um lado. "A maioria tomou o partido dos ingleses. Os taxistas punham bandeiras do país que apoiavam, as lojas faziam montras pró-aliadas ou pró-germânicas." Os jornais davam notícias da guerra, e os correspondentes estrangeiros em Portugal gritavam histórias ao telefone no meio de cafés cheios de gente.
Em Belém, o país mostrava o seu império colonial, mas os refugiados que enchiam os cafés tinham outras coisas em que pensar. Lisboa tentava começar a ser moderna, mas nas zonas populares, como a Aldeia dos Trapeiros, junto ao Areeiro, as condições eram miseráveis e as pessoas ainda viviam a meias com porcos. Mas, no meio de tudo isto, o que mais espantava quem aqui chegava eram as luzes que iluminavam as ruas - as únicas luzes ainda acesas numa Europa às escuras.
A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra Torreão Poente do Terreiro do Paço. Todos os dias das 10h às 20h. Até 15 de Dezembro 3 euros
Fonte: Público
Uma refugiada no cais de Lisboa à espera da partida 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Homem de Vitrúvio é exposto de novo em Veneza

30 anos depois, o Homem de Vitrúvio volta a ser mostrado ao público. A exposição Leonardo da Vinci: O Homem Universal abriu na Galeria da Academia, de Veneza na quinta-feira. Até 1 de Dezembro, mostra 52 obras do artista do renascimento.
Os 52 desenhos expostos são importantes a nível artístico, mas também científico. De entre todos eles, a estrela é O Homem de Vitrúvio, o desenho que Leonardo da Vinci fez do corpo humano com as suas proporções ideais. Este e outros estudos e desenhos da colecção da Galeria da Academia não são mostrados ao público, segundo o museu, desde os anos 80.
Além destes desenhos, a exposição tem ainda outros emprestados pelas colecções do Louvre, da Biblioteca Real de Turim, do Museu Britânico, do Ashmolean Museum e da família real britânica.
A exposição quer ser um olhar sobre o “trabalho de reflexão” deste homem da renascença, disse a curadora da exposição Annalisa Perissa Torriani, à AFP: há estudos sobre botânica, mecânica, óptica, guerra, mas também os esboços de algumas das suas obras mais célebres. “É como se o visitante folheasse o diário pessoal do artista e visse como ele expôs o seu pensamento recôndito”, lê-se no site do Pólo Museológico Veneziano, entidade que agrega os museus da cidade.
Este conjunto de obras “mostra como Leonardo traduzia os seus pensamentos, desde o cérebro até à mão, voltando sempre atrás para corrigir e fazer ajustes”, disse Annalisa à AFP.
Fonte: Público

 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Joana Vasconcelos na Ajuda, a exposição individual mais vista de sempre em Portugal

Os dados estavam lançados: desde as primeiras semanas de Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda que se antecipava que a exposição podia ser um caso sério de sucesso. Agora, a 13 dias do encerramento da mostra que coloca em diálogo as peças da artista contemporânea e o cenário real do palácio onde viveu D. Maria Pia, esta já se tornou na exposição individual mais vista de sempre em Portugal, segundo a organização – 178 mil visitantes.
Os números anunciados nesta terça-feira pela produtora musical Everything is New, que se estreou com este projecto na área das exposições, marcam um recorde para o Palácio da Ajuda, mas também para a artista em Portugal. Em 2010, Sem Rede, a sua maior exposição individual até então, foi vista no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém (CCB), por 167.852 pessoas. Claro que, para a artista plástica, há também um outro recorde fora do país - um milhão e seiscentas mil pessoas visitaram Versalhes, nos arredores de Paris, quando a sua Joana Vasconcelos Versailles lá estava no Verão passado.
Já o Palácio Nacional da Ajuda viu durante estes quatro meses e meio o triplo dos visitantes do que em todo o ano de 2012 – segundo dados do Instituto dos Museus e da Conservação, a residência real oitocentista contou 50.065 visitas no ano passado. Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda levara no seu primeiro mês de estadia na Ajuda 43 mil pessoas ao monumento nacional. A exposição mais vista na Ajuda até aqui era De Pedro, o Grande a Nicolau II: Arte e Cultura do Império Russo nas Colecções do Hermitage (2007), com 105 mil visitantes em cinco meses.
No panorama museológico português, Joana Vasconcelos ultrapassa assim com a sua maior exposição individual de sempre, com 38 peças, nomes como o de Frida Khalo, Robert Rauschenberg, Paula Rego, Amadeo de Souza-Cardoso ou Juan Muñoz. Cento e cinquenta e sete mil visitantes acorreram ao Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, para ver a exposição dedicada a Paula Rego em 2004, seguida de Robert Rauschenberg: Em viagem 70-76, que recebeu 120 mil visitantes em 2008. Mais recentemente, a exposição mais vista de 2012 foi a da holandesa Marijke van Warmerdam, De Perto à Distância, também em Serralves, com 100.653 visitantes.
A mexicana Frida Khalo foi vista por 105.220 pessoas no Centro de Exposições do CCB em 2005 e em 2007. Amadeo Souza-Cardoso (1887-1918) Diálogo de Vanguardas tornou-se uma das mostras mais populares da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com 100.117 ingressos vendidos.
Já no Museu Berardo – que, assinale-se, tem entradas gratuitas -, a mostra individual mais vista pertence precisamente a Joana Vasconcelos e a Sem Rede com os seus 167 mil visitantes. Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda tem ingressos gerais a dez euros e foi a primeira experiência da Everything is New na produção de exposições. A exposição comissariada por Miguel Amado é composta por 38 peças inseridas em várias salas em dois pisos do cenário sumptuoso do palácio-museu, como o carro War Games (2011), o lustre Carmen e A Noiva (ambos de 2001). Joana Vasconcelos e o seu Trafaria Praia são representantes de Portugal na 55.ª Bienal de Veneza, que decorre na cidade italiana. O cacilheiro estará em Veneza até 24 de Novembro.
Fonte: Público
Detalhe de "Lilicoptère"

 
"Marilyn"

"War Games" 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Joana Vasconcelos no museu da Gucci em Florença

As obras Coração Independente Vermelho, Lavoisier e Psycho, da colecção de arte contemporânea do presidente de um dos maiores grupos de luxo do mundo, François Pinault, constituem a exposição de Joana Vasconcelos. “As peças foram escolhidas em relação com o espaço, com o que [ali] se integrava”, explica Joana Vasconcelos sobre a mostra na Piazza de la Signoria, a praça central do centro histórico de Florença.
“Estou a habituada a espaços maiores, mas de qualquer maneira, é sempre interessante ter uma exposição num lugar histórico como é este da Gucci.” A quarta peça da artista portuguesa que completa a exposição é o vídeo Hand-made, mostrado pela primeira vez em Itália, sobre o trabalho em crochet feito por cinco mulheres de diferentes proveniências e gerações.
A exposição no Gucci Museo inclui a exibição dos documentários Coração Independente, de Joana Cunha Ferreira, sobre o trabalho da artista portuguesa, e Enxoval, de Kitty Oliveira, Pedro Macedo e Isabel Freire, sobre a colaboração dos artesãos da vila alentejana de Nisa com Joana Vasconcelos para a peça Valquíria Enxoval.
Actualmente, a artista é a protagonista de Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda, exposição individual de 38 peças que ali estará até 25 de Agosto. A mostra já atingiu os 103.974 mil visitantes em menos de três meses, mais do dobro das visitas do palácio em todo o ano de 2012 (50.065 visitantes). Esta exposição já ultrapassou o número de visitantes daquela que terá sido a mostra mais vista no ano passado em Portugal, De Perto à Distância, da holandesa Marijke van Warmerdam, que levou 100.653 visitantes ao Museu de Arte Contemporânea de Serralves, segundo o rankingdo The Art Newspaper.
A exposição de Florença aproveita o facto de Joana Vasconcelos ser este ano a artista que representa Portugal na Bienal de Arte de Veneza, onde mostra o projecto Trafaria Praia, um cacilheiro que faz às vezes de pavilhão português. “Temos tido uma média de 500 a 700 pessoas por dia. Já temos um livro de honra cheio e tivemos de comprar um segundo livro”, disse a artista plástica. O cacilheiro é este ano o único pavilhão flutuante na bienal e navega pela lagoa da cidade duas vezes por dia com os visitantes a bordo. “As voltas que o cacilheiro dá são sempre uma grande animação e estão sempre cheias, com cerca de 50 a 60 pessoas”, conta Joana Vasconcelos.
As peças de Joana Vasconcelos estão no museu Gucci até 15 de Dezembro e o Trafaria Praia abandona a lagoa de Veneza no dia 24 de Novembro, quando finda a Bienal de Arte de Veneza. Ainda este mês, Joana Vasconcelos inaugura uma exposição individual na Galeria Horrach Moya, em Palma de Maiorca.

 Fonte: Público
 "Coração Independente Vermelho", de Joana Vasconcelos, entre as suas peças gémeas amarela e negra 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

22 de Maio de 1998: Inauguração da Expo 98


A Exposição Mundial de Lisboa de 1998 decorreu na zona oriental da cidade, junto ao rio Tejo, entre 22 de maio de 1998 e 30 de setembro de 1998.
A última exposição do século XX, como foi publicitada, assinalou o 500.º aniversário da descoberta do Caminho Marítimo para a Índia e, através disso, pretendeu debater as perspetivas do futuro da Humanidade, integrando os vários aspetos éticos e tecnológicos. «Os Oceanos, Um Património para o Futuro», foi o tema, ao mesmo tempo português, universal e urgente. Símbolo da comunicação entre os povos e da interdependência destes com o meio natural, o Oceano é visto como um património físico e cultural a valorizar, ao mesmo tempo que está estreitamente ligado à reflexão sobre o equilíbrio do planeta que vamos legar às gerações futuras. As problemáticas propostas - o Conhecimento dos Mares e dos Recursos dos Oceanos, o Equilíbrio do Planeta, os Oceanos como fonte de inspiração e de lazer - foram interpretadas pelos vários pavilhões temáticos.

O Pavilhão dos Oceanos (Oceanário), concebido pelo arquiteto americano Peter Chermayeff, foi provavelmente o pavilhão mais ambicioso, em que a coabitação de diferentes sistemas ecológicos marinhos foi possível graças às tecnologias mais avançadas.
O Pavilhão de Portugal, projeto da autoria do arquiteto Siza Vieira, pretendeu realçar a ligação do homem com o mar em todas as épocas, a partir de personagens e referências portuguesas, alternando-as com as de outros povos e culturas.
O Pavilhão do Conhecimento dos Mares, organizado como um navio, foi concebido pelo arquiteto Carrilho da Graça e o projeto de interiores foi dos arquitetos Nuno Mateus e José Mateus. Este Pavilhão pretendeu analisar a evolução da relação do Homem com o Oceano, combinando várias técnicas expositivas: o didatismo, o humor e o espetáculo.

O Pavilhão da Realidade Virtual propôs uma visita às ruínas de uma fantástica cidade subaquática habitada, milhares de anos, por criaturas de uma civilização desconhecida, Oceânia, através de uma completa imersão num mundo virtual. Este pavilhão patrocinado pela Portugal/Telecom é um projeto que pretende ficar integrado nas diversões da zona do Oceanário.

O Pavilhão da Utopia recriou o mar como espaço da imaginação e da fantasia, região de mitos e de lendas. O espetáculo Oceanos & Utopias utilizou efeitos teatrais de tipo clássico e moderno em ligação com as tecnologias multimédia atuais. Através de 10 quadros os visitantes puderam assistir à eclosão do Big Bang, à formação do Oceano, às grandes conquistas, à Atlântida. Este Pavilhão foi projetado para, depois da EXPO'98, se tornar um centro onde decorrerão grandes espetáculos culturais, recreativos e desportivos, com capacidade máxima para 15 000 espectadores.

Finalmente, o Pavilhão do Futuro, ao pretender modificar a perceção e o comportamento do visitante perante o Oceano, demonstrando que a sua conservação é da nossa responsabilidade comum, encerra o discurso temático da EXPO'98.
O projeto do edifício do pavilhão esteve a cargo de Paula Santos, Rui Ramos e Miguel Guedes e o projeto da exposição foi concebido por Baixa, Atelier de Arquitetura, da responsabilidade de Pedro Ravara, e por Nuno Vidigal.

Estiveram presentes na Exposição cerca de 150 países, distribuídos por duas zonas internacionais. Na Área Internacional Norte ficaram instalados cerca de 60 países, nomeadamente os da União Europeia. Esta área constituirá a nova Feira Internacional de Lisboa, após a Exposição. Na Área Internacional Sul ficaram instalados os restantes países.

Fazendo a contagem decrescente até ao dia 21 de maio, o Festival dos Cem Dias, tendo por sede o Centro Cultural de Belém, concentrou-se na produção artística e cultural do século, através de espetáculos de música, de dança, de teatro e de cinema.

Paralelamente, a atividade editorial da EXPO'98 concentrou-se nas publicações diretamente relacionadas com a Exposição, como os catálogos dos Pavilhões Temáticos, o Guia Oficial e o Guia Juvenil. Promoveu igualmente a edição de outras obras, das quais se salientam a coleção «98 Mares», que constou de 98 livros de autores de vários lugares e épocas, entre os quais alguns inéditos de Sophia de Mello Breyner, José Cardoso Pires, Mia Couto, Mário Cláudio e a coleção «Exposições Universais».
Esta exposição determinou ainda a criação de infraestruturas como a Ponte Vasco da Gama, que liga Loures ao Montijo, e a Estação do Oriente, que passa a funcionar como local de convergência de terminais ferroviários e rodoviários e do metropolitano. O projeto da estação foi da autoria do arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava.
EXPO'98. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia(Imagens)
Mascote da Expo 98 -Gil
Ficheiro:Parque das Nações - Lisboa (Portugal).jpg
Pormenor da zona norte da EXPO'98, em especial a Torre e a Ponte Vasco da Gama
Ficheiro:Lisbonne Expo98 02.jpg