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terça-feira, 27 de setembro de 2016

27 de Setembro de 1601: Nasce Luís XIII de França, pai de Luís XIV

Monarca francês (1610-1643), chamado o Justo, foi rei de França entre 1610 e 1643; nasceu em Fontainebleu, a 27 de setembro de 1601, filho de Henrique IV, primeiro da dinastia Bourbon, e de Maria de Médicis, a qual, durante a sua menoridade (1610-1617), governou a França como regente. Esta procurará a aliança com a Espanha e, nesse sentido, contrata o casamento do filho (28 de novembro de 1615) com Ana de Áustria, filha de Filipe III, rei de Espanha. Personalidade fraca foi, numa primeira fase, dominada por Concini (que mandará assassinar) e de seguida passa a depender do seu favorito Luynes. Será também devido aos esforços de Maria de Médicis que o jovem monarca recebe no seu conselho de ministros o Cardeal de Richelieu, figura carismática da França da primeira metade do século XVII, que se tornará o homem forte do seu gabinete, eventualmente o principal governante francês até à sua morte em 1642. Richelieu, contudo, tem outra visão da política internacional e procura abater o poder da casa de Habsburgo; nesse sentido, em 1635, a França entra na Guerra dos Trinta Anos como aliado da Suécia e dos príncipes protestantes alemães. O reinado de Luís XIII é igualmente marcado por lutas, por vezes violentas, entre católicos e protestantes franceses (huguenotes), e por inúmeras conspirações contra Richelieu. Morreu a 14 de maio de 1643, sucedendo-lhe no trono de França o seu filho Luís XIV.      
Luís XIII. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)
 
Ficheiro:0 Louis XIII en costume de deuil - Frans Pourbus le Jeune (2).JPG
Retrato de Luís XIII em 1611 -Frans Pourbus, o Jovem
 
Ficheiro:Louis XIII.jpg
Retrato de Luís XIII - Peter Paul Rubens
 


Retrato de Luís XIII - Philippe de Champaigne
Ficheiro:Louis XIII (de Champaigne).jpg
 

sábado, 28 de maio de 2016

28 de Maio de 1871: Acaba a Comuna de Paris, derrotada pelas forças de Versalhes, depois de dois meses e dez dias de luta

No dia 28 de Maio de 1871, ao longo da chamada “Semana Sangrenta”, a Comuna de Paris deixava de existir. Ao preço de várias dezenas de milhares de execuções e prisões, Adolphe Thiers podia-se vangloriar de ter libertado o país da “questão social”, tema que permaneceria ausente da cena política francesa até 1936.
Dez semanas antes, a 18 de Março, os parisienses viviam subjugados às tropas do governo, humilhados pela derrota do seu país diante dos prussianos e irritados por estarem subordinados a um estado de sítio. O chefe do Executivo, Adolphe Thiers, havia deixado Paris e tinha-se instalado em Versalhes. Um movimento improvisado assume o poder na capital, dando origem à Comuna de Paris.

No entanto, desde a assinatura em 10 de Maio do Tratado de Paz com a Alemanha, Thiers obtém da Prússia a libertação antecipada de 60 mil soldados. Com o contingente recuperado, lança imediatamente contra a capital cinco batalhões do Exército. Eram 130 mil homens, entre presos e camponeses, recrutados e treinados à pressa para enfrentar a “canalha vermelha”.

As tropas eram comandadas pelo marechal Mac-Mahon, o mesmo que havia sido derrotado em Sedan pelos prussianos. Diante delas, os Communards só puderam alinhar cerca de 20 mil combatentes. Os primeiros confrontos ocorreram em 2 e 3 de Abril. Em 10 de Maio, na capital, Charles Delescluze assume o comando das operações militares.

Após ter conquistado os fortes de Vanves e de Issy, Mac-Mahon lança um assalto decisivo no dia  21 de Maio, no bairro do Point du Jour, em Boulogne. Thiers determina um avanço lento e prudente nas ruas de Paris. Após violentas explosões, o bairro de Belleville, a leste, foi o último a cair. Os combates de rua deixam quatro mil mortos. Apenas 877 membros das tropas governamentais seriam mortos.

Mais além, houve ainda as vítimas da repressão: aqueles considerados suspeitos eram mortos metodicamente. Vinte comitivas militares ligadas às grandes unidades julgavam rapidamente homens e mulheres apanhados com armas nas mãos. Os réus eram fuzilados no próprio lugar.

O Muro dos Federados, no cemitério Père Lachaise, conserva a lembrança de 147 combatentes que foram fuzilados nas cercanias e dos milhares de cadáveres que foram sepultados numa vala vizinha. Das longas filas de prisioneiros que eram conduzidos às detenções de Versalhes, o general Marquês de Gallifet destacava os homens de cabelos grisalhos e mandava fuzilá-los. Isso pela simples suspeita de que já haviam participado da revolução de Junho de 1848.

Os Communards, inexperientes e apavorados com as masmorras de Versalhes, sequestram e liquidam cerca de 80 reféns. Também criariam focos de incêndio que, ao lado dos bombardeios, destruiriam importantes monumentos históricos, como o Palácio das Tulherias, o Palácio de Justiça gótico, o Hotel de Ville, o Palais-Royal e o Palácio d'Orsay. Das ruínas deste último foi construída a estação de comboios  que foi palco da Exposição Universal de 1900. Preciosas colecções de arte e arquivos de valor incalculável desapareceriam durante a Semana Sangrenta.


O balanço final da Semana Sangrenta foi de cerca de 20 mil vítimas e 38 mil prisões, sem contar as penas jurídicas: tribunais pronunciariam até 1877 um total de cerca de 50 mil julgamentos. Houve algumas condenações à morte e cerca de 10 mil deportações. As leis de amnistia só viriam dez anos mais tarde, em 1879 e 1880. Apenas a partir desse marco, os  prisioneiros seriam libertados e deportados, enquanto os exilados poderiam retornar ao país.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Barricadas erguidas pelos communards em frente à Igreja da Madalena
Os trajes dos Communards


As figuras da Comuna

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

20 de Novembro de 1616: Armand Jean Du Plessis, futuro Cardeal de Richelieu e primeiro-ministro de Luís XIII, inicia a ascensão, integrando o conselho de regência de Maria de Medicis.

Religioso francês nasceu a 9 de setembro de 1585, na cidade de Paris, e faleceu a 4 de dezembro de 1642. Armand-Jean du Plessis, seu nome verdadeiro, era filho do Grande Preboste de França e senhor de Richelieu, François du Plessis, e da sua mulher Sizanne de la Porte. Estudou no Colégio de Navarra e na Academia de Pluvinel, orientando-se a sua educação para a carreira militar. Contudo, uma vez que o seu irmão Alphonse recusou o cargo de bispo de Luçon, que pertencia à família, Armand-Jean substituiu-o no ano de 1606. Com apenas 22 anos necessitou da aprovação papal, que foi pedir a Roma, e uma vez conseguida iniciou as suas tarefas diocesanas. Travou conhecimento com aquele que ficaria para a história como a "eminência parda" pela confiança que Richelieu sempre depositaria nele: o capuchinho Padre José. Eleito deputado nos Estados Gerais pelo clero de Poitou em 1614, foi depois distinguido com o cargo de Grande Esmoler do reino por Maria de Médicis, mãe de Luís XIII e passa a integrar o conselho da regente em 1616. Protegido de um poderoso ministro do reino, Concino Concini, ganhou também ascendente sobre a rainha-mãe, mas quando estes caíram em desgraça também Richelieu foi em 1618 exilado para Avinhão por ordem de Luís XIII. Após a reconciliação do rei com a sua mãe, em 1620, por meio do Tratado de Angoulême, abriu-se de novo o caminho de Richelieu ao poder. A 16 de abril de 1621 tornou-se Cardeal de Richelieu, por intercessão do rei, três anos depois membro do Conselho Real e chegando ao posto de primeiro ministro, dedicou-se à práctica de uma política que procurou fortalecer tanto o poderio francês face a outros dominantes na Europa como o do rei no seu próprio país. Tal implicou a perda de privilégios e de estruturas defensivas que davam autonomia a grandes figuras da nobreza, que passaram a viver em constante revolta contra este ministro. Uma das medidas mais polémicas tomadas por Richelieu (entretanto feito par de França e duque) foi a aliança com os Protestantes no combate dos anos 30 de 1600 contra os Católicos do império dos Habsburgos, posição tomada por razões políticas mas criticada por ser tomada por um clérigo. Destes combates nasceram a "taille" e a gabela, taxas a pagar sobre a terra e o sal para o financiamento dos gastos militares.
Após o seu falecimento, sucedeu-lhe no cargo o cardeal Mazarino.
Richelieu foi uma das figuras de proa da instauração do Absolutismo real na França. Subordinou todos os poderes ao rei, no qual centralizou todo o poder. Mitigou e aboliu até os conflitos de interesses de carácter nobiliárquico ou religioso, fazendo valer a arbitragem e intervenção da política real, cujo maior instrumento era o próprio cardeal-duque Richelieu. Um estado centralizado, com Richelieu, substituiu um país pulverizado por poderes, fragmentado por querelas e lutas internas e regido por leis diversas. Um Rei, um Estado, uma Lei, poderia ter sido a divisa absolutista de Richelieu. Este notabilizou-se ainda pelo enfraquecimento do poder dos Habsburgos na Europa, reinantes na Espanha (com os Áustrias) e no Sacro-Império Romano-Germânico. Foi um dos apoiantes dos Protestantes do Norte da Europa contra os estados dominados pelos Habsburgos que, apesar de católicos como Richelieu, no seu entender deveriam ser enfraquecidos para dar lugar à hegemonia da França. Assim, Richelieu foi um dos vencedores da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e da Paz de Vestefália, momento de viragem na direção geopolítica da Europa.
 Cardeal de Richelieu In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
 wikipedia (Imagens)
Retrato do Cardeal Richelieu - Philippe de Champaigne



 Richelieu com Luís XIII- Artista desconhecido



 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

01 de Setembro de 1715: Morre em Versalhes Luís XIV, ""o Rei Sol"

Monarca francês que reinou entre 1643 e 1715. Nasceu a 5 de setembro de 1638, em Saint-Germain-en-Laye, em França, e morreu a 1 de setembro de 1715, em Versalhes. Continua a ser o símbolo da monarquia absoluta do período clássico, para além de ter ficado conhecido na História como "o Rei Sol".Quando o seu pai morreu, tinha apenas cinco anos. Por esse motivo, durante a sua menoridade, o país foi governado pelo cardeal Mazarino, um dos colaboradores mais dedicados de Richelieu. 
Quando atingiu a maioridade, Luís XIV fez triunfar definitivamente o absolutismo monárquico em França. Ou seja, ele reinava e administrava. Esse poder não era apenas absoluto em si mesmo, era também absoluto em todos os domínios da governação pública. Estendia-se à vida social, política, económica, cultural (ao nível das Artes e das Letras) e religiosa. A nível internacional, participou em algumas guerras, entre 1667 e 1697, que resultaram na expansão das fronteiras orientais da França, e, em 1701-14, envolveu-se numa coligação, com o objetivo de assegurar o trono espanhol ao seu neto.Luís XIV foi, de certa forma e algumas vezes, um tirano, mas, nas palavras de Voltaire: "O seu nome nunca poderá ser pronunciado sem respeito e sem evocar a imagem de uma época eternamente memorável."
Luís XIV, organizou a etiqueta da vida cortesã num modelo que os seus descendentes seguiram à risca. Outro traço marcante para a cultura da época e que é parcamente citado em biografias sobre o Rei-Sol é o fato de ele ter lançado a moda do uso de elaboradas perucas, costume que se prolongou por no mínimo 150 anos nas cortes europeias e nas colónias do novo mundo. 
Construiu o Palácio dos Inválidos e o luxuoso Palácio de Versalhes, perto de Paris, onde faleceu. Nos anos finais do reinado de Luís XIV, uma sucessão de mortes quase pôs em risco a sucessão ao trono. Praticamente todos os filhos legítimos do rei tinham morrido na infância. O único que chegou a idade adulta foi o seu filho mais velho Luís, o Grande Delfim, que morreu em 1711 antes de Luís XIV. O novo herdeiro, Luís, Duque de Borgonha, neto mais velho do rei, contraiu  varíola (ou sarampo) e morreu no ano de 1712, seguido pelo seu filho mais velho Luís, Duque de Bretanha, que sucumbiu à mesma enfermidade. Por fim, o pequeno Duque de Anjou, filho mais novo do Duque de Borgonha e bisneto do rei foi aclamadoDelfim de França, tornando-se o sucessor ao trono francês, e reinando como Luís XV de FrançaLuís XIV morreu no dia 1 de Setembro de 1715 de gangrena, poucos dias antes de seu septuagésimo sétimo aniversário e com 72 anos e 100 dias de reinado - o mais longo reinado e governo do mundo ocidental. O seu corpo foi sepultado na basílica de Saint-Denis, em Paris.
Luís XIV. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)



 Ficheiro:Louis XIII, Anne of Austria, and their son Louis XIV, flanked by Cardinal Richelieu and the Duchesse de Chevreuse.jpg
Luís XIV com os seus pais, Luís XIII e Ana da Áustria
Arquivo: Retrato do rei Louis XIV e seu irmão, o duque D'Orleans jpg.
Retrato de Luís XIV e do seu irmão Philippe - Autor desconhecido
Arquivo: Louis XIV de France.jpg
Luís XIV - Hyacinthe Rigaud 

File:Nicolas de Largillière 003.jpg
Luís XIV e a sua família
Arquivo: Almanach-mortlouisxiv.gif


Manuscrito com o anúncio da morte de Luís XIV

quinta-feira, 28 de maio de 2015

28 de Maio de 1871: Acaba a Comuna de Paris, derrotada pelas forças de Versalhes, depois de dois meses e dez dias de luta

No dia 28 de Maio de 1871, ao longo da chamada “Semana Sangrenta”, a Comuna de Paris deixava de existir. Ao preço de várias dezenas de milhares de execuções e prisões, Adolphe Thiers podia-se vangloriar de ter libertado o país da “questão social”, tema que permaneceria ausente da cena política francesa até 1936.
Dez semanas antes, a 18 de Março, os parisienses viviam subjugados às tropas do governo, humilhados pela derrota do seu país diante dos prussianos e irritados por estarem subordinados a um estado de sítio. O chefe do Executivo, Adolphe Thiers, havia deixado Paris e tinha-se instalado em Versalhes. Um movimento improvisado assume o poder na capital, dando origem à Comuna de Paris.

No entanto, desde a assinatura em 10 de Maio do Tratado de Paz com a Alemanha, Thiers obtém da Prússia a libertação antecipada de 60 mil soldados. Com o contingente recuperado, lança imediatamente contra a capital cinco batalhões do Exército. Eram 130 mil homens, entre presos e camponeses, recrutados e treinados à pressa para enfrentar a “canalha vermelha”.

As tropas eram comandadas pelo marechal Mac-Mahon, o mesmo que havia sido derrotado em Sedan pelos prussianos. Diante delas, os Communards só puderam alinhar cerca de 20 mil combatentes. Os primeiros confrontos ocorreram em 2 e 3 de Abril. Em 10 de Maio, na capital, Charles Delescluze assume o comando das operações militares.

Após ter conquistado os fortes de Vanves e de Issy, Mac-Mahon lança um assalto decisivo no dia  21 de Maio, no bairro do Point du Jour, em Boulogne. Thiers determina um avanço lento e prudente nas ruas de Paris. Após violentas explosões, o bairro de Belleville, a leste, foi o último a cair. Os combates de rua deixam quatro mil mortos. Apenas 877 membros das tropas governamentais seriam mortos.

Mais além, houve ainda as vítimas da repressão: aqueles considerados suspeitos eram mortos metodicamente. Vinte comitivas militares ligadas às grandes unidades julgavam rapidamente homens e mulheres apanhados com armas nas mãos. Os réus eram fuzilados no próprio lugar.

O Muro dos Federados, no cemitério Père Lachaise, conserva a lembrança de 147 combatentes que foram fuzilados nas cercanias e dos milhares de cadáveres que foram sepultados numa vala vizinha. Das longas filas de prisioneiros que eram conduzidos às detenções de Versalhes, o general Marquês de Gallifet destacava os homens de cabelos grisalhos e mandava fuzilá-los. Isso pela simples suspeita de que já haviam participado da revolução de Junho de 1848.

Os Communards, inexperientes e apavorados com as masmorras de Versalhes, sequestram e liquidam cerca de 80 reféns. Também criariam focos de incêndio que, ao lado dos bombardeios, destruiriam importantes monumentos históricos, como o Palácio das Tulherias, o Palácio de Justiça gótico, o Hotel de Ville, o Palais-Royal e o Palácio d'Orsay. Das ruínas deste último foi construída a estação de comboios  que foi palco da Exposição Universal de 1900. Preciosas colecções de arte e arquivos de valor incalculável desapareceriam durante a Semana Sangrenta.


O balanço final da Semana Sangrenta foi de cerca de 20 mil vítimas e 38 mil prisões, sem contar as penas jurídicas: tribunais pronunciariam até 1877 um total de cerca de 50 mil julgamentos. Houve algumas condenações à morte e cerca de 10 mil deportações. As leis de amnistia só viriam dez anos mais tarde, em 1879 e 1880. Apenas a partir desse marco, os  prisioneiros seriam libertados e deportados, enquanto os exilados poderiam retornar ao país.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Barricadas erguidas pelos communards em frente à Igreja da Madalena
Os trajes dos Communards


As figuras da Comuna