A 15 de agosto de 1534, acompanhado de seis
discípulos, Inácio de Loyola, espanhol, figura de grande dimensão espiritual e
humana, pronuncia em Montmartre (Paris) votos de pobreza e castidade, formando
um novo instituto religioso, a Companhia de Jesus. Mais tarde, em Roma,
submetem-se ao serviço da Santa Sé. O papa Paulo III aprova a nova Ordem em
1540, mediante a apresentação por Inácio do esboço de uma regra,
designada Formula
Instituti.
O lema da nova congregação é "defender e proteger a
fé", visando-se o progresso espiritual dos fiéis. Para isso acentua-se o
apostolado sacerdotal, caracterizado por uma grande mobilidade e capacidade de
adaptação dos seus membros às contingências do mundo exterior. Para além dos
três votos solenes (pobreza, castidade e obediência), alguns jesuítas pronunciam
um quarto, o de obediência especial ao papa como chefe da Igreja e vigário de
Cristo. Com uma hierarquia centralizadora, a Ordem é governada por um prepósito
geral (cargo máximo dos jesuítas), eleito pela Congregação Geral, única e plena
autoridade legislativa. A estrutura da Companhia é composta por noviços,
coadjutores espirituais e professos.
A defesa da reforma católica por teólogos jesuítas no
Concílio de Trento (1545-1563) demonstra bem o contexto da época em que nasceu a
Companhia de Jesus: a Contrarreforma católica em oposição à Reforma Protestante
encetada por Lutero em 1527. Combater a Reforma e formar teólogos e padres
capazes de combater as novas adversidades do século XVI são alguns objetivos que
norteiam a aprovação papal das propostas de Sto. Inácio. Canisius e Acquaviva
são alguns dos grandes nomes jesuítas desses tempos conturbados. A Companhia
consegue também delinear uma espiritualidade própria, com a contemplação no
mesmo plano que a meditação, a par do exame de consciência. Criam-se, ao mesmo
tempo, por toda a Europa e Índia, estabelecimentos pedagógicos da Ordem,
gratuitos no início, direcionados quer para a formação do clero quer para a
educação e apostolado dos jovens. Em 1600, contavam-se já 245 colégios; 444 em
1626.
A tarefa missionária dos Jesuítas é deveras
importante, tal como o combate à Reforma Protestante e a reforma e instrução do
clero. Várias missões são empreendidas pela Companhia em toda a América,
especialmente nas colónias espanholas, no Brasil, e no Canadá francês (onde
sucede o martírio de S. João Brébeuf em 1649). Na América Latina, face à
brutalidade dos colonos sobre os Índios e à constante mobilidade das populações,
os Jesuítas concebem as chamadasreduções, áreas onde os nativos eram agrupados sem qualquer
sujeição à apropriação por parte dos colonos. Os Jesuítas davam-lhes formação
religiosa e instalavam-nos em aldeias geridas por um sistema comunitário no qual
os Índios participavam. A maior delas, a República
dos Guaranis, fundada em 1609 no Paraguai,
durou 150 anos até ser destruída pelos colonos. Também na China os missionários
M. Ruggieri (1543-1607) e Matteo Ricci (1522-1560) enraizaram um Cristianismo
adaptado às tradições e cultura locais, experiência lúcida que contudo originou
algumas discussões na Companhia de Jesus, acerca, por exemplo, da cristianização
do culto chinês dos antepassados.
Também em Portugal, e nomeadamente na missionação, os
Jesuítas desempenharam um papel de relevo desde a sua instalação em Lisboa em
1540. Tendo sido Portugal a sua primeira província e um dos balões de ensaio
para a experiência apostólica da Companhia, rapidamente se radicaram e cresceram
entre nós os Jesuítas, quer no continente quer no ultramar. Em 1600 eram mais de
600, com uma universidade, colégios, hospitais, seminários e asilos por todo o
País, com os seus membros rodeando as mais altas figuras da Nação, sobre os
quais exerciam enorme influência. O seu projeto e métodos de educação e ensino
dominavam quase todo o ensino normal em Portugal. Combatiam também as heresias e
os cristãos-novos, aliando-se a princípio à Inquisição e ao clero secular.
Atingiram grande poderio e riqueza.
Na Índia e no Brasil empreenderam um esforço de
missionação notável, assumindo-se como grandes difusores da cultura portuguesa e
da nossa língua, para além da obra apostólica e artística. S. Francisco Xavier,
José de Anchieta, Pe. António Vieira, Manuel da Nóbrega, para além de muitos
outros, missionários e exploradores, são algumas das figuras cimeiras dos
Jesuítas em Portugal.
O século XVII é marcado, na
história da Companhia, por tentativas de reforma tendentes sobretudo a suprimir
o carácter hierárquico da estrutura e o governo vitalício. Intrigas e cabalas
são tentadas, com o papa a resolver as contendas. Tudo isto demonstra a
vitalidade e o poder atingidos pela Ordem ao fim de um século de vida. Passada
esta fase agitada, a Ordem conhece um desenvolvimento e expansão
vigorosos.
Porém, o advento do Iluminismo, com as suas exigências
racionalistas e a implantação de uma noção de Estado, origina mudanças de fundo
na Companhia de Jesus. O seu sucesso e elevado número de colégios constitui, aos
olhos dos seus velhos inimigos, um grande obstáculo à difusão dos ideais
iluministas e das "luzes" da Razão. Simultaneamente, fortes tensões
desencadeiam-se no seio da Ordem, com a sua divisão em várias sensibilidades, o
que dificulta a sua defesa das ofensivas do exterior, a cair já num plano
político, com difamações e ataques violentos. A forte ligação dos Jesuítas ao
papa constitui um dos alvos preferenciais dos enciclopedistas e filósofos nos
ataques à Companhia.
Neste clima agressivo, a Companhia mantém a sua
atividade cultural e educacional, a par do apostolado. O grande monumento de
erudição hagiográfica - as Ata
Sanctorum - é publicado em 1643 por Jean
Bolland. Contudo, o século XVIII constitui o cenário de uma maior amplitude e
gravidade no conflito entre os Jesuítas e o mundo intelectual da época. Começam,
então, as expulsões da Companhia em vários países, cada vez mais influenciados
por governantes "esclarecidos" (homens das "Luzes"). A primeira de todas ocorre
em Portugal, em 1759, culminando uma perseguição por parte do Marquês de Pombal.
Luís XV, em França, em 1764, condena a Ordem como "contrária ao direito
natural". Em 1767, são expulsos de Espanha por Aranda, ministro de Carlos III. O
golpe final será dado pelo papa Clemente XIV, que suprime a Companhia, em 1773,
da Igreja Católica.
Porém, alguns conseguem refugiar-se na Rússia,
apoiados por Catarina II, mantendo viva a chama do projeto de Sto. Inácio de
Loyola. Daí se espalham novamente pelo mundo a partir de 1814, quando o papa Pio
VII restaura a Companhia. De 600 membros nessa data, o seu número nunca mais
para de crescer, tornando-a na maior Ordem religiosa católica (36 000 em 1974),
mau grado outras perseguições de que é alvo, como em França (1905), no México,
na Alemanha (nas Guerras Mundiais) e na Espanha (na Guerra Civil).
Em 1833 as missões são
reiniciadas, graças ao vigor do prepósito geral Roothaan, partindo da Europa
para as regiões missionárias tradicionais, adaptando-se, vigilantemente, às
condições locais. A América foi uma das regiões privilegiadas, uma vez mais,
como também a Índia e o Extremo Oriente, regiões donde provêm, atualmente,
muitos dos efetivos da Companhia, que conta atualmente cerca de 24 000 em mais
de 120 países.
Portugal é um desses países, o
mais antigo mesmo, pois foi entre nós que se fundou a primeira província (1546)
da Companhia e um dos seus primeiros colégios (Colégio de Sto. Antão, em
Lisboa), para além de um dos companheiros mais chegados de Sto. Inácio ser
português, o Pe. Simão Rodrigues. Aqui se escreveram também muitas das páginas
mais importantes da história dos Jesuítas, para além da contribuição, entre
outras, por eles dada para a arquitetura portuguesa (como noutros países do sul
da Europa), nomeadamente no que concerne ao denominado "estilo jesuítico",
expressão própria do barroco, que eles ajudaram a difundir. A Companhia foi
restaurada em Portugal no século XIX pelo Pe. Carlos J. Rademaker, no Colégio de
Campolide.
Fontes: Infopédia
wikipedia
(imagens)
Inácio de Loyola

Jesuítas na China