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quarta-feira, 21 de junho de 2017

21 de Junho de 1527: Morre o filósofo, escritor, político e historiador italiano Nicolau Maquiavel, autor da obra: "O Príncipe"

O filósofo, escritor, político e historiador italiano Niccoló Machiavelli – Nicolau Maquiavel – nasceu a 3 de Maio de 1469. Patriota durante a vida toda e acérrimo defensor de uma Itália unificada, Maquiavel tornou-se um dos pais da moderna teoria política. 
Maquiavel entrou para a política na sua terra natal, Florença, quando tinha 29 anos. Como secretário de Defesa, distinguiu-se ao executar políticas que acabaram por fortalecer Florença politicamente. Logo lhe foram designadas missões diplomáticas em nome do Principado florentino para se encontrar com personalidades centrais da época, como o rei Luis XII de França e talvez a mais importante para Maquiavel, o príncipe dos Estados Pontifícios, César Bórgia. O hábil e astucioso Bórgia inspirou mais tarde o personagem título do famoso tratado de Maquiavel O Príncipe  (1532). 
A vida política de Maquiavel sofreu um pesado baque após 1512, quando perdeu os favores da poderosa família Médici. Foi acusado de conspiração, preso, torturado e temporariamente exilado. Foi numa tentativa de reconquistar o importante posto político e as boas graças da família Médici que Maquiavel escreveu O Príncipe que se tornou a sua obra mais conhecida . 
Embora tenha sido lançado postumamente em formato de livro em 1532, a obra foi primeiramente publicada como um panfleto em 1513. Nele, Maquiavel traça a sua visão de um líder ideal: um amoral, tirano calculista, para quem os fins justificam os meios. 
O pensamento de Maquiavel tem uma importância ímpar nos estudos políticos pelo facto de estabelecer uma nítida separação entre a política e a ética, bem como por deixar de lado a antiga concepção de política herdada da Grécia antiga, que visava compreender a política como ela deve ser. Maquiavel preferia estudar os factos como eles são na realidade. Nesse sentido, a sua obra teórica constitui uma reviravolta da perspectiva clássica da filosofia política grega, pois o filósofo partiu "das condições nas quais se vive e não das condições segundo as quais se deve viver". A sua teoria desmascarou as pretensões morais e religiosas em matéria de política. 

O Príncipe não só fracassou em ganhar os favores da família Médici como o afastou do povo florentino. Maquiavel nunca mais foi bem recebido ao retornar à vida política. Morreu em 1527, amargurado e praticamente expulso da sociedade florentina à qual havia devotado a sua vida. 

Os conceitos de virtù e fortuna são empregues várias vezes por Maquiavel nas suas obras. Para ele, a virtùseria a capacidade de adaptação aos acontecimentos políticos que levaria à permanência no poder. A ideia de fortuna representa as coisas inevitáveis que acontecem aos seres humanos, para o bem ou para o mal. 

Embora Maquiavel tenha sido associado amplamente com  práticas diabólicos no reino da política consagradas em O Príncipe, as suas verdadeiras visões não eram tão extremadas. De facto, em textos mais longos e detalhados como Discursos sobre os dez primeiros livros de Livy (1517) e História de Florença (1525), ele mostra-se um político moralista baseado em princípios. Não obstante, mesmo nos dias de hoje, a expressão‘maquiavélico’ é utilizada para descrever uma acção empreendida para o próprio benefício sem olhar para o certo ou errado ou a que se caracteriza pela astúcia, duplicidade, má-fé e ardil. 

Maquiavel escreveu, no entanto, obras literárias e peças teatrais que pouco tinham a ver com o seu pensamento filosófico e político, embora revelassem uma inteligência brilhante e refinamento estilístico, como na peça "A Mandrágora" e no divertido conto "Belfegor" - que faz uma crítica ao consumismo da época. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Ficheiro:Portrait of Niccolò Machiavelli by Santi di Tito.jpg
Nicolau Maquiavel, pintura de Santi di Tito, no Palazzo Vecchio
File:Macchiavelli01.jpg
Estátua de Maquiavel na Galeria Uffizi, Florença

quarta-feira, 3 de maio de 2017

03 de Maio de 1469: Nasce o filósofo, escritor, político e historiador italiano Nicolau Maquiavel, autor da obra: "O Príncipe"

O filósofo, escritor, político e historiador italiano Niccoló Machiavelli – Nicolau Maquiavel – nasceu a 3 de Maio de 1469. Patriota durante a vida toda e acérrimo defensor de uma Itália unificada, Maquiavel tornou-se um dos pais da moderna teoria política. 
Maquiavel entrou para a política na sua terra natal, Florença, quando tinha 29 anos. Como secretário de Defesa, distinguiu-se ao executar políticas que acabaram por fortalecer Florença politicamente. Logo lhe foram designadas missões diplomáticas em nome do Principado florentino para se encontrar com personalidades centrais da época, como o rei Luis XII de França e talvez a mais importante para Maquiavel, o príncipe dos Estados Pontifícios, César Bórgia. O hábil e astucioso Bórgia inspirou mais tarde o personagem título do famoso tratado de Maquiavel O Príncipe  (1532). 
A vida política de Maquiavel sofreu um pesado baque após 1512, quando perdeu os favores da poderosa família Médici. Foi acusado de conspiração, preso, torturado e temporariamente exilado. Foi numa tentativa de reconquistar o importante posto político e as boas graças da família Médici que Maquiavel escreveu O Príncipe que se tornou a sua obra mais conhecida . 
Embora tenha sido lançado postumamente em formato de livro em 1532, a obra foi primeiramente publicada como um panfleto em 1513. Nele, Maquiavel traça a sua visão de um líder ideal: um amoral, tirano calculista, para quem os fins justificam os meios. 
O pensamento de Maquiavel tem uma importância ímpar nos estudos políticos pelo facto de estabelecer uma nítida separação entre a política e a ética, bem como por deixar de lado a antiga concepção de política herdada da Grécia antiga, que visava compreender a política como ela deve ser. Maquiavel preferia estudar os factos como eles são na realidade. Nesse sentido, a sua obra teórica constitui uma reviravolta da perspectiva clássica da filosofia política grega, pois o filósofo partiu "das condições nas quais se vive e não das condições segundo as quais se deve viver". A sua teoria desmascarou as pretensões morais e religiosas em matéria de política. 

O Príncipe não só fracassou em ganhar os favores da família Médici como o afastou do povo florentino. Maquiavel nunca mais foi bem recebido ao retornar à vida política. Morreu em 1527, amargurado e praticamente expulso da sociedade florentina à qual havia devotado a sua vida. 

Os conceitos de virtù e fortuna são empregues várias vezes por Maquiavel nas suas obras. Para ele, a virtùseria a capacidade de adaptação aos acontecimentos políticos que levaria à permanência no poder. A ideia de fortuna representa as coisas inevitáveis que acontecem aos seres humanos, para o bem ou para o mal. 

Embora Maquiavel tenha sido associado amplamente com  práticas diabólicos no reino da política consagradas em O Príncipe, as suas verdadeiras visões não eram tão extremadas. De facto, em textos mais longos e detalhados como Discursos sobre os dez primeiros livros de Livy (1517) e História de Florença (1525), ele mostra-se um político moralista baseado em princípios. Não obstante, mesmo nos dias de hoje, a expressão‘maquiavélico’ é utilizada para descrever uma acção empreendida para o próprio benefício sem olhar para o certo ou errado ou a que se caracteriza pela astúcia, duplicidade, má-fé e ardil. 

Maquiavel escreveu, no entanto, obras literárias e peças teatrais que pouco tinham a ver com o seu pensamento filosófico e político, embora revelassem uma inteligência brilhante e refinamento estilístico, como na peça "A Mandrágora" e no divertido conto "Belfegor" - que faz uma crítica ao consumismo da época. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Ficheiro:Portrait of Niccolò Machiavelli by Santi di Tito.jpg
Nicolau Maquiavel, pintura de Santi di Tito, no Palazzo Vecchio
File:Macchiavelli01.jpg
Estátua de Maquiavel na Galeria Uffizi, Florença

quarta-feira, 26 de abril de 2017

26 de Abril de 1478: A família Médicis é vítima de um atentado, a chamada Conspiração dos Pazzi

No dia 26 de Abril de 1478, um Domingo, um conflito eclode em Florença, durante a missa da catedral da cidade, o Duomo. O atentado acarretaria a morte de Juliano de Médicis e abriria espaço para a ascensão do seu irmão à frente da rica república mercantil.
Esse foi o começo de uma saga familiar inigualável. A vítima de 25 anos governava, de facto, a República de Florença ao lado de seu irmão, Lourenço, de 29 anos. Tanto um quanto o outro portavam o título de principe dello stato (príncipe de Estado). A autoridade dos Médicis sobre a cidade remontava a Cosimo de Médicis, avô dos dois, e ao pai, Pedro de Cosme. Ambos exigiam que as suas magistraturas fossem conservadas, mas  organizavam-se para que fossem confiadas a pessoas leais.
Por meio de generosidades, os Médicis tratavam de conservar o apoio do povo. Porém só dispunham de uma autoridade informal sobre as instituições da República e ela era contestada. Uma desavença entre o papa e os Médicis abriria a oportunidade para os opositores se manifestarem.
O papa Sisto IV era um mecenas a quem Roma devia a ponte Sisto e a capela que leva o seu nome, a Sistina. Praticava também o nepotismo em grande escala em favor dos seus bastardos e dos seus sobrinhos. Desejoso de oferecer a ‘Signoria’ de Imola ao seu sobrinho, Girolamo Riario, dirige um pedido de empréstimo aos Médicis. Lourenço, que tinha igualmente intenções sobre Imola, recusa o auxílio.
Inconformado, Girolamo dirige-se aos seus rivais, os Pazzi, uma outra grande família de banqueiros florentinos. Os Pazzi estavam muito descontentes por terem sido privados pelos Médici de certos cargos “apetitosos”. O seu chefe, Francesco Pazzi, aproveita a ocasião para ajustar contas com os Médicis. Organiza a conspiração do ‘Duomo’ com apoio de Girolamo Riario e do arcebispo de Pisa, Francesco Salviati, cuja nomeação Lourenço de Médicis havia rejeitado.
Juliano morre no atentado, mas Lourenço fica apenas ferido. Escapou da morte refugiando-se na sacristia com alguns fiéis e conseguiu escapar. À época, os partidários dos Pazzi tentavam sublevar o povo de Florença aos gritos de ‘Popolo e libertà’ (Povo e Liberdade). Contudo, o povo permaneceu fiel aos Médici e Lourenço retoma o comando da situação em seu proveito.
Os conspiradores são massacrados sem indulgência. Jacopo e Francesco Pazzi, assim como o arcebispo Francesco Salviati, são enforcados e dependurados nas janelas do Palácio de la Signoria. Em virtude da morte do arcebispo de Pisa, o papa proclama o ‘interdito’ de Florença. Excomunga todos os seus habitantes. De resto, entra em guerra contra a República de Florença com o apoio de Nápoles e Veneza.
Lourenço de Médicis, devido à sua habilidade política e estratégia militar, derrota a aliança. Ao cabo de uma guerra de dois anos entre as facções rivais e de uma repressão impiedosa, a sua autoridade surge mais incontestável que nunca.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

 Arquivo: Giuliano de 'Medici por Sandro Botticelli.jpeg
Retrato de Juliano de Médici- Sandro Botticelli
Ficheiro:Lorenzo de' Medici-ritratto.jpg
Retrato de Lourenço de Médici - Girolamo Macchietti

terça-feira, 18 de abril de 2017

18 de Abril de 1506: É colocada a primeira pedra da Basílica de São Pedro em Roma

Basílica de São Pedro é uma grande basílica na Cidade do Vaticano, em Roma. Cobre uma área de 23000 m² e pode albergar mais de 60 mil pessoas. A construção começou em 1506 e terminou em 1626 sendo parcialmente erguida com dinheiro angariado pela venda de indulgências decretada pelo Papa Leão X. O edifício actual, com estrutura renascentista e barroca, foi erguido sobre outro edifício levantado por ordem do imperador Constantino em 319 sobre o túmulo do apóstolo São Pedro, como memorial. A escolha do sítio e a inclusão do túmulo não só exigiu que o edifício fosse orientado para oeste, mas também que a necrópole antiga fosse alterada, sendo construídas muralhas de suporte para criar uma enorme base que servisse como alicerce. Na plataforma, construiu-se então a basílica, com nave central e quatro naves laterais, ricamente adornada com frescos e mosaicos e um grande átrio dianteiro, com colunas. Muitas vezes alterado e restaurado, o edifício de Constantino, conhecido como velha igreja de São Pedro, sobreviveu até o início do século XVI. No pontificado de Júlio II decidiu-se derrubar a igreja velha e a 18 de Abril de 1506, Bramante recebeu o encargo de desenhar a nova. Os seus planos eram de um edifício centralmente planificado, com uma cúpula colocada sobre o centro de uma cruz grega (com braços de idêntico tamanho), forma que correspondia aos ideais da Renascença por copiar a de um mausoléu da antiguidade.
Um século mais tarde o edifício ainda não estava terminado. A Bramante sucederam, como arquitectos, Rafael, Fra Giocondo, Giuliano da Sangallo, Baldassare Peruzzi, Antonio da Sangallo. O Papa Paulo III  em 1546 entregou a direcção dos trabalhos a Miguel Ângelo. Este, aos 72 anos, deixou-se fascinar pela cúpula, concentrando nela os seus esforços, mas não conseguiu completá-la antes da sua morte em 1564. Graças aos seus planos e a um modelo em madeira, o seu sucessor Giacomo della Porta foi capaz de terminá-la com ligeiras modificações, apenas. O modelo segue o da famosa cúpula que Brunelleschi ergueu na catedral de Florença e cria impressão de grande imponência. A diferença é que, ao contrário do que Miguel Ângelo planeou, não se trata de uma cúpula semicircular mas afunilada, criando um movimento de impulso para cima até culminar na lanterna cujas janelas, inseridas em fendas entre duas colunas, deixam a luz inundar o interior. Terminada em 1590, ainda é uma das maravilhas da arquitectura ocidental. Vignola, Pirro Ligorio, Giacomo della Porta continuaram os trabalhos na basílica. Mudanças na liturgia, introduzidas pelo Concílio de Trento, tornaram necessárias outras mudanças sob o pontificado do Papa Paulo V (1605 a 1621), que encarregou Carlo Maderno de alargar para  leste o edifício, aumentando a nave e criando assim uma cruz latina. Completou também em 1614 a famosa fachada. O Papa Urbano VIII dedicou a nova igreja em 18 de Novembro de 1626, precisamente 1.300 anos depois da data em que a primeira basílica fora dedicada. Em 1629, Gian Lorenzo Bernini, então o arquitecto principal, começou a construir as torres sineiras na fachada, que ruiram por deficiências estruturais. Trinta anos mais tarde Bernini redesenharia a Praça de São Pedro, alterando alguns aspectos projectados por Miguel Ângelo e, sobretudo, unificando todos os edifícios num conjunto harmonioso.
Fontes:
Basílica de S. Pedro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia

Ficheiro:Giovanni Paolo Panini - Interior of St. Peter's, Rome.jpg
Pintura do interior da Basílica (1731) - Giovanni Paolo Panini



Ficheiro:Pope Julius II.jpg
Papa Júlio II - RafaelFicheiro:SaintPierre.svg
A planta de Bramante

Ficheiro:L-Kuppel-Petersdom.png
Corte esquemático e planta actual

Vista da Basílica de São Pedro

quarta-feira, 1 de março de 2017

01 de Março de 1445: Nasce o pintor renascentista Sandro Botticelli, autor de "A Primavera" e "O Nascimento de Vénus"

No dia 1 de Março de 1445  nasceu em Florença o primeiro pintor humanista, Alessandro Filipepi, na família de um curtidor de couro. Como um dos seus irmãos, rechonchudo, havia sido apelidado de "botticelli", que significa em italiano "pequeno tonel", o epíteto substitui o sobrenome de família, passando a identificar o futuro pintor.

Sandro Botticelli fez o seu aprendizado no atelier de um grande pintor florentino do Quattrocento (o século XV italiano), Filippo Lippi (1406-1469). Como todos os artistas da Renascença, Lippi, tal qual um chefe de cozinha moderno, dirigia uma equipa de ajudantes e aprendizes, cada um especializado em um detalhe, nas roupas, nos filamentos de ouro, etc.

Com a colaboração da sua equipa, o mestre atendia aos pedidos da burguesia e produzia pequenos quadros em quantidade. Nessa ocasião é também muito solicitado por abades, bispos e príncipes para levar a cabo obras mais ambiciosas.

Botticelli passa para o atelier de Verrochio embora frequentando o atelier de Leonardo da Vinci, um rival. Em 1470, abre o seu próprio atelier. O seu talento vale ao jovem artista a possibilidade de frequentar as mais influentes famílias da cidade, entre as quais os Vespucci, um deles, Amerigo (ou Américo Vespúcio, o navegador), que viria a emprestar o seu nome a um continente, e sobre tudo os Médicis. O poderoso Lourenço, o Magnífico, concorda em dar-lhe protecção. O pintor, de resto, frequenta os grandes espíritos do humanismo da época, como Pico de la Mirandola e Marsílio Ficino, tradutor de Platão.
 
Os seus amigos iniciam-no na filosofia neoplatónica que via o mundo sensorial como reflexo do mundo das ideias. Essa filosofia vê-se reflectida nas suas célebres alegorias inspiradas na Antiguidade pagã.

A sua obra-prima "A Primavera", destinada a uma ‘villa’ dos Médicis, expõe toda a graça e o optimismo da Renascença italiana, com um toque de inquietação da ninfa da direita, quase agarrada pela divindade Zéfiro. Trata-se possivelmente da primeira pintura europeia que colhe inspiração na Antiguidade pagã.

Em 1481, o papa Sisto IV encomenda a Botticelli alguns frescos de temas religiosos para a capela à qual emprestaria o seu nome: a Capela Sistina. Pode-se admirar esses painéis ao lado dos monumentais frescos de Miguel Ângelo.

Após a sua viagem a Roma, que não lhe trouxe qualquer recompensa financeira, o artista empreende “O Nascimento de Vénus”. Esta nova alegoria neoplatónica ilustraria, segundo certos comentadores, os quatro elementos – terra, água, ar e fogo – e o Amor que sela a sua harmonia.

Depois da morte de Lourenço, seu protector, em 1492, o pintor sofre como muitos dos seus concidadãos florentinos a influência do pregador Jerónimo Savonarola.

O optimismo próprio do humanismo é atacado, à época, violenta e sistematicamente pelo fundamentalismo religioso. A pintura de Botticelli torna-se mais austera. Todavia, não se pode deixar à margem das suas 
célebres alegorias alguns retratos comoventes de realismo e as pinturas de madonas maternais e recatadas.
Fontes: Opera Mundi
Estórias da História
wikipedia (Imagens)
 
 Provável auto retrato de Sandro Botticelli

O Nascimento de Vénus  (análise da obra) - Sandro Botticelli

A Primavera  (análise da obra) - Sandro Botticelli


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

21 de Fevereiro de 1513: Morre o papa Júlio II, " O Terrível", destacado mecenas renascentista

Nascido Giuliano Della Rovere, morre em 21 de Fevereiro de 1513 o papa Júlio II, pouco após a abertura do Concílio de Latrão V, convocado por ele. Durante o seu período como chefe da Igreja Católica, o papa apelidado de "O Terrível" empenhou-se em anexar territórios pontificais, contratou artistas de renome, como Miguel Ângelo e Rafael, e até criou a sua própria moeda.
Graças ao apoio do seu tio Francesco della Rovere, papa em 1471 sob o nome de Sisto IV e quem confiou a Miguel Ângelo a incumbência de decorar a magnífica capela que levou seu nome — Capela Sistina — , Giuliano Della Rovere começou a sua caminhada para a trono de São Pedro: foi nomeado cardeal em 15 de Dezembro de 1471 aos 28 anos e bispo de Avinhão em 1474. Tendo constituído um imenso património, usa-o para criar uma influente rede. Diplomata hábil, estabelece vínculos com o rei da França Luís XI assim como com o imperador Maximiliano I, tendo em vista alcançar a tiara pontifical.
Não rejeita os prazeres profanos como o atesta o nascimento de diversos bastardos. Todavia, muito pouco atraído pelo luxo, denuncia o nepotismo de Alexandre IV Borgia, o que o obrigou a esperar a morte dele para voltar a Roma e preparar a sua eleição. E ela ocorre em 1 de Novembro de 1503, após o breve pontificado de Pio III, papa por apenas 25 dias.
O novo papa já tinha, à época, 60 anos. Notadamente mais apaixonado pelos combates do que pelas belas palavras; mais à vontade numa armadura do que sob a mitra; homem de acção, combatente até à alma, Giuliano iria  comportar-se como soberano temporal. A escolha do nome Júlio, que remete a Júlio César, era em si todo um programa.
Preocupado em consolidar os Estados Pontifícios, reanexa, à frente do seu exército, a partir de 1504, a Romagna e outras possessões de César Borgia.  As suas excursões  valem a admiração de Maquiavel e o apelido de "O Terrível".
Não tardou, porém, a  ferir-se em Veneza. A ‘Sereníssima República’ pretendia estender as suas possessões de Terra Firma e conquistar a Emilia-Romagna. Em 10 de Dezembro de 1508, o papa Júlio II constitui contra ela a Liga de Cambrai, com o rei da França Luís XII, o imperador da Alemanha Maximiliano I, Fernando o Católico da Espanha e a Saboia.

Num dado momento, o papa volta-se contra os seus aliados e faz a paz em separado com a ‘Sereníssima’, tentando expulsar da Itália os "Bárbaros do Norte" — os franceses. Num acto de protesto, resolve deixar a barba crescer, jurando jamais cortá-la até que a Itália seja libertada.
Júlio II, muito pouco interessado nos dogmas e na reforma da Igreja, vale-se das riquezas da Santa Sé em benefício dos humanistas e dos artistas, pondo em prática os conselhos do seu contemporâneo Maquiavel: "Todo o bom príncipe deve mostrar-se amante das virtudes, oferecendo hospitalidade aos homens virtuosos e homenageando aqueles que se excedem numa determinada arte".
Faz importantes encomendas aos principais génios do seu tempo: Migule Ângelo, Rafael ou ainda Bramante. Abre novas artérias em Roma, entre as quais a Via Giulia. Empreende também em 1506 a construção da Basílica de São Pedro, um canteiro de obras de mais de 20 anos, sob a condução de Bramante.
A Miguel Ângelo confia, além da decoração da Capela Sistina, a realização do seu próprio túmulo na igreja de São Pedro em Vincolo. Esse túmulo permaneceria inacabado, reduzido a uma escultura monumental de Moisés. A Rafael confia a decoração dos seus apartamentos.
Essas obras, bem como o mecenato, além das despesas militares, acabaram por engolir as receitas da Santa Sé. Para remediar a situação, Júlio II multiplica a venda de benefícios eclesiásticos, as isenções e as indulgências — uma redução do tempo no purgatório prometido aos generosos fiéis após sua morte.
Quanto às empresas financeiras, ele vale-se dos prudentes conselhos de seu fiel banqueiro Agostino Chigi, que o leva até a criar a sua própria moeda, o giulio.
Estas medidas, continuadas pelo seu sucessor Leão X (João de Médicis) iriam escandalizar os fiéis, notadamente na Alemanha, e contribuir para a reforma luterana.
O papa sempre evitou aparecer com os seus filhos para escapar às maledicências que acompanharam o seu predecessor Alexandre VI. No entanto, preocupado em consolidar as suas ligações, casa sua filha Felice Della Rovere, nascida em 1483 da sua relação com uma jovem aristocrata romana, com o filho de uma grande família romana, Giordano Orsini.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)




 
Papa Júlio II - Rafael
Juliano ainda cardeal (esquerda) com o seu tio, o Papa Sisto IV


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

28 de Novembro de 1680: Morre o Arquitecto e Escultor Gian Lorenzo Bernini

Arquitecto e escultor italiano, Giovanni Lorenzo Bernini nasceu em 1598, em Nápoles, e morreu em 1680, em Roma.Formado pelo seu pai Pietro Bernini, um talentoso escultor renascentista de Florença, estudou a obra de Michelangelo Buonarroti, do qual as suas primeiras obras escultóricas denotam a influência.O seu virtuosismo como escultor cedo atraiu atenção dos grandes mecenas da época, entre eles o Papa Paulo V e o Cardeal Maffeo Barberini, futuro Papa Urbano VIII, que seria fundamental para a sua carreira e para quem esculpiu a estátua "S. Sebastião"(1617). Nesta primeira fase, produz a série de esculturas Plutão e Proserpina, Apolo e Dafnee a sua versão de David.Com a ascenção do Papa Urbano VIII, torna-se seu protegido e é compelido a dedicar-se a trabalhos de arquitetura. Chega a colaborar com Borromini, que mais tarde viria a tornar-se o seu grande rival.A sua primeira encomenda foi um baldaquino, uma estrutura simbólica em bronze sobre o túmulo de S. Pedro, fundindo a arquitetura com a escultura, e que foi considerado o primeiro grande monumento barroco.
A partir de 1629, começa a trabalhar na Catedral de S. Pedro no Vaticano e no Palácio Barberini recebe várias encomendas para igrejas e fontes. Sendo um fervoroso católico, Bernini adere aos princípios da Contra reforma consignados no Concílio de Trento (1545-63): arte religiosa ao serviço da promoção da e da igreja católica. Bernini produz a Capela de Cornaro (1645-52), a Fonte "Barcaccia" na Praça de Espanha (1627-29), a famosa fonte da Praça Navona (1648-51) e a Igreja SantÁndrea al Quirinal (1658-70), todos em Roma.
No entanto, a sua realização mais famosa foi o projecto da praça diante da catedral de São Pedro para acolhimento dos fiéis durante a benção pascal. Bernini concebe uma colunata monumental que contorna a praça em forma elipsoidal simbolizando os braços da igreja que acolhem os seus fiéis.
Na última fase da sua vida foi convidado pelo rei francês Luís XIV para a construção do novo palácio real em Paris, onde foi acolhido com honrarias principescas, mas que não viria a ser concretizado.

Giovanni Bernini. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 

Wikipedia (Imagens)
Ficheiro:Gian lorenzo bernini selfportrait.jpg


Auto - Retrato de BerniniFile:Rome basilica st peter 002.JPG
Colunata da Praça de São Pedro - Bernini

Êxtase de Santa Teresa - Bernini

domingo, 13 de novembro de 2016

13 de Novembro de 1868: Morre o compositor italiano Gioacchino Rossini, autor de "O Barbeiro de Sevilha" e "Guilherme Tell".

Compositor italiano, nasceu a 29 de fevereiro de 1792, em Pesaro, nos Estados Papais (atualmente, parte integrante da Itália), e morreu a 13 de novembro de 1868, em Passy, perto de Paris. Ficou notabilizado pelas suas óperas, particularmente as cómicas. Desde criança que se revelou um excelente improvisador.
Muito popular no seu tempo, que criou 39 óperas, assim como diversos trabalhos para música sacra e música de câmara. Entre os seus trabalhos mais conhecidos estão Il barbiere di Siviglia ("O Barbeiro de Sevilha"), La Cenerentola ("A Cinderela") e Guillaume Tell ("Guilherme Tell").
Estudou canto e harmonia em Bolonha e, em 1810, a sua primeira ópera, Cambiale di Matrimonio, foi representada em Veneza. No ano seguinte, conquistou toda a Itália com a farsa L'Equivoco Estravagante. Rossini quebrou a forma tradicional de compor ópera, através do embelezamento das melodias, dos finais alegres e dos ritmos invulgares. Dentro desse estilo, destacaram-se algumas óperas cómicas: O Barbeiro de Sevilha (The Barber of Seville -1816), Cinderela (1817) e Semiramide (1823).
Rossini foi um renovador da ópera, em todos os seus aspetos, mesmo nas óperas dramáticas, como Guilherme Tell (William Tell -1829). Stendhal resumiu o seu génio musical: "raro, sublime, mas nunca enfadonho".

Gioacchino Rossini. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (imagens)

Gioacchino Rossini, circa 1817 (por Vincenzo Camuccini)


Retrato póstumo de Gioacchino Rossini (Francesco Hayez 1870)



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

02 de Novembro de 1906: Nasce o cineasta italiano Luchino Visconti, realizador de "O Leopardo".

Realizador italiano, Luchino Visconti nasceu a 2 de novembro de 1906, em Milão, no seio duma família de aristocratas e morreu a 17 de março de 1976, em Roma. Teve uma educação eclética, tendo estudado violoncelo no Conservatório de Milão. Após uma curta carreira militar, decidiu tornar-se cenógrafo e encenador, tendo sido o primeiro a encenar peças de Jean Cocteau em Itália. Jean Renoir convida-o para seu assistente de realização, tendo efetuado uma sólida aprendizagem. Em 1943, decide aventurar-se como realizador, adaptando um romance de James M. Cain: Ossessione (Obsessão, 1943), o primeiro título neorrealista do cinema italiano com uma visão crítica da realidade social através da história duma relação adúltera entre uma jovem esposa de um proprietário de uma estalagem e um jovem vagabundo que planeiam o assassinato do estalajadeiro. O filme foi mal recebido pelo público, não habituado a esta nova visão cinematográfica. Seguiu-se uma ficção rodada em jeito de documentário com uma equipa de atores amadores: La Terra Trema (1948), sobre uma comunidade piscatória do Sul de Itália. Visconti rodeou-se duma equipa de assistentes extremamente jovem, da qual se destacam Franco Zeffirelli e Francesco Rosi que mais tarde seguiriam carreira na realização. Após o sucesso de Bellissima (Belíssima, 1951) onde Anna Magnani deu um show interpretativo como mãe dominadora que tenta empurrar a sua filha para uma carreira artística, Visconti assinou um dos títulos mais emblemáticos da sua carreira: Senso (Sentimento, 1954). Este título, protagonizado por Alida Valli e Farley Granger, é uma brilhante história de amor e de adultério entre uma condessa casada e um tenente do exército que se aproveita do seu amor para lhe extorquir dinheiro para se livrar do serviço militar. O drama psicológico La Notti Bianche (Noites Brancas, 1957) passaria quase despercebido apesar de contar no seu elenco com nomes como Marcello Mastroianni, Jean Marais e Maria Schell. Rocco e i Suoi Fratelli (Rocco e os Seus Irmãos, 1960) foi premiado em diversos certames italianos e foi um relato pleno de emotividade sobre uma família rural que parte para Milão e procura a sua adaptação. É também uma história de amor entre dois irmãos (desempenhados por Alain Delon e por Renato Salvatori) por uma prostituta (Anne Girardot). O filme mereceu a censura em diversos países europeus (inclusive Portugal), o que dificultou a sua distribuição internacional. Depois de ter colaborado no filme por segmentos Boccaccio'70 (1962), assinou a sua obra-prima: Il Gattopardo (O Leopardo, 1963), o retrato da decadência duma família aristocrática napolitana em finais do século XIX, protagonizada por Burt Lancaster, Alain Delon e Claudia Cardinale. O êxito retumbante deste título impeliu-o a colocar em prática um projeto de cariz pessoal: a adaptação da tragédia grega Electra. O resultado foi algo dececionante em termos comerciais: Vaghe Stelle Dell'Orsa (1965) não conseguiu convencer o público. Seguiram-se Lo Straniero (1967) e La Caduta Degli Dei (Os Malditos, 1969), uma adaptação do MacBeth de Shakespeare transposto para o ambiente da Alemanha nazi de 1933. Outra obra polémica foi Morte a Venezia (Morte em Veneza, 1972), adaptado da obra homónima de Thomas Mann sobre a obsessão dum homem de meia-idade pela beleza de um jovem rapaz. Até à morte, Visconti ainda assinou obras emblemáticas como Ludwig (1972) e L'Innocente (Os Inocentes, 1976).
Luchino Visconti. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia (Imagens)



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Luchino Visconti 

O Leopardo
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