Pintor alemão nascido a 8 de Dezembro de 1922,
em Berlim. O seu pai, Ernst, era o filho mais novo de Sigmund Freud. No ambiente
de uma família judaica não praticante, rodeado pelo conforto burguês, Freud
viveu uma infância calma livre para dar azo à sua imaginação. Passou a viver em
Inglaterra desde 1933, quando a família fugiu à ascensão nazi, e naturalizou-se
inglês em 1939. De 1938 a 1943 frequentou a Central School of Art, o Goldsmith's
College, Londres e a East Anglian School of Painting and Drawing, Dedham,
dirigida por Cedric Morris.
Alistou-se na Marinha Mercante durante a
Segunda Guerra Mundial, mas foi ferido em 1942, dedicando-se a partir daí
exclusivamente à pintura. Passou um ano a viajar pela França (Paris) e Grécia,
mas a maior parte da sua vida e da sua carreira foi passada em Paddington,
Londres, área cujas características sombrias se reflectem em algumas das suas
obras que representam interiores e paisagens urbanas. Durante os anos quarenta o
seu interesse principal foi o desenho, especialmente a face, usando,
ocasionalmente, um estilo deformado reminiscente de George Grosz.
Terminada a guerra e com os perturbantes anos
da adolescência para trás, Freud iniciou uma busca pelo retrato ilusório
retratando incessantemente a sua primeira mulher Kitty. Após o divórcio,
continuou a mesma procura, pintando repetidamente a sua segunda mulher,
Caroline, assim como vários amigos pintores. Os resultados eram sempre
desconcertantes sugerindo a crise existencial que conduziu a obra de Freud
durante este período. Exemplo disso é a obra intitulada Interior,
Paddington (1951), que ganhou um prémio na Inglaterra.
Em 1956, chegou à conclusão que os seus
retratos solitários necessitavam ser livres, começando, então, a explorar as
técnicas expressionistas do chiaroscuro que irá iluminar as suas figuras
de novas perspectivas. No entanto, a sua procura da figura livre só será
plenamente conseguida na altura em que Freud começou a explorar o retrato do nu
feminino, em 1966. O nu feminino permanece a forma mais poderosa e subversiva do
seu trabalho e na qual Freud exerceu toda a sua criatividade. Sendo o sujeito,
amigo, amante, parente ou um dos seus três filhos, Freud parece celebrar o corpo
nu como um todo, coberto de vida e luz apenas descoberto na honestidade da carne
feminina.
Em 1977, Freud começou a dedicar-se ao nu
masculino. Apesar das figuras vestidas ainda dominarem a maior parte do seu
trabalho, Freud desenvolveu grande interesse pela forma masculina realista. A
obra Man with Rat (1977) iniciou uma rigorosa investigação dos melhores
meios de comunicar a realidade. Em vez de pintar o homem sem idade e congelado,
Freud opta por representá-lo parado num dado momento, em quieto repouso. Esta
captura do homem realista sugere uma necessidade para o observador de
testemunhar a pessoa trabalhadora contemporânea, moderna, no seu próprio espaço,
reclinado numa cama, ou num dos muitos sofás de Freud. O melhor amigo do homem,
o cão, também aparece muitas vezes representado na mesma posição, acompanhando o
sujeito. Não se pode falar sobre a pintura de Freud do nu masculino sem
mencionar um dos seus sujeitos preferidos, o artista de performance Leigh
Bowery. Os dois conheceram-se numa galeria londrina em 1990 e pouco tempo depois
começou a pintá-lo. Bowery posou para Freud dezenas de vezes durante quase
quatro anos, altura em que este morreu.
Lucian Freud realizou inúmeras exposições
retrospetivas da sua obra em todo o Mundo. Assim como o seu patronímico é citado
em quase todos os ensaios sobre crítica cultural.
Lucian Freud faleceu no dia 20 de Julho de
2011.
Lucian
Freud. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora,
2003-2011.
http://www.telegraph.co.uk/
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