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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Palácio de Versalhes

  
O Palácio de Versalhes é um castelo real localizado na cidade de Versalhes, subúrbio de Paris. Desde 1682 até 1789, ano em que teve início a Revolução Francesa, foi o centro do poder do Antigo Regime em França. A sua localização deve-se à procura de um local afastado dos grandes centros, devido ao grande tumulto de gente e doenças nas grandes cidades, nomeadamente Paris. Mandado construir pelo rei Luís XIV, que resolveu ampliar o pavilhão de caça de Luís XIII , a partir de 1664, veio mais tarde a tornar-se, em 1682, a residência oficial do monarca e também o símbolo da monarquia absoluta, sustentada pelo rei. Considerado o maior palácio da época, o Palácio de Versalhes possui uma ampla extensão que ocupa mais de 100 hectares, possuindo 700 quartos, 352 chaminés, 1250 lareiras, 67 escadas, 2153 janelas e um parque de 700 hectares. Pela sua opulência e grandiosidade, tornou-se o mais luxuoso de toda a Europa, tendo sido, por inúmeras vezes, copiado. Foi projectado pelo arquitecto francês Louis Le Vau, sendo concluído por Jules Hardouin-Mansart, após a morte do primeiro. 
O Palácio de Versalhes era bastante conhecido pela sua ostentação e riqueza. Alguns historiadores lançaram relatórios que estimavam o custo para a manutenção do palácio. Segundo esses relatórios, a manutenção do palácio consumia somas exorbitantes, 25% do rendimento do governo francês. Porém outros estudiosos discordam desses relatórios, afirmando que esse número seria inflacionado, a fim de aumentar as extravagâncias da família real. A hipótese mais provável é que os custos não ultrapassassem os 6%, tendo uma média geral de cerca de 3,5%.
Era o local perfeito para se viver luxuosa e ricamente, onde um exército de empregados servia aristocratas, clérigos, o rei e a sua família.
Quando procuramos compreender o edifício no seu conjunto, verificamos que os seus múltiplos espaços têm capacidade para alojar uma infinidade de pessoas. Com toda a certeza, seriam milhares de pessoas a residir em Versalhes, um relatório de 1744, refere um número de dez mil pessoas, incluindo empregados. Nele caberia a população de uma cidade, de acordo com a obra A Sociedade de Corte:
“ A população inteira de uma cidade caberia entre as suas paredes. Todavia, estes milhares de pessoas não o ocupam como se ocupa uma cidade. As unidades sociais que aí residiam não são famílias cujas necessidades e limites modelam unidades espaciais separadas umas das outras. Este conjunto de edifícios é, em primeiro lugar, a casa do rei e a residência, pelo menos esporádica da sociedade de corte tomada no seu todo. Uma parte desta sociedade dispunha de um apartamento permanente na casa do rei. Luís XIV gostava que os seus nobres vivessem sob o seu tecto, gostava que lhe pedissem alojamento em Versalhes." 
Um dos espaços principais do Palácio é a Galeria dos Espelhos da responsabilidade de Jules Hardouin-Mansart,: trata-se de uma sala conhecida internacionalmente pela assinatura do Tratado de Versalhes, após o fim da Primeira Guerra Mundial. Consiste num grande espaço envolto por espelhos na sua estrutura tendo o tecto em formato de um arco revestido de dezassete espelhos que reflectem a vista das imensas janelas que o compõem. No século XVII, os espelhos eram um dos mais dispendiosos elementos que se podia possuir e na época, a República de Veneza controlava o monopólio e a manufactura dos mesmos. Com o objectivo de  manter a integridade da sua filosofia de mercantilismo, a qual requeria que todos os elementos usados na construção de Versalhes fossem feitos na França, Jean-Baptiste Colbert atraiu vários trabalhadores de Veneza para fazer espelhos na Fábrica Gobelins para uso em Versalhes.
Em 1837 o castelo foi transformado em museu.  O palácio está cercado por uma grande área de jardins, uma série de plataformas simétricas com canteiros, estátuas, vasos e fontes trabalhados, projectados por André Le Nôtre.
 Visita Virtual ao Palácio AQUI

Fontes:A Sociedade de Corte,Norbert Elias
wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Versalhes - Fachada.jpg

Palácio de Versalhes, Fachada

Ficheiro:Palace of Versailles.gif
O Palácio em 1668
Ficheiro:Schloss-Versailles.jpg
Versalhes em 1772
                                                                      Ficheiro:Chateau Versailles Galerie des Glaces.jpg
Galeria dos Espelhos
Ficheiro:Versailles -Bosquet.jpg
O convívio da nobreza nos jardins de Versalhes



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Igreja de Santa Sofia, Istambul


A igreja de Santa Sofia, também designada templo da Sabedoria Divina, foi erguida entre 532 e 537 d. C., constituindo uma das obras primas da arquitetura religiosa e o paradigma do templo cristão de planta centralizada.
Quando o imperador romano Constantino transformou a cidade de Bizâncio na capital do recém-criado Império Romano Oriental em 336, dando-lhe o nome de Constantinopla, ergueu, no lugar onde atualmente se encontra a igreja de Santa Sofia, um templo cristão. Cerca de duzentos anos mais tarde, culminando o período de ouro do Império Bizantino, sob a égide de Justiniano, foi construída uma nova basílica, a partir dos planos dos arquitetos Antémio de Tralles e de Isidoro de Mileto. Edificada num período de seis anos, foi consagrada em 537, tornando-se na mais importante manifestação da cultura arquitetónica bizantina que chegou aos nossos dias.O templo, formado por um conjunto de volumes simples e rigorosos que, em solução piramidal, culminam numa vasta cúpula central, domina a paisagem urbana, coroando a silhueta do centro antigo. A entrada, localizada no lado poente é precedida por um nártex porticado.
Como se confirma em quase todos os edifícios bizantinos, à grande depuração da imagem e dos volumes exteriores contrapõem-se a densidade figurativa e a riqueza espacial do interior. A solução encontrada pelos arquitetos para organizar as várias unidades espaciais apresenta uma complexidade dos valores compositiva que responde a uma dupla vontade: se por um lado se preserva a tradicional organização axial longitudinal das primeiras basílicas cristãs, rematando numa abside semicircular, por outro, o vasto quadrilátero pontuado pela cúpula marca uma centralidade e uma axialidade que coroa a secção ascendente, vertical.
Outro aspeto inovador deste edifício são os quatro elementos (pendentes) triangulares que absorvem geometricamente a passagem da planta quadrada para o cilindro que sustenta a cúpula e que transmitem as descargas da cúpula a maciços pilares, através dos quatro amplos arcos.
No interior a sensação de peso desaparece, sob um requintado controle da luz, que desempenha um papel primordial na caracterização das formas e dos espaços, contribuindo para a unificação dos diferentes espaços numa solução plasticamente dinâmica baseada em dilatações e contrações. A própria cúpula, assente num tambor luminoso formado por uma série contínua de pequenas janelas, parece levitar sobre a nave. A vibração lumínica introduzida pelo revestimento dourado dos mosaicos e dos mármores polidos, em grande parte desaparecidos, devia ter acentuado mais ainda esta ilusão.Separando as várias naves, uma série de diafragmas compostos por pilares e arcos, formando nichos, permitia criar filtros semitransparentes entre as várias zonas do templo.
Quase todos os motivos ornamentais, como as molduras, os frisos ou os capitéis, que derivam no essencial da arquitetura clássica (grega e romana), ganham um grande peso na acentuação e ligação de alguns dos elementos fundamentais da construção, introduzindo maior densidade formal ao vasto complexo de naves e absides.
A cúpula principal da igreja de Santa Sofia, cuja chave se ergue a cinquenta e seis metros de altura serviu como exemplo formal e construtivo para a conceção de muitas mesquitas e catedrais.
Santa Sofia foi o principal santuário da cristandade oriental (da igreja ortodoxa) até à conquista de Constantinopla pelos Turcos 1453. A cidade passa então a chamar-se Istambul e a igreja é transformada em mesquita, sendo-lhe acrescentados os quatro minaretes. Os mosaicos, que foram no mesmo período tapados por uma espessa camada de cal voltaram a aparecer quando o templo se transformou em museu, na segunda metade do século XX.
Esta monumental igreja faz parte da área classificada Património Mundial pela UNESCO - Áreas Históricas de Istambul.
Igreja de Santa Sofia, Istambul. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia (Imagens)

File:Hagia-Sophia-Laengsschnitt.jpg
O projeto da Igreja

Ficheiro:Aya sofya.jpg

Arquivo: AYA Sophia2012.33.jpg
Interior de Santa Sofia
Ficheiro:Interior of Hagia Sophia (3).jpg

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Abadia de Fontenay


No período românico os monges beneditinos tentaram aproximar-se da simplicidade da basílica paleocristã, que esteve na origem da ecclesia, fugindo da ostentação das outras igrejas do seu tempo. Mas numa altura de grandes tensões entre o papa e o imperador, os seguidores daquele não podiam consentir que as suas construções fossem menos majestosas do que as imperiais.
A terceira igreja abacial de Cluny (1088-1130), centro da ordem Beneditina no norte, fiel ao papa, é exemplificativa de um edifício agrupado românico constituído por: dois transeptos, dois cruzeiros, quatro torres adicionais e um deambulatório.
A grande rutura arquitetónica aconteceu com os monges cistercienses, que se separaram dos beneditinos (1098), devido a divergências relativas a questões de ordem e de administração. A sua religiosidade afastou-se dos interesses mundanos, o que fez com que estes ganhassem, rapidamente, muitos adeptos na Europa. Esta vida de pobreza e ascese também se refletia na arte que espelhava a sua opção espiritual.
A arte de Cister não constitui um estilo próprio, mas uma reação de austeridade formal ante os excessos decorativos do românico. A sua arquitetura, difundida nos séculos XII e XIII, coincide temporalmente com o fim da arte românica e o nascimento do estilo gótico, do qual aproveita, com grande pragmatismo, algumas inovações técnicas.
A arquitetura cisterciense, como podemos observar em exemplos paradigmáticos como as abadias de Clarivaux (1115) e a de Fontenay (1139-1147), constrói-se a partir de uma estrutura simples - uma nave fechada por um transepto e coroada por uma abside retangular, sem grande ornamentação nem vitrais.
Para Henri Focillon (Arte do Ocidente) na arte cisterciense houve um período especial, a que se pode chamar Românico ou melhor ainda Românico despojado, que é representado pelo tipo de Fontenay, cuja igreja apresenta uma nave escura coberta por um berço quadrado e as naves laterais com berços transversais. Este exemplo da pureza da arte cisterciense pode encontrar-se noutros pontos da Europa, por exemplo: em Champagne (Trois-Fotaines), na Suíça (Bonmont e Hauterive), na Inglaterra (Fountains) e na Escandinávia (Alvestra).
As regras de vida e arte cistercienses foram sendo liberalizadas, mas a proibição da construção de torres sineiras, por exemplo, manteve-se. Os sinos eram instalados em coruchéus de madeira.
Estes mosteiros cistercienses, deviam satisfazer as necessidades dos monges e dos seus dependentes. Eram "mundos independentes" (Jacques le Goff).
A planta de Fontenay, reconstituída por L. Bégule, mostra uma grande organização e um equilíbrio entre as componentes religiosa e económica. A igreja teria uma cabeceira pouco faustosa, teria a sala do capítulo, aquecimento, lavabos, portaria, padaria, pombal, enfermaria e adega.
A abadia cistercense de Fontenay foi considerada monumento Património Mundial pela UNESCO.

Abadia de Fontenay. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia (Imagens)

Ficheiro:ID1862 Abbaye de Fontenay PM 48232.jpg

File:Fontenay - general.JPG

File:Cloister, Fontenay Abbey, Marmagne, France.JPG
O Claustro