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domingo, 17 de fevereiro de 2019

17 de Fevereiro de 1843: Abertura do trânsito na ponte Ponte Pênsil, no Porto

A ponte Pênsil originalmente chamada de D.Maria II, ligava as margens das cidades do Porto e de Gaia. Começou a ser construída  em Maio de 1841, para homenagear a Rainha D.Maria II, no 7º aniversário da sua coroação. 
A sua construção foi entregue à empresa francesa Claranges Lucotte & Cie, de propriedade do Conde Claranges Lucotte, inserindo-se no plano de construção da futura estrada que ligaria o Porto e Lisboa. O projecto foi da autoria do engenheiro Stanislas Bigot com a colaboração do engenheiro José Vitorino Damásio. Os engenheiros Mellet e Amédée Carruette colaboraram durante a sua construção.
Inaugurada a 17 de Fevereiro de 1843 foi a primeira obra permanente construída em Portugal sobre o Rio Douro. Para a sua travessia eram cobrados 5 reis por cada pessoa a pé, 20 reis por cada cavalo e 40 por um carro com uma junta de bois.  Cada cadeirinha de mãos pagava 60 reis. Os preços duplicavam à noite, passados três quartos de hora do pôr-do-sol, voltando às taxas normais três quartos de hora antes do nascer do sol. Manteve-se em funcionamento durante cerca de 45 anos, até ser substituída pela Ponte Luís I, construída ao seu lado. Foi desmontada em 1887 e actualmente apenas restam os dois pilares e a casa do Guarda Militar, que assegurava o pagamento de portagem para a sua travessia, na margem do Porto.
wikipedia(imagens)

Gravura de Dorey
  
Ficheiro:View of Porto - suspension bridge.gif
Ficheiro:Ponte pênsil do Porto.jpg
Gravura pelo Barão de Forrester

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

22 de Janeiro de 1818: O Sinédrio é constituído no Porto, por Manuel Fernandes Tomás

Grupo de personalidades portuenses que, em 24 de Agosto de 1820, protagonizaram na sua cidade a revolta que viria a instaurar o regime liberal em Portugal, na sequência de uma tentativa de sublevação anti-britânica falhada pelo general Gomes Freire de Andrade em 1817. Os abusos dos ingleses mantiveram-se desde essa altura, tal como a miséria pública e a necessidade de reformas urgentes. É assim fundado o Sinédrio, em 22 de Janeiro de 1818, por quatro maçons do Porto - Fernandes Tomás, Ferreira Borges, Silva Carvalho, todos juristas, e Ferreira Viana, comerciante. Rapidamente acolhe outros elementos no seu seio, principalmente militares, comerciantes, juízes, homens de outras profissões liberais, vindos das mais diversas regiões do país. Nem todos eram maçons, embora se tenham assim tornado na altura do levantamento de 1820. Contudo, a importância da Maçonaria na acção - e na composição - do Sinédrio é relevante, pois ele colabora mesmo com lojas maçónicas existentes (por exemplo, a Segurança Regeneradora e a Regeneração, de Lisboa) ou com elementos seus em todo o país.Animados no objectivo de instaurar o liberalismo em Portugal, reviam-se e inspiravam-se na Constituição de Cádis (Espanha), cujo modelo pretendiam implementar em Portugal como lei fundamental, substituindo os princípios absolutos que regiam a monarquia no nosso país. Pensa-se que Fernandes Tomás terá visto na luta contra a dominação de Beresford (general inglês que assumia a regência de Portugal) a razão para tal designação do movimento.Norteados pelo projecto liberal, vários eram os objectivos a que se votaram os membros do Sinédrio. Acima de tudo, era importante controlar a opinião pública, observando os sentidos de expressão e vigiando as novas que vinham de Espanha, observar para saber, tentando antecipar e controlar os acontecimentos. Tudo isto era previsto estatutariamente. Como todo o organismo controlado ou apoiado pela Maçonaria, viam-se os membros deste grupo do Porto impelidos a jurar e manter segredo face à sociedade sobre tudo o que faziam ou planeavam, ao mesmo tempo que deviam preservar um sentido de lealdade comum, renovado periodicamente em jantares do Sinédrio algures na Foz do Douro, todos os dias 22 de cada mês. O futuro era discutido, planificando-se e preparando-se as acções ou estratégias, embora houvesse outras reuniões, de noite preferencialmente. De acordo ainda com os estatutos, e no caso de haver qualquer movimento ou revolta, o Sinédrio conduzi-lo-ia, sempre salvaguardando a fidelidade dos seus membros e ideais à Casa de Bragança.
A entrada gradual de militares no movimento dinamizá-lo-á, tornando-o mais agressivo e operacional, em vez de apenas vigilante. Este grande número de militares que aderia das várias unidades do país, principalmente do Norte, não era conhecedor dos objectivos e ordens principais. Depois do golpe de 1820, ver-se-á neste ocultar de objetivos primordiais uma das causas para as desavenças que originaram a formação de partidos políticos e a cisão no seio da família liberal portuguesa.
Os meios militares eram fulcrais para o seguimento do plano revolucionário do Sinédrio. Tentava-se, assim, controlar as informações no seu interior, visto que as cadeias de comando interno poderiam, por serem afectas ou fiéis em grande parte ao regime e dado que muitos dos seus chefes eram ingleses, deitar por terra qualquer conspiração, pondo em perigo o Sinédrio. É de salientar o facto de o Sinédrio nunca ter actuado sozinho, tendo tido a colaboração de militares, tal como de particulares e de figuras não maçónicas. De qualquer modo, este movimento lutou pelo controlo das províncias militares, o que de certa forma conseguiu. Com a região militar do Norte dominada, estaria mais facilitada a operacionalidade e a protecção armada do golpe, ao mesmo tempo que, em caso de fracasso, se garantia a fuga para a Galiza sem detenções ou fuzilamentos. As unidades militares do Minho, mais tarde, rompem o compromisso com o Sinédrio, corria o ano de 1820, o que conduz a um adiamento sine die do golpe, que estava planeado para Junho. Para piorar a situação, os comandos militares ingleses em Portugal terão tomado conhecimento do plano, obrigando à dispersão dos seus líderes. Um deles era Fernandes Tomás.
O Sinédrio afirmava-se, simultaneamente, nacionalista, chegando mesmo a recusar, na pessoa de Fernandes Tomás, qualquer tendência para uma união ibérica, pretendida por alguns membros do grupo, influenciados pelo intercâmbio crescente com liberais espanhóis.
Apesar de falhado o golpe para Junho, F. Tomás não desanima e parte em Julho de 1820 para Lisboa, tentando captar apoios materiais e humanos ao mesmo tempo que perscrutava as tendências na capital e sondava a situação para um possível levantamento. O contacto com a Maçonaria em Lisboa terá provavelmente sido um dos objectivos desta sua deslocação à capital. É nesta altura que se a adesão da conceituada figura intelectual portuguesa que era Fr. Francisco de S. Luís, futuro Cardeal Saraiva, à causa liberal, e não à estrutura do Sinédrio, pois era religioso beneditino e personalidade eclesiástica. Esta figura de proa do Portugal de Oitocentos congregou atrás de si inúmeras adesões ao Sinédrio ou simpatias à causa.
Entretanto, Fernandes Tomás, regressando ao Porto, determina, com os seus confrades, uma data para o levantamento: 24 de Agosto. Menos convergente que a data estava o manifesto do movimento, gerando-se dissensões entre Tomás e o brigadeiro Silveira, que demonstram uma certa tensão no movimento entre civis e militares, para além de um sector tradicionalista e mais conservador, pouco disposto a aceitar os novos ideais do Sinédrio. Mais uma vez, alguns dos problemas futuros do liberalismo português radicarão nestas posições antagónicas que se viviam nas vésperas do golpe. Sentindo o plano perdido e votado ao fracasso, Fernandes Tomás reúne o Sinédrio e tenta concertar a sua posição quanto ao manifesto com o general Silveira, o que é conseguido através da acção e de um manifesto conciliador de Ferreira Borges.
Estava-se então a 22 de Agosto. No dia seguinte reúne-se de novo o Sinédrio, em casa de F. Borges, preparando todos os comunicados a apresentar à sociedade e à Administração Pública, local e nacional, para o período imediatamente posterior ao golpe, que efectivamente se desencadeia a 24, com sucesso, após nova reunião do Sinédrio. Com o golpe de 24 de Agosto, secundado em Lisboa a 15 de Setembro, dissolve-se o Sinédrio, após a entrada de alguns dos seus membros (maçons) para o Governo liberal.
Sinédrio. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (imagens)
Manuel Fernandes Tomás, um dos fundadores do Sinédrio
Ficheiro:Jose Ferreira Borges.jpg


José Ferreira Borges, um dos fundadores do Sinédrio

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

31 de Outubro de 1886: Inauguração da Ponte D. Luís I (Porto)

A Ponte Luís I mais conhecida por Ponte D. Luís, teve o seu arco e tabuleiro superior, inaugurados a 31 de Outubro de 1886, dia do aniversário do rei D. Luís I.
Esta ponte sobre o rio Douro teve a sua construção  iniciada em 1881. A estrutura, suportada por arcos de aço,tem dois tabuleiros rodoviários, o superior com cerca de 390 m e o inferior com cerca de 174 m. Os autores doprojecto foram os alunos do engenheiro francês Gustave Eiffel, Artur Maury e Teófilo Seyrig. 
O lançamento dos trabalhos de construção da Ponte Luís I, em 1 de Dezembro de 1881, contou com a presença do rei D. Luís I, da rainha D. Maria Pia, do príncipe D. Carlos, do infante D. Afonso e de diversas autoridades civis e militares do Porto e de Vila Nova de Gaia e decorreu num pavilhão construído no terreiro do mosteiro da Serra do Pilar. 
Pela passagem na ponte de peões, animais e carruagens era devida portagem, estabelecida por portaria, com valores que iam dos 5 réis, para peões, aos 240 réis para carruagens de 4 rodas e carroções.

Esta construção veio substituir a antiga ponte pênsil que existia no mesmo local. A construção da ponte pênsil foiiniciada em Maio de 1841 e esteve a cargo da firma francesa Claranges Lucotte e Cª. Ficou concluída no final de1842, foi testada em Janeiro de 1843 e abriu ao público em Fevereiro do mesmo ano.  Acabou por ser desmontadaem 1887 por não oferecer condições de segurança, tendo sido substituída pela Ponte Luís I. Da ponte pênsil,apenas restam os pilares.
Estranho é a ponte ter o seu nome oficial como Luís I, e não Dom Luís I, como é popularmente conhecida. Há boatos de que o rei não esteve presente na inauguração e, por causa do “acto desrespeitoso”, a população do Porto decidiu retirar o ‘Dom’. Claro que isso é apenas uma lenda. Nos próprios jornais que datam o período da construção, sempre foi referida como “Ponte Luiz I”. Outras construções, como a da ponte Maria Pia (Dona Maria Pia) mostram que as construções que levaram nomes da família real não recebiam o seu título como governantes. 
Fontes:Ponte de D. Luís I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Wikipedia (imagens)
Memoriasgaienses



Ficheiro:Luis I bridge under construction (1881).jpg
Construção da Ponte Luís I

Ficheiro:Luis I bridge under construction (02) (1881-1886).gif
A Ponte em construção
Ficheiro:Porto. Ponte D. Luís. Tabuleiro central em construção.jpg

Ponte em construção, foto de Emílio Biel

terça-feira, 18 de setembro de 2018

18 de Setembro de 1865: Inauguração do Palácio de Cristal, no Porto

Num dos mais deslumbrantes locais da cidade do Porto, no antigo campo da Torre da Marca, foi erguido o Palácio de Cristal, donde se pode contemplar um soberbo panorama sobre o Rio Douro, a margem de Miragaia e Massarelos, desaguando o nosso olhar no vasto Oceano Atlântico.Com efeito, o arquiteto inglês Thomas Dillen Jones iniciou o palácio em 1861, vindo este a ser inaugurado no dia 18 de setembro de 1865, inspirando-se no modelo que tinha sido realizado para idêntico evento na cidade de Londres, alguns anos antes. O Palácio de Cristal foi concebido para acolher a Exposição Internacional Portuguesa, mostra onde se expunham as novas conquistas industriais e comerciais, segundo o espírito que presidira ao certame londrino.Os seus majestosos salões, naves e anexos, moldados em estruturas de ferro e vidro, conferiam-lhe uma leveza e graciosidade maior, que o século XX não soube respeitar nem apreciar. De facto, o camartelo desmantelou-o na segunda metade do nosso século, erguendo-se no seu lugar uma desgraciosa e utilitária nave de betão armado. Esta obra foi projetada pelo arquiteto Carlos Loureiro, servindo de sede ao Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins de 1951. Consagrado como pavilhão dos desportos, seria posteriormente rebatizado com o nome de Rosa Mota, em homenagem a uma das mais ilustres atletas portuguesas.As memórias oitocentistas deste palácio subsistem nos românticos jardins envolventes, que possuem grande variedade de plantas, canteiros de flores e majestosas árvores - palmeiras, plátanos e tílias. Neles passearam-se famílias e namorados, poetas e cidadãos anónimos. tinham lugar as festas mais importantes, como aquelas que animavam as quadras do Natal, do Carnaval ou do inevitável S. João.
Um lago, com a sua pequena ilha, refletia nas suas águas calmas a graciosa silhueta do desaparecido palácio de vidro e ferro. Nos seus múltiplos recantos verdejantes, nos seus miradouros, grutas artificiais e castelo, ou ainda no seu mini-zoo com a aldeia dos macacos, permanece ainda a nostalgia e o encantamento de um dos grandes parques portuenses.
FontesPalácio de Cristal. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Biblioteca Nacional
Wikipedia



 Ficheiro:ArchPitt-Porto-CrystalPalace.jpg

Gravura do Palácio de Cristal publicada em 1864 no Archivo Pittoresco