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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

18 de Setembro de 1865: Inauguração do Palácio de Cristal, no Porto

Num dos mais deslumbrantes locais da cidade do Porto, no antigo campo da Torre da Marca, foi erguido o Palácio de Cristal, donde se pode contemplar um soberbo panorama sobre o Rio Douro, a margem de Miragaia e Massarelos, desaguando o nosso olhar no vasto Oceano Atlântico.Com efeito, o arquiteto inglês Thomas Dillen Jones iniciou o palácio em 1861, vindo este a ser inaugurado no dia 18 de setembro de 1865, inspirando-se no modelo que tinha sido realizado para idêntico evento na cidade de Londres, alguns anos antes. O Palácio de Cristal foi concebido para acolher a Exposição Internacional Portuguesa, mostra onde se expunham as novas conquistas industriais e comerciais, segundo o espírito que presidira ao certame londrino.Os seus majestosos salões, naves e anexos, moldados em estruturas de ferro e vidro, conferiam-lhe uma leveza e graciosidade maior, que o século XX não soube respeitar nem apreciar. De facto, o camartelo desmantelou-o na segunda metade do nosso século, erguendo-se no seu lugar uma desgraciosa e utilitária nave de betão armado. Esta obra foi projetada pelo arquiteto Carlos Loureiro, servindo de sede ao Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins de 1951. Consagrado como pavilhão dos desportos, seria posteriormente rebatizado com o nome de Rosa Mota, em homenagem a uma das mais ilustres atletas portuguesas.As memórias oitocentistas deste palácio subsistem nos românticos jardins envolventes, que possuem grande variedade de plantas, canteiros de flores e majestosas árvores - palmeiras, plátanos e tílias. Neles passearam-se famílias e namorados, poetas e cidadãos anónimos. tinham lugar as festas mais importantes, como aquelas que animavam as quadras do Natal, do Carnaval ou do inevitável S. João.
Um lago, com a sua pequena ilha, refletia nas suas águas calmas a graciosa silhueta do desaparecido palácio de vidro e ferro. Nos seus múltiplos recantos verdejantes, nos seus miradouros, grutas artificiais e castelo, ou ainda no seu mini-zoo com a aldeia dos macacos, permanece ainda a nostalgia e o encantamento de um dos grandes parques portuenses.
FontesPalácio de Cristal. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Biblioteca Nacional
Wikipedia


 Ficheiro:ArchPitt-Porto-CrystalPalace.jpg

Gravura do Palácio de Cristal publicada em 1864 no Archivo Pittoresco

Ficheiro:Palacio Cristalantigo.jpg

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

24 de Agosto de 1820: Eclode a Revolução Liberal, no Porto

Na sequência das invasões francesas e da partida da família real para o Brasil, e não obstante as vitórias sobre as forças napoleónicas, Portugal tornou-se um país abandonado pelo seu rei nas mãos de uns quantos oficiais ingleses. Os portugueses sentiam que D. João VI descurara o reino, sentiam que a metrópole se tornara numa colónia do Brasil, sob influência britânica, situação agravada ainda pela constante drenagem de recursos para a colónia e o permanente desequilíbrio orçamental.Em 1817, várias pessoas foram presas sob a acusação de conspirarem contra a vida de Beresford e contra a regência. A sentença foi dura: a execução de doze portugueses, incluindo Gomes Freire de Andrade. Esta atitude, longe de acalmar os ânimos, antes os exaltou.Em 22 de janeiro de 1818, Manuel Fernandes Tomás fundou no Porto uma associação secreta - o Sinédrio -, cuja atividade consistia em acompanhar a atividade política e intervir, se fosse caso disso.No ano de 1820 vários fatores iriam contribuir para o agravamento da situação. O liberalismo triunfou em Espanha, aprofundando-se os existentes contactos com liberais portugueses.Beresford partiu em fins de março para o Brasil, a fim de obter junto de D. João VI mais amplos poderes. O Sinédrio aproveita a sua ausência para aumentar significativamente o seu grande número de membros e preparar irreversível e definitivamente a revolução.Assim, às primeiras horas da manhã de 24 de agosto de 1820, o exército, sob a liderança dos coronéis Sepúlveda e Cabreira, revoltou-se no Campo de Santo Ovídio, no Porto. De imediato se efetuou uma reunião na Câmara Municipal, formando-se uma Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, sob a presidência do brigadeiro-general António da Silveira. A Junta tinha como objetivos imediatos a tomada da regência do reino nas suas mãos e a convocação de Cortes que redigiriam a Constituição.Em Lisboa a regência tentou resistir, mas soçobrou perante um novo levantamento, a 15 de setembro, que formou um Governo Interino.Em 28 de setembro os revolucionários do Norte e do Sul juntam-se numa nova Junta Provisional, presidida por Freire Andrade (parente do mártir executado em 1817).
O novo Governo quase nada fez além de organizar as eleições para as Cortes. Estas, realizadas em dezembro de 1820, de imediato solicitaram o regresso à metrópole de D. João VI. Em janeiro de 1821 as Cortes elegeram um novo governo e uma nova regência (presidida pelo conde de Sampaio), para governar até ao regresso do rei.    
Revolução de 1820. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 
wikipédia (imagens)



António da Silveira Pinto da Fonseca, Presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do
Reino


O General de Brigada Sepúlveda, em gravura de 1822

quinta-feira, 22 de junho de 2017

22 de Junho de 1963: É inaugurada a Ponte da Arrábida

A Ponte da Arrábida está intimamente ligada à construção da auto-estrada que faz a ligação entre o Norte e Sul de Portugal, constituindo uma das obras de maior importância para o desenvolvimento de todo o País. 

Não foi no entanto possível fazer a ligação da auto-estrada à ponte D. Luiz I uma vez que esta já se encontrava, tal como a vemos hoje, sobrecarregada com um trafego intenso, motivado sobretudo pela expansão demográfica do distrito do Porto e do Concelho de Vila Nova de Gaia. Por este motivo era necessária a construção de uma nova ponte sobre o Douro e o local escolhido foi, entre o morro do Candal, em V. N. Gaia e o da Arrábida, no Porto. 

Quer o projecto, quer a direcção foram da autoria do Prof. Eng.º Edgar Cardoso.

E, a 22 de Junho de 1963 é inaugurada a Ponte da Arrábida, sendo considerada uma das mais longas do mundo no seu estilo, arqueada e em cimento armado. 

O comprimento total do tabuleiro é de cerca de 615 metros, tendo uma largura de 27 metros. Inicialmente o tabuleiro possuía dois viadutos de acesso e duas faixas de rodagem independentes, duas pistas para ciclistas, dois passeios e um separador central. 

Actualmente todas as características funcionais se alteraram excepto os dois passeios para peões, uma vez que o numero de faixas de rodagem que foi alargado para três de cada lado e as pistas para ciclistas desapareceram. Os dois arcos que formam a abóbada são ocos para reduzir o peso e estão unidos por ligamentos em diagonal, criando mais estabilidade transversal. O tabuleiro é sustentado por pilares assentes sobre os arcos. Podemos ainda admirar, e, para alguns recordar, as quatro pilastras localizadas quase nas extremidades da ponte que alojaram em tempos elevadores e monta-cargas de acesso ao dito tabuleiro. 

O custo total desta obra orçou em cerca de 240 mil contos. 

Nela foram gastos 20000 toneladas de cimento e perto de 59000 m3 de betão. Os varões e o aço laminado utilizado pesam aproximadamente 4500 toneladas. 

A realização desta obra teve algumas fases delicada e verdadeiramente espectaculares, como por exemplo, a operação do fecho do cimbre.
Fontes: Porto XXI -Cultura
JN (Imagens)



A ponte foi inaugurada pelo chefe de Estado, Américo Thomaz, que viajou de Lisboa e desembarcou em frente à Ribeira

quarta-feira, 29 de março de 2017

29 de Março de 1809: Invasões francesas. Desastre da Ponte das Barcas, no Porto, na fuga da população ao ataque do exército francês do general Soult.

No dia 12 de Março de 1809 (durante a 2ª invasão francesa) o general Soult entrou em Portugal, por Chaves e dirigiu-se ao Porto. A cidade foi conquistada e saqueada pelas tropas francesas, havendo focos de resistência por parte da população. Da Serra do Pilar as tropas portuguesas ripostaram como puderam. A 29 de Março, os habitantes do Porto em fuga, dirigiram-se  para a “Ponte das Barcas”, tentando passar para o lado de Gaia. Perante a fragilidade da ponte e a quantidade de pessoas que a atravessava aquela cedeu e cerca de 4000 pessoas caíram e morreram nas águas do Douro.
Após esta tragédia Soult, querendo ganhar a simpatia dos portuenses, proibiu novos saques, mandou patrulhar as lojas, mercados e igrejas para evitar novas pilhagens, isentou o povo do direito de portagem e mandou distribuir sopa às pessoas carenciadas.
No dia 12 de Maio Soult foi batido no Porto pelas tropas anglo-lusas, comandadas pelo Duque de Wellington e foi obrigado a retirar para Espanha, atravessando a 18 de Maio a fronteira em Montalegre, acabando assim a segunda invasão francesa.

Como surgiu a Ponte das Barcas


Ao longo dos séculos a comunicação de pessoas e mercadorias entre as margens do Douro era feita através de barcos. Apesar de vários projectos para a construção de uma ponte sobre o rio Douro que servisse as populações do Porto e de Vila Nova de Gaia, nomeadamente o da construção de uma ponte em pedra, da autoria de Carlos Amarante, a primeira passagem seria lançada somente no ano de 1806, tendo sido aberta ao público a 15 de Agosto de 1806. Era constituída por 33 barcas, com cerca de mil palmos de extensão e abria e fechava para dar passagem às grandes embarcações que subiam e desciam o rio. Em tempo de cheias a ponte era desmantelada para evitar a sua destruição.

Havia muita concorrência na sua passagem, sobretudo às terças e sábados. Os preços de passagem praticados eram os seguintes:

Cada pessoa a pé ……………………………... 5 réis
Cada pessoa a cavalo ………………………..20 réis
Carro de uma junta de bois …………….. 40 réis
Cadeirinhas de mãos ……………………….. 60 réis
Liteira …………………………………………….. 120 réis
Sege ………………………………………………….160 réis

À noite, passados 45 minutos do sol-posto, os preços duplicavam, taxa que se mantinha até 45 minutos antes do nascer do sol, em momento que era anunciado pelo toque de um sino.
A “Ponte das Barcas” revestiu-se de uma enorme importância para o desenvolvimento das comunicações entre as zonas ribeirinhas, mas também no contexto inter-regional, na ligação entre as margens norte e sul do rio Douro.
No entanto, dadas as suas naturais limitações, a crescente necessidade do desenvolvimento das comunicações e a melhoria dos meios técnicos a nível da engenharia de pontes, nos anos 40 de oitocentos foi projectada nova ponte, a nascente da velha “Ponte das Barcas”. A “Ponte Pênsil”, “Ponte de Ferro”, ou “Ponte D. Maria II”, projectada e executada pelo engenheiro Claranges Lucotte.
wikipedia(Imagens)
notícias.sapo.pt

O desastre da Ponte das Barcas
Ficheiro:São Nicolau-Alminhas da Ponte (2).jpg


As "Alminhas da Ponte" lembram a tragédia de 29 de Março de 1809, no rio Douro

Ficheiro:Vue de la ville et du port de Porto 1817 Henry L'Eveque.jpg



Gravura de 1807, vendo-se a Ponte das Barcas

segunda-feira, 27 de março de 2017

27 de Março de 1809: Invasões francesas. Começa a investida sobre a cidade do Porto pelo exército de Soult

Falhadas as tentativas de entrar em Portugal pelo Minho (13 de Fevereiro, em Vila Nova de Cerveira, e 16 do mesmo mês, em Caminha), o marechal Soult, que comandava os soldados de Napoleão, inflecte para o interior da Galiza, subindo o rio Minho até Orense, à procura de um local para mais facilmente entrar em Portugal. Acaba por encontrar na veiga de Chaves o melhor local para atacar Portugal, o que acontece a 10 de Março. Dando assim início à segunda invasão francesa.
Dois dias depois, conquistada que estava a cidade de Chaves, os franceses iniciam a marcha para o Porto, por Braga. A guarda avançada dos franceses derrota as forças portugueses em Salamonde, dia 16, e quatro dias depois voltam a ser derrotadas às portas de Braga, em Carvalho d'Este. Estava aberto o caminho para o Porto.
Obrigado a atravessar o rio Ave em Santo Tirso face à feroz defesa montada pelos portugueses na Trofa, Soult acampa em S. Mamede de Infesta, dia 26 de Março, à frente de 18 mil dos 25 mil com que iniciara a guerra em Portugal. Os sete mil de diferença respeitam a baixas e aos soldados que foi deixando pelo caminho a guarnecer as posições conquistadas.
Neste interim, o brigadeiro Silveira, comandante da divisão que defendia Trás-os-Montes, reocupou Chaves, aprisionando a guarnição francesa (dia 25).
Já com o inimigo à vista o Porto concluía as obras de defesa, de forma atabalhoada, embora com aparente imponência. A linha defensiva do Porto seria constituída por 20 mil homens (somente dois mil seriam tropas regulares) apoiada por 35 baterias dispostas num longo semicírculo que se estendia de Campanhã à Foz - Campanhã, Senhor do Padrão, Monte Cativo, Monte das Enfestadas, Cativo, Bonfim, Antas, Póvoa de Cima, Quinta dos Congregados, Lindo Vale, Lapa, Sério, Regado, Monte Pedral, Falperra, Prelada, Lordelo, Ramalde, Senhora da Luz, etc. - um total aproximado de 200 canhões.
O pior é que destas peças só cerca de 20 podiam fazer fogo. As outras serviam de sustentáculo de amarração de navios. Com isto terão querido os defensores imitar o estratagema engendrado pelo arcebispo D. Gonçalo Pereira, que, no reinado de D. Afonso V, simulara com velas de embarcações as muralhas da cidade, defendendo o Porto e sustendo os ímpetos atacantes do infante D. Pedro, como relata Duarte Nunes de Leão.
Só que os tempos eram outros e Soult não se deixou ir no engodo. Dia 29 dá-se o ataque final. A infantaria francesa entra pelas baterias de Aguardente, de Santo António (Regado) e de S. Francisco (Monte Pedral) e a cavalaria pela de S. Barnabé (Prelada) - olhando para o mapa da cidade, as posições atacadas situam-se mais ou menos ao centro da linha defensiva. Só o brigadeiro Vitória consegue manter por mais tempo a linha do Bonfim a Campanhã, e retirar com ordem, já na cidade o inimigo avançava por toda a parte, num ou noutro local travado por desesperadas resistências.
A população foge em direcção à Ribeira, na tentativa de passar a ponte das barcas que unia o Porto a Vila Nova de Gaia. É então quer se dá a tragédia. Segundo uns, a ponte não aguentou o peso de centenas e cedeu; segundo outros (talvez o mais provável), as autoridades mandaram abrir os alçapões existentes na ponte para retardar o avanço francês. A onda de fugitivos não se apercebeu da armadilha e impelia os dianteiros para o buraco e para as águas do rio. De Gaia, os portugueses faziam fogo sobre os franceses. No meio, estava a população indefesa... Não se sabe ao certo quantos terão morrido afogados, mas há muitas dúvidas quanto ao número de quatro a cinco mil vítimas apontadas em alguns relatos.
Vencida a resistência, seguiram-se três dias de saques, até que Soult põe travão aos seus soldados e estabelece a ordem na cidade. Entre 29 de Março e 11 de Maio instala-se no Palácio dos Carrancas - actual Museu Nacional Soares dos Reis -, demorando em cumprir as ordens de Napoleão, que o queria em Lisboa em Fevereiro. Com o apoio do jornal "Diário do Porto" prepara abaixo-assinados para pedir ao imperador o título de rei do Norte e assume-se protector da cidade.
Fora do Porto os franceses vão sofrendo revezes sucessivos. A cavalaria de Caulaincourt, que ocupara Penafiel, é rechaçada na ponte de Canaveses (31 de Março); Botelho de Sousa reocupa Braga (5 de Abril), Silveira ataca e reocupa Penafiel (dia 13); o mesmo Silveira (de 18 de Abril a 2 de Maio) defende a ponte de Amarante do ataque francês comandado por Loison (o "maneta"), obriga Caulaincourt a retirar de Vila Real (dia 8) e volta a derrotar Loison em Moure (dia 12).
Enquanto isso, Arthur Wellesley (futuro duque de Wellington), nomeado comandante-chefe do exército anglo-português, chega a Gaia.
Depois de observar as posições, repara na importância estratégica de um edifício existente no Monte do Seminário (actual Colégio dos Órfãos). Ordena, então, a sua ocupação, o que é feito por uma pequena força que leva consigo três peças de artilharia. Quando Soult dá conta, já Wellesley tinha no Porto cerca de 600 homens, suficientes para travar as investidas francesas que deixam desguarnecida a Ribeira. Apercebendo-se disso, e com o apoio das populações ribeirinhas que lhe disponibilizam barcaças, Wellesley faz passar para o Porto o grosso das tropas que comandava em plena luz do dia (dia 12 de Maio). Duas horas depois, a cidade estava libertada. Dizem até que a fuga de Soult foi tão precipitada que Wellesley ainda encontrou quente o almoço que o francês se preparava para comer...
Seis dias depois, Soult abandonava Portugal por Montalegre, sempre perseguido pelo exército anglo-português. Terminava assim a segunda invasão francesa.
O Porto voltaria a ser notícia 11 anos mais tarde, com o Sinédrio, a associação encabeçada por Manuel Fernandes Tomás, José da Silva Carvalho e Ferreira Borges que lidera o pronunciamento de 1820 e dá início ao liberalismo.
Fontes: JN
wikipedia (imagens)
 
O Marechal Soult

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

17 de Fevereiro de 1843: Abertura do trânsito na ponte Ponte Pênsil, no Porto

A ponte Pênsil originalmente chamada de D.Maria II, ligava as margens das cidades do Porto e de Gaia. Começou a ser construída  em Maio de 1841, para homenagear a Rainha D.Maria II, no 7º aniversário da sua coroação. 
A sua construção foi entregue à empresa francesa Claranges Lucotte & Cie, de propriedade do Conde Claranges Lucotte, inserindo-se no plano de construção da futura estrada que ligaria o Porto e Lisboa. O projecto foi da autoria do engenheiro Stanislas Bigot com a colaboração do engenheiro José Vitorino Damásio. Os engenheiros Mellet e Amédée Carruette colaboraram durante a sua construção.
Inaugurada a 17 de Fevereiro de 1843 foi a primeira obra permanente construída em Portugal sobre o Rio Douro. Para a sua travessia eram cobrados 5 reis por cada pessoa a pé, 20 reis por cada cavalo e 40 por um carro com uma junta de bois.  Cada cadeirinha de mãos pagava 60 reis. Os preços duplicavam à noite, passados três quartos de hora do pôr-do-sol, voltando às taxas normais três quartos de hora antes do nascer do sol. Manteve-se em funcionamento durante cerca de 45 anos, até ser substituída pela Ponte Luís I, construída ao seu lado. Foi desmontada em 1887 e actualmente apenas restam os dois pilares e a casa do Guarda Militar, que assegurava o pagamento de portagem para a sua travessia, na margem do Porto.
wikipedia(imagens)
Gravura de Dorey
 
 
Ficheiro:View of Porto - suspension bridge.gif
 
 
 
 
Ficheiro:Ponte pênsil do Porto.jpg
Gravura pelo Barão de Forrester

 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

31 de Janeiro de 1891:Revolta republicana no Porto. É proclamada a República, na varanda da Câmara Municipal.

No dia 31 de Janeiro de 1891, há 124 anos, eclodiu no Porto um levantamento militar, motivado e contrário à cedência do Governo e da Coroa ao Ultimatum de 1890 imposto pela Inglaterra,  este levantamento pretendeu instaurar um governo provisório e foi a primeira tentativa de instauração do regime republicano em Portugal. 
As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de figuras destacadas da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros.
O acontecimento  teve início na madrugada do dia 31 de Janeiro, quando o Batalhão de Caçadores nº9, liderado por sargentos, se dirigiu para o Campo de Santo Ovídio, hoje Praça da República, onde se encontra o Regimento de Infantaria 18 (R.I.18). Ainda antes de chegarem, junta-se ao grupo, o alferes Malheiro, perto da Cadeia da Relação; o Regimento de Infantaria 10, liderado pelo tenente Coelho; e uma companhia da Guarda Fiscal. Embora revoltado, o R.I.18, fica retido pelo coronel Meneses de Lencastre, que assim, quis demonstrar a sua neutralidade no movimento revolucionário. Depois juntou-se ali o regimento de infantaria n.º 10, comandado pelo capitão Leitão que assume o combate das tropas sublevadas, convencido que o movimento não seria hostilizado por outras forças militares.
Os revoltosos desceram a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, ouviram Alves da Veiga proclamar da varanda a Implantação da República.
Foi hasteada uma bandeira vermelha e verde e foi também anunciada a constituição de um governo provisório. A multidão decidiu subir a Rua de Santo António, em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.
Este cortejo foi no entanto  barrado por um  destacamento da Guarda Municipal, que estava disposto ao combate. A Guarda estava posicionada ao alto da Rua de Santo António e entretanto principiou o tiroteio entrando a multidão em debandada.
A derrota consumou-se em poucas horas e a prisão ou o exílio esperavam os implicados. Alguns deles conseguiram fugir para o estrangeiro: Alves da Veiga iludiu a vigilância e foi viver para Paris: o jornalista Sampaio Bruno e o Advogado António Claro partiram para  Espanha, assim como o Alferes Augusto Malheiro, que daí emigrou para o Brasil.
Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro.
Do ponto de vista político, a revolta assumiu, fundamentalmente, o carácter de explosão de ódio contra as instituições monárquicas: pretendia-se sobretudo, destronar a dinastia reinante dos Braganças e desse modo, resgatar a afronta nacional que a sua política tinha infligido à Nação.
Fontes: Dicionário de História de Portugal,dir. Joel Serrão, vol. III


Trinta e Um de Janeiro de 1891. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia(Imagens)
Ficheiro:31 de Janeiro, proclamação.jpg
A proclamação da República das janelas da Câmara Municipal
Ficheiro:31 de Janeiro engraving.jpg
A guarda municipal atacando os revoltosos entrincheirados na casa da Câmara



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

31 de Outubro de 1886: Inauguração da Ponte D. Luís I (Porto)

A Ponte Luís I mais conhecida por Ponte D. Luís, teve o seu arco e tabuleiro superior, inaugurados a 31 de Outubro de 1886, dia do aniversário do rei D. Luís I.
Esta ponte sobre o rio Douro teve a sua construção  iniciada em 1881. A estrutura, suportada por arcos de aço,tem dois tabuleiros rodoviários, o superior com cerca de 390 m e o inferior com cerca de 174 m. Os autores doprojecto foram os alunos do engenheiro francês Gustave Eiffel, Artur Maury e Teófilo Seyrig. 
O lançamento dos trabalhos de construção da Ponte Luís I, em 1 de Dezembro de 1881, contou com a presença do rei D. Luís I, da rainha D. Maria Pia, do príncipe D. Carlos, do infante D. Afonso e de diversas autoridades civis e militares do Porto e de Vila Nova de Gaia e decorreu num pavilhão construído no terreiro do mosteiro da Serra do Pilar. 
Pela passagem na ponte de peões, animais e carruagens era devida portagem, estabelecida por portaria, com valores que iam dos 5 réis, para peões, aos 240 réis para carruagens de 4 rodas e carroções.

Esta construção veio substituir a antiga ponte pênsil que existia no mesmo local. A construção da ponte pênsil foiiniciada em Maio de 1841 e esteve a cargo da firma francesa Claranges Lucotte e Cª. Ficou concluída no final de1842, foi testada em Janeiro de 1843 e abriu ao público em Fevereiro do mesmo ano.  Acabou por ser desmontadaem 1887 por não oferecer condições de segurança, tendo sido substituída pela Ponte Luís I. Da ponte pênsil,apenas restam os pilares.
Estranho é a ponte ter o seu nome oficial como Luís I, e não Dom Luís I, como é popularmente conhecida. Há boatos de que o rei não esteve presente na inauguração e, por causa do “acto desrespeitoso”, a população do Porto decidiu retirar o ‘Dom’. Claro que isso é apenas uma lenda. Nos próprios jornais que datam o período da construção, sempre foi referida como “Ponte Luiz I”. Outras construções, como a da ponte Maria Pia (Dona Maria Pia) mostram que as construções que levaram nomes da família real não recebiam o seu título como governantes. 
Fontes:Ponte de D. Luís I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Wikipedia (imagens)
Memoriasgaienses


Ficheiro:Luis I bridge under construction (1881).jpg
Construção da Ponte Luís I

Ficheiro:Luis I bridge under construction (02) (1881-1886).gif
A Ponte em construção
Ficheiro:Porto. Ponte D. Luís. Tabuleiro central em construção.jpg

Ponte em construção, foto de Emílio Biel