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segunda-feira, 25 de junho de 2018

25 de Junho de 1530: A Confissão de Augsburgo é apresentada ao Imperador Carlos V

No dia 25 de Junho de 1530, os príncipes que haviam aderido à Reforma foram convidados a explicar-se no Parlamento alemão. Na ocasião, Philipp Melanchton, amigo de Lutero, apresentou a proclamação da fé luterana.

Para melhor compreender a importância da Confissão de Augsburgo, é necessário apresentar a situação histórica no contexto da Reforma da Igreja, impulsionada pelo estudioso Martinho Lutero, da Ordem dos Monges  de Santo Agostinho. Ele  aprofundou a teoria da religião a partir de 1510, quand retornou de uma viagem a Roma, decepcionado com a corrupção que constatara no alto clero.
Aprofundando os seus estudos, concluiu que o homem só se pode salvar pela fé incondicional em Deus, não pelas obras praticadas ou pela indulgência comprada. A fim de arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, o papa Leão X havia permitido o perdão dos pecados a todos que contribuíssem financeiramente para a Igreja.
Escandalizado com essa salvação comprada a dinheiro, Lutero afixou na porta da catedral de Wittenberg, no leste da Alemanha, um manifesto público (as 95 teses), em que protestou contra a atitude do papa e expôs os elementos da sua doutrina. Iniciava-se, desta maneira, uma longa discussão entre Lutero e as autoridades eclesiásticas, culminando com a sua excomunhão pelo papa, em 1520.
No dia 21 de Janeiro de 1530, o imperador Carlos V convocara uma Dieta imperial a reunir-se em Abril seguinte, em Augsburgo, no sul da Alemanha. Para dispor de uma frente unida contra os turcos nas suas operações militares, ele exigiu o fim do conflito entre protestantes e católicos.
Os príncipes e representantes das cidades livres do Império foram convidados a discutir as diferenças religiosas na futura Dieta, na esperança de superá-las e restaurar a unidade. Atendendo ao convite, o príncipe eleitor da Saxónia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra, que seria apresentado ao imperador.
Sob a coordenação de Philipp Melachton, foram reunidas as doutrinas compiladas nos documentos conhecidos como Artigos de Schwabach, de 1529, e Artigos de Torgau, de Março de 1530.
Lutero, que não estava presente em Augsburgo, foi consultado por correspondência, mas as emendas e revisões continuaram a ser feitas até à véspera da apresentação formal ao imperador, em 25 de Junho de 1530. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades livres, a Confissão imediatamente foi reconhecida como uma declaração pública de fé.
De acordo com as instruções do imperador, os textos das confissões foram apresentados em alemão e latim. Diante da Dieta foi lido o texto alemão, que é, por isso, tido como mais oficial.
A Confissão representava um esforço para manter a Igreja unida e continha as principais teses da doutrina de Lutero, entre as quais as que dizem respeito à doutrina da justificação, ou da salvação. Mesmo que a Confissão tivesse sido redigida em estilo conciliador, evitando ataques e reivindicações, não foi aceite pela Igreja Católica e a sua divulgação ficou proibida.
A rejeição da Confissão de Augsburgo deu força à separação entre luteranos e católicos. Passaram-se quatro séculos de condenações recíprocas e guerras religiosas. O diálogo, suspenso em 1530, só recomeçou em 1967, após o Concílio Ecuménico Vaticano II.
Philipp Schwarzerd foi o compilador, não somente da Confissão, como também de outro documento muito importante, conhecido como Apologia da Confissão de Augsburgo. Philipp nasceu em Bretten, Baden, em 1497. O seu tio-avô, o famoso humanista Reuchlin, exerceu grande influência sobre ele.
Devido à admiração pelo idioma grego, "helenizou" o sobrenome, adotando o nome de Melanchthon, conforme a tradução de "terra negra" para o grego. Foi grande amigo de Lutero e o seu mais fiel aliado na causa da Reforma. Se, de um lado, Lutero era profundo conhecedor da Palavra de Deus, Melanchthon foi um dos maiores conhecedores das línguas originais nas quais a Palavra de Deus havia sido escrita.

 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)
A Confissão de Augsburgo é apresentada a Carlos V
Representação da Confissão de Augsburgo na janela de uma Igreja em Speyer na Alemanha

quarta-feira, 7 de março de 2018

07 de Março de 1274: Morre o teólogo italiano Tomás de Aquino

Morre no dia 7 de Março de 1274, na Abadia de Fossanova, o grande teólogo e filósofo italiano São Tomás de Aquino. Tinha apenas 49 anos e estava a  dirigir-se para Lyon, onde participaria de um Concílio a pedido do Papa.
Nasceu na cidade de Aquino (actual Lácio) no castelo do pai, o Conde Landulf de Aquino, por volta de 1225. Ao contrário dos irmãos, que seguiram carreira militar, optou por uma vida religiosa frutificada a partir da sua convivência com a condessa Teodora de Theate.
Com cinco anos, Tomás começou a sua instrução inicial em Monte Cassino. Depois seria matriculado na studium generale, em Nápoles, onde conheceria as obras de Aristóteles, Averróis e Maimônides.
Ingressou na ordem fundada por Domingos de Gusmão aos 19 anos. Discípulo de Santo Alberto Magno, que se impressionou com a sua inteligência, estudaria teologia em Colónia e Paris.
O seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do mundo. Trata-se de uma sólida base filosófica para a teologia somada à retificação do materialismo de Aristóteles. Em suas duas summae, sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de sua época: a “Summa theologiae” e a “Summa contra Gentiles”.
A partir do seu pensamento, a Igreja passa a ter uma teologia fundada na revelação e uma filosofia baseada no exercício da razão. A união das duas aconteceria na orientação divina e em sua reciprocidade.
Deixou também textos de aconselhamento político: Do governo do Príncipe, ao rei de Chipre, que se contrapõe, do ponto de vista ético, ao Príncipe de Maquiavel, obra bem posterior.
Segundo Tomás, é possível demonstrar, pelo uso da razão, e em cinco vias, a existência de Deus:
Primeira via: primeiro motor imóvel, tudo o que se move é movido por alguém, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido;
Segunda via: é necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa;
Terceira via: é necessário, é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser;
Quarta via: ser perfeito, deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição que é a causa da perfeição dos demais seres;
Quinta via: inteligência ordenadora, existe uma ordem no universo, logo há um ser inteligente que dispôs o universo de forma ordenada.
Tomás de Aquino concluiu que a descoberta da verdade ia além do que é visível. Defendia que a verdade existia em todas as coisas porque todas são reais, visíveis ou invisíveis: “uma pedra que está no fundo do oceano não deixa de ser uma pedra real e verdadeira só porque não pode ser vista”.
Sobre a eternidade da verdade, Tomás discorda de Agostinho. Para este, a verdade é definitiva, imutável. Para Aquino, a verdade é a consequência de factos causados no passado e, sem esses factos, a verdade deixa de existir.
Segundo Aquino, a ética consiste em agir de acordo com a natureza racional. Todo o homem é dotado de livre arbítrio, orientado pela consciência, e tem uma capacidade inata de captar, intuitivamente, os ditames da ordem moral. O primeiro postulado da ordem moral é: faz o bem e evita o mal.
Há uma Lei Divina, revelada por Deus aos homens, que consiste nos Dez Mandamentos. Há uma Lei Eterna, que é o plano racional de Deus que ordena todo o universo e uma Lei Natural, que é a participação da Lei Eterna na criatura racional, ou seja, aquilo que o homem é levado a fazer pela sua natureza racional.
A Lei Positiva é a lei feita pelo homem, de modo a possibilitar uma vida em sociedade. Esta  subordina-se à Lei Natural, não podendo contrariá-la, sob pena de se tornar uma lei injusta. Portanto, não há a obrigação de obedecer às leis injustas. Nisso reside a verdadeira objecção de consciência.
A Justiça consiste na disposição constante da vontade em dar a cada um o que é seu – suum cuique tribuere - e classifica-se como comutativa, distributiva e legal, conforme se faça entre iguais: do soberano para os súbditos e dos súbditos para o soberano, respectivamente.
Para Aquino, uma vez que corpo e alma se unem para formar um ser humano, não pode existir alma humana em corpo que ainda não é plenamente humano. O feto em desenvolvimento não tem a forma substancial da pessoa humana. Primeiro o feto é dotado de uma alma vegetativa, depois, de uma alma animal, em seguida, quando o corpo já se desenvolveu, de uma alma racional. Cada uma dessas "almas" é integrada à alma que a sucede até que ocorra, enfim, a união definitiva alma-corpo.
Fontes: Opera Mundi
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S. Tomás de Aquino por Carlo Crivelli
S. Tomás de Aquino por Diego Velázquez

sábado, 13 de janeiro de 2018

13 de Janeiro de 1128: O Papa Honório II reconhece os cavaleiros da Ordem dos Templários



O  papa Honório II concedeu em 13 de Janeiro de 1128 uma autorização papal à ordem militar conhecida como Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim "Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici"), ou mais popularmente, Ordem dos Templários, declarando-a um Exército de Deus. Esta é uma das mais famosas Ordens Militares de Cavalaria. A organização existiu durante cerca de dois séculos na Idade Média, fundada na esteira da Primeira Cruzada de 1096. Liderada pelo francês Hughes de Payens, a Ordem dos Templários foi fundada em 1118. Os Templários impuseram-se a missão de proteger os peregrinos cristãos no seu caminho para a Terra Santa durante as Cruzadas, uma série de expedições militares com o objectivo de derrotar os muçulmanos habitantes da antiga Palestina.

Além da origem familiar nobre, os cavaleiros tinham de se submeter a estritos votos de pobreza, obediência e caridade. Em 1127, esforços para promover a Ordem tiveram como consequência a atracção de mais e mais nobres, o que fez aumentar o seu número e influência. 

Enquanto não se permitia que o cavaleiro individualmente pudesse ter qualquer propriedade, para a Ordem como um todo não havia qualquer restrição. Ao longo dos anos, muitos cristãos ricos doaram terras e  objectos valiosos a fim de sustentar a Ordem. No começo do século XIV, terminaram as Cruzadas sem ter atingido o seu desiderato. Não obstante, a riqueza material da Ordem cresceu extraordinariamente, a ponto de provocar ciúmes tanto no poder religioso quanto no secular. 

Em 1307, o rei Felipe IV da França e o papa Clemente V combinaram dissolver a Ordem dos Templários, prendendo o grão-mestre, Jacques de Molay, acusando-o de heresia, sacrilégio e satanismo. Sob tortura, Molay e outros dirigentes dos Templários confessaram para finalmente serem queimados na fogueira. Clemente dissolveu a Ordem em 1312, destinando as suas propriedades e activos financeiros a uma ordem rival, os Cavaleiros Hospitalares da Ordem Hospitalária. Na verdade tanto o rei Felipe quanto o rei Eduardo II queriam mais a riqueza do que o banimento da organização dos seus respectivos países. 

A Igreja Católica admitiu que a perseguição aos Templários foi injustificada e declarou que o papa Clemente foi pressionado pelos governantes seculares a dissolver a Ordem. 

Ao longo dos séculos mitos e lendas acerca dos Templários só fizeram crescer, inclusive a crença de que eles teriam descoberto as relíquias sagradas no Monte do Templo, o Santo Graal, a Arca da Aliança e ainda partes da cruz da crucificação de Cristo. Os segredos imaginários dos Templários têm inspirado, romances e filmes de grande repercussão como o Código da Vinci de Dan Brown.  
 
Fontes: Opera Mundi
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Representação de um cavaleiro templário
Hugo de Payens
Templários condenados à fogueira pela Santa Inquisição 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

03 de Outubro de 1226: Morre São Francisco de Assis

São Francisco de Assis, fundador da Ordem dos Franciscanos, um dos maiores santos da Igreja católica romana, nasceu em Assis, Umbria, Itália em 1182, vindo a falecer no dia 3 de Outubro de 1226.

O seu nome de baptismo era Giovanni, no entanto desde pequeno era chamado – inclusive pelo próprio pai –  Francesco. Actualmente, o nome Francisco, e o seu equivalente em outros idiomas, deve a sua grande popularidade a São Francisco, já que antes da sua consagração o nome não era comum.
Preso aos 20 anos em Perúgia, quando a cidade entrou em conflito com Assis,  Francisco foi feito prisioneiro numa batalha. Dois anos após o seu regresso, pôs-se a caminho das guerras na Apúlia, mas, doente, viu-se obrigado a retornar a casa. Sofreu então uma conversão que o afastou da vida mundana que levava. Tornou-se notoriamente devoto e ascético, começando a apresentar-se em andrajos.

Em 1206, partiu para uma peregrinação a Roma. Uma série de acontecimentos à época revelou de modo impressionante as características que Francisco iria incorporar: humildade, amor à pobreza absoluta, singular devoção aos outros e à Igreja Romana e entusiástico fervor religioso.

Três anos depois, enquanto assistia a uma missa, as palavras de Jesus no Evangelho exortando os seus apóstolos a seguir em frente em suas missões chocaram-no como se fosse um apelo a ele dirigido. Passou então, ainda como leigo, a pregar.
Juntou um grupo de pessoas e foram a Roma para ver o papa Inocêncio III, que lhe deu permissão oral para viver da maneira que havia escolhido. A partir daí, criava-se a ordem franciscana, um tipo inteiramente novo de ordem eclesiástica.

Os frades percorreram a Umbria e  toda a Itália pregando o Evangelho, trabalhando para suprir as suas parcas necessidades. Desta forma, o crescimento dos frades franciscanos foi muito rápido. Francisco não somente enviou os irmãos para fora de Itália, mas também ele pessoalmente esteve na Dalmácia, França, Espanha e entre 1219 e 1220 na Terra Santa. No seu caminho para a Palestina parou em Damietta e orou para o sultão.

Porém, uma crescente dissensão na sua ordem chamou-o de volta. Após o seu regresso em 1221, uma grande assembleia teve lugar na capela de Porciúncula, perto de Assis, com a qual Francisco se identificava estreitamente. Nesse momento, o santo abandona a liderança activa da ordem, porque sentiu que ela se havia tornado demasiado difícil de comandar. Continuou, porém, a sua pregação e dedicou-se e a formar a Terceira Ordem dos Franciscanos.

Dois anos antes da sua morte, em 1224, ocorreu o mais famoso acontecimento da sua vida. Recebeu em seu corpo o estigma - fenómeno religioso caracterizado pelo ferimento espontâneo das mãos, dos pés e do lado direito do corpo, exactamente como as chagas de Cristo na crucificação - quando rezava no Monte della Verna. Segundo consta, foi o primeiro surgimento de um estigma e o único que é celebrado liturgicamente pela Igreja Católica romana em 17 de Setembro. Francisco morreu em 3 de Outubro de 1226 e dois anos depois o papa Gregório IX, seu patrono e amigo, canonizou-o.
Fontes: Opera Mundi
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Giotto di Bondone: Renúncia aos bens mundanos, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis
Giotto: Francisco e seus companheiros diante de Inocêncio III, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

28 de Agosto de 430: Morre Agostinho de Hipona, Santo Agostinho, Doutor da Igreja

Aurélio Agostinho nasceu em 354 em Tagasta (Argélia) e terá sido o impulsionador da primeira tentativa sistemática para a harmonização da Filosofia e da Teologia, conciliando elementos de origem platónica e neoplatónica com os preceitos da revelação. Por palavras suas, procurou «crer para entender e entender para crer» com o objetivo de integrar num corpo doutrinal coerente as verdades da fé.
Filho de Patrício, pagão, e Santa Mónica, fervorosamente cristã, viveu uma juventude dissoluta mas sempre atormentada pela busca da verdade e da felicidade. Depois de ter abraçado e renegado várias doutrinas, deixou-se vencer pelo ceticismo e só tardiamente se converteu à religião cristã.
O núcleo do sistema agostiniano reside exatamente na superação do ceticismo e da dúvida que, num percurso que encontrará paralelo em Descartes, o conduz ao primado da certeza imediata da experiência interior: mesmo quando duvida, o homem tem de admitir que vive, recorda, conhece e quer, de onde lhe advém a certeza que existe, e que, ainda que erre em todo o resto, pode ter como seguro que até para errar tem de existir. Além disso, só é possível pôr em causa os dados do mundo exterior quando existe algum padrão superior de Verdade. De facto, na razão, o ser humano encontra certas verdades necessárias e universais - os princípios lógicos e matemáticos, assim como as ideias de Uno, de Bem e de Belo -, cuja origem não pode estar na experiência sensível. O mesmo acontece com a generalidade dos conceitos, cujas especificações não podem ser extraídas da simples sensibilidade, pressupondo Ideias determinadas apenas acessíveis por via intelectual.
Para Agostinho, todas essas Ideias não podem ser originárias senão de Deus e só se tornam acessíveis ao homem por iluminação - através da intervenção doMestre interior, i. é, o próprio Deus - pelo que o conhecimento da Verdade se apresenta como produto de uma graça divina que apenas se pode dar em virtude de uma abertura da vontade para a fé, a partir da qual se deve orientar para o bem e o amor genuíno de Deus. Só depois de alcançado esse estado de contemplação da verdade divina pode, finalmente, o indivíduo assegurar a bem-aventurança, a felicidade e a salvação que constituem o objetivo último da existência humana.
No sistema agostiniano, as Ideias divinas, além de serem consideradas princípio gnosiológico, surgem como princípio ontológico, uma vez que correspondem ao projeto do universo na mente de Deus.
Na geração do mundo, Deus opera em três registos:
- cria, a partir do nada, a matéria, que, no entanto, não existe por si mas em virtude de uma permanente doação de ser por parte de Deus;
- reproduz os arquétipos ideais - havendo a distinguir os entes espirituais, imortais, criados já na sua forma final, dos entes materiais, cujo desenvolvimento explica pelo recurso às razões seminais, elementos formais dinâmicos que constituem na matéria o longínquo reflexo das Ideias divinas;
- cria o tempo - remetendo Deus para uma instância completamente exterior à temporalidade, deixa para o tempo, com início (o Génesis) e fim (o Juízo Final), a marca da contingência e da precaridade.
Santo Agostinho, que ficou conhecido como «Doutor da Graça», morreu em 430 em Hipona, onde havia sido sagrado bispo. As suas investigações, pioneiras na análise da metafísica da experiência interior, influenciaram decisivamente o percurso posterior do pensamento filosófico.
Fontes: Infopédia
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Detalhe de "Agostinho ensinando em Roma" de Benozzo Gozzoli
Manuscrito da Cidade de Deus, a obra mais famosa de Agostinho.Início do século XV, atualmente na Biblioteca Nacional da Holanda
Conversão de Agostinho.
1756. Por Charles-Antoine Coypel, actualmente no Palácio de Versalhes, em França

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

24 de Agosto de 1572: Noite de São Bartolomeu em França. Começa o massacre dos Huguenotes (protestantes).

Madrugada de 24 de agosto de 1572: os sinos da catedral de Saint Germain-l’Auxerrois fizeram o prenúncio do dia de São Bartolomeu – um mártir.
Na Noite de São Bartolomeu de 1572, os católicos massacraram os huguenotes em França. Somente em Paris, três mil protestantes foram exterminados nessa noite. A violência estava espalhada por todo o país, o número de huguenotes mortos foi de dezenas de milhares.
Poucos dias antes, era calmo o ambiente na capital. Celebrara-se um matrimónio real, que deveria encerrar um terrível decénio de lutas religiosas entre católicos e huguenotes. Os noivos eram Henrique, rei de Navarra e chefe da dinastia dos huguenotes, e Margarida Valois, princesa da França, filha do falecido Henrique II e de Catarina de Médicis.
Margarida era irmã do rei Carlos IX. Alguns milhares de huguenotes de todo o país – a nata da nobreza francesa – foram convidados a participar das festas de casamento em Paris. Uma armadilha sangrenta, como se constataria mais tarde.
Casamento sobre o Sena
A guerra entre católicos e protestantes predominou na França durante anos. E agora, um casamento deveria fazer com que tudo fosse esquecido?
O casamento não foi realizado na catedral. O noivo protestante não deveria entrar em Notre Dame, nem assistir à missa. Diante do portal ocidental da catedral, foi construído um palco sobre o rio Sena, no qual se celebrou o casamento. Margarida não respondeu com um "sim" à pergunta, se desejava desposar Henrique, mas fez simplesmente um aceno positivo com a cabeça. Como era comum na época, o casamento tinha motivação exclusivamente política.
No século XVI, o maior esteio da França não era o rei, mas sim a Igreja. E ela estava inteiramente infiltrada pela nobreza católica. Uma reforma do clero significaria, ao mesmo tempo, o tolhimento do poder dos príncipes. Assim, a nobreza – tendo à frente os Guise – buscava a preservação do status quo.
Casamento forçado seguido de atentado
Os Guise – a linhagem predominante em França – observavam com profunda desconfiança a cerimónia ao lado de Notre Dame. O casamento foi realizado por determinação da poderosa rainha-mãe Catarina de Médicis – uma mulher fria, detentora de um marcante instinto de poder.
Poucos dias depois da cerimónia, o almirante Coligny sofreu um atentado em rua aberta. O líder huguenote teve apenas ferimentos leves. Ainda assim, os huguenotes pressentiram uma conspiração. Estava em perigo a trégua frágil, lograda através do casamento. Por trás do atentado, estavam os Guise e Catarina de Médicis.
O casamento era parte de um plano preparado a longo prazo. Carlos, o rei, ficou furioso ao saber do atentado a Coligny, que era seu conselheiro e confidente. Os católicos espalharam então o boato de que os huguenotes estavam a planear uma rebelião para vingar-se do atentado.
Começa o plano diabólico
O rei Carlos foi pressionado pela sua mãe, Catarina. Carlos vacilou, ficou inseguro. Mas cedeu, finalmente, e ordenou a execução de Coligny. E exigiu, de repente, um trabalho completo: não deveria sobrar nenhum huguenote que pudesse acusá-lo posteriormente do crime.
Coligny foi assassinado com requintes de crueldade na noite de São Bartolomeu. Com ele, milhares de pessoas que professavam a mesma fé.
Henrique de Navarra sobreviveu à noite de São Bartolomeu nos aposentos do rei, que tinha dado a ordem para o massacre. Henrique teve de renegar a sua fé e foi encarcerado no Louvre. Quatro anos mais tarde, ele conseguiu fugir. Retornou ao seu reino em Espanha e, anos depois, subiu ao trono francês.
Henrique, que permaneceu católico, mas irmão espiritual dos huguenotes, concedeu-lhes a igualdade de direitos políticos através do Édito da Tolerância de Nantes. Uma compensação tardia para os huguenotes. Henrique defendia a coesão do país: "A França não se dividirá em dois países, um huguenote e outro católico. 

Fontes: DW
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Massacre de São Bartolomeu, de François Dubois

Uma manhã perto dos portões do Louvre pintura de Édouard DebatePonsan.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

10 de Maio de 1906: Nasce D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto

D. António Ferreira Gomes nasceu em 1906, no dia 10 de maio em Penafiel, e faleceu em 1989. 
Concluiu os seus estudos eclesiásticos na Universidade Gregoriana, onde se formou em Filosofia, em 1928. Ordenado sacerdote nesse mesmo ano, foi professor, prefeito, vice-reitor e reitor do Seminário de Vilar, na cidade do Porto. Foi nomeado coadjutor de Portalegre em 1948, passando a titular da diocese em 1949. Tornou-se bispo do Porto em 1952. 
No exercício do magistério episcopal e em defesa da doutrina social da Igreja Católica, em 1958 (coincidindo, portanto, com a campanha presidencial de Humberto Delgado), dirigiu uma carta ao então chefe do Governo, António de Oliveira Salazar, crítica da situação política, social e religiosa da nação. Consequentemente, foi forçado ao exílio a 24 de julho de 1959. Residiu em Espanha, na República Federal da Alemanha e em França, sendo mais tarde nomeado membro da Comissão Pontifícia de Estudos Ecuménicos para a preparação do Concílio Vaticano II pelo Papa João XXIII.



Após a morte de Salazar, regressou a Portugal, em 1969, e retomou o governo da sua diocese. Sendo o fundador do semanário Voz Portucalense e do boletimIgreja Portucalense, foi também responsável pela criação, nos anos 70, da Secção Diocesana da Comissão Pontifícia "Justiça e Paz". Apresentou o pedido de resignação da diocese em 1981, cessando funções no ano seguinte. 


Publicou uma vasta obra de reflexão e ensaio. Foi alvo de várias homenagens e galardoado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1976, e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 1983.
Fontes: Infopédia
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D. António Ferreira Gomes


Na cidade do Porto há muito granito

Entre névoas sombras e cintilações
A cidade parece firme e inexpugnável 
E sólida – mas habitada
Por súbitos clarões de profecia
Junto ao rio em cujo verde se espelham as visões
Assim quando eu entrava no Paço do Bispo
E passava a mão sobre a pedra rugosa
O paço me parecia fortaleza 
Porém a fortaleza não era
Os grossos muros de pedra caiada
Nem os limites de pedra nem a escada
De largos degraus rugosos de granito
Nem o peso frio que das coisas inertes emanava
Fortaleza era o homem – o Bispo – 
Alto e direito firme como torre
Ao fundo da grande sala clara: fortaleza
De sabedoria e sapiência
De compaixão e justiça
De inteligência a tudo atenta
E na face austera por vezes ao de leve o sorriso
Inconsútil da antiga infância.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 13 de abril de 2017

13 de Abril de 1598: Henrique IV assina o Édito de Nantes, permitindo a liberdade de culto aos protestantes

Édito decretado por Henrique IV, em 13 de Abril de 1598, a fim de regular a condição legal da Igreja Protestante na França. Sob o ponto de vista religioso, os calvinistas poderiam praticar o seu culto onde ele tivesse sido autorizado e, no caso de vilas e aldeias, por determinação do bailio. Essa liberdade de culto, contudo, não se estendia a Paris e à Corte. Do ponto de vista político, o Estado considerava os calvinistas como um corpo organizado e concedia-lhes garantias jurídicas (câmaras de representação mistas, em partes iguais), políticas (acesso a qualquer cargo) e militares (100 praças de segurança por 8 anos). Concedia ainda quatro universidades ou academias aos protestantes.Porém, este édito nunca foi executado na sua plenitude. Aliás, Luís XIV suprime os direitos concedidos um após outro e segue uma política de rigor. É a época das Dragonadas, designação dada às perseguições aos Protestantes do Sul de França, organizadas por Louvois (1681-1685) e executadas pelos Dragões Reais, antes da Revogação do Édito em 17 de Outubro de 1685, o que constituiu um grave erro político, de que resultou o expatriamento de inúmeros protestantes, considerados dos mais activos e incansáveis trabalhadores de França, muitos dos quais se refugiaram em Inglaterra e Holanda e nas suas colónias americanas e africanas.
Édito de Nantes. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)

Henrique IV de França- Frans Pourbus
File:King Henry IV of France.jpg

File:Edit de nantes.jpg



Édito de Nantes.

quarta-feira, 22 de março de 2017

22 de Março de 1312: Extinção da Ordem dos Templários

Em meados do século XII, oito cavaleiros franceses, agrupados em torno de um nobre da Champagne, Hugo de Payns, tomaram a decisão de assegurar  protecção dos peregrinos que se dirigiam a Jerusalém. O rei cristão desta cidade, Balduíno II (1118-1131) doou então a estes cavaleiros uma casa localizada no que fora antigamente o Templo de Salomão - daí a explicação para o nome da ordem então criada, Cavaleiros do Templo ou Pobres Cavaleiros de Cristo e do templo de Salomão. S. Bernardo, monge cisterciense e figura de proa da Cristandade ocidental do século XII, ajudou estes cavaleiros a elaborar a sua própria regra, inspirada assim nos costumes cistercienses, apoiando a sua aprovação no concílio de Troyes de 1128. São Bernardo tornou-se um acérrimo defensor desta "nova milícia", como lhe chamou em um dos seus fervorosos e flamejantes tratados espirituais, De laude novæ militiæ (Em louvor da nova milícia), escrito por volta de 1130. Simultaneamente monges e soldados, estes cavaleiros do Templo conciliavam na sua forma de vida os ideais da cavalaria medieval e os mais exigentes preceitos de vida monástica, ou não tivessem eles sido inspirados por S. Bernardo, príncipe dos monges da Idade Média reputado pelo seu fervor e radicalidade de vida religiosa.  objectivo destes cavaleiros era  protecção, assistência e socorro dos peregrinos que se dirigiam à Terra Santa. A par de outras ordens religiosas militares, os templários participavam também na defesa dos Estados Latinos da Terra Santa  respectivos Lugares Sagrados. No entanto, com o decorrer dos tempos, esta função hospitalária e assistencial, apoiada na  acção militar, tendeu cada vez mais para  actividades de carácter financeiro, relacionadas com as necessidades dos peregrinos e dos cruzados. Foi esta ligação  actividades bancárias que fez com que se dissipasse a aura mística e fervorosa do início e com que os poderes e a sociedade começassem a ver os Templários como grandes detentores de capitais e de um colossal património imobiliário, pouco condizente com a sua Regra e escopo original.
Muito hierarquizados, os Templários compreendiam nas suas fileiras cavaleiros e capelães nobres, bem como irmãos laicos e "sargentos". Esta divisão radicava também no modelo cisterciense, que separava os monges de origem nobre (sacerdotes) dos de origem plebeia (irmãos conversos). À cabeça da ordem, figurava o grão-mestre, eleito pelos cavaleiros, grupo a que pertencia, aliás. Era, todavia, obrigado a consultar o capítulo geral da ordem para as decisões mais importantes. Os Templários não deixaram de ter uma aura de prestígio e reputação de grande coragem, o que fez com formassem um autêntico Estado soberano, tais eram as mercês e privilégios com que foram, principalmente no seu primeiro século de existência, cumulados pelo papado. Este estado de graça fez com que prosperassem imensamente e atingissem um  efectivo de cerca de 15 000 religiosos em fins do século XIII. Por outro lado, ainda durante esta sua fase de crescimento e popularidade, os Templários, graças à sua  actividade assistencial e gestão rigorosa do seu património, puderam organizar o primeiro banco internacional, usando os seus lucros para acções de generosidade e auxílio, como o resgate de cativos reduzidos à escravidão entre os muçulmanos, por exemplo, outra das suas aplicações foi a construção de fortificações em rotas de peregrinos ou pontos de defesa na Terra Santa, como o célebre Krak dos Cavaleiros, na  actual Síria, monumento da  arquitectura militar por excelência e modelo de  protecção e defesa de caminhos e de peregrinos. Em 1291, com a queda de Jerusalém e a retirada das ordens militares da Terra Santa, perde-se a sua razão de existir. Ignorando as pressões e conselhos de soberanos europeus e dos próprios Papas, o então grão-mestre dos Templários, Jacques de Molay, recusou toda e qualquer fusão da sua ordem com os Hospitalários, outra ordem religiosa militar de cariz assistencial e com forte implantação no Levante mediterrânico. Em meados do século XIV, perante este impasse, o rei de França Filipe, o Belo, suprime a ordem em França e congela o seu gigantesco património. A 13 de maio de 1307 Jacques de Molay é mesmo preso. Em 1312, sob pressão de Filipe, o Belo, o papa Clemente V, na segunda sessão do concílio de Vienne (1311-1312), pronuncia a dissolução da Ordem do Templo a 22 de Março, confirmada em bula de 3 de  Abril desse ano. Os bens dos Templários são também transferidos para os Hospitalários. Num ambiente de perseguição e acusações, os Templários são perseguidos por toda a Cristandade, principalmente em França, assistindo-se a atos brutais de crueldade. Recorde-se, por exemplo, que a 19 de  Março de 1314, Jacques de Molay e Geoffrey de Charnay, figuras cimeiras dos Templários, irredutíveis na defesa intransigente da ordem, foram queimados vivos depois de terem recusado comprovar as acusações - um tanto absurdas e infundadas - levantadas contra eles.
O processo de extinção dos Templários constitui um dos "casos por resolver" da História e envolto em brumas e enigmas que, muitas vezes conduzem à ideia, por provar, de que os Templários terão sido ou alvo de cobiça devido ao seu espantoso património, ou "bodes expiatórios" de uma certa decadência da Cristandade e da luta entre o seu poder e o dos Estados em fase de afirmação política.  Actualmente alguns grupos de cidadãos reclamam a herança espiritual e mística dos Templários, tentando um ressurgimento da Ordem.
Em Portugal, a primeira notícia referente aos Templários é uma doação feita por D. Teresa em 19 de  Março de 1128. Trata-se do castelo e terras de Soure. Esta doação é a primeira de muitas com os reis portugueses brindaram os Templários, muito importantes no apoio à Reconquista Cristã e formação do reino de Portugal. Estabeleceram-se em Tomar em 1160, iniciando a construção de um castelo  respectivas dependências conventuais. Os Templários eram detentores de um vasto senhorio com inúmeros benefícios e terras na região entre Tomar e o Tejo, em cujo rio construíram o Castelo de Almourol, outro dos seus emblemas no nosso País. Até à sua extinção em Portugal, em 1312, em pleno reinado de D. Dinis. No entanto, ao contrário de além-Pirenéus, os bens dos Templários na Península Ibérica - graças às pressões dos monarcas peninsulares - não estavam abrangidos pela imposição papal de serem transferidos para os Hospitalários. D. Dinis conseguiu, depois de sete anos de negociações com a Santa que esta autorizasse a fundação de uma milícia portuguesa a partir dos bens dos extintos Templários. Foi esta milícia denominada Ordem de Cristo, tendo sido confirmada pela bula Ad ea ex quibus, de 14 de  Março de 1319, emitida em Avinhão por João XXII. Muitos dos Templários portugueses, segundo a tradição, terão passado para a Ordem de Cristo, que a partir de 1356 teve como sede a antiga fortificação-convento templária de Tomar. A mais conhecida das figuras da ordem de Cristo em Portugal foi o Infante D. Henrique.
Ordem dos Templários. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia (Imagens)




Balduíno II doa o Templo de Salomão a Hugues de Payns e Gaudefroy Saint-Home

Arquivo: BaldwinII ceeding do Templo de Salomão para Hugues de Payns e de Gaudefroy Saint-Homer.JPG

Arquivo:. Bernhard von Claraval (Initiale-B) jpg

São Bernardo de Claraval
Arquivo: Molay.jpg
Jacques de Molay - o último Grão Mestre da OrdemFicheiro:Jerusalem Al-Aqsa Mosque BW 2010-09-21 06-38-12.JPG
A primeira sede dos Cavaleiros Templários, a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, o Monte do Templo. Os Cruzados chamaram-lhe de o Templo de Salomão, como ele foi construído em cima das ruínas do Templo original, e foi a partir desse local que os cavaleiros tomaram o  nome de Templários
Ficheiro:Tomartemplarschurch2.jpgI
Igreja dos Templários de Tomar. A sua planta circular evoca a Igreja dos Templários em Jerusalém