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sábado, 9 de fevereiro de 2019

09 de Fevereiro de 1943: Segunda Guerra Mundial. Termina a batalha de Guadalcanal, com a vitória das forças norte-americanas.

Guadalcanal é uma das ilhas do arquipélago de Salomão, situando-se na parte meridional deste, no Pacífico Ocidental, não longe da Austrália. Antiga colónia britânica, as ilhas achavam-se ocupadas pelos Japoneses na sequência do ataque surpresa a Pearl Harbour, Hawai, na madrugada de 7 de dezembro de 1941. Depois das batalhas de Midway e do mar de Coral, no primeiro semestre de 1942, os Aliados, encabeçados pelos norte-americanos, mas integrando forças da Austrália e da Nova Zelândia, apostaram tudo numa grande ofensiva pelo ar, mar e terra contra o avanço inexorável das tropas japonesas no Pacífico Sul. As matérias-primas australianas (carvão, minerais metálicos, trigo, lã) eram o zénite da cobiça nipónica. A fraqueza e derrotas sucessivas dos Britânicos em Singapura e dos Holandeses na Indonésia abriam as portas da Austrália a Tóquio. Era imperativo estrangular a ofensiva japonesa e virar a guerra, na direção do Japão.
A ilha de Guadalcanal foi a escolhida, a par das ilhas vizinhas de Florida, Gavutu, Tanambogo e Tulagi, para se inverter o curso dos acontecimentos, numa operação denominada Watchtower ("atalaia", "torre de vigia"). Entre 7 de agosto de 1942 e 9 de fevereiro de 1943, 60 000 tropas [ ]de ar, terra e mar dos EUA, Austrália e Nova Zelândia (além de naturais de Tonga e das Ilhas Salomão), comandadas pelos vice-almirantes Robert Ghormley e Frank J. Fletcher (comando tático), o Major-General marine Alexander Vandegrift (comando das operações terrestres), secundados pelos almirantes William Halsey e Richmond K. Turner e pelo general marine Alexander Patch, lutaram contra cerca de 37 000 (ou 30 000) nipónicos, comandados pelo general Hyakutake Haruyoshi (Exército Imperial) e pelo almirante Gunichi Mikawa (Armada Imperial), além dos alimirantes Isoroku Yamamoto e Nishizo Tsukahara e do vice-almirante Jinichi Kusaka.
As baixas foram enormes do lado japonês, saldando-se em cerca de 25 000 mortos em terra, 3500 no mar, 1200 em combates aéreos e 1000 prisioneiros, não esquecendo cerca de 40 navios afundados e perto de 900 aviões abatidos. Do lado dos vencedores, os Aliados, cerca de 1800 militares tombaram em combates terrestres, quase 5000 no mar e aproximadamente 400 no ar, além de 30 navios e mais de 600 aviões abatidos.
A posição assaltada foi a japonesa, cujos efetivos se entrincheiraram nas referidas ilhas, mais em Guadalcanal, onde estavam, à data do começo das operações, a construir um aeroporto, que teria como objetivo a interceção de comunicações e ligações aeronavais entre os EUA e a Austrália. Num ataque relâmpago, o aeroporto em construção foi atacado e ocupado pelos Aliados, passando a chamar-se de Henderson Field, sem que tivesse havido grande resistência. O que parecia uma operação fácil e rápida logo se revelou sangrenta e delicada, pois o contra-ataque japonês foi fulminante: a 8 de agosto de 1942, no dia seguinte à tomada do aeroporto, deu-se a mais importante batalha naval depois de Pearl Harbour, no Pacífico, na Segunda Guerra Mundial. Os Aliados foram derrotados na chamada batalha da ilha de Savo. Os Aliados perdiam o controlo da rota de apoio logístico a Henderson Field, mas este aeroporto não caiu nas mãos dos Japoneses, o que fez o contra-ataque destes um insucesso. Mantida a pista de aviação nas mãos dos Aliados, sustida a contraofensiva nipónica, chegou a vez daqueles, de atacar e banir a ocupação japonesa de toda a ilha e outras circundantes. O poder de fogo e a diferença na capacidade de abastecimento, de tecnologia, além do número de efetivos, potenciaram o decurso favorável aos EUA e seus aliados.
Uma vitória dura e sangrenta, que se tornou o teatro decisivo da campanha do Pacífico, pois passou-se de uma lógica de defesa e contra-ataque dos Aliados para uma estratégia ofensiva e de combinação inter-armas para impor derrotas sucessivas ao Japão, conquistando-se ilha por ilha, atol por atol.
Guadalcanal foi assim o ponto de viragem da Guerra do Pacífico, como o foi a Normandia na Europa ou El-Alamein em África.
Esta campanha militar tornou-se num dos ícones históricos e de memória dos EUA em relação à Segunda Guerra Mundial, só comparável a Pearl Harbour, Iwo Jima ou Okinawa, para não falar em Hiroshima e Nagasáki, entre outros marcos decisivos da vitória sobre o Império do Sol Nascente.
Além da literatura e dos ensaios de história militar e contemporânea, além das memórias de ex-combatentes, destacam-se as produções fílmicas, desde logo do final da guerra, como Flying Leathernecks, de Nicholas Ray (1951) e, mais recentemente, uma da obras-primas do cinema contemporâneo, The Thin Red Line, de Terence Malick (1998), onde se destaca o quotidiano, palmo a palmo, da batalha terrestre de Guadalcanal.
Fontes: Infopédia
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Fuzileiros cruzam rio na ilha de Guadalcanal, 1942


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 O USS Wasp afunda em chamas após ser atingido por torpedos

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

04 de Fevereiro de 1945: Começa a Conferência de Ialta

Quando a vitória já parecia certa, os Aliados reuniram-se de 4 a 11 de Fevereiro de 1945 na Crimeia. A aceitação das imposições de Estaline selou as fronteiras da futura Cortina de Ferro.
Os três grandes líderes reuniram-se de 4 a 11 de Fevereiro de 1945 em Ialta, na Crimeia, após mais de cinco anos de guerra e milhões de mortos. Praticamente já ocupada, a Alemanha não estava em condições de resistir por muitas semanas. A Itália estava rendida, mas o Japão ainda resistia no Oceano Pacífico.
Embora a Segunda Guerra Mundial ainda não estivesse oficialmente encerrada, Franklin D. Roosevelt, José Estaline e Winston Churchill, considerando-se vencedores sobre os nazis e fascistas, iniciaram a discussão sobre a ordem internacional no pós-Guerra.
A Conferência de Ialta, às margens do Mar Negro, foi uma das três grandes conferências que determinaram o futuro da Europa e do mundo no pós-Guerra (além da de Teerão, em 1943, e a de Potsdam, em meados de 1945). Mesmo que a divisão do mundo não estivesse nos planos das lideranças aliadas neste momento, a Guerra Fria acabou por ser uma das consequências do encontro.
Para o historiador Jost Dülffer, da Universidade de Colónia, Ialta tinha boas probabilidades de estipular uma nova ordem de paz no pós-Guerra: "Foi aprovada uma declaração sobre a Europa libertada e discutiram-se várias questões, cuja solução era apenas parcial. Por fim, eles tiveram que se curvar perante os factos: os russos estavam às margens do rio Oder, no Leste, e os norte-americanos na fronteira oeste da Alemanha".
Em relação à Organização das Nações Unidas, que ainda não estava criada, decidiu-se a composição de um conselho de segurança com direito de veto. Quanto à Alemanha, as potências aliadas resolveram exigir a "capitulação incondicional" e decidiram dividir o país em três zonas de ocupação. Os detalhes seriam resolvidos por uma comissão constituída para este fim.
A Polónia foi o tema mais controverso da conferência na Crimeia, em Fevereiro de 1945. Temendo o avanço soviético na Europa Central, o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, e o presidente norte-americano, Franklin D. Roosevelt, planeavam para Varsóvia um governo com legitimação democrática, escolhido através de eleições livres. Enquanto Estaline ressaltava o poder democrático do governo por ele constituído na Polónia, os britânicos salientavam a legitimidade do governo polaco no exílio, estabelecido em Londres.

As duas frentes optaram por uma solução consensual: o governo constituído pelos soviéticos foi ampliado com alguns membros apontados pelos aliados. A partir de Junho de 1945, entretanto, o governo polaco passou a ser dominado por membros pró-soviéticos.
Estaline ainda conseguiu impor o deslocamento da fronteira soviética para o oeste. Afinal, os aliados ocidentais precisavam do apoio de Moscovo contra os japoneses no Oceano Pacífico. A fronteira leste da Alemanha ao longo dos rios Oder e Neisse foi sugestão do secretário-geral do partido comunista soviético. A nova linha divisória viria a delimitar o que mais tarde ficou conhecido como Cortina de Ferro, dividindo o mundo durante quase 50 anos de Guerra Fria.
Em 1946, o próprio Churchill reconheceria: "De Stettin, no Mar Báltico, até Trieste, no Mar Adriático, transcorre uma cortina de ferro pelo continente. Por trás desta linha estão todas as capitais da Europa Central e do Leste Europeu. Todas as cidades e as suas populações estão sob influência soviética. Os acertos feitos em Ialta foram vantajosos para os soviéticos.
Fontes: DW
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Churchill, Roosevelt e Estaline durante a Conferência

Uma das salas do Palácio Livadia, local da reunião 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

07 de Dezembro de 1941: O Japão ataca a base naval norte-americana de Pearl Harbour, no Hawai. Os EUA entram na II Guerra Mundial.

Importante base naval e quartel-general da armada norte-americana do Pacífico desde 1887, situada na costa sul da Ilha Oahu, Hawai, 10 km a oeste de Honolulu.Entre 1898, altura em que os Estados Unidos anexaram as ilhas do Hawai, e 1911 registaram-se importantes trabalhos de melhoramento das condições portuárias, sendo construído um canal que possibilitou a utilização do porto por navios de grande calado.Na manhã de 7 de dezembro de 1941, submarinos japoneses e aviões de combate lançados de porta-aviões atacaram a frota americana do Pacífico estacionada em Pearl Harbor. Apesar de a base se encontrar defendida por sofisticados dispositivos antiaéreos, foi incapaz de se defender do ataque surpresa da aviação imperial japonesa. Também os aérodromos vizinhos foram alvo dos ataques da aviação nipónica. Dezoito navios, entre os quais oito vasos de guerra, foram afundados ou gravemente atingidos, cerca de 200 aviões americanos foram destruídos e aproximadamente 3 mil marinheiros, soldados ou pessoal militar, foram mortos ou feridos. O ataque causou profunda indignação, pois foi efetuado sem uma declaração prévia de guerra. Marcou a entrada do Japão na II Guerra Mundial ao lado da Alemanha e da Itália e a dos Estados Unidos ao lado das forças aliadas.Pouco depois desta ação, o presidente Franklin D. Roosevelt nomeou uma comissão de inquérito para esclarecer se a negligência dos comandos americanos contribuiu para o sucesso dos japoneses; o relatório da comissão foi particularmente severo para com os responsáveis militares; o contra-almirante Husband Kimmel e o general Walter Short foram considerados negligentes e culpados de "erros de julgamento". Estas conclusões foram polémicas e as investigações prosseguiram para de 1945. Em julho de 1946 foram retiradas as acusações de negligência e mantidas apenas as que indiciavam erros de julgamento; de qualquer modo, este ataque trouxe à evidência uma certa falta de comunicação entre os diferentes ramos das forças armadas norte-americanas e, seguindo as sugestões da última comissão de inquérito nomeada para estudar o caso, foram unificadas. Em Pearl Harbor, o USS Arizona National Memorial, erguido nos restos daquele navio, destruído durante o ataque, homenageia os americanos mortos naquele dia.
Pearl Harbor. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Fotografia tirada de um avião japonês ao início do ataque. A explosão no centro é o resultado de um ataque torpedeiro contra o USS Oklahoma

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USS Arizona em chamas após ser bombardeado pelos japoneses






sábado, 13 de outubro de 2018

13 de Outubro de 1943: Segunda Guerra Mundial, a Itália declara guerra à Alemanha nazi

Caiu como uma bomba a notícia, transmitida no dia 13 de Outubro de 1943, de que o governo da Itália havia declarado guerra contra o seu ex-aliado e parceiro do Eixo, a Alemanha nazi, juntando-se aos aliados na luta contra a Wehrmacht.

Quando Benito Mussolini regressou a Roma depois de mais um encontro com Adolf Hitler, em 19 de Julho daquele ano, viu um cenário muito pior do que os destroços deixados pelo primeiro ataque aéreo dos aliados contra a capital italiana. Líderes fascistas rebeldes, encabeçados por Dino Grandi, Giuseppe Bottai e o conde Ciano, seu genro, exigiram a convocação do Grande Conselho Fascista, que não se reunia desde Dezembro de 1939. 

O ‘Duce’ foi alvo de violentas críticas pelo desastre que ocasionara ao país e, por 19 votos a 8, foi aprovada uma resolução exigindo a restauração da monarquia constitucional com um parlamento democrático. Determinava também que o comando das Forças Armadas fosse restituído ao rei. Na noite de 25 de Julho, Mussolini foi chamado ao palácio real pelo rei Victor Emanuel. Lá, foi sumariamente destituído do seu cargo e conduzido preso numa ambulância para um posto policial. 

O rei não poupou tempo para trazê-lo de volta à realidade: “Meu caro Duce, nada mais adianta. A Itália está desmantelada. Os soldados não querem continuar a lutar. Neste momento, és o homem mais odiado da Itália”, afirmou. 

Nem um só tiro foi disparado – nem mesmo por parte da milícia fascista – para salvá-lo. Houve, ao contrário, júbilo geral, e o próprio fascismo caiu por terra com o seu fundador. 

Roma, cidade aberta 

Com a deposição de Mussolini, assume o seu lugar o marechal Pietro Badoglio, seu antigo chefe do estado-maior. O marechal formou um governo apartidário, de generais e civis. O partido fascista foi dissolvido, os fascistas afastados dos postos-chave e os antifascistas postos em liberdade. Badoglio iniciou então negociações com o general Eisenhower, tendo em vista uma rendição condicional da Itália aos Aliados, que se tornou realidade com a permissão do governo italiano, em 8 de Setembro, dada às tropas aliadas de se estabelecerem em Salerno no sul do país, fundamental para empurrar os alemães para o norte. 

Os alemães também partiram para a acção. A partir do momento em que começou a vacilar, Hitler planeou invadir a Itália para impedir que as tropas aliadas ganhassem uma base de operação que permitisse alcançar facilmente a região balcânica ocupada pelos nazis.No dia da rendição da Itália, Hitler resolve lançar a operação “Axis”, destinada a ocupar a península. Assim que as tropas alemãs entraram em Roma, o marechal Badoglio e a família real escaparam para Brindisi, ao sudeste, onde estabeleceram o governo. 

No dia 13 de Outubro, Badoglio pôs em marcha o passo seguinte do seu acordo com Eisenhower: declarou guerra ao seu antigo parceiro e dispôs-se a cooperar totalmente com o que restava das forças italianas a fim de expulsar os invasores de Roma. A operação foi extremamente lenta, descrita por um general britânico como “uma escalada morro acima”: mau tempo , cálculos errados, consolidação de posição de cada região capturada esperando a junção das tropas, fizeram do avanço sobre Roma uma eternidade. Declarada Roma cidade aberta, salvaram-se os tesouros artísticos ali existentes e libertou-se a Itália do fascismo.
Fontes: Opera Mundi
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O rei Victor Emanuel III

Benito Mussolini

domingo, 2 de setembro de 2018

02 de Setembro de 1945: Segunda Guerra Mundial. Sessão formal de assinatura da rendição do Japão, a bordo do USS Missouri.

No dia 2 de Setembro de 1945, o Império do Sol Nascente rende –se aos Estados Unidos, pondo fim à Segunda Guerra Mundial. A Alemanha havia capitulado quatro meses antes. A acta de capitulação foi assinada na baía de Tóquio, a bordo do navio de guerra norte-americano Missouri na presença do general Douglas MacArthur e representantes das potências aliadas.

Aliado da Alemanha de Hitler e da Itália de Mussolini, no seio do Eixo, o Japão do imperador Hiroito entrou na guerra mundial ao atacar sem prévio aviso a base naval norte-americana de Pearl Harbor. Débil demais para poder suplantar a primeira potência industrial do mundo, o Japão não cessara de perder terreno após o aniquilamento da sua frota em Midway. Contudo, nem a perda das ilhas distantes após combates encarniçados, nem os bombardeios convencionais sobre as grandes cidades do arquipélago japonês fizeram diminuir a determinação dos dirigentes militares nipónicos.

Segundo definição da Casa Branca, para poder obrigar o governo japonês a capitular era necessário o emprego das poderosas bombas atómicas, estadas no deserto de Alamogordo, Novo México.

O presidente Harry Truman autorizou o lançamento de duas bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki, o que ocorreu em 6 e 9 de Agosto respectivamente.


Na véspera do ataque a Nagasaki, a União Soviética havia declarado guerra ao Japão e no dia seguinte, 9 de Agosto, invadiu a Manchúria, uma colónia japonesa.

Todavia, de acordo com as previsões de Washington, seriam as vítimas de Hiroshima e Nagasaki que convenceriam o governo japonês a encerrar uma resistência desesperada.

No dia 14 de Agosto, os japoneses, surpresos, ouvem pela primeira vez a voz de seu imperador - o mikado – pelos altifalantes instalados por todas as ruas.

Com voz grave e embargada, Hiroito anuncia a decisão de pôr termo à guerra. Consternação, gritos lancinantes e choros sacodem as multidões, sem excluir que no íntimo de muitos cidadãos havia um alívio secreto ante a perspectiva de paz. Aterrados, altos escalões do regime e oficiais de hierarquia escolheram pôr fim aos seus dias segundo o ritual nipónico.

Em 2 de Setembro, o novo ministro dos Negócios Estangeiros Mamoru Shigemitsu e o chefe do Estado-Maior da Armada Imperial, o general Yoshijiro Umezu, proibido de se suicidar pelo imperador, assinam a rendição sobre a ponte do cruzador Missouri, ancorado no porto de Tóquio. Na presença do general norte-americano Douglas MacArthur, assinam a capitulação do seu país. A Segunda Guerra Mundial estava terminada e o mundo passava a ser assaltado pelo temor de um apocalipse nuclear.
O tratado de paz propriamente dito foi assinado seis anos mais tarde, em São Francisco, em 8 de Setembro de 1951, pelos representantes do Japão e os dos Estados Unidos e pelas 47 nações aliadas na Segunda Guerra Mundial. A União Soviética e a China popular  abstiveram-se de qualquer assinatura.

Pelo referido tratado de paz, o Japão reconhecia a independência da Coreia e renunciava a qualquer reivindicação sobre as suas antigas possessões das ilhas Kurilas e Sakalinas, que passaram para a soberania soviética, assim como sobre Taiwan (Formosa) e os seus arquipélagos do Pacífico, que passaram para a tutela de Washington. Renunciava a toda intervenção militar externa e foi apenas autorizado a constituir uma “força de auto defesa” não nuclear.

Com a entrada em vigor do tratado, em 28 de Abril de 1952, o Japão pôde, por fim, recuperar a sua independência política e libertar-se da tutela norte-americana, embora mantendo laços especiais.Com a reconstrução paulatinamente concluída, o país ingressou, desde então, numa fase de expansão acelerada que permitiu que em poucos anos alcançasse o patamar de um dos países mais ricos do planeta.


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Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão Mamoru Shigemitsu assina a Ata de rendição do Japão no USS Missouri

sábado, 1 de setembro de 2018

01 de Setembro de 1939: Início da Segunda Guerra Mundial

Na madrugada de 1 de Setembro de 1939 foram disparados os primeiros tiros de uma guerra que acabaria com a derrota da Alemanha de Hitler pelas forças aliadas no ano de 1945.
Depois do incêndio do Reichstag, em fins de Fevereiro de 1933, os deputados passaram  reunir-se nas instalações da casa de ópera Krolloper, em Berlim. Seis anos após a tomada de poder pelo NSDAP (Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores) e do seu "Führer" Adolf Hitler (1898-1945), esses deputados  aceitavam submissos, as directrizes definidas pelo governo, sem qualquer autonomia para decisões próprias.
Todos os deputados eram membros do NSDAP e todos os outros partidos políticos estavam proibidos, os seus líderes tinham sido assassinados, presos, exilados ou silenciados de alguma outra forma. Naquele dia 1 de Setembro de 1939, reinava uma atmosfera de tranquilidade antes do início da sessão parlamentar.
Às 10 horas da manhã, Hitler tomou a palavra, afirmando que o Exército polaco teria invadido o território alemão "com soldados comuns", abrindo fogo. A Alemanha estaria a ripostar. Mais tarde, o governo nazi iria forjar um ataque de franco-atiradores polacos à emissora de rádio alemã em Gleiwitz, nas proximidades da fronteira polaca, atribuindo a esse facto a suposta razão da guerra. No ataque, afirmavam os nazis, teriam sido disseminadas palavras de ordem contra os alemães e um técnico teria sido assassinado. O ataque não passava de uma encenação, tendo sido executado sob o comando de Reinhard Heydrich, ao qual estava subordinado o Sicherheitsdienst (serviço secreto da SS).
Enquanto o entusiasmo entre os deputados era grande, a população mantinha-se relativamente contida. Para muitos, as lembranças da Primeira Guerra Mundial ainda estavam muito recentes na memória para qualquer espécie de júbilo em relação à notícia de um ataque à Polónia.
De início, as preocupações não eram justificadas, uma vez que o Exército alemão derrotou a Polónia em pouco mais de seis semanas. Em 1940, chegaria a vez da ocupação da Dinamarca e Noruega. No dia 10 de Maio de 1940, as tropas alemãs atacaram a Bélgica, Holanda e Luxemburgo e a seguir também a França.
No dia 21 de Junho de 1940, negociadores franceses assinaram um acordo de tréguas. Exactamente seis semanas e três dias após o seu início, a Blitzkrieg ("guerra relâmpago") terminava no oeste da Europa. Hitler era celebrado como o "maior comandante de todos os tempos". 
No mesmo ano (1941) em que a conquista da Inglaterra ("a batalha aérea pela Inglaterra") fracassava, as tropas alemãs ocupavam toda a região dos Balcãs e  posicionavam-se, em conjunto com as forças italianas (parceiras de aliança), no norte de África.
O Exército alemão e os seus aliados pareciam invencíveis. A mesma impressão tinha-se também por ocasião do início da guerra contra a União Soviética.
O ataque aéreo do Japão – aliado da Alemanha na guerra – à base naval norte-americana em Pearl Harbor, no dia 7 de Dezembro de 1941, mudaria, contudo, a situação de forma radical. Em função do ataque a Pearl Harbor, os EUA entraram na guerra contra a Alemanha. Em poucos meses, toda a economia norte-americana voltar-se-ia para a produção bélica.
Além deste fortalecimento dos Aliados, começaram as primeiras derrotas militares da Alemanha. Em finais de Janeiro de 1943, a batalha de Estalinegrado terminou com uma derrota fulminante das tropas alemãs sob o comando do general Friedrich Paulus. Essa derrota viria a marcar uma mudança de curso na Segunda Guerra Mundial.
A partir deste momento, as tropas soviéticas estavam a encurralar a Alemanha pelo leste, enquanto as forças aliadas se aproximavam pelo oeste. Em Abril de 1945, Berlim encontrava-se cercada por todos os lados, sendo bombardeada pelas forças adversárias. A capitulação alemã aconteceria no dia 9 de Maio de 1945.
A Segunda Guerra Mundial atingiu directamente cerca de 100 milhões de pessoas; 50 milhões morreram nos campos de batalha entre a África e o norte da Noruega ou em consequência da perseguição e morte ocorrida nos campos de concentração nazis.

wikipedia (Imagens)

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Invasão da Polónia por soldados alemães
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Varsóvia em ruínas após o intenso bombardeio promovido pela Luftwaffe alemã durante a invasão da Polónia.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

23 de Agosto de 1939: É assinado o pacto Molotov-Ribbentrop entre a URSS e a Alemanha

No dia 23 de Agosto de 1939 a União Soviética e a Alemanha assinam, em Moscovo, um pacto de não-agressão, válido por 10 anos. Contudo, ambos os chefes de Estado – Estaline e  Hitler –, a despeito das aparências, estavam a "jogar" conforme as suas necessidades políticas e estratégicas. 
Um protocolo secreto repartia as respectivas zonas de influência na Europa do leste. Hitler, que desta maneira obtinha a neutralidade da União Soviética, declararia guerra e invadiria a Polónia nove dias depois, em 1 de Setembro. Estaline aproveitaria então para avançar sobre a Finlândia, anexar os países bálticos e invadir a Roménia. O pacto seria rompido quando Hitler lançou um ataque contra a União Soviética em 22 de Junho de 1941. 
Após a invasão da Checoslováquia pela Alemanha, a Grã - Bretanha teria de tomar a crucial decisão de em que medida deveria intervir militarmente para conter a expansão germânica decidida por Hitler. O primeiro-ministro Neville Chamberlain, a princípio indiferente à ocupação por Hitler dos Sudetas, área de expressão alemã da Checoslováquia, de repente abriu os olhos quando a Polónia ficou tornou seriamente ameaçada. Era lógico que a Grã Bretanha se veria obrigada a socorrer a Polónia na eventualidade de uma invasão alemã. Mas ele queria, e necessitava, de um aliado. 
A única potência grande o suficiente para deter Hitler e com um avultado interesse em assim agir, era a União Soviética. No entanto, as relações de Estaline com o governo britânico estavam bastante frias depois do seu esforço para criar uma aliança com a Grã - Bretanha e a França contra a Alemanha nazi ter sido recusada um ano antes. Além do mais, os líderes polacos no exílio em Londres, quase todos ultra-conservadores, não queriam saber da perspectiva de terem a União Soviética como sua guardiã. Para eles, seria simplesmente uma ocupação por outro regime considerado opressor. 

Hitler acreditava que a Grã - Bretanha jamais iria atacá-lo sozinha, de modo que decidiu conter o seu temor e ódio ao comunismo e tentar granjear a amizade do chefe soviético, desse modo quebrando a iniciativa britânica. Ambos os lados mantinham-se extremamente desconfiados um do outro, tentando discernir os motivos por detrás da aproximação. Porém, Hitler tinha pressa. Os seus planos de invadir a Polónia já estavam decididos de maneira que deveria agir rapidamente antes que o Ocidente pudesse concordar com uma frente unificada – Inglaterra, França e União Soviética. Concordando basicamente em fatiar partes da Europa Oriental – deixando cada lado livre para agir – o ministro dos Negócios Estrangeiros de Hitler, Joachim von Ribbentrop, voou para Moscovo e assinou o Pacto de Não-Agressão com o seu homólogo da União Soviética, Viatsheslav Molotov (razão pela qual o pacto é historicamente conhecido como Pacto Molotov-Ribbentrop). 

Defensores do bolchevismo em todo o mundo tiveram a sua visão romântica do “internacionalismo socialista” abalada. Estavam ultrajados e não admitiam que Estaline pudesse estabelecer qualquer tipo de ligação com o ditador nazi. 
Exactamente três anos depois da assinatura do pacto, em Agosto de 1942, Estaline deu ao primeiro-ministro britânico, então numa missão em Moscovo, algumas das razões para sua decisão: “Tivemos a impressão que os governos inglês e francês não estavam resolvidos a ir à guerra se a Polónia fosse atacada, mas que esperavam que o alinhamento diplomático da Inglaterra, França e Rússia deteria Hitler. Estávamos certos de que tal não aconteceria.” 
“Quantas divisões”, Estaline perguntara, “enviará a França contra a Alemanha mobilizada?” A resposta seria: “perto de 100”. Então indagou: “Quantas enviará a Inglaterra?” A resposta foi “Duas, e duas mais tarde”. “Ah, duas, e duas mais tarde”, Estaline repetiu. “Sabe”, perguntou ele “quantas divisões teremos de colocar na frente russa se formos à guerra contra a Alemanha?” Houve uma pausa. “Mais de 400”. 
Fontes: Opera Mundi
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Cerimónia de assinatura: Molotov a assinar, Ribbentrop atrás (com os olhos fechados), com Estaline à sua esquerda


À esquerda as fronteiras conforme o Pacto Molotov-Ribbentrop. À direita, as fronteiras reais em 1939

Caricatura no jornal semanal "Mucha", de Varsóvia, em 8 de Setembro de 1939, já com a invasão Nazi em andamento. Ribbentrop faz reverência a Estaline

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

10 de Julho de 1940: A França dá início ao regime colaboracionista de Vichy

No dia 10 de Julho de 1940, no casino da cidade das águas de Vichy (Auvérnia, centro da França), a Assembleia Nacional, eleita em 1936, aprova a concessão de plenos poderes ao marechal Philippe Pétain, então conhecido como o “leão de Verdun”. Poucos deputados se opõem à decisão, que marca o fim da III República e o começo do que se denominou de “regime de Vichy”, um dos capítulos mais vergonhosos e humilhantes da história francesa.

Tudo começou com a invasão alemã de 10 de Maio de 1940 que, primeiramente,  empurrou a sede do governo francês de Paris para Bordéus e, em seguida, em 29 de Junho, de Bordéus para Vichy. A França estava incondicionalmente derrotada pelas forças de Hitler.

Entre finais de Junho e início de Julho, notou-se urgência no Executivo e entre os deputados presentes em Vichy em restaurar alguma autoridade capaz de negociar as condições da paz com o invasor e de tirar o país da crise nascida com o êxodo das populações civis e com a vergonhosa derrota militar - metade do território do país ocupado, incluindo Paris. A França ainda existia na base de um armistício assinado em 22 de Junho.

A ideia inicial partiu de Pierre Laval, então vice-presidente do Conselho de ministros, que propõe um projecto de lei constitucional confiando plenos poderes ao marechal, herói da I Guerra Mundial e que passara a ocupar o cargo de Presidente do Conselho (chefe de governo) há menos de um mês. O objectivo era que ele promulgasse uma nova Constituição garantindo “os direitos do trabalho, da família e da pátria”.

A priori, a vontade de restaurar uma autoridade forte não incluía a necessidade de suspender as leis constitucionais de 1875 e promulgar uma nova Constituição. Pétain gozava de sustentação parlamentar ampla e incontestável e de grande popularidade como herói de guerra.
O projecto de Laval é aprovado em 4 de Julho pelo Conselho e apresentado ao Parlamento no dia 8 de Julho. A exposição de motivos alegou “a necessidade de profunda reforma do sistema político da III República”. Entretanto, além de “dotar a França de um regime eficaz” o projecto de lei “permitiria compreender e aceitar a necessidade de uma revolução nacional” passando por um retorno aos “valores tradicionais”.

Na noite de 8 de Julho, o deputado radical-socialista Vincent Badie redige uma moção assinada por 27 deputados afirmando que, apesar de reconhecer “a necessidade imperiosa de uma reorientação moral e económica do nosso infeliz país” e “que se fazia indispensável conferir ao marechal Pétain, que nessas horas encarna tão perfeitamente as virtudes tradicionais, todos os poderes para levar a bom termo a obra da salvação pública e da paz” se recusavam a votar um projecto de lei que “conduziria inevitavelmente ao desaparecimento do regime republicano” ao confiar-lhe poderes ditatoriais.

A aplicação imediata de um artigo do regimento da Câmara de Deputados permitiu colocar o projecto de lei a voto. A emenda constitucional foi aprovada por 569 votos contra 80, 20 abstenções e 176 ausências.

Pierre Laval, então vice-presidente do Conselho, foi o encarregado de ler diante dos deputados a carta do marechal, solicitando plenos poderes com vista a elaborar uma nova Constituição. Assim que o pedido foi aceite, a Câmara foi dissolvida e o novo chefe de Estado, extrapolando a missão que lhe havia sido concedida, começa, aos 84 anos, uma carreira de ditador.

O marechal passa prontamente a ser objecto de um verdadeiro culto de personalidade.  Muitas sumidades colocam-se ao lado do homem apontado como grande vencedor da Batalha de Verdun, que determinou os rumos da I Guerra Mundial, com a esperança de regenerar o país graças a uma “revolução nacional”.

O que era para ser uma medida desesperada para retomar a soberania e dignidade francesas, num país que tinha sido facilmente ocupado pela Alemanha nazi, torna-se um governo fantoche e colaborador de Hitler, mandando milhares de judeus franceses para os famigerados campos de concentração, entre outras séries de irregularidades, abolindo direitos fundamentais e implantando um regime autoritário. Com direito a um pronunciamento oficial anunciando a França como uma nação colaboracionista em Outubro de 1940.

Após a libertação do país pelas tropas aliadas, a ordenação de 9 de Agosto de 1944, restabeleceu a legalidade republicana sobre o país, declarando nula e sem efeito a acta de 10 de Julho de 1940. Pétain acabou acusado de alta traição e crime de indignação nacional, é condenado à pena de morte - pena que é transformada em prisão perpétua pelo seu sucessor, o líder da resistência francesa, Charles de Gaulle. Morre na prisão, em 1951.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

O Marechal Philippe Pétain por Marcel Baschet 
Pétain e Hitler em Montoire

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

09 de Agosto de 1945: Lançamento da bomba atómica, "Fat Man" sobre Nagasaki

No dia 9 de Agosto de 1945, uma segunda bomba atómica é lançada no Japão pelos Estados Unidos sobre a cidade de Nagasaki. O ataque resultou  na rendição incondicional do exército nipónico.
Mais uma vez, os norte-americanos baptizaram-na com ironia: "fat man" (homem gordo). A bomba matou cerca de 70 mil pessoas e deixou 25 mil feridas. Segundo historiadores norte-americanos, o alto-comando dos Estados Unidos ameaçou atacar Tóquio caso o Japão não se rendesse. A destruição que um ataque nuclear causaria numa das maiores cidades do mundo seria incalculável.
A devastação causada em Hiroshima três dias antes não foi suficiente para convencer o Conselho de Guerra japonês a aceitar a exigência da Conferência de Potsdam de rendição incondicional. Os Estados Unidos já haviam planeado, unilateralmente e sem o conhecimento prévio dos Aliados, o lançamento de uma segunda bomba atómica. Ela estava programada inicialmente para 11 de Agosto, mas o mau tempo previsto para essa data antecipou o lançamento para 9 de Agosto.
À 01h56, um bombardeiro B-29, especialmente adaptado, baptizado de  Bockscar ,  levantou voo da ilha Tinian sob as ordens do major Charles W. Sweeney. Nagasaki era um importante centro de construção naval, um alvo, a juízo das autoridades militares norte-americanas, apropriado para ser destruído. A bomba foi lançada às 11h02 sobre a cidade e desencadeou uma energia equivalente a 22 mil toneladas de dinamite. As colinas que cercavam a cidade serviram para conter parcialmente a força destrutiva da bomba, mas o número estimado de mortos, quase instantaneamente, foi algo entre 60 e 80 mil pessoas. O número exacto  tornou-se impossível de quantificar, pois a explosão desfigurou corpos e desintegrou os registos.
O general Leslie R. Groves, responsável pela organização do projecto que produziu a explosão nuclear, chegou a alegar que outra bomba atómica estava disponível contra o Japão. A operação só não teria sido colocada em prática por falta de necessidade. O imperador Hiroito, a pedido de dois dos membros do Conselho ansiosos pelo fim da guerra, reuniu-se com o Conselho e declarou que “a continuidade da guerra pode apenas resultar na aniquilação do povo japonês”. O Imperador do País do Sol Nascente deu então a sua permissão para que se assinasse a rendição incondicional.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Nuvem atómica sobre a cidade de Nagasaki
Bockscar e sua tripulação, que lançou a bomba atómica "Fat Man" sobre Nagasaki.
Réplica de "Fat Man" lançada em Nagasaki, Japão, em 9 de agosto de 1945
Réplica de "Fat Man" lançada em Nagasaki, Japão, em 9 de Agosto de 1945