Mostrar mensagens com a etiqueta Sociedade das Nações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sociedade das Nações. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de abril de 2018

18 de Abril de 1946: É dissolvida a Sociedade das Nações, antecessora da ONU

No dia 18 de Abril de 1946, foi dissolvida formalmente a Sociedade das Nações. Surgida em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial, na prática ela deixara de existir alguns anos antes.
A dissolução da Sociedade  das Nações, no dia 18 de Abril de 1946, não passou de uma formalidade. Na prática, ela deixara de existir alguns anos antes. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia iniciado suas actividades a 24 de Outubro de 1945, como organismo sucessor.
A Sociedade (ou Liga) das Nações surgiu em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial e foi a primeira tentativa de consolidar uma organização universal para a paz. Acreditava-se que futuros conflitos só poderiam ser impedidos se fosse criada uma instituição internacional permanente, encarregada de negociar e garantir a paz. O principal precursor da ideia fora o presidente norte-americano Woodrow Wilson (1856–1924).
Em Janeiro de 1918, Wilson apresentou uma proposta de paz revolucionária, contida em 14 pontos: exigência da eliminação da diplomacia secreta em favor de acordos públicos; liberdade nos mares; abolição das barreiras económicas entre os países; redução dos armamentos nacionais; redefinição da política colonialista, levando em consideração o interesse dos povos colonizados; e retirada dos exércitos de ocupação da Rússia.
Pretendia também a restauração da independência da Bélgica; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas; reconhecimento do direito ao desenvolvimento autónomo dos povos da Áustria-Hungria; restauração da Roménia, da Sérvia e de Montenegro, assim como o direito de acesso ao mar para a Sérvia; reconhecimento da autonomia da Turquia a abertura permanente dos estreitos entre o Mar Negro e Mediterrâneo; independência da Polónia; e criação da Sociedade das Nações (League of Nations).
Após complicadas negociações, sobretudo com a França, que exigia da Alemanha reparações de guerra, foi aprovada em Paris uma versão reformulada do programa de 14 pontos, em 28 de Abril de 1919. O estatuto da Sociedade das Nações foi assinado a 28 de Junho do mesmo ano, como parte do Tratado de Versalhes, firmado com a Alemanha. A primeira conferência da nova organização, fundada pelos 32 países vencedores da Primeira Guerra Mundial, foi realizada em 1920, em Genebra.
A Sociedade das Nações, porém, fracassou por defeitos de origem. Não dispunha de um poder executivo forte, nem contava com representantes da União Soviética e dos Estados Unidos – a nação do seu idealizador. O governo de Moscovo não era aceite, e Washington não ingressou na organização por rejeitar o Tratado de Versalhes. Mesmo nos melhores tempos, o número de membros não passou de 50. Já em 1923, tornou-se evidente a fraqueza da organização, quando os franceses invadiram a região alemã da Renânia, para cobrar reparações de guerra.
Um dos poucos êxitos da SDN foi o pacto de segurança firmado entre Alemanha, França, Grã-Bretanha e Bélgica, além da resolução diplomática de alguns conflitos internacionais. Genebra, porém, nada pôde fazer para impedir a crise económica mundial, no final da década de 20. A miséria geral impulsionou as forças nacionalistas que se opunham ao Tratado de Versalhes.
A invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, foi uma prova do fracasso da Sociedade das Nações. Condenado um ano e meio depois pelo acto de agressão, o Japão abandonou a organização. A Alemanha seguiu o mesmo caminho a 14 de Outubro de 1933. Adolf Hitler, interessado apenas em armar o seu país, usou uma série de pretextos para abandonar a conferência de desarmamento e ridicularizar a Sociedade das Nações.
As invasões da Abissínia pela Itália, em 1935, e da Finlândia, pela União Soviética, em 1939, revelaram que a SDN não passava de uma organização de fachada. O seu último acto foi expulsar a URSS, que havia sido admitida como membro em 1934. A esta altura, porém, a Segunda Guerra Mundial já estava a pleno caminho, o que frustrou de vez as intenções pacifistas dos idealizadores da Sociedade das Nações.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)

File:Palais des nations.jpg
Sede da Sociedade das Nações em Genebra
File:The Gap in the Bridge.png

Cartaz  da revista Punch de 10 de Dezembro de 1920, sobre a ausência dos EUA da Sociedade das Nações.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

10 de Janeiro de 1920: É constituída a Sociedade das Nações, antecessora da ONU

Com a entrada em vigor do Tratado de Versalhes, nasce oficialmente em 10 de Janeiro de 1920 a Sociedade das Nações, conhecida como SDN. A organização internacional, cuja sede foi estabelecida em Genebra, recebe 32 países como membros,  submetidos à autoridade de um conselho permanente. O papel central da SDN é o de assegurar a manutenção da paz no mundo. Após a Segunda Guerra Mundial ela é substituída pela ONU (Organização das Nações Unidas). 

A Sociedade das Nações representa um produto da Primeira Guerra Mundial, no sentido que o conflito acabou por convencer os governantes da necessidade de impedir outro conflito semelhante. As bases filosóficas residem nas visões de homens como o duque de Sully e Immanuel Kant, porém, os alicerces práticos ficam respaldados pelo recente crescimento de organizações formais internacionais, como a União Telegráfica Internacional (1865) e a União Postal Universal (1874). A Cruz Vermelha, as Conferências de Haia e o Tribunal Internacional de Haia consistiram também em importantes pedras fundamentais para a cooperação internacional. 

No término da Primeira Guerra Mundial, figuras proeminentes como Jan Smuts, Lord Robert Cecil e Leon Bourgeois defenderam uma Sociedade das Nações. O presidente norte-americano Woodrow Wilson incorporou a proposta nos seus famosos 14 pontos e  transformou-se em figura importante na criação da SDN durante a Conferência de Paz de Versalhes em 1919. A base institucional da SDN foi o Pacto (Covenant), incluído no Tratado de Versalhes. 

O Pacto era formado por 26 artigos. Os artigos 1º ao 7º diziam respeito à organização: uma assembleia geral composta de todos os países membros; um conselho composto pelas grandes potências, originalmente Grã-Bretanha, França, Itália, Japão e China, e mais tarde também a Alemanha e a URSS (paradoxalmente com excepção dos Estados Unidos, cujo Senado se recusou a ratificar o Tratado de Versalhes); e um secretariado. 

Tanto a assembleia geral quanto o conselho tinham poderes para discutir e dirimir qualquer matéria da esfera da SDN ou qualquer conflito que afectasse a paz mundial. Em ambos era exigida decisão unânime. Os artigos 8º e 9º reconheciam a necessidade de desarmamento. O art. 10º era uma tentativa de garantir a integridade territorial e independência política dos estados membros contra agressões externas. Os artigos 11º a 17º tratavam do estabelecimento de um Tribunal  Internacional Permanente de Justiça para arbitragem e conciliação. Os demais artigos tratavam de cooperação humanitária e emendas ao Pacto. 

A SDN rapidamente provou  a sua validade arbitrando a disputa entre a Finlândia e Suécia sobre as ilhas Aland (1920–21), garantindo a segurança da Albânia (1921), resgatando a Áustria do desastre económico, estabelecendo a divisão da Alta Silésia (1922) e evitando a eclosão da guerra nos Bálcãs entre Grécia e Bulgária (1925), além de acções contra a escravatura branca, ao tráfico de ópio e em outros campos. 

A pressão política, especialmente das grandes potências, levava a organização ao esfacelamento. A Polónia recusou a arbitragem da SDN no seu contencioso com a Lituânia; a Sociedade das Nações ficou sem acção quando a França ocupou o Ruhr alemão (1923) e a Itália ocupou Kérkira, Corfu, Grécia (1923). A omissão quanto à invasão da Manchúria pelo Japão infligiu um duro golpe ao prestígio da SDN, em especial porque foi seguido da retirada do Japão da organização (1933). Outro grande insucesso foi a inabilidade da SDN para pôr fim à Guerra do Chaco (1932–35) entre Bolívia e Paraguai. 

O fracasso da Conferência de Desarmamento e a retirada da Alemanha da (1933), bem como o ataque da Itália à Etiópia, acabaram por selar a inoperância da organização. Em 1936, Hitler remilitarizou a Renânia e denunciou o Tratado de Versalhes. Em 1938 anexou a Áustria. 

Diante das ameaças à paz internacional – a Guerra Civil espanhola, a Guerra do Japão contra a China (1937) e finalmente a ‘política de apaziguamento’ com Hitler em Munique (1938) – a SDN entrou em colapso. 

Em 1940 estava reduzida a um esqueleto. Por fim, em 1946, a Sociedade das Nações  deixou oficialmente de existir, transferindo os seus serviços e bens imóveis, especialmente o Palácio das Nações em Genebra às Nações Unidas, recém formada. 


Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
A sede da SDN em Genebra

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A Sociedade das Nações (SDN)

Com a entrada em vigor do Tratado de Versalhes, nasce oficialmente em 10 de Janeiro de 1920 a Sociedade das Nações, conhecida como SDN. A organização internacional, cuja sede foi estabelecida em Genebra, recebe 32 países como membros,  submetidos à autoridade de um conselho permanente. O papel central da SDN é o de assegurar a manutenção da paz no mundo. Após a Segunda Guerra Mundial ela é substituída pela ONU (Organização das Nações Unidas). 

A Sociedade das Nações representa um produto da Primeira Guerra Mundial, no sentido que o conflito acabou por convencer os governantes da necessidade de impedir outro conflito semelhante. As bases filosóficas residem nas visões de homens como o duque de Sully e Immanuel Kant, porém, os alicerces práticos ficam respaldados pelo recente crescimento de organizações formais internacionais, como a União Telegráfica Internacional (1865) e a União Postal Universal (1874). A Cruz Vermelha, as Conferências de Haia e o Tribunal Internacional de Haia consistiram também em importantes pedras fundamentais para a cooperação internacional. 

No término da Primeira Guerra Mundial, figuras proeminentes como Jan Smuts, Lord Robert Cecil e Leon Bourgeois defenderam uma Sociedade das Nações. O presidente norte-americano Woodrow Wilson incorporou a proposta nos seus famosos 14 pontos e  transformou-se em figura importante na criação da SDN durante a Conferência de Paz de Versalhes em 1919. A base institucional da SDN foi o Pacto (Covenant), incluído no Tratado de Versalhes. 

O Pacto era formado por 26 artigos. Os artigos 1º ao 7º diziam respeito à organização: uma assembleia geral composta de todos os países membros; um conselho composto pelas grandes potências, originalmente Grã-Bretanha, França, Itália, Japão e China, e mais tarde também a Alemanha e a URSS (paradoxalmente com excepção dos Estados Unidos, cujo Senado se recusou a ratificar o Tratado de Versalhes); e um secretariado. 

Tanto a assembleia geral quanto o conselho tinham poderes para discutir e dirimir qualquer matéria da esfera da SDN ou qualquer conflito que afectasse a paz mundial. Em ambos era exigida decisão unânime. Os artigos 8º e 9º reconheciam a necessidade de desarmamento. O art. 10º era uma tentativa de garantir a integridade territorial e independência política dos estados membros contra agressões externas. Os artigos 11º a 17º tratavam do estabelecimento de um Tribunal  Internacional Permanente de Justiça para arbitragem e conciliação. Os demais artigos tratavam de cooperação humanitária e emendas ao Pacto. 

A SDN rapidamente provou  a sua validade arbitrando a disputa entre a Finlândia e Suécia sobre as ilhas Aland (1920–21), garantindo a segurança da Albânia (1921), resgatando a Áustria do desastre económico, estabelecendo a divisão da Alta Silésia (1922) e evitando a eclosão da guerra nos Bálcãs entre Grécia e Bulgária (1925), além de acções contra a escravatura branca, ao tráfico de ópio e em outros campos. 

A pressão política, especialmente das grandes potências, levava a organização ao esfacelamento. A Polónia recusou a arbitragem da SDN no seu contencioso com a Lituânia; a Sociedade das Nações ficou sem acção quando a França ocupou o Ruhr alemão (1923) e a Itália ocupou Kérkira, Corfu, Grécia (1923). A omissão quanto à invasão da Manchúria pelo Japão infligiu um duro golpe ao prestígio da SDN, em especial porque foi seguido da retirada do Japão da organização (1933). Outro grande insucesso foi a inabilidade da SDN para pôr fim à Guerra do Chaco (1932–35) entre Bolívia e Paraguai. 

O fracasso da Conferência de Desarmamento e a retirada da Alemanha da (1933), bem como o ataque da Itália à Etiópia, acabaram por selar a inoperância da organização. Em 1936, Hitler remilitarizou a Renânia e denunciou o Tratado de Versalhes. Em 1938 anexou a Áustria. 

Diante das ameaças à paz internacional – a Guerra Civil espanhola, a Guerra do Japão contra a China (1937) e finalmente a ‘política de apaziguamento’ com Hitler em Munique (1938) – a SDN entrou em colapso. 

Em 1940 estava reduzida a um esqueleto. Por fim, em 1946, a Sociedade das Nações  deixou oficialmente de existir, transferindo os seus serviços e bens imóveis, especialmente o Palácio das Nações em Genebra às Nações Unidas, recém formada. 

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

A sede da SDN em Genebra

segunda-feira, 18 de abril de 2016

18 de Abril de 1946: É dissolvida a Sociedade das Nações

No dia 18 de Abril de 1946, foi dissolvida formalmente a Sociedade das Nações. Surgida em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial, na prática ela deixara de existir alguns anos antes.
A dissolução da Sociedade  das Nações, no dia 18 de Abril de 1946, não passou de uma formalidade. Na prática, ela deixara de existir alguns anos antes. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia iniciado suas actividades a 24 de Outubro de 1945, como organismo sucessor.
A Sociedade (ou Liga) das Nações surgiu em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial e foi a primeira tentativa de consolidar uma organização universal para a paz. Acreditava-se que futuros conflitos só poderiam ser impedidos se fosse criada uma instituição internacional permanente, encarregada de negociar e garantir a paz. O principal precursor da ideia fora o presidente norte-americano Woodrow Wilson (1856–1924).
Em Janeiro de 1918, Wilson apresentou uma proposta de paz revolucionária, contida em 14 pontos: exigência da eliminação da diplomacia secreta em favor de acordos públicos; liberdade nos mares; abolição das barreiras económicas entre os países; redução dos armamentos nacionais; redefinição da política colonialista, levando em consideração o interesse dos povos colonizados; e retirada dos exércitos de ocupação da Rússia.
Pretendia também a restauração da independência da Bélgica; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas; reconhecimento do direito ao desenvolvimento autónomo dos povos da Áustria-Hungria; restauração da Roménia, da Sérvia e de Montenegro, assim como o direito de acesso ao mar para a Sérvia; reconhecimento da autonomia da Turquia a abertura permanente dos estreitos entre o Mar Negro e Mediterrâneo; independência da Polónia; e criação da Sociedade das Nações (League of Nations).
Após complicadas negociações, sobretudo com a França, que exigia da Alemanha reparações de guerra, foi aprovada em Paris uma versão reformulada do programa de 14 pontos, em 28 de Abril de 1919. O estatuto da Sociedade das Nações foi assinado a 28 de Junho do mesmo ano, como parte do Tratado de Versalhes, firmado com a Alemanha. A primeira conferência da nova organização, fundada pelos 32 países vencedores da Primeira Guerra Mundial, foi realizada em 1920, em Genebra.
A Sociedade das Nações, porém, fracassou por defeitos de origem. Não dispunha de um poder executivo forte, nem contava com representantes da União Soviética e dos Estados Unidos – a nação do seu idealizador. O governo de Moscovo não era aceite, e Washington não ingressou na organização por rejeitar o Tratado de Versalhes. Mesmo nos melhores tempos, o número de membros não passou de 50. Já em 1923, tornou-se evidente a fraqueza da organização, quando os franceses invadiram a região alemã da Renânia, para cobrar reparações de guerra.
Um dos poucos êxitos da SDN foi o pacto de segurança firmado entre Alemanha, França, Grã-Bretanha e Bélgica, além da resolução diplomática de alguns conflitos internacionais. Genebra, porém, nada pôde fazer para impedir a crise económica mundial, no final da década de 20. A miséria geral impulsionou as forças nacionalistas que se opunham ao Tratado de Versalhes.
A invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, foi uma prova do fracasso da Sociedade das Nações. Condenado um ano e meio depois pelo acto de agressão, o Japão abandonou a organização. A Alemanha seguiu o mesmo caminho a 14 de Outubro de 1933. Adolf Hitler, interessado apenas em armar o seu país, usou uma série de pretextos para abandonar a conferência de desarmamento e ridicularizar a Sociedade das Nações.
As invasões da Abissínia pela Itália, em 1935, e da Finlândia, pela União Soviética, em 1939, revelaram que a SDN não passava de uma organização de fachada. O seu último acto foi expulsar a URSS, que havia sido admitida como membro em 1934. A esta altura, porém, a Segunda Guerra Mundial já estava a pleno caminho, o que frustrou de vez as intenções pacifistas dos idealizadores da Sociedade das Nações.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)
File:Palais des nations.jpg
Sede da Sociedade das Nações em Genebra
File:The Gap in the Bridge.png

Cartaz  da revista Punch de 10 de Dezembro de 1920, sobre a ausência dos EUA da Sociedade das Nações.

domingo, 10 de janeiro de 2016

10 de Janeiro de 1920: É constituída a Sociedade das Nações, antecessora da ONU

Com a entrada em vigor do Tratado de Versalhes, nasce oficialmente em 10 de Janeiro de 1920 a Sociedade das Nações, conhecida como SDN. A organização internacional, cuja sede foi estabelecida em Genebra, recebe 32 países como membros,  submetidos à autoridade de um conselho permanente. O papel central da SDN é o de assegurar a manutenção da paz no mundo. Após a Segunda Guerra Mundial ela é substituída pela ONU (Organização das Nações Unidas). 

A Sociedade das Nações representa um produto da Primeira Guerra Mundial, no sentido que o conflito acabou por convencer os governantes da necessidade de impedir outro conflito semelhante. As bases filosóficas residem nas visões de homens como o duque de Sully e Immanuel Kant, porém, os alicerces práticos ficam respaldados pelo recente crescimento de organizações formais internacionais, como a União Telegráfica Internacional (1865) e a União Postal Universal (1874). A Cruz Vermelha, as Conferências de Haia e o Tribunal Internacional de Haia consistiram também em importantes pedras fundamentais para a cooperação internacional. 

No término da Primeira Guerra Mundial, figuras proeminentes como Jan Smuts, Lord Robert Cecil e Leon Bourgeois defenderam uma Sociedade das Nações. O presidente norte-americano Woodrow Wilson incorporou a proposta nos seus famosos 14 pontos e  transformou-se em figura importante na criação da SDN durante a Conferência de Paz de Versalhes em 1919. A base institucional da SDN foi o Pacto (Covenant), incluído no Tratado de Versalhes. 

O Pacto era formado por 26 artigos. Os artigos 1º ao 7º diziam respeito à organização: uma assembleia geral composta de todos os países membros; um conselho composto pelas grandes potências, originalmente Grã-Bretanha, França, Itália, Japão e China, e mais tarde também a Alemanha e a URSS (paradoxalmente com excepção dos Estados Unidos, cujo Senado se recusou a ratificar o Tratado de Versalhes); e um secretariado. 

Tanto a assembleia geral quanto o conselho tinham poderes para discutir e dirimir qualquer matéria da esfera da SDN ou qualquer conflito que afectasse a paz mundial. Em ambos era exigida decisão unânime. Os artigos 8º e 9º reconheciam a necessidade de desarmamento. O art. 10º era uma tentativa de garantir a integridade territorial e independência política dos estados membros contra agressões externas. Os artigos 11º a 17º tratavam do estabelecimento de um Tribunal  Internacional Permanente de Justiça para arbitragem e conciliação. Os demais artigos tratavam de cooperação humanitária e emendas ao Pacto. 

A SDN rapidamente provou  a sua validade arbitrando a disputa entre a Finlândia e Suécia sobre as ilhas Aland (1920–21), garantindo a segurança da Albânia (1921), resgatando a Áustria do desastre económico, estabelecendo a divisão da Alta Silésia (1922) e evitando a eclosão da guerra nos Bálcãs entre Grécia e Bulgária (1925), além de acções contra a escravatura branca, ao tráfico de ópio e em outros campos. 

A pressão política, especialmente das grandes potências, levava a organização ao esfacelamento. A Polónia recusou a arbitragem da SDN no seu contencioso com a Lituânia; a Sociedade das Nações ficou sem acção quando a França ocupou o Ruhr alemão (1923) e a Itália ocupou Kérkira, Corfu, Grécia (1923). A omissão quanto à invasão da Manchúria pelo Japão infligiu um duro golpe ao prestígio da SDN, em especial porque foi seguido da retirada do Japão da organização (1933). Outro grande insucesso foi a inabilidade da SDN para pôr fim à Guerra do Chaco (1932–35) entre Bolívia e Paraguai. 

O fracasso da Conferência de Desarmamento e a retirada da Alemanha da (1933), bem como o ataque da Itália à Etiópia, acabaram por selar a inoperância da organização. Em 1936, Hitler remilitarizou a Renânia e denunciou o Tratado de Versalhes. Em 1938 anexou a Áustria. 

Diante das ameaças à paz internacional – a Guerra Civil espanhola, a Guerra do Japão contra a China (1937) e finalmente a ‘política de apaziguamento’ com Hitler em Munique (1938) – a SDN entrou em colapso. 

Em 1940 estava reduzida a um esqueleto. Por fim, em 1946, a Sociedade das Nações  deixou oficialmente de existir, transferindo os seus serviços e bens imóveis, especialmente o Palácio das Nações em Genebra às Nações Unidas, recém formada. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

A sede da SDN em Genebra

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Sociedade das Nações (S.D.N.)

A Sociedade das Nações surgiu em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial e foi a primeira tentativa de consolidar uma organização universal para a paz. Acreditava-se que futuros conflitos só poderiam ser impedidos se fosse criada uma instituição internacional permanente, encarregue de negociar e garantir a paz. O principal precursor da ideia fora o presidente norte-americano Woodrow Wilson.
Em Janeiro de 1918, Wilson apresentou uma proposta de paz revolucionária, contida em 14 pontos: exigência da eliminação da diplomacia secreta em favor de acordos públicos; liberdade nos mares; abolição das barreiras económicas entre os países; redução dos armamentos nacionais; redefinição da política colonialista, tendo em consideração o interesse dos povos colonizados; e retirada dos exércitos de ocupação da Rússia.
Pretendia também a restauração da independência da Bélgica; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas; reconhecimento do direito ao desenvolvimento autónomo dos povos da Áustria-Hungria; restauração da Roménia, da Sérvia e de Montenegro, assim como o direito de acesso ao mar para a Sérvia; reconhecimento da autonomia da Turquia a abertura permanente dos estreitos entre o Mar Negro e Mediterrâneo; independência da Polónia; e criação da Sociedade das Nações (League of Nations).
Após complicadas negociações, sobretudo com a França, que exigia da Alemanha reparações de guerra, foi aprovada em Paris uma versão reformulada do programa de 14 pontos, em 28 de Abril de 1919. O estatuto da Sociedade das Nações foi assinado a 28 de Junho do mesmo ano, como parte do Tratado de Versalhes, firmado com a Alemanha. A primeira conferência da nova organização, fundada pelos 32 países vencedores da Primeira Guerra Mundial, foi realizada em 1920, em Genebra.
A Sociedade das Nações, porém, fracassou por defeitos de origem. Não dispunha de um poder executivo forte, nem contava com representantes da União Soviética e dos Estados Unidos – a nação do seu idealizador. O governo de Moscovo não era aceite, e Washington não integrou a organização por rejeitar o Tratado de Versalhes. Mesmo nos melhores tempos, o número de membros não passou de 50. Já em 1923, tornou-se evidente a fraqueza da Sociedade, quando os franceses invadiram a região alemã da Renânia, para cobrar reparações de guerra.
Um dos poucos êxitos da organização foi o pacto de segurança firmado entre Alemanha, França, Grã-Bretanha e Bélgica, além da resolução diplomática de alguns conflitos internacionais. Genebra, porém, nada pôde fazer para impedir a crise económica mundial, no final da década de 20. A miséria geral impulsionou as forças nacionalistas que se opunham ao Tratado de Versalhes.
A invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, foi uma prova do fracasso da Sociedade das Nações. Condenado um ano e meio depois pelo acto de agressão, o Japão abandonou a organização. A Alemanha seguiu o mesmo caminho a 14 de Outubro de 1933. Adolf Hitler, interessado apenas em armar o seu país, usou uma série de pretextos para abandonar a conferência de desarmamento e ridicularizar a Sociedade das Nações.
As invasões da Abissínia pela Itália, em 1935, e da Finlândia, pela União Soviética, em 1939, revelaram que a Sociedade das Nações não passava de uma organização sem poder decisório. O seu último acto foi expulsar a URSS, que havia sido admitida como membro em 1934. A esta altura, porém, a Segunda Guerra Mundial já estava a pleno caminho, o que frustrou de vez as intenções pacifistas dos idealizadores da S.D.N.
A dissolução da Sociedade das Nações  ocorreu formalmente no dia 18 de Abril de 1946. Na prática, ela deixara de existir alguns anos antes. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia iniciado suas actividades a 24 de Outubro de 1945, como organismo sucessor da S.D.N.
wikipedia (Imagens)

Placa comemorativa representando o presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson e a "Origem da Sociedade das Nações"Arquivo: Origem da Liga dos Nations.png

Arquivo: Palais des nations.jpg
Palácio das Nações em Genebra, sede da Sociedade das Nações

sábado, 21 de setembro de 2013

Thomas Woodrow Wilson e os Catorze Pontos

Thomas Woodrow Wilson foi um político norte-americano nascido a 28 de Dezembro de 1856, em Staunton, Virgínia, e falecido a 3 de Fevereiro de 1924, em Washington. Foi reitor da Universidade de Princeton e em 1911, como membro do Partido Democrata tornou-se governador de New Jersey. Foi o vigésimo oitavo presidente norte-americano, entre 1913 e 1921. Durante a Primeira Guerra Mundial, conseguiu elevar os Estados Unidos da América a primeira potência mundial. Como tentativa de negociar a paz formulou Os Catorze Pontos que se fundavam no direito dos povos e na segurança colectiva e esteve na origem da criação da Sociedade das Nações. 

Os Catorze Pontos 

O presidente norte americano Woodrow Wilson foi um dos personagens centrais no processo de paz que sucedeu à Primeira Guerra (1914-1918). Foi Wilson quem redigiu o tratado dos 14 pontos que determinou as directrizes para a paz e foi o embrião da Sociedade das Nações. Devido ao seu trabalho com o tratado, ganhou o Prémio Nobel da Paz de 1919. Os 14 pontos foram apresentados a 8 de Janeiro de 1918 ao Congresso dos EUA, que rejeitou o tratado. A rejeição deixou os EUA de fora da Sociedade das Nações. Depois das complexas negociações entre as nações vencedoras e aliadas, que envolveram discussões sobre a posse de terras dominadas e conflitos anteriores à Primeira Guerra, uma versão reformulada do tratado de 14 pontos foi aprovada. Um mês depois, em 28 de junho de 1919, em Paris, o estatuto da Sociedade das Nações foi assinado como parte do Tratado de Versalhes, que definiu as cláusulas do fim da guerra.

Os 14 pontos da proposta de paz de Woodrow Wilson são os seguintes:


1- Convenções de paz, preparadas “às claras”, após as quais não haverá mais acordos 
particulares e secretos; (…) a democracia agirá sempre francamente e à vista de todos. 
2- Liberdade absoluta de navegação nos mares, fora das águas territoriais, tanto em 
tempo de paz como em tempo de guerra (…). 
3- Supressão de todas as barreiras económicas e estabelecimento de condições comerciais 
iguais para todas as nações (…). 
4- Troca de garantias suficientes de que os armamentos serão reduzidos ao mínimo 
compatível com a segurança interna. 
5- Uma concertação livremente debatida de todas as reivindicações coloniais, baseada na 
estrita observação do princípio segundo o qual, na regulação destas questões de 
soberania, os interesses das populações em jogo terão o mesmo peso que as 
reivindicações equitativas do governo. 
6- Evacuação integral do território russo e regulação de todas as questões envolvendo a 
Rússia (…) com a finalidade de dar à Rússia toda a latitude para decidir, em plena 
independência, sobre o seu desenvolvimento político e a sua organização nacional (…) 
7- É imprescindível que a Bélgica seja evacuada e restaurada (…). 
8- Todo o território francês deve ser libertado e as regiões invadidas devem ser 
restauradas; o prejuízo causado à França pela Prússia em 1871, no que respeita à 
Alsácia-Lorena (…) deverá ser reparado (…). 
9- Deve concretizar-se uma rectificação das fronteiras italianas, conformemente os dados 
claramente perceptíveis do princípio das nacionalidades. 
10- Aos povos da Áustria-Hungria (…) deve ser garantida, o mais cedo possível, a 
possibilidade de um desenvolvimento autónomo. 
11- A Roménia, a Sérvia e o Montenegro devem ser evacuados; à Sérvia deve ser 
assegurado um livre acesso ao mar (…). 
12- Às regiões turcas do actual império otomano devem ser garantidas a soberania e a 
segurança; mas às outras nações actualmente sob domínio turco deve ser garantida 
uma segurança absoluta de existência (…) Os Dardanelos devem permanecer abertos 
como passagem livre para os navios e comércio de todas as nações. 
13- Deve formar-se um Estado polaco, abrangendo os territórios habitados pelas 
populações indiscutivelmente polacas, às quais se deve garantir um livre acesso ao mar 
(…). 
14- É necessário que uma organização geral das nações seja constituída (…) tendo como 
objectivo assegurar garantias mútuas de independência política e integridade 
territorial tanto aos pequenos como aos grandes estados. 

Mensagem ao Congresso, Janeiro de 1918 (adaptado) 

Fontes: Thomas Woodrow Wilson. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
wikipedia (Imagens)

File:Thomas Woodrow Wilson, Harris & Ewing bw photo portrait, 1919.jpg
Presidente Woodrow Wilson
Ficheiro:WilsonVersailles.jpg
Woodrow Wilson com os comissários norte americanos da paz