Mostrar mensagens com a etiqueta Teatro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Teatro. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

22 de Outubro de 1844: Nasce Henriette Rosine, a actriz Sarah Bernhardt.

Sarah Bernhardt nasceu em Paris a 22 de Outubro de 1844. A sua mãe era uma famosa cortesã holandesa de origem judia, Judith van Hard e o seu pai, provavelmente, um estudante de direito francês, Edouard Bernard. Foi-lhe dado à nascença nome de Henriette-Rosine Bernard. Como a presença de uma criança interferia com a vida da mãe, foi enviada para uma pensão para raparigas em Auteil e mais tarde deu entrada num convento em Versalhes. Um dos amantes da mãe, o duque de Morny, meio-irmão materno do imperador Napoleão III, decidiu que a rapariga deveria ser actriz, e quando completou 16 anos conseguiu que fosse admitida no Conservatório de Paris.
Não sendo considerada uma estudante muito promissora, Sarah achou que os métodos de ensino da instituição eram antiquados e muito tradicionais. Deixou o Conservatório em 1862, com 18 anos, sendo aceite, devido ao empenho do duc de Morny, na Comédie Française, como discípula. 
Em 1866, foi contratada pelo Teatro Ódeon, e começou a sua ascensão. O seu primeiro sucesso foi no papel de Anna Damby na peça Kean de Alexandre Dumas pai, mas a sua interpretação de Cordélia no Rei Lear, de Shakespeare, já tinha sido notada. Já conhecida como a actriz favorita dos estudantes parisienses, a sua interpretação, em 1869, do trovador Zanetto na peça em um acto e em verso de François Coppée Le Passant, o seu primeiro papel em travesti, teve um imenso sucesso, que a levou a uma representação privada para Napoleão III.
Durante a guerra franco-prussiana de 1870-1871 organizou um pequeno hospital militar nas instalações do teatro. Com o fim da guerra, a deposição de Napoleão III, e a proclamação da República, a actriz, mal vista pelos republicanos, devido às suas conhecidas relações e defesa de personagens do anterior regime, conseguiu o principal papel feminino, o da Rainha Maria, na peça de Victor Hugo Ruy Blas, que tinha acabado de chegar do exílio. A sua actuação encantou as audiências, devido sobretudo ao lirismo da sua voz. Foi a razão da célebre frase de Victor Hugo, que afirmou que a actriz tinha uma «voz de ouro», caracterização que perdurou apesar dos críticos já descreverem a voz de Sarah Bernhardt como sendo prateada, devido à sua parecença com o tom de uma flauta.
Em 1872 deixou o Ódeon e regressou à Comédie-Française, possivelmente devido à intervenção de Hugo. Participou com sucesso na Zaire de Voltaire, mas normalmente os seus papéis eram secundários, até ao momento em que interpretou o papel de Vénus na Phèdre de Racine, substituindo a actriz principal, temporariamente doente. As críticas foram entusiásticas. 
Tendo começado a esculpir e a pintar, exibiu as suas obras de escultura de 1876 a 1881 no Salon de Paris, tendo-lhe sido atribuída uma menção honrosa no primeiro ano. Em 1880 exibiu também uma pintura. 
Em 1879, Londres rendeu-se à interpretação de Sarah Bernhardt no segundo acto da Phédre, produzido no Gaiety, durante a exibição da Comédie em Inglaterra. Uma carreira internacional estava à sua disposição, a partir desse momento.  
Sarah  criou a sua própria companhia, com a ajuda do empresário londrino Jarrett, partiu para os Estados Unidos, acompanhada de uma secretária, um mordomo, dois cozinheiros, duas criadas de quarto e um empregado. Durante dois meses percorreram cinquenta cidades americanas. Nova Iorque é a primeira cidade americana a vê-la, em 8 de Novembro de 1880. Regressou ao Novo Mundo mais oito vezes. 
Na década de 80 aparece na sua vida o dramaturgo Victorien Sardou, que escreve para a actriz Fédora(1882), Théodora (1884), La Tosca (1887) e Cléopâtre (1890). Entretanto Sarah casa, em 1882 em Londres, com Jacques Damala, um jovem grego amante da sua irmã mais velha.
De 1891 a 1893 fez uma digressão mundial que incluiu a Austrália e a América do Sul, para além da América do Norte e as principais capitais europeias. O seus papéis mais populares, para além da Phèdre, são o de Marguérite Gautier na Dama das Camélias de Alexandre Dumas filho e no papel principal na Adrienne Lecouvreur de Eugène Scribe. No fim da digressão, de regresso a Paris, compra o Teatro La Renaissance, que inaugura com a peça de Jules Lemaitre, Les Rois
Em 1899 vende o La Renaissance e muda-se para o Théâtre des Nations, que inaugura com La Tosca. Em 1900 inaugura o Thêatre Sarah Bernhardt com a peça de Edmond de Rostand L'Aiglon
Uma ferida mal curada no joelho direito, provocada por uma queda na última cena da Tosca, durante uma digressão pela América do Sul em 1905, que apanha gangrena obrigou à amputação da perna em 1915. O facto não a impediu de visitar os soldados na frente ocidental durante a Primeira Guerra Mundial, e de, no ano seguinte, voltar aos Estados Unidos para uma extenuante digressão de 18 meses. Em Novembro de 1918 regressou a França, aproveitando o fim da guerra para realizar uma digressão pela Europa.
Em 1920 publicou um romance, Petite Idole, em que a heroína é uma idealização da carreira e das ambições da actriz.
Durante os ensaios finais da peça de Sacha Guitry Un sujet de Roman, desmaiou, recuperando de forma a participar no filme do mesmo autor La Voyante, produzido por Hollywood, e filmado na sua própria casa em Paris, mas durante o qual foi acometida de várias síncopes. Acabou por falecer a 26 de Março de 1923.
wikipedia (Imagens)

Arquivo: Nadar, Félix (1820-1910) - Sarah Bernhardt (1844-1923) jpg.
Sarah Bernhardt  por Félix Nadar

Arquivo: Bernhardt-1.jpg
Sarah Bernhardt no papel de rainha em "Ruy Blas"
Arquivo: § § Bernhardt, Sarah (1844-1923) par Jules Bastien-Lepage (1848-1884) - 1879.jpg

Sarah Bernhardt  - Jules Bastien - Lepage

sexta-feira, 13 de abril de 2018

13 de Abril de 1846: É inaugurado o Teatro Nacional de D. Maria II

Em 1836 surge a ideia por parte do Governo Civil de Lisboa e do rei de materializar um teatro dramático. A Almeida Garrett e à sua persistência se deve, em grande medida, a concretização do projecto e a sua localização no Rossio, em pleno coração da vida lisboeta, em cujo cenário se desenha o triunfo duma burguesia liberal, polida e refinada, mas simultaneamente austera, nascida da crescente industrialização e sob o pano de fundo da Regeneração.Garrett, nomeado inspector geral dos "Teatros e Espectaculos Nacionaes", redige um ofício ao governo do Reino, datado de Dezembro de 1836, solicitando o Palácio do Tesouro, ao Rossio, para as instalações do teatro. Luigi Chiari foi o arquitecto escolhido para o 1.º projecto que, rapidamente, foi abandonado; embora tivesse muita qualidade, este era extremamente oneroso. Por vicissitudes políticas, somente em 1840, com Garrett deputado, se renovaria a ideia do teatro. Cria-se uma comissão promotora da construção do edifício, escolhendo-se o antigo Palácio dos Estaus, ao Rossio. Abre-se um concurso internacional, cujo júri recusa os seis projectos apresentados. Fora de prazo surge um projecto de óptima qualidade, de Fortunato Lodi, contestado por Garrett e Herculano, que não viam com bons olhos a intervenção dum artista estrangeiro. Graças ao Conde de Farrobo, cunhado de Lodi, o projecto vence com a aprovação do governo.Começa a ser construído em 1843, sendo terminado em 1846 e tendo aberto as suas portas ao público a 13 de Abril desse mesmo ano, por altura do aniversário de D. Maria II. Na inauguração, foi apresentado o drama histórico em 5 actos O Magriço e os Doze de Inglaterra, original de Jacinto Aguiar de Loureiro.
Apesar da sua grande qualidade e plasticidade, estamos perante um edifício que não é puramente neoclássico. A fachada principal apresenta um pórtico hexastilo coroado por frontão onde se inscrevem as armas reais, posteriormente substituídas pelo grupo "Apolo e as Musas", de Francisco Rodrigues e Manuel da Fonseca, rematado por estátuas dos mesmos artistas. De um modo geral, a linguagem arquitetónica assenta as suas bases na gramática neoclássica - estrutura de templo romano, uso de silharia de junta fendida, divisão tripartida do edifício -, embora se verifique uma grande liberdade criadora, orientada por um certo gosto de opulência. O friso não se enquadra na tradição jónica, as pilastras perdem o seu carácter robusto ao sobreporem-se com delicadeza sob a silharia. O edifício é constituído de pedra liós e mármore branco e rosa, numa linguagem eclética sem grandes preocupações de natureza académica, embora sob o signo do neoclassicismo.Nos anos 70 do nosso século, o edifício foi reconstruído, na sequência de um incêndio que lhe devastou o interior e o magnífico recheio, subsistindo apenas as fachadas.
Projectada para um milhar e meio de espectadores, a sala ostentava uma galeria enriquecida por tubos acústicos usados pelos espectadores, das três ordens de camarotes, para chamar os criados do botequim. A decoração de motivos dourados sobre fundo branco rivaliza com o teto pintado por Manuel da Fonseca, mais tarde ornamentado com pinturas de Columbano. O Salão Nobre estava sobre o átrio de entrada, onde se localizavam a bilheteira e o botequim.Em 1978 reabriu ao público, reconstruído e modernizado em relação à anterior estrutura: as oficinas de construção e montagem de cenários são subterrâneas e o palco é rotativo e possui elevador. Na cave estão o arquivo e respetiva biblioteca e, no último piso, a "sala experimental".
Teatro Nacional de D. Maria II. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)


Ficheiro:InquisitionPalace.jpg
Ruínas do Palácio dos Estaus ( Antiga sede da Inquisição)
Ficheiro:TeatroNacionalDMariaII.JPG

Fachada principal do Teatro D. Maria II

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

26 de Dezembro de 1606: Estreia de "Rei Lear", de Shakespeare, na corte de Jaime I

Rei Lear é uma tragédia de William Shakespeare escrita entre 1603 e 1606 e representada, pela primeira vez, em 26 de Dezembro de 1606. É apresentada em verso e prosa e constituída por cinco actos. Considerada uma das melhores tragédias do dramaturgo, a peça baseia-se na lenda do rei dos Bretões, Lear, cuja primeira versão foi escrita pelo historiador Geoffrey de Monmouth, no século XII.

A acção inicia-se com a decisão do rei em renunciar ao poder, dividindo o reino em três partes para distribuir cada uma pelas suas três filhas, Regan, Goneril e Cordélia. Antes da legação, Lear pede às filhas que deem provas do seu amor filial. As duas primeiras, Regan e Goneril, manifestam o seu pseudo amor pela adulação. Lear, satisfeito, entrega-lhes as partes do reino correspondentes a cada uma delas. Posteriormente, as jovens casam respetivamente com o Duque de Cornwall e o Duque de Albany.

Mas o rei destina o melhor território para a sua filha dileta, Cordélia, a mais nova das três irmãs. Esta afirma o seu amor filial com toda a simplicidade. Incompreendida, Lear, furioso, deserda-a. Por falta de dote, um dos seus pretendentes, o Duque de Burgundy, desinteressa-se por ela. No entanto, o rei de França, reconhecendo as virtudes e o carácter correto de Cordélia, casa com a jovem.
Afastado das funções régias, Lear conserva unicamente o título de rei e um séquito, que o acompanha quando visita Regan e Goneril. Aos poucos, começa a aperceber-se da falsidade destas filhas. À medida que envelhece, vai sentindo não a decadência das suas condições físicas e mentais, como também o abandono de todos.
Tendo conhecimento de tal situação e da agitação provocada por vários nobres no seu antigo reino, Cordélia envia as tropas francesas em auxílio do pai, para salvá-lo das vicissitudes por que passava. Em vão. É capturada e enforcada por ordem da irmã Regan. Por rivalidades amorosas, esta acaba por ser envenenada por Goneril, que a seguir se suicida, apunhalando-se. Lear, ao saber da morte da filha Cordélia, morre de desgosto.
Destacam-se algumas realizações artísticas baseadas na obra: a abertura sinfónica O Rei Lear, composta, em 1831, por Hector Berlioz; a pintura de Willam Dyce, intitulada "King Lear and the fool in the storm" (tradução livre: Rei Lear e o bobo na tempestade); várias versões televisivas, como a de Peter Brook (1953), com interpretação de Orson Welles no papel de Lear, e a de Grigori Kozintsev (1970), e a de Michael Eliot (1983), na qual Lear é desempenhado por Laurence Olivier, e, ainda, a versão teatral realizada por Christian Liardet, em 1999.
Rei Lear. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
Wikipedia
Ficheiro:King Lear Q1.jpg

Rei Lear e o bobo na tempestade", por William Dyce 


Ficheiro:Goneril and Regan from King Lear.jpg

Goneril e Regan, por Edwin Austin Abbey

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

08 de Dezembro de 1792: Início da construção do Teatro Nacional de São Carlos

As obras de construção do Teatro Nacional de São Carlos tiveram início a 8 de dezembro de 1792, por iniciativa e proteção do Intendente Geral da Polícia, Diogo Inácio de Pina Manique, cujos esforços para a aceleração do processo burocrático que envolvia a fundação do novo espaço encurtaram substancialmente o tempo de construção do edifício. A obra foi encomendada ao arquiteto José da Costa e Silva.
Pretendia-se dotar a capital de um teatro lírico portador dum novo espírito, diferente do antigo teatro de corte, com entrada por convite, na medida em que quem pagava bilhete tinha automaticamente lugar assegurado.Este teatro, homenagem a D. Carlota Joaquina, foi construído em apenas sete meses, sendo solenemente inaugurado a 30 de junho de 1793, durante a governação de D. João VI, filho de D. Maria I.A nível planimétrico inspira-se no Teatro de S. Carlos de Nápoles, obra de Medrano datada de 1737 - destruído por um incêndio -, embora a fachada se baseie no Scalla de Milão, de Piermanini (discípulo de Vanvitelli), construído entre 1776 e 1778. Este erguia-se sobre um enbasamento em silharia de junta fendida e apresentava um corpo central, não muito saliente. Na fachada recorria à utilização de vários ressaltos para valorizar o corpo central. O ático de balaústres e urnas era coroado por frontão triangular.
O nosso teatro possui embasamento em silharia de junta fendida, mas o corpo central apresenta um avanço muito maior, de pórtico em ressalto para passagem das carruagens, formando uma varanda na parte superior, muito elegante, com grinaldas. O corpo superior a impressão de ter sido um acrescento posterior e é coroado por uma urna com as armas reais portuguesas. Este edifício, que possuía apenas a fachada principal trabalhada, sendo as restantes lisas, nem por isso deixa de plasmar um estilo que aqui adquire a maturidade.
No interior trabalharam artistas importantes, como Cyrillo Volkmar Machado (autor das pinturas do teto da entrada e do pano da boca, entretanto desaparecidos), Manuel da Costa (pintou o teto da sala, que também não subsistiu) ou Appiani, autor da tribuna real.
A sala possui cinco ordens de camarotes animados pelo brilho da talha dourada que, a par com as escadarias de largas proporções, os mármores da tribuna ou a decoração do Salão Nobre, concorrem para a criação duma atmosfera mais próxima do barroco. No andar térreo, junto às escadarias, situam-se o botequim e a bilheteira. Neste piso, a decoração é contida.O primeiro empresário do Real Teatro de S. Carlos foi o italiano Francesco Lodi e na ópera inaugural cantou-se "La Ballerina Amante", de Cimarosa.

Teatro de S. Carlos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)


Theatro Real de São Carlos durante a primeira metade do século XIX
Ficheiro:Teatro Nacional São Carlos.jpg
Teatro Nacional de S. Carlos
Interior do Teatro

domingo, 22 de outubro de 2017

22 de Outubro de 1844: Nasce Henriette Rosine, a actriz Sarah Bernhardt.

Sarah Bernhardt nasceu em Paris a 22 de Outubro de 1844. A sua mãe era uma famosa cortesã holandesa de origem judia, Judith van Hard e o seu pai, provavelmente, um estudante de direito francês, Edouard Bernard. Foi-lhe dado à nascença nome de Henriette-Rosine Bernard. Como a presença de uma criança interferia com a vida da mãe, foi enviada para uma pensão para raparigas em Auteil e mais tarde deu entrada num convento em Versalhes. Um dos amantes da mãe, o duque de Morny, meio-irmão materno do imperador Napoleão III, decidiu que a rapariga deveria ser actriz, e quando completou 16 anos conseguiu que fosse admitida no Conservatório de Paris.
Não sendo considerada uma estudante muito promissora, Sarah achou que os métodos de ensino da instituição eram antiquados e muito tradicionais. Deixou o Conservatório em 1862, com 18 anos, sendo aceite, devido ao empenho do duc de Morny, na Comédie Française, como discípula. 
Em 1866, foi contratada pelo Teatro Ódeon, e começou a sua ascensão. O seu primeiro sucesso foi no papel de Anna Damby na peça Kean de Alexandre Dumas pai, mas a sua interpretação de Cordélia no Rei Lear, de Shakespeare, já tinha sido notada. Já conhecida como a actriz favorita dos estudantes parisienses, a sua interpretação, em 1869, do trovador Zanetto na peça em um acto e em verso de François Coppée Le Passant, o seu primeiro papel em travesti, teve um imenso sucesso, que a levou a uma representação privada para Napoleão III.
Durante a guerra franco-prussiana de 1870-1871 organizou um pequeno hospital militar nas instalações do teatro. Com o fim da guerra, a deposição de Napoleão III, e a proclamação da República, a actriz, mal vista pelos republicanos, devido às suas conhecidas relações e defesa de personagens do anterior regime, conseguiu o principal papel feminino, o da Rainha Maria, na peça de Victor Hugo Ruy Blas, que tinha acabado de chegar do exílio. A sua actuação encantou as audiências, devido sobretudo ao lirismo da sua voz. Foi a razão da célebre frase de Victor Hugo, que afirmou que a actriz tinha uma «voz de ouro», caracterização que perdurou apesar dos críticos já descreverem a voz de Sarah Bernhardt como sendo prateada, devido à sua parecença com o tom de uma flauta.
Em 1872 deixou o Ódeon e regressou à Comédie-Française, possivelmente devido à intervenção de Hugo. Participou com sucesso na Zaire de Voltaire, mas normalmente os seus papéis eram secundários, até ao momento em que interpretou o papel de Vénus na Phèdre de Racine, substituindo a actriz principal, temporariamente doente. As críticas foram entusiásticas. 
Tendo começado a esculpir e a pintar, exibiu as suas obras de escultura de 1876 a 1881 no Salon de Paris, tendo-lhe sido atribuída uma menção honrosa no primeiro ano. Em 1880 exibiu também uma pintura. 
Em 1879, Londres rendeu-se à interpretação de Sarah Bernhardt no segundo acto da Phédre, produzido no Gaiety, durante a exibição da Comédie em Inglaterra. Uma carreira internacional estava à sua disposição, a partir desse momento.  
Sarah  criou a sua própria companhia, com a ajuda do empresário londrino Jarrett, partiu para os Estados Unidos, acompanhada de uma secretária, um mordomo, dois cozinheiros, duas criadas de quarto e um empregado. Durante dois meses percorreram cinquenta cidades americanas. Nova Iorque é a primeira cidade americana a vê-la, em 8 de Novembro de 1880. Regressou ao Novo Mundo mais oito vezes. 
Na década de 80 aparece na sua vida o dramaturgo Victorien Sardou, que escreve para a actriz Fédora(1882), Théodora (1884), La Tosca (1887) e Cléopâtre (1890). Entretanto Sarah casa, em 1882 em Londres, com Jacques Damala, um jovem grego amante da sua irmã mais velha.
De 1891 a 1893 fez uma digressão mundial que incluiu a Austrália e a América do Sul, para além da América do Norte e as principais capitais europeias. O seus papéis mais populares, para além da Phèdre, são o de Marguérite Gautier na Dama das Camélias de Alexandre Dumas filho e no papel principal na Adrienne Lecouvreur de Eugène Scribe. No fim da digressão, de regresso a Paris, compra o Teatro La Renaissance, que inaugura com a peça de Jules Lemaitre, Les Rois
Em 1899 vende o La Renaissance e muda-se para o Théâtre des Nations, que inaugura com La Tosca. Em 1900 inaugura o Thêatre Sarah Bernhardt com a peça de Edmond de Rostand L'Aiglon
Uma ferida mal curada no joelho direito, provocada por uma queda na última cena da Tosca, durante uma digressão pela América do Sul em 1905, que apanha gangrena obrigou à amputação da perna em 1915. O facto não a impediu de visitar os soldados na frente ocidental durante a Primeira Guerra Mundial, e de, no ano seguinte, voltar aos Estados Unidos para uma extenuante digressão de 18 meses. Em Novembro de 1918 regressou a França, aproveitando o fim da guerra para realizar uma digressão pela Europa.
Em 1920 publicou um romance, Petite Idole, em que a heroína é uma idealização da carreira e das ambições da actriz.
Durante os ensaios finais da peça de Sacha Guitry Un sujet de Roman, desmaiou, recuperando de forma a participar no filme do mesmo autor La Voyante, produzido por Hollywood, e filmado na sua própria casa em Paris, mas durante o qual foi acometida de várias síncopes. Acabou por falecer a 26 de Março de 1923.
wikipedia (Imagens)

Arquivo: Nadar, Félix (1820-1910) - Sarah Bernhardt (1844-1923) jpg.
Sarah Bernhardt  por Félix Nadar
Arquivo: Bernhardt-1.jpg
Sarah Bernhardt no papel de rainha em "Ruy Blas"
Arquivo: § § Bernhardt, Sarah (1844-1923) par Jules Bastien-Lepage (1848-1884) - 1879.jpg

Sarah Bernhardt  - Jules Bastien - Lepage