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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

18 de Janeiro de 1919: Começa a Conferência de Paz de Versalhes, sobre a Grande Guerra de 1914-18.

No dia 18 de Janeiro de 1919, algumas das mais poderosas personalidades políticas do mundo reuniram-se perto de Paris para dar início às longas negociações que marcariam oficialmente o fim da Primeira Guerra Mundial. 

Líderes das potências aliadas – França, Reino Unido, Estados Unidos e Itália –, vitoriosas, decidiram grande parte das questões ao longo de seis meses de debates. O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, defendeu a sua tese de uma “paz sem vitória”, para que essa ideia prevalecesse nas resoluções finais. Ele queria assegurar que a Alemanha, líder das Potências Centrais e grande derrotada na guerra, não fosse tratada com excessivo rigor. Em sentido contrário operaram os primeiros-ministros George Clemenceau da França e David Lloyd George do Reino Unido, argumentando que punir adequadamente a Alemanha e limitar bastante seu poderio bélico seria o único meio de justificar o imenso custo em vidas e bens.



O Tratado de Versalhes resultante acabou por desagradar aos vencidos, vencedores e observadores neutros. Para os especialistas independentes, o documento, punitivo demais, estava distante da proposta de 14 pontos de Wilson, que fundamentou o armistício. Para os franceses, porém, todo o castigo ainda foi pequeno. O Tratado de Versalhes não atendeu por completo à sede de vingança da França, que sofreu a invasão alemã no seu território, vitimando mais de 400.000 civis. Clemenceau queria que a província da Renânia, de indústria historicamente pujante, fosse retirada da Alemanha para evitar um novo fortalecimento do país. Wilson e Lloyd George vetaram a proposta, determinando, em contrapartida, uma ocupação militar aliada na região durante 15 anos. 



No final, Wilson teve de ceder a fim de garantir a aprovação do seu projecto preferido – a criação de uma entidade internacional para a manutenção da paz, que se chamaria Sociedade das Nações. 
Mesmo com o veto às exigências de Clemenceau, os negociadores temeram que o tratado fosse pesado em excesso – as suas exigências poderiam, em vez de apaziguar a Alemanha, incitá-la ainda mais contra os aliados. E é esse o único ponto que parece ter-se tornado unânime em Versalhes. 

Representantes da Alemanha foram excluídos das negociações até Maio. Chegando a Paris, receberam um rascunho do tratado. Com fé nas promessas de Wilson, os alemães ficaram profundamente frustrados e decepcionados com o texto, que exigia a perda de parte do seu território e o pagamento de reparações. Pior ainda, o artigo 231 obrigou a Alemanha a aceitar ser a única culpada pela guerra. Esta foi uma pílula amarga que muitos alemães não iriam engolir. A Primeira Guerra expôs um novo paradigma de destruição bélica ao mundo. 



O Tratado de Versalhes foi assinado em 28 de Junho de 1919, exactamente cinco anos após o tiro de um nacionalista sérvio ter matado o arquiduque Francisco Fernando da Áustria e detonado a Primeira Guerra Mundial. Nas décadas que se seguiram, ódio e ressentimento em relação ao tratado e seus autores envenenaram o ambiente na Alemanha. Partidos de extrema-direita como o Partido Nacional-Socialista (nazi) de Adolf Hitler capitalizaram essas emoções para ganhar força, um processo que levou quase directamente ao ponto exacto que Wilson e outros negociadores de Paris em 1919 queriam evitar – uma segunda e ainda mais devastadora guerra mundial.    

Ironicamente, foi o supremo comandante aliado, marechal Ferdinand Foch, quem melhor exteriorizou o que viria a acontecer. Com seu pragmatismo característico, ele profetizou, após a notícia da assinatura do Tratado de Versalhes: "Isto não é a paz. É apenas um armistício válido pelos próximos 20 anos."




Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

O Tratado de Versalhes

Assinatura do Tratado na Sala dos Espelhos  do Palácio de Versalhes - William Orpen

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O Tratado de Versalhes

segunda-feira, 9 de julho de 2018

09 de Julho de 1919: A Assembleia Constituinte alemã ratifica o Tratado de Versalhes. A Alemanha assume o pagamento de indemnizações de guerra.

O Tratado de Versalhes foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias a 28 de Junho de 1919 e encerrou oficialmente a  I Guerra Mundial. O principal ponto do tratado determinava que a Alemanha aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e que, sob os termos dos artigos 231-247, fizesse reparações a determinados países da  Tríplice Entente (Aliança vencedora).
Os termos impostos à Alemanha incluíam a perda de uma parte do seu território para algumas nações fronteiriças, de todas as colónias, uma restrição ao seu exército e uma indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. O ministro alemão do exterior, Hermann Müller, assinou o tratado a 28 de Junho de 1919 e o mesmo foi ratificado a 9 de Julho pela Assembleia Constituinte alemã. O tratado foi ratificado pela Sociedade das Nações a 10 de Janeiro de 1920. Na Alemanha o tratado originou um sentimento de humilhação na população, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do regime nazi.
As negociações entre as potências aliadas começaram a 18 de Janeiro, no Salão dos Relógios no Ministério dos Negócios Estrangeiros Francês. No início participaram nas negociações 70 delegados representado 27 nações.
Tendo sido derrotadas, a Alemanha,  a Áustria e a Hungria foram excluídas das negociações. A Rússia também foi excluída porque tinha negociado o Tratado de Brest - Litovsk, que estabelecia uma paz separada com a Alemanha em 1918, graças ao qual a Alemanha ficou com uma grande faixa de terras e de recursos à Rússia.
As condições finais foram determinadas pelos líderes das "três grandes" nações: o primeiro-ministro britânico  David Lloyd George, o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, e o presidente dos EUA,  Woodrow Wilson.
O tratado originou a criação da Sociedade das Nações, um dos objectivos principais do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. A  Sociedade das Nações tinha como objectivo arbitrar conflitos internacionais para evitar futuras guerras.
Outras cláusulas do Tratado incluíam a perda das colónias por parte da Alemanha e dos territórios que o país tinha anexado ou invadido num passado recente, destacam-se:
A Alsácia -Lorena, os territórios cedidos pela França à Alemanha no acordo de Paz assinado em Versalhes de 1871 e pelo Tratado de Frankfurt de 1871, seriam devolvidos à França.
       Uma parte da Jutlândia seria devolvida à Dinamarca se assim fosse decidido por um plebiscito na região.
    A parte leste da Alta Silésia era devolvida  à Polónia (área 3214 km², 965 000 habitantes) apesar do plebiscito ter apontado que 60% população preferia ficar sob domínio da Alemanha.     As cidades alemãs de Eupen e Malmedy ficariam para  a Bélgica.
    A província de Sarre ficou sob o comando da Sociedade das Nações durante 15 anos.
    A Renânia foi desmilitarizada, ou seja, não ficou nenhum soldado ou instalação militar na região.
    A leste, a Polónia recebeu partes da Prússia Ocidental e da Silésia.
  A Checoslováquia recebeu o distrito de Hultschin.
    A grande cidade alemã de Danzig (na actualidade Gdansk na Polónia),  passou a ser uma cidade livre, sob a protecção da Liga das Nações.
    Memel, uma pequena faixa territorial na Prússia Oriental, às margens do Mar Báltico, foi entregue ao controle lituano.
  Fora da Europa, a Alemanha perdeu todas as suas colónias [na África e no Pacífico]. No total, a Alemanha perdeu 13 por cento do seu território em solo europeu, aproximadamente 70.000 quilómetros quadrados, e um décimo da sua população (entre 6.5 a 7 milhões de habitantes).
O artigo 231 do Tratado (a cláusula da 'culpa de guerra') responsabilizou unicamente a Alemanha por todas as 'perdas e danos' sofridas pela Tríplice Entente  durante a guerra obrigando-a a pagar uma reparação por tais actos. O montante foi oficializado em 269 biliões de marcos, dos quais 226 biliões como principal, e mais 12% do valor das exportações anuais alemãs. Mais tarde, naquele ano, a dívida foi reduzida para 132 biliões.

Alguns dos artigos do Tratado

Artigo 42 - É proibido à Alemanha manter ou construir fortificações, quer na margem esquerda do Reno, quer na margem direita, a Oeste de uma linha traçada a 50 quilómetros a Leste deste rio.

Artigo 45 Como compensação pela destruição das minas de carvão no Norte da França, e por conta da importância a pagar pela reparação total dos prejuízos de guerra devidos pela Alemanha, esta cede à França a propriedade inteira e absoluta (...) das minas de carvão situadas na bacia do Sarre (...). [em anexo a esta parte estabelece-se, no parágrafo 16, que: O Governo do território da Bacia do Sarre será confiado a uma Comissão representando a Sociedade das Nações]

Artigo 51 - Os territórios cedidos à Alemanha em virtude [da guerra franco-prussiana de 1871 e que a França perdeu, ou seja: a Alsácia-Lorena] são reintegrados na soberania francesa (...)

Artigo 119 - A Alemanha renuncia, em favor das Principais Potências aliadas e associadas, a todos os seus direitos e títulos sobre as suas possessões de além-mar.

Artigo 159 - As forças militares alemãs serão desmobilizadas e reduzidas nas condições fixadas mais adiante.

Artigo 160 - A datar do 31 de Março de 1920, o mais tardar, o exército alemão não deverá compreender mais de sete divisões de infantaria e três divisões de cavalaria.

Artigo 173 - Todo o serviço militar universal obrigatório será abolido na Alemanha.

Artigo 198 - As forças militares da Alemanha não deverão comportar nenhuma aviação militar ou naval.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por deles ter sido a causa, por todas as perdas e por todos os prejuízos sofridos pelos Governos aliados e associados e pelos seus nacionais em consequência da guerra, que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e dos seus aliados.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados exigem (...) e a Alemanha a tal se obriga, que sejam reparados todos os prejuízos causados à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e os seus bens (...).

Artigo 235 - Com o fim de habilitar as Potências aliadas e associadas a empreender desde já a restauração da sua vida industrial e económica, enquanto não é realizada a fixação definitiva da importância das suas reclamações, a Alemanha pagará, durante os anos de 1919 e 1920 e os quatro primeiros meses de 1921 (...) em ouro, mercadorias, navios, valores ou outra forma (...) o equivalente a 20 000 000 000 (vinte biliões) de marcos ouro (...)

Anexo IV
 § 6 - a título de adiantamento imediato, (...) a Alemanha compromete-se a entregar à França nos três meses que se seguirem à entrada em vigor do presente Tratado (...) as quantidades abaixo especificadas em gado vivo:

  500  garanhões de 3 a 7 anos;
  30 000 poldras e éguas de 18 meses a 7 anos (...);
  2 000  touros de 18 meses a 3 anos;
  90 000 vacas leiteiras de 2 a 6 anos;
  1 000  carneiros inteiros;
100 000  cabras
Anexo V 
§ 2 - A Alemanha entregará à França sete milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos (...).

§ 3 - A Alemanha entregará à Bélgica oito milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos.

§ 3 - A Alemanha entregará à Itália as quantidades máximas de carvão seguintes:

Julho de 1919 a Junho de 1920: 4 milhões 1/2 de toneladas;
   »        1920       »          1921: 6 milhões de toneladas;
   »        1921       »          1922: 7 milhões  1/2 de toneladas;
   »        1922       »          1923: 8 milhões  de toneladas;
   »        1923       »          1924: 8 milhões  1/2 de toneladas,
e, durante cada um dos cinco anos seguintes: 8 milhões 1/2 de toneladas.


Pode parecer incrível, mas só recentemente (2010) a Alemanha terminou de pagar as indemnizações da 1ª Guerra Mundial, relativas ao acordado no Tratado de Versalhes. O país também pagou biliões de euros da 2ª Guerra Mundial .
Ler toda a notícia Aqui
Fontes: Infopédia
            Wikipedia
            Jornal Opção


Treaty of Versailles, English version.jpg
Primeira página do Tratado, versão em inglês


Assinatura do Tratado de Versalhes na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes

Manifestação em massa em frente ao Reichstag contra o Tratado de Versailles.jpg: Arquivo
Manifestação contra o Tratado no Reichstag, 15 de Maio de 1919

quinta-feira, 28 de junho de 2018

28 de Junho de 1919: Assinatura do Tratado de Paz de Versalhes

O Tratado de Versalhes foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias a 28 de Junho de 1919 e encerrou oficialmente a  I Guerra Mundial. O principal ponto do tratado determinava que a Alemanha. aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e que, sob os termos dos artigos 231-247, fizesse reparações a determinados países da  Tríplice Entente (Aliança vencedora).
Os termos impostos à Alemanha incluíam a perda de uma parte do seu território para algumas nações fronteiriças, de todas as colónias, uma restrição ao seu exército e uma indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. O ministro alemão do exterior, Hermann Müller, assinou o tratado a 28 de Junho de 1919. O tratado foi ratificado pela Sociedade das Nações a 10 de Janeiro de 1920. Na Alemanha o tratado originou um sentimento de humilhação na população, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do regime nazi.
As negociações entre as potências aliadas começaram a 18 de Janeiro, no Salão dos Relógios no Ministério dos Negócios Estrangeiros Francês. No início participaram nas negociações 70 delegados representado 27 nações.
Tendo sido derrotadas, a Alemanha,  a Áustria e a Hungria foram excluídas das negociações. A Rússia também foi excluída porque tinha negociado o Tratado de Brest - Litovsk, que estabelecia uma paz separada com a Alemanha em 1918, graças ao qual a Alemanha ficou com uma grande faixa de terras e de recursos à Rússia.
As condições finais foram determinadas pelos líderes das "três grandes" nações: o primeiro-ministro britânico  David Lloyd George, o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, e o presidente dos EUA,  Woodrow Wilson.
O tratado originou a criação da Sociedade das Nações, um dos objectivos principais do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. A  Sociedade das Nações tinha como objectivo arbitrar conflitos internacionais para evitar futuras guerras.
Outras cláusulas do Tratado incluíam a perda das colónias por parte da Alemanha e dos territórios que o país tinha anexado ou invadido num passado recente, destacam-se:
A Alsácia -Lorena, os territórios cedidos pela França à Alemanha no acordo de Paz assinado em Versalhes de 1871 e pelo Tratado de Frankfurt de 1871, seriam devolvidos à França.
       Uma parte da Jutlândia seria devolvida à Dinamarca se assim fosse decidido por um plebiscito na região.
    A parte leste da Alta Silésia era devolvida  à Polónia (área 3214 km², 965 000 habitantes) apesar do plebiscito ter apontado que 60% população preferia ficar sob domínio da Alemanha.     As cidades alemãs de Eupen e Malmedy ficariam para  a Bélgica.
    A província de Sarre ficou sob o comando da Sociedade das Nações durante 15 anos.
    A Renânia foi desmilitarizada, ou seja, não ficou nenhum soldado ou instalação militar na região.
    A leste, a Polónia recebeu partes da Prússia Ocidental e da Silésia.
  A Checoslováquia recebeu o distrito de Hultschin.
    A grande cidade alemã de Danzig (na actualidade Gdansk na Polónia),  passou a ser uma cidade livre, sob a protecção da Liga das Nações.
    Memel, uma pequena faixa territorial na Prússia Oriental, às margens do Mar Báltico, foi entregue ao controle lituano.
  Fora da Europa, a Alemanha perdeu todas as suas colónias [na África e no Pacífico]. No total, a Alemanha perdeu 13 por cento do seu território em solo europeu, aproximadamente 70.000 quilómetros quadrados, e um décimo da sua população (entre 6.5 a 7 milhões de habitantes).
O artigo 231 do Tratado (a cláusula da 'culpa de guerra') responsabilizou unicamente a Alemanha por todas as 'perdas e danos' sofridas pela Tríplice Entente  durante a guerra obrigando-a a pagar uma reparação por tais actos. O montante foi oficializado em 269 biliões de marcos, dos quais 226 biliões como principal, e mais 12% do valor das exportações anuais alemãs. Mais tarde, naquele ano, a dívida foi reduzida para 132 biliões.

Alguns dos artigos do Tratado

Artigo 42 - É proibido à Alemanha manter ou construir fortificações, quer na margem esquerda do Reno, quer na margem direita, a Oeste de uma linha traçada a 50 quilómetros a Leste deste rio.

Artigo 45 - Como compensação pela destruição das minas de carvão no Norte da França, e por conta da importância a pagar pela reparação total dos prejuízos de guerra devidos pela Alemanha, esta cede à França a propriedade inteira e absoluta (...) das minas de carvão situadas na bacia do Sarre (...). [em anexo a esta parte estabelece-se, no parágrafo 16, que: O Governo do território da Bacia do Sarre será confiado a uma Comissão representando a Sociedade das Nações]

Artigo 51 - Os territórios cedidos à Alemanha em virtude [da guerra franco-prussiana de 1871 e que a França perdeu, ou seja: a Alsácia-Lorena] são reintegrados na soberania francesa (...)

Artigo 119 - A Alemanha renuncia, em favor das Principais Potências aliadas e associadas, a todos os seus direitos e títulos sobre as suas possessões de além-mar.

Artigo 159 - As forças militares alemãs serão desmobilizadas e reduzidas nas condições fixadas mais adiante.

Artigo 160 - A datar do 31 de Março de 1920, o mais tardar, o exército alemão não deverá compreender mais de sete divisões de infantaria e três divisões de cavalaria.

Artigo 173 - Todo o serviço militar universal obrigatório será abolido na Alemanha.

Artigo 198 - As forças militares da Alemanha não deverão comportar nenhuma aviação militar ou naval.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por deles ter sido a causa, por todas as perdas e por todos os prejuízos sofridos pelos Governos aliados e associados e pelos seus nacionais em consequência da guerra, que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e dos seus aliados.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados exigem (...) e a Alemanha a tal se obriga, que sejam reparados todos os prejuízos causados à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e os seus bens (...).

Artigo 235 - Com o fim de habilitar as Potências aliadas e associadas a empreender desde já a restauração da sua vida industrial e económica, enquanto não é realizada a fixação definitiva da importância das suas reclamações, a Alemanha pagará, durante os anos de 1919 e 1920 e os quatro primeiros meses de 1921 (...) em ouro, mercadorias, navios, valores ou outra forma (...) o equivalente a 20 000 000 000 (vinte biliões) de marcos ouro (...)

Anexo IV
 § 6 - a título de adiantamento imediato, (...) a Alemanha compromete-se a entregar à França nos três meses que se seguirem à entrada em vigor do presente Tratado (...) as quantidades abaixo especificadas em gado vivo:

  500  garanhões de 3 a 7 anos;
  30 000 poldras e éguas de 18 meses a 7 anos (...);
  2 000  touros de 18 meses a 3 anos;
  90 000 vacas leiteiras de 2 a 6 anos;
  1 000  carneiros inteiros;
100 000  cabras
Anexo V 
§ 2 - A Alemanha entregará à França sete milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos (...).

§ 3 - A Alemanha entregará à Bélgica oito milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos.

§ 3 - A Alemanha entregará à Itália as quantidades máximas de carvão seguintes:

Julho de 1919 a Junho de 1920: 4 milhões 1/2 de toneladas;
   »        1920       »          1921: 6 milhões de toneladas;
   »        1921       »          1922: 7 milhões  1/2 de toneladas;
   »        1922       »          1923: 8 milhões  de toneladas;
   »        1923       »          1924: 8 milhões  1/2 de toneladas,
e, durante cada um dos cinco anos seguintes: 8 milhões 1/2 de toneladas.

Pode parecer incrível, mas só recentemente (2010) a Alemanha terminou de pagar as indemnizações da 1ª Guerra Mundial, relativas ao acordado no Tratado de Versalhes. O país também pagou biliões de euros da 2ª Guerra Mundial .
Ler toda a notícia Aqui
Fontes: Infopédia
            Wikipedia
            Jornal Opção
Primeira página do Tratado, versão em inglês
Assinatura do Tratado de Versalhes na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes

Manifestação contra o Tratado no Reichstag, 15 de Maio de 1919 


sexta-feira, 16 de março de 2018

16 de Março de 1935: A Alemanha de Hitler repudia as cláusulas de desarmamento previstas no Tratado de Versalhes. Começa o reequipamento militar do país.

No dia 16 de Março de 1935, aproveitando a calma do fim de semana, Adolf Hitler anuncia o restabelecimento do serviço militar obrigatório e decide aumentar em 400 mil o efectivo da Wehrmacht.
Esta foi a primeira violação flagrante do Tratado de Versalhes. A comunidade internacional e a Sociedade das Nações em Genebra não ousaram repreender a decisão. No dia seguinte, a medida do Führer é celebrada com grandes festividades em todo o Reich.
A operação revelou a habilidade táctica de Hitler, que brincava com as aspirações de pacifistas do mundo todo para tornar os seus desejos realidade.
No começo daquele ano, em 13 de Janeiro, houve um plebiscito no Sarre, uma região fronteiriça entre a França e a Alemanha determinada pelas disposições do Tratado de Versalhes. Com uma esmagadora maioria, os habitantes sarrenses votaram pela reintegração da região ao território alemão, que já vivia há dois anos o domínio nazi.
A escolha livremente expressa pela população do Sarre era reflexo do governo nazi e, por extensão, da sua propaganda e sucesso económico. Fortalecido por este êxito,  o Führer pôde anunciar pouco depois que o seu país não tinha mais qualquer reivindicação territorial a oeste. Mais além, renunciou a qualquer pretensão sobre a Alsácia-Lorena, território mais emblemático da rivalidade franco-germânica de então.
Este discurso tranquilizaria os mediadores europeus, que não possuiam muitas exigências. Mas o restabelecimento do serviço militar obrigatório teve o efeito de balde de água fria. Entretanto, sempre hábil, Hitler pronuncia pouco depois um novo discurso em que reitera as suas intenções pacifícas e seu desejo pela paz no continente.
A opinião pública das democracias europeias ficaria tranquilizada. A justificação do chanceler era a de que com este tipo de providência, estava  a exercer o direito legítimo do seu país à auto-defesa. Hitler também alegava que sua decisão contestava a inércia das demais potências frente aos seus pedidos de revisão do Tratado de Versalhes.
Fontes: Opera Mundi

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

18 de Janeiro de 1919: Começa a Conferência de Paz de Versalhes, sobre a Grande Guerra de 1914-18.

No dia 18 de Janeiro de 1919, algumas das mais poderosas personalidades políticas do mundo reuniram-se perto de Paris para dar início às longas negociações que marcariam oficialmente o fim da Primeira Guerra Mundial. 

Líderes das potências aliadas – França, Reino Unido, Estados Unidos e Itália –, vitoriosas, decidiram grande parte das questões ao longo de seis meses de debates. O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, defendeu a sua tese de uma “paz sem vitória”, para que essa ideia prevalecesse nas resoluções finais. Ele queria assegurar que a Alemanha, líder das Potências Centrais e grande derrotada na guerra, não fosse tratada com excessivo rigor. Em sentido contrário operaram os primeiros-ministros George Clemenceau da França e David Lloyd George do Reino Unido, argumentando que punir adequadamente a Alemanha e limitar bastante seu poderio bélico seria o único meio de justificar o imenso custo em vidas e bens.



O Tratado de Versalhes resultante acabou por desagradar aos vencidos, vencedores e observadores neutros. Para os especialistas independentes, o documento, punitivo demais, estava distante da proposta de 14 pontos de Wilson, que fundamentou o armistício. Para os franceses, porém, todo o castigo ainda foi pequeno. O Tratado de Versalhes não atendeu por completo à sede de vingança da França, que sofreu a invasão alemã no seu território, vitimando mais de 400.000 civis. Clemenceau queria que a província da Renânia, de indústria historicamente pujante, fosse retirada da Alemanha para evitar um novo fortalecimento do país. Wilson e Lloyd George vetaram a proposta, determinando, em contrapartida, uma ocupação militar aliada na região durante 15 anos. 



No final, Wilson teve de ceder a fim de garantir a aprovação do seu projecto preferido – a criação de uma entidade internacional para a manutenção da paz, que se chamaria Sociedade das Nações. 
Mesmo com o veto às exigências de Clemenceau, os negociadores temeram que o tratado fosse pesado em excesso – as suas exigências poderiam, em vez de apaziguar a Alemanha, incitá-la ainda mais contra os aliados. E é esse o único ponto que parece ter-se tornado unânime em Versalhes. 

Representantes da Alemanha foram excluídos das negociações até Maio. Chegando a Paris, receberam um rascunho do tratado. Com fé nas promessas de Wilson, os alemães ficaram profundamente frustrados e decepcionados com o texto, que exigia a perda de parte do seu território e o pagamento de reparações. Pior ainda, o artigo 231 obrigou a Alemanha a aceitar ser a única culpada pela guerra. Esta foi uma pílula amarga que muitos alemães não iriam engolir. A Primeira Guerra expôs um novo paradigma de destruição bélica ao mundo. 


O Tratado de Versalhes foi assinado em 28 de Junho de 1919, exactamente cinco anos após o tiro de um nacionalista sérvio ter matado o arquiduque Francisco Fernando da Áustria e detonado a Primeira Guerra Mundial. Nas décadas que se seguiram, ódio e ressentimento em relação ao tratado e seus autores envenenaram o ambiente na Alemanha. Partidos de extrema-direita como o Partido Nacional-Socialista (nazi) de Adolf Hitler capitalizaram essas emoções para ganhar força, um processo que levou quase directamente ao ponto exacto que Wilson e outros negociadores de Paris em 1919 queriam evitar – uma segunda e ainda mais devastadora guerra mundial.    

Ironicamente, foi o supremo comandante aliado, marechal Ferdinand Foch, quem melhor exteriorizou o que viria a acontecer. Com seu pragmatismo característico, ele profetizou, após a notícia da assinatura do Tratado de Versalhes: "Isto não é a paz. É apenas um armistício válido pelos próximos 20 anos."


Fontes: Opera Mundi
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O Tratado de Versalhes

Assinatura do Tratado na Sala dos Espelhos  do Palácio de Versalhes - William Orpen

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Tratado de Versalhes (1919)

O Tratado de Versalhes foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias a 28 de Junho de 1919 e encerrou oficialmente a  I Guerra Mundial. O principal ponto do tratado determinava que a Alemanha aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e que, sob os termos dos artigos 231-247, fizesse reparações a determinados países da  Tríplice Entente (Aliança vencedora).
Os termos impostos à Alemanha incluíam a perda de uma parte do seu território para algumas nações fronteiriças, de todas as colónias, uma restrição ao seu exército e uma indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. O ministro alemão do exterior, Hermann Müller, assinou o tratado a 28 de Junho de 1919. O tratado foi ratificado pela Sociedade das Nações a 10 de Janeiro de 1920. Na Alemanha o tratado originou um sentimento de humilhação na população, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do regime nazi.
As negociações entre as potências aliadas começaram a 18 de Janeiro, no Salão dos Relógios no Ministério dos Negócios Estrangeiros Francês. No início participaram nas negociações 70 delegados representado 27 nações.
Tendo sido derrotadas, a Alemanha,  a Áustria e a Hungria foram excluídas das negociações. A Rússia também foi excluída porque tinha negociado o Tratado de Brest - Litovsk, que estabelecia uma paz separada com a Alemanha em 1918, graças ao qual a Alemanha ficou com uma grande faixa de terras e de recursos à Rússia.
As condições finais foram determinadas pelos líderes das "três grandes" nações: o primeiro-ministro britânico  David Lloyd George, o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, e o presidente dos EUA,  Woodrow Wilson.
O tratado originou a criação da Sociedade das Nações, um dos objectivos principais do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. A  Sociedade das Nações tinha como objectivo arbitrar conflitos internacionais para evitar futuras guerras.
Outras cláusulas do Tratado incluíam a perda das colónias por parte da Alemanha e dos territórios que o país tinha anexado ou invadido num passado recente, destacam-se:
A Alsácia -Lorena, os territórios cedidos pela França à Alemanha no acordo de Paz assinado em Versalhes de 1871 e pelo Tratado de Frankfurt de 1871, seriam devolvidos à França.
       Uma parte da Jutlândia seria devolvida à Dinamarca se assim fosse decidido por um plebiscito na região.
    A parte leste da Alta Silésia era devolvida  à Polónia (área 3214 km², 965 000 habitantes) apesar do plebiscito ter apontado que 60% população preferia ficar sob domínio da Alemanha.     As cidades alemãs de Eupen e Malmedy ficariam para  a Bélgica.
    A província de Sarre ficou sob o comando da Sociedade das Nações durante 15 anos.
    A Renânia foi desmilitarizada, ou seja, não ficou nenhum soldado ou instalação militar na região.
    A leste, a Polónia recebeu partes da Prússia Ocidental e da Silésia.
  A Checoslováquia recebeu o distrito de Hultschin.
    A grande cidade alemã de Danzig (na actualidade Gdansk na Polónia),  passou a ser uma cidade livre, sob a protecção da Liga das Nações.
    Memel, uma pequena faixa territorial na Prússia Oriental, às margens do Mar Báltico, foi entregue ao controle lituano.
  Fora da Europa, a Alemanha perdeu todas as suas colónias [na África e no Pacífico]. No total, a Alemanha perdeu 13 por cento do seu território em solo europeu, aproximadamente 70.000 quilómetros quadrados, e um décimo da sua população (entre 6.5 a 7 milhões de habitantes).
O artigo 231 do Tratado (a cláusula da 'culpa de guerra') responsabilizou unicamente a Alemanha por todas as 'perdas e danos' sofridas pela Tríplice Entente  durante a guerra obrigando-a a pagar uma reparação por tais actos. O montante foi oficializado em 269 biliões de marcos, dos quais 226 biliões como principal, e mais 12% do valor das exportações anuais alemãs. Mais tarde, naquele ano, a dívida foi reduzida para 132 biliões.

Alguns dos artigos do Tratado

Artigo 42 - É proibido à Alemanha manter ou construir fortificações, quer na margem esquerda do Reno, quer na margem direita, a Oeste de uma linha traçada a 50 quilómetros a Leste deste rio.

Artigo 45 Como compensação pela destruição das minas de carvão no Norte da França, e por conta da importância a pagar pela reparação total dos prejuízos de guerra devidos pela Alemanha, esta cede à França a propriedade inteira e absoluta (...) das minas de carvão situadas na bacia do Sarre (...). [em anexo a esta parte estabelece-se, no parágrafo 16, que: O Governo do território da Bacia do Sarre será confiado a uma Comissão representando a Sociedade das Nações]

Artigo 51 - Os territórios cedidos à Alemanha em virtude [da guerra franco-prussiana de 1871 e que a França perdeu, ou seja: a Alsácia-Lorena] são reintegrados na soberania francesa (...)

Artigo 119 - A Alemanha renuncia, em favor das Principais Potências aliadas e associadas, a todos os seus direitos e títulos sobre as suas possessões de além-mar.

Artigo 159 - As forças militares alemãs serão desmobilizadas e reduzidas nas condições fixadas mais adiante.

Artigo 160 - A datar do 31 de Março de 1920, o mais tardar, o exército alemão não deverá compreender mais de sete divisões de infantaria e três divisões de cavalaria.

Artigo 173 - Todo o serviço militar universal obrigatório será abolido na Alemanha.

Artigo 198 - As forças militares da Alemanha não deverão comportar nenhuma aviação militar ou naval.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por deles ter sido a causa, por todas as perdas e por todos os prejuízos sofridos pelos Governos aliados e associados e pelos seus nacionais em consequência da guerra, que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e dos seus aliados.

Artigo 231 - Os Governos aliados e associados exigem (...) e a Alemanha a tal se obriga, que sejam reparados todos os prejuízos causados à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e os seus bens (...).

Artigo 235 - Com o fim de habilitar as Potências aliadas e associadas a empreender desde já a restauração da sua vida industrial e económica, enquanto não é realizada a fixação definitiva da importância das suas reclamações, a Alemanha pagará, durante os anos de 1919 e 1920 e os quatro primeiros meses de 1921 (...) em ouro, mercadorias, navios, valores ou outra forma (...) o equivalente a 20 000 000 000 (vinte biliões) de marcos ouro (...)

Anexo IV
 § 6 - a título de adiantamento imediato, (...) a Alemanha compromete-se a entregar à França nos três meses que se seguirem à entrada em vigor do presente Tratado (...) as quantidades abaixo especificadas em gado vivo:

  500  garanhões de 3 a 7 anos;
  30 000 poldras e éguas de 18 meses a 7 anos (...);
  2 000  touros de 18 meses a 3 anos;
  90 000 vacas leiteiras de 2 a 6 anos;
  1 000  carneiros inteiros;
100 000  cabras
Anexo V 
§ 2 - A Alemanha entregará à França sete milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos (...).

§ 3 - A Alemanha entregará à Bélgica oito milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos.

§ 3 - A Alemanha entregará à Itália as quantidades máximas de carvão seguintes:

Julho de 1919 a Junho de 1920: 4 milhões 1/2 de toneladas;
   »        1920       »          1921: 6 milhões de toneladas;
   »        1921       »          1922: 7 milhões  1/2 de toneladas;
   »        1922       »          1923: 8 milhões  de toneladas;
   »        1923       »          1924: 8 milhões  1/2 de toneladas,
e, durante cada um dos cinco anos seguintes: 8 milhões 1/2 de toneladas.


Pode parecer incrível, mas só recentemente (2010) a Alemanha terminou de pagar as indemnizações da 1ª Guerra Mundial, relativas ao acordado no Tratado de Versalhes. O país também pagou biliões de euros da 2ª Guerra Mundial .
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Fontes: Infopédia
            Wikipedia
            Jornal Opção
 
Primeira página do Tratado, versão em inglês
Assinatura do Tratado de Versalhes na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes
 
Manifestação contra o Tratado no Reichstag, 15 de Maio de 1919