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sexta-feira, 1 de março de 2019

01 de Março de 1290: D. Dinis cria o Estudo Geral, em Lisboa, com o diploma "Scientiani Thesaurus Mirabilis". A primeira escola universitária do país será confirmada a 09 de Agosto por Nicolau IV.

Entre 1155 e 1165, o reino de Portugal contava com duas riquíssimas bibliotecas nosmosteiros de Santa Cruz de Coimbra e de Alcobaça, enriquecidas pelos conventos mães situados, respectivamente, em Avignon e Citeaux.
Aqui devemos ressaltar o privilégio atribuído às funções dos monges copistas, osscriptoria . Estes eram os responsáveis pela transmissão do saber, pelo que se pode encontrar em registos da época desabafos do género: […] "Escrito é o livro, louvor e glória a Cristo" […] ou […] "quem ignora a escrita, pensa que não dá trabalho algum" […]. Desta forma, persiste  a ideia de espalhar e cultivar o saber através dos membros clero, sem que se  concretize nenhum projecto escolar secular.
Em 1288, as Igrejas desde Vila Viçosa a Santarém, organizam-se e participam na concretização e futura manutenção dos Estudos Gerais em Lisboa. O ensino seria garantido pelos mestres e livros dos mosteiros de Alcobaça e Santa Cruz. Com a data de 1290, existem dois documentos notáveis para a História da Universidade: o da criação régia e o da confirmação Papal. O primeiro é a famosa carta da fundação da Universidade (“Scientiani Thesaurus Mirabilis”) que o “Rei Poeta” dirigiu a todos os seus súbditos do território português.
Contudo, só a 9 de Agosto de 1290 se inaugura em Lisboa, sob bula papal de Nicolau IV, o Studium Generale, contando quatro áreas do saber distintas: Artes, Medicina, Direito Canónico e/ou Leis.
A D. Dinis devemos uma participação activa nesta acção educativa, através do compromisso de subsídio por parte da coroa, como pelas rendas fixas da Igreja. Desta forma assegura-se tanto o sustento dos mestres convocados, como um custo menos elevado das propinas para os estudantes.
Aos últimos, o monarca garante privilégios desde o momento da sua graduação. Concede-lhes a autorização de leccionar em qualquer escola de acordo com o grau concedido pelos mestres - licenciatura ou doutoramento - à excepção do ensino da teologia, sob responsabilidade das ordens mendicantes (Franciscanos e Dominicanos).
Pouco se sabe do funcionamento desta Universidade a não ser quando, em 1308, o Papa Clemente V a transfere para Coimbra, para o que os monges de Santa Cruz se disponibilizam como mestres efectivos. Desconhecem-se razões concretas, acredita-se, no entanto dever-se ao facto da inexistência do ensino de Direito Civil.
Por volta de 1338, sob carta régia do rei D. Fernando, é criado um novo estatuto estudantil e o Studio Generale regressa a Lisboa, sob pretexto de que nessa cidade residia grande parte dos interessados (nobreza, clero e menos abastados que pretendessem seguir carreira eclesiástica). Sabe-se, contudo, que tanto os mestres, como os licenciados, por se encontrarem perto da corte usufruíam de maiores benefícios.
Em 1354, D. Fernando volta a transferir a Universidade para Coimbra, onde se mantém até 1377. No ano seguinte, é de novo transferida para Lisboa, sendo que o ensino sofre uma reforma, introduzindo-se as faculdades de Gramática, Lógica e a separação do Direito Canónico do Direito Civil. Assim, sob aprovação do Papa Clemente VII, o ensino transforma-se de acordo com as necessidades reais dos alunos e mestres.
A universidade é, nesse sentido, também encarada como um local de aprendizagem, educação, sendo ainda um local de discussão académica, desde que o formando saiba argumentar sob a forma de tese, antítese e síntese.

"Scientiani Thesaurus Mirabilis"

«D. Dinis, pela graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, a quantos a presente carta virem, muito saudar. Reconhece-se que aquele admirável tesouro da ciência, que, quanto mais se derrama, mais aumenta a sua uberdade, (riqueza) ilumina espiritual e temporalmente o Mundo, porque com a sua aquisição, todos nós, os católicos, conhecemos a Deus nosso Criador, e em nome do seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo abraçamos a fé católica, e também porque, sendo Nós e os outros príncipes, seus servos, obedecidos de nossos súbditos, a vida destes é, por virtude dessa obediência, informada com a ministração da Justiça ensinada por aquela ciência. Por isso, para dizermos com o Profeta, a pedimos ao Senhor. Rogar-lha-emos, para habitarmos em Sua morada. Ora, desejando Nós enriquecer nossos Reinos com este precioso tesouro, houvemos por bem ordenar, na Real Cidade de Lisboa, para honra de Deus e da Santíssima Virgem Sua Mãe e também do mártir S. Vicente, cujo santíssimo corpo exorna a dita cidade, um Estudo Geral, que não só munimos com cópia de doutores em todas as artes, mas também roboramos com muitos privilégios. Mas, porque das informações de algumas pessoas entendemos que alguns virão de várias partes ao nosso dito Estudo, se gozarem de segurança de corpos e bens, Nós querendo desenvolvê-lo em boas condições, prometemos, com a presente carta, plena segurança a todos os que nele estudam ou queiram de futuro estudar, e não permitiremos que lhes seja cometida ofensa por algum ou alguns de maior dignidade que sejam, antes com a permissão de Deus, curaremos de os defender de injúrias e violências. Além disso, quantos a eles vierem nos acharão em suas necessidades de tal modo generosos, que podem e devem fundamentalmente confiar nos múltiplos favores da Alteza Real. Dada em Leiria, a 1 de Março. Por mandado d´El-Rei a notou Afonso Martim. Era de 1328» (equivalente a 1290 da Era de Cristo). 
Fontes:Revelar LX
wikipedia (imagens)



Tapeçaria Mural de Manuel Lapa 'A Fundação do Estudo Geral pelo Rei D. Dinis'
D. Dinis


quinta-feira, 22 de março de 2018

22 de Março de 1911: É fundada a Universidade do Porto

A Universidade do Porto é constituída formalmente em 22 de Março de 1911, logo após a implantação da República em Portugal. As suas raízes, contudo, remontam a 1762, com a criação da Aula de Náutica por D. José I. Esta escola e as suas sucessoras (Aula de Debuxo e Desenho, criada em 1779; Academia Real da Marinha e Comércio, em 1803; Academia Politécnica, em 1837) serão responsáveis pela formação dos quadros portuenses ao longo do séc. XVIII e XIX, dando resposta às necessidades de pessoal qualificado na área naval, no comércio, na indústria e nas artes.
Em 1825 é fundada a primeiro escola médica do Porto, a Real Escola de Cirurgia, que, transformada em 1836 em Escola Médico-Cirúrgica, será o outro vetor de formação da U.Porto.
Paralelamente, a Aula de Debuxo e Desenho dará origem a outras escolas – Academia Portuense de Belas Artes (1836), depois Escola Portuense de Belas Artes (1881), finalmente Escola Superior de Belas Artes do Porto (1950). Esta última transformar-se-á, ao longo do último quartel do séc. XX, nas atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da U.Porto.
Se, numa fase inicial, a U.Porto surge estruturada em duas faculdades (Ciências e Medicina), assistiremos ao longo de todo o séc. XX a uma diversificação de saberes e autonomização de escolas. Ainda durante a 1.ª República, surgirá em 1915 a Faculdade Técnica (rebatizada em 1926 de Faculdade de Engenharia), em 1919 a Faculdade de Letras, em 1921 a Faculdade de Farmácia.
O crescimento da U.Porto durante o regime autoritário nascido do movimento militar de 28 de Maio de 1926 será mitigado: a Faculdade de Letras é extinta em 1928, para ser restaurada em 1961; só a Faculdade de Economia será verdadeiramente criada de raiz neste período, em 1953.
Após a revolução de Abril de 1974, e até ao fim do século, a Universidade do Porto entrará finalmente em expansão. Às seis faculdades existentes juntaram-se mais oito: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (1975), Faculdade de Desporto (1975), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (1977), Faculdade de Arquitectura (1979), Faculdade de Medicina Dentária (1989), Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação (1992), Faculdade de Belas Artes (1992) e Faculdade de Direito (1994). Hoje, a Universidade do Porto conta com catorze faculdades e uma escola de pós-graduação, a Escola de Gestão do Porto, criada em 1988 e cuja designação passou a ser Escola de Negócios da Universidade do Porto a partir de 2008.

Fontes: UP
wikipedia (imagens)

Imagem relacionada

 Edifício da Academia Politécnica, onde funcionou a Faculdade de Ciências e agora está instalada a Reitoria da Universidade do Porto e vários museus

quinta-feira, 1 de março de 2018

01 de Março de 1290: D. Dinis cria o Estudo Geral, em Lisboa, com o diploma "Scientiani Thesaurus Mirabilis". A primeira escola universitária do país será confirmada a 09 de Agosto por Nicolau IV.

Entre 1155 e 1165, o reino de Portugal contava com duas riquíssimas bibliotecas nosmosteiros de Santa Cruz de Coimbra e de Alcobaça, enriquecidas pelos conventos mães situados, respectivamente, em Avignon e Citeaux.
Aqui devemos ressaltar o privilégio atribuído às funções dos monges copistas, osscriptoria . Estes eram os responsáveis pela transmissão do saber, pelo que se pode encontrar em registos da época desabafos do género: […] "Escrito é o livro, louvor e glória a Cristo" […] ou […] "quem ignora a escrita, pensa que não dá trabalho algum" […]. Desta forma, persiste  a ideia de espalhar e cultivar o saber através dos membros clero, sem que se  concretize nenhum projecto escolar secular.
Em 1288, as Igrejas desde Vila Viçosa a Santarém, organizam-se e participam na concretização e futura manutenção dos Estudos Gerais em Lisboa. O ensino seria garantido pelos mestres e livros dos mosteiros de Alcobaça e Santa Cruz. Com a data de 1290, existem dois documentos notáveis para a História da Universidade: o da criação régia e o da confirmação Papal. O primeiro é a famosa carta da fundação da Universidade (“Scientiani Thesaurus Mirabilis”) que o “Rei Poeta” dirigiu a todos os seus súbditos do território português.
Contudo, só a 9 de Agosto de 1290 se inaugura em Lisboa, sob bula papal de Nicolau IV, o Studium Generale, contando quatro áreas do saber distintas: Artes, Medicina, Direito Canónico e/ou Leis.
A D. Dinis devemos uma participação activa nesta acção educativa, através do compromisso de subsídio por parte da coroa, como pelas rendas fixas da Igreja. Desta forma assegura-se tanto o sustento dos mestres convocados, como um custo menos elevado das propinas para os estudantes.
Aos últimos, o monarca garante privilégios desde o momento da sua graduação. Concede-lhes a autorização de leccionar em qualquer escola de acordo com o grau concedido pelos mestres - licenciatura ou doutoramento - à excepção do ensino da teologia, sob responsabilidade das ordens mendicantes (Franciscanos e Dominicanos).
Pouco se sabe do funcionamento desta Universidade a não ser quando, em 1308, o Papa Clemente V a transfere para Coimbra, para o que os monges de Santa Cruz se disponibilizam como mestres efectivos. Desconhecem-se razões concretas, acredita-se, no entanto dever-se ao facto da inexistência do ensino de Direito Civil.
Por volta de 1338, sob carta régia do rei D. Fernando, é criado um novo estatuto estudantil e o Studio Generale regressa a Lisboa, sob pretexto de que nessa cidade residia grande parte dos interessados (nobreza, clero e menos abastados que pretendessem seguir carreira eclesiástica). Sabe-se, contudo, que tanto os mestres, como os licenciados, por se encontrarem perto da corte usufruíam de maiores benefícios.
Em 1354, D. Fernando volta a transferir a Universidade para Coimbra, onde se mantém até 1377. No ano seguinte, é de novo transferida para Lisboa, sendo que o ensino sofre uma reforma, introduzindo-se as faculdades de Gramática, Lógica e a separação do Direito Canónico do Direito Civil. Assim, sob aprovação do Papa Clemente VII, o ensino transforma-se de acordo com as necessidades reais dos alunos e mestres.
A universidade é, nesse sentido, também encarada como um local de aprendizagem, educação, sendo ainda um local de discussão académica, desde que o formando saiba argumentar sob a forma de tese, antítese e síntese.

"Scientiani Thesaurus Mirabilis"

«D. Dinis, pela graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, a quantos a presente carta virem, muito saudar. Reconhece-se que aquele admirável tesouro da ciência, que, quanto mais se derrama, mais aumenta a sua uberdade, (riqueza) ilumina espiritual e temporalmente o Mundo, porque com a sua aquisição, todos nós, os católicos, conhecemos a Deus nosso Criador, e em nome do seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo abraçamos a fé católica, e também porque, sendo Nós e os outros príncipes, seus servos, obedecidos de nossos súbditos, a vida destes é, por virtude dessa obediência, informada com a ministração da Justiça ensinada por aquela ciência. Por isso, para dizermos com o Profeta, a pedimos ao Senhor. Rogar-lha-emos, para habitarmos em Sua morada. Ora, desejando Nós enriquecer nossos Reinos com este precioso tesouro, houvemos por bem ordenar, na Real Cidade de Lisboa, para honra de Deus e da Santíssima Virgem Sua Mãe e também do mártir S. Vicente, cujo santíssimo corpo exorna a dita cidade, um Estudo Geral, que não só munimos com cópia de doutores em todas as artes, mas também roboramos com muitos privilégios. Mas, porque das informações de algumas pessoas entendemos que alguns virão de várias partes ao nosso dito Estudo, se gozarem de segurança de corpos e bens, Nós querendo desenvolvê-lo em boas condições, prometemos, com a presente carta, plena segurança a todos os que nele estudam ou queiram de futuro estudar, e não permitiremos que lhes seja cometida ofensa por algum ou alguns de maior dignidade que sejam, antes com a permissão de Deus, curaremos de os defender de injúrias e violências. Além disso, quantos a eles vierem nos acharão em suas necessidades de tal modo generosos, que podem e devem fundamentalmente confiar nos múltiplos favores da Alteza Real. Dada em Leiria, a 1 de Março. Por mandado d´El-Rei a notou Afonso Martim. Era de 1328» (equivalente a 1290 da Era de Cristo). 
Fontes:Revelar LX
wikipedia (imagens)

D. Dinis


quarta-feira, 22 de março de 2017

22 de Março de 1911: É fundada a Universidade do Porto

A Universidade do Porto é constituída formalmente em 22 de Março de 1911, logo após a implantação da República em Portugal. As suas raízes, contudo, remontam a 1762, com a criação da Aula de Náutica por D. José I. Esta escola e as suas sucessoras (Aula de Debuxo e Desenho, criada em 1779; Academia Real da Marinha e Comércio, em 1803; Academia Politécnica, em 1837) serão responsáveis pela formação dos quadros portuenses ao longo do séc. XVIII e XIX, dando resposta às necessidades de pessoal qualificado na área naval, no comércio, na indústria e nas artes.
Em 1825 é fundada a primeiro escola médica do Porto, a Real Escola de Cirurgia, que, transformada em 1836 em Escola Médico-Cirúrgica, será o outro vetor de formação da U.Porto.
Paralelamente, a Aula de Debuxo e Desenho dará origem a outras escolas – Academia Portuense de Belas Artes (1836), depois Escola Portuense de Belas Artes (1881), finalmente Escola Superior de Belas Artes do Porto (1950). Esta última transformar-se-á, ao longo do último quartel do séc. XX, nas atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da U.Porto.
Se, numa fase inicial, a U.Porto surge estruturada em duas faculdades (Ciências e Medicina), assistiremos ao longo de todo o séc. XX a uma diversificação de saberes e autonomização de escolas. Ainda durante a 1.ª República, surgirá em 1915 a Faculdade Técnica (rebatizada em 1926 de Faculdade de Engenharia), em 1919 a Faculdade de Letras, em 1921 a Faculdade de Farmácia.
O crescimento da U.Porto durante o regime autoritário nascido do movimento militar de 28 de Maio de 1926 será mitigado: a Faculdade de Letras é extinta em 1928, para ser restaurada em 1961; só a Faculdade de Economia será verdadeiramente criada de raiz neste período, em 1953.
Após a revolução de Abril de 1974, e até ao fim do século, a Universidade do Porto entrará finalmente em expansão. Às seis faculdades existentes juntaram-se mais oito: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (1975), Faculdade de Desporto (1975), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (1977), Faculdade de Arquitectura (1979), Faculdade de Medicina Dentária (1989), Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação (1992), Faculdade de Belas Artes (1992) e Faculdade de Direito (1994). Hoje, a Universidade do Porto conta com catorze faculdades e uma escola de pós-graduação, a Escola de Gestão do Porto, criada em 1988 e cuja designação passou a ser Escola de Negócios da Universidade do Porto a partir de 2008.


Fontes: UP
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Imagem relacionada
 
 Edifício da Academia Politécnica, onde funcionou a Faculdade de Ciências e agora está instalada a Reitoria da Universidade do Porto e vários museus
 

quarta-feira, 1 de março de 2017

01 de Março de 1290: D. Dinis cria o Estudo Geral, em Lisboa, com o diploma "Scientiani Thesaurus Mirabilis". A primeira escola universitária do país será confirmada a 09 de Agosto por Nicolau IV.

Entre 1155 e 1165, o reino de Portugal contava com duas riquíssimas bibliotecas nosmosteiros de Santa Cruz de Coimbra e de Alcobaça, enriquecidas pelos conventos mães situados, respectivamente, em Avignon e Citeaux.
Aqui devemos ressaltar o privilégio atribuído às funções dos monges copistas, osscriptoria . Estes eram os responsáveis pela transmissão do saber, pelo que se pode encontrar em registos da época desabafos do género: […] "Escrito é o livro, louvor e glória a Cristo" […] ou […] "quem ignora a escrita, pensa que não dá trabalho algum" […]. Desta forma, persiste  a ideia de espalhar e cultivar o saber através dos membros clero, sem que se  concretize nenhum projecto escolar secular.
Em 1288, as Igrejas desde Vila Viçosa a Santarém, organizam-se e participam na concretização e futura manutenção dos Estudos Gerais em Lisboa. O ensino seria garantido pelos mestres e livros dos mosteiros de Alcobaça e Santa Cruz. Com a data de 1290, existem dois documentos notáveis para a História da Universidade: o da criação régia e o da confirmação Papal. O primeiro é a famosa carta da fundação da Universidade (“Scientiani Thesaurus Mirabilis”) que o “Rei Poeta” dirigiu a todos os seus súbditos do território português.
Contudo, só a 9 de Agosto de 1290 se inaugura em Lisboa, sob bula papal de Nicolau IV, o Studium Generale, contando quatro áreas do saber distintas: Artes, Medicina, Direito Canónico e/ou Leis.
A D. Dinis devemos uma participação activa nesta acção educativa, através do compromisso de subsídio por parte da coroa, como pelas rendas fixas da Igreja. Desta forma assegura-se tanto o sustento dos mestres convocados, como um custo menos elevado das propinas para os estudantes.
Aos últimos, o monarca garante privilégios desde o momento da sua graduação. Concede-lhes a autorização de leccionar em qualquer escola de acordo com o grau concedido pelos mestres - licenciatura ou doutoramento - à excepção do ensino da teologia, sob responsabilidade das ordens mendicantes (Franciscanos e Dominicanos).
Pouco se sabe do funcionamento desta Universidade a não ser quando, em 1308, o Papa Clemente V a transfere para Coimbra, para o que os monges de Santa Cruz se disponibilizam como mestres efectivos. Desconhecem-se razões concretas, acredita-se, no entanto dever-se ao facto da inexistência do ensino de Direito Civil.
Por volta de 1338, sob carta régia do rei D. Fernando, é criado um novo estatuto estudantil e o Studio Generale regressa a Lisboa, sob pretexto de que nessa cidade residia grande parte dos interessados (nobreza, clero e menos abastados que pretendessem seguir carreira eclesiástica). Sabe-se, contudo, que tanto os mestres, como os licenciados, por se encontrarem perto da corte usufruíam de maiores benefícios.
Em 1354, D. Fernando volta a transferir a Universidade para Coimbra, onde se mantém até 1377. No ano seguinte, é de novo transferida para Lisboa, sendo que o ensino sofre uma reforma, introduzindo-se as faculdades de Gramática, Lógica e a separação do Direito Canónico do Direito Civil. Assim, sob aprovação do Papa Clemente VII, o ensino transforma-se de acordo com as necessidades reais dos alunos e mestres.
A universidade é, nesse sentido, também encarada como um local de aprendizagem, educação, sendo ainda um local de discussão académica, desde que o formando saiba argumentar sob a forma de tese, antítese e síntese.

"Scientiani Thesaurus Mirabilis"

«D. Dinis, pela graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, a quantos a presente carta virem, muito saudar. Reconhece-se que aquele admirável tesouro da ciência, que, quanto mais se derrama, mais aumenta a sua uberdade, (riqueza) ilumina espiritual e temporalmente o Mundo, porque com a sua aquisição, todos nós, os católicos, conhecemos a Deus nosso Criador, e em nome do seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo abraçamos a fé católica, e também porque, sendo Nós e os outros príncipes, seus servos, obedecidos de nossos súbditos, a vida destes é, por virtude dessa obediência, informada com a ministração da Justiça ensinada por aquela ciência. Por isso, para dizermos com o Profeta, a pedimos ao Senhor. Rogar-lha-emos, para habitarmos em Sua morada. Ora, desejando Nós enriquecer nossos Reinos com este precioso tesouro, houvemos por bem ordenar, na Real Cidade de Lisboa, para honra de Deus e da Santíssima Virgem Sua Mãe e também do mártir S. Vicente, cujo santíssimo corpo exorna a dita cidade, um Estudo Geral, que não só munimos com cópia de doutores em todas as artes, mas também roboramos com muitos privilégios. Mas, porque das informações de algumas pessoas entendemos que alguns virão de várias partes ao nosso dito Estudo, se gozarem de segurança de corpos e bens, Nós querendo desenvolvê-lo em boas condições, prometemos, com a presente carta, plena segurança a todos os que nele estudam ou queiram de futuro estudar, e não permitiremos que lhes seja cometida ofensa por algum ou alguns de maior dignidade que sejam, antes com a permissão de Deus, curaremos de os defender de injúrias e violências. Além disso, quantos a eles vierem nos acharão em suas necessidades de tal modo generosos, que podem e devem fundamentalmente confiar nos múltiplos favores da Alteza Real. Dada em Leiria, a 1 de Março. Por mandado d´El-Rei a notou Afonso Martim. Era de 1328» (equivalente a 1290 da Era de Cristo). 
Fontes:Revelar LX
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D. Dinis

terça-feira, 22 de março de 2016

22 de Março de 1911: É fundada a Universidade do Porto

A Universidade do Porto é constituída formalmente em 22 de Março de 1911, logo após a implantação da República em Portugal. As suas raízes, contudo, remontam a 1762, com a criação da Aula de Náutica por D. José I. Esta escola e as suas sucessoras (Aula de Debuxo e Desenho, criada em 1779; Academia Real da Marinha e Comércio, em 1803; Academia Politécnica, em 1837) serão responsáveis pela formação dos quadros portuenses ao longo do séc. XVIII e XIX, dando resposta às necessidades de pessoal qualificado na área naval, no comércio, na indústria e nas artes.
Em 1825 é fundada a primeiro escola médica do Porto, a Real Escola de Cirurgia, que, transformada em 1836 em Escola Médico-Cirúrgica, será o outro vetor de formação da U.Porto.
Paralelamente, a Aula de Debuxo e Desenho dará origem a outras escolas – Academia Portuense de Belas Artes (1836), depois Escola Portuense de Belas Artes (1881), finalmente Escola Superior de Belas Artes do Porto (1950). Esta última transformar-se-á, ao longo do último quartel do séc. XX, nas atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da U.Porto.
Se, numa fase inicial, a U.Porto surge estruturada em duas faculdades (Ciências e Medicina), assistiremos ao longo de todo o séc. XX a uma diversificação de saberes e autonomização de escolas. Ainda durante a 1.ª República, surgirá em 1915 a Faculdade Técnica (rebatizada em 1926 de Faculdade de Engenharia), em 1919 a Faculdade de Letras, em 1921 a Faculdade de Farmácia.
O crescimento da U.Porto durante o regime autoritário nascido do movimento militar de 28 de Maio de 1926 será mitigado: a Faculdade de Letras é extinta em 1928, para ser restaurada em 1961; só a Faculdade de Economia será verdadeiramente criada de raiz neste período, em 1953.
Após a revolução de Abril de 1974, e até ao fim do século, a Universidade do Porto entrará finalmente em expansão. Às seis faculdades existentes juntaram-se mais oito: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (1975), Faculdade de Desporto (1975), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (1977), Faculdade de Arquitectura (1979), Faculdade de Medicina Dentária (1989), Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação (1992), Faculdade de Belas Artes (1992) e Faculdade de Direito (1994). Hoje, a Universidade do Porto conta com catorze faculdades e uma escola de pós-graduação, a Escola de Gestão do Porto, criada em 1988 e cuja designação passou a ser Escola de Negócios da Universidade do Porto a partir de 2008.


Fontes: UP
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Ficheiro:InsigniaUP.png
Ficheiro:Up reitoria.jpg
Edifíco da Academia Politécnica, onde funcionou a Faculdade de Ciências e agora está instalada a Reitoria da Universidade do Porto e vários museus

sábado, 1 de março de 2014

1 de Março de 1290: fundação da Universidade de Coimbra

A ratificação da fundação da Universidade de Coimbra foi realizada por D. Dinis, através de diploma régio emitido a 1 de Março de 1290. Com efeito, Coimbra possui o mais antigo estabelecimento de ensino superior em Portugal, apesar de, durante toda a Idade Média, os estudos universitários terem oscilado entre esta cidade e a capital.Em 1537, D. João III transferiu definitivamente a Universidade para a Lusa-Atenas, consolidando assim a tradição escolar anterior da cidade, alicerçada na cultura do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, ao mesmo tempo que afirmava a sua autonomia.
Situado no topo da mais nobre colina da cidade do Mondego, o Paço da Alcáçova - antigo palácio medieval onde permaneciam os reis durante a sua estadia em Coimbra - foi o edifício eleito para acolher a Universidade, vindo a ser reformulado nos reinados de D. Manuel e D. João III. A cidade crescia à sombra da sua Universidade, ao mesmo tempo que os edifícios escolares eram objecto de reformas nos séculos XVII e XVIII.A Porta Férrea estabelece o acesso ao pátio das escolas, entrada nobre de cariz tardomaneirista, projectada pelo arquitecto António Tavares e executada por Isidro Manuel, a partir de 1633. O escultor Manuel de Sousa é o responsável pelo programa escultórico que o integra, alegorias que se referem às diversas faculdades - Medicina e Leis no exterior; Teologia e Cânones no interior -, e estátuas dos reis que as estabeleceram, D. Dinis e D. João III, para além da figura da Sapiência a coroar todo este conjunto.
No lado esquerdo da fachada estende-se o Colégio de S. Pedro, construção maneirista de linhas simples e austeras. Restaurada no século XX pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), esta ala foi prolongada. A sua fachada principal está virada para o pátio interior, onde se destaca o barroco portal de aparato, obra datada de 1713. S. Pedro foi edificado sobre os antigos aposentos palacianos dos Infantes, servindo até 1834 como albergue dos candidatos às diversas faculdades. A partir de 1855, parte das suas instalações serviu como aposentos da família real e como residência dos diversos reitores.
Entrando no Pátio das Escolas deparamos, ao lado direito, com a Via Latina, varanda ritmada por elegante colunata e alterada na segunda metade do século XVIII. No centro desta ergue-se uma escadaria nobre conducente a um corpo porticado e rematado por frontão triangular. No espaço da Via Latina destaca-se um retábulo escultórico em pedra, obra do escultor francês Claude Lapradee executada em 1701. No centro pode observar-se um medalhão com a figura de D. José I(feita posteriormente) sob um frontão curvo sustentado por dois atlantes. Na base da composição destacam-se as alegorias femininas da Justiça e da Fortaleza.Através da Via Latina acede-se à Reitoria e suas dependências, reformuladas, na sua maior parte, na Reforma Pombalina de 1773, durante o reitorado de D. Francisco de Lemos.
Por esta comunicação também se pode chegar à Sala Grande dos Atos, mais conhecida por Sala dos Capelos, lugar onde decorrem as mais significativas cerimónias da vida académica. Este espaço ocupou o antigo salão nobre do paço manuelino, edificado por Marcos Pires durante a segunda década do século XVI. No século seguinte, o arquitecto António Tavares iria reformulá-lo por completo, podendo admirar-se o seu tecto de madeira apainelado e pintado por Jacinto Pereira da Costa em 1655. Na galeria superior do salão encontram-se grandes telas com todos os reis de Portugal, pintados, até D. João IV, por Carlos Falch. Os restantes são realizados por diversos artistas nacionais. As paredes deste hierarquizado e ritualizado espaço académico são preenchidas por padronizados azulejos seiscentistas, em tons de azul, amarelo e branco, fabricados por uma oficina de Lisboa.Retornando à Via Latina, caminhamos em direcção dos Gerais, área das antigas salas de aula, dispostas em torno de um claustro de dois pisos. Os Gerais ocuparam as antigas instalações do paço da rainha, objecto de remodelação nos finais do século XVII e começos do seguinte, contando com os belos relevos barrocos alusivos às várias disciplinas universitárias e esculpidos no topo das portas das salas de aula, obra executada por Claude Laprade.
Ex-librisda cidade de Coimbra é a Torre da Universidade, erguida num dos ângulos do Pátio das Escolas. Entre 1728 e 1733 foi-se elevando esta elegante e erudita torre do Barroco Joanino. Na parte superior rasgam-se os arcos que contêm os sinos, tendo desempenhado um deles, a Cabra, importante papel regulador da vida universitária e da própria cidade.
Na continuidade da torre impõe-se a Capela de S. Miguel, templo manuelino ocupando a área de um oratório do paço medieval. As suas obras tiveram início em 1517, pertencendo a sua planificação ao arquitecto Marcos Pires, que faleceu em 1521 e foi substituído por Diogo de Castilho. O seu portal nobre é uma composição manuelina naturalista, de arco polilobado e colunas torsas, onde se inserem símbolos relativos à Crucificação de Cristo e à heráldica de D. Manuel I. A parede exterior é rasgada por vários janelões manuelinos e coroada por merlões chanfrados e uma pequena torre sineira.O interior da capela apresenta-se com as paredes forradas por policromos azulejos seiscentistas, combinando com a talha e o minucioso trabalho pictórico de chinoiserie do magnífico órgão barroco, obra executada em 1737 por Gabriel Ferreira da Cunha.
Na capela-mor destaca-se o imponente retábulo maneirista, empreendimento projectado por Bernardo Coelho e executado pelo entalhador Simão da Mota durante o primeiro quartel do século XVII. Domingos Vieira Serrão e Simão Rodrigues, excelente parceria de pintores maneiristas, compuseram as tábuas alusivas à vida de Cristo. Na tribuna do retábulo foi colocado um belo trono escalonado, obra setecentista em talha dourada. Suspenso do arco cruzeiro está um lampadário de prata, obra-prima da ourivesaria dos finais do século XVI e realizada pelo ourives Simão Ferreira.A pintura do tecto da nave da capela é obra dos finais do século XVII, concebida pelo artista lisboeta Francisco Ferreira de Araújo. Sobre o coro alto foi edificada, durante o último quartel do século XVIII, uma tribuna real.
No átrio interno da capela situa-se a entrada de uma dependência convertida em Museu de Arte Sacra, onde se podem admirar algumas das melhores obras de ourivesaria, paramentaria e pintura pertencentes ao acervo deste estabelecimento universitário.
Na continuidade da Capela de S. Miguel ergue-se a magnífica Livraria da Universidade, vulgarmente designada por Biblioteca Joanina, empreendimento barroco concretizado entre 1717 e 1728, sob o patrocínio de D. João V. É uma construção dividida em dois pisos, salientando-se o seu andar superior. A sua equilibrada fachada exterior é marcada por um monumental portal de arco de volta perfeita, assente em dupla colunata jónica e encimado por aparatoso escudo real de D. João V.O triunfante interior barroco reparte-se por três salas quadrangulares, divididas por arcos de volta perfeita, onde se inserem emblemas universitários em talha dourada, sobrepujados por coroa real de D. João V. A parede da última sala é preenchida por notável estrutura cenográfica em talha dourada e policromada, moldurando um grande retrato de D. João V, provavelmente pintado pelo italiano Domenico Duprà(c. 1730).As três salas - verde, vermelha e preta - são revestidas por magníficas estantes de madeira, decoradas por talhas e delicada chinoiseriede motivos exóticos dourados, obra pictórica executada por Manuel da Silva. Os tetos apresentam pinturas alegóricas e estruturas arquitectónicas em trompe l'oeil, da autoria dos pintores lisboetas António Simões Ribeiro e Vicente Nunes.
Para além da riqueza dos materiais e do requinte artístico da decoração barroca, a Biblioteca Joanina possui alguns dos mais raros e importantes livros existentes em fundos bibliográficos nacionais, consubstanciando-se, deste modo, como um verdadeiro templo artístico consagrado ao saber humano.
Universidade de Coimbra. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
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A ratificação dafundação da Universidade de Coimbra foi realizada por D. Dinis, através de diploma régio emitido a 1 de Março de 1290
O Paço da Universidade de Coimbra, com a célebre torre.