A
notícia surpreendeu o meio artístico mundial esta segunda-feira de manhã: o
Museu Van Gogh, em Amesterdão, revelou a identificação de um novo quadro do
pintor holandês. A obra foi pintada na região de Arles, em França, onde Van
Gogh tinha chegado no início de 1888.
Depois de um trabalho de investigação que durou dois
anos, o Museu Van Gogh pôde agora assegurar a autenticidade desta obra que mede
cerca de 1 x 1 metros e pertence a um coleccionador particular, que quis
manter o anonimato.
“Uma descoberta com esta importância nunca tinha
acontecido até agora na história do Museu Van Gogh”, escreveu em comunicado o
director da instituição, Axel Rüger. O texto, citado pela imprensa
internacional, acrescenta: “É já uma raridade que um novo quadro possa ser
acrescentado à obra de Van Gogh. Mas o que torna esta descoberta ainda mais
excepcional é tratar-se de um trabalho de um período de transição na sua obra,
e, para além disso, uma pintura de grande dimensão pertencente a um período que
é considerado por muitos como o culminar da sua criação artística”.
Na investigação que efectuaram sobre o quadro, os dois
especialistas na obra de Van Gogh ligados ao museu de Amesterdão, Louis van
Tilborgh e Teio Meedendorp, confirmaram a similitude dos pigmentos com os que
o pintor usou noutros trabalhos feitos em Arles, na mesma altura –
nomeadamente na pintura The
Rocks (actualmente na
colecção do Museu de Belas Artes de Huston, EUA).
São também conhecidas referências feitas por Van Gogh
(1853-1890) à paisagem de Mont Majour representada no quadro agora
identificado. Numa carta ao seu amigo Émile Bernard, pintor e escritor
francês – citada pela jornalista do New
York Times, Nina Siegal –, Van Gogh dizia que se tinha deslocado mais de
50 vezes “para ver a paisagem da planície”, que descreveu como “uma enorme
extensão de terra plana”, cheia de vinhas e de campos de trigo ceifado. Uma
paisagem que Van Gogh também já tinha imortalizado no quadro Colheita em La Crau, com Mont
Majour em fundo, igualmente de 1888.
Além disto, Pôr-do-sol
em Mont Majour surgia também
identificado na listagem da colecção de Theo Van Gogh, irmão do pintor, em
1890. O quadro seria depois vendido em 1901, um ano após a morte do autor de Os Girassóis– que, como se
sabe, morreu sem ter conseguido vender nenhuma das suas obras.
Pôr-do-sol em Mont Majour vai agora ser mostrado ao público a partir de 24 de
Setembro, integrado na exposição Van
Gogh at Work, que o Museu de Amesterdão tem patente desde Maio e até 12 de
Janeiro de 2014.
Fonte: Público
O director Alex Rueger e o Pôr-do-sol em Mont Majour, de Van Gogh




