sábado, 24 de julho de 2021

24 de Julho de 1833: Guerra Civil. As tropas liberais do Duque da Terceira entram em Lisboa

 No dia 24 de Julho de 1883, as tropas liberais de D. Pedro IV, comandadas pelo Duque da Terceira, entraram vitoriosamente em Lisboa, tendo desembarcado no Algarve e atravessado o Alentejo sem dispararem um único tiro.

Lisboa foi entregue ao comandante-chefe liberal, o Duque da Terceira, pelo Duque de Cadaval, antigo primeiro-ministro do rei D. Miguel, a 24 de Julho de 1833.
Na verdade, as tropas de D. Miguel tinham abandonado Lisboa de madrugada, tendo a capital sido libertada das tropas absolutistas. Durante a noite anterior, tomados de súbito pânico, Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo,  6.º duque de Cadaval, que encabeçava o ministério miguelista, e os restantes ministros decidiram abandonar Lisboa sem opor resistência. Num dos episódios mais estranhos de toda a guerra, o duque de Cadaval, comandante do exército miguelista em Lisboa, organizou uma grande parada militar que se dirigiu para norte, sem ter sequer entrado em combate. As forças do duque da Terceira entraram na cidade a 24 de Julho, sendo entusiasticamente recebidas como libertadoras. Dois dias depois, chegava Charles Napier com a esquadra que vinha bloquear o Tejo, operação tornada desnecessária pela reviravolta entretanto ocorrida.
Um ano depois, em 1834, é a vez de todo o território ser libertado e D. Miguel exilado.
Em 1878, a Câmara Municipal de Lisboa decide chamar Rua 24 de Julho à parte do aterro ocidental que começa na Praça D. Luís I e termina no caneiro de Alcântara. A alteração de rua para avenida foi feita a 18 de Outubro de 1928.
Em 1860 teve início a construção da estátua (da autoria de José Simões de Almeida e de António Gaspar)  em homenagem a António José de Sousa Manuel Menezes Severim de Noronha, sétimo conde de Vila Flor e duque da Terceir(título que recebeu por ter encabeçado a resistência liberal na ilha Terceira). 
A inauguração (1877) coincidiu com a comemoração do 44.º aniversário do desembarque do duque da Terceira em Lisboa, à frente das tropas liberais.
Trata-se de uma estátua de bronze, com altura de 3,30m, onde a figura do duque é representada em traje militar, de rosto sóbrio e numa posição de chefia e comando. A estátua encontra-se na Praça Duque da Terceira, no Cais do Sodré.
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O Duque da Terceira
O Duque da Terceira em 1850
Estátua em homenagem ao Duque da Terceira

quarta-feira, 21 de julho de 2021

21 de Julho de 1951: Craveiro Lopes é eleito presidente da República Portuguesa, sucedendo ao recém-falecido Óscar Carmona

 Francisco Higino Craveiro Lopes nasceu em Lisboa a 12 de Abril de 1894, filho de João Carlos Craveiro Lopes (general do exército português e governador-geral da Índia Portuguesa) e de Júlia Clotilde Salinas Cristiano.


O seu percurso de vida militar começou com os estudos no Colégio Militar e na Escola Politécnica de Lisboa e em 1911 alistou-se como voluntário no Regimento de Cavalaria 2. Após o curso de Cavalaria na Escola do Exército ingressou na Aeronáutica Militar. 

Esteve mobilizado em Moçambique entre 1915 e 1916, e pelo valor militar e coragem demonstrados recebe a Cruz de Guerra e tornado Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada.

Em 1917, casou-se com Berta da Costa Ribeiro Artur de quem teve quatro filhos.

Em França, no ano de 1918, tirou o curso de piloto militar, passando à patente de capitão piloto aviador. 

Entre 1926 e 1929 exerceu o cargo de director da Divisão de Instrução da Escola Militar, e depois o de chefe da Repartição do gabinete do Governador-Geral da Índia. Desempenhou vários cargos na Índia, entre os anos de 1934 e 1938, sucessivamente os de chefe da Repartição do Gabinete do Governador-Geral da Índia, de governador interino do distrito de Damão, e a título interino foi encarregado do Governo-Geral da Índia. Em 1939, passou a comandar a Base Aérea de Tancos, em 1941 foi nomeado Comandante-geral da Aeronáutica e de depois Comandante da Base Aérea dos Açores. 

Exerceu actividade docente no Instituto de Altos Estudos Militares e de 1944 a 1950 foi comandante geral da Legião Portuguesa, período durante o qual é promovido a brigadeiro e em 1949 a general. 

Tornou-se o candidato à presidência da República pela União Nacional, tendo sido eleito a 21 de Julho de 1951. Foi o 11º Presidente da República Portuguesa ocupando o cargo até 9 de Agosto de 1958. 

Faleceu a 2 de Setembro de 1964, aos 70 anos de idade, como Marechal do Exército.
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General Francisco Craveiro Lopes

Visita a Moçambique, 1956

21 de Julho de 1542: O Papa Paulo III cria a Congregação do Santo Ofício

 O Santo Ofício foi fundado pelo Papa Paulo III em 21 de Julho de 1542 para combater a heresia. Tem as suas raízes num tribunal romano chamado a “Inquisição Romana”, fundado por Inocêncio III no século XIII, para confrontar os albigenses. No século XVI, devido aos avanços do protestantismo, Paulo III reorganizou a Inquisição Romana fazendo dela o supremo tribunal doutrinário para todo o mundo. O Santo Ofício teve seu nome mudado em 1966 para Congregação para a Doutrina da Fé.


O condenado pelo Santo Ofício era muitas vezes responsabilizado por uma "crise da fé", pestes, terramotos, doenças e miséria social, sendo entregue às autoridades do Estado, para que fosse punido. As penas variavam desde o confisco de bens e perda de liberdade, até à pena de morte, muitas vezes na fogueira. O seu significado era basicamente religioso, simbolizava a purificação, configurando a ideia de desobediência a Deus e ilustrando a imagem do Inferno. 

Fortemente influenciada pelo poder civil, a Inquisição tornou-se, por vezes, meio de desembaraçar-se de inimigos políticos indesejáveis e culpada de crueldades e torturas que hoje são vigorosamente repudiadas.  

A Inquisição Medieval desenvolveu-se como instituição nas primeiras décadas do século XIII, quando foram constituídos tribunais eclesiásticos para julgar os albigenses. De acordo com os decretos do Concílio Francês (1229) em cada paróquia devia instalar-se um tribunal eclesiástico presidido por um legado de Gregório IX e constituído por um sacerdote e dois leigos. 

Estes tribunais foram substituídos pela Inquisição Papal, instituída directa­mente por Gregório IX, confiada por ele aos dominicanos. Entre 1230 e 1235, Gregório IX enviou inquisidores a várias partes da Europa para julgar casos de suspeita de heresia. Estes juízes constituíram a Inquisição Medieval. Embora nomeados pela Santa Sé, só era permitido aos inquisidores trabalhar com a cooperação do bispo diocesano. 

Quando um acusado de heresia era levado ante a Inquisição, a confissão e o arrependimento davam como resultado apenas um castigo simbólico. Porém, se o acusado se obstinava na sua heresia, era entregue às autoridades seculares, pois o estado considerava a heresia uma traição à pátria. Ao réu era negada a defesa, permitia-se o testemunho de hereges e excomungados contra eles e  usavam-se  muitas vezes torturas cruéis para arrancar confissões. 
Uma variante da Inquisição Medieval foi a Inquisição Espanhola fundada pelos Reis Católicos em 1478, que julgavam a uniformidade religiosa desejável e útil ao Estado. Exerceram grande pressão sobre judeus e mouros para que se convertessem ao cristianismo. Para evitar a expulsão do país, muitos cederam. Diante de incontáveis denúncias, fundamentadas amiúde em questiúnculas pessoais, os reis criaram a Inquisição para examinar a sinceridade das convicções cristãs de suspeitos hereges. 

Os principais inquisidores eram sempre clérigos aprovados pela Igreja. Judeus e mouros convertidos, chamados cristãos novos ou marranos, despertavam mais facilmente a suspeita de ter recaído na heresia. Eram logo denunciados à Inquisição, julgados e punidos. Outros crimes além de heresia estavam sob a jurisdição deste tribunal. 
Fontes: Opera Mundi
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Cardeal Alessandro Farnese, futuro Paulo II - Rafael
Papa Paulo III - Ticiano

21 de Julho de 1798: Napoleão Bonaparte vence a Batalha das Pirâmides

 No dia 21 de Julho de 1798, não distante das pirâmides de Gizé, o general Napoleão Bonaparte derrota os mamelucos - escravos que geralmente serviam os seus amos como criados domésticos e eventualmente eram usados como soldados pelos califas muçulmanos e pelo Império Otomano - na chamada Batalha das Pirâmides.


Habilmente explorada pela propaganda napoleónica, esta batalha iria dar brilho a um general vencedor, agregando-lhe um toque suplementar de exotismo e de epopeia oriental. Isto não impediu que a expedição do Egipto desembocasse num fiasco militar, o primeiro antes daquele de Santo Domingo, Espanha e Rússia. A Pedra de Roseta, posteriormente decifrada por Champollion, foi encontrada durante esta campanha. No entanto, em termos militares, a campanha foi um desastre. Houve desperdício de vidas, de dinheiro e de materiais. Não teve influência na balança do poder internacional.

Esta expedição foi decidida em 1797 pelo governo republicano do Directório após uma série de vitórias na Europa que permitiram à “Grande Nação” francesa atingir as suas “fronteiras naturais” sobre o Reno, mas não vencer a Inglaterra.

O general Napoleão Bonaparte, por força das suas vitórias na Itália, abrigava o sonho de uma expedição oriental que permitisse cortar à Inglaterra o caminho das Índias. O ministro das Relações Exteriores, Talleyrand, partilhava deste sonho. Como consequência, o Directório decide, no começo de 1798, invadir a Confederação Suíça, aliada secular da França, a fim de financiar a futura expedição do Oriente, contando com o tesouro de Berna.

Bonaparte, recentemente nomeado membro do Instituto da França, junta uma plêiade de jovens cientistas, engenheiros, artistas e humanistas. Entre eles o artista aventureiro Vivant Denon, que obtém aos 51 anos a oportunidade da sua vida, o matemático Gaspard Monge e o naturalista Geoffroy Saint-Hilaire.

A frota zarpa de Toulon no dia 19 de Maio com um total de 54 mil homens. Toma de passagem a ilha de Malta. Três séculos antes, a ilha havia sido confiada por Carlos V aos Cavaleiros da Ordem Hospitalária de São João de Jerusalém, denominada em seguida de Rhodes e depois de Malta.

Por fim, o corpo expedicionário desembarca em Alexandria no dia 2 de Julho, após ter escapado quase por milagre da perseguição da frota britânica comandada por Nelson. O Egipto, sob a autoridade nominal do sultão de Istambul, era então dominado por uma casta militar, os mamelucos. Apressado em concluir a expedição, Bonaparte dirige-se de Alexandria ao Cairo pelo caminho mais curto, através do deserto.
Chegou enfim o confronto decisivo com as tropas de Mourad Bey, ao lado das pirâmides. A batalha dura apenas duas horas. Com o seu senso de propaganda, o general inventa, a propósito desta jornada, o célebre discurso: “Soldados, pensem que do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam!” Era o ponto culminante da expedição ao Egipto.

O general Louis Desaix perseguiu os fugitivos até ao Alto Egipto, completando a submissão do país.

Prisioneiro das suas conquistas, Napoleão só queria de lá partir, o mais rápido possível. Isto ocorreria em 8 de Outubro de 1799, quando desembarca em Frejus, localizada na Costa Azul da França. O infeliz exército do Egipto rendeu-se aos ingleses em 31 de Agosto de 1801.

 Fontes: Opera Mundi
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Batalha das Pirâmides  - Antoine Jean Gros

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A Batalha das Pirâmides - Louis-François, Barão Lejeune

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Batalha das Pirâmides - François-Louis-Joseph Watteau 


terça-feira, 20 de julho de 2021

20 de Julho de 1955: Morre em Lisboa, Calouste Gulbenkian, mecenas e coleccionador de arte

Calouste Gulbenkian nasceu em Scutari, Istambul, a 23 de Março de 1869, filho de Sarkis e Dirouhie Gulbenkian, membros de uma ilustre família arménia cujas origens remontam ao século IV. 
Calouste Gulbenkian começou os seus estudos em Kadikoy (Calcedónia), primeiro na escola Aramyan-Uncuyan, depois na escola francesa de St. Joseph. Esteve em Marselha, a aprofundar os conhecimentos de francês. Foi no King's College de Londres, que se diplomou, com distinção, em engenharia (1887). 
Aos 22 anos, Calouste Gulbenkian viajou pela Transcaucásia e visitou os campos petrolíferos de Baku. Corria o ano de 1891. A jornada inspirou a escrita de um livro - «La Transcaucasie et la Péninsule d'Apchéron - Souvenirs de Voyage» - do qual alguns capítulos foram reproduzidos na «Revue des Deux Mondes» com o título «Le pétrole, source d' énergie». Detentor de uma fortuna colossal, o bem sucedido homem de negócios tornara-se num dos mais notáveis coleccionadores de arte do século XX.
A paixão de Calouste Gulbenkian pela arte revela-se cedo. É acima de tudo a beleza dos objectos que lhe interessa. Junta ao longo da vida, ao sabor das viagens e conduzido pelo seu gosto pessoal, por vezes após longas e laboriosas negociações com os melhores peritos e comerciantes especializados, uma colecção muito eclética, única no mundo. São hoje mais de 6000 peças, desde a Antiguidade até ao princípio do sec. XX. O seu apego às obras que vai adquirindo é tal que as considera suas filhas. 
 Em busca de tranquilidade, chegou a Lisboa em Abril de 1942, tendo passado os últimos treze anos da sua vida no Hotel Aviz, onde viria a morrer a 20 de Julho de 1955. 
Reconhecido pela boa hospitalidade “que nunca havia sentido em mais lado nenhum”, presenteou, entre 1949 e 1952, o Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa com um importante núcleo de azulejos oriundos do Médio Oriente, uma escultura egípcia do período ptolomaico, um torso grego do século V a.C., bem como um notável conjunto de arte europeia com obras de Lucas Cranach, o Velho, Van Dyck, Largillière, Hubert Robert, Reynolds, Hoppner, Dupré, Courbet e Rodin.
Fontes:www.gulbenkian.pt/
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20 de Julho de 1969: Neil Armstrong torna-se o primeiro homem a pisar a Lua

 No dia 20 de Julho de 1969, o astronauta norte-americano Neil Armstrong, torna-se o primeiro homem a pisar a lua. Naquele dia, após descer do módulo lunar Eagle (águia), ele pronuncia estas palavras:“Este é um pequeno passo para o homem, mas um  salto gigantesco para a humanidade". 

  
O esforço norte-americano de enviar astronautas à lua teve origem num apelo do presidente John Kennedy feito numa sessão especial conjunta do congresso, em 25 de Maio de 1961. "Acredito que esta nação pode comprometer-se em atingir este objectivo antes que esta década termine, em colocar um homem na lua e fazê-lo retornar à Terra", disse o presidente na ocasião. 

Na época, Os Estados Unidos ainda estavam atrás da União Soviética em conquistas espaciais. A corajosa proposta de Kennedy foi bem recebida pela opinião pública norte americana. Em 1966, após cinco anos de trabalho feito por uma equipa internacional de engenheiros e cientistas, a NASA dirigiu a primeira missão Apolo não tripulada, testando a integridade estrutural do veículo de lançamento proposto combinado com a nave espacial. Em 27 de Janeiro de 1967, uma tragédia abateu-se no centro espacial de Cabo Canaveral, quando o fogo se instalou na cabine da Apolo ainda na plataforma de lançamento. Três astronautas morreram no acidente. 

A despeito do contratempo, a NASA prosseguiu e, em Outubro de 1968, a missão Apolo 7, a primeira tripulada, orbitou a Terra e testou com sucesso muitos dos sofisticados sistemas necessários para concretizar uma viagem à lua. Em Dezembro do mesmo ano, a Apolo 8 levou três astronautas ao lado oculto da lua, trazendo-os de volta. Em Março de 1969, a Apolo 9 testou o módulo lunar pela primeira vez em órbita terrestre. Em Maio, finalmente, os três astronautas da Apolo 10 fizeram o primeiro voo orbital em torno da lua num ensaio geral para a missão de desembarque lunar programada para Julho. 

No dia 16 de Julho, a Apolo 11 parte do Centro Espacial Kennedy com os astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin Jr.e Michael Collins a bordo. Armstrong, um piloto de provas civil de 38 anos, era o comandante da missão. Depois de percorrer 385 mil quilómetros em 76 horas, a Apolo 11 entrou em órbita lunar no dia 19 de Julho. No dia seguinte, o modulo lunar Eagle, tripulado por Armstrong e Aldrin, separou-se do módulo de comando, onde Collins permaneceu. Duas horas mais tarde, o Eagle começou a sua descida à superfície lunar.  
Cinco horas após a programação oficial, Armstrong abriu a escotilha do módulo lunar. À medida que descia a escada do módulo lunar, uma câmara de televisão acoplada ao aparelho registava as suas acções e transmitia o sinal à Terra, onde centenas de milhões de olhos colados às televisões o acompanhavam com enorme excitação. Entretanto Armstrong pronuncia a sua famosa frase, que mais tarde sustentou ter sido levemente alterada. 

"Buzz" Aldrin juntou-se a ele posteriormente e juntos tiraram fotos do terreno, colocaram uma bandeira dos Estados Unidos, fizeram algumas experiências científicas simples e falaram com o presidente Nixon via Houston. Entretanto ambos os astronautas regressaram ao módulo lunar e a escotilha foi fechada. Os dois dormiram naquela noite na superfície da Lua. Já no dia 21 a Eagle começou a levantar voo lentamente para se acoplar novamente ao módulo de comando. Entre os vários itens deixados na superfície da lua havia uma placa que dizia: "Aqui, homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez o solo da lua – Julho de 1969 d. C.. Viemos em paz em nome de toda a humanidade."  

. Fontes: Opera Mundi

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Neil ArmstrongMichael Collins e Edwin Aldrin
Buzz Aldrin em continência à bandeira  norte americana


20 de Julho de 1944: Operação Valquíria, atentado de Stauffenberg contra Hitler

 O conde Claus Philip Maria Schenk von Stauffenberg é um dos principais actores da conspiração que culminou no fracassado atentado contra Adolf Hitler em 20 de Julho de 1944. Nascido na Suábia a 15 de Novembro de 1907, Stauffenberg foi um patriota alemão conservador, que a princípio simpatizou com os aspectos nacionalistas e militaristas do regime nazi.

Mas desde cedo começou a questionar não só o genocídio de judeus, polacos, russos e outros grupos da população estigmatizados pelo regime de Hitler, como também a forma, em sua opinião "inadequada", de comando militar alemão. Mesmo assim, como muitos outros militares, preferiu no começo manter-se fiel ao regime.
Em 1942, com seu irmão Berthold e outros membros da resistência, ele ajudou a elaborar uma declaração de governo pós-derrube de Hitler. Os conspiradores defendiam o retorno das liberdades e direitos previstos na Constituição de 1933, mas rejeitavam o restabelecimento da democracia parlamentar.

Em Março de 1942, Stauffenberg havia sido promovido a oficial do Estado Maior da 10ª Divisão de Tanques, com a incumbência de proteger as tropas do general Erwin Rommel, após o desembarque dos Aliados no norte da África. Num ataque aéreo em 7 de Abril de 1943, Stauffenberg perdeu um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda.
Após recuperar-se dos ferimentos, aliou-se aos generais Friedrich Olbricht, Alfred Mertz von Quinheim e Henning von Treskow na conspiração que passaram a chamar de Operação Valquíria. Oficialmente, a operação pretendia combater inquietações internas, mas na realidade preparava tudo para o período posterior ao planeado golpe de Estado.
Os planos do atentado que mataria Hitler foram elaborados com a participação de Carl-Friedrich Goerdeler e de Ludwig Beck. Os conspiradores mantinham, além disso, contactos com a resistência civil. Os planos visavam a eliminação de Hitler e dos seus sucessores potenciais – Hermann Göring e Heinrich Himmler. A primeira tentativa de atentado em Rastenburg (hoje Polónia), no dia 15 de Julho, fracassou.
Na manhã de 20 de Julho de 1944, Stauffenberg voou até o quartel-general do Führer "Wolfsschanze" ("Toca do Lobo"), na Prússia Oriental. Com o seu ajudante Werner von Haeften, ele conseguiu activar apenas um dos dois explosivos previstos para detonar. Mais tarde, usou uma desculpa para entrar na sala de conferências, onde depositou a bolsa com explosivos ao lado do ditador. Incomodado pela bolsa, Hitler colocou-a  mais longe de si. A explosão, às 12h42, matou quatro das 24 pessoas na sala. Hitler sobreviveu.
Na capital alemã, os conspiradores comunicaram por telefone, por volta das 15 horas, convencidos do êxito da missão: "Hitler morreu!" Duas horas mais tarde, a notícia foi desmentida. Na mesma noite, Von Stauffenberg, Von Haeften, Von Quirnheim e Friedrich Olbricht foram executados. No dia 21 de Julho, os mortos foram enterrados com os seus uniformes e condecorações militares. Mais tarde, Himmler mandou desenterrá-los e ordenou sua cremação. As cinzas foram espalhadas pelos campos.
 Fontes: DW
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"A Toca do Lobo" depois da explosão

Stauffenberg (à esquerda) em Rastenburg em 15 de Julho de 1944. No centro Adolf Hitler. Stauffenberg já levava as bombas consigo mas decidiu não detoná-las naquele momento