terça-feira, 11 de maio de 2021

11 de Maio de 1937: Morre Afonso Costa um dos principais obreiros da implantação da República em Portugal e uma das figuras dominantes da Primeira República.

 

Jurista e político português, Afonso Augusto da Costa nasceu a 6 de março de 1871, em Seia, distrito da Guarda.

Em 1894, formou-se na Faculdade de Direito na Universidade de Coimbra, onde lecionou durante 15 anos, e doutorou-se nessa mesma área, em 1895. Foi docente de Economia Política na Escola Politécnica de Lisboa e, em 1913, tornou-se diretor da Faculdade de Direito. Em 1900, entrou para o Parlamento, defendendo a partir daí a substituição da monarquia pelo sistema republicano. 

Como estadista português, foi um dos grandes vultos políticos da República, definindo uma parte significativa da sua estrutura legislativa. Foi por diversas vezes chefe de Governo e ministro das Finanças. 

Depois de implantada a República em 1910, foi ministro da Justiça do Governo Provisório, cabendo-lhe preparar e publicar algumas leis basilares do novo regime, como as respeitantes à separação da Igreja e do Estado, ao divórcio e à família. Assumiu por diversas vezes, entre 1913 e 1917, os cargos de chefe do Executivo e de ministro das Finanças, ficando-se-lhe a dever algumas das iniciativas de reforma social e institucional mais importantes do período da República parlamentarista. Como governante, Afonso Costa equilibrou as finanças públicas, criou o Ministério da Instrução e foi o responsável por legislação de relevo nas áreas da economia, das finanças, da justiça, do trabalho, etc. Em todo este labor, aliava a sua competência técnica de jurista a uma qualidade invulgar de homem de Estado. 

Defensor da entrada do país na Primeira Guerra Mundial, Afonso Costa afirmava que só dessa maneira o país se livraria da tutela inglesa e defenderia eficazmente os seus interesses nos territórios ultramarinos. Aliando-se a António José de Almeida, constituiu a chamada União Sagrada, que governaria até 1917, isto é, até à altura em que se deu o golpe de Sidónio Pais. Afonso Costa foi então preso. Uma vez libertado, partiu para França, exilado, mas não demoraria a voltar para Portugal. Morto Sidónio Pais, a situação política proporcionou o regresso. 

 Em 1919, foi nomeado chefe da delegação portuguesa à Conferência de Paz e à Sociedade das Nações. Depois, porém, deu-se o golpe de 1926, que instaurou a Ditadura Militar, seguindo-se-lhe a consolidação do Estado Novo, alguns anos mais tarde. Num país que vivia sob um regime político que não era aquele por que desde novo combatera, Afonso Costa veio a morrer a 11 de maio de 1937, em Paris, França.

Fontes: Infopédia
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Afonso Costa assina a Lei da Separação do Estado das Igrejas.


Pormenor do quadro de William Orpen, A Assinatura da Paz na Sala dos Espelhos, Versalhes, 28 de Junho de 1919. Afonso Costa é um dos políticos retratados (de pé, segundo à esquerda

11 de Maio de 482: Nasce o Imperador Justiniano, responsável pelo Código com o mesmo nome

 Flávio Pedro Sabácio Justiniano (em latim: Flavius Petrus Sabbatius Justinianus; em grego: Φλάβιος Πέτρος Σαββάτιος Ιουστινιανός; Taurésio, nasceu a 11 de Maio de 482 em Constantinopla e faleceu a 13 ou 14 de Novembro de 565), conhecido simplesmente como Justiniano I ou Justiniano, o Grande, foi imperador bizantino desde 1 de Agosto de 527 até à sua morte.

Em 15 de Dezembro de 533, em Constantinopla, o imperador Justiniano dá força de lei aos Pandectes, expressão derivada de uma palavra que significa “que contém tudo”. Esta volumosa consolidação de leis esparsas ficou mais conhecida pelo nome latino de Digesto.
É a obra maior de Justiniano e a herança mais duradoura de Roma. O Digesto inspira ainda hoje o Direito de um grande número de países. O estudo do Direito Romano é matéria obrigatória em faculdades de países do Ocidente.

Bastante culto, apaixonado pela teologia e pelo Direito, mas preocupado também em consolidar a sua autoridade, o imperador do Oriente quis, após a sua chegada ao poder, estabelecer ordem e clareza no emaranhado de leis díspares  elaboradas por Roma ao longo de um milénio.

A partir de 528, Justiniano confiou ao advogado Triboniano a missão de supervisionar esta gigantesca tarefa. Num primeiro momento, a comissão de especialistas reagrupou os códigos conhecidos pelo nome de Gregoriano, Hermogeniano e Teodosiano, bem como as antigas constituições imperiais. Depois de expurgar as contradições, o resultado foi um código de leis publicado em 529 sob a denominação de Código Justiniano.

Porém, essa iniciativa não bastou para o imperador, que pediu a Triboniano que se dedicasse também ao direito privado e à jurisprudência.

A comissão de dez juristas examinou em profundidade 1500 livros de Direito e a obra de alguns dos grandes jurisconsultos do período clássico. Adaptou os postulados e as prescrições às condições do momento no Império Romano do Oriente.

A compilação desemboca por fim na publicação do Digesto. Tratava-se da consolidação em 50 tomos divididos em títulos, cada qual dedicado a um objecto do Direito. A legislação moderna dos países agiria da mesma maneira, criando códigos como o Código Civil, Código Penal, Código de Processo Penal, a exemplo do que fez o Código Napoleónico.
Além do Digesto, os juristas completaram o seu trabalho com a publicação, no mesmo ano, dos institutos, um manual para utilização pelos estudantes de Direito. E, para completar o leque de publicações, trouxeram à luz nos anos seguintes as Novelas, ou seja, as actualizações do Direito e a leis recentes.

O conjunto do Código Justiniano (leis), do Digesto (jurisprudência), dos Institutos (manual de direito) e das Novelas (actualizações) constitui o “Direito Justiniano”.

Ao lado da religião, o direito romano ajudou a manter a unidade e a ordem imperial. Justiniano percebeu a importância de salvaguardar a herança do direito romano e, aproveitando a prosperidade económica e comercial que lhe proporcionavam as novas conquistas, empreendeu um importante trabalho legislativo e de compilação jurídica.
O autoritarismo e os altos impostos fizeram com que a população respirasse aliviada com a notícia da morte de Justiniano, em Constantinopla, no ano de 565. Foi sepultado ao lado da sua amada imperatriz Teodora, na Igreja dos Santos Apóstolos, onde repousavam as relíquias dos apóstolos, imperatrizes e imperadores bizantinos, patriarcas da Igreja Ortodoxa Grega em Constantinopla. A data da morte do imperador é tradicionalmente considerada o termo final do Direito romano.
 Fontes: Opera Mundi
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Mosaico com imagem de Justiniano na Basílica de São Vital em Ravena
O imperador Justiniano - Mosaico na Basílica de São Vital em Ravena.

11 de Maio de 1904: Nasce Salvador Dalí, Mestre do Surrealismo

 Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol, conhecido apenas como Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista.

Nasceu a 11 de Maio de 1904, em Figueres e iniciou a sua educação artística na Escola de Desenho Municipal. Em 1916, durante as férias de Verão em Cadaquès, descobriu a pintura impressionista. Em 1922, Dalí foi viver para Madrid, onde estudou na Academia de Artes de S. Fernando. Nessa época, ele já chamava a atenção nas ruas como um excêntrico, usando cabelo comprido, casacos longos, um grande laço no pescoço, calças até ao joelho e meias altas.
Nos quadros fazia experiências com o cubismo e o dadaísmo. Tornou-se amigo do poeta Federico García Lorca e do cineasta Luis Buñuel.

Dalí foi expulso da Academia de Artes em 1926, depois de declarar que ninguém ali era suficientemente competente para avaliá-lo. Foi nesse mesmo ano que Dalí fez a sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso.

Nos anos seguintes, realizou uma série de trabalhos influenciados por Picasso e Miró, enquanto ia desenvolvendo o seu próprio estilo.
O ano de 1929 foi importante para Dalí. Ele colaborou com Luis Buñuel na curta-metragem "Un Chien Andalou". Em Agosto de 1929 conhece a sua musa e futura mulher, Gala Éluard (Elena Ivanovna Diakonova, uma imigrante russa, na época casada com o poeta Paul Éluard). Ainda em 1929, Dalí fez várias exposições importantes e juntou-se ao grupo surrealista no bairro parisiense de Montparnasse. 

Em 1939 os membros do grupo surrealista expulsaram Dalí por motivos políticos, já que o marxismo era a doutrina preferida no movimento e Dalí  declarava-se "anarco-monárquico". Dalí respondeu à sua expulsão declarando: "O surrealismo sou eu".
O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do Renascimento. O seu trabalho mais conhecido, A Persistência da Memória, foi concluído em 1931. Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura, e fotografia. Ele colaborou com a Walt Disney na curta metragem de animação Destino, que foi lançada postumamente em 2003 e, ao lado de Alfred Hitchcock, no filme Spellbound. Também foi autor de poemas dentro da mesma linha surrealista.
Dalí insistiu na sua "linhagem árabe", alegando que os seus antepassados eram descendentes de mouros que ocuparam o sul da Espanha, e atribui a isso o seu amor por tudo o que é excessivo e dourado e a sua paixão pelo luxo. Tinha uma reconhecida tendência por atitudes e realizações extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte. Ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, já que sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho artístico. Dalí faleceu em Figueres a 23 de Janeiro de 1989.


Salvador Dalí fotografado por Carl Van Vechten em 1939
File:Salvador Dalí 1939.jpg
Atomicus Dalí, fotografía de 1948 de Philippe Halsman, onde explora a ideia da suspensão, representando três gatos que voam, um cubo de água lançada e Salvador Dalí
File:Salvador Dali A (Dali Atomicus) 09633u.jpg

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segunda-feira, 10 de maio de 2021

10 de Maio de 1871: Tratado de Frankfurt, a França cede a Alsácia e parte da Lorena à Alemanha.

 O governo provisório da França aceita pagar uma indemnização de 5 biliões de francos-ouro, permite a presença de um exército de ocupação até ao pagamento desta soma e sobretudo, cede a Alsácia e uma parte da Lorena nos termos do Tratado de Frankfurt, firmado em 10 de Maio de 1871. 

Este tratado foi assinado na decorrência da vitória da Alemanha sobre a França na guerra de 1870. A vitória reforçou o chanceler Otto Von Bismark e  permitiu-lhe unificar os Estados alemães em torno da Prússia. 
Nos primórdios da Alsácia, católicos e protestantes assinaram o Tratado de Westfália. A guerra dos Trinta Anos chegava assim ao fim. A França obtém uma parte da Alsácia, Suécia e Alemanha adquirem igualmente parte do seu território, enquanto Países Baixos e Suíça conquistam as suas independências. Quanto à Lorena, o velho rei da Polónia e sogro de Luís XV,  Stanislas Leszczynski, morre num incêndio em  Lunéville, aos 87 anos. De acordo com os tratados assinados com o rei da França, em 23 de Fevereiro de 1766, as suas possessões da Lorena e de Bar tornam-se francesas. Leszczynski havia adquirido os ducados de Lorena e de Bar como renda vitalícia. 

No dia 13 de Julho de 1870,  após o seu encontro com o embaixador da França, Benedetti, a propósito da sucessão do trono da Espanha, o rei da Prússia Guilherme I relata o encontro ao ministro-presidente Otto Von Bismarck. 
O rei  envia-lhe um telegrama informando que não mais irá respaldar a candidatura do seu primo, o príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen ao trono de Espanha. A partir da recepção da mensagem, Bismarck que avalia que o rei agira por fraqueza, distorce o despacho real dando-lhe um tom belicista. Escreveu que o rei “recusou ver o embaixador da França” e que lhe fez ver que “nada mais há para  comunicar-lhe”. A França, insultada pelo despacho, declararia guerra à Prússia em 19 de Julho. 

Napoleão III declara precipitadamente guerra à Prússia.  Bismark dela tem necessidade para reforçar a unidade prussiana para formar o II Reich de toda a Alemanha. Bismark havia alterado o propósito da mensagem exactamente para provocar Napoleão III. Este, longe de possuir a clarividência do seu tio, reagiu bruscamente quando o seu exército não estava pronto para a guerra. A aliança germano-prussiana mobiliza 800 mil homens contra 250 mil franceses. A Guerra Franco-prussiana seria expedita. Em mês e meio, os exércitos prussianos capturaram Napoleão III em Sedan e marcharam sobre Paris. 

O exército dos príncipes da Prússia e da Saxónia cercam Sedan. Uma parte do exército francês que tentara reforçar as suas tropas em Bazaine e Metz é obrigada a  retrair-se. Cortado em dois e inferior em número, o exército francês nada pode fazer contra o prussiano. Napoleão III presente na cidade capitula e é feito prisioneiro. Em Paris, a Assembleia Nacional proclamaria então o fim do império e o nascimento da III República três anos mais tarde. O imperador exilou-se em Inglaterra onde morreria. 

Em 19 de Setembro de 1870 a capital Paris é cercada pelas tropas prussianas. A cidade é bombardeada todos os dias. Os homens válidos, sob o comando de Gambetta, são alistados para afrouxar o cerco que iria durar cinco meses, debaixo de frio e fome, malgrado as diversas tentativas de fuga dos parisienses. A França capitula em 28 de Janeiro de 1871. 

Ainda durante a guerra, os representantes dos Estados alemães  reuniram-se na Galeria dos Espelhos de Versalhes e proclamam o império alemão o II Reich. O rei da Prússia, Guilherme, torna-se o novo imperador sob o nome de Guilherme I. O império germânico  compunha-se então da Prússia, da Bavária, de Wurtemberg e da Saxónia. A unidade política da Alemanha é conquistada. O armistício seria assinado 10 dias mais tarde no mesmo local. 

Entre a capitulação de Paris em 28 de Janeiro e a assinatura do Tratado de Frankfurt em 10 de Maio, assume a cidade um governo insurrecional, principalmente de operários, conhecida como a Comuna de Paris. A Comuna domina Paris de Março a Maio. 

Nascida inicialmente de um sentimento patriótico fruto da guerra franco-alemã de 1870, assume rapidamente aspectos de um movimento revolucionário. Aspirava a uma república baseada na igualdade social. Todavia, por falta de consenso, de tempo, de meios, mas também porque deveria confrontar-se com o governo instalado em Versalhes, viu-se finalmente derrotada. 
Fontes: Opera Mundi
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Napoleão III e Bismarck juntos, após a captura de Napoleão na sequência da batalha de Sedan - obra de Wilhelm Camphausen

10 de Maio de 1906: Nasce o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes.

 D. António Ferreira Gomes nasceu em 1906, no dia 10 de maio em Penafiel, e faleceu em 1989. 

Concluiu os seus estudos eclesiásticos na Universidade Gregoriana, onde se formou em Filosofia, em 1928. Ordenado sacerdote nesse mesmo ano, foi professor, prefeito, vice-reitor e reitor do Seminário de Vilar, na cidade do Porto. Foi nomeado coadjutor de Portalegre em 1948, passando a titular da diocese em 1949. Tornou-se bispo do Porto em 1952. 
No exercício do magistério episcopal e em defesa da doutrina social da Igreja Católica, em 1958 (coincidindo, portanto, com a campanha presidencial de Humberto Delgado), dirigiu uma carta ao então chefe do Governo, António de Oliveira Salazar, crítica da situação política, social e religiosa da nação. Consequentemente, foi forçado ao exílio a 24 de julho de 1959. Residiu em Espanha, na República Federal da Alemanha e em França, sendo mais tarde nomeado membro da Comissão Pontifícia de Estudos Ecuménicos para a preparação do Concílio Vaticano II pelo Papa João XXIII.


Após a morte de Salazar, regressou a Portugal, em 1969, e retomou o governo da sua diocese. Sendo o fundador do semanário Voz Portucalense e do boletimIgreja Portucalense, foi também responsável pela criação, nos anos 70, da Secção Diocesana da Comissão Pontifícia "Justiça e Paz". Apresentou o pedido de resignação da diocese em 1981, cessando funções no ano seguinte. 


Publicou uma vasta obra de reflexão e ensaio. Foi alvo de várias homenagens e galardoado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1976, e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 1983.
Fontes: Infopédia
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D. António Ferreira Gomes


Na cidade do Porto há muito granito

Entre névoas sombras e cintilações
A cidade parece firme e inexpugnável 
E sólida – mas habitada
Por súbitos clarões de profecia
Junto ao rio em cujo verde se espelham as visões
Assim quando eu entrava no Paço do Bispo
E passava a mão sobre a pedra rugosa
O paço me parecia fortaleza 
Porém a fortaleza não era
Os grossos muros de pedra caiada
Nem os limites de pedra nem a escada
De largos degraus rugosos de granito
Nem o peso frio que das coisas inertes emanava
Fortaleza era o homem – o Bispo – 
Alto e direito firme como torre
Ao fundo da grande sala clara: fortaleza
De sabedoria e sapiência
De compaixão e justiça
De inteligência a tudo atenta
E na face austera por vezes ao de leve o sorriso
Inconsútil da antiga infância.

Sophia de Mello Breyner Andresen

10 de Maio de 1933: O regime nazi inicia a queima de livros na Alemanha.

 Em 1933, Joseph Goebbels, ministro alemão da Propaganda e do Esclarecimento Popular, deu início à “sincronização da cultura”, processo pelo qual as artes foram moldadas para atender aos objectivos do Partido Nazi. O governo expulsou os judeus e os que considerava política ou artisticamente suspeitos das organizações culturais.

Entre as figuras de vanguarda do movimento nazi figuravam estudantes das universidades alemãs e, no final da década de 1920, muitos engrossaram as fileiras das várias formações daquela ideologia. A força do ultra nacionalismo e do anti-semitismo das organizações estudantis,já se fazia sentir há décadas. Em 6 de Abril de 1933, a sede da Associação Estudantil Alemã para Imprensa e Propaganda proclamou um "Acto Nacional contra o Espírito Não-Germânico", para “limpar”, ou "depurar" (Säuberung) a literatura alemã pelo fogo. As suas sucursais deveriam fornecer à imprensa boletins e encomendar artigos pró-nazismo , organizar eventos em que personalidades nazis famosas pudessem discursar para grandes massas, bem como negociar horários de transmissão pelo rádio para que fossem ouvidos dentro das casas. Em 8 de Abril, a Associação Estudantil também publicou seus doze "artigos"—em uma alusão às 12 Teses do alemão Martinho Lutero contra a Igreja Católica—através das quais apresentava os seus conceitos e requisitos para o estabelecimento de um idioma e de uma cultura nacionais "puras", atacava o "intelectualismo judaico", defendia a necessidade de "depuração" do idioma e da literatura alemães, e exigia que universidades se convertessem em centros do nacionalismo alemão. Os estudantes alemães descreveram o acto como uma reacção à "difamatória campanha" mundial empreendida pelos judeus contra a Alemanha e uma afirmação dos valores tradicionais alemães.Num acto simbólico, quase que profético, no dia 10 de Maio os estudantes atearam fogo a mais de 25.000 livros considerados "não-alemães", já pressagiando a era de censura política e de controle cultural que estava para vir. Na noite daquele mesmo dia estudantes de direita, vindos de todas as cidades universitárias, marcharam à luz de tochas em desfiles organizados para protestar "contra o espírito não-alemão". O ritual que desenvolveram, já predeterminado, tinha como componente básica a presença e o discurso de oficiais nazis do alto escalão, reitores, professores universitários, e líderes estudantis. Nos locais de reunião, os estudantes lançavam pilhas e pilhas de livros indesejáveis nas fogueiras. Entretanto, nem todas as queimas de livros aconteceram naquele 10 de Maio como a Associação Estudantil havia planeado. Algumas foram adiadas por alguns dias por causa das chuvas, outras, dependendo da preferência da assembleia local, aconteceram em 21 de Junho  no solstício de Verão, uma data festiva tradicional. Todavia, no dia 10, em 34 cidades universitárias por toda a Alemanha, o "Acto contra o Espírito Não-alemão" foi um sucesso, atraindo ampla cobertura jornalística. Em alguns lugares, particularmente em Berlim, as emissoras de rádio transmitiram "ao vivo" os discursos, as canções e as frases de efeito para inúmeros ouvintes alemães.Também as obras de escritores alemães de renome que não agradavam ao Partido Nazi, tais como Bertolt Brecht, Lion Feuchtwange, e Alfred Kerr, foram lançadas à fogueira durante uma cerimónia de queima de livros realizada em Berlim. A propagação da cultura "ariana", e a supressão de outras formas de produção artística representaram um esforço extra para a "purificação" da Alemanha. Outros escritores incluídos nas listas negras foram os autores americanos Ernest Hemingway e Helen Keller.

Fontes: wwwushmm.org
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Ficheiro:1933-may-10-berlin-book-burning.JPG
Queima de Livros (1933)
Ficheiro: Bundesarchiv Bild 102-14597, Berlim, Opernplatz, Bücherverbrennung.jpg
Berlim Opernplatz
Multidão reunida na praça da Ópera de Berlim, (Opernplatz)
Mais de cem anos antes, o poeta judeu-alemão, Heinrich Heine, tinha afirmado:
 Aqueles que queimam livros, acabam cedo ou tarde por queimar homens

10 de Maio de 1899: Nasce Fred Astaire

 Fred Astaire era o nome artístico de Frederick Austerlitz. O artista nasceu em Omaha, nos Estados Unidos, em 10 de Maio de 1899. 

  
Uma série de adjectivos vem à mente quando se trata dele: elegante, charmoso, desenvolto, cativante. E de substantivos também: graça, leveza, sofisticação e talento. Não era particularmente bonito nem tinha voz comparável a cantores românticos do seu tempo, como Bing Crosby. Ele, porém, não necessitava de tais predicados, dançava como ninguém. Os seus filmes com Ginger Rogers revolucionaram os musicais para sempre. E neles Astaire mostrou-se não apenas um bailarino, mas também um talentoso actor de comédias românticas. 

Antes de Fred Astaire estrear no cinema, os dançarinos apareciam nos filmes apenas "em partes": os pés, as cabeças e os torsos eram compostos na sala de edição. Astaire exigia ser filmado de corpo inteiro. Para isso eram necessários longos e exaustivos ensaios. O seu perfeccionismo era lendário. 

Astaire foi um virtuoso da dança, capaz de expressar um alegre atrevimento ou uma profunda emoção. O seu domínio da técnica e senso de ritmo era assombroso.
A dança de Astaire carregava uma variedade de influências como o sapateado, ritmos negros e o balet clássico para criar um estilo de dança reconhecidamente único que influenciou enormemente a dança de salão e estabeleceu padrões pelos quais os subsequentes artistas seriam julgados. 
 
Embora se considerasse acima de tudo um entertainer, a sua mestria granjeou-lhe a admiração de lendas da dança como Gene Kelly, George Balanchine, Mikhail Barishnikov, Margot Fonteyn, Bob Fosse, Rudolf Nureyev e Michael Jackson. O grande coreógrafo Balanchine descreveu-o como o “mais interessante, o mais inventivo, o mais elegante dançarino dos nossos tempos”, enquanto para Barishnikov ele era “um génio... um dançarino clássico como nunca vi na minha vida". 

Ademais, Astaire tinha uma forma de cantar como se estivesse a manter uma conversa, valorizando cada palavra. Compositores como George Gershwin, Irving Berlin e Cole Porter ficavam estimulados em compor para ele porque sabiam que daria vida às suas canções. 
  
Astaire fez a sua estreia em papel dramático em A Hora Final (1959), um drama  com Gregory Peck, Ava Gardner e Anthony Perkins.  Em 1974, apesar da sua brilhante carreira, Astaire recebeu a sua primeira e única indicação para o Óscar como actor secundário  em Torre do Inferno.   
Fontes: Opera Mundi
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Fred Astaire em  You'll Never Get Rich (1941)
File:AdeleFred1921.jpg
Fred e a sua irmã Adele em 1921