terça-feira, 5 de outubro de 2021

05 de Outubro de 1143: Conferência de Zamora, Afonso VII reconhece o título de rei a seu primo, D. Afonso Henriques

 

Vitorioso em Ourique (1139), afastadas, assim, as preocupações suscitadas pelos desastres de Leiria e Tomar, Afonso Henriques  renovou os seus ataques ao norte e, mais uma vez, invadiu a Galiza. Por seu turno, Afonso VII, parando o golpe, entrou em Portugal. Todavia, após o recontro de Arcos de Valdevez (1140) e mediante intervenção do arcebispo de Braga, D. João Peculiar, os dois primos assentaram na cessação das hostilidades, com vista ao estudo das condições definitivas de paz, tudo parecendo indicar que o duelo militar entre os dois chefes se aproximava de um desfecho político. E, com efeito, três anos volvidos, a trégua tornou-se paz na Conferência de Zamora, reunida a 4 e 5 de Outubro de 1143, com directa ingerência do cardeal Guido de Vico, legado do papa Inocêncio II. Quais tenham sido as condições de paz em que se assentou é ponto que hoje se ignora, dado que nenhum documento especial que no-lo diga chegou até nós. "Mas o que se pode asseverar", escreveu Alexandre Herculano, "é que o imperador reconheceu o título de rei que seu primo tomara, e que este recebeu dele o senhorio de Astorga, considerando-se por essa tenência seu vassalo. Não é menos provável que, ainda como rei de Portugal, ficasse numa especie de dependência política de Afonso VII, o imperador das Espanhas ou de toda a  Espanha, como ele se intitulava nos seus diplomas." Refira-se, no entanto, que o Prof. Damião Peres, afastando-se neste ponto, do parecer de Herculano, manifestou a opinião de que, "Ao contrário do geralmente suposto, não constituiu, segundo creio, matéria litigiosa  a tratar na reunião o título de rei dos portugueses. Havia três anos que Afonso Henriques assim se proclamava, e os textos oficiais leoneses lavrados enquanto decorria a conferência já assim lhe chamavam também. Mas se esse título não constituiu então matéria litigiosa, constituíam-na certamente as relações pessoais do rei de Portugal com Afonso VII, como senhor de Astorga, e sobretudo os limites do reino português. Isso ali se resolveu. Tudo mostra que Afonso Henriques desistiu de qualquer reivindicação territorial para além dos limites da terra propriamente portuguesa, cujo governo seu avô Afonso VI, avô por igual do imperador Afonso VII, doara ao conde Henrique meio século antes, e que Afonso VII, por seu lado, aceitou a anulação doas obrigações assumidas para com ele por Afonso Henriques no Tratado de Tui." Firmada a tranquilidade dos dois Estados, Afonso I voltou aos seus domínios, deixando por governador de Astorga o seu alferes, Fernando Captivo.
Fontes: Dicionário de História de Portugal
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D. Afonso Henriques
Afonso VII de Leão e Castela e a rainha Leonor

05 de Outubro de 1910: A República Portuguesa é proclamada da varanda da Câmara de Lisboa, por José Relvas

 A República Portuguesa foi proclamada em Lisboa a 5 de outubro de 1910. Nesse dia foi organizado um governo provisório, que tomou o controlo da administração do país, chefiado por Teófilo Braga, um dos teorizadores do movimento republicano nacional. Iniciava-se um processo que culminou na implantação de um regime republicano, que definitivamente afastou a monarquia.

Este governo, pelos decretos de 14 de março, 5, 20 e 28 de abril de 1911, impôs as novas regras da eleição dos deputados da Assembleia Constituinte, reunida pela primeira vez a 19 de junho desse ano, numa sessão onde foi sancionada a revolução republicana; foi abolido o direito da monarquia; e foi decretada uma república democrática, que veio a ser dotada de uma nova Constituição, ainda em 1911.
A implantação da República é resultante de um longo processo de mutação política, social e mental, onde merecem um lugar de destaque os defensores da ideologia republicana, que conduziram à formação do Partido Republicano Português (PRP), no final do século XIX.
Ultimato inglês, de 11 de janeiro de 1890, e a atitude da monarquia portuguesa perante este ato precipitaram o desenvolvimento deste partido no nosso país. De 3 de abril de 1876, quando foi eleito o Directório Republicano Democrático, até 1890, altura em que se sentia a reação contra o Ultimato e a crítica da posição da monarquia, a oposição ao regime monárquico era heterogénea e desorganizada. Contudo a "massa eleitoral" deste partido conseguiu uma representação no Parlamento em 1879, apesar de pouco significativa, numa altura em que a oposição ao regime era partilhada nomeadamente com os socialistas, também eles pouco influentes entre a população.
Em 1890, o partido surgiu quase do vazio, para um ano depois do Ultimato publicar um manifesto, elaborado pelo Diretório, em que colaboraram: Azevedo e Silva; Bernardino Pinheiro; Francisco Homem Cristo; Jacinto Nunes; Manuel de Arriaga e Teófilo Braga. Este manifesto saiu a 11 de janeiro de 1891, umas semanas antes da tentativa falhada de implantar a República de 31 de janeiro.
Após o desaire desta tentativa, o partido enfrentou grandes dificuldades; no entanto, a 13 de outubro de 1878, fora eleito o primeiro representante republicano, o deputado José Joaquim Rodrigues de Freitas.
Os representantes republicanos, no primeiro período da sessão legislativa de 1884, eram José Elias Garcia e Manuel de Arriaga. No segundo período foi a vez de Elias Garcia e Zéfimo Consiglieri Pedroso. Estes dois últimos estiveram também nas sessões de 1885 a 1889.
Para o primeiro período da sessão legislativa de 1890 foram eleitos os deputados Rodrigues de Freitas e José Maria Latino Coelho, e para o segundo período dessa sessão Bernardino Pereira Pinheiro, Elias Garcia, Latino Coelho e Manuel de Arriaga.
Na sessão de 1891, ano em que faleceram Elias Garcia (22 de abril) e Latino Coelho (29 de agosto) pontificavam os quatro deputados da sessão anterior; na de 1892 foram Bernardino Pinheiro, Manuel de Arriaga e Eduardo de Abreu; na de 1893 Eduardo Abreu, Francisco Teixeira de Queirós e José Jacinto Nunes; e passado um ano, em 1894, o mesmo Eduardo de Abreu e Francisco Gomes da Silva. Desta data e até 1900 não houve mais representação republicana. Nesta fase, em que esteve afastado do Parlamento, o partido empenhou-se na sua organização interna.
Nos últimos quinze anos de vida da monarquia portuguesa o Directório do Porto e o P.R.P., apesar de algumas divergências, trabalharam em conjunto. Na cidade do Porto o periódico A Voz Pública desempenhou um papel importante em prol da propagação dos ideais republicanos, tal como os de Duarte Leite, lente da Academia Politécnica. Em Lisboa circulavam O Mundo, desde 1900, e A Luta, desde 1906.
Após um período de grande repressão, o movimento republicano entrou de novo na corrida das legislativas em 1900, conseguindo quatro deputados: Afonso Costa, Alexandre Braga, António José de Almeida e João Meneses.
Nas eleições de 5 de abril de 1908, a última legislativa na vigência da monarquia, foram eleitos, além dos quatro deputados das eleições transatas, Estêvão Vasconcelos, José Maria de Moura Barata e Manuel de Brito Camacho. A implantação do republicanismo entre o eleitorado crescia de forma evidente.
Nas eleições de 28 de agosto de 1910 o partido teve um resultado arrasador, elegendo dez deputados por Lisboa. E a 5 de outubro desse ano era proclamada a República Portuguesa.
Fontes:Implantação da República. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
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Proclamação da República por José Relvas

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Governo provisório da República portuguesa em 1910
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Ilustração alusiva à Proclamação da República Portuguesa a 5 de Outubro de 1910

05 de Outubro de 1713: Nasce o escritor e filósofo francês Denis Diderot, autor de "Jacques, O Fatalista" e "A Religiosa"

 

 Pensador e homem de Letras francês, foi, em virtude sobretudo do seu trabalho de publicista, um dos vultos mais influentes do Iluminismo.Nascido a 5 de outubro de 1713, Diderot estudou primeiro num colégio de Jesuítas e depois na Universidade de Paris, pela qual se licenciou em 1732. Para fazer face a dificuldades financeiras recorrentes, ensinou, praticou advocacia, fez traduções e escreveu textos pagos. Entretanto, o produto do seu próprio pensamento ia vindo a lume. Em 1746 publicou os Pensamentos Filosóficos, obra enformada por uma ideologia fortemente anti-cristã. Três anos mais tarde daria à estampa a sua Epístola sobre a Cegueira, em que propunha que se ensinasse aos cegos a leitura através do tato (no que antecipava o método implementado por Braille no século seguinte) e avançava ideias que prenunciavam as teorias darwinianas da evolução das espécies. Os Pensamentos sobre a Interpretação da Natureza, de 1754, refletiam sobre as virtualidades do método experimental, enquanto os Elementos de Fisiologia, publicados entre 1774 e 1780, desafiavam as verdades estabelecidas e sugeriam, uma vez mais, uma origem puramente material para a natureza, que se teria desenvolvido historicamente sem qualquer tipo de intervenção providencial ou divina.

A extrema versatilidade criativa e reflexiva de Diderot levou-o ainda à produção de obras no domínio da literatura, das quais a mais interessante é porventura Jacques o Fatalista, que escreveu em 1773 mas viria a público postumamente.
O seu maior legado intelectual, contudo, residiria na magnífica Enciclopédia que, com a colaboração de D' Alembert numa primeira fase, dirigiria entre 1751 e 1772. Esta realização ambiciosa marcou verdadeiramente a sua época. Órgão que pretendia fomentar o progresso intelectual de acordo com uma filosofia racionalista abrangente, a Enciclopédia congregou os esforços de cientistas e pensadores de todas as áreas do saber na feitura da grande síntese da cultura avançada da época. Tão avançado era o empreendimento, no seu contexto histórico, que a publicação houve de confrontar-se com críticas acerbas e os próprios mecanismos da censura foram ativados, tendo os volumes derradeiros sido publicados clandestinamente.
Após a conclusão da Enciclopédia, Diderot passou a contar com o patrocínio - inestimável, para fazer face às suas dificuldades económicas - da imperatriz Catarina da Rússia. Chegou, aliás, a visitar este país em 1773. A sua intensa atividade intelectual não pararia até à data da sua morte, a 31 de julho de 1784.

Fontes:Denis Diderot. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Retrato de Diderot -  Louis-Michel van Loo

A Enciclopédia


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Um jantar de Filósofos (Diderot é o terceiro a contar da direita) - Jean Huber Voltaire

05 de Outubro de 1880: Morre o compositor francês de origem alemã Jacques Offenbach, autor de "Os Contos de Hoffmann"

 Jacques Offenbach (Colónia, 20 de junho de 1819 — Paris, 5 de outubro de 1880), compositor e violoncelista francês de origem alemã da Era Romântica, foi um paladino da opereta e um precursor do teatro musical moderno.

Considerado pela crítica como o "Liszt do violoncelo", ele não só se dedicou a compor várias obras para esse instrumento, bem como participou de uma série de concertos nas principais capitais europeias. Na corte britânica, apresentou-se à Rainha Vitória e ao príncipe Alberto.
Compôs cerca de cem operetas, um tipo de ópera criado por este autor onde é predominante o burlesco. Este género tornou-se um dos produtos artísticos marcantes na época. É particularmente conhecida a sua ópera Les contes d Hoffmann (Os contos de Hoffmann, 1881), inspirada em textos de E.T.A. Hoffmann. Entre outros trabalhos, Offenbach é autor de Orphée aux enfers (Orfeu nos Infernos, 1858)La Belle Hélène (A Bela Helena,1864).
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segunda-feira, 4 de outubro de 2021

04 de Outubro de 1907: Morre o pintor e compositor Alfredo Keil, autor da música do hino nacional

 Compositor e pintor português de ascendência alemã, Alfredo Keil nasceu a 3 de Julho de 1850, em Lisboa, e morreu a 4 de Outubro de 1907, em Hamburgo. Durante a sua infância e adolescência frequentou os melhores e mais bem conceituados colégios alemães e ingleses, tornando-se um pintor e músico exímio.

Compôs belíssimas óperas, de entre as quais se destacam A Serrana, a sua verdadeira obra-prima, e Dona Branca. Em 1890 criou A Portuguesa, que a República implantada em 1910 adoptou como hino nacional e que é ainda hoje um dos símbolos nacionais. Foi também autor de muitas outras composições, bem reveladoras do seu talento e inspiração. Na pintura, Alfredo Keil foi um artista de características românticas, mostrando predileção por paisagens melancólicas e recantos solitários. Foi galardoado com vários prémios, de entre os quais o mais importante foi a medalha de ouro recebida em 1879 na Exposição Artística do Rio de Janeiro.
Alfredo Keil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
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Leitura de uma Carta - Alfredo Keil

04 de Outubro de 1669: Morre o pintor holandês Rembrandt van Rijn

 Considerado como um dos grandes mestres da arte ocidental, Rembrandt Harmenszoon van Rijn nasceu a 15 de julho de 1606, em Leiden, o centro intelectual da Reforma. Estudou em Amesterdão na oficina do pintor Pieter Lastman, seguidor de Caravaggio e de Elsheimer. Em 1631 estabeleceu-se definitivamente em Amesterdão. Obteve um imenso sucesso com a obra A Lição de Anatomia do Doutor Tulp (1632), recebendo inúmeras encomendas de retratos e de temas religiosos. O príncipe de Orange, Frederick Hendrik, foi um dos seus protetores. O atelier tornou-se frequentado por muitos alunos e não deixou de ensinar até ao fim da vida. Em 1634 casou-se com Saskia van Uylenburgh, que se tornaria o modelo preferido do artista. Os trabalhos de Rembrandt desta época apresentavam fortes efeitos de luz. Os retratos eram tratados de maneira minuciosa e clara, de acordo com a herança de Jan Van Eyck. Na representação de Agatha Bas (1641) vai mais longe na penetração psicológica, atendendo contudo à fina observação dos detalhes. Nas obras mais pessoais aplicava uma pincelada livre, a tinta era mais empastada. Na década de 40 passou por difíceis provações que não obstaram a que o seu estilo ganhasse em interioridade e amplitude. Sugeria as formas e as texturas em vez de se debruçar exaustivamente sobre a reprodução exata dos pormenores. Começou a interessar-se por paisagens e na gravura Três Árvores demonstra exemplarmente a sua capacidade de criar um ambiente e um espaço. Ocupou-se menos com os retratos de personagens públicas e executou mais quadros de temas religiosos, para além dos inúmeros auto-retratos que sempre pintou ao longo da vida. Fez igualmente um grande número de desenhos e de gravuras, sendo incontestável a sua mestria na técnica da água-forte. O desenho Mulher Adormecida é inexcedível na economia e na ousadia do traço. No último período da sua carreira, usava frequentemente a técnica do empaste. A expressividade emocional, a captação de um ambiente dramático através dos jogos de luz e de sombra (Retrato de Jan Six - 1654), são características que só no Romantismo virão a ser devidamente apreciadas. Rembrandt veio a falecer em 4 de outubro de 1669.

Rembrandt. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
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Ficheiro:Rembrandt Harmensz. van Rijn 144.jpg
Auto - retrato (1632)
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Auto - retrato (1660)
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Auto - retrato (1669, ano da sua morte)


 

04 de Outubro de 1720: Nasce o arquitecto italiano Giovanni Battista Piranesi

 Giovanni Battista Piranesi nasceu em Mogliano di Mestre, perto de Veneza, a 4 de Outubro de 1720 e morreu em Roma em Novembro de 1778. Foi arquitecto, arqueólogo, teórico, decorador de interiores, designer de mobiliário, para além de ter inovado a veduta ("vista" detalhada, pintura, desenho, gravura  retratando uma cidade, vila ou outro lugar) até ultrapassar o próprio género, é um dos maiores expoentes da Gravura europeia. A sua abordagem da Antiguidade, em termos estéticos e teóricos, teve uma imediata e duradoura influência no Neo-classicismo em toda a Europa e o seu génio criativo perpassou o século XIX, foi retomado pelo Surrealismo e perdura até à actualidade.

Filho de um construtor, aprendeu arquitectura, engenharia, recebeu formação em cenografia, em perspectiva com o gravador Carlo Zucchi e, ainda em Veneza, frequentou os círculos onde eram debatidas questões teóricas sobre arquitectura e canons clássicos, que lhe despertaram o gosto pela arqueologia e pela controvérsia. Deixou Veneza, onde florescia a produção de vedute em que Canaletto se evidenciava, e chegou a Roma em 1740 na comitiva do Embaixador de Veneza. Aí, foi assistente do gravador Vasi que, juntamente com Panini no campo da pintura, dominava o mercado das vistas de Roma. Na época, a Cidade dos Papas era passagem obrigatória do Grand Tour e, na cidade cosmopolita e efervescente das ideias das Luzes, Piranesi iria contactar artistas, escritores, intelectuais, arquitectos e patronos que afluíam de toda a Europa, nomeadamente de Inglaterra. Produz as suas primeiras vedute de Roma em pequeno formato para Guias de turistas e, em 1743, publica as suas primeiras doze águas-fortes, Prima parte di architettura e prospettive. Iniciar-se-ia, assim, uma carreira operosa de cerca de quarenta anos durante a qual produziu mais de mil pranchas publicadas em dezanove obras pela sua própria casa impressora.
Fontes:
Wikipedia (imagens)


Arquivo: Piranesi-Portrait.jpg
Auto retrato de Piranesi
File:Giovanni Battista Piranesi, The Colosseum.png
O Coliseu - 1757