sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

20 de Dezembro de 1968: Morre o escritor norte-americano John Steinbeck, autor de "As Vinhas da Ira", Nobel da Literatura em 1962.

Romancista norte-americano, nasceu em 1902 em Salinas, no estado da Califórnia, filho de um político influente, tesoureiro público de origens germânicas, e de uma professora irlandesa. Tendo terminado os seus estudos secundários na sua terra natal, Steinbeck ingressou na Universidade de Stanford com o estatuto de aluno especial. permaneceu entre 1920 e 1926, estudando Biologia Marinha, ciência que influenciaria grandemente a sua obra e a sua perceção do mundo, sem ter, no entanto, chegado a obter o diploma de curso.
Durante estes anos de vida académica, Steinbeck estreou-se como escritor, contribuindo com alguns dos seus contos e dos seus poemas em publicações universitárias. Prosseguiu para o periódico The American, de Nova Iorque, trabalhando primeiro como assalariado até chegar ao posto de repórter, acabando depois por regressar à Califórnia.
Empenhado no esforço da escrita, John Steinbeck optou, em busca de experiência, por levar uma vida de deambulação, sujeitando-se sem pejo aos trabalhos braçais e sazonais mais variados. Assim, para além de ter sido farmacêutico, foi também servente na construção civil, aprendiz de pintor, jornaleiro, caseiro e vigilante. Enquanto tomava conta de uma propriedade em High Sierra, isolada do mundo pela neve durante oito meses por ano, Steinbeck encontrou o tempo e a disposição para escrever o seu primeiro livro, Cup of Gold (1929) que, como os dois romances seguintes, The Pastures of Heaven(1932) e To a God Unknown (1933), passaria despercebido.
No início da década de 1930, Steinbeck havia travado conhecimento com o biólogo marinho Edward Ricketts e, desse encontro, nasceu não uma grande amizade, como um novo horizonte para o escritor. Ricketts propagava a ideia de que todos os seres vivos agem em interdependência. Steinbeck tomaria então contacto com a obra do mitólogo Joseph Campell, que combinava este pensamento com conceitos do psicólogo Carl Jung e, utilizando os seus arquétipos, fez nascer To a God Unknown (1933). Na obra, de um paganismo ambíguo, o agricultor Joseph Wayne recebe uma benção de seu pai pioneiro, John Wayne, e decide fundar uma nova quinta num vale distante. desenvolve as suas próprias crenças sobre a vida e a morte, Sobretudo quando tem de lidar com uma terrível seca que se abate sobre as suas terras.
Em 1935 publicou a obra que lhe garantiria a atenção do público, Tortilla Flat, um cândido retrato das gentes de raiz mexicana nos Estados Unidos da América, e cuja alegoria à constituição da Távola Redonda do Rei Artur não chegaria a ser apercebida pela crítica. A popularidade do romance permitiu finalmente a John Steinbeck consagrar-se em exclusivo à atividade da escrita.
Seguiu-se-lhe In Dubious Battle (1936), em que Steinbeck recria a revolta de novecentos trabalhadores rurais migratórios. Liderado por Jim Nolan, o movimento é suprimido, e Jim encontra a morte. Uma das personagens, o observador imparcial Doc Burton, é grandemente inspirado no amigo de Steinbeck, Edward Ricketts, que viria também a servir de modelo em algumas das suas obras posteriores mais conhecidas.
Em 1937 seria a vez de Of Mice and Men, o primeiro grande sucesso do autor, e The Red Pony, adaptado para o cinema em 1949. Obteria o reconhecimento do público em 1939, ao ser galardoado com o Pulitzer e com o National Book Award pela obra The Grapes of Wrath. Fruto de uma viagem pelos acampamentos dos trabalhadores migratórios empreendida durante o ano de 1936, o romance foi atacado pelas autoridades de Oklahoma e descrito como "uma mentira, uma criação negra e infernal de uma mente distorcida e perversa". Aquando da atribuição do Prémio Nobel, em 1962, a Academia Real Sueca considerou a obra como sendo apenas uma crónica épica.
A popularidade da obra assumiu proporções tais que, especialmente após a estreia da versão cinematográfica, em 1940, John Steinbeck optou por se exilar no México, onde filmou o documentário da obra Forgotten Village (1941).
Durante a Segunda Guerra Mundial foi correspondente na Grã-Bretanha e Mediterrâneo para o New York Herald Tribune, e dedicou-se à propaganda, da qual The Moon is Down (1942) é um exemplo. Regressou em 1943 a Nova Iorque, casando, nesse mesmo ano, com a cantora Gwyndolyn Conger, de quem teve dois filhos, acabando contudo por se divorciar em 1949. Tendo publicado Cannery Row em 1945, The Wayward Bus e The Pearl em 1947, e A Russian Journal no ano seguinte, o autor encontrou no consumo excessivo de álcool um lenitivo para a frustração da separação e da vida na cidade, longe das montanhas de Monterrey e dos vales férteis da sua Salinas natal.
Em 1950 contraiu matrimónio com Elaine Scott e dois anos depois apareceria East of Eden, obra que reflete a sua visão da história da formação dos Estados Unidos. Durante grande parte do ano de 1959 Steinbeck refugiou-se numa propriedade rural inglesa estudando a Morte d'Arthur de Malory e, de regresso, publicou o seu último grande romance, The Winter of Our Discontent (1961) e decidiu empreender, com quase sessenta anos de idade, uma viagem de autocaravana ao longo do seu país, acompanhado do seu cão Charley. Publicou portanto, em 1962, Travels With Charley in Search of America.
Veio a falecer em Nova Iorque a 20 de dezembro de 1968, vítima de um ataque cardíaco.
John Steinbeck. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 
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John Steinbeck 
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As Vinhas da Ira


20 de Dezembro de 1999: Devolução de Macau à China

Em 1974, na sequência da Revolução do 25 de abril, o governo português alterou o estatuto de Macau para "território chinês sob administração portuguesa". Lisboa sugeriu mesmo a Pequim a devolução do território, mas o governo chinês adiou a resolução da questão, justificando com a prioridade de resolver primeiramente o problema de Hong Kong, que era uma colónia, ao contrário de Macau. O estatuto de Território Especial de Macau foi definido em 1976, com larga independência económica e administrativa para a cidade do delta do Rio da Pérola. Só em 1987 se firmou o acordo de devolução de Macau à China, o qual se cumpriu a 20 de dezembro de 1999. Foi então fundada a Região Administrativa Especial (RAE) de Macau, com um sistema de governo com grande autonomia e possibilidade de manter a economia de mercado no território. A transição foi aprazada para um período de 50 anos a partir de 1999. Apenas a defesa e as relações externas do território passaram a ser asseguradas por Pequim. 
O processo de transição iniciou-se dois anos depois do de Hong Kong (1 de julho de 1997). Os habitantes do território puderam assim verificar que na antiga colónia britânica tudo estava tranquilo, a transição estava a ser efetuada em bom sentido. Macau tinha problemas de segurança maiores, no entanto, além de um governo menos "democrático" durante a administração portuguesa. Destino turístico (jogo, principalmente), a "Las Vegas" do Oriente viu, com a chegada do Exército do Povo (China), os índices de segurança subirem exponencialmente. Os maiores problemas da transição prendem-se com os "filhos da terra", designação dada aos macaenses, os mestiços ou descendentes de portugueses do território, bilingues e biculturais, com dificuldades de integração no novo sistema chinês, cuja língua não dominam na sua forma escrita. 
O presidente escolhido para a Região Administrativa de Macau em 1999, foi Edmund Ho, que ficou à frente de um conselho executivo. O órgão legislativo do território é a Assembleia Legislativa. Judicialmente, o sistema legal de Macau tem uma grande influência da Lei portuguesa, apesar de existir no território um sistema judicial próprio.
Hong Kong passou a integrar a República Popular da China a 1 de julho de 1997, na sequência da instalação no território de uma Região Administrativa Especial, em tudo idêntica à de Macau, presidida até 16 de junho de 2005 por Tung Chee-Hwa, a quem sucedeu Donald Tsang. Colónia da coroa britânica desde 1843, Hong incorporou no seu território, a 1 de julho de 1898, por um prazo de 99 anos, várias ilhas adjacentes, os Novos Territórios. Este acordo, prestes a caducar em finais do século XX, com a pressão da doutrina de "Um País, Dois Sistemas" e a vontade política de ambas as partes (principalmente chinesa) de resolver a questão do território, desencadeou a elaboração, em 1984, da Declaração Conjunta Sino-Britânica, firmada por Deng Xiaoping e Margaret Thatcher, a 19 de dezembro desse ano. Definiu-se que todo o território sob administração colonial britânica passaria a designar-se Região Administrativa Especial de Hong Kong a partir de 1 de julho de 1997. A passagem do poder decorreu, nessa data, de forma pacífica, como mais tarde em Macau. Em Hong Kong não existiam precedentes de criminalidade (por não haver tríades ligadas ao jogo) como na vizinha Macau.
A Declaração Conjunta previu que Hong Kong não integrasse, no período de transição (até 2047), o sistema de economia socialista de Pequim, dada a vigência do sistema "Um País, Dois Sistemas". Como em Macau, autonomia em tudo menos em matérias de defesa e relações internacionais. Ambas as RAE's pertencem, como entidades económicas distintas de Pequim, à Organização Mundial de Comércio, bem como a outras estruturas económicas "capitalistas" internacionais, ao contrário da RPChina. Mas se em Macau a transição tem corrido bem, principalmente em termos económicos, em Hong Kong a governação de Tung Chee-Hwa não foi a melhor, com os valores dos preços do solo a diminuírem e a afluência turística a baixar drasticamente. Algumas liberdades (imprensa) foram também postas em causa e instalou-se em certa media a corrupção, o que fez com que, desde 2003, o modelo de gestão do território fosse posto em causa por Pequim. O carácter tranquilo da transição de Hong Kong não foi abalado, no entanto, pois, com toda a "naturalidade" chinesa, Donald Tsang foi chamado pelo governo de Pequim a dirigir a RAE da antiga colónia britânica. Mas o princípio "Um País, Dois Sistemas" e a integração de Macau e Hong Kong como aplicação dessa doutrina têm sido implementados com sucesso e garantias de futuro, sem grandes problemas e com indicadores de desenvolvimento que fazem o governo de Pequim apontar aqueles dois territórios como exemplo para um projeto de reunificação há muito almejado pelos chineses mas com processos e soluções bem mais complicados e sem fim à vista: Taiwan, onde mais de 80% dos habitantes deste território nacionalista se manifestam contra integração na China comunista.

Integração de Hong Kong e Macau na China. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011
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Ruínas de São Paulo (Macau)George Chinnery(17741852).  A catedral foi construída em1602 e destruída por um incêndio em 1835. Somente a fachada sul chegou aos dias de hoje.

Ficheiro:Pearl River Delta Area.png

Localização de Macau no Delta do Rio das Pérolas (Pearl River) e em relação a Hong Kong e a Cantão (que se situa na prefeitura de Guangzhou e na província de Guangdong).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

19 de Dezembro de 1924: Nasce o poeta Alexandre O'Neill

Poeta português, Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões nasceu a 19 de dezembro de 1924, em Lisboa, e morreu a 21 de agosto de 1986, na mesma cidade. Para além de se ter dedicado à poesia, Alexandre O'Neill exerceu a atividade profissional de técnico publicitário. Fundador do Grupo Surrealista de Lisboa, com Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, diretamente influenciado pelo surrealismo bretoniano, desvinculou-se do grupo a partir de Tempo de Fantasmas (1951), embora a passagem pelo surrealismo marque indelevelmente a sua postura estética. A sua distanciação em relação a este movimento não obstou a que um estilo sarcástico e irónico muito pessoal se impregnasse de algumas características do Surrealismo, abordando noutros passos o Concretismo, preocupando-se não em fazer "bonito", mas sim "bom e expressivo". Para Clara Rocha, a poesia de Alexandre O'Neill coincide com o programa surrealista a dois níveis: "a libertação total do homem e a libertação total da arte. O que implica: primeiro, uma poesia de 'intervenção', exortando os homens a libertarem-se dos constrangimentos de toda a ordem que os tolhem e oprimem (familiares, sociais, morais, quotidianos, psicológico, políticos, etc.); segundo, a libertação da palavra de todas as formas de censura (estética, moral, lógica, do bom senso, etc.)" (cf. ROCHA, Clara - prefácio a Poesias Completas, 1982, p. 12). Para Fernando J. B. Martinho (retomando um artigo de Quadernici Portoghesi), a diferença de O'Neill relativamente à poética surrealista situa-se na "preferência, relativamente à oposição 'falar/imaginar', pelo primeiro polo", numa consequente atenção dispensada, nos livros posteriores a Tempo de Fantasmas, como No Reino da Dinamarca ou Abandono Vigiado, "à sociedade portuguesa de que vai traçar como que a radiografia, surpreendendo-a na sua mediocridade, nos seus ridículos, nos seus pequenos vícios provincianos" (MARTINHO, Fernando J. B., op. cit., 1996, pp. 39-40). Nessa medida, e ainda segundo o mesmo crítico, se "o surrealismo ortodoxo põe a sua crença na existência de um 'ponto do espírito em que [...] o real e o imaginário' deixariam 'de ser percebidos contraditoriamente', em Alexandre O' Neill toda a busca parece centrar-se na 'vida' e no 'real'" (id. ibi, p. 40). 
Recebeu, pelas suas Poesias Completas, o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (1983). 
Fontes: Infopédia
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PORTUGAL
Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

        *

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.


Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós . . .

 Alexandre O’Neill

19 de Dezembro de 1901: Nasce Vitorino Nemésio, na Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores.

Poeta, ficcionista, ensaísta, cronista e crítico literário português, Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva nasceu a 19 de dezembro de 1901, na Ilha Terceira, nos Açores, e faleceu a 20 de fevereiro de 1978, em Lisboa. Entre 1911 e 1912, Vitorino Nemésio frequentou o liceu de Angra, onde cedo manifestou a sua vocação de poeta e prosador, estreando-se com o livro de versos Canto Matinal, em 1916. Em 1919, após um desaire escolar, iniciou o serviço militar como voluntário, partindo para o continente. Do ano seguinte data a peça em um ato Amor de Nunca Mais e a poesia de A Fala das Quatro Flores. Em 1921, em Lisboa, iniciou-se na atividade jornalística, na redação de A Pátria, a Imprensa de Lisboa e Última Hora. Em 1922, concluiu os estudos liceais em Coimbra e matriculou-se na Faculdade de Direito, onde, como revisor da Imprensa da Universidade, publicou o poema Nave Etérea. Transitará para o curso de Ciências Geográficas e, posteriormente, para Filologia Românica. Colaborou na fundação de Tríptico, em Seara Nova e na Presença. Correspondeu-se com Unamuno. Em 1934, doutorou-se com uma tese subordinada ao título A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Como leitor de Português na Universidade de Montpellier, conviveu com Marcel Bataillon, Robert Ricard, Pierre Hourcade, e iniciou correspondência com Valéry Larbaud. Publicou, em 1936, em francês, La Voyelle Promise e, em 1936, concorreu ao cargo de professor auxiliar da Faculdade de Letras de Lisboa, com uma tese intitulada Relações Francesas do Romantismo Português. Em 1937, fundou, com Alberto Serpa, a Revista de Portugal, uma revista eclética, atenta à atualidade filosófica e literária europeia. Como docente universitário, estagiou em França, na Bélgica, no Brasil, em Espanha, na Holanda, sendo distinguido com o grau de Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Montpellier e de Ceará. De 1938, data da publicação de O Bicho Harmonioso, a 1976, data de Sapateia Açoriana, desenvolveu uma intensa atividade poética que se afirma pela novidade relativamente ao cânone presencista, explorando as dimensões simbólica e imagética da linguagem, saboreada na sua materialidade, comedindo qualquer confessionalismo por um distanciamento irónico ou objetivo, características aliás recorrentes na sua obra ficcional, que, embora se enquadre nos moldes realistas pela linearidade do tempo e pelo poder de representação de espaços sociais, se complexifica pela rede de imagens de alcance simbólico que a entretecem. "Inclassificável" (cf. LOURENÇO, Eduardo - O Canto do Signo, p. 73) como crítico e como autor, Vitorino Nemésio manteve-se equidistante dos grupos que disputaram o espaço literário ao longo da primeira metade do século XX, e, embora refletindo na poesia e na prosa vertentes estéticas contemporâneas como o imagismo, o surrealismo, o existencialismo, manteve-se fiel à consciência de que a criação resulta, não de dogmas, mas de uma pluralidade que integra, como a existência, a contradição, o imprevisto, a renovação: "Não estaremos aqui todos para escrever do mais íntimo da vida, matar esta sede de expressão e de confidências que nos faz levantar todos os dias cedo no meio do deserto e ver água onde, na maior parte dos casos, nada mais há que a triste e fátua projeção dessa íntima secura?" (cit. in MOURÃO-FERREIRA, David - Sob o Mesmo Teto, Presença, Lisboa, 1989).
De entre as suas obras, são de destacar Festa Redonda (1950), Nem Toda a Noite a Vida (1952), O Pão e a Culpa (1955), O Verbo e a Morte (1959), O Cavalo Encantado (1963), Canto da Véspera (1966), e ainda o romance Mau Tempo no Canal (1944), que serviu de base para uma série realizada para a RTP Açores, por José Medeiros, apresentada, posteriormente, noutros canais.
Em 1966, Vitorino Nemésio recebeu o Prémio Nacional de Literatura.

Fontes: Infopédia
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Vitorino Nemésio


19 de Dezembro de 1848 : Morre a escritora Emily Brontë, autora de "O Monte dos Vendavais"

Emily Jane Brontë, a autora do clássico inglês "O Monte dos Vendavais" "Wuthering Heights", no seu título original nasceu a 30 de Julho de 1818 em Thornton, Yorkshire. Irmã das também escritoras Charlotte e Anne Brontë, foi a quinta dos seis filhos que tiveram Patrick Brontë e Mary Branwell. Mudou-se com a família para Haworth em 1820, onde o seu pai, um reverendo, passou a servir a comunidade como reitor e presidente da paróquia, local onde ela e os irmãos estudaram os clássicos da literatura e tiveram acesso a artigos contemporâneos publicados na imprensa. As crianças passaram a maior parte do seu tempo dentro da casa paroquial, lendo e compondo, ambiente este que fez o talento literário de Emily surgir.

Em 1821, a mãe de Emily  morreu de cancro, e ela e as suas irmãs foram enviadas pela rígida tia Branwell para Clergy Daughter's School, um colégio interno em Cowan Bridge, onde viveram em condições precárias. Depois de passarem fome, frio e sofrerem castigos constantes devido ao severo regime em que viviam, duas das irmãs de Emily, Maria e Elizabeth Brontë, morreram de tuberculose. Patrick Branwell resolveu então levar as filhas de volta para casa.
Na casa dos Brontë trabalhava Thabitha, uma empregada que costumava contar histórias às crianças e que mais tarde foi homenageada com a fiel personagem Nelly Dean, em "O Monte dos Vendavais", único romance de Emily Brontë. O mundo do faz de conta aumentou o interesse dos irmãos pela leitura, uma forma de entretenimento que fez nascerem terras fantásticas, criadas para personagens do seu imaginário. Nessa época, Emily escreveu poemas e algumas histórias, porém poucos de seus trabalhos desse período sobreviveram.
Charlotte foi para Roe Head, onde, mais tarde, foi convidada para leccionar, levando Emily consigo. Devido à timidez, Emily não se adaptou a Roe Head e voltou para casa. O seu irmão Branwell bebia de forma imoderada e ela passava os dias solitariamente compondo poemas.
Em 1842, Emily e Charlotte foram para a Bélgica, onde aprenderam Francês, Alemão e literatura com o objectivo de abrirem a sua própria escola. A empreitada, no entanto, não obteve sucesso por falta de alunos. Já de volta a Haworth, Charlotte descobriu os versos da irmã e teve a ideia de os juntar aos dela e aos de Anne para publicá-los sob os pseudónimos de Currer, Ellis e Acton Bell. Em 1846, uma pequena editora aceitou publicar os poemas, porém as irmãs teriam de se responsabilizar pelos custos, que pagaram com a herança da tia Branwell, falecida pouco antes daquela ocasião. A despeito do elogio e da crítica, apenas dois exemplares foram vendidos, mas as irmãs continuaram a escrever, agora cada uma a sua narrativa. Charlotte publicou "Jane Eyre", que atingiu grande sucesso, e Emily, em 1847, publicou "O Monte dos Vendavais" que, devido ao clima tenso da narrativa, foi mal compreendido na época do seu lançamento. Posteriormente, a obra foi consagrada

A notável autora de "O Monte dos Vendavais", talvez a mais fechada e mais solitária das irmãs Brontë, morreu de tuberculose, aos 30 anos, em 19 de Dezembro de 1848.

Fontes: UOL Educação
             Infopédia
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Arquivo: Emilybronte retouche.jpg
Retrato de Emily Brontë pelo seu irmão Branwell Brontë
Frontispício da primeira edição.

Wuthering Heights ( O Monte dos Vendavais) é um filme norte-americano realizado por William Wyler e estreado em 1939. O guião é baseado na novela de mesmo nome de Emily Brontë.

Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais)