Fotografias dos anos 60 e 70,
duas das décadas mais revolucionárias do século XX, registadas num álbum e
exibidas em Londres
Eles estavam lá nesses anos turbulentos, apesar de, em
muitos casos, inferiorizados pelo prestígio da pintura e da escultura, que
ofuscavam mecanismos de reprodução instantânea nesses primórdios dos 60, para
além de, noutras situações, o alto risco se colar à pele. Bruce Davidson,
William Eggleston, David Goldblatt, Graciela Iturbide, Boris Mikhailov, Sigmar
Polke, Malick Sidibé, Shomei Tomatsu e Li Zhensheng pintaram quadros com as
lentes que imortalizaram muito mais do que circunstanciais factos para
alimentar vorazes jornais ou documentários com vida breve. Uma nova geração de
fotógrafos, mais preocupada em congelar o mundo em momentos-chave do que em
mudá-lo, ganhava um lugar nesse globo que girava apressado na idade moderna.
“Everything Was Moving: Photography
from the 60s and 70s” é o livro que reúne 400 trabalhos de fotógrafos
internacionais, cujo trabalho está também exposto desde esta semana no Barbican
Centre, em Londres. Quatro
centenas de reflexos, muitos deles inéditos e recentemente descobertos, do
conjunto de alterações bruscas definidas pelo pós-colonialismo ou e pelo
neo-colonialismo trazido pela Guerra Fria. Um tempo de libertação e afirmação
estética para alguns dos nomes em revista e de extrema repressão para outros,
como Li Zhensheng (China) e Ernest Cole (África do Sul), que assumiram o risco
de prosseguir com as suas investidas no maior secretismo possível. Zhensheng,
fotógrafo e realizador, atravessou a Revolução Cultural entre 66 e 76 ao
serviço do Heilongjiang Daily, no nordeste da China, paredes meias com a
Rússia. Apesar da espiral de doutrinação e violência, Li conseguiu 30 mil
negativos que estiveram enterrados até ao final do século passado; um dos mais
completos patrimónios visuais daquele período.
Numa outra resposta ao
totalitarismo, confira a produção conceptual do aclamado Boris Mikhailov, que
viveu e trabalhou em Cracóvia durante o domínio soviético. Raghubir Singh, um
pioneiro da cor, enfatizou a sua Índia, entre a tradição e a abertura à
modernidade. O preto e branco de Shomei Tomatsu valeu-lhe o rótulo de padrinho
da fotografia japonesa moderna. David Goldblatt captou os dois lados do
apartheid a partir de Joanesburgo e Ernest Cole prosseguiu no rasto das
segregações quando se estabeleceu em Nova Iorque. O livro recebe também as alegorias
do alemão Sigmar Polke e os poderosos retratos do Vietname de Larry Burrows.
De destacar ainda que o Reino Unido
recebe pela primeira vez os ecos de uma da mais relevantes séries do
norte-americano Bruce Davidson, “Time of Change, 1961–1965”, que aos 28 anos se
juntou ao grupo Freedom Riders para uma inesquecível de autocarro de
Montgomery, Alabama, até Jackson, no Mississippi.Para ver até 13 de Janeiro de 2013 no Barbican Centre, Silk
St, London EC2Y 8DS.
Fonte: Ionline
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.