Natural de Lisboa, onde
nasceu no dia 13 de Junho de 1908, Maria Helena Vieira da Silva
instala-se definitivamente em Paris em
1928. Aí descobre
a cor, em Matisse e Bonnard, e uma toalha
aos quadrados, que
retém de um
pormenor de um
quadro deste último,
haveria de entrar
em ressonância com
a sua própria
pintura. Inspira-se ainda em Paul
Klee e frequenta,
com o marido,
Arpad Szenes, as
aulas de Roger
Bissière, pintor pós-cubista. O início da
maturidade da sua
obra pode datar-se
a partir do
quadro Pont
transbordeur (1931). Nesta época são já
patentes os elementos
que hão de
definir a sua
pesquisa estética: uma
conceção do espaço
anti-renascentista, ao não assumir o volume
ou a perspetiva
como um fim
em si, e
uma conceção da
pintura como "escrita",
repetindo elementos,
quadriláteros ou círculos, percorrendo as tramas das famosas
Bibliotecas e
Florestas. O
mundo exterior surge
neste universo através
da cor e da luz, e frequentemente a memória da
luz e dos
azulejos lisboetas habitará as suas telas.
Durante a Segunda Guerra
Mundial partiu para
o Brasil e nos quadros da
época instala-se a
angústia de um
espaço povoado de
criaturas fugazes e
encurraladas. Guerra ou O Desastre (1942) é sem
dúvida o quadro
mais representativo destes tempos conturbados. Ao voltar para Paris, Vieira
da Silva vê
a sua reputação
aumentar. O prémio
da Bienal de
São Paulo (1962)
vem coroar um
trabalho seguido atentamente pelo meio cultural português. Seguem-se as exposições, as
retrospetivas, as
consagrações. A sua
pintura esteve patente,
designadamente, na Europália, em Bruxelas, em 1992.
Esse foi, precisamente,
o ano da
sua morte.
Vieira da
Silva. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora,
2003-2012.
Fundação Calouste Gulbenkian
Le désastre ou La
guerre
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