Domenico Scarlatti nasceu em Nápoles no dia 26 de Outubro de 1685. Era filho do maestro di cappella Alessandro Scarlatti. As suas maiores contribuições para a música foram as sonatas para teclado num único movimento, nas quais teve a oportunidade de construiu harmonias bastante inovadoras. Além delas, também compôs obras para orquestra e coro. Embora tenha vivido no período que corresponde ao auge da música barroca, as suas composições, leves e homofónicas, têm um estilo mais próximo daquele do início do período clássico.
Aos 16 anos, tornou-se músico da Capela Real e, dois anos depois, pai e filho estabeleceram-se em Roma, onde Domenico passou a receber lições dos mais eminentes músicos da Itália. A amizade com Arcangelo Corelli também contribuiu para a evolução de seu génio musical. Pouco depois, Scarlatti já era famoso em toda a Itália, em especial como clavicordista.
Trabalhou entre 1714 e 1719 como maestro di cappella na Capela Giulia no Vaticano. Compôs um oratório e uma dezena de óperas para o teatro napolitano São Bartolomeo, para o teatro romano Palazzo Zuccari e para o Teatro Capranica.
Entre os seus patrocinadores de Roma estavam a rainha poloca exilada Maria Casimira e o embaixador português no Vaticano, o marquês de Fontes, que em 1720 conseguiu levar Scarlatti para a Capela Patriarcal em Lisboa. A sua serenata Applause Genetliaco foi executada na embaixada portuguesa em 1714 e sua Contesa delle stagioni na Capela Real de Lisboa em 1720.
Scarlatti era também uma figura familiar nos saraus semanais da Accademie Poetico-Musicali, que tinha como anfitrião o infatigável amante da música, o cardeal Pietro Ottoboni. Lá, os mais talentosos músicos de Roma encontravam-se para apreciar música de câmara.
Ali conheceu Handel, que nasceu no mesmo ano que Scarlatti. Por ocasião do seu encontro, em 1708, tinham ambos 33 anos e competiam entre si sob os olhares críticos de Ottoboni. Eram considerados equivalentes no clavicórdio, mas Handel mostrava-se superior no órgão. Dali em diante, passaram a demonstrar respeito mútuo o que se transformou numa amizade vitalícia.
Por intermédio de Ottoboni, Scarlatti conheceu também Thomas Roseingrave, que passou a ser seu entusiástico admirador. Quando Roseingrave voltou para Londres, publicou a primeira edição do Essercizi per gravicembalo (1738-9) de Scatrlatti, do qual o compositor inglês Charles Avison tirou material para ao menos 29 sonatas e 12 concertos.
Atraído pelo desconhecido, abandonou o posto de Maestro di Capella na Basílica de São Pedro, em Roma. Uma natural curiosidade e fascínio por países distantes induziu-o a empreender viagens a Londres, onde a sua ópera Narciso não teve o sucesso que esperava. De Londres viajou a Lisboa (1720-28). Como cravista na corte real, foi incumbido da educação musical das princesas. A morte do seu pai levou-o de volta a Nápoles, no entanto, não permaneceu por muito tempo na sua terra natal. Uma antiga discípula portuguesa, que se havia casado com Fernando VI da Espanha, convidou-o para se juntar à corte espanhola. Scarlatti aceitou e em 1733 após um período em Sevilha mudou-se para Madrid onde viveu até à morte.
Com a sólida base musical que trouxe da Itália e o seu brilhantismo no clavicórdio, Scarlatti mergulhou fundo nos temas folclóricos de estética moura e cigana. Compôs mais de 500 sonatas para clavicórdio e pelo menos 17 sinfonias e um concerto para o mesmo instrumento. Exerceu grande influência sobre os seus contemporâneos portugueses e espanhóis como Carlos de Seixas e Antonio Soler.
Retornou à Itália em apenas três ocasiões. Em 1724 encontrou-se com o castrati Farinelli, que na altura vivia na corte espanhola. Em 1725 esteve presente no enterro do seu pai em Nápoles. Em 1728 casou-se com a sua primeira esposa, mãe de cinco dos seus filhos. Viúvo, casou-se novamente, desta vez com uma espanhola que lhe daria mais quatro filhos.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Retrato de Domenico Scarlatti - Domingo Antonio Velasco
Louis-Michel van Loo, A Família de Filipe V , Scarlatti é o segundo do lado esquerdo da imagem.
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