À semelhança do que sucede com a grande
parte dos costumes atuais, perde-se no tempo a verdadeira origem do bolo-rei.
Existe toda uma simbologia com mais de 2000
anos de existência em relação a este bolo que representa os presentes que os
três Reis Magos deram ao Menino Jesus aquando do seu nascimento: assim, a côdea
simboliza o ouro; as frutas, cristalizadas e secas, representam a mirra; e o
aroma do bolo assinala o incenso. Também a presença da fava tem
a sua explicação. Segundo a lenda, quando os
Reis Magos viram a estrela que anunciava o nascimento de Jesus, disputaram
entre si qual dos três seria o primeiro a brindar o Menino. Para terminar a
discussão, um padeiro confecionou um bolo e escondeu no seu interior uma fava.
O Rei Mago a quem calhasse a fatia de bolo contendo a
fava seria o primeiro a entregar o presente.
Cabe
aqui também falar da Roma Antiga, durante as festas pagãs a Saturno, havia o hábito
de eleger o rei da festa durante os banquetes festivos, o que era feito tirando
à sorte com favas, pelo que era também designado por vezes de rei da fava.
O bolo-rei como atualmente o conhecemos terá surgido em
França no reinado do rei sol, Luís XIV, era “presença habitual” nas festas do
Ano Novo e do Dia de Reis, segundo o testemunho de alguns escritores como
Madame Françoise de Mottevile e Saint Simon. O pintor Jean-Baptiste Greuze,
celebrizou o bolo-rei num famoso quadro, com o nome de "Gâteau des Rois".
Com a Revolução Francesa o bolo-rei foi proibido
em virtude da sua alusão à figura real, os pasteleiros em vez de acabarem com o bolo resolveram
continuar a confecioná-lo e designaram-no Gâteau des Sans-cullotes.
Sans-culottes foi a denominação dada pelos aristocratas aos artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários que participaram
na Revolução. Cullotte era uma espécie de calção justo que se apertava à altura dos joelhos, peça de roupa típica da nobreza. Já os "sans-culottes" vestiam calças compridas de algodão grosseiro. Estes eram, normalmente, os líderes das manifestações nas ruas.
O bolo-rei português tem origens francesas,
apesar do bolo popularizado em Portugal no século XIX nada ter a ver com o existente na maior parte das províncias
francesas a norte do rio Loire, na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de
massa folhada recheada de creme designado Galette des Rois. O
bolo-rei que se passa a confecionar em Portugal a partir dos anos 70 do século
XIX, segue a receita a sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa
lêveda. Foi
a Confeitaria Nacional a primeira casa que em Portugal
produziu e vendeu o bolo-rei cerca de 1870. Este bolo era feito pelo afamado confeiteiro Gregório através duma receita que
Baltazar Castanheiro Júnior (filho do fundador da Confeitaria) trouxera de França.
Em 1910, com implantação da República em Portugal, o bolo-rei
ficou em risco por conter a palavra "rei" no nome.
Mesmo assim, os confeiteiros e pasteleiros decidiram continuar a confecionar o bolo sob outras designações. "Bolo-presidente", "bolo-Arriaga", "Ex-bolo-rei" ou "bolo de Ano Novo". No entanto, a população continuou a designar o bolo pelo nome de bolo-rei, até hoje.
Mesmo assim, os confeiteiros e pasteleiros decidiram continuar a confecionar o bolo sob outras designações. "Bolo-presidente", "bolo-Arriaga", "Ex-bolo-rei" ou "bolo de Ano Novo". No entanto, a população continuou a designar o bolo pelo nome de bolo-rei, até hoje.
Fonte: Blogue Estórias da História
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