sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

03 de Janeiro de 1521: Martinho Lutero é excomungado pelo Papa Leão X

Martinho Lutero nasceu a 10 de Novembro de 1483 em Eisleben, na Alemanha. Os seus pais fixaram residência, em 1484, em Mansfeld, onde Martinho iniciou os seus estudos. Terminando o curso da escola daquela localidade, então com 14 anos, deixou a casa paterna e ingressou na escola superior de Magdeburgo. Depois de um ano ali, teve que retornar a casa dos pais devido a uma grave enfermidade, indo por esta razão, no ano seguinte, estudar em Eisenach. Em 1501 ingressava na Universidade de Erfurt, cidade conhecida como "Roma Alemã" pelo seu elevado número de igrejas e mosteiros. Obteve  os graus de Bacharel (1502) e Mestre em Arte (1505). No mesmo ano ingressou no curso de Direito. Este, porém, foi interrompido visto que, a 02 de Julho de 1505,  teve sua vida seriamente ameaçada por uma tempestade que, por pouco, lhe tirara a vida. Fez, nesta oportunidade, um voto a Santa Ana que, se lhe fosse dado viver, ingressaria no mosteiro para tornar-se monge. No dia 17 de Julho de 1505 ingressa no convento da Ordem dos Agostinhos .Em Fevereiro de 1507 foi ordenado sacerdote. Por indicação do vigário da ordem, João de Staupitz, que reconhecia em Lutero uma erudição e inteligência incomuns, Lutero foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxónia e presidente dos sete eleitores civis que, juntamente com sete autoridades religiosas, elegiam o imperador do Sacro Império -Romano da Nação Alemã. Ocupou ali a cadeira de Teologia. Continuou também os seus estudos, instruindo-se principalmente nas línguas grega e hebraica.
Em 1511, então com 28 anos, foi enviado em missão diplomática a Roma, para solucionar uma divergência entre sete conventos de sua Ordem e o vigário geral da mesma. A corrupção, imoralidade, o desrespeito do clero e da cúpula da igreja para com as coisas sagradas marcaram nele uma profunda decepção. 
Em 1517, Lutero quis provocar um debate público sobre a venda de indulgências promovidas pelo Papa Leão X e o arcebispo Alberto de Mogúncia através da Ordem dos Dominicanos. Quando pregou à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de Outubro de 1517, o pergaminho com as 95 teses em latim para serem debatidas entre os académicos  conforme o costume da época, não desejava desencadear um movimento na história da igreja. O efeito dessas teses foi tão inesperado, que elas não ficaram apenas entre os letrados; traduzidas  para alemão, em poucas semanas espalharam-se por toda a Alemanha e outras partes da Europa, chegando ao conhecimento do povo em geral.
Em 1518 Lutero foi chamado para responder a um processo instaurado por Roma. Mas, por interferência de Frederico, o Sábio, Príncipe da Saxónia  o Papa consentiu que a questão fosse tratada na Alemanha. Exigia -se  que Lutero se retratasse, o que este não fez. Tinha Lutero nessa época o apoio do capítulo da Ordem dos Agostinhos e do corpo docente da Universidade de Wittenberg. Como Lutero recusava retratar-se, a resposta do Papa foi a bula de excomunhão Exsurge Domine (15 de Junho de 1520). A 3 de Janeiro de 1521 esgotou-se o prazo dado na bula, sendo então proferido o anátema definitivo pelo Papa Leão X através pela bula Decet Romanum Pontificem.
Fontes: geniosmundiais.blogspot
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Lutero em 1529 por Lucas Cranach

03 de Janeiro de 106 a.C. : Nasce Cícero, filósofo, orador, escritor e político romano

Cícero nasceu numa antiga família da classe equestre, duma povoação do interior do Lácio, a quem tinha sido dada a cidadania romana somente em 188 a.C., e que nunca tinha por isso participado na vida política de Roma. O pai proporcionou aos dois filhos, Marco, o mais velho, e Quinto, uma educação muito completa, sendo que Marco Túlio, após ter estudado na escola pública e ter chegado à maioridade, foi entregue aos cuidados do célebre senador e jurista romano Múcio Cévola que o pôs a par das leis e das instituições políticas de Roma. 
Durante a Guerra Social do princípio do século I a.C (91-88 a.C.) Cícero passou brevemente pela vida militar, passo necessário para poder participar plenamente na vida política romana, tendo estado presente numa campanha militar sob o comando do cônsul Pompeu Estrabão, pai de Pompeu o Grande. Regressado à vida civil, começou a estudar filosofia com Filão, o Académico, mas a sua atenção centrou-se na oratória que estudou com a ajuda de Molo, o principal retórico da época, e de Diodoto, o Estóico.
Cícero é considerado o primeiro romano que chegou aos principais postos do governo com base na sua eloquência, e ao mérito com exerceu as suas funções de magistrado civil.  O primeiro caso importante que aceitou foi a defesa de Amerino, um escravo liberto, acusado de parricida por um favorito de Sila, nessa época ditador de Roma. Esta acção corajosa levou-o a sair prudentemente de Roma, após a conclusão do pleito, tendo viajado durante dois anos, oficialmente para se restabelecer de uma doença. Em Atenas reencontrou o seu colega de escola Pompónio Ático, com quem estabelecerá a partir daí uma longa, e muito célebre, Correspondência. No Oriente concluiu a sua formação filosófica e retórica.
Regressado a Roma em 76 a.C. após a morte de Sila, começou a sua carreira política, sendo nomeado questor da Sicília no ano seguinte, província que governou com sucesso. De regresso a Roma aceitou dirigir, em 70 a.C., o processo que a população da ilha intentou contra o pro-pretor da ilha, Verres, por corrupção. Venceu o processo obrigando este a sair de Roma. No ano seguinte (69 a.C.), cinco anos depois de regressar da Sicília, foi eleito edil e mais tarde, cumpridos os dois anos de intervalo entre magistraturas, foi escolhido para pretor (66 a.C.), discursando pela primeira vez a partir da  Rostra - a antiga plataforma dos oradores no Fórum de Roma - em defesa da Lex Manilia, que pretendia entregar a Pompeu o governo de várias províncias orientais, como base para atacar o rei do Ponto, Mitríades VI Eupator, em luta contra Roma no norte da península da Anatólia (Ásia Menor).

No fim da sua actuação como pretor, decidiu concorrer ao consulado, tendo por isso recusado a nomeação para o governo de uma província do império, o pagamento normal para o exercício do cargo de pretor. Foi eleito cônsul em 62 a.C., para o exercício do ano seguinte. Nesse cargo conseguiu destruir a Conjuração de Catilina, tendo sido declarado Pai da Pátria por essa actuação em defesa das instituições republicanas.
Mas o regresso triunfal de Pompeu a Roma, e a institucionalização do primeiro Triunvirato, fez com que as ambições políticas de Cícero sofressem um rude golpe, fazendo com que voltasse às actividades forense e literária. Mas a actuação de um seu inimigo político, P. Clódio, que criticava a actuação de Cícero durante a conjuração de Catilina, devido à execução dos conjurados sem julgamento, fez com que abandonasse voluntariamente Roma (58 a.C.) e a Itália indo para o exílio na Grécia, por onde deambulou, até que se instalou em Tessalónica no norte da província, o que não impediu a votação de uma lei que o desterrava. A perseguição de P. Clódio continuou, atacando a família mais próxima e as propriedades de Cícero, até que Pompeu interveio e conseguiu, com a ajuda de parentes e de amigos de Cícero, que o Senado se decidisse a chamá-lo do exílio. Quando regressou (57 a.C.), o Senado foi recebê-lo às portas da cidade, sendo a sua entrada quase uma procissão triunfal.

Seis anos mais tade (51 a.C.), devido a uma lei de Pompeu, que obrigava os senadores de nível consular ou pretoriano a dividirem as províncias vagas entre si, foi governar a Cilícia. Aí, nas costas meridionais da Ásia Menor, antigo centro da pirataria do Mediterrâneo oriental, lutou vitoriosamente contra tribos rebeldes das montanhas, recebendo dos seus soldados o título de Imperator. Demitiu-se e regressou a Roma por volta do ano 50 a.C., com intenção de reclamar a realização de um triunfo. Mas o começo das lutas entre Pompeu e César, que deram origem à Guerra Civil, impediram a sua efectivação.
Foi o período mais crítico do ponto de vista moral e político da vida de Cícero.
Querendo manter-se neutral na feroz luta política da época tentou agradar aos dois campos, sem conseguir agradar a nenhum deles. Mas manteve-se sempre mais perto de Pompeu, e do partido senatorial, do que de César, e do partido popular, e de facto acabou por se decidir, mas muito timidamente, pelo campo senatorial. Após a batalha de Farsalia (48 a.C.), e a fuga consequente de Pompeu e a morte deste no Egipto, recusou-se a comandar tropas e regressou a Roma, governada por António enquanto representante pessoal de César. Cícero passou então a dedicar-se integralmente à filosofia e à literatura, sendo desta época o tratado De Republica.
Os empréstimos feitos a Pompeu, naturalmente não pagos, empobreceram-no, tendo necessidade de pedir a assistência do seu velho amigo Ático, e de se divorciar da sua mulher, Terência, casando com Publilia, uma jovem de meios. Nessa período, Túlia, filha do seu primeiro casamento, morreu, o que provocou o divórcio da sua segunda mulher, que não terá mostrado suficiente pesar pela morte da enteada. Estes factos provocaram a publicação de De Consolatione.

O assassínio de César em 44 a.C. trouxe-o de novo para o centro da actividade política. Tentou recuperar a influência política, e a direcção do partido senatorial, mas António ocupou o lugar de Júlio César, e a Cícero só lhe restou escrever as orações contra o sucessor de César conhecidas comoFilípicas. A sua oposição a António granjearam-lhe o interesse de Octávio. Cícero não se deixou enganar pelo filho adoptivo de César, e as resoluções do Senado contra António tiveram origem nele. Mas Octávio, eleito cônsul, chegou a acordo com António e Lépido, antigo general de Júlio César, formando-se o segundo triunvirato. Cícero retirou-se com alguns familiares para Túsculo, a sul de Roma. Aí teve conhecimento que Octávio o tinha abandonado e que António o tinha colocado na lista dos proscritos, uma declaração de morte. Viajou para Fórmio, na costa adriática, com intenção de embarcar para a Grécia. Mas acabou por ficar afirmando «Moriar in patria soepe servata» (Morra eu na pátria que tantas vezes salvei), o que aconteceu às mãos de soldados comandados por um seu antigo cliente. Cortaram-lhe a cabeça e as mãos e, por ordem de António, pregaram-nas na Rostra.
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Jovem Cícero a Ler - Vicenzo Foppa
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Cícero denuncia Catilina - Cesare Maccari

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Busto de Cícero 

03 de Janeiro de 1892: Nasce o escritor J.R.R. Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis"

O seu destino não foi estabelecido no berço. O escritor John Ronald Reuel Tolkien, nascido a 3 de janeiro de 1892 na África do Sul, perdeu o pai com a idade de 4 anos. A sua mãe voltou então à Inglaterra com os dois filhos. Ela igualmente morreu cedo e deixou os filhos sem recursos para sobreviver.
O talento e bolsas permitiram que Tolkien estudasse Língua e Literatura Inglesa em Oxford. Logo em seguida, começou a trabalhar em  Lost Tales (Contos Perdidos), dos quais mais tarde surgiria O Silmarillion. Tolkien falava de acontecimentos da chamada Primeira Era – alguma época distante na Terra Média, sobre a qual os heróis de O Senhor dos Anéis faziam  referência com veneração.
O Silmarillion só foi publicado após a morte do escritor. Tolkien deve a fama às aventuras de pequenos seres engraçados, com pés grandes  os hobbits. Assim descrevia o autor a sua relação com eles:
"Eu próprio sou um hobbit, em tudo até no tamanho. Eu amo jardins, árvores e o campo sem máquinas. Gosto de fumar cachimbo, de comer modestamente, ir para a cama tarde e acordar igualmente tarde. Não viajo muito."
Conta-se que enquanto corrigia provas em 1930, Tolkien, já professor de Oxford, deparou-se com uma folha em branco e escreveu no verso: "Numa toca no chão, vivia um hobbit". Desta ideia repentina, surgia o livro infantil O Pequeno Hobbit.
Hobbits são seres pacíficos, habitantes do continente Terra Média. Eles não possuem poderes mágicos, mas são rápidos e sabem desaparecer sem deixar sinal. Por isto, dificilmente se consegue ver um deles. Eles não gostam muito de gente grande – quer dizer, os seres humanos.
Esta história sobre a grande aventura do pequeno hobbit Bilbo Beutlin e um anel dourado com poderes mágicos foi escrita originalmente por Tolkien para os seus quatro filhos. Entretanto, a sua publicação em 1937 obteve grande sucesso. O público queria ouvir mais da Terra Média e dos seus habitantes. E assim foi.
Tolkien criava um novo género: a literatura fantástica. E das suas histórias sobre os moradores da Terra Média nasceu, com o decorrer dos anos, todo um universo.
As aventuras do hobbit Bilbo, em luta contra o poderoso Mordor, constituíram apenas o preâmbulo de uma aventura ainda maior, apresentada na trilogia O Senhor dos Anéis.
Conhecedor das lendas celtas e nórdicas, Tolkien criou um mito. Com uma aventura enigmática, que atravessa mais de mil páginas, o autor conquistou milhões de leitores em todo o mundo.
Para que o leitor não perca o contexto e o fio da meada da sua narrativa, Tolkien fez dos seus livros quase uma enciclopédia, com um quadro de letras para ajudar na tradução dos idiomas criados para a história, com comentários sobre os mitos que inspiraram as personagens criadas, com complicadas árvores genealógicas, linha do tempo da Terra Média e vários mapas de todo esse mundo fantástico.
Uma capacidade intelectual da qual milhões de leitoras e leitores não teriam  dado conta, caso a aventura do hobbit Frodo, que deve destruir o anel mágico propagador de desgraça, não tivesse por base uma história consistente e fabulosa, que claramente explora os pólos bem e mal.
Nela estão os agradáveis, despenteados, pequenos hobbits, os elfos dançantes, anões, árvores falantes e Gandalf, o amável mago. O mal está representado pelos assustadores orcs, trolls e Sauron, o soberano das trevas.
Frodo Beutlin, o simpático hobbit, consegue no fim a grande vitória. O anel mágico é destruído. E com isto, Sauron perde o seu terrível poder, que dependia de outro anel.
Pela sua obra completa, Tolkien foi homenageado pela rainha Isabel II em 1972, um ano antes de seu falecimento. Com a trilogia O Senhor dos Anéis nos cinemas, o seu imortal universo de mitos, lendas e seres mágicos, no qual o bem vence o mal após batalhas infindáveis, está mais vivo e presente do que nunca.
Fontes: DW
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Tolkien em uniforme militar, quando serviu o exército britânico na Primeira Guerra Mundial
Ficheiro:The one ring animated.gif



O Anel de Sauron


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

02 de Janeiro de 1554: Morre D. João Manuel, Príncipe de Portugal, pai de D. Sebastião

D. João Manuel, príncipe herdeiro de Portugal, nasceu em Évora no dia  3 de Junho de 1537 e faleceu a  2 de Janeiro de 1554. D. João Manuel era filho de D. João III e de D. Catarina de Áustria, pais de uma prole de nove infantes que viriam a morrer consecutivamente. D. João Manuel nasceu Infante e tornou-se Príncipe herdeiro de Portugal em 1539 depois da morte na infância dos seus quatro irmãos mais velhos.  Em 11 de Janeiro de 1552 casou por procuração com D. Joana, filha de Carlos V e irmã do futuro Filipe II. O príncipe morre com 16 anos, sem a certeza de deixar descendência. Eram dois belos jovens que se amavam. A jovem princesa encontrava-se grávida do futuro Sebastião, o Desejado. E, para não inquietar o seu estado, durante dezoito dias, desde a morte do príncipe a 2 de Janeiro e o nascimento do filho a 20 do mesmo mês, a Corte simulou o trágico acontecimento e não se vestiu de luto. D. João era de saúde frágil, morreu de diabetes juvenil (diabetes tipo I, uma doença auto-imune).
Enviuvando, D. Joana regressa a Espanha a pedido do seu pai, que tencionava abdicar, confiando a educação do filho, com apenas três meses, à sua sogra Catarina de Áustria (que era também sua tia). Uma vez em Espanha, assumiu o cargo de regente do reino, em virtude do pai se achar ausente, assim como o irmão, Filipe II, que se encontrava em viagem pelos Países Baixos e pela Inglaterra, onde viria a casar com Maria Tudor.
Fontes: DHP
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D. João Manuel retratado por António Moro

D. Joana, consorte de D. João Manuel

02 de Janeiro de 1882: Rockefeller funda o seu império petrolífero

No dia 2 de Janeiro de 1882, o multimilionário americano John D. Rockefeller funda a Standard Oil Trust, na qual reuniu 40 empresas de petróleo e marcou o início do seu império petrolífero.
John Davison Rockefeller, o patriarca da família que dominou o mercado petrolífero nos Estados Unidos durante mais de um século, nasceu em Richford, no Estado de Nova Iorque, em 8 de Julho de 1839. A sua formação profissional era de contabilista. Em conjunto com Samuel Andrews, inventor de um processo de refinamento de óleo bruto, Rockefeller fundou a sua primeira empresa em 1862.
Quatro anos depois, em 1866, construiu uma segunda refinaria de petróleo. Com isso, estabeleceu as bases para a expansão dos negócios petrolíferos da família. Em 1870, John D. Rockefeller fundou a Standard Oil Company of Ohio: três anos depois, todas as refinarias de petróleo do Estado de Ohio pertenciam à sua empresa.
Em 1882, constituiu a Standard Oil Trust. Empregando em parte métodos considerados ilícitos, conseguiu o controlo de 95% de todo o sector petrolífero dos Estados Unidos. A partir daí, começou a diversificar as suas actividades, adquirindo participações em empresas industriais e de mineração.
Em 1892, o Supremo Tribunal do Ohio declarou ilegal o monopólio conquistado pela Standard Oil Trust e impôs um desmembramento da empresa. A medida só foi concretizada, porém, em 1899: a principal empresa sucessora, a Standard Oil of New Jersey, foi presidida pelo patriarca da família até 1911, quando teve de ser novamente desmembrada, em consequência de um segundo processo anti trust.
A partir de 1926, a Standard Oil of New Jersey passou a denominar-se Esso. Nos Estados Unidos, a empresa passou a chamar-se Exxon a partir de 1972. Do desmembramento imposto em 1911 pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, surgiu também a Standard Oil do Estado de Indiana, que, a partir de 1962, adoptou o nome American International Oil Company.
No auge da sua carreira de negócios, a fortuna pessoal de John D. Rockefeller foi avaliada em quase 1 bilião de dólares: ele tornou-se o homem mais rico do mundo. A partir de 1911, Rockefeller encerrou a participação activa nos negócios da família, passando a dedicar-se exclusivamente a actividades filantrópicas.
Em 1913, criou a Fundação Rockefeller, com sede em Nova Iorque, a qual, segundo os seus estatutos, deve "servir a humanidade". Ela é ainda hoje uma das maiores fundações privadas dos Estados Unidos, e actua internacionalmente fomentando trabalhos científicos e obras caritativas. Dos 550 milhões de dólares que John Davison Rockefeller destinou a obras filantrópicas, a Fundação Rockefeller recebeu mais de 241 milhões.
John D. Rockefeller faleceu em Ormond Beach, na Flórida, em 23 de Maio de 1937.


 Fontes: DW
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John D. Rockefeller em 1885

John D. Rockefeller's por John Singer Sargent  em 1917


02 de Janeiro de 1492: Os reis de Castela e Aragão conquistam Granada, último reino islâmico da Península Ibérica. Termina a reconquista de sete séculos

Último reduto muçulmano na Península Ibérica, até 1492, o reino de Granada resistiu mas floresceu, assumindo por um lado uma atitude guerreira e constantemente defensiva, e por outro incrementando o desenvolvimento das letras, das artes, das ciências e do urbanismo.
A cidade espanhola de Granada, pertencente à Região Autónoma da Andaluzia, formou-se em torno de uma fortaleza construída pelos Árabes. No centro da cidade encontra-se a Catedral de Santa Maria da Encarnação (1523-1703), onde estão sepultados os Reis Católicos.
Explorada por Fenícios, Cartagineses e Gregos, dominada por Romanos e Visigodos, assolada por Vândalos e Alanos, a região de Granada, como quase toda a Península Ibérica, foi ocupada em 711 pelos muçulmanos comandados por Tariq, acontecimento este de real importância para a sua definição histórica e territorial.Dominada por Córdova, emirado e depois califado, Garnatha Alyejud (designação árabe da cidade perto da actual Granada, a Iliberis dos Romanos ou a Elvira dos Visigodos) conheceu um grande desenvolvimento no século VIII, sendo uma das mais importantes cidades do Al Andalus. Com a desagregação do califado de Córdova em 1031 em vários reinos taifa (designação jurídica árabe), devido à fitna (guerra civil), num deles se transformou Granada, governada entre 1010 e 1090 pela dinastia berbere dos Ziríadas (povo do Norte de África, que obriga os habitantes de Garnatha a fugir para Elvira), suprimida no último ano pela dos Almorávidas, substituídos em 1156 pelos Almóadas. Em 1231, chegaram os nazerís, de Ibn Nasr, cujo título real era Muhammad I, que se mantiveram em Granada até ao século XV. A partir desta dinastia, o reino passou a designar-se por Granada.
Em 1247, aquele rei árabe apoiou os castelhanos na tomada de Sevilha, o que gerou descontentamentos generalizados no reino, principalmente depois de os cristãos transformarem a mesquita em catedral. Os ataques de Castela, apesar da ajuda granadina em Sevilha, sucederam-se contra o reino nazerí, que apoiava revoltas mouriscas em Castela. Entre múltiplas tréguas, alianças e cedências de praças de parte a parte, Granada, para sobreviver como reduto muçulmano peninsular, teve que procurar até ao século XV um equilíbrio de forças com Castela e mesmo com os muçulmanos do Norte de África, ambos com políticas expansionistas sobre este território. Para além desta diplomacia, ora política ora guerreira, o reino de Granada teve que enfrentar revoltas internas ocasionais, e serviu de acolhimento aos muçulmanos que fugiam de todas as regiões peninsulares face ao avanço da Reconquista, principalmente da Andaluzia ocidental e do Levante (Valência, Múrcia), onde se sucediam pressões militares de Aragão, com quem se firmaram pactos também.Neste clima de instabilidade quase permanente e de esforço de guerra, a riqueza e a grandeza da civilização nazerí de Granada não perderam brilho, esmaltando o reino, nomeadamente a capital, de belas jóias arquitectónicas ainda existentes, com o apoio e interesse constantes da corte. É o caso do conjunto monumental da Alhambra (do árabe, Al Hamra, a vermelha), começado a edificar no século XIII, bem como do Generalife, do século XIV, casa de campo e descanso dos reis de Granada. Deste século são também os poetas e eruditos Ibn Alcatib e Ibn Zamrak, cujos versos estão gravados nas paredes dos palácios da Alhambra. Por aquela altura brilharam ainda outras figuras da filosofia, das artes e da medicina, entre outras ciências, e até uma célebre universidade medieval - La Madraza. O desenvolvimento de técnicas agrícolas, com introdução de novas culturas e com os regadios, cimenta a exponência civilizacional a que chegou este reino, o que despertou cobiças e apressou a Reconquista.
Em 1309, Castela tomou Gibraltar, mantendo-se árabe, porém, Algeciras. Estes dois pontos eram estratégicos (passagem para África) para o reino de Granada, que daí se estendia até Almería, a leste, onde se continuavam a dar frequentes ataques aragoneses, ainda que sem resultados. No primeiro quartel do século XIV, os castelhanos chegaram às portas de Granada, sendo porém rechaçados para fora do reino, entretanto reorganizado em termos de defesa. Em 1333, Granada reconquistou Gibraltar, apoiada por genoveses e dinastias norte-africanas, conhecendo porém em 1340 a derrota na Batalha do Salado perante forças combinadas luso-castelhanas, o que deitou por terra o desejo de reconquista muçulmana da Península. Ao longo do século XIV, a Alhambra continuou a construir-se; a Reconquista deteve-se por vezes; mas o século XV, com a pressão demográfica e a expansão económica de Castela, seria a centúria da derrocada do reino de Granada. Para além de lutas internas (conspirações, rebeliões, guerra civil em 1427) e de falta de apoios do mundo árabe, Granada, apesar de conseguir suster alguns avanços de Castela e obter algumas tréguas, não conseguiu reestruturar-se internamente e começou a ceder aos ataques cristãos. Ainda desencadeou um contra-ataque entre 1433 e 1440, recuperando praças de Castela, mas a partir daqui, a história de Granada foi de defesa contra Castela, bloqueios económicos, tréguas e devolução de cativos, até ao golpe final dos Reis Católicos, em 2 de Janeiro de 1492, quando a conquistaram ao rei Boabdil. Este, diz a lenda, terá chorado e morrido de desgosto e nostalgia por abandonar a jóia da civilização árabe da Península Ibérica.No século XVI, apesar do embelezamento e da valorização cultural da cidade e da região pelos espanhóis, ainda havia, na minoria mourisca, sentimentos saudosistas do antigo reino nazerí, como nos levantamentos nas Alpujarras, último foco de resistência árabe.
Reino de Granada. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
Conquista de Granada. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Rendição de Granada - Francisco Pradilla entrega das chaves da cidade pelo próprio rei Boabdil à rainha Isabel de Castela.

Alhambra, centro do poder do Reino de GranadaFicheiro:FerdinandIsabellaSpain.jpgOs Reis Católicos