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quinta-feira, 14 de março de 2019

14 de Março de 1937: Pio XI condena o nazismo em Carta Encíclica

No dia 14 de Março de 1937, o Papa Pio XI publicou uma Carta Encíclica intitulada “Mit Brennender Sorge” (“Com profunda preocupação”),em que condenava o nacional-socialismo alemão e a sua ideologia racista. Esta havia sido a primeira crítica oficial ao nazismo feita por um chefe de Estado e contem um ataque a Adolf Hitler, referindo-se a ele como "profeta louco de arrogância repulsiva". É um dos dois únicos documentos da Santa Sé escritos em língua diferente do latim ou grego, juntamente com a Encíclica “Non Abbiamo Bisogno” (1931), que criticava o fascismo italiano.
Como a mensagem era destinada especificamente ao povo germânico, Pio XI optou por redigir a Encíclica em alemão. Pronta, foi enviada clandestinamente para a Alemanha e então reproduzida por membros da Igreja Católica. Cópias foram distribuídas aos bispos, padres e capelães para serem lidas em todas as paróquias alemãs no dia 21 de Março, durante a missa de Domingo de Ramos, quando a presença de fiéis costuma ser a maior do ano litúrgico.
A Encíclica atacava o racismo e o “Führer”  com uma agressividade raramente vista em documentos papais. Numa época em que Hitler ainda gozava de prestígio junto à opinião pública internacional, a carta surpreendeu pelo tom firme. Foi alvo de críticas da imprensa secular francesa, que ainda defendia uma coexistência pacífica com a Alemanha.
“Mit Brennender Sorge”, que condenava os erros do nazismo e a sua ideologia racista e pagã, falava de "direitos humanos inalienáveis dados por Deus" e invoca uma "natureza humana" que passa por cima de barreiras nacionais e raciais.
Apesar de ainda não se saber à época a extensão real da perseguição contra os judeus, o pontífice também condenou o antissemitismo, reafirmando que a doutrina católica pune com a excomunhão quem promove perseguições contra judeus por motivos raciais ou religiosos. 
Ao dirigir-se aos religiosos católicos da Alemanha, a Encíclica dizia: "A todos aqueles que conservaram a fidelidade prometida na ordenação, àqueles que, no cumprimento do seu ofício pastoral, tiveram e têm de suportar dores e perseguições - alguns até serem encarcerados ou mandados para campos de concentração -, a todos estes chegue a expressão da gratidão e o encómio do Pai da Cristandade”.
A leitura da carta nas missas do domingo de Ramos em todos os templos católicos alemães, que eram então mais de 11 mil, constituiu-se numa enorme surpresa para os fiéis, as autoridades e a polícia. O seu impacto entre as elites dirigentes alemãs foi contundente. Em toda a curta história do Terceiro Reich, nunca tinha havido uma contestação tão ampla e com a repercussão que se aproximasse sequer da produzida com a “Mit Brennender Sorge”.
No entanto, o controlo rígido que Hitler exercia sobre a imprensa e a falta de liberdade de circulação de informações impediu que o impacto fosse ainda maior entre as massas, sendo o seu conteúdo censurado e respondido com uma forte campanha publicitária anticlerical. No dia seguinte à leitura nos púlpitos, todas as paróquias e escritórios das dioceses alemãs foram visitados por oficias da Gestapo, que apreenderam as cópias do documento.
Como era de se esperar, no mesmo dia o órgão oficial nazi, Völkischer Beobachter, publicou uma primeira resposta à Encíclica, mas foi também a última. O ministro alemão da propaganda, Joseph Goebbels, foi suficientemente perspicaz para perceber a força que havia tido a declaração. Com o controle total da imprensa e da rádio, entendeu que o mais conveniente era ignorá-la completamente e censurar tanto o seu conteúdo como quaisquer referências a ele.
Após a leitura e publicação da carta, as perseguições anticatólicas tiveram lugar, e as relações diplomáticas entre Berlim e Vaticano ficaram abaladas. Em Maio de 1937, 1100 padres e religiosos foram lançados nas prisões do Reich. No ano seguinte, 304 sacerdotes católicos foram transferidos para o campo de concentração de Dachau. Paralelamente, as organizações católicas foram dissolvidas e as escolas confessionais, interditadas.  Até à queda do nazismo, cerca de 11 mil sacerdotes católicos - quase metade do clero alemão dessa época -  "foram atingidos por medidas punitivas, política ou religiosamente motivadas".
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


File:Mit brennender Sorge Speyer JS.jpg
Cópia da Carta Encíclica de 1937 - escrita em alemão
Ficheiro:Pius XI after Coronation.jpg
Papa Pio XI

Cópia da Carta Encíclica de 1937 - escrita em alemão

14 de Março de 1804: Nasce Johann Strauss (pai), autor da Marcha Radetzky

Johann Strauss ou Johann Baptist Strauss foi um compositor austríaco. Nasceu em Viena no dia 14 de Março de 1804, foi o primeiro grande compositor da família Strauss. Após uma formação autodidacta, tornou-se violinista na orquestra de Michael Pamer, conhecido compositor de música ligeira. Mais tarde, regeu a orquestra de Joseph Lanner.
Casou com Maria Anna Streim, em 1825, na igreja paroquial de Liechtenthal, em Viena. O seu casamento foi instável com as suas ausências prolongadas, levando a um afastamento gradual entre o casal e, mais tarde, Emilie Trampusch tornou-se sua amante  e teve com ela seis filhos.
Apresentou pela primeira vez ao público vienense uma valsa da sua autoria, Täuberlwalzer (1826), baptizada, segundo a moda da época, com o nome do local onde se realizou a estreia. Fundou o seu próprio grupo (1830) e passou a ser visto como o maior músico austríaco da época e ganhou prestígio internacional a partir do momento em que passou a realizar (1833) frequentes apresentações pela Europa. Nomeado director dos bailes imperiais (1833), escreveu 18 marchas, entre as quais a célebre Marcha Radetzky, mais de 150 valsas e inúmeras polcas, quadrilhas e outras peças de dança, todas notáveis pelo brilho melódico e rítmico.
Strauss morreu em Viena no dia 25 de Setembro de 1849 de "escarlatina" que contraiu a partir de um de seus filhos ilegítimos. Foi enterrado no cemitério ao lado do seu amigo Döblinger Josef Lanner. Em 1904, os seus restos mortais foram transferidos para o túmulo no Cemitério Central de Viena.
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File:Johann Strauss I (1).jpg

 Ficheiro:Johann Strauss I (2).jpg
Johann Strauss em 1837

14 de Março de 1879: Nasce o cientista Albert Einstein, fundador da Teoria Geral da Relatividade, Nobel da Física em 1921.

Físico alemão de origem judaica, Albert Einstein nasceu a 14 de março de 1879, em Ulm, e morreu a 18 de abril de 1955, em Princeton, nos Estados Unidos da América.
Tendo demonstrado desde cedo grande aptidão para as ciências, escreveu o seu primeiro ensaio científico - On the investigation of the state of the Ether in a Magnetic Field - em 1885, com apenas 16 anos. Em 1900 formou-se na Escola Politécnica de Zurique em Matemática e Física e, dois anos mais tarde, começou a trabalhar numa empresa de patentes em Berna. Foi também professor nas universidades de Zurique e Berlim, e membro da Academia de Ciências da Prússia.
Nos primeiros anos do século XX, Einstein desenvolveu um conjunto de teorias que estabeleceram a equivalência entre massa e energia, instaurando uma nova perspetiva na consideração do espaço, do tempo e da gravidade. Em 1905, publicou nos Anais de Física cinco artigos que revolucionaram a física newtoniana. Através da teoria da relatividade especial neles elaborada, Einstein alargou o princípio da relatividade clássica de Isaac Newton aos fenómenos eletromagnéticos. Nesta perspetiva, o espaço e o tempo não são considerados independentes entre si, mas relativos, formando uma conexão espaço-tempo. Também a massa é uma grandeza relativa, variando com o movimento e sendo equivalente à energia.
Neste sentido, foi levado a considerar que a massa de um corpo em movimento não se mantém constante em qualquer condição, como era defendido pela mecânica newtoniana, mas depende do próprio valor da velocidade a que esse corpo se desloca. No entanto, para corpos em movimento a velocidades pequenas (caso dos objetos que nos são familiares), os valores da massa em repouso e movimento são praticamente iguais. Contudo, é necessário ter em conta o aumento de massa para partículas de pequena massa em repouso, caso das partículas subatómicas, quando se movem a grandes velocidades.
Tal equivalência entre massa e energia foi confirmada experimentalmente através da observação das grandes quantidades de energia libertadas nas reações de fissão e fusão nucleares. Em 1915, através da teoria da relatividade geral, Einstein estende o princípio da relatividade a todos os movimentos da Física.
Em 1917 escreveu um ensaio onde lança o principio da emissão de luz estimulada (o laser).
Na sua primeira visita aos Estados Unidos da América, em 1921, é recebido como um herói e nesse mesmo ano torna-se membro da League of Nations Committee on intellectual Cooperation. Em 1932 temendo a ascensão de Hitler foge com a mulher para os Estados Unidos da América. Começa por trabalhar no Instituto de Tecnologia da California e, mais tarde, muda-se para Princeton, New Jersey, onde integra o Instituto de Estudos Avançados.
Alguns anos depois, assina (juntamente com outras personalidades, uma carta dirigida ao presidente Frankelin Roosvelt recomendando a investigação em armas nucleares. Em 1940 naturaliza-se norte-americano mantendo, contudo, a cidadania suíça. Doze anos depois, em 1952, declina a proposta de se tornar o segundo presidente de Israel. Em 1955, no mesmo ano em que morreu, escreve a sua última carta assinada a um amigo de longa data, Bertrand Russell, aceitando incluir o seu nome num manifesto internacional de renuncia às armas nucleares.
Recebeu o Prémio Nobel da Física em 1921.

Albert Einstein. In Infopédia [Em linha]. Porto:Porto Editora, 2003-2012.
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Albert Einstein aceita a cidadania norte americana em 1940


quarta-feira, 13 de março de 2019

13 de Março de 1881: O czar Alexandre II da Rússia é assassinado.

No dia 13 de Março de 1881, dia em que a Rússia receberia uma nova constituição e uma nova czarina consorte, o czar Alexandre II foi assassinado por jovens anarquistas.
Ascendeu ao trono em 2 de Março de 1855 aos 37 anos e logo tomou consciência do atraso da Rússia. Comprometeu-se, sem perder tempo, com corajosas reformas. Mas no dia 4 de Abril de 1866, um estudante, Dimitri Karakosov, atirou sobre ele e por pouco não o matou.
Este primeiro atentado contra a pessoa sagrada do czar, segundo os costumes locais, provocou consternação. Um novo ataque ocorreria a 1 de Junho de 1867, quando visitava Paris.
Amargurado e preocupado, interrompe as reformas liberais e inicia aventuras bélicas no Cáucaso, nos Balcãs e na Sibéria. Entre os estudantes anarquistas, a agitação não cessa. Serge Netchaïev, filho de um camponês, discípulo de Michel Bakunin e Pierre Proudhon, preconiza em seu Catecismo Revolucionário a destruição do Estado e o assassinato dos opositores.
Muitos dos jovens burgueses  propõem-se falar com os "mujiques", os pobres do campo, a fim de incitá-los a  sublevarem-se contra o regime. Uma organização secreta chamada Zemlia i Volia (Terra e Liberdade) nasce do fracasso da tentativa. O seu propósito é radical: os revolucionários só devem acreditar neles mesmos para acabar com a autocracia.
Em 9 de Janeiro de 1878, a jovem Vera Zassulitch, alveja o general Trepov, chefe de polícia célebre pela sua brutalidade. Ela é absolvida. Outros atentados acontecem contra os representantes da polícia e da justiça.
O próprio czar seria vítima de vários tiros disparados por um desequilibrado nas cercanias do palácio em 2 de Abril de 1879. Nasce então uma nova organização secreta, a  Narodnaia Volia (A Vontade do Povo), que assume o objectivo de assassinar o czar.
Alexandre escapa dum atentado que destruiu um vagão do comboio em que viajava e uma outra explosão atinge a sala de jantar de seu palácio.
Por um decreto de 12 de Fevereiro de 1880, confere poderes ditatoriais ao conde Loris-Mélikov, heroi da guerra contra a Turquia, com a missão de erradicar o niilismo e concluir a reforma das instituições. Ele mesmo escapa por pouco de um tiro de pistola no dia 20 de Fevereiro.
A 18 de Julho de 1880, o czar casa-se em segredo com a amante. No seu desejo de coroá-la imperatriz, pensa em realizar alterações na sua política, o que lhe valeria a indulgência do seu povo.
A Narodnaïa Volia, reunia jovens burgueses obcecados pelo ódio à autocracia. Entre eles, Sophie Perovski, filha de um governador militar de São Petersburgo. A prisão do seu amante, Jeliabov, não a desencoraja. A data fatídica é fixada para 13 de Março de 1881.
O czar é alertado quanto à possibilidade de um atentado. No dia 13 de Março percorre  de carruagem as margens do canal Catarina. Lá estavam escondidos quatro homens com bombas,  sob as ordens de Sophie. O soberano escapa da primeira bomba. Avança pelo meio de mortos e feridos e quer enfrentar pessoalmente o terrorista. Foi então que um cúmplice atira uma segunda bomba. O czar morreria poucas horas depois.
Alexandre III, seu filho, assumiria o trono em seu lugar, acarretando o retorno à autocracia absoluta.

 Fontes: Opera Mundi
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O assassinato de Alexandre II

Coroação do Czar Alexandre II - Mihály Zichy

13 de Março de 1777: A nomeação dos novos secretários de Estado por D. Maria I marca o início do período da "Viradeira", inversão da política do Marquês de Pombal, exonerado a 04 de Março.

Tradicionalmente, dá-se o nome Viradeira à reação ao governo do Marquês de Pombal logo após a subida ao trono de D. Maria. Mas, na verdade, esta política não foi mais além do que da reabilitação da nobreza atingida pelo Marquês. Esta política da Viradeira não teve o alcance que lhe é atribuído, pois apenas restaurou o bom nome de muitos nobres lesados por Pombal e afastou apenas alguns dos seus mais diretos colaboradores.
Na sequência da morte de D. José, as críticas à governação anterior concentravam-se na pessoa do seu Ministro, que havia ofendido a memória de parentes e amigos da família de D. Maria.
Nas "Recomendações" que deixou à sua filha o monarca pedira-lhe que se lembrasse dos seus criados mais fiéis e que governasse num clima de paz e de justiça. Por isso, quando chegou ao poder, D. Maria mandou abrir as prisões da Junqueira, de S. Julião, de Pedrouços e de Setúbal, e retirou dos conventos de Lisboa os seus familiares, aí obrigados a viver por decreto do ministro de seu pai. Neste contexto, o Marquês pediu a exoneração dos seus cargos, a 1 de março de 1777. Doente, e em desgraça, a 4 de março a rainha acedeu ao seu pedido, conservando, no entanto, o seu ordenado e a comenda de Santiago de Lanhoso (com os devidos rendimentos) e forçando-o a morar na sua Quinta de Pombal.
A pasta de Pombal no novo governo foi atribuída a D. Tomás Xavier de Lima, décimo quarto visconde de Vila Nova de Cerveira. Entre as primeiras medidas do novo governo, salientam-se as que favoreceram a nobreza afastada por Pombal, que se viu agraciada com diversas promoções.
A sentença de 23 de maio de 1781 reabilitou a memória dos Távoras e seus familiares, acusados de envolvimento na conjura de 1758. Pombal acabou por ser atingido, porque em 1779 circulava por Portugal a Apologia de Pombal, um texto que lhe era atribuído e onde supostamente fundamentava o seu governo. D. Maria ordenou então que este fosse ouvido, que desse explicações, por edital de 3 de setembro. Outros editais anunciavam uma "ação de lesão" de Francisco José Caldeira Soares Galhardo contra Pombal, por causa deste texto que, segundo ele, traía a memória de D. José.
Por decreto de 16 de agosto de 1781 a rainha pretendera castigar o Marquês, mas atendendo ao facto de ter solicitado perdão régio, e de ter uma avançada idade, foi-lhe reafirmado o direito de viver na sua Quinta de Pombal.
Fontes: Infopédia
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D. Maria I




Sebastião José de Carvalho e Melo



terça-feira, 12 de março de 2019

12 de Março de 1938: Hitler anuncia o "Anschluss", união entre Alemanha e Áustria

Em  12 de Março de 1938, Adolf Hitler anuncia o "Anschluss", a união entre a Alemanha e a Áustria, mas de facto, a anexação da Áustria à Alemanha nazi.
A união com a Alemanha havia sido um sonho dos social-democratas austríacos desde 1919. A ascensão de Hitler e o seu governo ditatorial tornam esse propósito menos atraente, apesar de ser uma situação irónica, uma vez que a união entre as duas nações era também um sonho de Hitler, austríaco de nascimento. Apesar do chanceler alemão não ter o pleno apoio dos social democratas austríacos, a ascensão de um partido de direita pró-nazi na Áustria em meados dos anos 1930, o Comité dos Sete, pavimentou o caminho para Hitler concretizar a sua jogada.  Em 12 de Fevereiro de 1938, o primeiro-ministro austríaco, Kurt Von Schuschnigg, intimidado por Hitler durante um encontro no refúgio do líder nazi em Berchtesgaden, nos Alpes Bávaros, concordou com uma maior presença dos nazis dentro da Áustria.
Von Schuschnigg, de 41 anos, era um homem de maneiras impecáveis, no velho estilo austríaco, e não era artificial para ele começar as conversações com referências à magnífica paisagem ou palavras agradáveis acerca da sala, palco de conferências importantes. 
Hitler, porém, era objectivo. ”Não nos reunimos aqui para falar da bonita vista ou do tempo”, disse. 
Para ele, a Áustria fazia de tudo para impedir uma política amigável. “A história inteira da Áustria é justamente um acto ininterrupto de alta traição. Semelhante paradoxo histórico deve agora ter fim. Neste momento. Posso dizer-lhe directamente, Herr Schuschnigg, que estou inteiramente decidido a pôr um fim a tudo isso. O Reich alemão é uma das grandes potências e ninguém levantará a voz se ele resolver os seus problemas fronteiriços”, afirmou.
Após uma hora de conversação, pontilhada por ameaças de Hitler, o chanceler nazi, dirigindo-se a ele rudemente e sempre pelo seu nome e não pelo seu título, como exigia a cortesia diplomática, concluiu asperamente que nada nem ninguém poderia frustrar suas decisões.
“A Itália? Estou de completo acordo com Mussolini. A Inglaterra? Esta não moverá um dedo pela Áustria. A França? A França poderia ter detido a Alemanha na Renânia e então teríamos de nos retirar. Mas agora é muito tarde para a França. Dou-lhe novamente pela última vez a oportunidade de chegar a um acordo, Herr Schuschnigg. Ou encontramos uma solução agora ou então os acontecimentos seguirão o seu curso. Pense a respeito, Herr Schuschnigg, pense bem. Posso apenas esperar até esta tarde”, afirmou.
Começavam neste momento as “quatro semanas de agonia”. No dia seguinte, Seiss-Inquart era nomeado Ministro da Segurança austríaco. Este ministro, o primeiro dos traidores, dirigiu-se apressadamente a Berlim para reunir-se com Hitler e receber as suas instruções. Foi decretada também uma amnistia aos prisioneiros nazis.
Schuschnigg esperava que a concordância com as exigências de Hitler evitasse a invasão alemã. Contudo, Hitler insistiu numa maior influência nos assuntos internos da Áustria, propondo até o aquartelamento de tropas do exército alemão no seu território. Schuschnigg denunciou o acordo assinado em Berchtesgaden, exigindo um plebiscito sobre a questão. Maquinações de Hitler e seus aliados internos na Áustria levaram ao cancelamento do plebiscito e à subsequente renúncia de Schuschnigg.
O presidente austríaco, Wilhelm Miklas, recusou-se a indicar um chanceler pró-nazi para substituí-lo. Em 12 de Março, tropas germânicas invadiram a Áustria. Hitler anunciou o Anschluss. O plebiscito anunciado teve lugar em 10 de Abril. Quer o plebiscito tenha sido manipulado ou o voto tenha sido resultado do terror que se disseminou com a determinação de Hitler, o Fuhrer colheu esmagadores 99,7% de aprovação para a união entre Alemanha e Áustria.
A Austria passou a ser então uma entidade sem nome absorvida pela Alemanha, ante a inacção e o silêncio dos seus aliados ocidentais. Pouco tardou para que os nazis iniciassem, com a sua típica prática policial, a perseguição aos inimigos e dissidentes políticos e às pessoas de ‘raça inferior’. 
Fontes: Opera Mundi
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Polícias alemã e autríaca desmontam um posto de fronteira
Cédula de votação de 10 de abril de 1938. O texto diz "Tu concordas com a reunificação da Áustria com o Império Germânico realizada em 13 de março, sob o führer Adolf Hitler?

12 de Março de 1947: A Doutrina Truman é anunciada para conter a expansão do comunismo

No dia 12 de Março de 1947, o presidente Truman, perante as pressões exercidas pela URSS sobre a Grécia e a Turquia, declara que existe a necessidade de encetar uma política de contenção do avanço do comunismo, naquela que ficou conhecida como a Doutrina Truman.


Nesta, Truman afirma a existência de um mundo dividido em dois modos de vida política, económica e de organização social diferentes sendo que, um deles  se caracterizaria pelas liberdades fundamentais do ser humano, pela democracia (eleições livres, instituições livres, governo representativo, inexistência de opressão política...) e corresponderia aos países ocidentais, liderados pelos EUA.
O outro seria anti-democrático, impondo através da força, a vontade de uma minoria à maior parte da população, controlando os meios de comunicação social, recorrendo à fraude eleitoral, não respeitando os direitos e liberdades individuais dos cidadãos. Este mundo seria liderado pela URSS que havia imposto o seu domínio a outros países (à Europa de Leste, por exemplo).
Perante o avanço da URSS e do seu domínio, aos EUA caberia a missão de ''apoiar os povos livres'', principalmente ao nível económico, uma vez que a estabilidade financeira permitiria a melhoria do nível de vida das populações e, consequentemente, diminuição da contestação social e da vulnerabilidade destas face às ideias de igualdade e justiça social do marxismo. Esta ajuda viria a concretizar-se num enorme plano de ajuda económica (que será abordado mais adiante) e que, para além dos objectivos de reconstrução europeia, tinha também a intenção de contenção do avanço do comunismo (''containment'').

Discurso de Truman
“No actual momento da história mundial, quase todas as nações têm de escolher entre dois modos de vida alternativos(...) A escolha não é frequentemente livre. Um modo de vida baseia-se na vontade da maioria e distingue-se pelas suas instituições livres,  por um governo representativo com eleições livres, garantias de liberdade individual, liberdade de expressão e de religião, e pela supressão das formas de opressão política. O segundo modo de vida baseia-se na vontade de uma minoria imposta pela  força à maioria. Assenta no terror e na opressão, no controlo da imprensa e da rádio, em eleições manipuladas e na supressão das liberdades individuais. Penso que a política dos Estados Unidos deve ser a de apoiar os povos livres que estão a resistir à subjugação por minorias armadas ou por pressões externas. Acredito que nossa ajuda deverá ser essencialmente a de natureza económica e financeira , essencial à estabilidade económica  e a uma vida política serena.
Fontes:
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Harry Truman





12 de Março de 1514: Chega a Roma a embaixada do rei D. Manuel I ao papa Leão X

Constituída numa altura em que Portugal era nação pioneira em diversos domínios e rica do comércio com outros continentes, a faustosa embaixada de D. Manuel I à Santa  chegou a Roma em 1514. Tinha como objectivo reiterar a obediência do soberano português ao papa Leão X e, ao mesmo tempo, apresentar-lhe certas propostas, que se podiam reunir em dois grupos: as de carácter geral, no sentido do fortalecimento doutrinário e institucional da Igreja Católica, e aquelas que, sem deixarem de estar relacionadas com as instituições religiosas, tinham a ver com aspetos específicos da orientação política de D. Manuel.
A embaixada era composta por mais de cem pessoas. Era chefiada por Tristão da Cunha, nomeado em 1505 primeiro governador da Índia. Como seus assessores iam Diogo de Pacheco e João de Faria, sendo o secretário Garcia de Resende. Através dos seus representantes, D. Manuel enviou a Leão X presentes magníficos: pedrarias, tecidos e joias, bem como um cavalo persa, uma onça de caça e um elefante que executava diversas habilidades.Hanno, o elefante,  carregava um cofre com paramentos bordados com pedras preciosas e moedas cunhadas para a ocasião. Foi recebido pelo Papa no Castelo de São Ângelo. Ajoelhou-se três vezes perante o pontífice, e aspergiu água sobre os cardeais e a multidão.A embaixada fez sensação na corte pontificial, tanto pela sumptuosidade dos trajos e riqueza dos presentes, como pelo exotismo do séquito que passava pelas ruas de Roma a 12 de Março de 1514, dia em que foi recebida por vários embaixadores. O papa recebeu-a a 20 de Março, tendo sido mais tarde discutidas as questões apresentadas pelo monarca português. Apesar de os chamados "pontos gerais" não terem sido atendidos, aqueles que interessavam mais a D. Manuel foram considerados e satisfeitos, sendo a sua obra na propagação da católica largamente recompensada através de diversas bulas e breves que se sucederam após o envio da embaixada.Esta iniciativa diplomática atingiu, assim, os principais objetivos que o monarca lhe tinha estabelecido. Afirmou de forma clara o seu poderio, vendo D. Manuel reconhecido o papel de Portugal na descoberta e conquista de novos territórios e a sua soberania sobre eles.

Embaixada de D. Manuel ao Papa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

wikipedia (Imagens)
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Hanno e o seu mahout. Caneta e tinta, Museu das Belas-Artes de Angers
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Papa Leão X

12 de Março de 1930: Mahatma Gandhi inicia a Marcha do Sal

Também conhecida pelo nome de Satyagraha, a Marcha do Sal foi um movimento com o objectivo de impedir a proibição da actividade de extracção do sal na Índia, que era uma colónia inglesa. Com a medida, uma proibição dos britânicos, Mahatma Gandhi iniciou uma caminhada que começou no mosteiro Sabarmati Ashram e terminou em Dandi, pequena aldeia em que o líder revolucionário pegou num punhado de sal como gesto simbólico. Mesmo após a prisão de Gandhi, o movimento continuou até Bombaim.

Na realização deste manifesto, Gandhi foi acompanhado por um bom número de seguidores, porém,  não incitou nenhum deles a acompanhá-lo, o que impediu uma reacção instantânea das autoridades britânicas. A Marcha do Sal foi iniciada no dia 12 do mês de Março de 1930 e terminou no dia 6 de Abril do referido ano.


Para descanso e alimentação, o grupo parava nas cidades em que passava, o que apenas aumentava o número de seguidores da Marcha. O principal motivo do protesto foi uma imposição da Inglaterra  que tinha o monopólio sobre a distribuição do sal. O monopólio obrigava  todos os consumidores indianos, entre eles os mais pobres, a pagar um imposto sobre o sal e instituía a proibição de eles mesmos recolherem sal e criarem salinas.

No último dia da manifestação, 6 de Abril, os participantes realizaram o ritual sagrado do banho hindu. Depois, Mahatma Gandhi caminhou até à beira do mar e apanhou um punhado de sal. Então, mecanicamente, os seus milhares de seguidores fizeram o mesmo movimento.

Como resultado do protesto, mais de cinquenta mil manifestantes foram presos pelas autoridades britânicas, inclusive o líder Gandhi.
Após prenderem Mahatma Gandhi e muitos adeptos da Marcha do Sal, os britânicos achavam que a manifestação iria cessar. Entretanto, os manifestantes continuaram a caminhada, desta vez, indo rumo à região norte, onde se localiza Bombaim. Em acto silencioso, o grupo aproximou-se de depósitos de sal que estavam protegidos por cerca de quatrocentos polícias. Quando chegaram mais perto do produto, as autoridades policiais  investiram contra eles com cassetetes. Por fim, o vice-rei  da Índia acabaria por reconhecer a sua impotência em impor a obediência à lei britânica. Cedendo às pressões do Mahatma, liberta todos os prisioneiros e  vê-se obrigado a conceder aos indianos o direito de eles mesmos recolherem o sal.


Fontes: infoescola
wikipedia (imagens)

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Gandhi durante a Marcha do Sal

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Gandhi apanha um punhado de sal no final da sua marcha