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domingo, 22 de maio de 2016

22 de Maio de 1998: Inauguração da Expo 98

A Exposição Mundial de Lisboa de 1998 decorreu na zona oriental da cidade, junto ao rio Tejo, entre 22 de maio de 1998 e 30 de setembro de 1998.
A última exposição do século XX, como foi publicitada, assinalou o 500.º aniversário da descoberta do Caminho Marítimo para a Índia e, através disso, pretendeu debater as perspetivas do futuro da Humanidade, integrando os vários aspetos éticos e tecnológicos. «Os Oceanos, Um Património para o Futuro», foi o tema, ao mesmo tempo português, universal e urgente. Símbolo da comunicação entre os povos e da interdependência destes com o meio natural, o Oceano é visto como um património físico e cultural a valorizar, ao mesmo tempo que está estreitamente ligado à reflexão sobre o equilíbrio do planeta que vamos legar às gerações futuras. As problemáticas propostas - o Conhecimento dos Mares e dos Recursos dos Oceanos, o Equilíbrio do Planeta, os Oceanos como fonte de inspiração e de lazer - foram interpretadas pelos vários pavilhões temáticos.

O Pavilhão dos Oceanos (Oceanário), concebido pelo arquiteto americano Peter Chermayeff, foi provavelmente o pavilhão mais ambicioso, em que a coabitação de diferentes sistemas ecológicos marinhos foi possível graças às tecnologias mais avançadas.
O Pavilhão de Portugal, projeto da autoria do arquiteto Siza Vieira, pretendeu realçar a ligação do homem com o mar em todas as épocas, a partir de personagens e referências portuguesas, alternando-as com as de outros povos e culturas.
O Pavilhão do Conhecimento dos Mares, organizado como um navio, foi concebido pelo arquiteto Carrilho da Graça e o projeto de interiores foi dos arquitetos Nuno Mateus e José Mateus. Este Pavilhão pretendeu analisar a evolução da relação do Homem com o Oceano, combinando várias técnicas expositivas: o didatismo, o humor e o espetáculo.

O Pavilhão da Realidade Virtual propôs uma visita às ruínas de uma fantástica cidade subaquática habitada, milhares de anos, por criaturas de uma civilização desconhecida, Oceânia, através de uma completa imersão num mundo virtual. Este pavilhão patrocinado pela Portugal/Telecom é um projeto que pretende ficar integrado nas diversões da zona do Oceanário.

O Pavilhão da Utopia recriou o mar como espaço da imaginação e da fantasia, região de mitos e de lendas. O espetáculo Oceanos & Utopias utilizou efeitos teatrais de tipo clássico e moderno em ligação com as tecnologias multimédia atuais. Através de 10 quadros os visitantes puderam assistir à eclosão do Big Bang, à formação do Oceano, às grandes conquistas, à Atlântida. Este Pavilhão foi projetado para, depois da EXPO'98, se tornar um centro onde decorrerão grandes espetáculos culturais, recreativos e desportivos, com capacidade máxima para 15 000 espectadores.

Finalmente, o Pavilhão do Futuro, ao pretender modificar a perceção e o comportamento do visitante perante o Oceano, demonstrando que a sua conservação é da nossa responsabilidade comum, encerra o discurso temático da EXPO'98.
O projeto do edifício do pavilhão esteve a cargo de Paula Santos, Rui Ramos e Miguel Guedes e o projeto da exposição foi concebido por Baixa, Atelier de Arquitetura, da responsabilidade de Pedro Ravara, e por Nuno Vidigal.

Estiveram presentes na Exposição cerca de 150 países, distribuídos por duas zonas internacionais. Na Área Internacional Norte ficaram instalados cerca de 60 países, nomeadamente os da União Europeia. Esta área constituirá a nova Feira Internacional de Lisboa, após a Exposição. Na Área Internacional Sul ficaram instalados os restantes países.

Fazendo a contagem decrescente até ao dia 21 de maio, o Festival dos Cem Dias, tendo por sede o Centro Cultural de Belém, concentrou-se na produção artística e cultural do século, através de espetáculos de música, de dança, de teatro e de cinema.

Paralelamente, a atividade editorial da EXPO'98 concentrou-se nas publicações diretamente relacionadas com a Exposição, como os catálogos dos Pavilhões Temáticos, o Guia Oficial e o Guia Juvenil. Promoveu igualmente a edição de outras obras, das quais se salientam a coleção «98 Mares», que constou de 98 livros de autores de vários lugares e épocas, entre os quais alguns inéditos de Sophia de Mello Breyner, José Cardoso Pires, Mia Couto, Mário Cláudio e a coleção «Exposições Universais».
Esta exposição determinou ainda a criação de infraestruturas como a Ponte Vasco da Gama, que liga Loures ao Montijo, e a Estação do Oriente, que passa a funcionar como local de convergência de terminais ferroviários e rodoviários e do metropolitano. O projeto da estação foi da autoria do arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava.
EXPO'98. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia(Imagens)
Mascote da Expo 98 -Gil
Ficheiro:Parque das Nações - Lisboa (Portugal).jpg

 
Pormenor da zona norte da EXPO'98, em especial a Torre e a Ponte Vasco da GamaFicheiro:Lisbonne Expo98 02.jpg




terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Exposição de Amadeo Souza-Cardoso no Grand Palais marca 50 anos da Gulbenkian em Paris

O Grand Palais, em Paris, vai expor a retrospectiva da obra de Amadeo de Souza-Cardoso, de 30 de Março a 11 de Julho de 2016, no âmbito do programa de comemoração dos 50 anos da Fundação Gulbenkian na capital francesa.
“Há muitos anos que havia a intenção de fazer uma grande exposição de Amadeo de Souza-Cardoso em Paris. Tendo ele vivido em Paris, tendo Paris dado um contributo inestimável para a sua obra, naturalmente uma grande exposição aqui, num sítio emblemático, seria realmente necessária”, disse à Lusa João Caraça, o director da delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian.

Comissariada por Helena de Freitas, a maior exposição em França de Amadeo de Souza-Cardoso – que viveu em Paris de 1906 a 1914 – pretende dar “a descobrir” aos franceses o artista que já tinha sido considerado “o segredo mais bem escondido da cultura portuguesa”, acrescentou João Caraça.
“É um grande momento da cultura portuguesa e um grande momento da aproximação entre Portugal e França e as suas comunidades, tomando como pretexto um grande artista – talvez o maior pintor português do século XX”, acrescentou João Caraça.
Num programa que se vai estender por ano e meio de actividades, o cinquentenário da Fundação Gulbenkian de Paris vai contar também com uma mostra sobre o último meio século da arquitectura portuguesa, a apresentar entre Abril e Julho de 2016, na Cité de l’Architecture et du Patrimoine, no edifício junto à Torre Eiffel que durante décadas acolheu a Cinemateca Francesa.
Os dois prémios Pritzker portugueses, Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura, mas também Pancho Guedes, os irmãos Aires Mateus, Gonçalo Byrne, Ruy Athouguia, Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira, entre outros, vão estar representados nesta exposição, que será comissariada pelo arquitecto e professor Nuno Grande. “A Gulbenkian pediu-me um retrato dos últimos 50 anos da arquitectura portuguesa, a partir de 1965, ano da inauguração do Centro em Paris. Como foi também o ano da morte de Le Corbusier, achei que era importante mostrar como a arquitectura portuguesa já estava, nessa altura, a reequacionar o modernismo”, diz ao PÚBLICO Nuno Grande, citando o trabalho então desenvolvido por Fernando Távora, logo seguido por Álvaro Siza.
A exposição terá como título Os Universalistas, ideia que o comissário tomou de empréstimo a uma frase de Miguel Torga – “O universal é o local sem paredes” – para expressar que o universalismo português, na arquitectura como noutras artes, é uma forma de diálogo e de atenção ao que acontece noutros lugares do mundo.
O programa do cinquentenário teve início já a 30 de Janeiro, com a exposição Pliure. Prologue (La part du feu)Dobra. Prólogo (A parte do fogo) –, na Gulbenkian de Paris, que reúne cerca de 40 obras de sete séculos em torno da relação entre o livro e a arte.
O programa vai continuar, de 5 de Maio a 25 de Julho deste ano, com a exposição Modernités: Photographies brésiliennes 1940-1964, um panorama de quatro nomes representativos do nascimento da fotografia moderna no Brasil – Marcel Gautherot, José Medeiros, Thomaz Farkas e Hans Günter Flieg –, numa mostra que, antes, vai passar pela Gulbenkian em Lisboa, entre Fevereiro a Abril.
A Sul de Hoje. La Création Contemporaine au Portugal é a mostra que se segue em Paris, entre 16 de Setembro e 13 de Dezembro, “um momento para chamar a atenção para aquilo que se faz de mais recente em Portugal”, disse ainda à Lusa o director da delegação francesa da Gulbenkian.
Comissariada por Miguel von Hafe Perez, esta exposição vai mostrar como a arte portuguesa do último meio século conseguiu “articular a sua circulação internacional de uma forma mais positiva e estruturada que as gerações anteriores e fazendo prova de um sentido crítico perante a modernidade”, lê-se no programa do cinquentenário.
Em 2016, além da retrospectiva de Amadeo de Souza-Cardoso e da mostra sobre a arquitectura portuguesa, a Gulbenkian vai expor também em Paris Julião Sarmento (27 de Janeiro a 17 de Abril), “um dos grandes artistas portugueses contemporâneos”, e cuja obra está já representada em grandes museus mundiais, como o Centro Pompidou (Paris), a Tate (Londres), ou o MoMA (Nova Iorque).
Além das exposições, a fundação vai acolher diversos debates e encontros, com destaque para a reunião de vencedores do Prémio Camões (18 e 19 de Junho deste ano) e uma conferência sobre as artes da língua portuguesa (21 e 22 de Outubro).
No capítulo das edições, assinalem-se a publicação de um volume com ensaios de Eduardo Lourenço e de um estudo do historiador Rui Ramos sobre o Centro Gulbenkian de Paris.
Em parceria com a revista literária francesa Books, a Gulbenkian vai passar a atribuir um prémio bienal para a melhor tradução em francês de uma obra escrita em língua portuguesa e uma bolsa a um curador para desenvolver projectos expositivos.
A delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian foi inaugurada a 3 de Maio de 1965, na presença do escritor e ministro André Malraux, no palacete que fora residência do empresário e coleccionador de arte Calouste Sarkis Gulbenkian, perto do Arco do Triunfo. No final de 2011, o centro mudou-se para o n.º 39 do Boulevard de la Tour Maubourg, na margem sul do Sena, junto ao palácio Invalides.
Fonte: Público
Avant la Corrida (1912), quadro de Amadeo de Souza-Cardoso da Colecção Gulbenkian
 

sábado, 31 de janeiro de 2015

Exposição: A varina como cartão-postal da cidade de Lisboa


Como é que uma mulher trabalhadora, da classe mais baixa, se transforma em ícone de uma cidade? Exposição no Museu de Lisboa - Palácio Pimenta conta a história da varina de Lisboa.
Ò freguesa, é fresquinha a a minha sardinha. Carapau lindo, pescada fina! A voz da varina entoava pelas ruas de Lisboa anunciando o peixe do dia. Os seus pregões remontam ao final do século XIX, quando as mulheres vindas da região de Ovar (Aveiro) chegaram à capital, instalando-se sobretudo na zona da Madragoa e trabalhando, com os maridos, em tarefas várias ligadas à pesca e à lota. Com as suas roupas coloridas, o seu jeito desbragado, os pés descalços, as canastras equilibradas na cabeça, o corpo num gingar único, rapidamente a varina se tornou uma das figuras típicas de Lisboa.
"Como é que uma mulher trabalhadora se transformou no ícone de uma cidade?", esta foi a pergunta que, segundo António Miranda, coordenador do Palácio Pimenta, esteve na origem da exposição Varinas de Lisboa. Memórias da Cidade.

 Fonte: DN
A varina num desenho de João Abel Manta
A varina num desenho de João Abel Manta
A varina num desenho de João Abel Manta

sábado, 19 de julho de 2014

Exposição "Máquinas de Tortura", a partir de hoje na Alfândega do Porto

A Alfândega do Porto acolhe uma exposição que já passou por mais de 10 países e ultrapassou o milhão de visitantes. "Máquinas de Tortura" relata o período da Inquisição, com mais de 50 peças originais, restaurações e réplicas de instrumentos de tortura utilizados entre os séculos XIII e XVII.
O objectivo da exposição é passar ao público, como memória histórica, a extensão da crueldade institucionalizada e consciencializar contra a tortura e a favor da liberdade de pensamento.

Horários:
Segunda a sexta-feira: 10h às 18h
Sábado, domingo e feriados: 10h às 20h
Edifício Alfândega do Porto 
Rua Nova Alfândega
 alfandega

segunda-feira, 23 de junho de 2014

23 de Junho de 1940: Inauguração da Exposição do Mundo Português

A Exposição do Mundo Português merece ser considerada uma das grandes iniciativas político-culturais do Estado Novo, em razão dos meios empregues e do significado ideológico que lhe estava subjacente. Decorreu em 1940, no contexto de uma dupla comemoração: oito séculos depois de 1140, data entendida como a da independência nacional, e três séculos passados sobre a Restauração.
Nesse período de comemorações e de grande atividade cultural realizou-se, por exemplo, o restauro de monumentos nacionais, a exposição dos "Primitivos Portugueses" e a reabertura do Teatro S. Carlos. Mas, do vasto programa de realizações culturais de 1940 destacava-se este evento.
A opção estética adotada nas comemorações provocou violentas críticas por parte dos artistas académicos, que se sentiram negligenciados, liderados pelo Coronel Arnaldo Ressano Garcia, caricaturista e presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA). Este proferiu duas conferências na SNBA, a 19 e 20 de abril de 1939, onde atacou os modernistas, recorrendo ao exemplo de Hitler, que, segundo dizia, "varreu os museus de todas as imundices artísticas" ao contrário de Mussolini, muito citado por António Ferro, que na sua opinião se revelara um fracasso no plano artístico. Neste confronto quem ficou a perder foi Arnaldo Ressano Garcia e com ele os académicos, definitivamente afastados da ribalta cultural de então. Nesta era de grandiosas comemorações de datas importantes na história nacional, usadas como eficaz propaganda do regime, foi instalada no Terreiro de Belém a Exposição do Mundo Português, que tinha como presidente da Comissão Executiva Júlio Dantas. Entre os outros nomes em destaque encontravam-se António Ferro (responsável pela parte secretarial da Comissão Executiva) e Cottinelli Telmo.
A Exposição teve lugar na zona lisboeta de Belém, junto ao Rio Tejo. O certame era composto por secções de História, Etnografia e do Mundo Colonial. Entre os inúmeros pavilhões destacavam-se os seguintes: da Honra e de Lisboa (Cristino da Silva), da Fundação, Formação e Conquista, da Independência, dos Descobrimentos (Pardal Monteiro), da Colonização, dos Portugueses no Mundo (Cottinelli Telmo) e ligada a este o pavilhão de Portugal de 1940 dirigido por António Ferro; de Etnografia Metropolitana com a Reconstrução das Aldeias Portuguesas (Segurado), da Vida Popular (Veloso Reis), o colonial com a reprodução da vida ultramarina e o Pavilhão do Brasil do teorizador da Casa Portuguesa (Raul Lino), que parecia refletir o "glorioso prolongamento da nossa civilização atlântica". Do conjunto surgia a imagem de Portugal como cabeça de um majestoso império e dono de um passado de glórias invulgares. Junto da Torre de Belém foi montada uma caravela, da responsabilidade de Leitão de Barros e Martins Barata, e o "Padrão dos Descobrimentos" que, de uma forma simbólica encerravam a exposição. A direção e planificação dos trabalhos foi entregue a Cottinelli Telmo (1897-1948), um artista multifacetado, conhecido, sobretudo, pela sua obra arquitetónica. Nesta grandiosa realização cosmopolita trabalhou a maioria dos artistas modernistas (12 arquitetos, 19 escultores e 43 pintores), com a exceção de Soares, Eloy, Cassiano Branco e Keil do Amaral, numa época em que Portugal parecia alheado do resto da Europa a viver o horror da guerra. Aliás, esse era um dos objetivos do evento: demonstrar a eficácia governativa do regime, capaz de manter Portugal longe dos problemas mundiais devastadores, numa aparente atmosfera de progresso e de prosperidade.
Em paralelo com a Exposição, fez-se um Congresso do Mundo Português, que contou com a participação de centenas de historiadores. Com a Exposição coincidiu ainda a efetivação de um ambicioso plano de obras públicas, com o arranque de muitos projetos, especialmente em Lisboa e arredores, e a inauguração de outros, como o Estádio Nacional.

Exposição do Mundo Português. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
wikipedia (Imagens)

Exposição do Mundo Português. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
wikipedia (Imagens)




Ficheiro:Exposicaomundoportugues1940.jpg
Capa do Guia Oficial da Exposição