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sexta-feira, 15 de março de 2019

15 de Março de 1147: D. Afonso Henriques conquista Santarém aos Mouros

A conquista de Santarém era uma pretensão antiga de D. Afonso Henriques. A importância da vila, a fertilidade dos seus campos, e os danos que os Mouros faziam a partir dali às nossas terras vizinhas despertavam cada vez mais mais os seus desejos.Porém, a dificuldade da Missão, quer pela força do lugar, quer pela abundância de pessoas e mantimentos, faziam-no adiar tal empreendimento.

A sua grande vontade e determinação não lhe permitiram contudo esperar muito mais tempo, e no inicio do ano de 1147, resolveu avançar ! Percebendo que seria infrutifero o esforço de cercar um lugar tão forte como aquele, resolveu planear um ataque de surpresa durante a noite.

Para tal ordenou a Mem Moniz, filho de Egas Moniz, cavaleiro esforçado e prudente, digno de confiança ( a Monarquia Lusitana chamava-o Mem Ramires) que fosse a Santarém e, com o pretexto de tratar de assuntos de paz com o alcaide, com quem existiam tréguas, visse e examinasse a forma e lugar mais vulnerável a um ataque.
Mem Moniz desempenhou bem a sua Missão e, regressando a Coimbra, onde se encontrava El Rei e o seu exército, lhe confidenciou todos os detalhes, facilitando a execução do plano, e voluntariou-se para ser o primeiro a atravessar as muralhas da vila com o seu estandarte.

O rei ficou satisfeitissimo com as informações e, reconhecendo a importância de manter o sigilo nada comunicou ao Conselho, mas num passeio vespertino ao longo do Mondego abordou isoladamente os seguidores de Lourenço Viegas, Dom Gonçalo de Sousa e Pero Paes, seu alferes, e colocou-os a par das suas intenções de tomar Santarém de surpresa, recomendando-lhes segredo sob pena de morte.
  

A VIAGEM

Logo depois, El Rei iniciou a execução do plano seleccionando 250 cavaleiros, todos experientes e cujo valor era reconhecido, e providenciou os mantimentos necessários. Partiu de Coimbra a uma segunda-feira de Março por caminhos pouco usados, para que nem os seus, e muito menos os mouros pudessem perceber o seu destino.

Na primeira noite acamparam em Alfafar e, na segunda em Codornellas. Daqui enviou um emissor a Santarém informar o alcaide do fim das Tréguas. Naquele tempo era normal quebrar a trégua acordada, desde que o fim fosse declarado com 3 dias de aviso.

O Cavaleiro cumpriu diligentemente a sua tarefa pelo que, na quarta-feira à noite já havia regressado ao acampamento. No dia seguinte, de madrugada partiram para a Serra de Albardos, onde chegaram ainda cedo ...

Conta-se que neste lugar, o Rei prometeu que se Deus lhe concedesse o exito na conquista de Santarém , ele edificaria um grande templo e mosteiro para os religiosos da congregação do seu servo Bernardo, abade de Claraval, e lhe daria todas aquelas terras dali até ao mar. O que depois cumpriu construindo o majestoso convento de Alcobaça e dando-lhe grande extensão de terras com muitas vilas e lugares.

O Rei esperou até à noite de quinta-feira na Serra de Albardos, saindo para a mata de Pernes onde chegou ainda antes do nascer do sol. Neste lugar, já perto de Santarém, o Rei comunicou as suas intenções ao seu exército, salientando a honra e a importancia da Missão. Recordou-lhes a recente vitória nos campos de Ourique contra cinco reis Mouros, e assegurou-lhes que o triunfo era inevitável, pois se tinham vencido contra tão forte e poderoso exército, nenhum outro lhes conseguiria resistir.

Elogiou-lhes a vontade de avançar de imediato para a batalha, que os seus rostos deixavam transparecer, e pediu-lhes que entre eles separassem 120 homens, e que fizessem 10 escadas, uma para cada 12 homens, para que quando subissem aos muros, 10 soldados ocupassem de imediato o topo e, dessa forma, facilmente aguentassem o combate até dar tempo aos restantes para entrar. Pediu ainda que os primeiros a subir levantassem logo o estandarte real, para motivar os companheiros que o avistassem e levar o desanimo aos inimigos e, porque era de esperar que os Mouros estivessem desprevenidos e desarmados, que os matassem a todos pela espada sem perdão.

Os cavaleiros escutaram com atenção e júbilo as palavras do Rei e todos manifestaram o desejo de participar e de serem os primeiros a atacar, mas quando perceberam que o Rei participaria ao seu lado, assustados pelo perigo a que ele se arriscava, logo tentaram dissuadi-lo dizendo-lhe que, se fossem eles os derrotados, nem os inimigos ganhariam tanta honra nem o reino se perderia, mas que se ele se arriscasse tudo se poderia perder ...

O rei respondeu que nunca e em circunstância alguma ele abandonaria os seus, e que onde fossem Portugueses arriscar as suas vidas em nome de Deus e da Pátria não poderia o seu Rei ficar atrás!

Animados desta forma, logo que escureceu a noite de sexta-feira, mandou el rei montar a Cavalo e partiram para Santarém em silêncio.



O ATAQUE

Próximo da vila meteram-se por um vale, tão perto dos muros, que podiam escutar os vigias Mouros, quando uns despertavam outros. Aqui permaneceram algum tempo, com os cavalos seguros pela rédea, aguardando o melhor momento para o ataque. Deixando os pagens com os cavalos no vale, partiu o Rei com os seus guerreiros pela fonte de Atamarma. Na dianteira seguia Mendo Moniz, que melhor conhecia o terreno, e logo depois el-rei com o resto da gente. Chegando à parte da muralha menos vigiada, por onde pretendiam escalar, ouviram falar dois mouros na mudança de turno acordando os vigias anteriores. Assim, tiveram de adiar o ataque, esconderam-se nos campos de trigo aguardando que os vigias adormecessem novamente.

Passado pouco tempo, D. Mendo com os seus colocaram a primeira escada. Tiveram, contudo, novo precalço, deta vez mais perigoso, quando não podendo segurar a escada, que estava apoiada apenas por uma ponta de uma lança, viram-na resvalar pelo muro até cair com grande estrondo no telhado de uma olaria. D. Mendo ficou aflito mas, percebendo que os Mouros não reagiam, apressou-se a colocar um mancebo de grande altura sobre os seus ombros, para que segurasse a escada nas ameias da muralha, o que permitiu a primeira subida e o fixar da bandeira real. Mas, ainda não tinha subido o terceiro homem, quando um vigia acordou e perguntou quem eles eram. D. Mendo respondeu então, em arábico, que era a ronda e aproximou-se até lhe cortar a cabeça, que lançou muro abaixo para animar os outros.

Outro vigia, porém começou a gritar: "Cristãos, Cristãos, traição!" o que alertou os outros Mouros da ronda que logo surgiram envolvendo-se com dez dos nossos que já estavam em cima do muro, num confronto de espadas. O barulho dos golpes e a confusão das vozes era tal que nada se conseguia perceber, enquanto el rei do fundo gritava:" Animo, meus soldados, aqui está el rei D. Afonso: acabai com todos esses infieis"

Para facilitar a entrada e auxiliar os seus guerreiros que já combatiam, o rei dividiu a sua gente em dois grupos. No primeiro, ordenou a Gonçalo Gonçalves para ir pela esquerda, de forma a que ocupassem rapidamente o caminho do Serecigo e impedissem os inimigos de se apoderarem primeiro da porta de Atamarma, o que bloquearia a entrada dos nossos e deixaria isolados os que tinham escalado os muros. O outro grupo, comandado pelo Rei, apressou-se pela direita a controlar Alfam.

Ambos obtiveram êxito com mais facilidade do que seria de esperar, e os nossos que levavam escadas para subir aos muros acabaram por entrar sem dificuldade pelas portas, pelo que só foram utilizadas duas das dez escadas.O esforçado Mendo Moniz e seus companheiros, num total de apenas 25, que haviam usado as duas escadas para subir aos muros conseguiam suster os Mouros e encaminharam-se para a praça, onde enquanto uns combatiam outros tentavam quebrar as fechaduras e ferrolhos das portas, o que acabaram por conseguir com um Machado lançado por um dos nossos do lado de fora dos muros, permitindo desta forma a entrada de el-rei e dos que o acompanhavam.

Os Mouros acorreram a todas as portas lutando e defendendo-se com todas as forças que tinham, colocando por vezes em duvida a nossa vitória. Os nossos também tiveram de usar de todas as suas forças e de todo o seu valor, para vencer a oposição dos Mouros, mas eram Portugueses os que ali estavam e com eles estava D. Afonso Henriques. Finalmente, os Mouros que restavam refugiaram-se no Alfam mas foram logo encontrados e tiveram de se render ...

Nesta altura, entre os Mouros existia apenas confusão e espanto em toda a parte, vendo os seus inimigos ocuparem a vila já vencedores: as trevas da noite, os lamentos e prantos das mulheres, os gritos dos fugitivos, o horror da morte, tudo aumentava a perturbação e a desordem. A resistencia tinha cessado, todos os que escaparam à morte estavam presos, e os despojos da vila foram abundantes.

O Alcaide conseguiu escapar-se e, juntamente com outros três cavaleiros, seguiu para Sevilha lamentando-se da perda da sua gente e do lugar.

Assim foi conquistada Santarém no ano de 1147 num sábado de madrugada, sendo esta expedição um dos mais assinalados feitos militares até então, pois com apenas 250 soldados, el rei D. Afonso Henriques conquistou um lugar fortissimo por natureza e arte e defendida por um exército numeroso e experiente na guerra.
 Fontes: http://www.origens.pt/explorar/index.php?id=47455
 santaremportugal.blogspot.pt




sexta-feira, 8 de março de 2019

08 de Março de 1808: Desembarque da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro

A Corte Portuguesa permaneceu no Brasil de 1808 a 1821. A entrada das tropas napoleónicas em Portugal, a 27 de  Novembro de 1807 levavam à saída do regente, D. João VI, sua mãe, a rainha D. Maria I, os seus familiares e cortesãos para o Brasil. Eram cerca de 15 000 pessoas as que se acomodaram em 34 embarcações de diversos calados e mais uma para os mantimentos. A Corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro a 8 de  Março de 1808 e dois meses mais tarde, o governo instala-se nessa cidade, que no começo do século XIX tinha uma população de cerca de 60 000 habitantes, dos quais 40 000 eram negros. Segundo testemunhos da época, a cidade impressionava pela sua beleza natural mas a falta de infraestruturas urbanísticas básicas, como fossas sépticas, tornavam a vida no mínimo difícil. O regente, a rainha e os seus familiares ficaram instalados na residência do Governador, na Quinta da Boa-Vista, que tinha sido erguida a meio do século XVIII pelo Conde de Bobadela. No Convento do Carmo e na Cadeia Velha foram instalados os criados. Os demais cortesãos ficaram instalados nas melhores casas da cidade requisitadas para o efeito. As hostilidades mais ou menos veladas estalaram de imediato entre os recém-chegados, entre os quais se contava a fina-flor da aristocracia portuguesa e os residentes. Os primeiros tinham deixado tudo para trás,  excepto a roupa que vestiam na altura da fuga, mas cheios de pergaminhos desprezavam os portugueses residentes, como os senhores de engenho, os mercadores e profissionais liberais. Os portugueses residentes no Brasil possuíam grandes fortunas feitas às custas da colónia, mas faltava-lhes os títulos e as distinções para adquirirem o prestígio social que tanto almejavam. Com a chegada do rei ao Brasil estavam decididos a comprar as mercês, comendas e títulos que as suas fortunas permitiam. D. João VI não se fazia rogado a estas pretensões, pois a concessão de benesses a troco de dinheiro representava a principal fonte de rendimento para custear as avultadas despesas da família real  respectiva corte. A vida social era pouco animada: os jantares, bailes ou reuniões eram raros em casa dos particulares e o primeiro teatro do Rio de Janeiro foi inaugurado em 1813 com o nome de Teatro São João. O período mais faustoso decorreu entre os anos de 1817 a 1818, primeiro com a chegada da noiva do príncipe herdeiro D. Pedro, a princesa Leopoldina, filha do imperador austro-húngaro, e em maio de 1818 por ocasião do aniversário e coroação de D. João VI.
A estadia da Corte no Brasil permitiu melhoramentos que iriam lançar as fundações do futuro país. Entre estes conta-se a criação da Imprensa Nacional, a Fábrica da Pólvora e o Banco do Brasil para financiar novas iniciativas. Do ponto de vista político, as  acções de maiores repercussões para o Brasil, são a anexação da Guiana Francesa, devolvida à França em 1817 e o território da margem oriental do Rio Uruguai, que passou a ser a província Cisplatina. O fim deste conflito foi alcançado a 27 de agosto de 1828, pelo Tratado do Rio de Janeiro assinado entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata. Deste acordo resultou o nascimento da República Oriental do Uruguai. A elevação do Brasil à categoria de reino foi outra das consequências da permanência da corte em terras brasileiras. Para que Portugal tivesse uma representação nas negociações do Congresso de Viena, realizado na sequência do fim do domínio napoleónico na Europa, o Brasil foi elevado à condição de reino com a designação de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a 16 de  Dezembro de 1815. A estadia de D. João VI no Rio de Janeiro permitiu a reorganização político-jurídica do país mas contribuiu também para uma convivência mais positiva entre a nobreza migrada e as elites da terra. Estes dois grupos viriam a alicerçar a sociedade do Brasil imperial. A 16 de  Abril de 1821, D. João VI embarca para Portugal na sequência dos desenvolvimentos das lutas liberais. O seu filho, D. Pedro de Alcântara fica como príncipe-regente. Estava aberto o caminho para a separação do Brasil de Portugal. Em  Janeiro de 1822, D. Pedro declara ficar no Brasil e não regressar a Portugal.
Corte Portuguesa no Brasil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
www.museuhistoriconacional.com.br
wikipedia (Imagens)
Ficheiro:Príncipe Regente de Portugal e toda a Família Real embarcando para Brasil no cais de Belém.jpg
Embarque da família real portuguesa no cais de Belém, em  1807
Ficheiro:Autor não identificado - Embarque da Família Real Portuguesa.jpg
Embarque da Família Real Portuguesa - Autor desconhecido


Vista do Largo do Carmo no centro do Rio, poucos anos depois da chegada da corte
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Retrato de D. João VI e D. Carlota - Manuel Dias de Oliveira

Ficheiro:DomJoao6 CarlotaJoaquina.jpg

quarta-feira, 6 de março de 2019

06 de Março de 1480: Ratificação do Tratado de Alcáçovas - Toledo

São assim designados dois tratados assinados por portugueses e castelhanos relativamente a questões dinásticas, fronteiriças e de relações entre Estados e populações, e principalmente de navegação e direitos de comércio e domínio nas terras descobertas e por descobrir no Atlântico. Se o primeiro tratado foi meramente preliminar, o segundo impôs os direitos portugueses na Guiné e a sua doutrina do mare clausum.
Dado o alcance crescente das viagens de exploração atlântica dos Portugueses no século XV, logo os monarcas procuraram salvaguardar os interesses do Infante D. Henrique e os da própria Coroa. Para além de o Infante poder autorizar viagens a sul do Cabo Bojador e mediante o pagamento de uma percentagem dos lucros obtidos, também a mesma Coroa, escudada por acordos diplomáticos e pela protecção da Santa Sé, impunha o monopólio e exclusividade de navegação e comércio no Atlântico a sul da Madeira. Evangelização, guerra contra a mourama e autoria da descoberta eram os argumentos dirimidos por Portugal para justificar internacionalmente esse monopólio. Uma significativa produção de bulas pela Santa entre 1416 e 1456 suportará internacionalmente o mare clausum português, pelo qual o País detinha direitos exclusivos de navegação, comércio e propriedade nos mares e terras descobertas e por descobrir. A intromissão de D. Afonso V na luta pela sucessão da coroa castelhana, na década de 70 do século XV e as lutas subsequentes serão o clímax também dos desafios e negações que os castelhanos desde sempre fizeram à pretensão portuguesa do mare clausum, visto que não raras vezes tiveram conflitos com Portugal a nível internacional contestando esse objectivo nacional como também várias surtidas e expedições de fidalgos castelhanos e andaluzes às Canárias puseram em causa a lusitanidade atlântica. Com a guerra que se iniciou em 1474, na Península como também na costa africana e nas Canárias, os Castelhanos encontrarão um estímulo para empreenderem uma política expansionista concorrencial à dos Portugueses, que será mesmo um dos estandartes dos Reis Católicos e da nova Espanha unificada. D. Afonso V vira frustradas as suas pretensões ao trono de Castela, mas o príncipe D. João, seu filho e futuro rei D. João II, não deixará de lutar determinadamente contra a concorrência castelhana, embora com uma posição enfraquecida pela derrota militar de seu pai e pela crise económica do reino, pelo que terá que optar pela via negocial e diplomática para manter vivas as pretensões ultramarinas portuguesas.Assim, em 1479, em Alcáçovas, depois de várias consultas diplomáticas, celebrar-se-ão dois tratados entre D. Afonso V e seu filho D. João e Isabel de Castela e Fernando de Aragão, futuros Reis Católicos. No primeiro tratado - mais um acordo preparatório, com encontro de embaixadores e formulação do texto do tratado a propor aos soberanos ulteriormente -, chamado também das "Terçarias de Moura", essencialmente pôs-se fim à guerra e à crise da sucessão dinástica castelhana (já definida no tratado de St. Jean de Luz, França, nesse ano de 1479) e definiu-se o casamento entre o neto de D. Afonso V, D. Afonso, filho do futuro D. João II, e D. Isabel, filha dos Reis Católicos. Depois, em Alcáçovas, a 4 de Setembro de 1479, num acordo ratificado depois em Toledo pelos Reis Católicos a 6 de Março de 1480, assinou-se o tratado de paz definitiva entre Portugal e Castela (Portugal ratificou a 8 de Setembro de 1480). Trata-se de uma actualização e recuperação das pazes de Almeirim celebradas entre os dois reinos a 7 de Janeiro de 1432. Introduziram-se novos itens a esse acordo, com trocas de cidades, fortalezas e prisioneiros, perdões, devoluções territoriais, cooperação contra a pirataria, desistência de indemnizações, etc. Mas os capítulos de maior importância são aqueles dedicados à questão ultramarina, da expansão ibérica. Pelo tratado de Alcáçovas, Portugal desistiu de qualquer pretensão às Canárias e à conquista do reino muçulmano de Granada, mas os futuros Reis Católicos reconheceram e atribuíram aos Portugueses, definitivamente, que além da Madeira e dos Açores, todas as terras a sul das Canárias (o "paralelo das Canárias"), o exclusivo da navegação e comércio. A conquista de Fez pertencia também a Portugal. Este tratado definiu assim, à luz da diplomacia e dos acordos internacionais sobre direitos de exploração e propriedade de territórios, o mare clausum português. Foi também importante pela sua originalidade, conferida precisamente pelos três capítulos relativos à expansão ultramarina ibérica. Nunca fora redigido assim nenhum acordo internacional e teve que se esperar por Tordesilhas (1494), este mais difícil, para se assistir a uma nova partilha do mundo, também entre as duas potências ibéricas, Portugal e a recém-unificada Espanha. Mas em Alcáçovas os ritmos expansionistas e a vontade política eram diferentes, pois nessa altura, se por um lado Portugal tinha objectivos e imperativos bem definidos - a curto mas também a médio e longo prazo, visando a Índia e acima de tudo lucros calculados e previstos em África -, Castela movia-se ainda por uma questão de orgulho nacional de posse de territórios no Atlântico, embora sem conhecimentos geográficos dos mesmos, uma política definida para a sua exploração ou um esforço prioritário e sistematizado de se implantar atlanticamente como Portugal. com a sua unificação com Aragão no reino de Espanha e depois com Tordesilhas é que desenhará uma nova política de expansão, mais consistente e definida do que em Alcáçovas. Daí as dificuldades de Tordesilhas, onde os Portugueses não conseguiram (quase) tudo o pretendiam como sucedeu em Alcáçovas, quando ainda eram mais experientes e conhecedores do mundo e desejosos de impor o seu mare clausum. Com a ratificação de Sisto IV a 21 de Junho de 1481 na bula Aeterni regis, o articulado disposto em Alcáçovas conheceu a legitimação internacional necessárias, bem como a imposição dos interesses e pretensões portugueses a nível europeu, principalmente com o exclusivo da navegação e trato nas "terras da Guiné". Estava aberto e salvaguardado o caminho para o sul e para outras paragens, mas estava também o "mar fechado" (em latim, mare clausum) a quantos o quisessem usurpar.
Tratados de Alcáçovas. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)


Tratado de Alcáçovas


Os signatários do Tratado
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D. Afonso V
D. João - Príncipe herdeiro
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Isabel I de Castela
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Fernando II de Aragão