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sexta-feira, 8 de março de 2019

08 de Março de 1808: Desembarque da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro

A Corte Portuguesa permaneceu no Brasil de 1808 a 1821. A entrada das tropas napoleónicas em Portugal, a 27 de  Novembro de 1807 levavam à saída do regente, D. João VI, sua mãe, a rainha D. Maria I, os seus familiares e cortesãos para o Brasil. Eram cerca de 15 000 pessoas as que se acomodaram em 34 embarcações de diversos calados e mais uma para os mantimentos. A Corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro a 8 de  Março de 1808 e dois meses mais tarde, o governo instala-se nessa cidade, que no começo do século XIX tinha uma população de cerca de 60 000 habitantes, dos quais 40 000 eram negros. Segundo testemunhos da época, a cidade impressionava pela sua beleza natural mas a falta de infraestruturas urbanísticas básicas, como fossas sépticas, tornavam a vida no mínimo difícil. O regente, a rainha e os seus familiares ficaram instalados na residência do Governador, na Quinta da Boa-Vista, que tinha sido erguida a meio do século XVIII pelo Conde de Bobadela. No Convento do Carmo e na Cadeia Velha foram instalados os criados. Os demais cortesãos ficaram instalados nas melhores casas da cidade requisitadas para o efeito. As hostilidades mais ou menos veladas estalaram de imediato entre os recém-chegados, entre os quais se contava a fina-flor da aristocracia portuguesa e os residentes. Os primeiros tinham deixado tudo para trás,  excepto a roupa que vestiam na altura da fuga, mas cheios de pergaminhos desprezavam os portugueses residentes, como os senhores de engenho, os mercadores e profissionais liberais. Os portugueses residentes no Brasil possuíam grandes fortunas feitas às custas da colónia, mas faltava-lhes os títulos e as distinções para adquirirem o prestígio social que tanto almejavam. Com a chegada do rei ao Brasil estavam decididos a comprar as mercês, comendas e títulos que as suas fortunas permitiam. D. João VI não se fazia rogado a estas pretensões, pois a concessão de benesses a troco de dinheiro representava a principal fonte de rendimento para custear as avultadas despesas da família real  respectiva corte. A vida social era pouco animada: os jantares, bailes ou reuniões eram raros em casa dos particulares e o primeiro teatro do Rio de Janeiro foi inaugurado em 1813 com o nome de Teatro São João. O período mais faustoso decorreu entre os anos de 1817 a 1818, primeiro com a chegada da noiva do príncipe herdeiro D. Pedro, a princesa Leopoldina, filha do imperador austro-húngaro, e em maio de 1818 por ocasião do aniversário e coroação de D. João VI.
A estadia da Corte no Brasil permitiu melhoramentos que iriam lançar as fundações do futuro país. Entre estes conta-se a criação da Imprensa Nacional, a Fábrica da Pólvora e o Banco do Brasil para financiar novas iniciativas. Do ponto de vista político, as  acções de maiores repercussões para o Brasil, são a anexação da Guiana Francesa, devolvida à França em 1817 e o território da margem oriental do Rio Uruguai, que passou a ser a província Cisplatina. O fim deste conflito foi alcançado a 27 de agosto de 1828, pelo Tratado do Rio de Janeiro assinado entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata. Deste acordo resultou o nascimento da República Oriental do Uruguai. A elevação do Brasil à categoria de reino foi outra das consequências da permanência da corte em terras brasileiras. Para que Portugal tivesse uma representação nas negociações do Congresso de Viena, realizado na sequência do fim do domínio napoleónico na Europa, o Brasil foi elevado à condição de reino com a designação de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a 16 de  Dezembro de 1815. A estadia de D. João VI no Rio de Janeiro permitiu a reorganização político-jurídica do país mas contribuiu também para uma convivência mais positiva entre a nobreza migrada e as elites da terra. Estes dois grupos viriam a alicerçar a sociedade do Brasil imperial. A 16 de  Abril de 1821, D. João VI embarca para Portugal na sequência dos desenvolvimentos das lutas liberais. O seu filho, D. Pedro de Alcântara fica como príncipe-regente. Estava aberto o caminho para a separação do Brasil de Portugal. Em  Janeiro de 1822, D. Pedro declara ficar no Brasil e não regressar a Portugal.
Corte Portuguesa no Brasil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
www.museuhistoriconacional.com.br
wikipedia (Imagens)
Ficheiro:Príncipe Regente de Portugal e toda a Família Real embarcando para Brasil no cais de Belém.jpg
Embarque da família real portuguesa no cais de Belém, em  1807
Ficheiro:Autor não identificado - Embarque da Família Real Portuguesa.jpg
Embarque da Família Real Portuguesa - Autor desconhecido


Vista do Largo do Carmo no centro do Rio, poucos anos depois da chegada da corte
Ficheiro:Frühbeck-LargoPaço.jpg
Retrato de D. João VI e D. Carlota - Manuel Dias de Oliveira

Ficheiro:DomJoao6 CarlotaJoaquina.jpg

sexta-feira, 1 de março de 2019

01 de Março de 1565: Estácio de Sá funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro

A região que ocupa actualmente a cidade do Rio de Janeiro foi descoberta em Janeiro de 1502 por uma expedição portuguesa comandada por Gaspar de Lemos, que acreditou ter chegado à desembocadura de um grande rio, assim, baptizou a baía com o nome de Rio de Janeiro. Contudo, foram os franceses que primeiro se estabeleceram na região e competiam com os portugueses no comércio madeireiro. Os franceses trouxeram colonos para habitar e explorar o lugar, em 1555, pretendiam fundar uma colónia – a França Antártica – e uma cidade – Henriville . Como resposta às intenções dos franceses que pretendiam ficar a título definitivo no local, no dia 1 de Março de 1565, Estácio de Sá funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na várzea existente entre os morros do Pão de Açúcar e Cara de Cão. Foi a segunda cidade fundada no Brasil, depois de Salvador.
Devido à posição estratégica da cidade na Baía de Guanabara, desenvolveu-se ali uma zona portuária e comercial (madeira, pesca e cana-de-açúcar), desta forma, a população também aumentou. Em 1660, a população da cidade contava com 6000 índios, 750 portugueses e 100 negros.
No fim do século XVII e início do século XVIII, a descoberta de metais, especialmente ouro, em Minas Gerais, fez com que o Rio de Janeiro se transformasse numa ponte entre as minas e a Europa.
No final do século XVIII, a cidade foi abalada por uma crise económica, as minas já não produziam tanto e havia outros países sul-americanos que competiam com o Brasil na produção de cana-de-açúcar. Contudo, o cultivo do café e a chegada da família real, em 1808, deram um novo alento à economia da cidade. Nessa época, a realeza construiu igrejas e palácios. Na segunda metade do século XIX, a instalação de vias férreas trouxe um novo impulso à produção agrícola e de café, começavam a aparecer as primeiras indústrias no centro da cidade, a iluminação a gás e circulavam transportes com tracção animal.
A cidade havia crescido bastante, no final do século XIX, contava com 800.000 habitantes e os problemas sanitários, de emprego, habitacionais e as constantes epidemias de varíola, tuberculose e febre amarela castigavam a então capital do Brasil. Em 1903, Francisco Pereira Passos tornou-se prefeito da cidade. Durante a sua administração foram criadas avenidas e parques e também um novo porto, casas sem condições adequadas de higiene foram demolidas levando a população pobre a viver nos subúrbios.
 O Rio de Janeiro foi a capital do Brasil de 1763 a 1960, quando o governo foi transferido para Brasília.
wikipedia (imagens)

 Ficheiro:Fundação do Rio de Janeiro.JPG
Gravura  que representa a fundação da cidade do Rio de Janeiro por Estácio de Sá, em 1565
Ficheiro:Rio 1555 França Antártica.jpg
Mapa da baía de Guanabara em 1555
"Partida de Estácio de Sá" (Benedito Calixto(1853-1927) mostra o padre Manuel da Nóbrega a benzer a esquadra que vai combater os franceses na baía de Guanabara

domingo, 16 de dezembro de 2018

16 de Dezembro de 1815: O Príncipe D. João eleva o Brasil à categoria de Reino

A Corte Portuguesa permaneceu no Brasil de 1808 a 1821. A entrada das tropas napoleónicas em Portugal, a 27 de Novembro de 1807 levavam à saída do regente, D. João VI, sua mãe, a rainha D. Maria I, os seus familiares e cortesãos para o Brasil. Eram cerca de 15 000 pessoas as que se acomodaram em 34 embarcações de diversos calados e mais uma para os mantimentos. Com o apoio da esquadra inglesa, os navios com a Corte portuguesa chegaram à Baía a 7 de Março de 1808.
Dois meses mais tarde, o governo instala-se na cidade do Rio de Janeiro, que no começo do século XIX tinha uma população de cerca de 60 000 habitantes, dos quais 40 000 eram negros. Segundo testemunhos da época, a cidade impressionava pela sua beleza natural mas a falta de infraestruturas urbanísticas básicas, como fossas sépticas, tornavam a vida no mínimo difícil. O regente, a rainha e os seus familiares ficaram instalados na residência do Governador, na Quinta da Boa-Vista, que tinha sido erguida a meio do século XVIII pelo Conde de Bobadela. No Convento do Carmo e na Cadeia Velha foram instalados os criados. Os demais cortesãos ficaram instalados nas melhores casas da cidade requisitadas para o efeito. As hostilidades mais ou menos veladas estalaram de imediato entre os recém-chegados, entre os quais se contava a fina-flor da aristocracia portuguesa e os residentes. Os primeiros tinham deixado tudo para trás, excepto a roupa que vestiam na altura da fuga, mas cheios de pergaminhos desprezavam os portugueses residentes, como os senhores de engenho, os mercadores e profissionais liberais. Os portugueses residentes no Brasil possuíam grandes fortunas feitas às custas da colónia, mas faltava-lhes os títulos e as distinções para adquirirem o prestígio social que tanto almejavam. Com a chegada do rei ao Brasil estavam decididos a comprar as mercês, comendas e títulos que as suas fortunas permitiam. D. João VI não se fazia rogado a estas pretensões, pois a concessão de benesses a troco de dinheiro representava a principal fonte de rendimento para custear as avultadas despesas da família real e respectiva corte. A vida social era pouco animada: os jantares, bailes ou reuniões eram raros em casa dos particulares e o primeiro teatro do Rio de Janeiro foi inaugurado em 1813 com o nome de Teatro São João. O período mais faustoso decorreu entre os anos de 1817 a 1818, primeiro com a chegada da noiva do príncipe herdeiro D. Pedro, a princesa Leopoldina, filha do imperador austro-húngaro, e em maio de 1818 por ocasião do aniversário e coroação de D. João VI.
A estadia da Corte no Brasil permitiu melhoramentos que iriam lançar as fundações do futuro país. Entre estes conta-se a criação da Imprensa Nacional, a Fábrica da Pólvora e o Banco do Brasil para financiar novas iniciativas. Do ponto de vista político, as acções de maiores repercussões para o Brasil, são a anexação da Guiana Francesa, devolvida à França em 1817 e o território da margem oriental do Rio Uruguai, que passou a ser a província Cisplatina. O fim deste conflito foi alcançado a 27 de Agosto de 1828, pelo Tratado do Rio de Janeiro assinado entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata. Deste acordo resultou o nascimento da República Oriental do Uruguai. A elevação do Brasil à categoria de reino foi outra das consequências da permanência da corte em terras brasileiras. Para que Portugal tivesse uma representação nas negociações do Congresso de Viena, realizado na sequência do fim do domínio napoleónico na Europa, o Brasil foi elevado à condição de reino com a designação de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a 16 de Dezembro de 1815. A estadia de D. João VI no Rio de Janeiro permitiu a reorganização político-jurídica do país mas contribuiu também para uma convivência mais positiva entre a nobreza migrada e as elites da terra. Estes dois grupos viriam a alicerçar a sociedade do Brasil imperial. A 16 de Abril de 1821, D. João VI embarca para Portugal na sequência dos desenvolvimentos das lutas liberais. O seu filho, D. Pedro de Alcântara fica como príncipe-regente. Estava aberto o caminho para a separação do Brasil de Portugal. Em Janeiro de 1822, D. Pedro declara ficar no Brasil e não regressar a Portugal
Corte Portuguesa no Brasil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
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Ficheiro:Aclamação do rei Dom João VI no Rio de Janeiro.jpg
Aclamação do Rei D. João VI  do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no  Rio de Janeiro -  Jean Baptiste Debret

Ficheiro:Coat of arms of the United Kingdom of Portugal, Brazil and the Algarves.svg
Brasão do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

14 de Novembro de 1921: Morre Isabel, a princesa que assinou a Lei Áurea e pôs fim à escravatura no Brasil

Uma das mulheres mais citadas na história do Brasil, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon d'Orleães, a princesa Isabel, colocou um ponto final no dia 13 de Maio de 1888 à escravatura. Naquele domingo, a princesa Isabel assinou a Lei 3.353, mais conhecida como "Lei Áurea", declarando extinta a escravatura no Brasil.

Segunda filha de D. Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, a princesa Isabel nasceu no Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, no dia 29 de Julho de 1846. Tornou-se a herdeira do trono, com a morte dos seus dois irmãos. A sua irmã mais nova,  princesa Leopoldina foi a sua grande companheira. Para a educação da futura imperadora e da sua irmã, D.Pedro II designou como sua primeira preceptora, a Condessa de Barral, filha do Embaixador Domingos Borges de Barros. Para elaborar o vasto e rígido programa de estudos, foram contratados diversos mestres, entre eles o Visconde de Pedra Branca. A princesa Isabel mostrava grande interesse pelo estudo de ciências e de química. Desde cedo a princesa se preocupou com a educação no país.
A princesa Isabel foi três vezes, regente do império. Em 1864, casou-se com o francês Luís Gastão de Orleans, o conde D'Eu. Antes da Lei Áurea, a princesa Isabel sancionou as leis do primeiro recenseamento do império, naturalização de estrangeiros e relações comerciais com países vizinhos.

Em 28 de Setembro de 1871, ela também sancionou a Lei do Ventre Livre, o primeiro passo efectivo para o fim da escravatura no Brasil -a lei estabelecia que todos os filhos de escravos estavam livres. A Lei do Ventre Livre foi assinada na época em que D. Pedro II fez a sua primeira viagem à Europa, deixando, pela primeira vez, a princesa Isabel como regente do império.

Disposta a acabar com a escravatura no Brasil, a princesa Isabel pressionou o ministério, que era contrário à abolição. A pressão exercida pela princesa deu resultado e o Gabinete foi dissolvido e os seus integrantes foram substituídos por pessoas que defendiam o fim da escravatura. Em Abril de 1888, um mês antes da assinatura da Lei Áurea, ela entregou 103 cartas de alforria a alguns escravos, deixando claro que esperava da Câmara federal a aprovação da lei, o que, de facto, aconteceu.

Com a morte do seu irmão mais velho, o príncipe D. Afonso, tornou-se herdeira do trono e sucessora do seu pai quando tinha apenas 11 meses. O reconhecimento oficial como sucessora aconteceu no dia 10 de Agosto de 1850. No dia 29 de Julho de 1860, ao completar 14 anos, a princesa Isabel prestou juramento comprometendo-se a manter no Brasil a religião católica e ser obediente às leis e ao imperador.

Somente depois de 11 anos de casamento -facto raro para a época-, é que princesa Isabel teve o seu primeiro filho, Pedro de Alcântara. Depois, vieram mais dois: Luiz Maria Felipe e António Gusmão Francisco. Com a proclamação da República, em 1889, a família real embarcou para o exílio, escolhendo o continente europeu. Ao lado de amigos, filhos e netos,  a princesa Isabel viveu os seus últimos dias em Paris, onde morreu no dia 14 de Novembro de 1921. Os seus restos mortais foram transferidos para o Rio de Janeiro, juntamente com os de seu marido, em 1953.
wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Isabel Princess Imperial of Brazil circa 1887.jpg

A Princesa Isabel c.1887
Ficheiro:Princess Isabel and Leopoldina 1855.jpg
Princesas Isabel e Leopoldina
Arquivo: Victor Meirelles - Casamento da Princesa Isabel e Gastão de Orléans.jpg
Casamento da Princesa Isabel  e de Gastão de Orleães - Victor Meirelles
Ficheiro:Alberto Henschel - A Familia Imperial.jpg
A Família Imperial: da esquerda para a direita:conde d'EuD. Pedro IID. Teresa Cristina Maria e D. Isabel.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

07 de Setembro de 1822: D. Pedro proclama a Independência do Brasil

Nos últimos anos do século XVIII, registaram-se no Brasil alguns movimentos conspirativos, as "inconfidências", tendentes a criar um país independente, de regime republicano. Influenciados pelo Iluminismo europeu, pelas ideias revolucionárias provenientes da França e pelo exemplo recente da Revolução Americana, estes conspiradores - soldados, advogados, artesãos - eram na generalidade portadores de projetos vagos, que apenas demonstravam a existência de uma cultura oral contestatária da política e da religião oficiais. Isolados nos seus núcleos secretos, sem apoio popular, que não buscavam sequer, foram firmemente reprimidos e eliminados pela justiça colonial portuguesa.
A independência do Brasil veio, mais tarde, a ser concretizada por forças políticas ligadas à Coroa portuguesa e como consequência de duas situações de crise profunda da política metropolitana, que afetaram grandemente as relações entre Portugal e o Brasil: a fuga da família real para o Brasil, em 1808, e a consequente deslocação da capital para o Rio de Janeiro, quando as tropas de Napoleão invadiram Portugal e aquando da Revolução de 1820.
Quando eclodiu a revolução em Portugal, o rei D. João VI encontrou-se perante um dilema - se permanecesse no Brasil, perdia o trono em Portugal; se regressasse a Portugal, legitimava uma revolução em que não acreditava nem confiava. Qualquer das opções representava um perigo, não apenas para os interesses da realeza, mas também para os de numerosas regiões brasílicas, que haviam beneficiado da transferência do poder real para o Rio e da transformação subsequente do Brasil em fulcro da economia do império.
O debate arrastou-se e, em março de 1821, o rei, regressado a Portugal para fazer face à Revolução Liberal, promoveu a eleição de deputados para o Congresso reunido em Lisboa. A regência do Brasil ficava entretanto assegurada pelo príncipe D. Pedro, o herdeiro da Coroa portuguesa, que se viu imediatamente confrontado com a divisão da colónia em dois grandes blocos, dificilmente conciliáveis, organizados em torno da defesa de interesses económicos particularistas - as províncias setentrionais apoiavam as Cortes de Lisboa e recusavam subordinar-se ao Rio, enquanto as meridionais permaneciam ao lado do regente sem, contudo, o apoiarem financeiramente.
D. Pedro procurou e conseguiu então o apoio da elite de formação coimbrã, partidária da preservação de um império luso-brasileiro. Confrontado com as determinações das Cortes de Lisboa, que acarretavam a subordinação dos poderes coloniais diretamente a Lisboa e o seu imediato retorno a Portugal, D. Pedro optou pela desobediência às ordens das Cortes e permaneceu no Brasil, o que fez desencadear novos conflitos. A opção separatista reforçou-se e acabou por vencer, embora numa fase inicial quedando-se apenas por uma autonomia política que não chegou à total separação formal entre Brasil e Portugal.
No entanto, a radicalização das posições levou o Brasil para um outro rumo - a 7 de setembro de 1822, D. Pedro consumou irrevogavelmente a separação do Brasil, no histórico episódio chamado Grito do Ipiranga, sendo aclamado imperador em outubro e solenemente coroado em dezembro do mesmo ano.
A celeridade e o endurecimento do processo não esconde, todavia, um facto fundamental - o motor da independência foi uma reduzida elite política, organizada em torno de uma figura reinante, e não um movimento popular dotado de uma consciência de identidade nacional. A independência do Brasil foi, fundamentalmente, o resultado de um combate pela posse do poder dentro do Império.
Independência do Brasil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012
wikipedia (Imagens)


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Independência do Brasil - François-René Moreau

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Independência ou Morte Pedro Américo

D. Pedro I do Brasil, IV de Portugal  c. 1830, de Simplício Rodrigues de Sá.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

30 de Agosto de 1821: Nasce Anita Garibaldi, heroína de dois mundos

Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva, também conhecida como Anita Garibaldi, foi  esposa do herói italiano Giuseppe Garibaldi. Nasceu no município de Laguna, em Santa Catarina. Os seus pais eram descendentes de imigrantes dos Açores. Depois de falecer o pai, casou-se, aos 15 anos, por insistência da mãe, com Manuel Duarte Aguiar. Esse casamento sem filhos foi um fracasso e durou pouco tempo.

Em 1837, durante a Guerra dos Farrapos, Giuseppe Garibaldi, a serviço da República Rio-Grandense, tomou a cidade portuária de Laguna, transformando-a na primeira capital da República Juliana. Ali, conheceu Anita - e desde então permaneceram juntos. Entusiasmada com os ideais democráticos e liberais de Garibaldi, ela aprende a lutar com espadas e usar armas de fogo, convertendo-se na guerreira que o acompanharia em todos os combates. 
Durante a batalha de Curitibanos, o casal separa-se, inadvertidamente, e Anita é capturada pelo exército imperial. Presa, os oficiais informam-na que Garibaldi morreu. Anita, que estava grávida, pede então que a deixem procurar o corpo de seu companheiro entre os mortos. Sem encontrá-lo, e suspeitando que estivesse vivo, ela aproveita-se de um descuido dos soldados, salta sobre um cavalo e foge dos seus perseguidores. Poucos quilómetros depois, depara-se com o rio Canoas e, sem hesitar, lança-se nas águas. A perseguição cessa, pois os soldados acreditaram que ela estivesse morta. Mas Anita passa para a outra margem e reencontra os rebeldes e, na cidade de Vacaria, une-se novamente a Garibaldi. Poucos meses depois nasceria o primeiro filho dos quatro que tiveram. 

Anita e Garibaldi casaram-se em 26 de Março de 1842. Em 1847, Garibaldi enviou Anita a Itália, como sua embaixadora, a fim de preparar o terreno para o retorno aquele país acompanhado por um exército de mil homens. Garibaldi pretendia desembarcar em Itália para lutar na primeira guerra da independência italiana, contra a Áustria. Depois da chegada de Garibaldi, seguem para Roma, onde se proclama a República Romana. A cidade, contudo, é atacada por tropas franco-austríacas, e Anita, grávida do quinto filho, luta ao lado de Garibaldi na batalha de Gianicolo. Obrigados a bater em retirada, o casal foge acompanhado de um exército de quase quatro mil soldados. São perseguidos, contudo, por forças francesas, napolitanas e espanholas. Durante a fuga, quando chegam a San Marino, que também  se havia  libertado dos austríacos, Garibaldi e Anita não aceitam o salvo-conduto oferecido pelo embaixador norte-americano e decidem prosseguir na fuga. Anita, entretanto, contrai febre tifoide e não resiste. Falece perto de Ravenna, a 4 de Agosto de 1849.
wikipedia (Imagens)

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Retrato de Anita Garibaldi - Gaetano Gallino

Ficheiro:Giuseppe e Anita Garibaldi trovano rifugio a San Marino.JPG

Garibaldi e Anita buscam refúgio em San Marino

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Garibaldi e Anita, ferida, fogem de San Marino, 1849 (quadro de anónimo, século XIX)

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A Família Garibaldi em 1878