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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

15 de Janeiro de 1759: O Museu Britânico, em Londres, é aberto ao público na Montagu House, Bloomsbury.

O Museu Britânico é o repositório nacional para as relíquias da ciência e da arte. Localizado no distrito de Bloomsbury de Londres dispõe de secções de antiguidades, pinturas e desenhos, moedas e medalhas, etnografia. O local foi criado por um acto do Parlamento em 1753, quando a colecção de sir Hans Sloane, iniciada no século anterior e designada Gabinete das Curiosidades, foi comprada pelo governo, juntando-se à colecção Cotton e à biblioteca Harleian. 
O museu foi inaugurado em 15 de Janeiro de 1759 na Mansão Montagu, porém a aquisição da biblioteca de George III em 1823 obrigou-o a  expandir-se. A primeira ala do novo edifício foi concluída em 1829, o quadrângulo em 1852 e o grande e abobadado Salão de Leitura em 1857, onde Karl Marx e Friedrich Engels passavam boa parte de seu tempo. Por decisão do Parlamento em 1973, a Biblioteca Britânica foi estabelecida como entidade separada do Museu, mudando-se para novas e completas instalações em 1997. 
Aquele foi o primeiro museu público do mundo. Dentre os grandes museus ingleses, é o único fundado simultaneamente com uma biblioteca, projecto semelhante ao magnífico museu de Alexandria, criado por Ptolomeu I, que era associado à mais valiosa biblioteca da antiguidade. Data da época em que a humanidade começava a reconhecer todas as potencialidades de um museu como instituição de educação geral e centro de pesquisas, muito mais que um repositório de raridades. 
A iniciativa de criar foi de Sir Sloane, famoso médico nascido na Irlanda e presidente da Sociedade Real entre 1727 e 1740. No  seu testamento enumerou todos os itens do seu acervo pessoal e manifestou o desejo de oferecê-los à Coroa pelo valor simbólico de 20 mil libras esterlinas. Sem questionar, o Parlamento uniu-se à Igreja para reunir os recursos financeiros necessários para adquirir a colecção e um local para abrigá-la, tanto esta como a biblioteca cottoniana - que já havia sido adquirida em 1700. A sede encontrada foi a mansão de tijolos vermelhos, a Montagu House. 
A colecção Sloane reunia mais de 69 mil itens, entre livros, manuscritos, medalhas, moedas, mapas, globos, desenhos, produtos naturais, artificiais e antiguidades. A partir do início do século XIX todo o acervo começou a ser reorganizado. A iniciativa fez com que diversas outras colecções fossem chegando, através de doações e aquisições. Paralelamente, o prédio também era ampliado e modificado. Com a reforma feita por Robert Smike entre 1823 e 1852, o prédio ganhava a forma de museu. Outra modificação importante foi feita entre 1878 e 1886 quando as pinturas a óleo foram transferidas para outras galerias nacionais, assim como as colecções de história natural, que foram reunidas no novo Museu de História Natural, em Kensington, perto do Hyde Park. 
Não havia pagamento de entrada ou cobrança por qualquer serviço prestado pelo Museu Britânico. Sempre foi muito forte, também, a relação museu-biblioteca, visando facilitar o trabalho de pesquisadores, estudiosos e curiosos pois, segundo a filosofia do museu, todas as artes e ciências apresentam conexão entre si. 
Além de recursos do Parlamento, o Museu Britânico sobrevivia graças a verbas provenientes do Fundo Nacional para Colecções de Arte, que recebia e administrava doações das associações de amigos de museus e galerias. Outras doações foram importantes para a sobrevivência desta instituição. Uma delas de Willian White, vizinho do museu, que deixou em testamento a sua propriedade contígua para que fosse construída uma nova ala para a biblioteca do Museu Britânico. A biblioteca teria em 1963 um novo prédio. Em consequência, o museu também se expande, passando a ocupar o antigo espaço dos livros. 
A colecção de pinturas e desenhos do museu é uma das mais famosas do mundo. A colecção de história natural foi transferida para edifícios do Museu de História Natural. Um dos mais célebres objectos em exposição na secção do Antigo Egipto é o bloco conhecido como Pedra de Roseta, fragmento de uma estela de granodiorito, cujo texto foi crucial para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios decifrados pelo arqueólogo francês Jean-François Champolion em 1822. Há também uma vasta colecção de múmias egípcias bem como relíquias gregas que incluem os Mármores de Elgin e uma cariátide do Erechtheum, templo da Antiga Grécia construído na face norte da Acrópole de Atenas. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


O Museu c. 1715
Pedra de Roseta em exposição, 1874 
Museu Britânico

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

10 de Janeiro de 1863: Abre ao público o Metro de Londres

primeiro metro do mundo foi criado por pura necessidade. No início do século XIX, as ruas da capital britânica estavam completamente entupidas de carroças, carruagens e autocarros de dois andares puxados a cavalos. O criador do comboio subterrâneo em Londres, Charles Pearson, disse certa vez que a única solução para os constantes engarrafamentos era transferir o transporte colectivo para cima de viadutos ou para debaixo da terra.
A administração pública decidiu-se pela segunda opção. O engenheiro "sir" John Fowler chefiou as obras. Sob as suas ordens, 3.500 operários começaram a arrancar casebres e barracas, deixando sem tecto 12 mil pessoas, justamente da camada mais pobre da população.
Um dos desafios era a forma de tracção. Como ainda não havia sido inventada a energia eléctrica, os comboios subterrâneos de Londres começaram por ser movidos a vapor. Os gases eram recolhidos num vagão especial e só libertados fora do túnel. O sistema, entretanto, não era ideal, conforme noticiou o jornal Observer de 12 de Janeiro de 1863:
“Apesar da excelente ventilação, os funcionários já começaram a sentir os efeitos negativos. Dois homens intoxicaram-se com o ar contaminado e tiveram que ser hospitalizados. (...) Infelizmente, é preciso reconhecer que o sistema de ventilação ainda não está apurado o suficiente. (...) “
Por esse motivo, o primeiro traçado do metro de Londres não era totalmente subterrâneo. Em alguns locais, os trilhos estavam abaixo do nível do solo, mas a céu aberto. Só a partir de 1890, com o advento da electricidade, o traçado passou a ser todo debaixo da terra, pois não já não havia problemas de ventilação. Não demorou até que o metro (ou "tubo", como era chamado) se tornasse a "menina dos olhos" dos londrinos.
Foi desenvolvido um horário regular para as composições. O trajecto principal, entre Paddington e o centro, tinha 6,5 quilómetros. Entre as 6 e 8 horas da manhã, havia um metro a cada meia hora. Depois, a cada 15 minutos. Na primeira classe, a passagem custava 6 pence, na segunda, quatro, e, na terceira, três pence.
O sistema de Pearson e Fowler, inaugurado a 10 de Janeiro de 1863, demonstrou tanta eficiência que, dois anos mais tarde, a passagem para pedestres por debaixo do Rio Tâmisa começou a ser usada pelo metro.
A partir daí, não demorou muito tempo para que a rede fosse ampliada dentro de Londres e área metropolitana. Outras metrópoles seguiram o exemplo. Budapeste, Paris e Berlim aplicaram os conhecimentos dos pioneiros britânicos no transporte subterrâneo.
Fontes: DW
Cartaz de 1911 do metrô de Londres (Foto: Divulgação/Museu do Transporte de Londres)
Cartaz de 1911

domingo, 2 de setembro de 2018

02 de Setembro de 1666: Tem início o Grande incêndio de Londres. As chamas devastam a cidade durante três dias, destruindo 13 mil edifícios e a antiga catedral de São Paulo.

Nas primeiras horas da manhã de 2 de Setembro de 1666, teve início um grande incêndio em Londres, com origem na padaria do rei Charles II em Pudding Lane, perto da ponte de Londres. O fogo espalhou-se rapidamente pela Thames Street, onde lojas cheias de combustível e um forte vento vindo do leste transformaram o local num inferno. Quando o incêndio finalmente foi extinto, em 6 de Setembro, mais de quarto quintos de Londres estavam destruídos. Acredita-se que poucas pessoas morreram. Os registos da época computaram um total de 100 mil pessoas sem casa e nove óbitos. Mas pesquisas actuais afirmam que milhares de pessoas podem ter morrido, já que os mais pobres e da classe média não eram registados.

O Grande Incêndio de Londres - como ficou conhecido - foi um desastre anunciado. Londres em 1666 era uma cidade de casas medievais, na sua maioria feitas de madeira de carvalho. Parte das casas mais pobres tinha as paredes cobertas com alcatrão, que evitava a humidade da chuva, porém, tornava as suas estruturas mais vulneráveis ao fogo. As ruas eram estreitas, as casas coladas umas às outras e os métodos de combate aos incêndios consistiam em brigadas de vizinhos armados de baldes e primitivas mangueiras manuais. 
Na noite de 1 de Setembro o padeiro do rei, Thomas Farrinor, deixou de apagar adequadamente o forno. Perto da meia-noite centelhas das brasas que queimavam lentamente atingiram as madeiras que jaziam ao lado do forno.A sua casa foi tomada pelas chamas. Farrinor conseguiu escapar com a família, mas um auxiliar do padeiro morreu atingido pelas chamas, a primeira vítima. Assim que o desastre cresceu, as autoridades municipais lutaram para derrubar as casas e estabelecer um bloqueio ao fogo, mas as chamas insistentemente chegavam a eles antes de completar a tarefa. A claridade das labaredas do grande incêndio podia ser avistada a 50 quilómetros. Em 5 de Setembro, o fogo cedeu e no dia seguinte pôde ser controlado. 

O grande incêndio de Londres destruiu 13 mil casas, perto de 90 igrejas e incontáveis edifícios públicos.O incêndio deu um prejuízo estimado em 10 milhões de libras. A ponte de Londres, parcialmente consumida por um incêndio em 1663, foi novamente consumida pelas chamas. A biblioteca de teologia do Sion College teve um terço dos seus livros queimados. O centro administrativo (Guildhall) – onde ocorriam julgamentos desde o século XIV foi seriamente danificado. Por sorte, a Temple Church (célebre construção que, durante a Idade Média, abrigou a Ordem dos Cavaleiros Templários) não foi danificada.
A velha catedral de São Paulo foi destruída, assim como muitos outros marcos históricos. Poucos dias depois, o rei Charles II tratou de iniciar a reconstrução da capital. O grande arquitecto Sir Christopher Wren desenhou uma nova catedral de São Paulo e dezenas de pequenas igrejas a rodeá-la como se fossem satélites. Para prevenir futuros incêndios, muitas casas foram erguidas com tijolos ou pedras e separadas por paredes mais grossas. Ruelas estreitas foram proibidas e as ruas  tornaram-se mais largas. Um Departamento permanente de bombeiros só se tornou realidade em meados do século XVIII.

Em 1670, foi erigida, perto da origem da calamidade, uma coluna em comemoração do Grande Incêndio. Conhecida como “The Monument" foi provavelmente projectada pelo arquitecto Robert Hooke, embora alguns o atribuam a Christopher Wren. 

             Opera Mundi 
             Wikipedia

Ludgate em chamas


File:The Great Fire of London, with Ludgate and Old St. Paul's.JPG

A Catedral de São Paulo na época


File:Christopher Wren by Godfrey Kneller 1711.jpg
Cristopher Wren, um dos arquitectos responsáveis pela reconstrução da cidade

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

10 de Janeiro de 1863: Abre ao público o Metro de Londres

primeiro metro do mundo foi criado por pura necessidade. No início do século XIX, as ruas da capital britânica estavam completamente entupidas de carroças, carruagens e autocarros de dois andares puxados a cavalos. O criador do comboio subterrâneo em Londres, Charles Pearson, disse certa vez que a única solução para os constantes engarrafamentos era transferir o transporte colectivo para cima de viadutos ou para debaixo da terra.
A administração pública decidiu-se pela segunda opção. O engenheiro "sir" John Fowler chefiou as obras. Sob as suas ordens, 3.500 operários começaram a arrancar casebres e barracas, deixando sem tecto 12 mil pessoas, justamente da camada mais pobre da população.
Um dos desafios era a forma de tracção. Como ainda não havia sido inventada a energia eléctrica, os comboios subterrâneos de Londres começaram por ser movidos a vapor. Os gases eram recolhidos num vagão especial e só libertados fora do túnel. O sistema, entretanto, não era ideal, conforme noticiou o jornal Observer de 12 de Janeiro de 1863:
“Apesar da excelente ventilação, os funcionários já começaram a sentir os efeitos negativos. Dois homens intoxicaram-se com o ar contaminado e tiveram que ser hospitalizados. (...) Infelizmente, é preciso reconhecer que o sistema de ventilação ainda não está apurado o suficiente. (...) “
Por esse motivo, o primeiro traçado do metro de Londres não era totalmente subterrâneo. Em alguns locais, os trilhos estavam abaixo do nível do solo, mas a céu aberto. Só a partir de 1890, com o advento da electricidade, o traçado passou a ser todo debaixo da terra, pois não já não havia problemas de ventilação. Não demorou até que o metro (ou "tubo", como era chamado) se tornasse a "menina dos olhos" dos londrinos.
Foi desenvolvido um horário regular para as composições. O trajecto principal, entre Paddington e o centro, tinha 6,5 quilómetros. Entre as 6 e 8 horas da manhã, havia um metro a cada meia hora. Depois, a cada 15 minutos. Na primeira classe, a passagem custava 6 pence, na segunda, quatro, e, na terceira, três pence.
O sistema de Pearson e Fowler, inaugurado a 10 de Janeiro de 1863, demonstrou tanta eficiência que, dois anos mais tarde, a passagem para pedestres por debaixo do Rio Tâmisa começou a ser usada pelo metro.
A partir daí, não demorou muito tempo para que a rede fosse ampliada dentro de Londres e área metropolitana. Outras metrópoles seguiram o exemplo. Budapeste, Paris e Berlim aplicaram os conhecimentos dos pioneiros britânicos no transporte subterrâneo.
Fontes: DW

Cartaz de 1911 do metrô de Londres (Foto: Divulgação/Museu do Transporte de Londres)
Cartaz de 1911

sábado, 2 de setembro de 2017

02 de Setembro de 1666: Tem início o Grande incêndio de Londres. As chamas devastam a cidade durante três dias, destruindo 13 mil edifícios e a antiga catedral de São Paulo.

Nas primeiras horas da manhã de 2 de Setembro de 1666, teve início um grande incêndio em Londres, com origem na padaria do rei Charles II em Pudding Lane, perto da ponte de Londres. O fogo espalhou-se rapidamente pela Thames Street, onde lojas cheias de combustível e um forte vento vindo do leste transformaram o local num inferno. Quando o incêndio finalmente foi extinto, em 6 de Setembro, mais de quarto quintos de Londres estavam destruídos. Acredita-se que poucas pessoas morreram. Os registos da época computaram um total de 100 mil pessoas sem casa e nove óbitos. Mas pesquisas actuais afirmam que milhares de pessoas podem ter morrido, já que os mais pobres e da classe média não eram registados.

O Grande Incêndio de Londres - como ficou conhecido - foi um desastre anunciado. Londres em 1666 era uma cidade de casas medievais, na sua maioria feitas de madeira de carvalho. Parte das casas mais pobres tinha as paredes cobertas com alcatrão, que evitava a humidade da chuva, porém, tornava as suas estruturas mais vulneráveis ao fogo. As ruas eram estreitas, as casas coladas umas às outras e os métodos de combate aos incêndios consistiam em brigadas de vizinhos armados de baldes e primitivas mangueiras manuais. 
Na noite de 1 de Setembro o padeiro do rei, Thomas Farrinor, deixou de apagar adequadamente o forno. Perto da meia-noite centelhas das brasas que queimavam lentamente atingiram as madeiras que jaziam ao lado do forno.A sua casa foi tomada pelas chamas. Farrinor conseguiu escapar com a família, mas um auxiliar do padeiro morreu atingido pelas chamas, a primeira vítima. Assim que o desastre cresceu, as autoridades municipais lutaram para derrubar as casas e estabelecer um bloqueio ao fogo, mas as chamas insistentemente chegavam a eles antes de completar a tarefa. A claridade das labaredas do grande incêndio podia ser avistada a 50 quilómetros. Em 5 de Setembro, o fogo cedeu e no dia seguinte pôde ser controlado. 

O grande incêndio de Londres destruiu 13 mil casas, perto de 90 igrejas e incontáveis edifícios públicos.O incêndio deu um prejuízo estimado em 10 milhões de libras. A ponte de Londres, parcialmente consumida por um incêndio em 1663, foi novamente consumida pelas chamas. A biblioteca de teologia do Sion College teve um terço dos seus livros queimados. O centro administrativo (Guildhall) – onde ocorriam julgamentos desde o século XIV foi seriamente danificado. Por sorte, a Temple Church (célebre construção que, durante a Idade Média, abrigou a Ordem dos Cavaleiros Templários) não foi danificada.
A velha catedral de São Paulo foi destruída, assim como muitos outros marcos históricos. Poucos dias depois, o rei Charles II tratou de iniciar a reconstrução da capital. O grande arquitecto Sir Christopher Wren desenhou uma nova catedral de São Paulo e dezenas de pequenas igrejas a rodeá-la como se fossem satélites. Para prevenir futuros incêndios, muitas casas foram erguidas com tijolos ou pedras e separadas por paredes mais grossas. Ruelas estreitas foram proibidas e as ruas  tornaram-se mais largas. Um Departamento permanente de bombeiros só se tornou realidade em meados do século XVIII.

Em 1670, foi erigida, perto da origem da calamidade, uma coluna em comemoração do Grande Incêndio. Conhecida como “The Monument" foi provavelmente projectada pelo arquitecto Robert Hooke, embora alguns o atribuam a Christopher Wren. 

             Opera Mundi 
             Wikipedia
Detalhe de um quadro de 1666 retratando o grande incêndio
A Catedral de São Paulo na época

File:The Great Fire of London, with Ludgate and Old St. Paul's.JPG
Ludgate em chamas

File:Christopher Wren by Godfrey Kneller 1711.jpg
Cristopher Wren, um dos arquitectos responsáveis pela reconstrução da cidade

quarta-feira, 31 de maio de 2017

31 de Maio de 1859: O Big Ben entra em funcionamento.

O célebre relógio da Torre Santo Estevão da Parliament House, de 98 metros de altura, perto da Abadia de Westminster em Londres, entrou em funcionamento no dia 31 de Maio de 1859. Ele é composto por quatro mostradores de 7 metros de diâmetro e de um sino que pesa 13,5 toneladas. O sino é chamado de Big Ben como uma espécie de homenagem a Benjamin Hall, o ministro de Obras Públicas, de exagerada corpulência. 

Após um incêndio que destruiu boa parte do Palácio de Westminster – sede do Parlamento britânico – em Outubro de 1834, um aspecto relevante do projecto do novo palácio era um grande relógio no alto de uma torre. O astrónomo real, Sir George Airy, queria que o relógio tivesse uma precisão extrema, enquanto muitos relojoeiros consideravam que essa meta era impossível, Airy contava com a ajuda de Edmund Beckett Denison, um conceituado advogado conhecido pela sua experiência em relojoaria. 

O projecto de Denison, construído pela companhia E.J. Dent & Co., foi finalizado em 1854. Cinco anos mais tarde, a própria torre Santo Estevão foi concluída. Pesando mais de 13 toneladas, o enorme sino foi transportado pelas ruas de Londres até à torre por 16 cavalos, sob a aclamação de espectadores que ali se encontravam. Uma vez instalado, o Big Ben dobrou a primeira badalada em 31 de Maio de 1859. Exactos dois meses depois, no entanto, o pesado badalo desenhado por Denison rachou o sino. Três anos mais  passaram até que um badalo mais leve fosse acoplado e o relógio pudesse funcionar normalmente como previsto. 

O nome "Big Ben" originalmente designava apenas o sino, porém mais tarde passou a  referir-se a todo o relógio. Existem duas histórias principais a respeito de como se adoptou o nome de Big Ben. Muitos afirmam que a denominação se deve ao loquaz Benjamin Hall, o popular ministro de Obras Públicas à época da construção. Outra história famosa conta que o nome do sino se devia ao famoso pugilista peso-pesado Benjamin Caunt.
Mesmo depois de uma bomba ter destruido o plenário da Câmara dos Comuns durante a Segunda Guerra Mundial, a torre de Santo Estevão resistiu e o Big Ben continuou a funcionar normalmente. A sua famosa precisão cronométrica é regulada por uma pilha de moedas colocadas no imenso pêndulo do relógio, garantindo um movimento constante e regular dos ponteiros do relógio. 
À noite, as quatro faces do relógio, cada qual com 7 metros de diâmetro, são iluminadas. Para conhecimento público, uma luz sobre o Big Ben também permanece acesa quando o Parlamento está em sessão.  

 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)
File:Big-ben-1858.jpg
O Big Ben representado na revista The Illustrated News of the World, Dezembro de 1858

File:Clock Tower - Palace of Westminster, London - May 2007.jpg

domingo, 15 de janeiro de 2017

15 de Janeiro de 1759: O Museu Britânico, em Londres, é aberto ao público na Montagu House, Bloomsbury.

O Museu Britânico é o repositório nacional para as relíquias da ciência e da arte. Localizado no distrito de Bloomsbury de Londres dispõe de secções de antiguidades, pinturas e desenhos, moedas e medalhas, etnografia. O local foi criado por um acto do Parlamento em 1753, quando a colecção de sir Hans Sloane, iniciada no século anterior e designada Gabinete das Curiosidades, foi comprada pelo governo, juntando-se à colecção Cotton e à biblioteca Harleian. 
O museu foi inaugurado em 15 de Janeiro de 1759 na Mansão Montagu, porém a aquisição da biblioteca de George III em 1823 obrigou-o a  expandir-se. A primeira ala do novo edifício foi concluída em 1829, o quadrângulo em 1852 e o grande e abobadado Salão de Leitura em 1857, onde Karl Marx e Friedrich Engels passavam boa parte de seu tempo. Por decisão do Parlamento em 1973, a Biblioteca Britânica foi estabelecida como entidade separada do Museu, mudando-se para novas e completas instalações em 1997. 
Aquele foi o primeiro museu público do mundo. Dentre os grandes museus ingleses, é o único fundado simultaneamente com uma biblioteca, projecto semelhante ao magnífico museu de Alexandria, criado por Ptolomeu I, que era associado à mais valiosa biblioteca da antiguidade. Data da época em que a humanidade começava a reconhecer todas as potencialidades de um museu como instituição de educação geral e centro de pesquisas, muito mais que um repositório de raridades. 
A iniciativa de criar foi de Sir Sloane, famoso médico nascido na Irlanda e presidente da Sociedade Real entre 1727 e 1740. No  seu testamento enumerou todos os itens do seu acervo pessoal e manifestou o desejo de oferecê-los à Coroa pelo valor simbólico de 20 mil libras esterlinas. Sem questionar, o Parlamento uniu-se à Igreja para reunir os recursos financeiros necessários para adquirir a colecção e um local para abrigá-la, tanto esta como a biblioteca cottoniana - que já havia sido adquirida em 1700. A sede encontrada foi a mansão de tijolos vermelhos, a Montagu House. 
A colecção Sloane reunia mais de 69 mil itens, entre livros, manuscritos, medalhas, moedas, mapas, globos, desenhos, produtos naturais, artificiais e antiguidades. A partir do início do século XIX todo o acervo começou a ser reorganizado. A iniciativa fez com que diversas outras colecções fossem chegando, através de doações e aquisições. Paralelamente, o prédio também era ampliado e modificado. Com a reforma feita por Robert Smike entre 1823 e 1852, o prédio ganhava a forma de museu. Outra modificação importante foi feita entre 1878 e 1886 quando as pinturas a óleo foram transferidas para outras galerias nacionais, assim como as colecções de história natural, que foram reunidas no novo Museu de História Natural, em Kensington, perto do Hyde Park. 
Não havia pagamento de entrada ou cobrança por qualquer serviço prestado pelo Museu Britânico. Sempre foi muito forte, também, a relação museu-biblioteca, visando facilitar o trabalho de pesquisadores, estudiosos e curiosos pois, segundo a filosofia do museu, todas as artes e ciências apresentam conexão entre si. 
Além de recursos do Parlamento, o Museu Britânico sobrevivia graças a verbas provenientes do Fundo Nacional para Colecções de Arte, que recebia e administrava doações das associações de amigos de museus e galerias. Outras doações foram importantes para a sobrevivência desta instituição. Uma delas de Willian White, vizinho do museu, que deixou em testamento a sua propriedade contígua para que fosse construída uma nova ala para a biblioteca do Museu Britânico. A biblioteca teria em 1963 um novo prédio. Em consequência, o museu também se expande, passando a ocupar o antigo espaço dos livros. 
A colecção de pinturas e desenhos do museu é uma das mais famosas do mundo. A colecção de história natural foi transferida para edifícios do Museu de História Natural. Um dos mais célebres objectos em exposição na secção do Antigo Egipto é o bloco conhecido como Pedra de Roseta, fragmento de uma estela de granodiorito, cujo texto foi crucial para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios decifrados pelo arqueólogo francês Jean-François Champolion em 1822. Há também uma vasta colecção de múmias egípcias bem como relíquias gregas que incluem os Mármores de Elgin e uma cariátide do Erechtheum, templo da Antiga Grécia construído na face norte da Acrópole de Atenas. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

O Museu c. 1715
Pedra de Roseta em exposição, 1874 
Museu Britânico

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10 de Janeiro de 1863: Abre ao público o Metro de Londres

primeiro metro do mundo foi criado por pura necessidade. No início do século XIX, as ruas da capital britânica estavam completamente entupidas de carroças, carruagens e autocarros de dois andares puxados a cavalos. O criador do comboio subterrâneo em Londres, Charles Pearson, disse certa vez que a única solução para os constantes engarrafamentos era transferir o transporte colectivo para cima de viadutos ou para debaixo da terra.
A administração pública decidiu-se pela segunda opção. O engenheiro "sir" John Fowler chefiou as obras. Sob as suas ordens, 3.500 operários começaram a arrancar casebres e barracas, deixando sem tecto 12 mil pessoas, justamente da camada mais pobre da população.
Um dos desafios era a forma de tracção. Como ainda não havia sido inventada a energia eléctrica, os comboios subterrâneos de Londres começaram por ser movidos a vapor. Os gases eram recolhidos num vagão especial e só libertados fora do túnel. O sistema, entretanto, não era ideal, conforme noticiou o jornal Observer de 12 de Janeiro de 1863:
“Apesar da excelente ventilação, os funcionários já começaram a sentir os efeitos negativos. Dois homens intoxicaram-se com o ar contaminado e tiveram que ser hospitalizados. (...) Infelizmente, é preciso reconhecer que o sistema de ventilação ainda não está apurado o suficiente. (...) “
Por esse motivo, o primeiro traçado do metro de Londres não era totalmente subterrâneo. Em alguns locais, os trilhos estavam abaixo do nível do solo, mas a céu aberto. Só a partir de 1890, com o advento da electricidade, o traçado passou a ser todo debaixo da terra, pois não já não havia problemas de ventilação. Não demorou até que o metro (ou "tubo", como era chamado) se tornasse a "menina dos olhos" dos londrinos.
Foi desenvolvido um horário regular para as composições. O trajecto principal, entre Paddington e o centro, tinha 6,5 quilómetros. Entre as 6 e 8 horas da manhã, havia um metro a cada meia hora. Depois, a cada 15 minutos. Na primeira classe, a passagem custava 6 pence, na segunda, quatro, e, na terceira, três pence.
O sistema de Pearson e Fowler, inaugurado a 10 de Janeiro de 1863, demonstrou tanta eficiência que, dois anos mais tarde, a passagem para pedestres por debaixo do Rio Tâmisa começou a ser usada pelo metro.
A partir daí, não demorou muito tempo para que a rede fosse ampliada dentro de Londres e área metropolitana. Outras metrópoles seguiram o exemplo. Budapeste, Paris e Berlim aplicaram os conhecimentos dos pioneiros britânicos no transporte subterrâneo.
Fontes: DW
Cartaz de 1911 do metrô de Londres (Foto: Divulgação/Museu do Transporte de Londres)
Cartaz de 1911
The lure of the Underground - Alfred Leete, 1927

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

02 de Setembro de 1666: Tem início o Grande incêndio de Londres. As chamas devastam a cidade durante três dias, destruindo 13 mil edifícios e a antiga catedral de São Paulo.

Nas primeiras horas da manhã de 2 de Setembro de 1666, teve início um grande incêndio em Londres, com origem na padaria do rei Charles II em Pudding Lane, perto da ponte de Londres. O fogo espalhou-se rapidamente pela Thames Street, onde lojas cheias de combustível e um forte vento vindo do leste transformaram o local num inferno. Quando o incêndio finalmente foi extinto, em 6 de Setembro, mais de quarto quintos de Londres estavam destruídos. Acredita-se que poucas pessoas morreram. Os registos da época computaram um total de 100 mil pessoas sem casa e nove óbitos. Mas pesquisas actuais afirmam que milhares de pessoas podem ter morrido, já que os mais pobres e da classe média não eram registados.

O Grande Incêndio de Londres - como ficou conhecido - foi um desastre anunciado. Londres em 1666 era uma cidade de casas medievais, na sua maioria feitas de madeira de carvalho. Parte das casas mais pobres tinha as paredes cobertas com alcatrão, que evitava a humidade da chuva, porém, tornava as suas estruturas mais vulneráveis ao fogo. As ruas eram estreitas, as casas coladas umas às outras e os métodos de combate aos incêndios consistiam em brigadas de vizinhos armados de baldes e primitivas mangueiras manuais. 
Na noite de 1 de Setembro o padeiro do rei, Thomas Farrinor, deixou de apagar adequadamente o forno. Perto da meia-noite centelhas das brasas que queimavam lentamente atingiram as madeiras que jaziam ao lado do forno.A sua casa foi tomada pelas chamas. Farrinor conseguiu escapar com a família, mas um auxiliar do padeiro morreu atingido pelas chamas, a primeira vítima. Assim que o desastre cresceu, as autoridades municipais lutaram para derrubar as casas e estabelecer um bloqueio ao fogo, mas as chamas insistentemente chegavam a eles antes de completar a tarefa. A claridade das labaredas do grande incêndio podia ser avistada a 50 quilómetros. Em 5 de Setembro, o fogo cedeu e no dia seguinte pôde ser controlado. 

O grande incêndio de Londres destruiu 13 mil casas, perto de 90 igrejas e incontáveis edifícios públicos.O incêndio deu um prejuízo estimado em 10 milhões de libras. A ponte de Londres, parcialmente consumida por um incêndio em 1663, foi novamente consumida pelas chamas. A biblioteca de teologia do Sion College teve um terço dos seus livros queimados. O centro administrativo (Guildhall) – onde ocorriam julgamentos desde o século XIV foi seriamente danificado. Por sorte, a Temple Church (célebre construção que, durante a Idade Média, abrigou a Ordem dos Cavaleiros Templários) não foi danificada.
A velha catedral de São Paulo foi destruída, assim como muitos outros marcos históricos. Poucos dias depois, o rei Charles II tratou de iniciar a reconstrução da capital. O grande arquitecto Sir Christopher Wren desenhou uma nova catedral de São Paulo e dezenas de pequenas igrejas a rodeá-la como se fossem satélites. Para prevenir futuros incêndios, muitas casas foram erguidas com tijolos ou pedras e separadas por paredes mais grossas. Ruelas estreitas foram proibidas e as ruas  tornaram-se mais largas. Um Departamento permanente de bombeiros só se tornou realidade em meados do século XVIII.

Em 1670, foi erigida, perto da origem da calamidade, uma coluna em comemoração do Grande Incêndio. Conhecida como “The Monument" foi provavelmente projectada pelo arquitecto Robert Hooke, embora alguns o atribuam a Christopher Wren. 

             Opera Mundi 
             Wikipedia
Detalhe de um quadro de 1666 retratando o grande incêndio
A Catedral de São Paulo na época

File:The Great Fire of London, with Ludgate and Old St. Paul's.JPG
Ludgate em chamas

File:Christopher Wren by Godfrey Kneller 1711.jpg
Cristopher Wren, um dos arquitectos responsáveis pela reconstrução da cidade

terça-feira, 31 de maio de 2016

31 de Maio de 1859: O Big Ben entra em funcionamento.

O célebre relógio da Torre Santo Estevão da Parliament House, de 98 metros de altura, perto da Abadia de Westminster em Londres, entrou em funcionamento no dia 31 de Maio de 1859. Ele é composto por quatro mostradores de 7 metros de diâmetro e de um sino que pesa 13,5 toneladas. O sino é chamado de Big Ben como uma espécie de homenagem a Benjamin Hall, o ministro de Obras Públicas, de exagerada corpulência. 

Após um incêndio que destruiu boa parte do Palácio de Westminster – sede do Parlamento britânico – em Outubro de 1834, um aspecto relevante do projecto do novo palácio era um grande relógio no alto de uma torre. O astrónomo real, Sir George Airy, queria que o relógio tivesse uma precisão extrema, enquanto muitos relojoeiros consideravam que essa meta era impossível, Airy contava com a ajuda de Edmund Beckett Denison, um conceituado advogado conhecido pela sua experiência em relojoaria. 

O projecto de Denison, construído pela companhia E.J. Dent & Co., foi finalizado em 1854. Cinco anos mais tarde, a própria torre Santo Estevão foi concluída. Pesando mais de 13 toneladas, o enorme sino foi transportado pelas ruas de Londres até à torre por 16 cavalos, sob a aclamação de espectadores que ali se encontravam. Uma vez instalado, o Big Ben dobrou a primeira badalada em 31 de Maio de 1859. Exactos dois meses depois, no entanto, o pesado badalo desenhado por Denison rachou o sino. Três anos mais  passaram até que um badalo mais leve fosse acoplado e o relógio pudesse funcionar normalmente como previsto. 

O nome "Big Ben" originalmente designava apenas o sino, porém mais tarde passou a  referir-se a todo o relógio. Existem duas histórias principais a respeito de como se adoptou o nome de Big Ben. Muitos afirmam que a denominação se deve ao loquaz Benjamin Hall, o popular ministro de Obras Públicas à época da construção. Outra história famosa conta que o nome do sino se devia ao famoso pugilista peso-pesado Benjamin Caunt.
Mesmo depois de uma bomba ter destruido o plenário da Câmara dos Comuns durante a Segunda Guerra Mundial, a torre de Santo Estevão resistiu e o Big Ben continuou a funcionar normalmente. A sua famosa precisão cronométrica é regulada por uma pilha de moedas colocadas no imenso pêndulo do relógio, garantindo um movimento constante e regular dos ponteiros do relógio. 
À noite, as quatro faces do relógio, cada qual com 7 metros de diâmetro, são iluminadas. Para conhecimento público, uma luz sobre o Big Ben também permanece acesa quando o Parlamento está em sessão.  


 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)
File:Big-ben-1858.jpg
O Big Ben representado na revista The Illustrated News of the World, Dezembro de 1858

File:Clock Tower - Palace of Westminster, London - May 2007.jpg

domingo, 10 de janeiro de 2016

10 de Janeiro de 1863: Abre ao público o Metro de Londres

primeiro metro do mundo foi criado por pura necessidade. No início do século XIX, as ruas da capital britânica estavam completamente entupidas de carroças, carruagens e autocarros de dois andares puxados a cavalos. O criador do comboio subterrâneo em Londres, Charles Pearson, disse certa vez que a única solução para os constantes engarrafamentos era transferir o transporte colectivo para cima de viadutos ou para debaixo da terra.
A administração pública decidiu-se pela segunda opção. O engenheiro "sir" John Fowler chefiou as obras. Sob as suas ordens, 3.500 operários começaram a arrancar casebres e barracas, deixando sem tecto 12 mil pessoas, justamente da camada mais pobre da população.
Um dos desafios era a forma de tracção. Como ainda não havia sido inventada a energia eléctrica, os comboios subterrâneos de Londres começaram por ser movidos a vapor. Os gases eram recolhidos num vagão especial e só libertados fora do túnel. O sistema, entretanto, não era ideal, conforme noticiou o jornal Observer de 12 de Janeiro de 1863:
“Apesar da excelente ventilação, os funcionários já começaram a sentir os efeitos negativos. Dois homens intoxicaram-se com o ar contaminado e tiveram que ser hospitalizados. (...) Infelizmente, é preciso reconhecer que o sistema de ventilação ainda não está apurado o suficiente. (...) “
Por esse motivo, o primeiro traçado do metro de Londres não era totalmente subterrâneo. Em alguns locais, os trilhos estavam abaixo do nível do solo, mas a céu aberto. Só a partir de 1890, com o advento da electricidade, o traçado passou a ser todo debaixo da terra, pois não já não havia problemas de ventilação. Não demorou até que o metro (ou "tubo", como era chamado) se tornasse a "menina dos olhos" dos londrinos.
Foi desenvolvido um horário regular para as composições. O trajecto principal, entre Paddington e o centro, tinha 6,5 quilómetros. Entre as 6 e 8 horas da manhã, havia um metro a cada meia hora. Depois, a cada 15 minutos. Na primeira classe, a passagem custava 6 pence, na segunda, quatro, e, na terceira, três pence.
O sistema de Pearson e Fowler, inaugurado a 10 de Janeiro de 1863, demonstrou tanta eficiência que, dois anos mais tarde, a passagem para pedestres por debaixo do Rio Tâmisa começou a ser usada pelo metro.
A partir daí, não demorou muito tempo para que a rede fosse ampliada dentro de Londres e área metropolitana. Outras metrópoles seguiram o exemplo. Budapeste, Paris e Berlim aplicaram os conhecimentos dos pioneiros britânicos no transporte subterrâneo.
Fontes: DW
Cartaz de 1911 do metrô de Londres (Foto: Divulgação/Museu do Transporte de Londres)
Cartaz de 1911
The lure of the Underground - Alfred Leete, 1927

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

02 de Setembro de 1666: Tem início o Grande incêndio de Londres. As chamas devastam a cidade durante três dias, destruindo 13 mil edifícios e a antiga catedral de São Paulo.

Nas primeiras horas da manhã de 2 de Setembro de 1666, teve início um grande incêndio em Londres, com origem na padaria do rei Charles II em Pudding Lane, perto da ponte de Londres. O fogo espalhou-se rapidamente pela Thames Street, onde lojas cheias de combustível e um forte vento vindo do leste transformaram o local num inferno. Quando o incêndio finalmente foi extinto, em 6 de Setembro, mais de quarto quintos de Londres estavam destruídos. Acredita-se que poucas pessoas morreram. Os registos da época computaram um total de 100 mil pessoas sem casa e nove óbitos. Mas pesquisas actuais afirmam que milhares de pessoas podem ter morrido, já que os mais pobres e da classe média não eram registados.

O Grande Incêndio de Londres - como ficou conhecido - foi um desastre anunciado. Londres em 1666 era uma cidade de casas medievais, na sua maioria feitas de madeira de carvalho. Parte das casas mais pobres tinha as paredes cobertas com alcatrão, que evitava a humidade da chuva, porém, tornava as suas estruturas mais vulneráveis ao fogo. As ruas eram estreitas, as casas coladas umas às outras e os métodos de combate aos incêndios consistiam em brigadas de vizinhos armados de baldes e primitivas mangueiras manuais. 
Na noite de 1 de Setembro o padeiro do rei, Thomas Farrinor, deixou de apagar adequadamente o forno. Perto da meia-noite centelhas das brasas que queimavam lentamente atingiram as madeiras que jaziam ao lado do forno.A sua casa foi tomada pelas chamas. Farrinor conseguiu escapar com a família, mas um auxiliar do padeiro morreu atingido pelas chamas, a primeira vítima. Assim que o desastre cresceu, as autoridades municipais lutaram para derrubar as casas e estabelecer um bloqueio ao fogo, mas as chamas insistentemente chegavam a eles antes de completar a tarefa. A claridade das labaredas do grande incêndio podia ser avistada a 50 quilómetros. Em 5 de Setembro, o fogo cedeu e no dia seguinte pôde ser controlado. 

O grande incêndio de Londres destruiu 13 mil casas, perto de 90 igrejas e incontáveis edifícios públicos.O incêndio deu um prejuízo estimado em 10 milhões de libras. A ponte de Londres, parcialmente consumida por um incêndio em 1663, foi novamente consumida pelas chamas. A biblioteca de teologia do Sion College teve um terço dos seus livros queimados. O centro administrativo (Guildhall) – onde ocorriam julgamentos desde o século XIV foi seriamente danificado. Por sorte, a Temple Church (célebre construção que, durante a Idade Média, abrigou a Ordem dos Cavaleiros Templários) não foi danificada.
A velha catedral de São Paulo foi destruída, assim como muitos outros marcos históricos. Poucos dias depois, o rei Charles II tratou de iniciar a reconstrução da capital. O grande arquitecto Sir Christopher Wren desenhou uma nova catedral de São Paulo e dezenas de pequenas igrejas a rodeá-la como se fossem satélites. Para prevenir futuros incêndios, muitas casas foram erguidas com tijolos ou pedras e separadas por paredes mais grossas. Ruelas estreitas foram proibidas e as ruas  tornaram-se mais largas. Um Departamento permanente de bombeiros só se tornou realidade em meados do século XVIII.

Em 1670, foi erigida, perto da origem da calamidade, uma coluna em comemoração do Grande Incêndio. Conhecida como “The Monument" foi provavelmente projectada pelo arquitecto Robert Hooke, embora alguns o atribuam a Christopher Wren. 

             Opera Mundi 
             Wikipedia
Detalhe de um quadro de 1666 retratando o grande incêndio
A Catedral de São Paulo na época

File:The Great Fire of London, with Ludgate and Old St. Paul's.JPG
Ludgate em chamas

File:Christopher Wren by Godfrey Kneller 1711.jpg
Cristopher Wren, um dos arquitectos responsáveis pela reconstrução da cidade