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sábado, 19 de janeiro de 2019

19 de Janeiro de 1839: Nasce o pintor francês Paul Cézanne, nome determinante para as novas correntes do século XX.

Paul Cézanne, pintor pós-impressionista francês, cuja obra forneceu as bases para a transição das artes plásticas do século XIX para o século XX, pode ser considerado como a ponte entre o impressionismo e o cubismo, nasceu no dia 19 de Janeiro de 1839 em Aix-en-Provence. A frase atribuída a Matisse e Picasso de que Cézanne é “o paí de todos nós”, consagrou-o como um dos mais importantes e influentes mestres da pintura.
Paul Cézanne nasceu no seio de uma família burguesa da província. O seu pai, era proprietário em Aix-en-Provence de uma próspera fábrica de chapéu. Paul, filho ilegítimo com uma das trabalhadoras da fábrica, nasceu em 19 de Janeiro de 1839 e teve o seu registo legalizado somente 5 anos depois. Fez todos os seus estudos em Aix, adquirindo uma sólida cultura clássica, tornando-se amigo de Émile Zola, seu confidente mais íntimo.
A vocação artística já estava definida quando decide estudar pintura em Paris. Frequenta a Academia Suíça na Pimavera e Verão de 1861, onde conhece Pissarro e Guillaumin. Fracassa, porém, no concurso para ingresso na Escola de Belas Artes.
Nos anos seguintes, alterna estadias em Paris, retornos a Aix e viagens pela Provence. Trabalha com modelos na Academia Suíça, frequenta o Louvre e obtém autorização para copiar numerosos quadros dos grandes mestres.  Continua a encontrar-se com Zola, que o apoia intelectual, moral e até financeiramente e conhece Bazille, Renoir, Monet, Sisley e Manet.
As primeiras telas de Cézanne não tinham muito a ver com as dos seus amigos impressionistas. Ele não partilhava do desejo de novidade nem da revolta contra as normas académicas. A violência dramática dos seus temas é marcada por cores sombrias como em "L'enlèvement" (O Rapto- 1867). Pinta também numerosas paisagens e retratos num estilo realista inspirado em Courbet.
A partir de 1863, Cézanne envia regularmente os seus quadros ao júri do Salão Oficial de Paris. As obras seriam invariavelmente recusadas, com excepção de um retrato em 1882, embora já denotassem uma grande diversidade temática: retratos, cenas históricas ou religiosas, naturezas mortas, paisagens.
Em 1869, o artista conhece Hortense Fiquet, uma modelo, que seria sua companheira. O casal passa a guerra de 1870-1871 na Provence. Dessa união, nasce um filho em 1872. Pai de família e não recebendo mais a ajuda do pai, ele instala-se em Paris em 1872, às instâncias de Pissarro.
Cézanne só havia trabalhado em atelier e resolve seguir o exemplo de Pissarro e dedicar-se às paisagens como motivo. É fortemente influenciado pelo estilo impressionista do amigo de uma composição espacial mais elaborada. As obras de Cézanne na primeira participação na colectiva dos impressionistas em 1874 foram mal recebidas pela crítica. Recusa-se a enviar as suas telas à segunda exposição em 1876. Volta atrás na terceira exposição em 1877, quando os seus quadros são de novo mal acolhidos pelo público, que os julga pesados e grosseiramente acabados. A crítica, por sua vez, volta-se com uma virulência particular contra as suas telas. 
Desgostoso e mortificado, Cézanne cessaria qualquer participação nas exposições impressionistas e tomaria distância dos amigos.  No final dos anos 1870, ele  encontraria o seu estilo pessoal. Não queria  fixar-se somente na impressão. “Eu quero fazer do impressionismo algo sólido e duradouro como a arte dos museus”, dizia. "A Ponte de Maincy" (1882) encontra-se entre as primeiras obras-primas desse estilo pessoal. O tratamento das cores das árvores, um verde profundo aplicado ligeiramente, sem separação nítida entre as pequenas partículas de cores vizinhas, é parte da visão do conjunto. A organização pictórica do quadro resulta bem marcada.
Ao lado dos retratos, das naturezas mortas, Cézanne vai interessar-se pelo nu . Os anos 1880 marcariam uma viragem na sua vida pessoal. Rompe com Zola em 1886, aquando da aprsentação de “A Obra” em que se viu reconhecido no personagem do pintor fracassado Claude Lantier. A morte do pai no mesmo ano deixa-o numa situação financeira folgada.
As suas pinturas seriam raramente mostradas ao público: em 1889 na Exposição Universal; em 1890 com o grupo dos 20 em Bruxelas. Em 1895, uma retrospectiva onde 150 das suas obras são expostas assinala uma viragem para Cézanne, até então recusado nos Salões e pouco apreciado nas exposições impressionistas. Havia sido descoberto, pelos seus antigos amigos que desconheciam a sua evolução, mas também pelos jovens artistas para quem Cézanne era uma referência imediata.


Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
 (Imagens)


Ficheiro:Paul cezanne 1861.jpg
Les Joueurs de Cartes
Ficheiro:Paul Cézanne - Les Joueurs de cartes.jpg
Baigneuses (1874-1875)
Ficheiro:Paul Cézanne 004.jpg
Baigneuses  (1906)


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

14 de Janeiro de 1841: Nasce a pintora impressionista Berthe Morisot

Berthe Marie Pauline Morisot, pintora francesa,  nasceu no dia 14 de Janeiro de 1841 em Bourges, França e morreu a 2 de Março de 1895 em Paris. Pertencente à alta burguesia,  a sua mãe, Marie-Joséphine-Cornélie Thomas era sobrinha neta do pintor Jean Honoré Fragonard um dos mais importantes artistas do Antigo Regime. Desde cedo  Berthe começou a ter aulas com Joseph-Benoît Guichard e Camille Corot e dedicou-se incansavelmente à realização de cópias no Museu do Louvre. Começou com os Mestres antigos e terminou com Corot, cujos trabalhos ela tinha a vantagem de comentar pessoalmente, já que foi sua aluna entre 1860 e 1862, junto com sua irmã Edna (futuramente Mme. Pontillon). 
Corot aconselhou-a a aprender a pintar ao ar livre em Auvers-sur-Oise. Ela logo adquiriu a técnica impressionista de pintar ao ar livre, criava pequenas pinturas e esboços de obras maiores que terminaria no estúdio. A sua primeira participação no Salão de Paris foi em 1864 com duas paisagens. 
Em 1868 ela conheceu e ficou amiga de Edouard Manet, que lhe deu conselhos e pintou vários retratos seus.
Em 1872  Berthe foi para Espanha e em  1874 , ano da primeira exposição impressionista participou com a obraO Berço . Desde 1874  até 1886 participou em todas as exposições dos Impressionistas, com excepção da quarta mostra, em 1878, devido ao nascimento da sua filha.
Em 1874 Berthe Morisot casou-se com o irmão de Manet, Eugène, e, entre 1881-1883, construíram uma casa em Paris, que se tornou um lugar de encontros semanais para pintores e escritores, tais como Degas, Caillebotte, Monet, Pissaro, Whistler, Puvis de Chavannes, Curet, Renoir, Mallarmé e outros. Mallarmé tornou-se seu admirador e amigo mais íntimo. Berthe pintava especialmente mulheres e crianças, e era o maior expoente feminino do Impressionismo.
Em 1892 ficou viúva e comprou um solar em Mesnil. Em 1895, depois da sua morte, Paul Durand-Ruel realizou, em sua memória,  uma grande exposição com 300 quadros. O prefácio do catálogo foi escrito por Mallarmé. Com as suas impressões leves e radiantes de vida doméstica feliz, ela deu um importante contributo ao Impressionismo.
wikipedia(imagens)


Berthe Morisot por Edouard Manet



Berthe Morisot em 1875, fotografada por  Charles Reutlinger
O Berço - Berthe Morisot
Caça de Borboletas - Berthe Morisot

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

31 de Dezembro de 1877: Morre o pintor francês Gustave Courbet, mestre do realismo

Gustave Courbet, pintor, máximo representante do Realismo francês, morre em La Tour-du-Peilz, em 31 de Dezembro de 1877, devido a uma cirrose hepática, produto do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Para além das artes, era um comprometido activista democrático, republicano e muito próximo dos ideais do socialismo revolucionário.

Foi encarregado da administração dos museus da capital francesa durante a Comuna de Paris. Derrotada a Comuna, foi responsabilizado pelo governo no poder pela destruição da Coluna Vendôme, dedicada a Napoleão Bonaparte, sendo condenado a seis meses de prisão e a pagar uma multa de 300 mil francos. Depois de cumprida a sentença, Courbet  foge para a Suíça em 1873, evadindo-se do pagamento da multa, que era tão alta que só poderia ser paga em 30 anos.
Nasceu em 10 de Junho de 1819 numa localidade perto de Besançon, cuja paisagem reflectiu nas suas obras. Estudou na cidade e, em seguida, em Paris (1840). Os seus pais desejavam que empreendesse a carreira de Direito, porém ao chegar à capital inclinou-se inteiramente pela arte.

Como ele, as suas amizades eram contrárias ao academicismo artístico e literário; entre eles contam-se Baudelaire, Corot e Daumier. A partir da Revolução de 1848, Courbet foi marcado como "revolucionário perigoso".

Em 1845, expôs algumas das suas obras no Palácio das Artes da Exposição Universal de Paris, porém ao ver a rejeição do júri a alguns dos seus quadros decidiu inaugurar uma exposição individual localizada nas proximidades do Campo de Marte, baptizada de “Pavilhão do Realismo”. Entre as telas que exibiu cabe mencionar “O Atelier do Pintor”, em que retratava todas as pessoas que haviam exercido certa influência na sua vida.

Tinha fama de arrogante e sensacionalista. Afirmava que “se deixo de escandalizar, deixo de existir”. Alguns  acusavam-no de provocar escândalos somente para entreter as classes intelectuais e que, na realidade, a sua arte se mantinha fiel a um certo refinamento formal. No entanto, outras vozes, como Delacroix lamentavam que Courbet desperdiçasse a sua habilidade ao eleger temas sem um conteúdo elevado e de não depurar as suas telas de muitos detalhes desnecessários.

Apesar das polémicas, ele chegou a desfrutar de êxitos. Foi-lhe outorgada a medalha da Legião de Honra, que rejeitou. Afirmava que queria morrer “como homem livre, sem depender de nenhum poder nem religião”, se bem que concordou em participar do breve governo da Comuna de Paris de 1871. Dele, o filósofo Proudhon, pai do anarquismo, quis fazer um pintor proletário. Acreditava que a arte poderia sanar as contradições sociais. Admitia o seu compromisso com o socialismo e com o realismo quando afirmava: “Aceito com muito gosto esta denominação. Não somente sou socialista como também sou republicano. Numa palavra, partidário de qualquer revolução e, acima de tudo, um realista (…) realista significando sincero com a verdadeira verdade”.

Num primeiro momento, Courbet pintou paisagens, especialmente os bosques de Fontainebleau e retratos com alguns rasgos românticos. Todavia, a partir de 1849, torna-se decididamente realista. Foi de facto o “fundador” do realismo e a ele se atribuí a invenção de tal termo aplicado à pintura.

A sua técnica era rigorosa com o pincel plano e com a espátula, porém a sua maior inovação é a selecção de temas do dia a dia como motivos dignos dos grandes formatos, que até então eram reservados a “temas elevados”: religiosos, históricos, mitológicos e retratos de personalidades das classes abastadas. Reivindicava a honestidade e a capacidade de sacrifício do proletariado e afirmava que a arte devia estampar a realidade.
Courbet participou da Revolução de 1848, embora não intervindo em feitos sangrentos. A partir de 1849 torna-se realista. Rejeitaria a idealização da arte e a beleza arquetípica, nega-se a criar um mundo ideal à margem da vida.
Em 1867 expõe novamente na Exposição Universal de Paris. Influi e aconselha os primeiros impressionistas. A sua pintura reflete o trabalho e o trabalhador como novo herói, a vida ao ar livre, a cidade com as suas ruas, cafés e casas de dança, a mulher e a morte. Acreditava que a arte poderia resolver as contradições sociais. A sua pintura suscitou enormes polémicas de sectores conservadores da arte e da sociedade em virtude da selecção de “temas vulgares”.


O naturalismo combativo ficou patente nos seus nus femininos, em que evitava as texturas mascaradas e irreais tomadas da pintura e da escultura neoclássica. Reproduz formas mais carnais, que habitualmente eram omitidas nos nus académicos. Exemplo claro é a famosa tela “A Origem do Mundo”.

As suas referências foram os mestres do passado como Velazquez, Zurbarán ou Rembrandt.O seu realismo  converteu-se em modelo de expressão de muitos pintores, contribuindo, por exemplo, para o enriquecimento da obra do mestre Paul Cézanne.

Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)


Auto - retrato - Gustave Courbet


Gustave Courbert retratado por Nadar


 Enterro em Ornans -  Gustave Courbet

File:Gustave Courbet - A Burial at Ornans - Google Art Project 2.jpg

sábado, 29 de dezembro de 2018

29 de Dezembro de 1903: Nasce o pintor brasileiro Cândido Portinari

Artista plástico brasileiro, Cândido Portinari, nasceu a 29 de Dezembro de 1903, numa plantação de café perto de Brodowski, aldeia do estado de São Paulo, Brasil.
Em 1918 parte para o Rio de Janeiro com a intenção de estudar. A par de trabalhos como empregado de uma pensão consegue estudar seguindo os cursos livres de desenho e pintura da Escola de Belas Artes.
A sua primeira obra exposta (1922), um retrato, não chamou a atenção mas, logo no ano seguinte, um outro retrato permitiu lhe obter um prémio. Em 1928, um outro retrato possibilitou lhe uma bolsa de viagem. Durante três anos viajou por França, Itália, Espanha e Inglaterra.
Regressado ao Brasil em 1933 e com poucos meios para sustentar a sua arte, serve se de lençóis como telas pintando o imaginário da sua aldeia natal. A sua arte começa a ser reconhecida a partir de 1935, quando recebe uma menção honrosa da Exposição Internacional de Arte Moderna do Instituto Carnegie em Nova Iorque. Inicia, no ano seguinte, a pintura de murais: os murais do Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro, nos quais trabalhou de 1937 a 1945; os murais da Biblioteca do Congresso de Washington (1942).
Ao longo dos anos a sua obra foi recebendo o reconhecido merecimento. A partir da sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro, em 1939, nunca mais pararam os convites e Cândido Portinari expôs em Detroit e Nova Iorque (1940), Paris (1946 e 1957), Buenos Aires e Montevideu (1947).
A sua arte entrou, também, em igrejas. Portinari pintou uma série de frescos para várias igrejas e catedrais do Brasil.
Em 1954 é vítima de um envenenamento provocado pelas tintas e aconselhado pelos médicos a parar de pintar. Mas nunca deixou de o fazer e pintou até ao fim porque como ele próprio o disse, "a condição de um artista é ser um homem sensível. Não é possível que as emoções mais altas do mundo não toquem um homem normal. A injustiça humana, a miséria, as crianças famintas são um grito tão grande que não pode deixar de ser ouvido".
Cândido Portinari acaba por morrer vítima de novo envenenamento a 8 de Fevereiro de 1962.



Cândido Portinari. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipaintings
Ficheiro:Candido Portinari.jpg


Candido Portinari , 1958

Arquivo: Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco 1936.jpg
Da esquerda para a direita: Cândido Portinari, Antônio BentoMário de Andrade e Rodrigo Melo 

O Mestiço - Cândido Portinari





29 de Dezembro de 1825: Morre Jacques-Louis David, pintor da Revolução Francesa

Jacques-Louis David, pintor francês e maior representante do neoclassicismo, morre em Bruxelas no dia 29 de Dezembro de 1825. Durante anos, ele controlou a actividade artística francesa, sendo o pintor oficial da corte local e de Napoleão Bonaparte.

Quando a monarquia Bourbon foi restaurada, David foi um dos proscritos. Contudo Luis XVIII concedeu-lhe amnistia, oferecendo-lhe uma posição na corte, que David recusou, preferindo o exílio em Bruxelas. Lá pintou Cupido e Psique,  dedicando-se a composições em pequena escala e a retratos. A sua última grande criação foi “Marte desarmado por Vénus e as Três Graças”, terminada um ano antes de sua morte. Desejava que a obra fosse o seu testamento artístico. Exposta em Paris, reuniu uma multidão de admiradores.

Faleceu depois de ter sido atropelado por uma carruagem à saída do teatro. Devido às suas actividades revolucionárias o seu corpo foi impedido de retornar à pátria, sendo sepultado no cemitério Evere, em Bruxelas. O coração, porém, repousa no cemitério Père Lachaise, em Paris.
Jacques Louis David nasceu em Paris em 30 de Agosto de 1748 numa rica família da burguesia. Estudou na Academia Real, conquistando, na sua quarta tentativa, o Prémio de Roma em 1774. Partiu então para a Cidade Eterna, onde permaneceu durante cinco anos. No decurso dessa estadia foi influenciado pela arte clássica e pela obra do pintor do século XVII, Nicolas Poussin.

De volta a Paris em 1780, adopta o seu próprio estilo neo-clássico, inspirando-se nos temas para os seus quadros na Antiguidade Clássica.

A primeira encomenda, “O Juramento dos Horácios” (1784, Museu do Louvre) foi cuidadosamente premeditada para ser o manifesto do novo estilo neo-clássico, destinado a alimentar o sentido cívico do público. Exibindo um tema fortemente moral, ou melhor, patriótico, esta obra tornou-se a principal referência da pintura histórica, nobre e heróica, das duas décadas seguintes.

A partir de 1789, a fim de testemunhar os episódios da Revolução Francesa e amigo de Robespierre, põe a sua arte ao serviço da nação e adopta um estilo mais realista que neo-clássico como atesta “A Morte de Marat” (1793, Museu Real de Belas Artes, Bruxelas). Em 1794, encarcerado por duas vezes no Palácio de Luxemburgo, continuou, não obstante, a pintar e concebe “As Sabinas”que concluiu em 1799.


De 1799 a 1815, foi o pintor oficial de Napoleão Bonaparte, cujo reinado expressou em três grandes telas como Coroação de Napoleão I em 2 de Dezembro de 1804 (1806-1807, Museu do Louvre). Após a queda do imperador, parte para o exílio em Bruxelas – a Itália  recusou-se a acolhê-lo – onde permaneceu até à morte. Abre um atelier e retoma os temas da mitologia grega e romana, adoptando um estilo mais teatral.

Ao longo de toda a carreira foi igualmente um fecundo retratista. Mais intimistas que suas grandes telas, os retratos como Madame Recamier (1800, Museu do Louvre), mostram sua enorme maestria técnica e a psicologia das personagens. Numerosos críticos modernos consideram que os retratos de David, destituídos do discurso moral e submetidos a uma técnica mais simples, constituem a sua maior realização artística.

A carreira de David simboliza de qualquer modo a passagem do estilo rococó do século XVIII ao realismo do século XIX.  O seu estilo de poderoso impacto aliado à grande maestria no desenho influencia fortemente Antoine Gros e Jean Auguste Ingres, um dos últimos representantes do neo-classicismo. Os temas patrióticos e heróicos preparam o caminho para o romantismo

David apoiou a Revolução Francesa desde o início, era amigo de Robespierre e membro do Clube dos Jacobinos. Enquanto outros deixavam o país, David permaneceu para auxiliar na queda do antigo regime, votando pela morte do rei. De facto, na primeira Convenção Nacional ele foi alcunhado de "terrorista feroz".
Logo, porém, voltou a sua crítica contra a Academia, possivelmente por causa da hipocrisia que sentia nos bastidores e da oposição que suas obras haviam sofrido no início da carreira. Os ataques trouxeram-lhe ainda maiores inimizades, uma vez que a instituição era refúgio dos realistas. Todavia, com o aval da Assembleia Nacional planeou reformas na antiga escola segundo a nova constituição, passando a desempenhar um papel de propagandista da República tanto pela sua actuação pública como através das pinturas.

Napoleão e David admiravam-se mutuamente. David desde o primeiro encontro ficara impressionado com o então general. Quando este subiu ao trono, David solicitou fazer o seu retrato. Depois  pintou-o  na cena da coroação, nas bodas com Josefina, outra grande composição, e de novo na da passagem dos Alpes, montado num fogoso cavalo.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Auto retrato 1794


 


terça-feira, 25 de dezembro de 2018

25 de Dezembro de 1983: Morre o pintor espanhol Joan Miró

Pintor espanhol nascido a 20 de abril de 1893 e falecido a 25 de dezembro de 1983. Frequentou a Escola de Belas-Artes de Barcelona e a Academia Gali. Os primeiros trabalhos receberam a influência dos pós-impressionistas, especialmente de Vincent Van Gogh e depois de Matisse. Instalou-se em Paris em 1920, e conheceu Picasso. Integrou-se no movimento surrealista e participou na primeira exposição surrealista em 1925. Em A Herdade, Montroig, Barcelona (1921-22) mistura formas reais e fantásticas e esse estilo torna-se mais abstrato e "surrealista" em O Carnaval de Arlequim e em Paisagem Catalã. Experimentando o "automatismo psíquico", os seus trabalhos tornaram-se mais abstratos e fantasistas. A influência de Paul Klee faz-se sentir neste período, na criação de uma imagética inventiva e enganadoramente infantil. Nos finais dos anos vinte fazia uma série de colagens que evoluíram para objetos tridimensionais. Nos anos trinta fazia objetos de madeira semelhantes às formas que criava na sua pintura. Estas construções estavam em paralelo com a obra de Arp, e é muito provável que os dois artistas se tenham influenciado mutuamente. Entretanto, os trabalhos de Miró passaram por uma fase mais sombria, as cores tornaram-se mais escuras e as formas mais monstruosas. Perdeu depois esta agressividade e começou a incluir nas suas composições pessoas e animais. Foi ainda o cenarista do bailado de Diaghilev Roméo et Juliette (1925) e do bailado do ballet de Monte Carlo Jeux d'Enfants (1931). Executou murais de grandes dimensões, nomeadamente para a Exposição Universal de Paris de 1937 e para a Universidade de Harvard, em 1950, e murais em cerâmica para a sede da Unesco em Paris, em 1955. Fez peças em cerâmica originais, semelhantes às figuras que povoam os seus quadros.   
Joan Miró. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)

File:Portrait of Joan Miro, Barcelona 1935 June 13.jpg
Joan Miró por Carl Van Vechten, 1935


A Quinta -  Joan Miró
File:TheFarmMiro21to22.jpg

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

18 de Dezembro de 1879: Nasce o pintor Paul Klee

Artista suíço, Paul Klee nasceu a 18 de dezembro de 1879, na Suíça. Filho de um professor de música, começou desde cedo a tocar violino. Em 1900 inscrevia-se na Academia de Belas-Artes de Munique, começando por utilizar a pena e a tinta e a gravura. Os temas continham algo de sinistro e satírico, na tradição do fantástico presentes em artistas como Francisco Goya, William Blake ou Odilon Redon. Na sua primeira exposição individual em 1910 apresentava gravuras. O contacto com o grupo de artistas alemães Blaue Reiter e sobretudo uma viagem à Tunísia em 1914 assumiram uma importância fundamental na evolução da sua estética. Começou a pintar aguarelas de paisagens e motivos de arquitetura, construindo as composições a partir de formas simples que criam um ambiente ingénuo e bem-humorado. Em O Zoo (1918) desenvolveu a técnica iniciada na Tunísia. As imagens possuem um aspeto deliberadamente infantil, o que empresta a toda a construção uma característica poética não isenta de humorismo. Em 1920 foi convidado por Gropius a integrar o corpo docente da escola Bauhaus e a partir daqui o seu trabalho vai refletir a ideologia da escola, mas num ambiente muito pessoal. Em Juniper (1930) apresenta uma visão humorística da estética construtivista que então singrava na Bauhaus. Procurou ainda teorizar as suas conceções de Arte em Maneiras de Estudar a Natureza (1923), Esboços de Pedagogia (1925) e Experiências Exatas no Realismo da Arte (1928), sem contudo propor um todo sistemático e coerente. Com a ascensão do regime nazi, regressou a Berna em 1933. Começou a pintar com linhas pretas, grossas, construindo composições simples e ousadas: Sinais Negros (1938), Jogo de Crianças (1939). O humor dos trabalhos anteriores era contudo menos evidente e o clima era por vezes mesmo ameaçador, como em Morte e Fogo e Máscara (1940). Veio a falecer na cidade de Berna a 29 de junho de 1940. Apesar de ter partilhado as teorias de Kandinsky, Paul Klee desenvolveu um universo pictural muito próprio, partindo de formas abstratas e fantásticas e criando uma arte subjetiva espontaneamente poética.
Paul Klee. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)
 Ficheiro:Paul Klee 1911.jpg

Paul Klee em1911, fotografado por Alexander Eliasberg
File:Paul Klee Flower Myth 1918.jpg
Flower Myth - Paul KleeRed Balloon - Paul Klee

Ficheiro:Fish Magic.JPG
Fish Magic - Paul Klee