Mostrar mensagens com a etiqueta Rússia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rússia. Mostrar todas as mensagens

domingo, 3 de março de 2019

03 de Março de 1918: A Rússia firma o Tratado de Brest-Litovsk com as Potências Centrais

Um dia após os bolcheviques assumirem o controlo dos quartéis-generais militares russos em Mogilev, um cessar-fogo formal é proclamado em 2 de Dezembro de 1917 em toda a zona de batalha entre a Rússia e as Potências Centrais (Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano).

Imediatamente após tomarem o poder na Rússia, em Novembro de 1917, os bolcheviques, liderados por Lenine, buscaram contactos com as Potências Centrais para estabelecer um armistício e o fim de uma guerra que eles sabiam ser o maior obstáculo para prover de alimento e terra a população camponesa russa empobrecida e esfaimada.
Leon Trotsky, no exercício das relações exteriores, pressionou o Reino Unido e a França para abrir negociações de paz, ameaçando estabelecer paz em separado caso as suas demandas não fossem aceites. Não tendo recebido resposta dos Aliados, os bolcheviques seguiram adiante com os seus planos, definindo um apelo de paz que foi bem recebido tanto pela Alemanha quanto pelo Império Austro-húngaro.

Como resultado das subsequentes negociações de Brest-Litovsk, concluídas em Março de 1918, após três meses de intensos debates e até de renovados combates militares em algumas áreas, a Rússia perdeu quase dois milhões de quilómetros quadrados do seu território, um terço da sua população, a maior parte do seu carvão, petróleo e jazidas de ferro e muito da sua indústria.

Lenine insistiu que o Congresso dos Sovietes aceitasse a “paz vergonhosa” como ele mesmo a chamou, “a fim de salvar a revolução mundial” e a sua “única base de sustentação – a república soviética.”

A retirada da Rússia da guerra foi um dos principais objectivos da Revolução de Outubro de 1917 e uma das prioridades do recém-criado governo bolchevique. A guerra tornara-se impopular entre o povo russo, devido às imensas perdas humanas (cerca de quatro milhões de mortos).

Entretanto, os termos do Tratado de Brest-Litovsk, assinado no dia 3 de Março de 1918,  eram humilhantes. Por meio do acordo, a Rússia perdia o controlo sobre a Finlândia, Países Bálticos (Estónia, Lituânia e Letónia), Polónia, Bielorrúsia e Ucrânia, assim como das regiões turcas de Ardaham e Kars e do distrito georgiano de Batumi, antes sob seu domínio. Estes territórios continham um terço da população da Rússia, metade da sua indústria e nove décimos de suas minas de carvão.

A maior parte desses passariam,  na prática, a pertencer ao Império Alemão, sob a tutela de reis e duques. Contudo, a derrota da Alemanha na guerra, concluída com o armistício com os países Aliados em Compiègne em 11 de Novembro de 1918, permitiu que Finândia, Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia se tornassem Estados soberanos.

Os monarcas indicados tiveram que renunciar aos seus tronos. Por outro lado, a Bielorrússia e a Ucrânia envolveram-se na Guerra Civil russa e terminaram por ser novamente anexadas ao território russo, então sob o nome de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)



Delegação bolchevique em Brest-Litovsk. Sentados, desde a esquerda: Lev V. Kamenev, Adolff.A.Ioffe, Anastasia A.Bitzenko. De pé: V. V. Lipskiy, P. Stučka, Lev D. Trotsky, Lev M.Karakhan




As primeiras duas páginas do Tratado de Brest-Litovsk, escrito em alemão, húngaro, búlgaro, turco otomano e russo.
 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

16 de Janeiro de 1547: Ivan, O Terrível, é coroado Czar de todas as Rússias.

Nasceu em 25 de Agosto de 1530, em Kolomenskoye, perto de Moscovo [Rússia], morreu em 18 de Março de 1584, em Moscovo.
Grande príncipe de Moscovo (1533-84) foi o primeiro monarca a ser proclamado czar da Rússia, em 1547. O seu reinado viu a criação de um Estado russo centralizado e o início de um império.
Filho do grão-duque Vassili III de Moscovo e da sua segunda mulher, Yelena Glinskaya,  foi o penúltimo representante da dinastia Rurik. Em 4 de Dezembro de 1533, imediatamente após a morte de seu pai, tendo três anos de idade, Ivan foi proclamado grão-príncipe de Moscovo. A mãe regeu a Rússia em nome do filho até à sua morte em 1538, possivelmente por envenenamento. A morte dos pais serviu para reavivar as lutas das várias facções de nobres pelo controlo da pessoa do príncipe e do poder. Os anos 1538-47 foram, por isso, um período de conflitos sanguinários entre os vários clãs da casta guerreira dos boiardos. As lutas permanentes para o controlo do governo em detrimento do reino causou uma profunda impressão no grão-duque, craindo-lhe uma aversão aos boiardos que se manteve ao longo de toda a vida.
Em 16 de Janeiro de 1547, Ivan foi coroado czar e grão-príncipe de toda a Rússia. O título czar foi obtido a partir do título latim caesar (César) e foi traduzido pelos contemporâneos de Ivan como "imperador". Em Fevereiro de 1547 Ivan casou-se com Anastasiya Romanovna, tia-avó do futuro primeiro czar da dinastia Romanov.

Ivan foi grandemente influenciado, pelo menos desde 1542, pelas ideias do bispo metropolita de Moscovo, Makari, que incentivou o jovem czar a estabelecer, como desejava, um estado cristão baseado nos princípios da justiça. O governo de Ivan iniciou um vasto programa de reformas e de reorganização da administração central e local. Os concílios da Igreja convocados em 1547 e 1549 reforçaram e sistematizaram a organização da Igreja, reforçando a ortodoxia e canonizando um grande número de santos russos. Em 1549 a primeira zemski sobor reuniu-se para exercer a sua capacidade consultiva – esta assembleia nacional era composta de boiardos, clérigos e alguns representantes eleitos da nova nobreza de serviço. Em 1550 um novo e mais detalhado código jurídico foi elaborado substituindo um datado de 1497. A administração central da Rússia também foi reorganizada em departamentos, cada um responsável por uma função específica do Estado. As condições de serviço militar foram melhoradas, as forças armadas foram reorganizados e o sistema de comando alterado de modo que os comandantes passassem a ser nomeados com base no mérito e não simplesmente em virtude de sua origem nobre. O governo também permitiu que os administradores distritais fossem eleitos pela aristocracia local, criando assim uma ampla zona de auto-governo.
Um dos objectivos das reformas era o de limitar os poderes da aristocracia hereditária de príncipes e boiardos (que continuaram a manter as suas propriedades hereditárias) e promover os interesses da aristocracia de serviço, que recebeu as suas terras como compensação pelo serviço governamental e que passou a estar, assim, dependente do czar. Todas as reformas ocorreram sob a égide do chamado "Conselho Escolhido", um órgão consultivo informal em que as principais figuras eram os favoritos do czar Aleksey Adashev e o padre Silvestre. A influência do conselho foi diminuindo até que desapareceu completamente no início de 1560, após a morte da primeira mulher de Ivan e de Makari, altura em que as ideias de Ivan assim como o núcleo dos seus principais seguidores tinham mudado. A primeira mulher de Ivan, Anastasiya, morreu em 1560, e apenas dois herdeiros do sexo masculino, Ivan (n. 1554) e Fyodor (n. 1557), sobreviveram aos enormes rigores da infância naquela época.

A Rússia esteve em guerra durante a maior parte do reinado de Ivan. Os governantes moscovitas temiam desde sempre as incursões dos tártaros e, entre 1547 e 1550 foram realizadas várias campanhas sem sucesso contra o hostil Canato de Kazan, no rio Volga. Em 1552, depois de preparativos prolongados, o czar avançou contra Kazan, tendo o exército russo conseguido finalmente tomar a cidade de assalto. Em 1556 o Canato de Astracã, localizado na foz do rio Volga, foi anexado sem luta. A partir daquele momento, o Volga tornou-se um rio russo, e a rota comercial para o mar Cáspio passou a ser segura.

Com ambas as margens do rio Volga garantidas, Ivan preparou-se para uma campanha que desse à Rússia uma saída para o mar, a tradicional preocupação da Rússia litoral. Ivan percebeu que o comércio com a Europa estava totalmente dependente do livre acesso ao mar Báltico e decidiu voltar sua atenção para  oeste. Em 1558 decidiu-se pela guerra, numa tentativa de estabelecer o domínio russo sobre a Livónia (hoje em dia a Letónia e a Estónia). No início, a Rússia teve algum sucesso e conseguiu destruir o poder dos  cavaleiros da Livónia, mas a Lituânia, aliada dos cavaleiros, tornou-se em 1569 parte integrante da Polónia. A guerra arrastou-se e, enquanto os suecos apoiavam a Polónia contra a Rússia, os tártaros da Crimeia atacaram Astracã fazendo, em 1571, uma incursão profunda pelo interior da Rússia; queimaram Moscovo, deixando de pé unicamente o Kremlin. Quando Estêvão Bathory da Transilvânia se tornou rei da Polónia, em 1575, reorganizou os exércitos polacos sob a sua direcção, tornando-os capazes de levar a guerra até ao território russo, enquanto os suecos reocupavam partes da Livónia. Ivan acabou por pedir ao papa Gregório XIII para intervir, e através da mediação do núncio papal, Antonio Possevino, foi assinado um armistício com a Polónia em 15 de Janeiro de 1582. Nos termos do acordo Rússia perdia todos as suas conquistas na Livónia, e um armistício com a Suécia, em 1583, obrigou a Rússia a abandonar as cidades no golfo da Finlândia. A Guerra da Livónia, que durara 24 anos, fora infrutífera para a Rússia e tinha-a esgotado devido à sua prolongada duração.
As primeiras execuções de Ivan surgiram, aparentemente, devido à sua decepção com o curso da Guerra da Livónia e a suspeita da traição de vários boiardos. A deserção de um dos seus melhores comandantes, o príncipe Andrey Kurbsky para a Polónia, em 1564, parece ter perturbado o czar, que anunciou mais tarde a sua intenção de abdicar, devido à traição dos boiardos. Os moscovitas, no entanto, liderados pelo clero, imploraram-lhe que continuasse a governar e, em 1565, aceitou o pedido com a condição de que puderia lidar com os traidores como desejava. Seria autorizado a formar umaOprichnina, isto é, a organizar um território que seria administrado separadamente do restante território do principado e colocado sob seu governo directo, como terra da coroa. Um corpo de guarda-costas de 1.000 a 6.000 homens, conhecido como oprichniki, foi recrutado, e cidades e distritos específicos em toda a Rússia foram incluídos no Oprichnina, sendo as receitas provenientes destes territórios atribuídas à manutenção da nova corte do czar e dos que o serviam; corte formada por um número cuidadosamente seleccionado de boiardos e de nobres de serviço. Ivan vivia exclusivamente no interior desta nova corte deixando a administração diária da Rússia (agora chamada zemschina, ou terra), que colocou nas mãos dos principais dirigentes boiardos e de administradores. Ivan deixou praticamente de comunicar com eles, enquanto o oprichniki atacava impunemente todos os que não faziam parte do círculo imediato do czar.

A maioria dos historiadores tende a considerar esta época do reinado de Ivan, o Terrível, como uma luta foi entre o czar e da antiga nobreza hereditária, que, com ciúmes de entregar o seu poder e privilégios, resistiu aos seus projectos de reformas interna e militar. O Oprichnina pode ter sido, assim, a tentativa de Ivan criar um Estado altamente centralizado e destruir os poderes económico e  político dos príncipes e da alta nobreza. Os boiardos, de facto, estavam cada vez mais ressentidos com a política de Ivan e conspiraram contra ele várias vezes, mas o reinado de terror que Ivan iniciou por meio do Oprichnina mostrou-se muito mais perigoso para a estabilidade do país do que o perigo que tinha intenção de suprimir. Em 1570, por exemplo, o czar conduziu pessoalmente as suas tropasoprichniki contra Novgorod, destruindo a cidade e executando vários milhares de habitantes. Muitos boiardos e outros membros da aristocracia morreram neste período, alguns executados publicamente com crueldade calculada. Mais tarde Ivan enviou para vários mosteiros memoriais (sinodiki) de mais de 3.000 das suas vítimas, a maioria dos quais foram executados no decurso do Oprichnina.

Oprichnina durou apenas sete anos, de 1565-1572, data em que foi abolido como resultado do fracasso dos regimentos Oprichnina em defender Moscovo do ataque dos tártaros da Crimeia. O exército Oprichnina foi integrado no  zemschina, e algumas das propriedades confiscadas por apoiantes de Ivan foram devolvidos aos seus proprietários. Mas o episódio do Oprichnina deixou uma marca sangrenta no reinado de Ivan, causando dúvidas sobre sua estabilidade mental e dando a ideia de Ivan, O Terrível, ter sido um governante  desconfiado e vingativo.

No fim do seu reinado o czar manifestou interesse em estabelecer relações diplomáticas e comerciais com a Inglaterra, chegando mesmo a mostrar disponibilidade para se casar com uma mulher nobre inglesa. Em 1575, parece ter abdicado durante cerca de um ano em favor de um príncipe tártaro, Simeão Bekbulatovich. Durante a década de 1570 casou-se cinco vezes, em rápida sucessão. Finalmente, num acesso de raiva, matou o seu único herdeiro viável, Ivan, em 1581. Este assassinato despoletou a crise política que começou com a extinção da dinastia Rurik após a morte do seu segundo filho o doente Fyodor, em 1598.

As conquistas do czar Ivan foram muitas. Na política externa, todas as suas acções dirigiram-se a forçar a ligação da Rússia à Europa, uma linha que Pedro I, o Grande, continuou. Internamente, o reinado de terror de Ivan acabou por resultar no enfraquecimento de todos os estratos aristocráticos, mesmo da nobreza de serviço que ele tinha patrocinado. A longa e mal sucedida Guerra da Livónia ultrapassou os recursos do Estado e quase levou a Rússia à bancarrota. Estes factores, juntamente com as incursões dos tártaros, tiveram como resultado o despovoamento de várias províncias russas à data da morte de Ivan, em 1584. No entanto, deixou o país muito mais centralizado, tanto administrativa como culturalmente.
Fontes:Encylopaedia Britannica
wikipedia (imagens)



Retrato de Ivan IV por Viktor Vasnetsov 
O Czar Ivan IV admira sua sexta esposa, Vasilisa Melentyeva. Pintura de 1875, por Grigory Semyonovich Sedov


domingo, 16 de dezembro de 2018

16 de Dezembro de 1916: Grigori Rasputin é assassinado em S.Petersburgo, na Rússia.

Monge ortodoxo russo, de seu verdadeiro nome Grigori Iefimovitch, nasceu em Prokrovskoie, junto a Tiumen, na Sibéria, em 1864 ou 1865, e faleceu em Petrogrado (São Petersburgo) a 16 de Dezembro de  1916. Proveniente de uma família de camponeses iletrados, adquiriu fama de santo homem e de curandeiro capaz de obrar milagres.
Por volta de 1905, a sua conhecida reputação de místico introdu-lo no círculo restrito da Corte imperial russa, onde consta que chega mesmo a salvar Alexis, o filho do czar, de hemofilia. Perante este acontecimento, a czarina Alexandra Fedorovna dedicar-lhe-á uma atenção cega e uma confiança desmedida, denominando-o mesmo de "mensageiro de Deus". Com esta proteção, rapidamente Rasputin, influenciando ocultamente a Corte e principalmente a família imperial russa, colocará homens como ele no topo da hierarquia da poderosa Igreja Nacional Russa. Todavia, o seu comportamento dissoluto, licencioso e devasso (orgias, envolvimento com mulheres da alta sociedade) dará azo a denúncias por parte de políticos atentos à sua trajetória poluta, entre os quais se destacam Stolypine e Kokovtsov. O czar Nicolau II afasta então Rasputin, mas a czarina Alexandra mantém a sua confiança absoluta no decadente monge.
A Primeira Guerra Mundial trará novos contornos à atuação de Rasputin, odiado pelo povo, que o acusa de espionagem ao serviço da Alemanha. Escapa a várias tentativas de aniquilamento, mas acaba por ser vítima de uma trama de aristocratas da grande estirpe russa, entre os quais Yussupov. É envenenado num jantar a 16 de Dezembro de 1916. Durante um banquete, o príncipe Yussupov e os seus amigos ofereceram a Rasputin um pudim contendo cianeto de potássio em quantidade suficiente para matar várias pessoas. Embora Rasputin tenha comido grande quantidade desse pudim, ele não morreu. Por esse motivo, e pelo facto de serem atribuídos poderes satânicos ao monge criou-se uma lenda de sobrenaturalidade .  A lenda só foi desfeita em 1930, quando foi descoberto que alguns açúcares, como a glicose e a sacarose, se combinados com o cianeto, formam uma substância praticamente sem toxicidade, denominada cianidrina. Posteriormente, Rasputin teria sido fuzilado, sendo atingido por um total de onze tiros, tendo no entanto sobrevivido; foi castrado e continuou  vivo somente quando foi agredido e o atiraram inconsciente no rio Neva ele morreu, não pelos ferimentos, mas por hipotermia.
Rasputine. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (imagens)

 
Rasputin em 1915


 
Rasputin com a sua  filha (esquerda) c. de 1911
Príncipe Félix Yussupovassassino de Rasputin


terça-feira, 20 de novembro de 2018

20 de Novembro de 1910: Morre o escritor russo Leon Tolstoi, autor de "Anna Karenina" e "Guerra e Paz"

O conde Lev Nikolaievitch Tolstoi nasceu a 09 de setembro de 1828, em Isnaia Poliana, na Rússia central. Os seu pais pertenciam a famílias distintas da nobreza russa. Órfão bastante cedo, é colocado com os seus irmãos sob a tutela de familiares. Sentindo necessidade de uma vida regrada, segue a carreira militar, o que não o impede de publicar várias narrativas autobiográficas. Infância, o seu primeiro trabalho, aparece na revista O Contemporâneo, em 1852. Seguem-se Adolescência (1854) e Juventude (1855). Entre 1852 e 1856 publica igualmente narrativas sobre as suas experiências militares. Estas novelas trazem-lhe a celebridade. Defende os valores da autenticidade, do natural, presentes na vida dos camponeses, em oposição aos valores artificiais das classes privilegiadas. Posiciona-se como um liberal moderado, o que não o impede de se colocar a favor da abolição da servidão dos camponeses e desenvolve mesmo métodos pedagógicos de educação popular. Em 1862 casa-se com Sofia Andreevna Bers e instala-se na sua propriedade em Isnaia Poliana. Termina Os Cossacos em 1863 e nesse mesmo ano inicia o projeto de Guerra e Paz (1863-69). Para o autor, não são os grandes nomes que fazem a História e que comandam os acontecimentos; é ao povo, enquanto guardião da verdade e fiel aos seus instintos, que compete representar o papel principal no desenrolar dos factos históricos. O romance Ana Karenine (1873-77) relata o amor trágico de uma mulher sob fundo de emancipação feminina e de mudanças sociais profundas. Nos anos seguintes, uma grave crise moral e psicológica, relatada no ensaio Confissão (1879), leva-o a encetar uma busca da essência da mensagem espiritual, resumida nos princípios cristãos de amor a Deus e ao próximo. A rutura com a Igreja será irreversível em 1901, com a sua excomunhão, o que não deixa de o tornar popular entre a juventude intelectual. Entretanto, nos últimos romances, a condição humana é analisada através de uma lucidez sombria; o ser humano pode resgatar-se pela conversão espiritual. A Morte de Ivan Ilitch (1886), A Sonata a Kreutzer (1890), Ressurreição (1889-99) e Hadji Mourat (1890-1904) fazem parte deste período. Escreve igualmente ensaios em que condena as sociedades modernas baseadas na procura do supérfluo e evidencia uma exigência moral que resultará num conflito interior extremo. É alvo de todas as atenções quando apenas procura a simplicidade e a renúncia. A sua autoridade, a celebridade que conquistou, tornam-se um obstáculo à sua questa espiritual. Em fuga, acaba por encontrar a morte a 20 de novembro de 1910, na estação de caminhos de ferro de Astapovo.
Leão Tolstoi. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Fonte Fotografia: Wikipédia



Tolstoi com 20 anos


Única fotografia a cores de Tolstoi, em Yasnaya Polyana (1908).



sábado, 17 de novembro de 2018

17 de Novembro de 1796: Morre Catarina, " a Grande", Imperatriz da Rússia

Catarina II, a Grande (nascida Sofia Augusta Frederica de Anhalt-Zerbst, a 2 de Maio de 1729 e falecida a 17 de Novembro de 1796) foi uma imperatriz russa. Catarina subiu ao poder após uma conspiração que depôs o seu marido, o czar Pedro III (1728 – 1762),  o seu reinado foi um dos pontos altos da Nobreza Russa
A família da mãe de Catarina (ainda conhecida pelo seu nome de nascimento, Sofia) estava intimamente ligada à família imperial russa. O seu tio materno, Carlos Augusto de Holnstein, tinha sido um dos pretendentes a casar-se com a Imperatriz Isabel I, mas morreu de sarampo antes do casamento acontecer. Durante a sua procura de noivas para o seu sobrinho Pedro, Isabel interessou-se por Sofia e convocou-a a São Petersburgo.
A família deixou Zerbst no dia 10 de Janeiro de 1744. Alguns dias mais tarde, Sofia despediu-se do seu pai em Schwedt, nas margens do rio Oder, e continuou a viagem com a sua mãe. Realizada a meio do Inverno, a viagem foi longa e extenuante. Quando atravessaram a fronteira russa, mãe e filha encontraram trenós, enviados pela Imperatriz Isabel. O resto da viagem foi luxuosa, no entanto, ao chegar triunfantemente a São Petersburgo, foram informadas de que a Corte se encontrava em Moscovo na altura. Por isso, após um breve período de descanso, elas voltaram a fazer-se à estrada, uma vez que queriam chegar à segunda cidade mais importante do Império a tempo do aniversário do Grão-duque Pedro que se realizaria a 10 de Fevereiro. Segundo relatos da época, a Imperatriz gostou imediatamente de Sofia. O Grão-duque ficou contente por vê-las, já que a mãe de Sofia era prima directa do seu pai. A futura noiva notou imediatamente uma certa fragilidade em Pedro, uma analise acertada, visto que ele sofria de todo o tipo de doenças. 
Sofia começou a aprender russo e a estudar a Religião Ortodoxa, o que agradou à Imperatriz Isabel. No dia 28 de Junho, Sofia converteu-se numa grande cerimónia. No dia seguinte aconteceu o noivado e a Princesa Sofia de Anhalt-Zerbst tornou-se na Grã-duquesa Catarina Alexeyevna da Rússia e passou a ser a segunda mulher mais importante do país.
Pouco tempo depois, Pedro contraiu sarampo e depois começou a mostrar sintomas de varicela. Foi a própria Imperatriz que cuidou dele durante a doença, que o deixou com o rosto desfigurado e com muito pouco cabelo. Ele sabia como a doença o tinha deixado ainda menos atraente, o que destruiu a pouca confiança que lhe restava. Catarina achava-o uma criatura penosa e olhava para o casamento com muito pouco entusiasmo. Na altura Pedro tinha começado a beber em excesso e o seu comportamento tornou-se cruel. A corte regressou a São Petersburgo e, após vários adiamentos, o casamento aconteceu no dia 21 de Agosto de 1745 na Catedral de Kasan.
O jovem casal habituou-se um ao outro, mas o casamento foi um erro. A mãe de Catarina acabou por regressar a casa e a futura Imperatriz ocupou-se lendo tudo o que lhe viesse parar às mãos. Acabou por descobrir satisfação quando avançou dos trabalhos de Platão para os de Voltaire. O seu interesse pelo intelectual causou uma separação ainda maior entre ela e o marido, que a começou a evitar. Os anos foram passando e não havia nenhum herdeiro à vista, irritando profundamente a Imperatriz que culpava Catarina por não se conseguir tornar atraente aos olhos do marido. O facto de ela ter arranjado um amante, é pouco surpreendente no meio de toda a pressão a que estava sujeita. Em 1754 ela finalmente deu à luz um filho, Paulo. Alexei foi o filho nascido da relação de Catarina com o Conde Gregório Orlov, nascido a 11 de Abril de 1762. O seu apelido foi escolhido como uma derivação do nome da casa onde a sua família vivia, Brobrinskoe. Isabel foi a filha de Catarina com o Príncipe Potemkin-Tauria. Nasceu em segredo, em Moscovo, durante as comemorações do final da Guerra Russo-Turca, a 13 de Julho de 1775. 
Após a morte da imperatriz Isabel a 5 de Janeiro de 1762, Pedro, o grão-duque de Holstein-Gottorp, sucedeu ao trono como Pedro III da Rússia. Catarina, que antes detinha o título de grã-duquesa, tornou-se imperatriz-consorte da Rússia. O casal imperial mudou-se para o novo Palácio de Inverno em São Petersburgo.Em Julho de 1762, pouco depois de estar seis meses no trono, o czar Pedro cometeu o erro político de se retirar com os seus cortesãos de Holstein para Oranienbaum, na Finlândia, deixando a sua esposa sozinha em São Petersburgo. Nos dias 13 e 14 de Julho, a guarda imperial revoltou-se, depôs Pedro e proclamou Catarina como governante da Rússia. O golpe sem sangue teve sucesso.Três dias depois, a 17 de Julho de 1762, Pedro III morreu em Ripsha, às mãos do irmão mais novo de Gregório Orlov, o amante de Catarina. 
Catarina ansiava por ser reconhecida como uma soberana iluminista. Foi ela a pioneira naquele que seria mais tarde o papel da Grã-Bretanha ao longo do século XIX, o de mediadora internacional de disputas que poderiam levar à guerra. Catarina tinha a reputação de ser uma mecenas das artes, literatura e educação. O Museu Hermitage, começou a partir da colecção privada da imperatriz. Escreveu ainda comédias, ficção e uma autobiografia enquanto se correspondia com Voltaire, Diderot e d’Alembert, todos eles autores da primeira Enciclopédia que, mais tarde, cimentaram a sua reputação através da escrita. Os principais economistas da época, Arthur Young eJacques Necker, tornaram-se membros estrangeiros da Sociedade Económica Livre seguindo a sugestão dela de se instalarem em São Petersburgo em 1765. 
Catarina faleceu no dia 17 de Novembro de 1796 após ter sofrido um ataque cardiaco .
             wikipedia


Catarina com o marido, o czar Pedro III e o filho, PauloFicheiro:Anna Rosina de Gasc, Le grand-duc Pierre Fiodorovitch, la grande-duchesse Catherine Alexeïevna et un page (1756).jpg


Alegoria de Catarina após a vitória russa na Guerra Russo-Turca de 1768-1774

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

16 de Novembro de 1920: Guerra Civil Russa, tomada de Sebastopol pelos Bolcheviques

O general russo Pyotr Wrangel, líder do Exército Branco, sucumbe em Sebastopol, em 16 de Novembro de 1920, frente aos bolcheviques do Exército Vermelho, que tinham cercado o istmo de Perekop e tomado a cidade, obrigando Wrangel e os seus aliados a bater em retirada.
A guerra civil russa foi um conflito armado que eclodiu em 1917 e terminou  em 1922. Durante este período, tropas de ocupação de 13 países estrangeiros mais exércitos e milícias de diversas matizes políticas, ex-generais czaristas, republicanos liberais, milícias anarquistas do exército insurgente makhnovista, reunidos no que se convencionou chamar de Exército Branco, tentaram derrotar a Revolução bolchevique com o objectivo de voltar o status quo anterior. O Exército Vermelho foi o único vencedor da guerra, após a qual foi constituído o Estado soviético sob liderança dos bolcheviques.


As divisões na sociedade russa já eram evidentes em 1905, quando eclodiu uma revolução popular que atingiu o seu ponto crítico depois do país ter sido derrotado na guerra contra o Japão. A revolução seguinte, em Fevereiro de 1917 foi a que levou à abdicação do czar Nicolau II, mas dividiu o país uma vez que havia uma grande disparidade entre a classe dominante e a população pobre. Os bolcheviques, liderados por Lenine, receberam forte apoio popular e estavam unidos quando tomaram o poder em Outubro, enquanto os opositores se dividiam num amplo espectro de tendências.



O principal instrumento armado na defesa da Revolução bolchevique foi o Exército Vermelho, que teve origem no operariado das fábricas e entre soldados e marinheiros que voltavam da Primeira Guerra Mundial. Esses militantes operários e soldados  organizaram-se em destacamentos conhecidos como Guardas Vermelhos e ajudaram os bolcheviques a conquistar o poder. As forças derrotadas reuniram-se em torno de militares depostos e constituíram o que se chamou de Exército Branco que contou com tropas e apoio logístico de forças de 13 países estrangeiros no sentido de promover a contra-revolução.

Aproveitando-se do caos em que o país se encontrava, as nações aliadas da primeira guerra mundial resolveram intervir a favor dos brancos. Tropas inglesas, francesas, americanas e japonesas e outras desembarcaram tanto nas regiões ocidentais - Crimeia e Geórgia -  como nas orientais - Vladivostok e Sibéria Oriental. O objectivo declarado era derrocar o governo bolchevique e instaurar um regime favorável à continuação da Rússia na guerra. Contudo o objectivo principal, não declarado, era evitar a “contaminação” da Europa pelos ideais socialistas. O primeiro-ministro da França Clemenceau deixou claro essa hipótese ao enunciar que as potências ocidentais deveriam estabelecer um “cordão sanitário” em torno da Rússia.
Nos dias finais da guerra civil, o Exército Branco efectuou desembarques nos rios Kuban e Don, aproximando-se da bacia do Donetz e ameaçando os centros carboníferos do país. A situação do poder soviético complicava-se porque o Exército Vermelho estava já bastante cansado. As tropas vermelhas foram obrigadas a avançar em condições extremamente difíceis, atacando as tropas de Wrangel e lutando, ao mesmo tempo, com os grupos anarquistas de Majno, que ajudavam o general branco.


Porém, apesar de Wrangel ter em seu favor a superioridade da técnica, apesar de carecerem as tropas soviéticas de tanques, o Exército Vermelho expulsou Wrangel para a península da Crimeia. Em meados de Novembro de 1920, o Exército Vermelho tomou as posições fortificadas de Perekop, irrompeu na Crimeia, esmagou as tropas de Wrangel e libertou essa península das mãos dos guardas brancos e dos intervencionistas. A Crimeia passou a formar parte do território soviético.



Não havia porém terminado completamente a intervenção estrangeira. A intervenção armada dos japoneses no Extremo Oriente continuou até 1922. Houve, além disso, várias tentativas destinadas a organizar novas intervenções, como a de Seminov e do barão Ungern, no Oriente, e a branco-finlandesa na Carélia, em 1921. Contudo, as forças fundamentais da intervenção haviam sido destruídas em fins de 1920.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)





 
Cartaz do exército branco contra os bolcheviques
Tanques franceses em Odessa durante a intervenção aliada de 1918-1919

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

14 de Setembro de 1812: Napoleão Bonaparte entra em Moscovo. A cidade é incendiada pelos russos.

No dia 24 de Junho de 1812, o chamado "Grande Exército" do imperador Napoleão I atravessou o rio Niemen e forçou as fronteiras do império do czar Alexandre I. As tropas napoleónicas, reforçadas por cerca de 700 mil combatentes, penetraram sem dificuldades no interior da Rússia até Moscovo. Contudo, diante da resistência moscovita e da recusa da Rússia em negociar, Napoleão ordenaria a retirada. Esta operação mostrou-se desastrosa devido ao rigor do Inverno e à falta de abastecimento e apoio logístico. Em 30 de Dezembro, o exército, reduzido a cerca de 50 mil homens, cruzaria o Niemen de volta.

Após a rejeição por parte do czar Alexandre I do Bloqueio Continental proposto por Napoleão, o imperador francês ordena que o seu Grande Armée, a maior força militar até então reunida, preparasse a invasão da Rússia. O enorme exército incluía tropas de todos os países europeus sob o domínio do império francês.

Durante os primeiros meses da invasão, Napoleão foi forçado a combater contra um aguerrido exército russo em constante recuo. Recusando-se a confrontar-se com todo o seu potencial perante as forças de Napoleão, as tropas russas sob o comando do general Mikhail Kutuzov aplicava a estratégia de terra arrasada, queimando tudo à medida que recuava cada vez mais profundamente em território russo. Em 7 de Setembro, travou-se a inconclusa batalha de Borodino em que ambas as partes sofreram terríveis baixas. No dia 14 de Setembro, Napoleão chega às portas de Moscovo na esperança de lá encontrar os suprimentos de que necessitava crucialmente. Porém, ao investir, encontrou a cidade com quase toda a população evacuada e o exército russo novamente a recuar. Os criminosos foram libertados das prisões para complicar o avanço francês. Além disso, o governador, o conde Fyodor Rostopchin, ordenou que a cidade fosse incendiada. Alexandre I recusou-se a capitular, e as conversações de paz iniciadas por Napoleão falharam. 
Depois de esperar um mês pela rendição, que nunca aconteceu, Napoleão, deparando-se com a chegada do intenso Inverno russo, viu-se obrigado a ordenar que o seu famélico e exausto exército deixasse Moscovo em retirada.
Durante a desastrosa retirada, o exército de Napoleão sofreu um contínuo assédio de um repentinamente agressivo e impiedoso exército russo. Acossado pela fome e pelas investidas mortais dos cossacos, o dizimado exército alcança as margens do rio Berezina, no final de Novembro, mas vê o seu caminho bloqueado pelas tropas russas. Em 27 de Novembro, forçou a passagem pelo rio Studenka ("gelado", em russo) e, quando o grosso do exército atravessou o rio dois dias depois, foi obrigado a queimar as pontes provisórias atrás de si, abandonando à sua própria sorte cerca de 10 mil soldados perdidos no outro lado do rio.

A partir dali, a retirada tornou-se praticamente uma fuga. Em 8 de Dezembro, Napoleão permitiu que o que restou do seu exército retornasse a Paris. Seis dias mais tarde, finalmente o Grande Armée escapou da Rússia, tendo sofrido uma perda de mais de 600 mil homens durante a desastrosa invasão. 

Fontes:Opera Mundi
wikipedia (imagens)
O exército de Napoleão em Moscovo 
A retirada de Napoleão de Moscovo - Adolph Northen