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sábado, 2 de junho de 2018

02 de Junho de 1953: Coroação da rainha Isabel II

Soberana do Reino Unido, filha do rei Jorge VI (1895-1952) e de Elizabeth Bowes-Lyon (1900-2002), nasceu a 21 de abril de 1926, quando seus pais, casados em 1923, eram ainda duques de York e não esperavam jamais reinar. Mas em dezembro de 1936 tudo se modificou, quando o recém coroado rei Eduardo VIII abdicou do trono inglês para poder contrair matrimónio com uma senhora norte-americana, divorciada, chamada Wallis Simpson, o que fez com que seu irmão Alberto se tornasse no novo monarca sob o nome de Jorge VI, passando a sua sobrinha Isabel a ser a princesa herdeira.
Isabel foi educada no palácio de Buckingham e no castelo de Windsor por precetores privados (como a sua avó paterna, a rainha Maria), tendo recebido um conjunto de lições de História, Direito, Arte e Música. Em 1942 ascendeu ao posto de coronel do Corpo de Granadeiros e em 1944 substituiu seu pai no Conselho de Estado, que superintendia à guerra contra a Alemanha. Seu pai deslocou-se nesse ano a Itália para inspecionar a frente inglesa no ataque Aliado naquele país. Nem Isabel nem a sua irmã Margarida (1930-2002), apesar dos apelos para tal, abandonaram a Inglaterra como medida de precaução face aos bombardeamentos que a Luftwaffe alemã infligia sobre Londres. Como princesa herdeira que era e com uma consciência de Estado notável, ainda antes da maioridade Isabel assumiu responsabilidades públicas e humanitárias, como presidente do Hospital Infantil Queen Elizabeth, em Hackney, e da Sociedade Nacional para a Prevenção da Violência Infantil. Em 1945 integrou até, como subalterna, o Serviço de Auxílio Territorial (ATS).
Depois da Guerra, entre fevereiro e abril de 1947, deslocou-se à África do Sul na sua primeira viagem oficial ao estrangeiro. Em 20 de novembro desse mesmo ano casou com o tenente da Royal Navy Filipe de Mountbatten (1921- ), na abadia de Westminster. Filipe é filho do príncipe André da Grécia e da princesa Alice de Battenberg, sendo sobrinho do vice-rei da Índia Lord Louis Mountbatten e tetraneto da rainha Vitória. Primo afastado de Isabel, portanto, tinha renunciado aos seus direitos sobre o trono grego em 1944 e em fevereiro de 1947 ao título de príncipe da Grécia e da Dinamarca. O casal, que adotou o título de duques de Edimburgo e tinha a dignidade de pares do Reino, recebeu a Ordem da Jarreteira, a mais alta condecoração britânica. Tiveram quatro filhos: Carlos (Charles Philip Arthur George), nascido em 1948, duque da Cornualha e de Rothesay, conde de Chester e de Carrick, barão de Renfrew e desde julho de 1958 príncipe de Gales e herdeiro do trono (casou em 29 de julho de 1981 com Lady Diana Spencer, de que se divorciou em 1996, um ano antes da morte desta, tendo o casal tido dois filhos, Guilherme, futuro príncipe de Gales, n. 1982, e Henrique, n. 1984); Ana (Anne Elizabeth Alice Louise), nascida em 1950, princesa da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte e princesa real; André (Andrew Albert Christian Edward), príncipe da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, duque de York, nascido em 1960; Eduardo (Edward Anthony Richard Louis), nascido em 1964, príncipe da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte e conde Wessex.
Com 25 anos de idade, Isabel foi proclamada rainha do Reino Unido, da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, por ocasião da morte de seu pai em 6 de fevereiro de 1952. Achava-se a princesa com seu marido em visita oficial ao Quénia quando tomou conhecimento da notícia da morte de seu pai. Em 2 de junho de 1953 foi solenemente coroada na abadia de Westminster como a quarta soberana da Casa de Windsor. Em fevereiro de 1957 seu marido, Filipe, recebeu a dignidade de príncipe da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. Apesar de ter recebido o apelido de Mountbatten pelo casamento, a conselho do Governo, Isabel, dois meses após a coroação, retomou legalmente o de Windsor.
São mais de 700 as organizações de todos os géneros que Isabel II apadrinha ou preside com carácter honorífico. Entre as suas prerrogativas reais, é a ela que cumpre, depois de eleições, a leitura do programa de governo do partido vencedor, receber em audiência o primeiro-ministro uma vez por semana (terças-feiras ao meio-dia), conceder as ordens da Jarreteira e do Cardo e nomear os Cavaleiros. É ainda a cabeça da Igreja de Inglaterra e comandante em chefe do Exército, da Armada e da Força Aérea reais, para além de ainda manter o posto de coronel em chefe de todos os regimentos da Guarda Real e do Corpo de Engenheiros Reais, para além de capitão general do Regimento de Artilharia Real.
É ainda a chefe máxima da Commonwealth e, no jubileu de ouro de 2002, passou a ser chefe de Estado nominal (simbolicamente) dos outros quinze países (para além do Reino Unido) pertencentes a esta estrutura pan-britânica que não instauraram o regime republicano (Antígua e Barbuda, Austrália, Baamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Saint Kitt's & Nevis, São Vicente e as Granadinas, Santa Lucia e Tuvalu). Ao longo deste meio século, em determinadas ocasiões, no trono britânico, Isabel II foi também chefe nominal de muitas outras antigas colónias inglesas, que se tornaram entretanto estados independentes, até que aboliram a monarquia e se transformaram em repúblicas (Fiji, Gâmbia, Ghana, Guiana, Quénia, Malawi, Malta, Maurícia, Nigéria, Paquistão, Zimbabwe, Serra Leoa, África do Sul, Sri Lanka, Tanzânia, Trinidad e Tobago e Uganda.
 É ainda conhecida pela sua capacidade de trabalho, que começa todas as manhãs ao tomar conhecimento do mundo e principalmente dos assuntos do seu país, que trata minuciosamente, com dignidade e elevado sentido de Estado nas suas reuniões com os primeiros-ministros que conheceu nestes cinquenta anos de reinado e em todas as suas visitas e aparições públicas.
1992 foi o seu anno horribilis, como ela própria comentou na sua mensagem de Natal desse ano: divórcios de seus filhos Carlos e André, envoltos em escândalos públicos e incêndio de parte do castelo de Windsor.
Dez anos depois, apesar da alegria do Jubileu, morriam a sua mãe e a sua irmã Margarida com poucos meses de intervalo. Mas uma vez mais Isabel II soube recompor-se e assumir a sua dignidade e postura de mulher de luta e de elevado sentido de Estado e capacidade de trabalho.
Isabel II. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.





quarta-feira, 2 de maio de 2018

02 de Maio de 1536: Ana Bolena, rainha de Inglaterra, é presa por diversas acusações

Rainha de Inglaterra, segunda esposa de Henrique VIII, também chamada "rainha dos 1000 dias" por ter sido essa, aproximadamente, a extensão do seu reinado. Filha de sir Thomas Boleyn e de lady Elizabeth Howard, crê-se que nasceu entre 1501 e 1507. Foi dama de honra da rainha Cláudia de Valois a partir de 1519, em França, e, quando voltou a Inglaterra, ocupou o mesmo posto no séquito da rainha Catarina de Aragão, casada com Henrique VIII. Este apaixonou-se por Ana Bolena, tendo-se divorciado da rainha e declarado bastarda a filha de ambos, Maria Tudor. No dia 25 de Janeiro de 1532 casaram-se no palácio de Whitehall no meio do maior sigilo. O arcebispo de Cantuária, Thomas Cranmer, declarou o primeiro consórcio real nulo em maio do mesmo ano, e legalizou o segundo efectuado pelo rei, dando origem ao cisma inglês. Este cisma tornou o Anglicanismo a doutrina oficial em Inglaterra e o rei a cabeça desta igreja, tendo sido a reforma levada a cabo por Thomas Cromwell.
Ana Bolena tornou-se marquesa de Pembroke e rainha em Junho de 1533. Algum tempo depois, nasceu a que seria Isabel I de Inglaterra. Em 1536 Ana deu à luz um nado-morto, para desespero do rei que almejava um herdeiro varão, e tal acontecimento precipitou a desgraça da rainha. O rei tinha-se apaixonado outra vez por uma dama de companhia da sua mulher, Jane Seymour.Em Abril de 1536 uma comissão autorizada por sua majestade começou a investigar todos os casos de traição na corte. As declarações de serviçais de que a rainha recebia homens nos seus aposentos em horas indevidas serviram para que Cromwell (cujas relações com a consorte estavam azedas por conta de divergências na política externa e na distribuição das posses eclesiásticas) construísse um processo expedito. Acusada de incesto, adultério e conspiração para matar o marido, Ana Bolena foi presa em 2 de Maio  na Torre de Londres. A coroa capturou e encarcerou cinco homens que teriam cometido os supostos actos ilícitos: Mark Smeaton, Sir Henry Norris, Sir Francis Weston, William Brereton e George Bolena, irmão de Ana. Apenas Smeaton, sob tortura, confessou; os outros juraram inocência.  Ana Bolena foi a julgamento no dia 15 de Maio, no Grande Salão da Torre de Londres, um dia depois do seu casamento com Henrique VIII ter sido anulado por Thomas Cranmer, Arcebispo de Canterbury. Considerada culpada de todas as acusações, recebeu a sentença de morte da boca do seu tio, o Duque de Norfolk. A comutação da pena de morte na fogueira para decapitação foi uma derradeira cortesia de Henrique VIII - que, entretanto, nem sequer se deu ao trabalho de organizar um funeral para Ana Bolena. Em 19 de Maio, dois dias depois da execução dos seus pretensos amantes, a rainha finalmente encontrou seu destino final. Cabeça e corpo da antiga consorte repousaram no solo por algum tempo, até serem colocados dentro de um baú de flechas e enterrados em um túmulo sem identificação na Capela de São Pedro, na própria Torre de Londres. .
Conhecem-se alguns retratos seus, sendo dois dos mais célebres os efectuados por Hans Holbein. Parece ter sido grande a sua beleza, apesar de constar que tinha seis dedos numa mão. Era também inteligente e dotada para a música, para a dança e para declamar, o que justifica a paixão inspirada ao rei. A história trágica desta rainha deu origem à ópera Anna Bolena, da autoria do compositor Donizetti.
Ana Bolena. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 




Wikipedia (imagens)
Ana Bolena - Autor desconhecido


Ana Bolena na Torre de Londres - Edouard Cibot

02 de Maio de 1458: Nasce D.Leonor de Lencastre, rainha de Portugal

D. Leonor de Lencastre, D. Leonor de Portugal ou ainda Leonor de Viseu, nasceu a 2 de Maio de 1458, em Beja. Filha de D. Fernando, Duque de Viseu e de D. Beatriz era irmã de D. Manuel e D. Diogo.
A 22 de Janeiro de 1470, torna-se  Rainha de Portugal, pelo seu casamento com D. João II, o qual era seu primo direito e segundo, pelo lado paterno, e o mesmo pelo lado materno. De facto, tanto o rei como a rainha eram netos, cada qual, de dois filhos diferentes de D. João I e de D. Filipa de Lancastre. Deste casamento nasceram dois filhos, um que nasceu morto e D. Afonso que faleceu aos 16 anos num acidente a cavalo em 1491.
A Rainha D. Leonor foi grande protectora e impulsionadora das artes e letras em Portugal, tendo mandado imprimir algumas obras, nomeadamente: “O livro de Marco pólo – O livro de nicolau veneto – carta de um genoves mercador”, “Os actos dos apóstolos”, “Bosco Deleitoso”, “O espelho de Cristina”.Também protegeu Gil Vicente, que em várias obras a apelidou de “Rainha Velha”. Algumas das obras de Gil Vicente, como O Auto da Visitação, o Auto Pastoril Castelhano, o Auto dos Reis Magos, o Auto de S. Martinho, o Velho Óbidos, Um Sermão, o Auto da Índia – o processo de Vasco Abul, o Auto dos quatro tempos, o Auto da Sibila Cassandra, o Auto da Fama, o Auto da Alma, A Barca do Inferno, A Barca do Purgatório, A Barca da Glória, foram dedicadas à Rainha D. Leonor ou encomendadas por esta.
Em 1476, ficou como regente do reino, por D. João II ter de se ausentar em defesa do seu pai em Castela.
Como Rainha de Portugal, era detentora de terras como: Sintra, Torres Vedras, Óbidos, Alvaiázere, Alenquer, Aldeia Galega, Aldeia Gavinha, Silves, Faro, bem como Caldas da Rainha, que fundou. Tinha também direito a certos rendimentos: parte do açúcar produzido na ilha da Madeira, certos impostos pagos pelos judeus de Lisboa e pelas alfândegas do reino.
D. Leonor fundou os conventos da Madre de Deus e da Anunciada e a igreja de Nossa Senhora da Merceana, Igreja de Santo Elói, no Porto, o Convento de S. Bento, de Xabregas.
Esteve na origem da fundação do hospital termal das Caldas da Rainha, destinado a todos os que necessitassem de tratamento, sem distinção de classes sociais. Junto ao Hospital mandou construir também a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo.
Ainda hoje as Caldas da Rainha mantêm como armas, o brasão da Rainha D. Leonor, ladeado à esquerda pelo seu próprio emblema (o camaroeiro) e, à direita, pelo emblema de D. João II (o pelicano).
A rainha D. Leonor teve ainda a ideia de fundar uma instituição, reunindo pessoas de boa vontade que ficariam encarregues de prestar assistência a quem precisava, ou seja, os mais pobres. Em 1498, sendo já viúva, ficou regente do Reino quando o seu irmão, D. Manuel I, se ausentou para Espanha. Uma das medidas que tomou como regente foi fundar as Misericórdias de Lisboa. Ao conjunto das regras definidas para o funcionamento desta instituição chamou-se Compromisso, porque as pessoas que aderiram se comprometiam a segui-las. Essas regras inspiravam-se em princípios fundamentais do cristianismo: amor ao próximo e entreajuda.
D. Leonor de Lencastre, destacava-se, pela formosura, inteligência e, sobretudo, pelo que sofreu e pelo bem que espalhou, Dona Leonor, a “Rainha dos sofredores”. Tinha a fisionomia suavíssima, marcada pelos olhos azuis e cabelos louros, herdados de sua bisavó, Dona Filipa de Lencastre.
A Rainha faleceu no dia 17 de Novembro de 1525 no Paço de Enxabregas. Quis ficar sepultada no Convento da Madre de Deus, numa campa rasa, num lugar de passagem, para que todos a pisassem, gesto de humildade que comoveu o Reino. Foi uma Rainha muito devota, tendo desejado e concretizado passar a viuvez num ambiente de piedade e por isso o seu biógrafo Frei Jorge de S. Paulo chama-lhe “A mais Perfeita Rainha que nasceu no Reino de Portugal”.