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quinta-feira, 28 de junho de 2018

28 de Junho de 1838: Coroação da rainha Vitória, do Reino Unido.

Alexandrina Vitória, filha de Vitória Maria Luísa, descendente do duque de Saxe-Coburgo-Saalfeld, e de Eduardo Augusto, duque de Kent, 4.° filho do rei Jorge III, nasceu no Palácio de Kensington, Londres, a 24 de Maio de 1819.
A 20 de Junho de 1837, com apenas 18 anos, Vitória ascendia ao trono de Inglaterra por morte do seu tio Guilherme IV, que não deixara descendência, dando início ao segundo mais longo reinado da história da Inglaterra e um dos mais famosos, que inclusivamente deu nome a uma era britânica, a Vitoriana.No seu diário escreveu: "Fui acordada às seis da manhã pela mamã que me disse que o Arcebispo da Cantuária e Lorde Conyngham estavam aqui e queriam ver-me. Saí da cama e fui até à minha salinha-de-espera (vestida só com a minha camisa de dormir), sozinha, e vi-os. Lorde Conyngham informou-me depois que o meu pobre tio, o rei, já não existia, e tinha dado o seu último fôlego doze minutos depois das duas da manhã e, consequentemente, sou rainha." Documentos oficiais do seu primeiro dia de reinado referiram-se a ela como Alexandrina Vitória, mas o primeiro nome foi retirado a pedido da rainha e não voltou a ser usado. A sua coroação aconteceu no dia 28 de Junho de 1838 e Vitória tornou-se na primeira soberana a residir no Palácio de Buckingham. Herdou as propriedades dos ducados de Lencastre e Cornualha e passou a receber 385.000 libras por ano. Sendo prudente a nível financeiro, conseguiu pagar as dívidas do seu pai.
Quando subiu ao trono, Vitória era uma estranha para os seus súbditos, mas à sua morte tinha construído uma reputação e respeito que extravasava as fronteiras do mundo britânico. De início, Vitória foi guiada, política e socialmente, pelo Primeiro Ministro Whig, William Lamb (1834, 1835-41), 2.° visconde de Melbourne, que manteve sobre ela grande influência até se casar com o seu primo Alberto, Príncipe de Saxe-Coburgo-Gotha, a 10 de Maio de 1840.
Até se tornar esposa deste Príncipe, Vitória foi educada pela sua governante de origem alemã, a Baronesa Lehzen, que aos 11 anos a advertira para o facto de ser uma presumível candidata ao trono de Inglaterra. O seu pai, Eduardo Augusto, duque de Kent, o irmão mais novo de Guilherme IV, morrera em 1820 quando ela era ainda uma criança, e a sua mãe, a alemã Vitória Maria Luísa, pouco habilitada a providenciar-lhe uma educação esmerada, deixou a criança entregue aos cuidados da governanta.
O casamento modificou completamente a sua vida, pois trouxe-lhe, ao que parece, mais alegria de viver, apesar de durar apenas até 1861. Nesse ano, o primeiro marido da rainha Vitória morria prematuramente, deixando 9 descendentes e um bom exemplo de vida familiar. O primeiro dos seus filhos, Vitória, veio a ser imperatriz alemã, e o segundo filho o futuro Eduardo VII.
A sua vida familiar repartia-se, para além de Londres, entre a Casa Osborne, na Ilha de Wight (mais para o inverno), e o Castelo de Balmoral (residência estival), na Escócia, comprado em 1852 e reconstruído segundo desenhos de Alberto.
O poder constitucional que detinha era limitado; embora as suas escolhas pessoais influenciassem as resoluções políticas e as escolhas de gabinete, ela não determinava a política. Alberto, que estava sempre a seu lado, particularmente em questões de política externa, usava a sua influência para persuadir Vitória a aceitar a sua versão do monarca ideal.
Os dois estavam em acordo na antipatia que nutriam por Lorde Palmerston e suas políticas, mas não contestaram a sua liderança. Ambos estavam preocupados com a política externa, sobretudo na questão que conduziu à Guerra da Criméia, tendo apoiado a intervenção das tropas britânicas no conflito. Em 1856, a soberana instituiu a condecoração Victoria Cross, para galardoar o militar mais valioso para o seu país, e em 1857 deu a Alberto o título de Príncipe Consorte.
Após a morte do seu marido, Vitória entrou num período de depressão e nervosismo, que deu azo a fortes críticas por parte da opinião pública e das autoridades. A rainha, no entanto, fez prevalecer o seu bom senso e manteve viva a monarquia britânica.
Vitória encontrou em Benjamim Disraeli, um Primeiro Ministro judeu e conservador que destituiu Robert Peel - um homem que o seu falecido muito admirava -, um líder que a encorajou. Foi este homem, Disraeli, que em 1876 convenceu o Parlamento, sobretudo a ala liberal, a passar o Royal Titles Act, conferindo à rainha o título de imperatriz da Índia.
Ao contrário de Benjamim Disraeli, a rainha não tinha grande apreço por um dos mais autoritários líderes liberais do século XIX, William Ewart Gladstone (1809-1898), com quem manteve diversos confrontos institucionais.
Em 1887, celebrou-se um dos mais importantes eventos do seu reinado: o jubileu, comemorativo dos seus 50 anos de reinado. Nesta cerimónia, a rainha compareceu em público, na missa da Acção de Graças na Abadia de Westminster, num evento que ajudou a organizar, e no qual estavam presentes representantes de todas as partes do império.
O Jubileu Dourado, celebrado 10 anos depois foi ainda mais grandioso. Na capela de S. Jorge, em Windsor, para celebrar o dia da Ação de Graças, foi cantado um Te Deum, com música da autoria do príncipe Alberto. Os festejos culminaram quando a rainha premiu um botão elétrico que telegrafou uma mensagem do jubileu para todo o império, tentando manter-se em contacto com as grandes mudanças do seu tempo, apesar de ser muito conservadora.
Entre 1897 e 1901 houve outra ocasião muito especial. Esta ocorreu aquando da visita da rainha à Irlanda em 1900, trinta e nove anos depois da sua última visita ao país. Esta porção europeia do império esteve no centro das políticas britânicas nos dias do Ministro liberal Gladstone. O assunto manteve a sua atualidade no novo século, e mantém-na ainda hoje.
A Guerra dos Bóeres, na África do Sul, iniciada a 12 de Outubro de 1899, arrastou consigo uma cadeia de insucessos militares e a oposição da Europa. Tal como no passado, a rainha apoiou os seus exércitos e festejou triunfalmente a quebra do cerco de Ladysmith a 28 de Fevereiro de 1900.
No ano de 1901, morreu na sua residência de Osborne, após prolongada doença. Uma das últimas pessoas a visitá-la foi o seu neto Guilherme II, o imperador germânico, que na Primeira Guerra Mundial lideraria a Alemanha contra a Inglaterra. O "kaiser" foi um dos familiares presentes nas pomposas cerimónias fúnebres. Fechava-se um ciclo da história britânica, o da "era vitoriana", e iniciava-se um novo capítulo.

Rainha Vitória de Inglaterra (1819-1901). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)


Ficheiro:Victoria in her Coronation.jpg

Vitória na sua coroação 
Ficheiro:Queen Victoria 1887.jpg
Rainha Vitória -1887
Vitória recebe a notícia da sua ascensão ao trono -Henry Tanworth Wells
Casamento da rainha Vitória com o príncipe Alberto

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

02 de Agosto de 1882: O Reino Unido invade o Egipto e dá início a 40 anos de protectorado

No dia 2 de Agosto de 1882, os ingleses desembarcam em Alexandria, porto egípcio sobre o Mediterrâneo, com o pretexto de restabelecer a ordem depois de distúrbios sangrentos. Tirando partido da incapacidade do soberano egípcio de reembolsar a sua dívida externa, colocam o governo sob tutela. A intervenção põe fim à independência do Egipto bem como à expansão da França no vale do Nilo.

Desde a época de Solimão o Magnífico, três séculos antes, o Egipto considerava-se como fazendo parte do Império Otomano. Todavia, após a tomada do poder por Mehemet Ali em 1805, o khedive ou vice-rei, que o governava em nome do sultão, tornou-se independente de facto.
Sob o impulso de Mehemet Ali e dos seus sucessores, o país moderniza-se a passos largos, sustentando a ambição de se igualar à vanguarda europeia. A população, essencialmente camponesa, concentrava-se no Vale do Nilo desde a Alta Antiguidade. No decurso do século XIX, ela passa de 2,5 milhões para 10 milhões de habitantes (80 milhões no final do século XX).

Em 18 de Janeiro de 1863, o trono é ocupado por Ismail Pacha, 32 anos, neto de Mehemet. O novo khedive investe a todo vapor nas infraestruturas e para tanto subscreve maciços empréstimos no estrangeiro, notadamente a fim de permitir a conclusão dos trabalhos de escavação do Canal de Suez. A dívida pública passa de 4 a 80 milhões de libras esterlinas. A dívida custa muito caro, de um lado porque os credores ocidentais impuseram uma taxa de juros elevada por outro porque os intermediários retinham comissões exorbitantes da ordem de 30 a 50%.

Em 24 de Novembro de 1875, o khedive cede à Inglaterra a sua participação na Companhia do Suez a fim de tentar diminuir a dívida. Como a medida se mostrou  insuficiente, o Estado egípcio  declara-se em bancarrota a 8 de Abril de 1876. Sem alternativas, o governo de Ismail Pacha é posto sob tutela de europeus. Os responsáveis  pela tutela eram 2 britânicos, 2 franceses, um austríaco e um húngaro. Um controlador geral europeu ficou encarregado de gerir as receitas e um outro as despesas. Aos europeus foram confiados os ministérios de Finanças e Obras Públicas, com a missão de reduzir o salário dos funcionários públicos e dos militares, 2500 militares foram mandados para a reserva.

Ismail Pacha, submetido à pressão das ruas e do exército, demite os ministros europeus. Os credores, exasperados, consideram que nada mais podem esperar do khedive e  exigem que abdique a favor de seu filho Taufiq. Taufiq Pacha, 27 anos, não resistiu. Confiou a administração do país a um consórcio franco-britânico. Os oficiais  revoltam-se sob o comando do coronel Ahmed Arabi em 9 de Setembro de 1881, obrigam o khedive a exonerar todo o seu gabinete e a convocar uma nova Câmara de Delegados.
Numa nota conjunta, o primeiro ministro britânico William Gladstone e o Presidente do Conselho francês Leon Gambetta manifestam apoio ao khedive e tentam impressionar os rebeldes, que veem a nota como uma provocação. Arabi é chamado ao governo em 29 de Maio, obtém do khedive poderes ditatoriais e manda fortificar o porto de Alexandria e a costa. Um levantamento popular em Alexandria fornece a Gladstone o pretexto para intervir. Exige que o governo desarme as baterias da cidade. Em 11 de Julho de 1882, o almirante Beauchamp-Seymour recebe autorização de bombardear Alexandria. Na noite seguinte, vastos incêndios tomam conta da cidade e os saques multiplicam-se.

Em 2 de Agosto, por fim, tropas britânicas desembarcam em Alexandria. Em 13 de Setembro, uma batalha decisiva tem lugar em Tel el-Kebir entre ingleses e egípcios, Estes são facilmente derrotados e Pacha, capturado, é enviado para o exílio no Ceilão. Gladstone coloca o governo do khedive sob sua protecção e todo o poder passa para as mãos do cônsul-geral da rainha Victória, lorde Cromer. Cromer torna-se o verdadeiro chefe de governo. Remodela o exército e dá andamento à obra de modernização de Ismail Pacha, desenvolvendo a irrigação e a cultura do algodão.

Durante a Primeira Guerra Mundial caem as máscaras. O Egipto rompe oficialmente com o Império Otomano, aliado das Potências Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria) e o país transforma-se num mero protectorado britânico.

 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)
Mehmet Ali
Ibrahim Pacha por Charles-Philippe Larivière 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

08 de Outubro de 1856: Tem início a Segunda Guerra do Ópio


A Segunda Guerra do Ópio, conflito armado entre Reino Unido e França contra a dinastia Qing, da China, teve início em 8 de Outubro de 1856.


Num esforço para expandir os seus territórios na China, o Reino Unido pediu às autoridades Qing para renegociar, em 1854, o Tratado de Nanquim Osm, para exercer o livre comércio em toda a China, legalizar a venda do ópio, suprimir a pirataria, regular o tráfego de trabalhadores semiescravos e permitir ao embaixador britânico residir em Pequim.
A guerra que se instalou pode ser vista como continuação da Primeira Guerra do Ópio (1839-1842). Em 8 de Outubro de 1856, oficiais dos Qing abordaram o Arrow, navio chinês registado em Hong Kong, na posse dos britânicos, suspeito de pirataria e contrabando. Doze chineses foram presos. Oficiais britânicos em Cantão pediram a libertação dos navegantes afirmando que o navio estava protegido pelo Tratado de Nanquim. Insistiram que os soldados Qing haviam insultado sua bandeira. 
Apesar de estar às voltas com a Rebelião da Índia, os britânicos responderam ao incidente do Arrow em 1857, atacando Guangzhou a partir do rio das Pérolas.
A França,  Estados Unidos e Rússia receberam convites para juntar-se ao Reino Unido. Paris juntou-se à ação britânica contra a China, provocada pela execução do missionário padre Auguste Chapdelaine, na provincia de Guangxi. Os outros dois países mantiveram-se à margem.
A armada britânica, comandada por lorde Elgin, e a francesa, do almirante Gros, ocuparam Guangzhou no final de 1857. Formou-se um comité e o governador da província, Bo-gui, permaneceu no seu posto a fim de “manter a ordem” em nome dos invasores.
A coligação  dirigiu-se para o norte a fim de tomar os fortes de Taku, em Maio de 1858. Em Junho, a primeira parte da guerra concluiu-se com o Tratado de Tianjin, firmado também pela Rússia e pelos Estados Unidos, que em conjunto com o Reino Unido e a França teriam direito a instalar legações diplomáticas em Pequim. Além disso, dez novos portos seriam abertos ao comércio internacional, todos os navios estrangeiros passariam a ter direito de navegar pelo rio Amarelo, entre outras condições.
Em 26 de Setembro de 1860, uma força anglo-francesa chegou a Pequim, tomando a cidade em 6 de Outubro. O imperador Xianfeng nomeou o seu irmão e fugiu para o Palácio de Verão, situado em Chengde. 
O Tratado de Tianjin foi estendido e ratificado pelo irmão do imperador, príncipe Gong, na Convenção de Pequim de 18 de Outubro de 1860, enquanto as potências ocidentais ocupavam Pequim e era incendiado o Antigo Palácio de Verão. Assim terminou a Segunda Guerra do Ópio.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Ly-ee-moon, uma das embarcações que realizava o comércio do ópio
O cerco ao Palácio de Verão

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Stonehenge tinha um irmão gémeo e uma “casa dos mortos”

Durante quatro anos, uma equipa de cientistas usou técnicas de topografia com recurso a laser, magnetómetros e outras tecnologias recentes para estudar em profundidade o célebre sítio arqueológico de Stonehenge, na região de Wiltshire, no Sudoeste de Inglaterra. Conseguiram imagens de alta resolução do que está por baixo das pedras de Stonehenge, e à volta delas, em alguns casos até quatro metros de profundidade.
Os resultados desta investigação ultrapassaram todas as expectativas. Entre centenas de outras descobertas, a equipa revelou uma série de grandes estruturas até agora desconhecidas, em pedra e em madeira, e que permitem concluir que o icónico monumento pré-histórico esteve outrora rodeado de muitos outros monumentos de diversa dimensão e natureza.
Um dos edifícios agora revelado, e que já foi oficiosamente baptizado de “casa dos mortos”, é um templo em madeira, com 33 metros de comprimento e sete de largura, provavelmente usado para práticas de manipulação ritual de cadáveres, que incluíam desmembrar e descarnar os corpos. Os cientistas estão convencidos de que esta estrutura terá sido construída há seis mil anos, o que a tornaria muito mais antiga do que Stonehenge, cujas primeiras pedras terão sido erguidas há cerca de cinco mil anos.
Escavações recentes já tinham revelado vestígios de uma grande povoação neolítica em Durrington, a cerca de três quilómetros de Stonehenge, que dataria de 2600 a.C. O arquéologo Jorge Muralha, que trabalhou nas escavações em Durrington em 2006, no âmbito de uma parceria entre investigadores portugueses e ingleses, explica que se trata de "um fosso escavado, que delimita um círculo no interior do qual se encontraram casas e outros vestígios de povoamento neolítico, datados do mesmo período de Stonehenge". Ou seja, resume, "uma área de habitação de populações que circulavam na planície, e que construíram estes monumentos, entre os quais Stonehenge".
O que a nova pesquisa veio revelar foi a existência de quase 60 pedras com três metros de comprimento cada uma, todas elas em posição horizontal (mas admite-se que possam ter estado outrora erguidas), que formam uma espécie de semicírculo rodeando parte do extenso sítio arqueológico a que agora se chama Durrington Walls. Uma espécie de irmão gémeo de Stonehenge.
Dirigida por Vince Gaffner, especialista de arqueologia paisagística daUniversidade de Birmingham, a investigação, que envolveu cientistas de diversas disciplinas e foi promovida em colaboração com o Instituto Ludwig Boltzmann, de Viena, cobriu uma área de 12 quilómetros quadrados, equivalente a 1250 campos de futebol. Wolfgang Neubauer, do Instituto Boltzmann, assegura que nunca se realizara uma investigação deste tipo numa área tão extensa.
Durante os próximos dias, o público inglês ficará a conhecer o essencial dos resultados deste estudo num programa televisivo da BBC intitulado Operation Stonehenge: What Lies Beneath, cujo primeiro episódio é transmitido esta quinta-feira.
“A paisagem é uma totalidade, e não apenas um mapa”, sublinhou Vince Gaffner num festival de ciência organizado pela British Science Association na Universidade de Birmingham. Esta perspectiva levou, por exemplo, a novas descobertas no chamado Cursus de Stonhenge, uma depressão próxima, com três quilómetros de comprimento e uma largura que varia entre os 100 e os 150 metros, e que inicialmente se pensou datar do período romano, já que lembrava a pista de um hipódromo.
Na verdade, foi escavada cerca de 500 anos antes de terem sido erguidas as pedras vizinhas. E descobriram-se agora duas fossas que a rematam em ambas as extremidades, e que parecem confirmar a existência de uma relação entre a orientação do Cursus e a de Stonehenge, cuja edificação teria possivelmente sido condicionada por este monumento pré-existente. "Era uma das teorias de que se falava em 2006, mas sem dados concretos", conta Jorge Muralha.
O longo intervalo de tempo entre ambas as construções indica que dificilmente terão sido planeadas como partes de um mesmo todo. Mas “as estruturas condicionam os construtores”, observa Gaffney. “Quando já existem coisas no local, outras coisas acontecem porque as anteriores estão lá”.
Além das muitas descobertas individuais, esta pesquisa veio sobretudo colocar definitivamente em causa a ideia de um Stonehenge erguendo-se enigmaticamente isolado na paisagem. É cada vez mais claro que Stonehenge, que há séculos alimenta as mais desvairadas especulações, foi apenas um momento numa história que começou antes da construção do misterioso círculo de pedras e que abarca uma área muito mais vasta. "É uma área intensamente ocupada, antes e depois da construção de Stonehenge", diz Jorge Muralha.
 Fonte: Público
 Alguns dos monumentos captados pelos radares

A “casa dos mortos” é um templo em madeira com 33 metros de comprimento e sete de largura




quinta-feira, 12 de junho de 2014

A cópia de Rembrandt afinal é um original e vale milhões de euros

Afinal, na Abadia de Buckland, no condado de Devon, no Reino Unido, estava guardado um Rembrandt (1606-1669) original e não uma cópia como se pensava até agora. A autoria deste óleo de 1635 há muito tempo que gerava dúvidas mas só agora através de uma investigação exaustiva com especialistas britânicos e holandeses é que foi possível provar a sua autenticidade.
Guardado na arrecadação desde 2010, ano em que foi doado ao English National Trust (entidade responsável pelo património britânico), o auto-retrato está agora exposto na Abadia de Buckland e tornou-se já numa das jóias da coroa. É aliás o primeiro Rembrandt da colecção pública britânica, composta por 13.500 pinturas, lê-se no comunicado do English National Trust.
Intitulada Auto-retrato com boina e pluma branca, esta pintura com 91x72 cms. mostra Rembrandt, aqui com 29 anos, de boina negra de veludo, com duas penas de avestruz, usando uma capa escura. O pintor, um dos mais populares na Europa do século XVII, é autor de alguns dos auto-retratos mais conhecidos da história da pintura. Segundo as contas dos especialistas, Rembrandt terá pintado 40 a 50 auto-retratos.
No entanto, quando em 2010 esta obra chegou à Abadia de Buckland, uma propriedade com 700 anos que pertenceu a Francis Drake (1540-1596) – o almirante da Marinha de Isabel I e traficante de escravos que saqueava embarcações espanholas em nome da coroa britânica viveu nela 15 anos –, vinha já atribuída a um pupilo de Rembrandt. Havia também quem defendesse que era uma cópia perfeita, tendo em conta o estilo utilizado na pintura, muito próximo daquele usado pelo mestre holandês.
A autenticação da obra, anunciada esta terça-feira pelo English National Trust, só foi possível depois de Ernst van de Wetering, um dos maiores especialistas em Rembrandt, ter levantado a questão no ano passado. Desde então, a obra foi analisada em profundidade: os técnicos fizeram novas radiografias e exames de infravermelhos para poderem estudar o desenho por baixo das camadas de tinta, além de terem sido feitos testes aos pigmentos usados e à madeira que serve de suporte à pintura.
A reatribuição de Ernst van de Wetering é assim feita 46 anos depois de um outro especialista, Horst Gerson, ter defendido que a pintura teria saído das mãos de um dos discípulos de Rembrandt. Van de Wetering atribui esta conclusão ao que se sabia sobre o estilo do mestre, em 1968.
“Apesar de ter praticamente a certeza de que esta pintura era um Rembrandt quando a vi, em 2013, quis que mais exames fossem feitos depois de uma limpeza para ver os resultados das análises técnicas, uma vez que isto nunca foi feito antes”, explica no comunicado Ernst van de Wetering, mostrando-se satisfeito pelas evidências científicas: é um Rembrandt e está já avaliado em cerca de 30 milhões de libras (cerca de 37 milhões de euros).
Para David Taylor, curador da pintura e escultura do English National Trust, “o debate sobre se é um Rembrandt ou não existe há décadas” e  “o elemento chave foi a limpeza”. As cores da obra estavam já tão esbatidas que era impossível perceber “quão bem o retrato foi pintado”. Depois deste processo de investigação e restauro, já é possível apreciá-la “como um Rembrandt”, destaca Taylor.
Fonte:Público
 
No Reino Unido, um auto-retrato foi autenticado como sendo um Rembrandt. É a primeira obra do mestre holandês da colecção pública britânica



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Auto-retrato de Van Dyck foi “salvo” no Reino Unido por aqueles que o querem ver: os cidadãos

Estava em mãos privadas e assim iria continuar se não se tivesse iniciado uma campanha pública para não deixar fugir do Reino Unido aquele que é o último auto-retrato de Anton Van Dyck (1599-1641). A National Portrait Gallery, em Londres, conseguiu juntar 10 milhões de libras (cerca de 12 milhões de euros) para comprar esta importante obra de arte para a sua colecção, depois de ter lançado em Novembro do ano passado uma campanha de angariação de fundos.
Em mãos privadas quase desde sempre, o auto-retrato que Van Dyck pintou no seu último ano de vida foi vendido no ano passado ao coleccionador de arte James Stunt, um milionário britânico que vive em Los Angeles. O negócio entre os coleccionadores privados foi feito mas quando o proprietário actual informou o Governo britânico da saída da obra, a licença de exportação foi-lhe vedada, tendo-se iniciado imediatamente várias manifestações públicas contra a saída da pintura do Reino Unido.
Ao perceber o impacto que o negócio teve na opinião pública e ao testemunhar “a paixão das pessoas” na luta por manter o auto-retrato em terras britânicas, James Stunt decidiu em Março retirar a reclamação que tinha interposto para que a obra viajasse para sua casa e o seu proprietário original mostrou-se disponível para negociar a venda à National Portrait Gallery, instituição londrina que lançou a campanha de angariação de fundos assim que a expedição da obra foi vedada, ou seja, em Novembro do ano passado.
Nessa altura, a instituição procurava obter 12,5 milhões de libras (15 milhões de euros), o valor que Stunt pagaria pela obra, mas o proprietário em Março desceu o preço para os dez milhões de libras (12 milhões de euros) para facilitar o objectivo da National Portrait Gallery.
Com a falta de orçamento estatal para comprar a obra, a National Portrait Gallery iniciou então a campanha de angariação de fundos e conseguiu ainda mobilizar o Heritage Lottery Fund, o fundo que canaliza para o património uma parcela das receitas dos jogos sociais. Foi, aliás, graças à ajuda deste fundo que destinou para este negócio 6,3 milhões de libras (7,7 milhões de euros), que a compra se tornou possível em tão pouco tempo. A somar a isto, destaque ainda para a participação dos cidadãos que ao longo destes meses ajudaram com 1,44 milhões de libras (1,7 milhões de euros). A Art Fund (organização não governamental de apoio às artes) ofereceu também 500 mil libras (aproximadamente 609 mil euros) e a própria National Portrait Gallery investiu 700 mil libras (852 mil euros). Houve ainda duas empresas privadas ou dois privados – não se sabe ao certo, uma vez que as identidades ainda não foram reveladas –, que ofereceram 1,2 milhões de libras (1,5 milhões de euros).
E assim se fez a campanha de angariação de fundos pública para a compra de uma obra de arte mais bem-sucedida na história do Reino Unido, como escreve esta quinta-feira o The Telegraph. Esta foi também a ideia defendida por Stephen Deuchar, director do Art Fund, que destacou ainda a participação das mais de dez mil pessoas nesta iniciativa.
Foi para os muitos cidadãos que se mobilizaram que Sandy Nairne, director da National Portrait Gallery, também direccionou as suas palavras de agradecimento. Para o director era importante que se mantivesse no Reino Unido a obra daquele que foi “um dos maiores artistas” a trabalhar no país. “Nenhum outro artista teve tanto impacto no retrato britânico”, destacou à BBC, enumerando o estilo “distintivo” de Van Dyck, que “dominou” a arte do retrato até ao século XX.
Este é apenas um dos três auto-retratos que Van Dyck pintou em Inglaterra – um está na posse do Duque de Westminster e o outro, em que o pintor está na companhia do seu amigo Endymion Porter, encontra-se no Museu do Prado, em Madrid.
Há 300 anos que o auto-retrato do pintor flamengo fazia parte da colecção particular do conde de Jersey, mas em 2009 a obra, acabada meses antes de Van Dyck morrer aos 42 anos, foi a leilão em Londres, acabando por ser arrematada por 9,1 milhões de euros. Já na altura houve museus e galerias interessadas, mas o baixo orçamento para aquisição de novas obras não permitiu que o auto-retrato integrasse qualquer colecção pública.
A pintura ficará agora em exposição na National Portrait Gallery até ao final de Agosto, antes de ser exposta em várias cidades do Reino Unido como Newcastle, Birmingham ou Edimburgo.
No site da campanha é possível conhecer não só toda a história desta obra, como também perceber como aconteceu todo este processo.
Fonte: Público
Este auto-retrato foi feito pelo artista meses antes de morrer