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quarta-feira, 6 de março de 2019

06 de Março de 1480: Ratificação do Tratado de Alcáçovas - Toledo

São assim designados dois tratados assinados por portugueses e castelhanos relativamente a questões dinásticas, fronteiriças e de relações entre Estados e populações, e principalmente de navegação e direitos de comércio e domínio nas terras descobertas e por descobrir no Atlântico. Se o primeiro tratado foi meramente preliminar, o segundo impôs os direitos portugueses na Guiné e a sua doutrina do mare clausum.
Dado o alcance crescente das viagens de exploração atlântica dos Portugueses no século XV, logo os monarcas procuraram salvaguardar os interesses do Infante D. Henrique e os da própria Coroa. Para além de o Infante poder autorizar viagens a sul do Cabo Bojador e mediante o pagamento de uma percentagem dos lucros obtidos, também a mesma Coroa, escudada por acordos diplomáticos e pela protecção da Santa Sé, impunha o monopólio e exclusividade de navegação e comércio no Atlântico a sul da Madeira. Evangelização, guerra contra a mourama e autoria da descoberta eram os argumentos dirimidos por Portugal para justificar internacionalmente esse monopólio. Uma significativa produção de bulas pela Santa entre 1416 e 1456 suportará internacionalmente o mare clausum português, pelo qual o País detinha direitos exclusivos de navegação, comércio e propriedade nos mares e terras descobertas e por descobrir. A intromissão de D. Afonso V na luta pela sucessão da coroa castelhana, na década de 70 do século XV e as lutas subsequentes serão o clímax também dos desafios e negações que os castelhanos desde sempre fizeram à pretensão portuguesa do mare clausum, visto que não raras vezes tiveram conflitos com Portugal a nível internacional contestando esse objectivo nacional como também várias surtidas e expedições de fidalgos castelhanos e andaluzes às Canárias puseram em causa a lusitanidade atlântica. Com a guerra que se iniciou em 1474, na Península como também na costa africana e nas Canárias, os Castelhanos encontrarão um estímulo para empreenderem uma política expansionista concorrencial à dos Portugueses, que será mesmo um dos estandartes dos Reis Católicos e da nova Espanha unificada. D. Afonso V vira frustradas as suas pretensões ao trono de Castela, mas o príncipe D. João, seu filho e futuro rei D. João II, não deixará de lutar determinadamente contra a concorrência castelhana, embora com uma posição enfraquecida pela derrota militar de seu pai e pela crise económica do reino, pelo que terá que optar pela via negocial e diplomática para manter vivas as pretensões ultramarinas portuguesas.Assim, em 1479, em Alcáçovas, depois de várias consultas diplomáticas, celebrar-se-ão dois tratados entre D. Afonso V e seu filho D. João e Isabel de Castela e Fernando de Aragão, futuros Reis Católicos. No primeiro tratado - mais um acordo preparatório, com encontro de embaixadores e formulação do texto do tratado a propor aos soberanos ulteriormente -, chamado também das "Terçarias de Moura", essencialmente pôs-se fim à guerra e à crise da sucessão dinástica castelhana (já definida no tratado de St. Jean de Luz, França, nesse ano de 1479) e definiu-se o casamento entre o neto de D. Afonso V, D. Afonso, filho do futuro D. João II, e D. Isabel, filha dos Reis Católicos. Depois, em Alcáçovas, a 4 de Setembro de 1479, num acordo ratificado depois em Toledo pelos Reis Católicos a 6 de Março de 1480, assinou-se o tratado de paz definitiva entre Portugal e Castela (Portugal ratificou a 8 de Setembro de 1480). Trata-se de uma actualização e recuperação das pazes de Almeirim celebradas entre os dois reinos a 7 de Janeiro de 1432. Introduziram-se novos itens a esse acordo, com trocas de cidades, fortalezas e prisioneiros, perdões, devoluções territoriais, cooperação contra a pirataria, desistência de indemnizações, etc. Mas os capítulos de maior importância são aqueles dedicados à questão ultramarina, da expansão ibérica. Pelo tratado de Alcáçovas, Portugal desistiu de qualquer pretensão às Canárias e à conquista do reino muçulmano de Granada, mas os futuros Reis Católicos reconheceram e atribuíram aos Portugueses, definitivamente, que além da Madeira e dos Açores, todas as terras a sul das Canárias (o "paralelo das Canárias"), o exclusivo da navegação e comércio. A conquista de Fez pertencia também a Portugal. Este tratado definiu assim, à luz da diplomacia e dos acordos internacionais sobre direitos de exploração e propriedade de territórios, o mare clausum português. Foi também importante pela sua originalidade, conferida precisamente pelos três capítulos relativos à expansão ultramarina ibérica. Nunca fora redigido assim nenhum acordo internacional e teve que se esperar por Tordesilhas (1494), este mais difícil, para se assistir a uma nova partilha do mundo, também entre as duas potências ibéricas, Portugal e a recém-unificada Espanha. Mas em Alcáçovas os ritmos expansionistas e a vontade política eram diferentes, pois nessa altura, se por um lado Portugal tinha objectivos e imperativos bem definidos - a curto mas também a médio e longo prazo, visando a Índia e acima de tudo lucros calculados e previstos em África -, Castela movia-se ainda por uma questão de orgulho nacional de posse de territórios no Atlântico, embora sem conhecimentos geográficos dos mesmos, uma política definida para a sua exploração ou um esforço prioritário e sistematizado de se implantar atlanticamente como Portugal. com a sua unificação com Aragão no reino de Espanha e depois com Tordesilhas é que desenhará uma nova política de expansão, mais consistente e definida do que em Alcáçovas. Daí as dificuldades de Tordesilhas, onde os Portugueses não conseguiram (quase) tudo o pretendiam como sucedeu em Alcáçovas, quando ainda eram mais experientes e conhecedores do mundo e desejosos de impor o seu mare clausum. Com a ratificação de Sisto IV a 21 de Junho de 1481 na bula Aeterni regis, o articulado disposto em Alcáçovas conheceu a legitimação internacional necessárias, bem como a imposição dos interesses e pretensões portugueses a nível europeu, principalmente com o exclusivo da navegação e trato nas "terras da Guiné". Estava aberto e salvaguardado o caminho para o sul e para outras paragens, mas estava também o "mar fechado" (em latim, mare clausum) a quantos o quisessem usurpar.
Tratados de Alcáçovas. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)


Tratado de Alcáçovas


Os signatários do Tratado
Ficheiro:AfonsoV-P.jpg
D. Afonso V
D. João - Príncipe herdeiro
Ficheiro:IsabellaofCastile03.jpg
Isabel I de Castela
Ficheiro:FerdinandCatholic.jpg


Fernando II de Aragão

domingo, 3 de março de 2019

03 de Março de 1918: A Rússia firma o Tratado de Brest-Litovsk com as Potências Centrais

Um dia após os bolcheviques assumirem o controlo dos quartéis-generais militares russos em Mogilev, um cessar-fogo formal é proclamado em 2 de Dezembro de 1917 em toda a zona de batalha entre a Rússia e as Potências Centrais (Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano).

Imediatamente após tomarem o poder na Rússia, em Novembro de 1917, os bolcheviques, liderados por Lenine, buscaram contactos com as Potências Centrais para estabelecer um armistício e o fim de uma guerra que eles sabiam ser o maior obstáculo para prover de alimento e terra a população camponesa russa empobrecida e esfaimada.
Leon Trotsky, no exercício das relações exteriores, pressionou o Reino Unido e a França para abrir negociações de paz, ameaçando estabelecer paz em separado caso as suas demandas não fossem aceites. Não tendo recebido resposta dos Aliados, os bolcheviques seguiram adiante com os seus planos, definindo um apelo de paz que foi bem recebido tanto pela Alemanha quanto pelo Império Austro-húngaro.

Como resultado das subsequentes negociações de Brest-Litovsk, concluídas em Março de 1918, após três meses de intensos debates e até de renovados combates militares em algumas áreas, a Rússia perdeu quase dois milhões de quilómetros quadrados do seu território, um terço da sua população, a maior parte do seu carvão, petróleo e jazidas de ferro e muito da sua indústria.

Lenine insistiu que o Congresso dos Sovietes aceitasse a “paz vergonhosa” como ele mesmo a chamou, “a fim de salvar a revolução mundial” e a sua “única base de sustentação – a república soviética.”

A retirada da Rússia da guerra foi um dos principais objectivos da Revolução de Outubro de 1917 e uma das prioridades do recém-criado governo bolchevique. A guerra tornara-se impopular entre o povo russo, devido às imensas perdas humanas (cerca de quatro milhões de mortos).

Entretanto, os termos do Tratado de Brest-Litovsk, assinado no dia 3 de Março de 1918,  eram humilhantes. Por meio do acordo, a Rússia perdia o controlo sobre a Finlândia, Países Bálticos (Estónia, Lituânia e Letónia), Polónia, Bielorrúsia e Ucrânia, assim como das regiões turcas de Ardaham e Kars e do distrito georgiano de Batumi, antes sob seu domínio. Estes territórios continham um terço da população da Rússia, metade da sua indústria e nove décimos de suas minas de carvão.

A maior parte desses passariam,  na prática, a pertencer ao Império Alemão, sob a tutela de reis e duques. Contudo, a derrota da Alemanha na guerra, concluída com o armistício com os países Aliados em Compiègne em 11 de Novembro de 1918, permitiu que Finândia, Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia se tornassem Estados soberanos.

Os monarcas indicados tiveram que renunciar aos seus tronos. Por outro lado, a Bielorrússia e a Ucrânia envolveram-se na Guerra Civil russa e terminaram por ser novamente anexadas ao território russo, então sob o nome de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)



Delegação bolchevique em Brest-Litovsk. Sentados, desde a esquerda: Lev V. Kamenev, Adolff.A.Ioffe, Anastasia A.Bitzenko. De pé: V. V. Lipskiy, P. Stučka, Lev D. Trotsky, Lev M.Karakhan




As primeiras duas páginas do Tratado de Brest-Litovsk, escrito em alemão, húngaro, búlgaro, turco otomano e russo.
 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

07 de Fevereiro de 1992: É assinado o Tratado de Maastricht

Tratado da União Europeia, assinado no dia 7 de Fevereiro de 1992,  entrou em vigor a 1 de Novembro de 1993. É o documento que define as linhas-mestras da política e das instituições europeias, estabelecendo a cidadania europeia e identificando como objetivos a união económica e monetária, a política externa e a política de segurança comuns. Este Tratado da União Europeia foi assinado pelos chefes de Estado e de Governo representados no Conselho Europeu de Maastricht (Holanda), em 9 e 10 de Dezembro de 1991. Após o processo de ratificação nos doze países que então compunham a Comunidade Europeia (Portugal ratificou o tratado na Assembleia da República), entrou em vigor a 1 de Novembro de 1993.Foram várias as razões que conduziram os estados-membros a uma união mais estreita. O europessimismo do início dos anos 80 deu lugar a uma nova esperança com o relançamento da dinâmica europeia a partir de 1985. O então presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, apresentou o Livro Branco através do qual a Comunidade decidiu levar a efeito, até 1 de Janeiro de 1993, a construção do grande mercado interno.
A queda do Muro de Berlim, seguida da reunificação alemã a 3 de Outubro de 1990, e a democratização dos antigos países do Bloco de Leste, alteraram profundamente o cenário político na Europa. Os estados-membros da Comunidade Europeia resolveram então empenhar-se num processo de aprofundamento da sua união, mediante a negociação de um novo tratado.O Tratado instituiu a União Europeia e a cidadania europeia. Trata-se de um ambicioso programa para os estados-membros: cumprir os critérios propostos em Maastricht para chegar em 1999 à união económica e monetária, implementar novas políticas comuns e realizar a união política que inclui a política externa e de segurança comum (PESC). O Tratado da União Europeia preparou o caminho para a entrada de novos estados-membros (Áustria, Finlândia e Suécia).Os compromissos assumidos em Maastricht reforçaram a ligação entre as instituições e os mecanismos comunitários, por um lado, e as políticas de cooperação diplomática por outro. Uma das grandes novidades do Tratado é que o Parlamento Europeu exerce de forma plena o direito de codecisão.A assinatura deste tratado representou para a União um marco fundamental no processo de integração das nações. Mas este não foi um tratado pacífico. Motivou fortes discussões. Em França, por exemplo, a sua aprovação foi submetida a referendo e passou por muito pouco, enquanto o Reino Unido e a Dinamarca exigiram condições especiais. Têm, assim, o direito de integrarem a moeda única e de participarem na política externa e de defesa comum (PESC) num momento à sua escolha. O Tratado da União Europeia está a ser revisto para adaptar as estruturas dos 15 a novas situações, como seja a preparação para um novo alargamento, desta vez a leste. A reforma incide sobre o reforço da democracia e da transparência, visando aumentar a participação dos cidadãos no processo de integração. Ao mesmo tempo, a cooperação nos domínios da justiça e dos assuntos internos deverá ser dotada de meios mais eficazes.

Tratado de Maastricht. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Público (1.º imagem)
wikipedia (Imagem)

O Tratado de Maastricht significou mais integração entre os então 12 Estados-membros da Comunidade Europeia
Tratado de Tratado de Maastricht