sábado, 21 de dezembro de 2019

21 de Dezembro de 1470: João de Santarém e Pedro Escobar descobrem a Ilha de São Tomé

Crê-se que a ilha de S. Tomé foi descoberta (ou achada - alguns autores consideram que existiria uma população nativa: os Angolares) a 21 de Dezembro (dia de S. Tomé) de 1470 pelos navegadores João de Santarém e Pêro Escobar que, a mando do Rei D. Afonso V de Portugal, exploravam a costa ocidental africana. Situa-se a descoberta da ilha do Príncipe a 17 de Janeiro de 1471. O povoamento do arquipélago por colonos portugueses iniciou-se em 1485 por João de Paiva, a quem D. João II havia doado a ilha. Os primeiros colonos desembarcaram em Ana Ambó e estabeleceram-se na costa norte da ilha, fundando uma povoação na Baía de Ana Chaves.
Desde cedo (por volta do ano de 1500) os portugueses dedicaram-se ao cultivo da cana-de-açúcar, que encontrava condições favoráveis no clima de S. Tomé. Rapidamente surgiram mais de 60 engenhos produtores de açúcar, que era exportado para a Europa. Outras fontes de rendimento eram a produção de pimenta e a exportação de madeiras. Ao mesmo tempo, devido à sua localização, S. Tomé funcionava como entreposto comercial entre África, Europa e, mais tarde, o Brasil. A população era constituída por várias camadas sociais: os grandes senhores portugueses, o clero, outros colonos portugueses, os escravos (necessários em grande quantidade para a produção de açúcar e que foram sendo importados do continente africano) e os forros (escravos dos primeiros colonos e os seus descendentes, assim chamados por lhes ter sido concedida por D. Manuel I a libertação através de uma carta de alforria).
No final do século XVI a ilha vive um período de bastante instabilidade com revoltas dos Angolares (população que habitava a zona sul da ilha de S. Tomé; composta por escravos sobreviventes do naufrágio de um navio negreiro para alguns autores ou nativos da ilha para outros), a quem se juntavam os escravos que trabalhavam nos engenhos de açúcar; ataques de corsários originários de outras potências europeias (nomeadamente a França e a Holanda); e a luta pelo poder entre os próprios colonos. Até ao século XIX assiste-se ao declínio da produção de açúcar em S. Tomé devido ao grande fluxo migratório de colonos portugueses para o Brasil, que oferecia melhores condições, e ao abandono das culturas por parte dos forros, que se dedicavam a uma agricultura de subsistência.
Já no século XIX, com a independência do Brasil e a plantação de culturas de cacau e café, ressurge o interesse dos portugueses na ilha. A administração do arquipélago é reorganizada, são introduzidos novos escravos a partir do continente (já que os forros se recusam a trabalhar para os colonos), são combatidas as revoltas Angolares e a terra é redistribuída, conquistada ou usurpada pelos grandes senhores (que normalmente vivem na metrópole e delegam a administração em funcionários portugueses). São assim criadas as Roças, grandes latifúndios que se dedicam à produção principalmente de café e cacau e que gozam de grande autonomia dentro das suas fronteiras, onde a vontade do patrão é lei. Com a abolição da escravatura em 1876, inicia-se um novo fluxo imigratório de trabalhadores contratados (na prática, pouco mais que escravos), principalmente a partir de Cabo Verde, Angola e Moçambique para assegurar o trabalho nas roças. No período imediatamente após a Primeira Guerra Mundial, S. Tomé torna-se o principal exportador mundial de cacau. A partir de então assiste-se a um declínio progressivo da produção.
Nos anos 60 forma-se o Comité de Libertação de S. Tomé e Príncipe, que luta pela independência e contra o regime português, apesar de nunca ter existido luta armada no arquipélago. Com o 25 de Abril em Portugal abre-se a porta à independência de S. Tomé e Príncipe, o que acontece a 12 de Julho de 1975. O país viveu num sistema de partido único e de orientação socialista até 1991, altura das primeiras eleições legislativas multipartidárias.
Mais recentemente, o início da exploração de petróleo nas águas territoriais traz a esperança de um futuro melhor para os habitantes de S. Tomé e Príncipe.
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Detalhe da Carta de Bertius (1649), com a imagem de uma canoa perto da Ilha de S. Tomé

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Ilhas de S. Tomé e Príncipe

21 de Dezembro de 1805: Morre o poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage

Considerado por muitos autores como o mais completo poeta do nosso século XVIII, Manuel Maria Barbosa du Bocage, filho de um advogado e de uma senhora francesa de quem herdou o último apelido, nasceu a 15 de setembro de 1765, em Setúbal, e morreu a 21 de dezembro de 1805, em Lisboa. Aos 16 anos assentou praça na Infantaria de Setúbal, mas em 1783 alistou-se na Academia Real da Marinha. Em Lisboa, participou na vida boémia e literária e começou a ganhar fama devido à sua veia de poeta satírico. Em 1786 embarcou para a Índia, chegando a ser promovido a tenente; em 1789 aventurou-se a ir a Macau e logo no ano seguinte regressou a Portugal. Em Lisboa encontrou a amada Gestrudes (em poesia Gestúria) casada com o seu irmão. Infeliz no amor, sem carreira e com dificuldades financeiras, dedicou-se à vida boémia e à poesia, tendo publicado, em 1791, o primeiro volume de Rimas . Aderiu então à Nova Arcádia (ou Academia de Belas Letras) onde recebeu o nome de Elmano Sadino. No entanto, Bocage, pela sua instabilidade e irreverência, não se adaptou ao convencionalismo arcádico e abriu conflitos com os seus confrades, sendo expulso em 1794. Três anos depois foi acusado de "herético perigoso e dissoluto de costumes" e, como era conhecida a sua simpatia pela Revolução Francesa, foi preso e condenado pela Inquisição. Quando saiu da reclusão, conformista e gasto, viu-se obrigado a viver da escrita (sobretudo de traduções). Apesar de ter recebido o auxílio de alguns amigos, acabaria por morrer doente e na miséria.
Se formalmente a poesia bocagiana ainda é neoclássica, se nalgum vocabulário e nos processos de natureza alegórica ainda se sente a herança clássica, concretamente a camoniana, pelo temperamento, por grande parte dos temas (como o ciúme, a noite, a morte, o egotismo, a liberdade, o amor - muitas vezes manifestado por uma expressão erotizante) e pela insistência nalgumas imagens e verbos que denunciam uma vivência limite, pode bem dizer-se que uma parte significativa da produção poética de Bocage é já marcadamente pré-romântica, anunciando assim a nova época que se aproxima. Apesar de a sua poesia ser contraditória, irregular, e de os seus versos revelarem concessões artisticamente duvidosas, Bocage é considerado, com justeza, um dos maiores sonetistas portugueses.
As obras de Bocage encontram-se editadas atualmente nas antologias: Opera Omnia, Poesias (antologia que inclui a lírica, a sátira e a erótica) e Poesias de Bocage.

Bocage. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
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Auto - retrato
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.



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21 de Dezembro de 1940: Morre o escritor norte-americano Francis Scott Fitzgerald, autor de: "O Grande Gatsby"

Escritor norte-americano nascido a 24 de setembro de 1896, em St. Paul, no estado do Minnesota, e falecido a 21 de dezembro de 1940. Aos 13 anos, escreveu The Mystery of the Raymond Mortgage, uma história sobre um detetive que foi publicada no jornal da escola que frequentava. Depois de ter passado por uma escola católica, ingressou, em 1913, na Universidade de Princeton, mas apostou mais no desenvolvimento das suas aptidões literárias do que a estudar as matérias do seu curso. Em 1917, por exemplo, escreveu argumentos e letras para espetáculos musicais e textos humorísticos para revistas. Como constatou que não ia conseguir terminar o curso, ainda em 1917 alistou-se no exército, onde chegou a segundo-tenente. Na altura, os Estados Unidos da América estavam envolvidos na Primeira Guerra Mundial e Fitzgerald estava convencido que ia morrer em combate. Por isso, escreveu a toda a pressa o romance The Romantic Egoist. No ano seguinte, foi trabalhar para Nova Iorque e, apesar de bem sucedido no mundo da publicidade, Fitzgerald deixou o emprego em 1919 para se dedicar ao romance This Side of Paradise, onde usou material de The Romantic Egoist. No mesmo ano, começou a escrever artigos para revistas populares. Para poder ganhar mais dinheiro deixou a escrita de romances e começou a escrever histórias de ficção para jornais. As suas histórias de amor foram consideradas inovadoras e refrescantes. Em 1920, finalmente publicou This Side of Paradise, com o qual alcançou um tremendo sucesso. Logo no ano seguinte, publicou o seu segundo romance, The Beautiful and Damned. Francis Scott Fitzgerald e sua mulher entraram, entretanto, numa fase de grandes luxos participando em inúmeras festas, gastando muito dinheiro e acumulando dívidas. Em 1924, o romancista mudou-se para França, onde escreveu um dos seus livros mais marcantes, The Great Gatsby (O Grande Gatsby), que apesar de ter recebido boas críticas foi um fracasso a nível de vendas. Este romance viria a ser adaptado ao teatro e, posteriormente, ao cinema, ganhando outra visibilidade. A versão cinematográfica mais conhecida é a de 1974, realizada por Jack Clayton, tendo Robert Redford por protagonista. Fitzgerald regressou aos Estados Unidos da América em 1931, tendo tentado escrever alguns argumentos para filmes. Contudo, conseguiu terminar um, Three Comrades, em 1938. Logo depois, foi despedido devido aos seus problemas de alcoolismo. Em 1939, começou a escrever o romance The Love of The Last Tycoon, que nunca terminaria porque morreu vítima de ataque cardíaco a 21 de dezembro de 1940. No entanto, baseado no que deixara escrito, foi realizado, em 1976, o filme The Last Tycoon. Sob a direção de Elia Kazan estiveram os atores Robert de Niro, Robert Mitchum e Jack Nicholson. F. Scott Fitzgerald escreveu também alguns contos, entre os quais Babylon Revisited, que inspirou o filme The Last Time I Saw Paris (Última Vez Que Vi Paris), com Elizabeth Taylor.
Fontes: Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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 F. Scott Fitzgerald c. 1921

21 de Dezembro de 1925: Estreia de "O Couraçado Potemkin" em Moscovo

O júri internacional de cinema da Exposição Mundial de Bruxelas, em 1958, considerou -o unanimemente "o melhor filme de todos os tempos". No entanto, O Couraçado Potemkin fez pouco sucesso, quando estreou no Teatro Bolshoi de Moscovo, em 21 de Dezembro de 1925.
Encomendado pelo Estado soviético, o filme de Serguei Mikhailovich Eisenstein (1898–1948) celebrava oficialmente os 20 anos da revolução de 1905, que tinha instaurado a democracia popular no país dos czares.
Eisenstein, que actuou primeiro durante alguns anos no teatro, como cenógrafo e figurinista, compartilhava as ideias da vanguarda russa, que rejeitava a concepção artística da burguesia e pretendia intervir no quotidiano através de uma nova arte. O cinema, com as suas novas possibilidades de montagem, pareceu-lhe então o campo de acção ideal.
O sucesso da  sua  primeira longa-metragem, A Greve (1924), levou o governo soviético a contratá-lo para escrever o guião e realizar o filme que comemoraria o jubileu da revolução de 1905.
Durante as filmagens em Odessa, o realizador acabou por descartar as cenas já rodadas e reformulou completamente o guião. A revolta dos marinheiros do navio de guerra Potemkin, da frota russa no Mar Negro, deveria ser apenas um episódio, mas tornou-se tema da película, simbolizando o levantamento popular contra o regime czarista.
Eisenstein não quis, contudo, fazer uma crónica dos acontecimentos históricos, apostando antes na enorme força sugestiva que as imagens adquiriram graças à sua inovadora técnica de montagem.
As sequências mais marcantes do filme tornaram-se verdadeiramente antológicas, como a do avanço dos soldados em passos marciais contra a população e a do carrinho de bebe descendo pelos degraus da escadaria de Odessa.
Na União Soviética, o filme só cativou as massas depois de começaram a chegar as notícias do sucesso, mas também das proibições e das intervenções da censura na Europa e nos Estados Unidos.
Fontes: DW
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Cartazes do Filme




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

20 de Dezembro de 1968: Morre o escritor norte-americano John Steinbeck, autor de "As Vinhas da Ira", Nobel da Literatura em 1962.

Romancista norte-americano, nasceu em 1902 em Salinas, no estado da Califórnia, filho de um político influente, tesoureiro público de origens germânicas, e de uma professora irlandesa. Tendo terminado os seus estudos secundários na sua terra natal, Steinbeck ingressou na Universidade de Stanford com o estatuto de aluno especial. permaneceu entre 1920 e 1926, estudando Biologia Marinha, ciência que influenciaria grandemente a sua obra e a sua perceção do mundo, sem ter, no entanto, chegado a obter o diploma de curso.
Durante estes anos de vida académica, Steinbeck estreou-se como escritor, contribuindo com alguns dos seus contos e dos seus poemas em publicações universitárias. Prosseguiu para o periódico The American, de Nova Iorque, trabalhando primeiro como assalariado até chegar ao posto de repórter, acabando depois por regressar à Califórnia.
Empenhado no esforço da escrita, John Steinbeck optou, em busca de experiência, por levar uma vida de deambulação, sujeitando-se sem pejo aos trabalhos braçais e sazonais mais variados. Assim, para além de ter sido farmacêutico, foi também servente na construção civil, aprendiz de pintor, jornaleiro, caseiro e vigilante. Enquanto tomava conta de uma propriedade em High Sierra, isolada do mundo pela neve durante oito meses por ano, Steinbeck encontrou o tempo e a disposição para escrever o seu primeiro livro, Cup of Gold (1929) que, como os dois romances seguintes, The Pastures of Heaven(1932) e To a God Unknown (1933), passaria despercebido.
No início da década de 1930, Steinbeck havia travado conhecimento com o biólogo marinho Edward Ricketts e, desse encontro, nasceu não uma grande amizade, como um novo horizonte para o escritor. Ricketts propagava a ideia de que todos os seres vivos agem em interdependência. Steinbeck tomaria então contacto com a obra do mitólogo Joseph Campell, que combinava este pensamento com conceitos do psicólogo Carl Jung e, utilizando os seus arquétipos, fez nascer To a God Unknown (1933). Na obra, de um paganismo ambíguo, o agricultor Joseph Wayne recebe uma benção de seu pai pioneiro, John Wayne, e decide fundar uma nova quinta num vale distante. desenvolve as suas próprias crenças sobre a vida e a morte, Sobretudo quando tem de lidar com uma terrível seca que se abate sobre as suas terras.
Em 1935 publicou a obra que lhe garantiria a atenção do público, Tortilla Flat, um cândido retrato das gentes de raiz mexicana nos Estados Unidos da América, e cuja alegoria à constituição da Távola Redonda do Rei Artur não chegaria a ser apercebida pela crítica. A popularidade do romance permitiu finalmente a John Steinbeck consagrar-se em exclusivo à atividade da escrita.
Seguiu-se-lhe In Dubious Battle (1936), em que Steinbeck recria a revolta de novecentos trabalhadores rurais migratórios. Liderado por Jim Nolan, o movimento é suprimido, e Jim encontra a morte. Uma das personagens, o observador imparcial Doc Burton, é grandemente inspirado no amigo de Steinbeck, Edward Ricketts, que viria também a servir de modelo em algumas das suas obras posteriores mais conhecidas.
Em 1937 seria a vez de Of Mice and Men, o primeiro grande sucesso do autor, e The Red Pony, adaptado para o cinema em 1949. Obteria o reconhecimento do público em 1939, ao ser galardoado com o Pulitzer e com o National Book Award pela obra The Grapes of Wrath. Fruto de uma viagem pelos acampamentos dos trabalhadores migratórios empreendida durante o ano de 1936, o romance foi atacado pelas autoridades de Oklahoma e descrito como "uma mentira, uma criação negra e infernal de uma mente distorcida e perversa". Aquando da atribuição do Prémio Nobel, em 1962, a Academia Real Sueca considerou a obra como sendo apenas uma crónica épica.
A popularidade da obra assumiu proporções tais que, especialmente após a estreia da versão cinematográfica, em 1940, John Steinbeck optou por se exilar no México, onde filmou o documentário da obra Forgotten Village (1941).
Durante a Segunda Guerra Mundial foi correspondente na Grã-Bretanha e Mediterrâneo para o New York Herald Tribune, e dedicou-se à propaganda, da qual The Moon is Down (1942) é um exemplo. Regressou em 1943 a Nova Iorque, casando, nesse mesmo ano, com a cantora Gwyndolyn Conger, de quem teve dois filhos, acabando contudo por se divorciar em 1949. Tendo publicado Cannery Row em 1945, The Wayward Bus e The Pearl em 1947, e A Russian Journal no ano seguinte, o autor encontrou no consumo excessivo de álcool um lenitivo para a frustração da separação e da vida na cidade, longe das montanhas de Monterrey e dos vales férteis da sua Salinas natal.
Em 1950 contraiu matrimónio com Elaine Scott e dois anos depois apareceria East of Eden, obra que reflete a sua visão da história da formação dos Estados Unidos. Durante grande parte do ano de 1959 Steinbeck refugiou-se numa propriedade rural inglesa estudando a Morte d'Arthur de Malory e, de regresso, publicou o seu último grande romance, The Winter of Our Discontent (1961) e decidiu empreender, com quase sessenta anos de idade, uma viagem de autocaravana ao longo do seu país, acompanhado do seu cão Charley. Publicou portanto, em 1962, Travels With Charley in Search of America.
Veio a falecer em Nova Iorque a 20 de dezembro de 1968, vítima de um ataque cardíaco.
John Steinbeck. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 
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John Steinbeck 
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As Vinhas da Ira


20 de Dezembro de 1999: Devolução de Macau à China

Em 1974, na sequência da Revolução do 25 de abril, o governo português alterou o estatuto de Macau para "território chinês sob administração portuguesa". Lisboa sugeriu mesmo a Pequim a devolução do território, mas o governo chinês adiou a resolução da questão, justificando com a prioridade de resolver primeiramente o problema de Hong Kong, que era uma colónia, ao contrário de Macau. O estatuto de Território Especial de Macau foi definido em 1976, com larga independência económica e administrativa para a cidade do delta do Rio da Pérola. Só em 1987 se firmou o acordo de devolução de Macau à China, o qual se cumpriu a 20 de dezembro de 1999. Foi então fundada a Região Administrativa Especial (RAE) de Macau, com um sistema de governo com grande autonomia e possibilidade de manter a economia de mercado no território. A transição foi aprazada para um período de 50 anos a partir de 1999. Apenas a defesa e as relações externas do território passaram a ser asseguradas por Pequim. 
O processo de transição iniciou-se dois anos depois do de Hong Kong (1 de julho de 1997). Os habitantes do território puderam assim verificar que na antiga colónia britânica tudo estava tranquilo, a transição estava a ser efetuada em bom sentido. Macau tinha problemas de segurança maiores, no entanto, além de um governo menos "democrático" durante a administração portuguesa. Destino turístico (jogo, principalmente), a "Las Vegas" do Oriente viu, com a chegada do Exército do Povo (China), os índices de segurança subirem exponencialmente. Os maiores problemas da transição prendem-se com os "filhos da terra", designação dada aos macaenses, os mestiços ou descendentes de portugueses do território, bilingues e biculturais, com dificuldades de integração no novo sistema chinês, cuja língua não dominam na sua forma escrita. 
O presidente escolhido para a Região Administrativa de Macau em 1999, foi Edmund Ho, que ficou à frente de um conselho executivo. O órgão legislativo do território é a Assembleia Legislativa. Judicialmente, o sistema legal de Macau tem uma grande influência da Lei portuguesa, apesar de existir no território um sistema judicial próprio.
Hong Kong passou a integrar a República Popular da China a 1 de julho de 1997, na sequência da instalação no território de uma Região Administrativa Especial, em tudo idêntica à de Macau, presidida até 16 de junho de 2005 por Tung Chee-Hwa, a quem sucedeu Donald Tsang. Colónia da coroa britânica desde 1843, Hong incorporou no seu território, a 1 de julho de 1898, por um prazo de 99 anos, várias ilhas adjacentes, os Novos Territórios. Este acordo, prestes a caducar em finais do século XX, com a pressão da doutrina de "Um País, Dois Sistemas" e a vontade política de ambas as partes (principalmente chinesa) de resolver a questão do território, desencadeou a elaboração, em 1984, da Declaração Conjunta Sino-Britânica, firmada por Deng Xiaoping e Margaret Thatcher, a 19 de dezembro desse ano. Definiu-se que todo o território sob administração colonial britânica passaria a designar-se Região Administrativa Especial de Hong Kong a partir de 1 de julho de 1997. A passagem do poder decorreu, nessa data, de forma pacífica, como mais tarde em Macau. Em Hong Kong não existiam precedentes de criminalidade (por não haver tríades ligadas ao jogo) como na vizinha Macau.
A Declaração Conjunta previu que Hong Kong não integrasse, no período de transição (até 2047), o sistema de economia socialista de Pequim, dada a vigência do sistema "Um País, Dois Sistemas". Como em Macau, autonomia em tudo menos em matérias de defesa e relações internacionais. Ambas as RAE's pertencem, como entidades económicas distintas de Pequim, à Organização Mundial de Comércio, bem como a outras estruturas económicas "capitalistas" internacionais, ao contrário da RPChina. Mas se em Macau a transição tem corrido bem, principalmente em termos económicos, em Hong Kong a governação de Tung Chee-Hwa não foi a melhor, com os valores dos preços do solo a diminuírem e a afluência turística a baixar drasticamente. Algumas liberdades (imprensa) foram também postas em causa e instalou-se em certa media a corrupção, o que fez com que, desde 2003, o modelo de gestão do território fosse posto em causa por Pequim. O carácter tranquilo da transição de Hong Kong não foi abalado, no entanto, pois, com toda a "naturalidade" chinesa, Donald Tsang foi chamado pelo governo de Pequim a dirigir a RAE da antiga colónia britânica. Mas o princípio "Um País, Dois Sistemas" e a integração de Macau e Hong Kong como aplicação dessa doutrina têm sido implementados com sucesso e garantias de futuro, sem grandes problemas e com indicadores de desenvolvimento que fazem o governo de Pequim apontar aqueles dois territórios como exemplo para um projeto de reunificação há muito almejado pelos chineses mas com processos e soluções bem mais complicados e sem fim à vista: Taiwan, onde mais de 80% dos habitantes deste território nacionalista se manifestam contra integração na China comunista.

Integração de Hong Kong e Macau na China. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011
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Ruínas de São Paulo (Macau)George Chinnery(17741852).  A catedral foi construída em1602 e destruída por um incêndio em 1835. Somente a fachada sul chegou aos dias de hoje.

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Localização de Macau no Delta do Rio das Pérolas (Pearl River) e em relação a Hong Kong e a Cantão (que se situa na prefeitura de Guangzhou e na província de Guangdong).