domingo, 22 de março de 2020

22 de Março de 1312: Extinção da Ordem dos Templários



Em meados do século XII, oito cavaleiros franceses, agrupados em torno de um nobre da Champagne, Hugo de Payns, tomaram a decisão de assegurar  protecção dos peregrinos que se dirigiam a Jerusalém. O rei cristão desta cidade, Balduíno II (1118-1131) doou então a estes cavaleiros uma casa localizada no que fora antigamente o Templo de Salomão - daí a explicação para o nome da ordem então criada, Cavaleiros do Templo ou Pobres Cavaleiros de Cristo e do templo de Salomão. S. Bernardo, monge cisterciense e figura de proa da Cristandade ocidental do século XII, ajudou estes cavaleiros a elaborar a sua própria regra, inspirada assim nos costumes cistercienses, apoiando a sua aprovação no concílio de Troyes de 1128. São Bernardo tornou-se um acérrimo defensor desta "nova milícia", como lhe chamou em um dos seus fervorosos e flamejantes tratados espirituais, De laude novæ militiæ (Em louvor da nova milícia), escrito por volta de 1130. Simultaneamente monges e soldados, estes cavaleiros do Templo conciliavam na sua forma de vida os ideais da cavalaria medieval e os mais exigentes preceitos de vida monástica, ou não tivessem eles sido inspirados por S. Bernardo, príncipe dos monges da Idade Média reputado pelo seu fervor e radicalidade de vida religiosa.  objectivo destes cavaleiros era  protecção, assistência e socorro dos peregrinos que se dirigiam à Terra Santa. A par de outras ordens religiosas militares, os templários participavam também na defesa dos Estados Latinos da Terra Santa  respectivos Lugares Sagrados. No entanto, com o decorrer dos tempos, esta função hospitalária e assistencial, apoiada na  acção militar, tendeu cada vez mais para  actividades de carácter financeiro, relacionadas com as necessidades dos peregrinos e dos cruzados. Foi esta ligação  actividades bancárias que fez com que se dissipasse a aura mística e fervorosa do início e com que os poderes e a sociedade começassem a ver os Templários como grandes detentores de capitais e de um colossal património imobiliário, pouco condizente com a sua Regra e escopo original.
Muito hierarquizados, os Templários compreendiam nas suas fileiras cavaleiros e capelães nobres, bem como irmãos laicos e "sargentos". Esta divisão radicava também no modelo cisterciense, que separava os monges de origem nobre (sacerdotes) dos de origem plebeia (irmãos conversos). À cabeça da ordem, figurava o grão-mestre, eleito pelos cavaleiros, grupo a que pertencia, aliás. Era, todavia, obrigado a consultar o capítulo geral da ordem para as decisões mais importantes. Os Templários não deixaram de ter uma aura de prestígio e reputação de grande coragem, o que fez com formassem um autêntico Estado soberano, tais eram as mercês e privilégios com que foram, principalmente no seu primeiro século de existência, cumulados pelo papado. Este estado de graça fez com que prosperassem imensamente e atingissem um  efectivo de cerca de 15 000 religiosos em fins do século XIII. Por outro lado, ainda durante esta sua fase de crescimento e popularidade, os Templários, graças à sua  actividade assistencial e gestão rigorosa do seu património, puderam organizar o primeiro banco internacional, usando os seus lucros para acções de generosidade e auxílio, como o resgate de cativos reduzidos à escravidão entre os muçulmanos, por exemplo, outra das suas aplicações foi a construção de fortificações em rotas de peregrinos ou pontos de defesa na Terra Santa, como o célebre Krak dos Cavaleiros, na  actual Síria, monumento da  arquitectura militar por excelência e modelo de  protecção e defesa de caminhos e de peregrinos. Em 1291, com a queda de Jerusalém e a retirada das ordens militares da Terra Santa, perde-se a sua razão de existir. Ignorando as pressões e conselhos de soberanos europeus e dos próprios Papas, o então grão-mestre dos Templários, Jacques de Molay, recusou toda e qualquer fusão da sua ordem com os Hospitalários, outra ordem religiosa militar de cariz assistencial e com forte implantação no Levante mediterrânico. Em meados do século XIV, perante este impasse, o rei de França Filipe, o Belo, suprime a ordem em França e congela o seu gigantesco património. A 13 de maio de 1307 Jacques de Molay é mesmo preso. Em 1312, sob pressão de Filipe, o Belo, o papa Clemente V, na segunda sessão do concílio de Vienne (1311-1312), pronuncia a dissolução da Ordem do Templo a 22 de Março, confirmada em bula de 3 de  Abril desse ano. Os bens dos Templários são também transferidos para os Hospitalários. Num ambiente de perseguição e acusações, os Templários são perseguidos por toda a Cristandade, principalmente em França, assistindo-se a atos brutais de crueldade. Recorde-se, por exemplo, que a 19 de  Março de 1314, Jacques de Molay e Geoffrey de Charnay, figuras cimeiras dos Templários, irredutíveis na defesa intransigente da ordem, foram queimados vivos depois de terem recusado comprovar as acusações - um tanto absurdas e infundadas - levantadas contra eles.
O processo de extinção dos Templários constitui um dos "casos por resolver" da História e envolto em brumas e enigmas que, muitas vezes conduzem à ideia, por provar, de que os Templários terão sido ou alvo de cobiça devido ao seu espantoso património, ou "bodes expiatórios" de uma certa decadência da Cristandade e da luta entre o seu poder e o dos Estados em fase de afirmação política.  Actualmente alguns grupos de cidadãos reclamam a herança espiritual e mística dos Templários, tentando um ressurgimento da Ordem.
Em Portugal, a primeira notícia referente aos Templários é uma doação feita por D. Teresa em 19 de  Março de 1128. Trata-se do castelo e terras de Soure. Esta doação é a primeira de muitas com os reis portugueses brindaram os Templários, muito importantes no apoio à Reconquista Cristã e formação do reino de Portugal. Estabeleceram-se em Tomar em 1160, iniciando a construção de um castelo  respectivas dependências conventuais. Os Templários eram detentores de um vasto senhorio com inúmeros benefícios e terras na região entre Tomar e o Tejo, em cujo rio construíram o Castelo de Almourol, outro dos seus emblemas no nosso País. Até à sua extinção em Portugal, em 1312, em pleno reinado de D. Dinis. No entanto, ao contrário de além-Pirenéus, os bens dos Templários na Península Ibérica - graças às pressões dos monarcas peninsulares - não estavam abrangidos pela imposição papal de serem transferidos para os Hospitalários. D. Dinis conseguiu, depois de sete anos de negociações com a Santa que esta autorizasse a fundação de uma milícia portuguesa a partir dos bens dos extintos Templários. Foi esta milícia denominada Ordem de Cristo, tendo sido confirmada pela bula Ad ea ex quibus, de 14 de  Março de 1319, emitida em Avinhão por João XXII. Muitos dos Templários portugueses, segundo a tradição, terão passado para a Ordem de Cristo, que a partir de 1356 teve como sede a antiga fortificação-convento templária de Tomar. A mais conhecida das figuras da ordem de Cristo em Portugal foi o Infante D. Henrique.
Ordem dos Templários. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
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Baldwin II ceeding the Temple of Salomon to Hugues de Payens and Gaudefroy de Saint-Homer.jpg
Balduíno II doa o Templo de Salomão a Hugues de Payns e Gaudefroy Saint-Home




Arquivo:. Bernhard von Claraval (Initiale-B) jpg

São Bernardo de Claraval
Arquivo: Molay.jpg
Jacques de Molay - o último Grão Mestre da OrdemFicheiro:Jerusalem Al-Aqsa Mosque BW 2010-09-21 06-38-12.JPGA primeira sede dos Cavaleiros Templários, a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, o Monte do Templo. Os Cruzados chamaram-lhe de o Templo de Salomão, como ele foi construído em cima das ruínas do Templo original, e foi a partir desse local que os cavaleiros tomaram o  nome de Templários
Ficheiro:Tomartemplarschurch2.jpgI
Igreja dos Templários de Tomar. A sua planta circular evoca a Igreja dos Templários em Jerusalém

22 de Março de 1933: Entra em funcionamento o campo de concentração de Dachau

O campo de concentração de Dachau foi o primeiro criado pelo governo nazi. Heinrich Himmler, chefe da polícia de Munique, descreveu-o oficialmente como “o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos”. Foi construído nas dependências de uma fábrica de munições abandonada, a cerca de 15 quilómetros a noroeste de Munique, no sul da Alemanha.

Dachau serviu como protótipo e modelo para os outros campos. Tinha uma organização básica, com prédios desenhados pelo comandante Theodor Eicke. Dispunha de um campo distinto, perto do centro de comando, com salas de estar, administração e instalações para os soldados. Eicke tornou-se ainda o inspector-chefe para todos os campos de concentração.

Cerca de 200 mil prisioneiros de mais de 30 países foram "hospedados" em Dachau, dos quais aproximadamente um terço era judeu. Acredita-se que mais de 35.600 prisioneiros foram mortos no campo, principalmente por doenças, má nutrição e suicídio. No começo de 1945, houve uma epidemia de tifo no local, seguida de uma evacuação em massa, dizimando boa parte dos prisioneiros.

A par de Auschwitz-Birkenau, Dachau tornou-se um símbolo de campo de concentração nazi. KZ Dachau tem um significado bastante forte na memória pública porque foi o segundo campo a ser libertado pelas forças aliadas anglo-americanas. O primeiro havia sido Auschwitz, libertado pelo Exército Vermelho. Ambos expuseram aos olhos do mundo a realidade da brutalidade nazi.

Dachau foi dividido em duas secções: a área do campo e o crematório. A área do campo consistia em 32 barracas, incluindo uma para o clero aprisionado e os opositores do regime nazi e outra reservada para as experiências médicas. O pátio entre a prisão e a cozinha central foi usado para a execução sumária de prisioneiros. Uma cerca eléctrica de arame farpado, uma vala e um muro com torres de observação rodeavam o campo.
No início de 1937, as SS, usando a mão-de-obra dos prisioneiros, iniciaram a construção de uma grande rede de prédios nos fundos do campo original. Os prisioneiros eram forçados, sob terríveis condições, ao trabalho, começando com a destruição das velhas fábricas de munição. A construção  deu-se por concluída em meados de Agosto de 1938.

Dachau foi o campo mais activo durante o Terceiro Reich. A área incluía ainda outras fábricas da SS, uma escola de economia e serviço civil e a escola médica dos SS. O campo, chamado de "campo de custódia", ocupava menos da metade de toda a área.
Dachau também serviu como campo central para prisioneiros católicos. De acordo com a Igreja Católica Romana, pelo menos 3.000 religiosos, diáconos, padres e bispos foram lá confinados. Em Agosto de 1944, abriu-se um campo feminino dentro de Dachau. A primeira "carga" de mulheres veio de Auschwitz-Birkenau.

Nos últimos meses da guerra, as condições de Dachau pioraram. Quando as forças aliadas avançaram sobre a Alemanha, os nazis começaram a remover os prisioneiros dos campos perto da frente de batalha. Depois de vários dias de viagem, com pouca ou nenhuma comida e água, os prisioneiros chegavam extenuados. Muitos morriam pelo caminho. A epidemia de tifo tornou-se um sério problema devido ao excesso de prisioneiros, condições sanitárias precárias, provisões insuficientes e o estado de fraqueza dos prisioneiros. Até ao dia da libertação, 15 mil pessoas morreram e 500 prisioneiros russos foram executados.

Em 27 de Abril de 1945, Victor Maurer, delegado do Comité Internacional da Cruz Vermelha, foi autorizado a entrar nos campos e distribuir comida. Na noite do mesmo dia, um transporte de prisioneiros chegou de Buchenwald. Somente 800 sobreviventes foram resgatados, dos aproximadamente 4.500. Mais de 2.300 cadáveres foram deixados dentro do comboio. O último comandante do campo, Obersturmbannführer (Tenente-Coronel) Eduard Weiter, fugiu em 26 de Abril.

Em 28 de Abril de 1945, o dia anterior à rendição, Martin Weiss, que comandara o campo de Setembro de 1942 até Novembro de 1943, deixou Dachau juntamente com a maioria dos guardas e administradores do campo.

Maurer tentou persuadir o  tenente Johannes Otto, ajudante do comandante Weiss, a não abandonar o campo, mantendo guardas para controlar os prisioneiros até que os norte-americanos chegassem. Ele temia que os prisioneiros pudessem fugir em massa e espalhar a epidemia de tifo.

Um dia depois, foi hasteada uma bandeira branca na torre do campo.





Fontes: Opera Mundi
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O Campo em 1945


22 de Março de 1832: Morre, em Weimar, o poeta e dramaturgo alemão Johann Wolfgang Goethe, essência do Romantismo, autor de "A Paixão do Jovem Werther".

Johann Wolfgang von Goethe nasceu de uma família nobre em Frankfurt-am-Main, no dia 28 de agosto de 1749, e morreu em Weimar, em 22 de março de1832. Tendo recebido uma educação multifacetada nos primeiros anos da sua vida, estudou Direito em Leipzig a partir de 1765.
São dessa época as suas primeiras obras poéticas (canções e odes) e também o auto pastoril Caprichos do Apaixonado, que reflete o seu amor por Käthchen Schönkopf, filha de um estalajadeiro.
Doença grave obriga-o a regressar a Frankfurt em 1768, mas pouco depois retoma em Estrasburgo os seus estudos universitários, que completa em 1771.Influenciado pelo escritor e filósofo alemão Johann G. Herder (1744-1803), Goethe volta-se para o irracionalismo do movimento literário e artístico designado por Sturm und Drang, evidenciando especial interesse pela poesia popular, pelos poetas da Antiguidade (Homero, Píndaro, Ossian) e pela obra poética do dramaturgo inglês William Shakespeare (1554-1616), assim como pelo estudo da arte gótica.São dessa época os ensaios Shakespeare (1771) e Da Arte Alemã (1773).
Os seus amores pela filha do pároco de Sessenhein (Alsácia) foram a origem das poesias líricas Canção de Maio, Boas-Vindas e Despedida.
Também a ligação amorosa de Goethe com Charlotte Buff, noiva do secretário da embaixada, inspira poesias líricas, como Prometeu, Ganimedes e Cântico de Maomet; são também dessa época os poemas dramáticos Goetz von Berlichingen, Deuses, Heróis e Wieland, o poema épico O Judeu Errante, o poema dramático Clavigo (1774) e o romance epistolar e sentimental Os Sofrimentos do Jovem Werther, que é um espelho dos amores de Goethe com Charlotte Buff e que, em breve, alcança renome internacional.
A viagem à Suíça com os condes de Stolberg ocasiona o seu encontro com Carlos Augusto, o duque de Weimar, que convida Goethe para a sua corte, onde, a partir de 1776, passa a desempenhar as funções de conselheiro, e mais tarde, as de ministro de Estado.
Das relações de amizade que então trava com Charlotte von Stein, sete anos mais velha do que ele, e da influência poderosa que dela recebe no sentido do seu amadurecimento espiritual são prova as suas próximas obras, que incluem dramas para o teatro de amadores e os poemas líricos Ilmenau, Viagem de Inverno ao Harz, Cântico dos Espíritos sobre as Águas, A minha Deusa, O Cantor, À Lua, a versão em prosa de Ifigénia (1779) e o começo do romance Wilhelm Meister.
Nos anos de 1779 e 1780 acompanha o duque Carlos Augusto na segunda viagem à Suíça, de que nasceram as Cartas da Suíça.
No outono de 1786 inicia a sua viagem à Itália, com estadia longa em Roma e uma deslocação à Sicília. Durante dois anos trava contacto aturado com a arte antiga e a arte italiana, o que provoca a sua atenção especial e o seu interesse definitivo pelo Classicismo, onde ressaltavam as ideias da humanidade e o esforço pela harmonia. O período fecundo que sucedeu à sua viagem à Itália foi marcado pelo aparecimento das seguintes obras: versão em verso da tragédia Ifigénia (1787); Egmont (1788), uma das suas melhores obras dramáticas; o drama psicológico Tasso, que tanto tem de autobiográfico, e o Fausto - Um Fragmento (1890).
Goethe estabelece-se então em Weimar, dispensado do exercício de funções públicas, com exceção da direção de instituições artísticas e científicas.
Goethe mantém uma ligação amorosa com Cristiane Vulpius ao longo de vários anos, durante os quais publica, com reflexos dessa ligação, Idílios Romanos (1795) e Epigramas Venezianos.
Em 1794 anuncia em público, em Jena, a sua amizade com Fiedrich Schiller (1759-1805) e a colaboração estreita entre os dois poetas, de modo especial quanto à criação de um teatro nacional e a assuntos de grande interesse para a literatura. Publica, em 1796, o romance didático Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, a que se seguem a epopeia idílica, em verso, Hermann e Dorothea (1797) e a tragédia Filha Natural (1803). Entretanto, permanentemente estimulado por Schiller, seguimento aos trabalhos relativos à continuação do Fausto. Em 1806 casa com Cristiane Vulpius e, em 1809, publica Afinidades Eletivas, em que descreve, na personagem Ofélia, a sua bem-amada Minna Herzlieb, à qual se refere também nos Sonetos publicados, mais tarde, em 1815.
Começa então a preocupação de Goethe pela sua própria evolução biográfica e espiritual, e publica A Minha Vida, Ficção e Verdade e Viagem à Itália em 1814.
Como resultado da sua viagem ao Reno e ao Meno, aparece em 1814-15 a coletânea lírica O Divã Ocidental e Oriental.
Em 1821 publica a primeira parte de Anos de Peregrinação de Wilhelm Meister, que, com os elementos líricos, novelísticos e aforísticos que enriquecem esta obra, representa o trabalho que o homem, nas suas próprias limitações, realiza para a comunidade, e constitui o tema principal da segunda parte da grande obra da idade avançada do poeta, o Segundo Fausto, que viria a ser publicado em 1832, ano da sua morte.
A última inclinação amorosa de Goethe, no 74.° ano da sua vida, pela jovem de 19 anos Ulrike von Levetzow não foi correspondida, circunstância a que se alude na Trilogia da Paixão, publicada em 1827.
Goethe passa os últimos anos da sua vida a reexaminar e ordenar as suas obras.
Escritor de admirável elegância de estilo e de grande poder imaginativo, além de ser um pensador profundo, Goethe abraçou um vasto conjunto de conhecimentos e de interesses humanos.
Para a Alemanha, que nos séculos XVI e XVII não tinha ainda beneficiado do movimento da Renascença, Goethe constituiu, sozinho, uma Renascença completa. Para o resto do mundo foi um dos génios mais ricos e poderosos da Humanidade.
Morreu em Weimar, com 83 anos, aureolado pela admiração universal.
J. W. Goethe. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
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Johann Wolfgang Goethe ca. 1775






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Goethe, Schiller, Alexander e Wilhelm von Humboldt c. 1797

22 de Março de 1911: É fundada a Universidade do Porto



A Universidade do Porto é constituída formalmente em 22 de Março de 1911, logo após a implantação da República em Portugal. As suas raízes, contudo, remontam a 1762, com a criação da Aula de Náutica por D. José I. Esta escola e as suas sucessoras (Aula de Debuxo e Desenho, criada em 1779; Academia Real da Marinha e Comércio, em 1803; Academia Politécnica, em 1837) serão responsáveis pela formação dos quadros portuenses ao longo do séc. XVIII e XIX, dando resposta às necessidades de pessoal qualificado na área naval, no comércio, na indústria e nas artes.
Em 1825 é fundada a primeiro escola médica do Porto, a Real Escola de Cirurgia, que, transformada em 1836 em Escola Médico-Cirúrgica, será o outro vetor de formação da U.Porto.
Paralelamente, a Aula de Debuxo e Desenho dará origem a outras escolas – Academia Portuense de Belas Artes (1836), depois Escola Portuense de Belas Artes (1881), finalmente Escola Superior de Belas Artes do Porto (1950). Esta última transformar-se-á, ao longo do último quartel do séc. XX, nas atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da U.Porto.
Se, numa fase inicial, a U.Porto surge estruturada em duas faculdades (Ciências e Medicina), assistiremos ao longo de todo o séc. XX a uma diversificação de saberes e autonomização de escolas. Ainda durante a 1.ª República, surgirá em 1915 a Faculdade Técnica (rebatizada em 1926 de Faculdade de Engenharia), em 1919 a Faculdade de Letras, em 1921 a Faculdade de Farmácia.
O crescimento da U.Porto durante o regime autoritário nascido do movimento militar de 28 de Maio de 1926 será mitigado: a Faculdade de Letras é extinta em 1928, para ser restaurada em 1961; só a Faculdade de Economia será verdadeiramente criada de raiz neste período, em 1953.
Após a revolução de Abril de 1974, e até ao fim do século, a Universidade do Porto entrará finalmente em expansão. Às seis faculdades existentes juntaram-se mais oito: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (1975), Faculdade de Desporto (1975), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (1977), Faculdade de Arquitectura (1979), Faculdade de Medicina Dentária (1989), Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação (1992), Faculdade de Belas Artes (1992) e Faculdade de Direito (1994). Hoje, a Universidade do Porto conta com catorze faculdades e uma escola de pós-graduação, a Escola de Gestão do Porto, criada em 1988 e cuja designação passou a ser Escola de Negócios da Universidade do Porto a partir de 2008.

Fontes: UP
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Imagem relacionada

 Edifício da Academia Politécnica, onde funcionou a Faculdade de Ciências e agora está instalada a Reitoria da Universidade do Porto e vários museus

sábado, 21 de março de 2020

21 de Março de 1887: Nasce D. Luís Filipe, Príncipe Real de Portugal

Nasceu em Lisboa, em 21 de Março de 1887, faleceu vitima do atentado de 1 de Fevereiro de 1908, assim como seu pai. O seu nome completo era Dom Luís Filipe Mário Carlos Aurélio Fernando Victor Manuel Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Benito.
Fez o seu juramento como Príncipe Herdeiro do Trono, em Junho de 1901, contando 14 anos de idade, realizando-se a cerimónia na Câmara dos Pares, na presença de seus pais, da Côrte e do Parlamento convocado em grande gala. Acompanhou juntamente com o seu irmão, o Infante Dom Manuel a sua mãe,  Rainha  Dona Amélia, na viagem feita ao Mediterrâneo, em 1903. Tomou posse do seu lugar no Conselho de Estado em 13 de Abril de 1906, como lhe competia nos termos do artigo 112.º da Carta Constitucional, que dava esse direito ao Herdeiro da Coroa desde os 18 anos de idade. Em 1906 teve a regência do reino de 11 a 16 de Março, por causa da viagem dos reis a Madrid. Em 1907 fez uma viagem a África visitando diversas das colónias portuguesas, acompanhado pelo ministro da Marinha, o Conselheiro Aires de Ornelas de Vasconcelos. O príncipe Dom Luís Filipe era Duque de Bragança e de Saxónia capitão honorário de Lanceiros n.º 2. O príncipe estava com seu pai no dia 1 de Fevereiro de 1908, quando o rei foi baleado pelas costas, na nuca, e morreu assassinado por alguns elementos da Carbonária. O assassinato foi cometido quando a Família Real, os reis e o príncipe, regressada de Vila Viçosa, passava de carruagem pelo Terreiro do Paço, à esquina da Rua do Arsenal. Ao tentar defender a sua família D. Luís Filipe conseguiu ainda abater um dos assassinos, sendo no entanto atingido mortalmente a tiro, sobrevivendo a seu pai muito pouco tempo. Apenas escapou ilesa ao atentado a rainha D. Amélia de Orleães, sendo ferido no braço o infante D. Manuel, duque de Beja, que assim subiu ao trono como D. Manuel II, e que viria a ser o último rei de Portugal.
Um biógrafo do príncipe, traçando-lhe o elogio, jura que na alma daquele mancebo se continham os predicados morais de um futuro grande Rei.  Com os seus servidores era polidíssimo, e agradecia sempre, com o seu sorriso de Príncipe benévolo, o mínimo serviço que lhe prestavam, um livro que mandara buscar, uma carta que lhe traziam, a mínima coisa. Já cultíssimo, apesar dos seus poucos anos, falava como um nacional o francês, o inglês, o alemão, além de perítissimo no jogo das armas, na equitação, em todas as prendas de um homem da sua esfera. No que dizia, e no que sabia calar por polidez, era um verdadeiro homem do mundo, ele que do mundo apenas conhecia os primeiros passos. 
Portugal-Dicionário Histórico 
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D. Amélia, D. Carlos e o Príncipe D. Luís Filipe
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21 de Março de 1556: Em Oxford, o Arcebispo de Cantuária Tomás Cranmer é executado na fogueira.

Académio inglês, nasceu a 2 de julho de 1489, no condado de Nottinghamshire, vindo a falecer, por execução de pena capital, a 21 de março de 1556, em Oxford. Seguiu a carreira clerical, junto com o irmão mais novo, por ser um "filho segundo", sem direito nem hipótese de herdar o património de família (que mal dava para o irmão mais velho). Como era de condição baixa, de família pouco abastada, enveredou pelo sacerdócio. Entrou no Colégio de Jesus, em 1510, que viria a abandonar para se casar com a filha de um taberneiro da cidade, a qual morreria no parto. O jovem Cranmer pede a readmissão no referido Colégio, que a autoriza. Dedica-se, desde então, aos estudos de forma fervorosa. Em 1523 tomou ordens sacras (sacerdócio).
Uma praga obrigou o padre Thomas Cranmer a abandonar Cambridge, deslocando-se para Essex, onde a sua inteligência despertou a atenção do rei Henrique VIII, que o chama para a corte. Cranmer, que viria a ser capelão real, foi consultado na questão da possibilidade de divórcio do rei com Catarina de Aragão, sua esposa e rainha. Cranmer sugeriu que se consultassem as universidades europeias sobre o tema, tendo também consultado a Cúria Pontifícia, em Roma, aonde se deslocou na embaixada real para o efeito, em 1530. Em 1532, os seus bons ofícios junto do rei colocaram-no à frente de uma embaixada de Inglaterra junto do imperador germânico Carlos V, em Nuremberga, na Alemanha. Nesta sua estadia, tomou conhecimento aprofundado do movimento reformador luterano, vindo mesmo a privar com uma das suas figuras mais importantes, Andreas Osiander, que despertou imenso a atenção e interesse a Cranmer. Como o terá feito de igual modo a sobrinha deste, Margarida, com a qual o enviado do rei Henrique VIII se casaria pouco depois.
No ano seguinte, a carreira de Cranmer manteve grande fulgor, tendo sido designado arcebispo de Cantuária (Canterbury). Foi, todavia, obrigado a disfarçar o seu estado civil. Um dos primeiros atos do arcebispo Cranmer, depois de aprovado por Roma como prelado, foi a declaração de vacuidade e nulidade do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão, filha dos Reis Católicos de Espanha, o que prenunciava um feroz conflito com o papado e com uma das mais poderosas nações católicas da Cristandade. Quatro meses após a declaração de nulidade desse casamento, Henrique VIII contrairia núpcias com Ana Bolena (Anne Boleyn), a cuja família havia alguns anos estava ligado Thomas Cranmer, através de Thomas Boleyn, pai da nova rainha. Três anos depois, em 1536, esta ligação e amizade de nada valeram ao arcebispo Cranmer, que seguiu a vontade real ao declarar também nulo o casamento do rei com Ana Bolena. A ela se seguiram Anne de Cléves e depôs Catherine Howard, que conheceram o mesmo destino da mãe da futura rainha Isabel I, cujo padrinho de batismo foi precisamente o diligente Thomas Cranmer, então o maior especialista em divórcios régios. Henrique VIII protegeu-o até morrer, em 1547.
Mas não apenas de divórcios tratou Cranmer: juntamente com outro Thomas famoso, de seu apelido Cromwell, apoiou a tradução da Bíblia para inglês, escrevendo também litanias para a Igreja inglesa, ainda hoje em uso. No reinado de Eduardo VI (1547-1553), sucessor de Henrique VIII, assumiu a elaboração das modificações doutrinais para a nova Igreja de Inglaterra, em cisma com Roma, apoiando o tutor do jovem rei, Edward Seymour, duque de Somerset, na direção do reino e na caminhada para o Protestantismo. Foi ainda decisiva, por exemplo, a sua intervenção na concretização do livro base da doutrina anglicana, o Book of Common Prayer, em 1549 e em 1552, numa segunda edição, uma espécie de catequismo da igreja anglicana. Em 1553 compôs os chamados "42 artigos da religião".
Em 1553 morria prematuramente o jovem rei Eduardo VI, abrindo a luta pela sua sucessão, que se adivinhava pouco pacífica. Cranmer era uma das palavras decisivas em Inglaterra. Já ainda em vida do falecido rei, foi decisivo para a assunção ao poder do regente John Dudley, duque de Nortúmbria, depois da queda em desgraça de Edward Seymour. Agora, no vazio do trono, Cranmer apoiaria Jane Grey, nora de Dudley, para rainha. Três dias depois da morte de Eduardo VI, Jane Grey foi declarada rainha de Inglaterra, a 6 julho de 1553, reinando apenas 9 dias, pois foi forçada a abdicar pela meia irmã do falecido rei, a catolicíssima Maria Tudor (única filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, nascida em 1516), que reinaria até 17 de novembro de 1558. Entretanto Jane Grey, por ordem da rainha Maria Tudor seria executada a 12 de fevereiro de 1554.
Antes desta execução, a 14 de setembro de 1553, pouco tempo depois de ascender ao trono, Maria I Tudor mandou Cranmer para a prisão da Torre de Londres, acusado de traição e condenado à morte. Depois de um longo julgamento e prisão e de várias tentativas de se retratar, após ter sido obrigado a proclamar publicamente o erro de apoiar o Protestantismo, foi queimado vivo em público a 21 de março de 1556.
             Thomas Cranmer by Gerlach Flicke.jpg

    Retrato de Gerlach Flicke

     

    21 de Março de 1963: É encerrada a prisão de Alcatraz

    A ilha mais temida na baía de São Francisco foi, durante muito tempo, a ilha-prisão de Alcatraz. A prisão de segurança máxima construída em 1934 foi fechada em 21 de Março de 1963.

    A ilha de Alcatraz deve o seu nome ao termo espanhol alcatraces, ou seja, pelicanos. É um enorme bloco de rocha de cinco hectares, sem vegetação. Ela foi comprada aos mexicanos em 1847 e sete anos mais tarde abrigou o primeiro farol na costa do Pacífico.
    Eternizado em livros e filmes, o nome Alcatraz tornou-se sinónimo de local impossível de se escapar. No início, eram transportados para lá os desertores da Guerra Civil americana. Mais tarde, os que se negavam a prestar serviço militar.

    A ilha foi administrada pela Secretaria da Guerra dos EUA até 1934, passando oficialmente então à pasta da Justiça, como prisão de segurança máxima. Embora tão próximos da civilização, a possibilidade de chegar até ela era praticamente impossível.
    Em cada cela, de escassos seis metros quadrados, havia uma cama, uma pequena mesa e um vaso sanitário. Os presos raramente podiam ouvir rádio ou ver televisão e recebiam visitas apenas uma hora por mês. A vigilância era total e quem infringisse as duras regras ia para a solitária, uma cela onde se ficava completamente às escuras, 24 horas por dia.
    A rotina era fixa: acordar às 6h30, café meia hora depois, seguido de trabalho. Depois vinha o almoço, às 11h40, e mais trabalho. O jantar já era servido às 16h20 e às 21h30 eram apagadas as luzes.
    Concebida para cerca de 500 prisioneiros, Alcatraz nunca teve mais de 250 presos, que passavam em média dez anos na ilha. Dos 11576 prisioneiros que passaram pela ilha em 30 anos, 34 tentaram fugir em 14 tentativas diferentes; 23 foram capturados poucas horas depois, seis foram mortos ainda na ilha e cinco são oficialmente dados como desaparecidos. Presume-se que morreram afogados nas águas frias da baía de São Francisco.
    Até o mafioso Al Capone passou uma temporada na prisão que foi tema de vários filmes de Hollywood. Alcatraz, Fuga Impossível (1979), realizado por Donald Siegel e protagonizado por Clint Eastwood, é o mais famoso deles e conta a história real dos únicos que conseguiram fugir da prisão, considerada na sua época a mais segura dos Estados Unidos. Trata-se da história de Clarence Anglin, o seu irmão John e Frank Morris, que desapareceram da ilha em 11 de Junho de 1962 e nunca mais foram vistos.
    Em 1996, foi a vez de Nicolas Cage e Sean Connery transformarem  Alcatraz em cenário da aventura, A Rocha. Desde 1973 são permitidas visitas turísticas à ilha.
    Fontes:DW
    wikipedia(imagens)
    Alcatraz em 1895
    File:AlcatrazIsland-1895.jpg


     File:Alcatraz Island photo D Ramey Logan.jpg